Pular para o conteúdo
Nabla
ELET0013 · 60h

Circuitos Elétricos 1

Revisão de circuitos resistivos, capacitores e indutores, transitórios de primeira e de segunda ordem com excitação contínua, e circuitos ativos com amplificadores operacionais.

01 Corrente, tensão, potência e energia

A ideia. Circuitos Elétricos 1 é a primeira cadeira em que você resolve um circuito em vez de estudar o campo que existe dentro dele. O Eletromagnetismo tratava de E\mathbf{E} e B\mathbf{B} no espaço; aqui o espaço desaparece e sobra um grafo de elementos ligados por fios ideais. Toda a cadeira se apoia em quatro grandezas e numa convenção de sinal — e é o sinal, não a conta, que derruba prova.

Corrente é uma taxa; tensão é uma diferença

i(t)=dqdtq(t)=q(t0)+∫t0ti(τ) dτi(t) = \frac{dq}{dt} \qquad\qquad q(t) = q(t_0) + \int_{t_0}^{t} i(\tau)\,d\tau

Duas leituras que valem para a cadeira inteira:

  • corrente passa por, tensão fica entre. Não existe “a tensão em um ponto” sem um segundo ponto de referência, e não existe “a corrente através de dois pontos”. Metade dos erros de enunciado mal lido é isto;
  • corrente é derivada de carga, então falar de corrente exige falar de quando. Na 3ª e na 4ª unidade, quando ii e vv passarem a depender do tempo, essa derivada volta como protagonista.

A convenção passiva de sinal

02 Elementos passivos e ativos; fontes independentes e controladas

A ideia. Um circuito é um grafo, e todo o vocabulário da cadeira está nos nós, nos ramos e nas malhas. Antes de escrever qualquer equação vale saber ler o desenho — e saber, olhando para cada elemento, se ele entrega ou consome energia, porque é isso que separa fonte de carga.

Passivo e ativo

Passivo é o elemento que só consome ou armazena: resistor (dissipa), capacitor e indutor (armazenam e devolvem). Nenhum deles cria energia — no balanço de um ciclo completo, a energia que sai deles nunca é maior que a que entrou.

Ativo é o que fornece: as fontes. E é aqui que a cadeira separa dois tipos que se comportam de maneira muito diferente na hora de resolver.

Fontes controladas: o que muda de verdade

Uma fonte independente vale um número. Uma fonte controlada (ou dependente) vale kk vezes uma tensão ou uma corrente de outro ponto do circuito — e é isso que a torna trabalhosa: ela acopla partes do circuito que pareciam separadas.

São quatro, e o nome diz a fórmula:

FTCTv=μ vx(tensa˜o controlada por tensa˜o, μ adimensional)FTCCv=r ix(tensa˜o controlada por corrente, r em Ω)FCCTi=g vx(corrente controlada por tensa˜o, g em S)FCCCi=β ix(corrente controlada por corrente, β adimensional)\begin{array}{ll} \textbf{FTCT} & v = \mu\,v_x \quad \text{(tensão controlada por tensão, } \mu \text{ adimensional)}\\[2pt] \textbf{FTCC} & v = r\,i_x \quad \text{(tensão controlada por corrente, } r \text{ em } \Omega)\\[2pt] \textbf{FCCT} & i = g\,v_x \quad \text{(corrente controlada por tensão, } g \text{ em } \mathrm{S})\\[2pt] \textbf{FCCC} & i = \beta\,i_x \quad \text{(corrente controlada por corrente, } \beta \text{ adimensional)} \end{array}

03 Lei de Ohm e associação de resistores

A ideia. O resistor é o único elemento da cadeira em que tensão e corrente se relacionam por um número, sem derivada e sem integral. Por isso ele é o mais fácil — e por isso a “revisão de circuitos resistivos” é a primeira unidade: tudo o que vem depois (capacitor, indutor, transitório) é essa mesma análise com uma equação diferencial no lugar de RR.

v=R ip=v i=R i2=v2Rv = R\,i \qquad\qquad p = v\,i = R\,i^2 = \frac{v^2}{R}

Note que p≥0p \ge 0 sempre: resistor só absorve. As três formas da potência são a mesma conta — use a que já tem o dado que você conhece, sem passar pela terceira variável.

As duas associações

04 Divisor de tensão e divisor de corrente

A ideia. Os divisores não são fórmulas novas: são a Lei de Ohm aplicada a uma associação, escrita de um jeito que dispensa achar a corrente (ou a tensão) total primeiro. Bem usados, eles resolvem em uma linha o que a análise nodal resolve em um sistema — e é por isso que valem ser reconhecidos de olho.

Divisor de tensão — série

vk=v RkR1+R2+⋯+Rnv_k = v\,\frac{R_k}{R_1 + R_2 + \cdots + R_n}

A tensão se reparte proporcionalmente à resistência: o maior resistor fica com a maior fatia. Faz sentido — mesma corrente em todos, então vk=Rkiv_k = R_k i.

Divisor de corrente — paralelo

ik=i GkG1+⋯+Gn=i ReqRki_k = i\,\frac{G_k}{G_1 + \cdots + G_n} = i\,\frac{R_{eq}}{R_k}

A corrente se reparte inversamente à resistência: o menor resistor leva a maior fatia — é o caminho mais fácil. Para dois resistores, a forma que se usa na prática:

i1=i R2R1+R2i2=i R1R1+R2i_1 = i\,\frac{R_2}{R_1 + R_2} \qquad\qquad i_2 = i\,\frac{R_1}{R_1 + R_2}

05 As leis de Kirchhoff

A ideia. A Lei de Ohm descreve um elemento. As leis de Kirchhoff descrevem como os elementos conversam — e são elas, não Ohm, que sustentam todo o resto da cadeira: análise nodal, análise de malhas, Thévenin e as equações diferenciais dos transitórios saem todas daqui. São duas, e cada uma é uma lei de conservação disfarçada.

LKC — no nó, o que entra sai

∑kik=0ou∑ientra=∑isai\sum_{k} i_k = 0 \qquad\text{ou}\qquad \sum i_{\text{entra}} = \sum i_{\text{sai}}

Carga não se acumula num nó (um nó é um ponto, não tem capacitância). Vale para qualquer nó e também para qualquer superfície fechada que envolva parte do circuito — é essa generalização que autoriza o supernó.

LKT — no laço, a soma das quedas é zero

∑kvk=0\sum_{k} v_k = 0

Percorra um laço fechado e volte ao ponto de partida: você tem de voltar ao mesmo potencial. Se não voltasse, daria para extrair energia dando voltas — e não dá.

5 A3 Ai1A

No nó AA: entra 5 A5\ \mathrm{A}, saem 3 A3\ \mathrm{A} e i1i_1. Logo i1=5−3=2 Ai_1 = 5 - 3 = 2\ \mathrm{A} — e se o resultado desse negativo, significaria apenas que a corrente vai no sentido oposto ao da seta.

06 Análise nodal (análise de nós)

A ideia. Kirchhoff dá as equações, mas não diz quais escrever. A análise nodal responde isso de um jeito mecânico: eleja um nó como referência, chame de incógnita o potencial de cada um dos outros, e escreva a LKC em cada um deles. As correntes dos ramos você nem nomeia — elas viram diferenças de potencial divididas por resistências. Sai um sistema (n−1)×(n−1)(n-1) \times (n-1), e é o método que a prova pede quando o circuito tem fontes de corrente.

O roteiro

  1. Conte os nós e escolha a referência — sempre o de mais ramos, ou o terminal −- da maior fonte de tensão. Uma escolha boa apaga uma incógnita de graça.
  2. Nomeie v1,…,vn−1v_1, \dots, v_{n-1} nos demais.
  3. LKC em cada nó, com todas as correntes saindo. A corrente que sai de aa para bb por um resistor RR é ia→b=va−vbRi_{a \to b} = \frac{v_a - v_b}{R} Sempre “o daqui menos o de lá, sobre a resistência”. Fonte de corrente entra como o próprio valor, com o sinal do sentido.
  4. Resolva o sistema.

Fonte de tensão entre dois nós: o supernó

Uma fonte de tensão ideal não tem uma corrente própria que você possa escrever, então a LKC trava. Há dois casos:

  • Fonte ligada à referência. O potencial do outro nó já é conhecido: vk=±Vsv_k = \pm V_s. Uma incógnita a menos, nem se escreve a LKC ali.
  • Fonte flutuando entre dois nós aa e bb. Envolva os dois numa superfície fechada — o supernó — e escreva a LKC dessa superfície (as correntes de fora, ignorando a fonte). Isso dá uma equação; a segunda é a restrição imposta pela fonte: va−vb=Vsv_a - v_b = V_s

Duas incógnitas, duas equações. Nenhuma informação se perde.

3 Av1+−12 Vv24 Ω6 Ω3 Ωsupernó

A LKC do supernó ignora a fonte e conta só o que atravessa a moldura: v14+v26+v23=3\dfrac{v_1}{4} + \dfrac{v_2}{6} + \dfrac{v_2}{3} = 3. A segunda equação é a própria fonte: v1−v2=12v_1 - v_2 = 12.

07 Análise de malhas

A ideia. É a análise nodal de cabeça para baixo: em vez de potenciais nos nós, as incógnitas são correntes fictícias circulando em cada malha, e em vez da LKC você escreve a LKT. Vale só para circuitos planos (que se desenham sem cruzar fios), e é o método que a prova pede quando o circuito tem fontes de tensão — pela mesma razão que a nodal brilha com fontes de corrente.

O roteiro

  1. Identifique as malhas e atribua a cada uma delas uma corrente, todas no mesmo sentido (adote horário e nunca mais pense nisso).
  2. LKT em cada malha, percorrendo no sentido da própria corrente.
  3. Num ramo compartilhado por duas malhas, a corrente real é a diferença: o resistor comum entre as malhas 11 e 22 cai R (i1−i2)R\,(i_1 - i_2) quando escrito da malha 11.
  4. Resolva e só então volte às correntes reais dos ramos.

Fonte de corrente num ramo: a supermalha

Uma fonte de corrente ideal não tem uma tensão própria que você possa escrever, então a LKT trava. Dois casos, espelhando o supernó:

  • Fonte só numa malha (num ramo de fronteira externa). A corrente daquela malha já está determinada: ik=±Isi_k = \pm I_s. Uma incógnita a menos.
  • Fonte compartilhada por duas malhas 11 e 22. Escreva a LKT do contorno externo das duas juntas — a supermalha —, pulando o ramo da fonte. Isso dá uma equação; a segunda é a restrição da fonte: i1−i2=Isi_1 - i_2 = I_s
+−10 V2 Ω6 Ω2 A3 Ωi1i2

A LKT da supermalha percorre o contorno externo e ignora o ramo do meio: −10+2i1+6i2+3i2=0-10 + 2i_1 + 6i_2 + 3i_2 = 0. A segunda equação vem da fonte: i1−i2=2i_1 - i_2 = 2.

08 Princípio da superposição

A ideia. Circuito linear é circuito em que dobrar as fontes dobra todas as respostas. Disso segue algo mais forte e muito útil: a resposta a várias fontes é a soma das respostas a cada fonte agindo sozinha. Então um circuito com três fontes vira três circuitos com uma fonte cada — cada um mais simples, e cada um resolvido pelo método que for mais conveniente.

O enunciado

v=v(1)+v(2)+⋯+v(m)i=i(1)+i(2)+⋯+i(m)v = v^{(1)} + v^{(2)} + \dots + v^{(m)} \qquad i = i^{(1)} + i^{(2)} + \dots + i^{(m)}

onde v(k)v^{(k)} é a resposta com a fonte kk ativa e todas as outras desativadas. Com mm fontes independentes, mm circuitos.

+−12 V4 Ω6 Ω2 A−+v

Duas fontes, dois subcircuitos. Note que vv é a tensão sobre o resistor de 6 Ω6\ \Omega — é ela que a superposição vai montar em duas parcelas.

Os dois subcircuitos da figura

Só a fonte de tensão (a de corrente vira circuito aberto). Sobram 12 V12\ \mathrm{V} sobre 4 Ω4\ \Omega em série com 6 Ω6\ \Omega — divisor de tensão:

v(1)=12⋅64+6=7,2 Vv^{(1)} = 12 \cdot \frac{6}{4 + 6} = 7{,}2\ \mathrm{V}

Só a fonte de corrente (a de tensão vira curto). Os 2 A2\ \mathrm{A} encontram 6 Ω6\ \Omega em paralelo com 4 Ω4\ \Omega:

v(2)=2⋅(6∥4)=2⋅2,4=4,8 Vv^{(2)} = 2 \cdot (6 \parallel 4) = 2 \cdot 2{,}4 = 4{,}8\ \mathrm{V}v=7,2+4,8=12 V\boxed{v = 7{,}2 + 4{,}8 = 12\ \mathrm{V}}

09 Equivalentes de Thévenin e de Norton

A ideia. Escolha dois terminais quaisquer de um circuito linear. Do ponto de vista de quem se liga neles, tudo que está do outro lado — dez resistores, quatro fontes, o que for — é indistinguível de uma fonte de tensão em série com um resistor. Esse é Thévenin. E como fonte de tensão com resistor em série se converte em fonte de corrente com resistor em paralelo, existe a versão dual: Norton. É o teorema que permite resolver um circuito grande uma vez e depois trocar a carga à vontade.

As três grandezas, e a relação entre elas

VTh=vab∣em abertoIN=iab∣em curtoVTh=RTh INV_{\mathrm{Th}} = v_{ab}\big|_{\text{em aberto}} \qquad I_{N} = i_{ab}\big|_{\text{em curto}} \qquad V_{\mathrm{Th}} = R_{\mathrm{Th}} \, I_{N}

Basta achar duas — a terceira sai da relação. Isso é o atalho mais útil do assunto: quando o circuito tem fonte controlada e RThR_{\mathrm{Th}} é difícil de ver, calcule VThV_{\mathrm{Th}} e INI_N e divida.

+−VThRThabThéveninINRNabNorton

Os dois enxergam a mesma coisa em aa–bb, para qualquer carga. A conversão é direta: IN=VTh/RThI_N = V_{\mathrm{Th}}/R_{\mathrm{Th}}, com RN=RThR_N = R_{\mathrm{Th}}.

Como achar RThR_{\mathrm{Th}} — três casos, em ordem de preferência

  1. Só fontes independentes. Desative todas (tensão vira fio, corrente vira buraco) e associe série/paralelo olhando de aa–bb para dentro. É conta de aritmética.
  2. Há fontes controladas. Não se pode desativá-las. Aplique uma fonte de teste em aa–bb — injete 1 A1\ \mathrm{A} e meça vabv_{ab}, ou aplique 1 V1\ \mathrm{V} e meça ii — com as fontes independentes desativadas: RTh=vtesteitesteR_{\mathrm{Th}} = \frac{v_{\text{teste}}}{i_{\text{teste}}}
  3. O caminho preguiçoso e infalível. Calcule VThV_{\mathrm{Th}} (em aberto) e INI_N (em curto) com o circuito completo, e faça RTh=VTh/INR_{\mathrm{Th}} = V_{\mathrm{Th}}/I_N.

10 Máxima transferência de potência

A ideia. Um circuito com VThV_{\mathrm{Th}} e RThR_{\mathrm{Th}} fixos alimenta uma carga RLR_L que você pode escolher. Carga pequena demais: a corrente é grande, mas quase toda a tensão cai dentro da fonte. Carga grande demais: a tensão na carga é quase VThV_{\mathrm{Th}}, mas quase não passa corrente. Existe um meio, e ele é exatamente no ponto em que a carga casa com a resistência interna.

O resultado

pL=RL i2=RL(VThRTh+RL)2p_L = R_L \, i^2 = R_L \left(\frac{V_{\mathrm{Th}}}{R_{\mathrm{Th}} + R_L}\right)^2

Derive em relação a RLR_L e iguale a zero:

dpLdRL=VTh2 (RTh+RL)2−2RL(RTh+RL)(RTh+RL)4=VTh2 RTh−RL(RTh+RL)3\frac{dp_L}{dR_L} = V_{\mathrm{Th}}^2 \, \frac{(R_{\mathrm{Th}} + R_L)^2 - 2R_L(R_{\mathrm{Th}} + R_L)}{(R_{\mathrm{Th}} + R_L)^4} = V_{\mathrm{Th}}^2 \, \frac{R_{\mathrm{Th}} - R_L}{(R_{\mathrm{Th}} + R_L)^3}

que zera em

RL=RThe enta˜opL,max⁡=VTh24 RTh\boxed{R_L = R_{\mathrm{Th}}} \qquad\text{e então}\qquad \boxed{p_{L,\max} = \frac{V_{\mathrm{Th}}^2}{4\,R_{\mathrm{Th}}}}
+−VThRThRLi

Metade da tensão cai dentro, metade na carga — por isso o rendimento no ponto de máxima potência é de apenas 50%50\%. Máxima potência e máximo rendimento são objetivos diferentes.

11 Amplificador operacional ideal

A ideia. O amp. op. é o primeiro elemento da cadeira que não é um bipolo: tem duas entradas, uma saída, e amplifica a diferença entre as entradas por um ganho enorme. Só que analisar circuito com amp. op. não exige nada disso — exige duas regras, e as duas saem de levar o ganho ao limite. Depois delas, é o mesmo Kirchhoff de sempre.

As duas regras do amp. op. ideal

v+=v−i+=i−=0\boxed{v_{+} = v_{-}} \qquad\qquad \boxed{i_{+} = i_{-} = 0}

A primeira, o curto virtual: se vo=A(v+−v−)v_o = A(v_+ - v_-) é finito e A→∞A \to \infty, então v+−v−→0v_+ - v_- \to 0. As entradas ficam no mesmo potencial sem estarem ligadas — daí “virtual”. Ela só vale com realimentação negativa; sem ela o amp. op. satura e a regra não se aplica.

A segunda: a impedância de entrada ideal é infinita, então nenhuma corrente entra pelos terminais de entrada. Toda a corrente que chega ao nó inversor tem de ir para a realimentação.

Os dois circuitos que caem em prova

+−veR1−+R2vo

Inversor. O nó inversor está em 0 V0\ \mathrm{V} (curto virtual com o terra) — é o terra virtual. A LKC ali: ve−0R1+vo−0R2=0\dfrac{v_e - 0}{R_1} + \dfrac{v_o - 0}{R_2} = 0, ou seja

vove=−R2R1\frac{v_o}{v_e} = -\frac{R_2}{R_1}

Trocando a fonte de lugar — entrando pela não inversora e aterrando a ponta livre de R1R_1 — obtém-se o não inversor, com v−=v+=vev_- = v_+ = v_e e a mesma LKC:

vove=1+R2R1\frac{v_o}{v_e} = 1 + \frac{R_2}{R_1}

que nunca é menor que 11, e vale exatamente 11 quando R2=0R_2 = 0 — o seguidor de tensão, cuja função é isolar, não amplificar.

12 Capacitores: tensão, corrente, energia e associação

A ideia. Até aqui todo elemento era resistivo: a corrente de agora dependia só da tensão de agora. O capacitor quebra isso. Ele guarda carga, e a corrente que passa por ele não depende do valor da tensão, mas da velocidade com que ela muda. É o primeiro elemento com memória da cadeira — e é de onde vêm as equações diferenciais de todo o resto.

As duas relações

 iC=C dvCdt vC(t)=vC(t0)+1C∫t0tiC(τ) dτ\boxed{\,i_C = C\,\frac{dv_C}{dt}\,} \qquad\qquad v_C(t) = v_C(t_0) + \frac{1}{C}\int_{t_0}^{t} i_C(\tau)\,d\tau

A primeira é a definição operacional; a segunda é ela integrada, e mostra onde mora a memória: para saber vCv_C agora é preciso saber a história da corrente, mais a condição inicial vC(t0)v_C(t_0).

Do lado da física, para o capacitor de placas paralelas do Eletromagnetismo, C=εA/dC = \varepsilon A / d — a capacitância é geometria, não escolha do circuito.

Energia

wC(t)=12 C vC2(t)w_C(t) = \frac{1}{2}\,C\,v_C^2(t)

Sempre ≥0\geq 0: o capacitor armazena e devolve, nunca dissipa. Repare que a energia depende de vCv_C, não de iCi_C — é a tensão que é o “estado” do capacitor.

Associação

seˊrie:1Ceq=∑k1Ckparalelo:Ceq=∑kCk\text{série:}\quad \frac{1}{C_{\mathrm{eq}}} = \sum_k \frac{1}{C_k} \qquad\qquad \text{paralelo:}\quad C_{\mathrm{eq}} = \sum_k C_k

Ao contrário do resistor — e a razão é direta: em paralelo as áreas das placas se somam, então a capacitância soma; em série as separações se somam, então o inverso é que soma.

C1C2em sérieC1C2em paralelo

Vale a mesma leitura de sempre: em série a carga é a mesma nos dois e as tensões se dividem; em paralelo a tensão é a mesma e as cargas se somam.

13 Indutores: tensão, corrente, energia e associação

A ideia. O indutor é o dual exato do capacitor. Onde o capacitor guarda energia num campo elétrico e resiste a mudanças de tensão, o indutor guarda energia num campo magnético e resiste a mudanças de corrente. Troque v↔iv \leftrightarrow i e C↔LC \leftrightarrow L e você traduz uma fórmula na outra — inclusive as regras de associação, que voltam a ser as do resistor.

As duas relações

 vL=L diLdt iL(t)=iL(t0)+1L∫t0tvL(τ) dτ\boxed{\,v_L = L\,\frac{di_L}{dt}\,} \qquad\qquad i_L(t) = i_L(t_0) + \frac{1}{L}\int_{t_0}^{t} v_L(\tau)\,d\tau

A tensão no indutor não depende do valor da corrente, mas da velocidade com que ela muda. O sinal vem da lei de Faraday: a tensão induzida se opõe à variação do fluxo, e é por isso que o indutor “empurra de volta” quando você tenta mudar a corrente nele.

Energia

wL(t)=12 L iL2(t)w_L(t) = \frac{1}{2}\,L\,i_L^2(t)

De novo, sempre ≥0\geq 0, e de novo, a energia depende do estado: para o indutor o estado é a corrente.

Associação — igual à do resistor

seˊrie:Leq=∑kLkparalelo:1Leq=∑k1Lk\text{série:}\quad L_{\mathrm{eq}} = \sum_k L_k \qquad\qquad \text{paralelo:}\quad \frac{1}{L_{\mathrm{eq}}} = \sum_k \frac{1}{L_k}

14 Chaveamento: o circuito em 0⁻ e em 0⁺

A ideia. Uma chave abre ou fecha em t=0t=0 e o circuito muda de cara. O que não muda são vCv_C e iLi_L — e é só isso que atravessa o instante do chaveamento. Todo o resto (as outras tensões, as outras correntes, e todas as derivadas) tem de ser recalculado do zero no circuito novo. Este é o quesito 1 de praticamente toda segunda prova da cadeira, e ele é inteiramente mecânico.

O roteiro, em três circuitos

1. Desenhe o circuito de 0−0^-. Chaves na posição anterior, e regime permanente CC:

  • capacitor →\to circuito aberto;
  • indutor →\to fio.

Resolva por Ohm/divisores e anote só vC(0−)v_C(0^-) e iL(0−)i_L(0^-). É só isso que serve.

2. Aplique a continuidade. Sempre, e sem exceção em circuito de prova:

vC(0+)=vC(0−)iL(0+)=iL(0−)v_C(0^+) = v_C(0^-) \qquad\qquad i_L(0^+) = i_L(0^-)

3. Desenhe o circuito de 0+0^+. Chaves na posição nova, e agora — este é o passo que se erra —

  • capacitor →\to fonte de tensão de valor vC(0+)v_C(0^+);
  • indutor →\to fonte de corrente de valor iL(0+)i_L(0^+).

Resolva esse circuito puramente resistivo. Ele entrega todas as outras grandezas em 0+0^+: a corrente do capacitor, a tensão do indutor, a corrente em cada resistor.

+−24 Vt = 04 Ω2 H8 Ω1 mF−+vCiL

Com a chave aberta em 0−0^- não circula corrente nenhuma: iL(0−)=0i_L(0^-) = 0 e vC(0−)=0v_C(0^-) = 0. Fechando a chave, esses dois valores atravessam — e o circuito de 0+0^+ tem o capacitor como fonte de 0 V0\ \mathrm{V} (um curto) e o indutor como fonte de 0 A0\ \mathrm{A} (um aberto).

As derivadas em 0+0^+

Aqui a maioria erra, e o erro é sempre o mesmo: tentar derivar a resposta final. Não precisa. As derivadas saem das próprias relações do elemento, avaliadas no circuito de 0+0^+:

 dvC(0+)dt=iC(0+)C  diL(0+)dt=vL(0+)L \boxed{\ \frac{dv_C(0^+)}{dt} = \frac{i_C(0^+)}{C}\ } \qquad\qquad \boxed{\ \frac{di_L(0^+)}{dt} = \frac{v_L(0^+)}{L}\ }

Ou seja: para achar dvC/dtdv_C/dt em 0+0^+, ache a corrente do capacitor no circuito de 0+0^+ e divida por CC. Para achar diL/dtdi_L/dt, ache a tensão do indutor e divida por LL. Duas divisões, e acabou.

15 Resposta natural: RC e RL sem excitação

A ideia. Tire todas as fontes e deixe só um resistor e um elemento armazenador carregado. O que sobra é um circuito que se descarrega sozinho — nenhuma fonte manda nele, e por isso a resposta se chama natural. Ela é sempre a mesma exponencial decrescente, e a única coisa que muda de um circuito para outro é a constante de tempo.

RC: a equação e a resposta

Com o capacitor descarregando em RR, a LKC no nó de cima dá Cdvdt+vR=0C\dfrac{dv}{dt} + \dfrac{v}{R} = 0, ou

dvdt+1RC v=0⟹ vC(t)=vC(0) e−t/τ,τ=ReqC \frac{dv}{dt} + \frac{1}{RC}\,v = 0 \qquad\Longrightarrow\qquad \boxed{\,v_C(t) = v_C(0)\,e^{-t/\tau}, \quad \tau = R_{\mathrm{eq}}C\,}

RL: a equação e a resposta

Com o indutor se descarregando em RR, a LKT dá Ldidt+Ri=0L\dfrac{di}{dt} + Ri = 0, ou

didt+RL i=0⟹ iL(t)=iL(0) e−t/τ,τ=LReq \frac{di}{dt} + \frac{R}{L}\,i = 0 \qquad\Longrightarrow\qquad \boxed{\,i_L(t) = i_L(0)\,e^{-t/\tau}, \quad \tau = \frac{L}{R_{\mathrm{eq}}}\,}
CR−+vCRC: τ = RCLRiLRL: τ = L/R

Os dois circuitos são o mesmo problema. Em ambos, RR é a resistência equivalente vista dos terminais do elemento — se houver uma rede de resistores, reduza-a a um ReqR_{\mathrm{eq}} antes de calcular τ\tau.

16 Resposta ao degrau e a fórmula dos três valores

A ideia. Ligue uma fonte constante em t=0t=0. A resposta agora tem duas partes: a natural, que é a exponencial da seção anterior morrendo, e a forçada, que é o que a fonte impõe depois que o transitório passa. A soma das duas é a resposta completa — e, para excitação constante, ela cabe numa fórmula de três parâmetros que resolve qualquer circuito de 1ª ordem sem escrever equação diferencial nenhuma.

Resposta natural + resposta forçada

A equação de qualquer circuito de 1ª ordem com excitação constante XsX_s tem a forma

dxdt+1τ x=Xsτ\frac{dx}{dt} + \frac{1}{\tau}\,x = \frac{X_s}{\tau}

A solução geral é a homogênea mais uma particular constante:

x(t)=A e−t/τ⏟natural (transitoˊria)+Xs⏟forc¸ada (permanente)x(t) = \underbrace{A\,e^{-t/\tau}}_{\text{natural (transitória)}} + \underbrace{X_s}_{\text{forçada (permanente)}}

e AA sai de impor x(0+)x(0^+). Fazendo isso, chega-se à forma que se usa na prática:

 x(t)=x(∞)+[ x(0+)−x(∞) ] e−t/τ,t>0 \boxed{\ x(t) = x(\infty) + \big[\,x(0^+) - x(\infty)\,\big]\,e^{-t/\tau}, \qquad t > 0\ }

Três valores e acabou: onde começa, onde termina, e quão rápido vai de um ao outro.

Os três valores, um a um

  • x(0+)x(0^+) — pelo roteiro da seção 14: circuito de 0−0^-, continuidade, circuito de 0+0^+.
  • x(∞)x(\infty) — o circuito depois do chaveamento, em regime permanente CC: capacitor aberto, indutor em curto. É um circuito resistivo.
  • τ\tau — ReqCR_{\mathrm{eq}}C ou L/ReqL/R_{\mathrm{eq}}, com ReqR_{\mathrm{eq}} visto pelo elemento no circuito depois do chaveamento, fontes independentes desativadas.
+−10 Vt = 02 kΩ1 mF−+vC

vC(0+)=0v_C(0^+) = 0 (descarregado), vC(∞)=10 Vv_C(\infty) = 10\ \mathrm{V} (capacitor aberto, sem corrente, sem queda no resistor) e τ=(2 k)(1 m)=2 s\tau = (2\,\mathrm{k})(1\,\mathrm{m}) = 2\ \mathrm{s}. Logo vC(t)=10−10 e−t/2 Vv_C(t) = 10 - 10\,e^{-t/2}\ \mathrm{V}.

17 O roteiro completo de um circuito de 1ª ordem

A ideia. As três seções anteriores dão as peças. Esta junta tudo num procedimento único, na ordem em que ele se escreve na prova. Não há nada novo aqui — há ordem, que é o que separa a questão que fecha da que se perde no meio.

Os seis passos

1. Identifique a ordem. Conte os elementos armazenadores depois de associar todos os que puderem ser associados. Um só ⇒\Rightarrow 1ª ordem, e este roteiro se aplica.

2. Circuito em t=0−t = 0^-. Chaves na posição antiga, regime permanente: capacitor aberto, indutor em curto. Extraia apenas vC(0−)v_C(0^-) ou iL(0−)i_L(0^-).

3. Continuidade. vC(0+)=vC(0−)v_C(0^+) = v_C(0^-); iL(0+)=iL(0−)i_L(0^+) = i_L(0^-).

4. Circuito em t→∞t \to \infty. Chaves na posição nova, regime permanente de novo: capacitor aberto, indutor em curto. Daí sai x(∞)x(\infty).

5. Constante de tempo. No circuito novo, desative as fontes independentes, remova o elemento armazenador e olhe seus terminais: isso é ReqR_{\mathrm{eq}}. Então τ=ReqC\tau = R_{\mathrm{eq}}C ou τ=L/Req\tau = L/R_{\mathrm{eq}}.

6. Monte a resposta e só então derive o que mais o enunciado pedir:

x(t)=x(∞)+[x(0+)−x(∞)] e−(t−t0)/τx(t) = x(\infty) + \big[x(0^+) - x(\infty)\big]\,e^{-(t - t_0)/\tau}
+−20 Vt = 010 Ω5 Ω0,5 HiL

A chave abre em t=0t=0. Antes dela, a fonte alimenta o 10 Ω10\ \Omega em paralelo com o ramo 5 Ω5\ \Omega + indutor; depois, a fonte é desligada e o indutor se descarrega em 5+10=15 Ω5 + 10 = 15\ \Omega.

18 Vários chaveamentos, o degrau e a fonte genérica

A ideia. Nem toda questão tem uma chave só. Quando há dois chaveamentos, ou quando a fonte é uma sequência de degraus, a resposta se monta por intervalos: cada trecho é um problema de 1ª ordem completo, e o valor final de um vira o valor inicial do seguinte. Nada de novo — o roteiro da seção anterior aplicado duas ou três vezes, com o cuidado de que τ\tau pode mudar de trecho para trecho.

O degrau unitário, e por que ele aparece

u(t)={0,t<01,t>0u(t−a)={0,t<a1,t>au(t) = \begin{cases} 0, & t < 0 \\ 1, & t > 0 \end{cases} \qquad\qquad u(t-a) = \begin{cases} 0, & t < a \\ 1, & t > a \end{cases}

Uma fonte escrita como vs(t)=10 u(t) Vv_s(t) = 10\,u(t)\ \mathrm{V} é a mesma coisa que “fonte de 10 V10\ \mathrm{V} com uma chave que fecha em t=0t=0” — o enunciado só trocou o desenho por uma expressão. E vs(t)=10[u(t)−u(t−3)]v_s(t) = 10\big[u(t) - u(t-3)\big] é a fonte que liga em t=0t=0 e desliga em t=3 st=3\ \mathrm{s}.

O procedimento por intervalos

  1. Marque os instantes em que algo muda: t1,t2,…t_1, t_2, \dots Eles cortam o eixo em intervalos.
  2. Em cada intervalo o circuito é fixo. Resolva-o como 1ª ordem, com τ\tau próprio.
  3. Costure: o vCv_C (ou iLi_L) no fim de um intervalo é a condição inicial do próximo.
  4. Escreva a resposta por trechos, cada um com o seu e−(t−tk)/τke^{-(t-t_k)/\tau_k}.
+−12 Vabre em t11 kΩ500 µF3 kΩ−+vC

Enquanto a chave está fechada, o capacitor vê 1 kΩ∥3 kΩ=750 Ω1\ \mathrm{k}\Omega \parallel 3\ \mathrm{k}\Omega = 750\ \Omega; depois de aberta, vê só os 3 kΩ3\ \mathrm{k}\Omega. Dois circuitos, dois τ\tau.

19 A equação de 2ª ordem e as frequências naturais

A ideia. Com dois elementos armazenadores que não podem ser associados, a equação do circuito passa a ter segunda derivada. A resposta deixa de ser uma exponencial só: aparecem duas frequências naturais, e o comportamento — decair manso, decair no limite ou oscilar — depende de as duas serem reais ou complexas. Toda a segunda metade da cadeira é essa decisão.

Montando a equação

O caminho é sempre o mesmo: escreva LKC ou LKT, substitua as relações dos elementos, e elimine as variáveis até sobrar uma. Para o RLC série, com ii como incógnita, a LKT dá

Ldidt+Ri+1C∫i dt=0→ d/dt d2idt2+RLdidt+1LC i=0L\frac{di}{dt} + Ri + \frac{1}{C}\int i\,dt = 0 \qquad\xrightarrow{\ d/dt\ }\qquad \frac{d^2 i}{dt^2} + \frac{R}{L}\frac{di}{dt} + \frac{1}{LC}\,i = 0

Toda equação de 2ª ordem homogênea se escreve na forma padrão:

 d2xdt2+2α dxdt+ω02 x=0 \boxed{\ \frac{d^2x}{dt^2} + 2\alpha\,\frac{dx}{dt} + \omega_0^2\,x = 0\ }

As frequências naturais

Substituindo x=estx = e^{st} chega-se à equação característica e às suas raízes:

s2+2αs+ω02=0⟹ s1,2=−α±α2−ω02 s^2 + 2\alpha s + \omega_0^2 = 0 \qquad\Longrightarrow\qquad \boxed{\ s_{1,2} = -\alpha \pm \sqrt{\alpha^2 - \omega_0^2}\ }

O sinal do radicando decide tudo, e é o assunto da próxima seção.

+−vsRLCsérie: α = R/2LisRLCparalelo: α = 1/2RC

São os dois arranjos com fórmula fechada. Fora deles — dois indutores em posições que não se associam, ou dois capacitores separados por um resistor — monte a equação: é o que o professor chama de circuito RLL e RCC.

20 Os três amortecimentos

A ideia. A comparação entre α\alpha e ω0\omega_0 decide a forma da resposta natural, e há exatamente três desfechos. Não é uma escala contínua de “mais ou menos oscilante”: são três formas de solução diferentes, com expressões diferentes, e escolher a errada estraga a questão inteira mesmo com α\alpha e ω0\omega_0 corretos.

Caso 1 — superamortecido: α>ω0\alpha > \omega_0

Duas raízes reais e distintas, ambas negativas:

s1,2=−α±α2−ω02⟹ x(t)=A1es1t+A2es2t s_{1,2} = -\alpha \pm \sqrt{\alpha^2 - \omega_0^2} \qquad\Longrightarrow\qquad \boxed{\,x(t) = A_1 e^{s_1 t} + A_2 e^{s_2 t}\,}

Duas exponenciais somadas: nenhuma oscilação, e a mais lenta (ss de menor módulo) domina o fim do transitório.

Caso 2 — criticamente amortecido: α=ω0\alpha = \omega_0

Raiz real dupla, s1=s2=−αs_1 = s_2 = -\alpha. A solução não é uma exponencial só (duas constantes precisam de duas funções independentes):

 x(t)=(A1+A2 t)e−αt \boxed{\,x(t) = \left(A_1 + A_2\,t\right)e^{-\alpha t}\,}

É o caso mais rápido sem oscilar — a fronteira exata.

Caso 3 — subamortecido: α<ω0\alpha < \omega_0

Raízes complexas conjugadas, s1,2=−α±jωds_{1,2} = -\alpha \pm j\omega_d:

 x(t)=e−αt(B1cos⁡ωdt+B2sin⁡ωdt) \boxed{\,x(t) = e^{-\alpha t}\left(B_1 \cos \omega_d t + B_2 \sin \omega_d t\right)\,}

Oscilação de frequência ωd\omega_d dentro de um envelope e−αte^{-\alpha t}. Repare que ωd<ω0\omega_d < \omega_0 sempre: o amortecimento não só apaga a oscilação, ele a atrasa.

x(∞)tx0subamortecida: α < ω₀crítica: α = ω₀superamortecida: α > ω₀
As três respostas ao degrau, com o mesmo ω0\omega_0 e o mesmo valor final. A subamortecida chega antes, mas passa do ponto; a superamortecida nunca ultrapassa, e é a mais lenta.

21 Condições iniciais de 2ª ordem e a derivada

A ideia. Uma solução de 2ª ordem tem duas constantes, então precisa de duas condições: o valor inicial e a derivada inicial. O valor sai da continuidade, como sempre. A derivada é a parte que decide a nota, e ela não se obtém derivando a resposta — obtém-se lendo o circuito de 0+0^+ com as relações do capacitor e do indutor. Esta seção é o quesito 1 da segunda prova levado até o fim.

O par de condições, e de onde cada uma vem

vC(0+)=vC(0−)dvC(0+)dt=iC(0+)Cv_C(0^+) = v_C(0^-) \qquad\qquad \frac{dv_C(0^+)}{dt} = \frac{i_C(0^+)}{C}iL(0+)=iL(0−)diL(0+)dt=vL(0+)Li_L(0^+) = i_L(0^-) \qquad\qquad \frac{di_L(0^+)}{dt} = \frac{v_L(0^+)}{L}

À esquerda, a continuidade. À direita, a relação do próprio elemento, avaliada no circuito de 0+0^+ — o mesmo circuito resistivo da seção 14, com o capacitor virando fonte de tensão vC(0+)v_C(0^+) e o indutor virando fonte de corrente iL(0+)i_L(0^+).

O roteiro

  1. Circuito de 0−0^- em regime: capacitor aberto, indutor em curto. Anote vC(0−)v_C(0^-) e iL(0−)i_L(0^-) — os dois, porque agora há dois elementos.
  2. Continuidade nos dois.
  3. Circuito de 0+0^+: capacitor →\to fonte de tensão vC(0+)v_C(0^+); indutor →\to fonte de corrente iL(0+)i_L(0^+). Resolva esse circuito resistivo e tire iC(0+)i_C(0^+) e vL(0+)v_L(0^+).
  4. Divida: dvC/dt=iC/Cdv_C/dt = i_C/C e diL/dt=vL/Ldi_L/dt = v_L/L, em 0+0^+.
  5. Aplique as duas condições na resposta completa — natural mais forçada, nunca só na natural.
+−12 Vfecha em t = 03 Ω1 H1/24 FiL−+vC

RLC série: α=R/2L=1,5\alpha = R/2L = 1{,}5 e ω0=1/LC=24=4,9\omega_0 = 1/\sqrt{LC} = \sqrt{24} = 4{,}9. Subamortecido, com ωd=24−2,25=4,66 rad/s\omega_d = \sqrt{24 - 2{,}25} = 4{,}66\ \mathrm{rad/s}.

22 Resposta completa de 2ª ordem ao degrau

A ideia. Com excitação constante, a resposta de 2ª ordem é a natural — uma das três formas — mais a forçada, que é o valor de regime permanente. Duas constantes a determinar, duas condições iniciais para determiná-las. É o quesito 3 de quase toda segunda prova da cadeira, e o único cuidado novo é que as condições entram na soma, nunca numa parcela isolada.

A forma da resposta completa

x(t)=x(∞)+xn(t)x(t) = x(\infty) + x_n(t)

com xnx_n escolhido pelo caso:

xn={A1es1t+A2es2t,α>ω0(A1+A2t) e−αt,α=ω0e−αt(B1cos⁡ωdt+B2sin⁡ωdt),α<ω0x_n = \begin{cases} A_1 e^{s_1 t} + A_2 e^{s_2 t}, & \alpha > \omega_0 \\[4pt] (A_1 + A_2 t)\,e^{-\alpha t}, & \alpha = \omega_0 \\[4pt] e^{-\alpha t}\big(B_1 \cos \omega_d t + B_2 \sin \omega_d t\big), & \alpha < \omega_0 \end{cases}

Determinando as constantes

Imponha as duas condições na expressão completa. Para o caso subamortecido, que é o mais pedido:

x(0+)=x(∞)+B1⟹B1=x(0+)−x(∞)x(0^+) = x(\infty) + B_1 \qquad\Longrightarrow\qquad B_1 = x(0^+) - x(\infty)

Derivando x(t)x(t) e avaliando em t=0t=0:

dx(0+)dt=−αB1+ωdB2⟹B2=1ωd[dx(0+)dt+αB1]\frac{dx(0^+)}{dt} = -\alpha B_1 + \omega_d B_2 \qquad\Longrightarrow\qquad B_2 = \frac{1}{\omega_d}\left[\frac{dx(0^+)}{dt} + \alpha B_1\right]

E para o superamortecido, o sistema 2×22\times 2:

{A1+A2=x(0+)−x(∞)s1A1+s2A2=dx(0+)dt\begin{cases} A_1 + A_2 = x(0^+) - x(\infty) \\[3pt] s_1 A_1 + s_2 A_2 = \dfrac{dx(0^+)}{dt} \end{cases}

23 Integrador e diferenciador

A ideia. Troque um dos dois resistores do amplificador inversor por um capacitor e o circuito para de multiplicar: passa a integrar ou a derivar o sinal de entrada. É a mesma LKC do terra virtual da seção 11, só que agora um dos termos tem C dv/dtC\,dv/dt no lugar de v/Rv/R — e a equação do circuito vira uma equação diferencial de propósito, não por acidente.

Integrador — capacitor na realimentação

Com RR na entrada e CC realimentando, a LKC no terra virtual (que não recebe corrente do amp. op.) diz que a corrente que entra por RR é a que atravessa CC:

veR=−C dvodt⟹ vo(t)=−1RC∫0tve(τ) dτ+vo(0) \frac{v_e}{R} = -C\,\frac{dv_o}{dt} \qquad\Longrightarrow\qquad \boxed{\ v_o(t) = -\frac{1}{RC}\int_0^{t} v_e(\tau)\,d\tau + v_o(0)\ }
+−veR−+Cvo

Entrada constante ⇒\Rightarrow saída em rampa de inclinação −ve/RC-v_e/RC. É o circuito que gera dente de serra a partir de nível CC, e o que satura se você o deixar integrando um erro para sempre.

Diferenciador — capacitor na entrada

Trocando os dois de lugar:

C dvedt=−voR⟹ vo(t)=−RC dvedt C\,\frac{dv_e}{dt} = -\frac{v_o}{R} \qquad\Longrightarrow\qquad \boxed{\ v_o(t) = -RC\,\frac{dv_e}{dt}\ }

Entrada em rampa ⇒\Rightarrow saída constante. Entrada em degrau ⇒\Rightarrow saída em pico — e é justamente por isso que o diferenciador puro é raro na prática: ele amplifica ruído, que é o que mais tem derivada grande.

24 Circuitos ativos de 1ª e 2ª ordem

A ideia. Junte o amp. op. da unidade 1 com os transitórios das unidades 3 e 4 e você tem o último assunto da cadeira. Não há teoria nova: o amp. op. entra nas equações pelas duas regras de sempre, e o que sai é a mesma equação diferencial de 1ª ou 2ª ordem, resolvida pelo mesmo roteiro. A diferença é que agora as constantes α\alpha e ω0\omega_0 podem ser escolhidas pelo projetista, e o amortecimento pode até ser negativo.

1ª ordem ativa: o integrador com resistor de realimentação

Um resistor R2R_2 em paralelo com o capacitor da realimentação transforma o integrador num circuito de 1ª ordem de verdade. A LKC no terra virtual, com o nó em 0 V0\ \mathrm{V}:

veR1+voR2+C dvodt=0\frac{v_e}{R_1} + \frac{v_o}{R_2} + C\,\frac{dv_o}{dt} = 0

Dividindo por CC:

dvodt+1R2C vo=−veR1C\frac{dv_o}{dt} + \frac{1}{R_2 C}\,v_o = -\frac{v_e}{R_1 C}

É a equação padrão de 1ª ordem, com

τ=R2Cvo(∞)=−R2R1 ve\tau = R_2 C \qquad\qquad v_o(\infty) = -\frac{R_2}{R_1}\,v_e

— a constante de tempo é dada pela realimentação, e o ganho CC é o do inversor. Daí em diante, a fórmula dos três valores da seção 16, sem alteração nenhuma.

+−veR1−+CR2vo

Com R2→∞R_2 \to \infty (só o capacitor) volta o integrador puro: τ→∞\tau \to \infty e não existe regime permanente. Com C→0C \to 0 volta o inversor: τ→0\tau \to 0 e a saída acompanha a entrada na hora.

2ª ordem ativa

Com dois capacitores — um na entrada e um na realimentação, ou dois estágios em cascata — a equação sobe para 2ª ordem, e vale tudo o que está nas seções 19 a 22: monte a equação, ache α\alpha e ω0\omega_0, decida o caso, imponha as duas condições iniciais na resposta completa.