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FISC0001 · 60h

Fenômenos de Transporte

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Questão 012º EE2018.1 · 2ª chamadaResistência térmica · Parede plana em série e em paralelo1,0 ptVer material

O que é a resistência à condução em uma parede plana? Como ela se comporta para um sistema de parede plana em série? E para um sistema de parede plana em paralelo?

Gabarito

Resistência à condução é a razão entre a diferença de temperatura que impulsiona o calor e a taxa de calor que passa — a oposição que o material faz à passagem do calor:

Rcond=ΔTq=Lk AR_{cond} = \frac{\Delta T}{q} = \frac{L}{k\,A}

Em série (camadas uma atrás da outra, atravessadas pelo mesmo qq): as resistências somam.

Req=R1+R2+…+RnR_{eq} = R_1 + R_2 + \ldots + R_n

Em paralelo (caminhos alternativos entre as mesmas duas temperaturas): somam-se os inversos.

1Req=1R1+1R2+…+1Rn\frac{1}{R_{eq}} = \frac{1}{R_1} + \frac{1}{R_2} + \ldots + \frac{1}{R_n}

É a mesma álgebra dos resistores elétricos, com ΔT\Delta T no papel da tensão e qq no da corrente.

Passo a passo

1 — De onde a resistência vem. Parte-se da lei de Fourier em regime permanente, perfil linear, área constante:

q=k A T1−T2L⟹T1−T2=q Lk A⏟Rcondq = k\,A\,\frac{T_1 - T_2}{L} \qquad\Longrightarrow\qquad T_1 - T_2 = q\,\underbrace{\frac{L}{k\,A}}_{R_{cond}}

Comparando com a lei de Ohm:

ΔV=i R⏟eleˊtrico⟷ΔT=q Rcond⏟teˊrmico\underbrace{\Delta V = i\,R}_{\text{elétrico}} \qquad\longleftrightarrow\qquad \underbrace{\Delta T = q\,R_{cond}}_{\text{térmico}}

2 — Em série: as camadas somam. Camadas empilhadas, uma atrás da outra. Em regime permanente o mesmo qq atravessa todas — nada se acumula em nenhuma delas. Então cada camada consome uma parcela do ΔT\Delta T total:

ΔTtotal=q R1+q R2+…=q (R1+R2+…)\Delta T_{total} = q\,R_1 + q\,R_2 + \ldots = q\,(R_1 + R_2 + \ldots)q=ΔTtotal∑Ricom∑Ri=L1k1A+L2k2A+…q = \frac{\Delta T_{total}}{\sum R_i} \qquad\text{com}\qquad \sum R_i = \frac{L_1}{k_1 A} + \frac{L_2}{k_2 A} + \ldots

Duas consequências que valem ponto:

  • a maior queda de temperatura ocorre na maior resistência. É por isso que, num sistema com isolante, quase todo o ΔT\Delta T cai no isolante — e por isso desprezar a resistência do metal é aproximação legítima;
  • achado qq, a temperatura em qualquer interface sai de uma camada só: T2=T1−qR1T_2 = T_1 - q R_1.

3 — Em paralelo: os caminhos dividem o calor. Materiais lado a lado, entre as mesmas duas temperaturas, cada um levando parte do calor:

qtotal=q1+q2+…=ΔT(1R1+1R2+…)q_{total} = q_1 + q_2 + \ldots = \Delta T\left(\frac{1}{R_1} + \frac{1}{R_2} + \ldots\right)1Req=∑1Ri⟹Req=1∑1/Ri\frac{1}{R_{eq}} = \sum \frac{1}{R_i} \qquad\Longrightarrow\qquad R_{eq} = \frac{1}{\sum 1/R_i}

Aqui o que é comum é o ΔT\Delta T; o que se reparte é o qq.

Conferência — a definição precisa ser a razão ΔT/q\Delta T/q, não só a fórmula ✔ em série soma direto, em paralelo soma o inverso ✔ dizer que em série o qq é comum e em paralelo o ΔT\Delta T é comum fecha a resposta ✔

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Questão 022º EE2018.1 · 2ª chamadaTransporte de massa · Fluxo difusivo e densidade de fluxo difusivo1,0 ptVer material

Explique o que é fluxo difusivo e densidade de fluxo difusivo. Em que condições pode haver o fluxo difusivo de massa?

Gabarito

Densidade de fluxo difusivo (JA′′J''_A) é a quantidade da espécie AA que atravessa uma unidade de área por unidade de tempo, por difusão molecular — em mol/(m2⋅s)\mathrm{mol/(m^2 \cdot s)} ou kg/(m2⋅s)\mathrm{kg/(m^2 \cdot s)}. É o que a lei de Fick dá:

JA′′=−DAB dCAdxJ''_A = -D_{AB}\,\frac{dC_A}{dx}

Fluxo difusivo (JAJ_A) é a quantidade total por unidade de tempo, isto é, a densidade multiplicada pela área atravessada — em mol/s\mathrm{mol/s} ou kg/s\mathrm{kg/s}:

JA=JA′′ AJ_A = J''_A\,A

Condição para existir: é preciso haver gradiente de concentração da espécie, dCA/dx≠0dC_A/dx \ne 0. Sem diferença de concentração entre dois pontos do meio, não há difusão — o meio está em equilíbrio.

Passo a passo

1 — A distinção é a mesma que em calor. A disciplina usa o mesmo par de grandezas nos três transportes, e a diferença é sempre a área:

grandezacalormassao que é
densidade de fluxoq′′q'' [W/m2][\mathrm{W/m^2}]JA′′J''_A [mol/(m2s)][\mathrm{mol/(m^2 s)}]por unidade de área
fluxo (taxa)qq [W][\mathrm{W}]JAJ_A [mol/s][\mathrm{mol/s}]total, já multiplicado pela área
q=q′′ AJA=JA′′ Aq = q''\,A \qquad\qquad J_A = J''_A\,A

2 — A lei de Fick, e o que cada termo faz.

JA′′=−DAB dCAdxJ''_A = -D_{AB}\,\frac{dC_A}{dx}
  • DABD_{AB} — coeficiente de difusão binária de AA em BB, em m2/s\mathrm{m^2/s}. É propriedade do par de espécies e do meio, e cresce com a temperatura;
  • dCA/dxdC_A/dx — o gradiente de concentração. É o motor do processo;
  • o sinal negativo — a massa vai do mais concentrado para o menos concentrado, isto é, no sentido contrário ao gradiente. Idêntico ao sinal de Fourier.

3 — A condição de existência, que é o que a questão realmente cobra. A resposta é direta: só há fluxo difusivo se houver gradiente de concentração.

dCAdx=0⟹JA′′=0\frac{dC_A}{dx} = 0 \qquad\Longrightarrow\qquad J''_A = 0

Vale detalhar as condições em que isso se dá:

  • é preciso ser uma mistura (ao menos duas espécies) — numa substância pura não há concentração de "AA" a variar;
  • é preciso não estar em equilíbrio: enquanto a concentração for diferente de um ponto a outro, há difusão, e ela só cessa quando a mistura fica homogênea;
  • o processo não exige movimento do fluido. A difusão é molecular e ocorre em meio parado — é justamente o que a distingue da convecção mássica.

Conferência — a diferença entre fluxo e densidade de fluxo é a área, com as unidades corretas ✔ Fick com o sinal negativo e a explicação dele ✔ a condição é gradiente de concentração, e a difusão não exige escoamento ✔

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Questão 032º EE2018.1 · 2ª chamadaTransporte de massa · Fluxo convectivo e a velocidade média da mistura0,5 ptsVer material

O que acontece com o fluxo convectivo de dois componentes em uma mistura, em relação à velocidade média da mistura?

Gabarito

Os dois fluxos convectivos são arrastados pela mesma velocidade média vv da mistura, logo apontam para o mesmo lado e são proporcionais apenas à concentração de cada espécie:

NA′′=CA vNB′′=CB vN''_A = C_A\,v \qquad\qquad N''_B = C_B\,v

Somados, dão o fluxo convectivo da mistura inteira:

NA′′+NB′′=(CA+CB) v=C vN''_A + N''_B = (C_A + C_B)\,v = C\,v

Ou seja: o transporte convectivo não separa as espécies — ele carrega as duas juntas, na proporção em que estão presentes. Quem separa é a difusão, que atua em sentidos opostos para AA e BB.

Passo a passo

1 — O que é o fluxo convectivo. É o transporte que existe só porque a mistura escoa. Cada espécie é levada com a velocidade média da mistura:

Ni′′=Ci vN''_i = C_i\,v

Não há gradiente envolvido, nem coeficiente de difusão: é a concentração multiplicada pela velocidade.

2 — A consequência que a questão quer. Como a velocidade é comum, os dois fluxos convectivos:

  • têm o mesmo sentido — o do escoamento;
  • estão na razão das concentrações:
NA′′NB′′=CACB=xAxB\frac{N''_A}{N''_B} = \frac{C_A}{C_B} = \frac{x_A}{x_B}
  • e somam exatamente o transporte da mistura como um todo, C vC\,v.

Em outras palavras, a convecção transporta a mistura sem alterar a sua composição. Se numa seção a mistura é 70 % de AA, a convecção leva adiante 70 % de AA.

3 — O contraste com a difusão, que é o outro lado da resposta. Com concentração total constante,

JA′′=−JB′′J''_A = -J''_B

A difusão manda AA para um lado e BB para o outro — ela separa. Já a convecção manda os dois para o mesmo lado — ela não separa.

4 — E o fluxo absoluto reúne os dois.

NA,abs′′=JA′′⏟difusivo+CA v⏟convectivoN''_{A,abs} = \underbrace{J''_A}_{\text{difusivo}} + \underbrace{C_A\,v}_{\text{convectivo}}

Conferência — os dois fluxos convectivos usam a mesma velocidade e vão no mesmo sentido ✔ a soma dá CvCv ✔ o contraste com JA′′=−JB′′J''_A = -J''_B é o que mostra que se entendeu a diferença entre os dois mecanismos ✔

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Questão 042º EE2018.1 · 2ª chamadaParede composta · Todas as temperaturas a partir do fluxo dado2,0 ptsVer material

Considere a parede composta apresentada na figura, com um fluido escoando apenas na lateral direita da parede. Determine todas as temperaturas nas faces, inclusive as internas, da parede.

Dados: T∞=20 ∘CT_\infty = 20\ ^\circ\mathrm{C}; h∞=10 W/(m2⋅∘C)h_\infty = 10\ \mathrm{W/(m^2 \cdot {}^\circ C)}; k1=15 W/(m⋅∘C)k_1 = 15\ \mathrm{W/(m \cdot {}^\circ C)}; k2=60 W/(m⋅∘C)k_2 = 60\ \mathrm{W/(m \cdot {}^\circ C)}; q′′=0,86 kW/m2q'' = 0{,}86\ \mathrm{kW/m^2}.

2 cm1 cm2 cm121q″ = 860 W/m²Fluidoh∞ = 10T∞ = 20 °CTATBTCTDk₁ = 15 W/(m·°C) · k₂ = 60 W/(m·°C)

Não há convecção do lado esquerdo: o fluxo q′′q'' é dado e entra direto na face. É por isso que a conta começa pela direita.

Gabarito
TD=T∞+q′′h∞=20+86010=106 ∘CT_D = T_\infty + \frac{q''}{h_\infty} = 20 + \frac{860}{10} = \mathbf{106\ ^\circ C}TC=TD+q′′ L1k1=106+860 0,0215=107,15 ∘CT_C = T_D + q''\,\frac{L_1}{k_1} = 106 + 860\,\frac{0{,}02}{15} = \mathbf{107{,}15\ ^\circ C}TB=TC+q′′ L2k2=107,15+860 0,0160=107,29 ∘CT_B = T_C + q''\,\frac{L_2}{k_2} = 107{,}15 + 860\,\frac{0{,}01}{60} = \mathbf{107{,}29\ ^\circ C}TA=TB+q′′ L1k1=107,29+1,15=108,44 ∘CT_A = T_B + q''\,\frac{L_1}{k_1} = 107{,}29 + 1{,}15 = \mathbf{108{,}44\ ^\circ C}
Passo a passo

Passo 1 — por que começar pela direita. Só existe um ponto de temperatura conhecida: o fluido, a 20 ∘C20\ ^\circ\mathrm{C}. Como a densidade de fluxo é dada, a conta caminha da direita para a esquerda, uma resistência por vez.

E há uma simplificação decisiva: em regime permanente, sem geração, a mesma densidade de fluxo atravessa as três camadas e a convecção. Não é preciso montar a resistência total.

q′′=0,86 kW/m2=860 W/m2q'' = 0{,}86\ \mathrm{kW/m^2} = 860\ \mathrm{W/m^2}

Passo 2 — a face direita, pela convecção. O calor que chega à face DD por condução sai dela por convecção para o fluido:

q′′=h∞ (TD−T∞)⟹TD=T∞+q′′h∞q'' = h_\infty\,(T_D - T_\infty) \qquad\Longrightarrow\qquad T_D = T_\infty + \frac{q''}{h_\infty}TD=20+86010=20+86=106 ∘CT_D = 20 + \frac{860}{10} = 20 + 86 = 106\ ^\circ\mathrm{C}

Repare no tamanho do salto: 86 ∘C86\ ^\circ\mathrm{C} só na convecção. Com h∞=10h_\infty = 10, a resistência convectiva é Rconv′′=1/10=0,1 m2 ∘C/WR''_{conv} = 1/10 = 0{,}1\ \mathrm{m^2\,^\circ C/W} — muito maior que qualquer uma das camadas.

Passo 3 — atravessar a camada 1 da direita.

R1′′=L1k1=0,0215=1,333×10−3 m2 ∘C/WR''_{1} = \frac{L_1}{k_1} = \frac{0{,}02}{15} = 1{,}333\times10^{-3}\ \mathrm{m^2\,^\circ C/W}TC=TD+q′′ R1′′=106+860×1,333×10−3=106+1,147=107,15 ∘CT_C = T_D + q''\,R''_{1} = 106 + 860 \times 1{,}333\times10^{-3} = 106 + 1{,}147 = 107{,}15\ ^\circ\mathrm{C}

O sinal é soma porque estamos caminhando contra o fluxo de calor: indo para dentro, a temperatura sobe.

Passo 4 — atravessar a camada 2 (a central).

R2′′=L2k2=0,0160=1,667×10−4 m2 ∘C/WR''_{2} = \frac{L_2}{k_2} = \frac{0{,}01}{60} = 1{,}667\times10^{-4}\ \mathrm{m^2\,^\circ C/W}TB=TC+860×1,667×10−4=107,15+0,143=107,29 ∘CT_B = T_C + 860 \times 1{,}667\times10^{-4} = 107{,}15 + 0{,}143 = 107{,}29\ ^\circ\mathrm{C}

Passo 5 — atravessar a camada 1 da esquerda. É idêntica à do Passo 3:

TA=TB+1,147=107,29+1,15=108,44 ∘CT_A = T_B + 1{,}147 = 107{,}29 + 1{,}15 = 108{,}44\ ^\circ\mathrm{C}

Passo 6 — a leitura do resultado. Repartindo o ΔT\Delta T total de 88,44 ∘C88{,}44\ ^\circ\mathrm{C}:

trechoR′′R'' [m2 ∘C/W][\mathrm{m^2\,^\circ C/W}]ΔT\Delta Tfração
camada 1 (esquerda)1,33×10−31{,}33\times10^{-3}1,151{,}151,3 %1{,}3\ \%
camada 2 (central)1,67×10−41{,}67\times10^{-4}0,140{,}140,2 %0{,}2\ \%
camada 1 (direita)1,33×10−31{,}33\times10^{-3}1,151{,}151,3 %1{,}3\ \%
convecção1,00×10−11{,}00\times10^{-1}86,0086{,}0097,2 %\mathbf{97{,}2\ \%}

Conferência — as espessuras têm de ir de cm para m ✔ 0,86 kW/m20{,}86\ \mathrm{kW/m^2} são 860 W/m2860\ \mathrm{W/m^2} ✔ a mesma q′′q'' vale em todos os trechos, então nem é preciso somar resistências ✔ as temperaturas crescem da direita para a esquerda, porque o calor vai da esquerda para a direita ✔ as duas camadas de material 1 têm o mesmo ΔT\Delta T, o que serve de checagem ✔

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Questão 052º EE2018.1 · 2ª chamadaTubo cilíndrico · Aço com amianto, convecção nas duas faces2,5 ptsVer material

Um tubo liso de aço carbono (kac\co=60,5 W/(m⋅∘C)k_{aço} = 60{,}5\ \mathrm{W/(m\cdot{}^\circ C)}) com diâmetro interno de 5,25 cm5{,}25\ \mathrm{cm}, espessura de 0,78 cm0{,}78\ \mathrm{cm} e 1,0 m1{,}0\ \mathrm{m} de comprimento é recoberto com uma camada de papel corrugado de amianto (kamianto=0,078 W/(m⋅∘C)k_{amianto} = 0{,}078\ \mathrm{W/(m\cdot{}^\circ C)}) com 2,0 cm2{,}0\ \mathrm{cm} de espessura. A temperatura do vapor de água (hvapor=1500 W/(m2⋅∘C)h_{vapor} = 1500\ \mathrm{W/(m^2\cdot{}^\circ C)}) no lado interno do tubo é de 150 ∘C150\ ^\circ\mathrm{C} e o ar (har=5 W/(m2⋅∘C)h_{ar} = 5\ \mathrm{W/(m^2\cdot{}^\circ C)}) no lado externo é de 25 ∘C25\ ^\circ\mathrm{C}. Determine:

a) (1,5 pts.) O fluxo de calor através da parede.

b) (1,0 pt.) A temperatura no lado externo do amianto.

vapor150 °Cr₁r₂r₃açoamiantoar · 25 °C · h = 5r₁ = 2,625 cm · r₂ = 3,405 cm · r₃ = 5,405 cm · L = 1,0 mh_vapor = 1500 W/(m²·°C) · h_ar = 5 W/(m²·°C)

Quatro resistências em série: convecção do vapor, condução no aço, condução no amianto e convecção no ar.

Gabarito

a)

RT=Rconv,i+Rac\co+Ramianto+Rconv,e=0,00404+0,000684+0,9438+0,5891R_T = R_{conv,i} + R_{aço} + R_{amianto} + R_{conv,e} = 0{,}00404 + 0{,}000684 + 0{,}9438 + 0{,}5891RT=1,5376 ∘C/Wq=150−251,5376≈81,3 WR_T = 1{,}5376\ ^\circ\mathrm{C/W} \qquad q = \frac{150 - 25}{1{,}5376} \approx \mathbf{81{,}3\ W}

b)

T4=T∞+q Rconv,e=25+81,3×0,5891≈72,9 ∘CT_4 = T_\infty + q\,R_{conv,e} = 25 + 81{,}3 \times 0{,}5891 \approx \mathbf{72{,}9\ ^\circ C}
Passo a passo

Passo 1 — os três raios, que é onde a questão derruba. O enunciado dá diâmetro interno e espessuras:

r1=5,252=2,625 cm=0,02625 mr_1 = \frac{5{,}25}{2} = 2{,}625\ \mathrm{cm} = 0{,}02625\ \mathrm{m}r2=r1+0,78 cm=3,405 cm=0,03405 mr_2 = r_1 + 0{,}78\ \mathrm{cm} = 3{,}405\ \mathrm{cm} = 0{,}03405\ \mathrm{m}r3=r2+2,0 cm=5,405 cm=0,05405 mr_3 = r_2 + 2{,}0\ \mathrm{cm} = 5{,}405\ \mathrm{cm} = 0{,}05405\ \mathrm{m}

Usar 5,25 cm5{,}25\ \mathrm{cm} como raio dobra tudo e a resposta vai embora.

Passo 2 — a convecção interna. Área da face interna: A1=2πr1LA_1 = 2\pi r_1 L.

Rconv,i=1hvapor 2πr1L=11500⋅2π(0,02625)(1,0)=1247,4=4,04×10−3 ∘C/WR_{conv,i} = \frac{1}{h_{vapor}\,2\pi r_1 L} = \frac{1}{1500 \cdot 2\pi (0{,}02625)(1{,}0)} = \frac{1}{247{,}4} = 4{,}04\times10^{-3}\ ^\circ\mathrm{C/W}

Passo 3 — a condução no aço.

Rac\co=ln⁡(r2/r1)2πkac\coL=ln⁡(3,405/2,625)2π(60,5)(1,0)=0,2601380,1=6,84×10−4 ∘C/WR_{aço} = \frac{\ln(r_2/r_1)}{2\pi k_{aço} L} = \frac{\ln(3{,}405/2{,}625)}{2\pi (60{,}5)(1{,}0)} = \frac{0{,}2601}{380{,}1} = 6{,}84\times10^{-4}\ ^\circ\mathrm{C/W}

Passo 4 — a condução no amianto.

Ramianto=ln⁡(r3/r2)2πkamL=ln⁡(5,405/3,405)2π(0,078)(1,0)=0,46300,4901=0,9448 ∘C/WR_{amianto} = \frac{\ln(r_3/r_2)}{2\pi k_{am} L} = \frac{\ln(5{,}405/3{,}405)}{2\pi (0{,}078)(1{,}0)} = \frac{0{,}4630}{0{,}4901} = 0{,}9448\ ^\circ\mathrm{C/W}

Passo 5 — a convecção externa. Aqui a área é a do raio externo, A3=2πr3LA_3 = 2\pi r_3 L:

Rconv,e=1har 2πr3L=15⋅2π(0,05405)(1,0)=11,698=0,5891 ∘C/WR_{conv,e} = \frac{1}{h_{ar}\,2\pi r_3 L} = \frac{1}{5 \cdot 2\pi (0{,}05405)(1{,}0)} = \frac{1}{1{,}698} = 0{,}5891\ ^\circ\mathrm{C/W}

Passo 6 — o total e o fluxo.

RT=0,00404+0,000684+0,9448+0,5891=1,5386 ∘C/WR_T = 0{,}00404 + 0{,}000684 + 0{,}9448 + 0{,}5891 = 1{,}5386\ ^\circ\mathrm{C/W}q=Tvapor−TarRT=150−251,5386=81,2 Wq = \frac{T_{vapor} - T_{ar}}{R_T} = \frac{150 - 25}{1{,}5386} = 81{,}2\ \mathrm{W}

Passo 7 — a temperatura externa do amianto (item b). É o ponto de onde o calor sai por convecção para o ar. Caminhando do ar para dentro, só se atravessa Rconv,eR_{conv,e}:

q=T4−TarRconv,e⟹T4=25+81,2×0,5891=25+47,8=72,8 ∘Cq = \frac{T_4 - T_{ar}}{R_{conv,e}} \qquad\Longrightarrow\qquad T_4 = 25 + 81{,}2 \times 0{,}5891 = 25 + 47{,}8 = 72{,}8\ ^\circ\mathrm{C}

Passo 8 — a conferência pelas frações.

resistênciavalor [∘C/W][^\circ\mathrm{C/W}]fraçãoΔT\Delta T
convecção do vapor0,004040{,}004040,3 %0{,}3\ \%0,3 ∘C0{,}3\ ^\circ\mathrm{C}
condução no aço0,0006840{,}0006840,04 %0{,}04\ \%0,06 ∘C0{,}06\ ^\circ\mathrm{C}
condução no amianto0,94480{,}944861,4 %\mathbf{61{,}4\ \%}76,7 ∘C76{,}7\ ^\circ\mathrm{C}
convecção do ar0,58910{,}589138,3 %\mathbf{38{,}3\ \%}47,8 ∘C47{,}8\ ^\circ\mathrm{C}

Conferência — diâmetro interno vira raio dividindo por 2, e as espessuras somam raio a raio ✔ cada convecção com o raio da sua face ✔ a maior queda de temperatura tem de estar no amianto ✔ T4T_4 tem de ficar entre 2525 e 150 ∘C150\ ^\circ\mathrm{C}, mais perto do ar do que do vapor ✔

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Questão 062º EE2018.1 · 2ª chamadaFluxos de massa · Uma espécie escoa, a outra está parada2,0 ptsVer material

Considere a transferência de massa de uma mistura entre duas espécies, AA e BB, ao longo de um tubo. Na entrada, a concentração total da mistura é de 20 mol/m320\ \mathrm{mol/m^3} e 80 %80\ \% em mol dessa mistura é da espécie AA. Na saída, a concentração total da mistura é de 5 mol/m35\ \mathrm{mol/m^3} e 90 %90\ \% em mol dessa mistura é da espécie BB. A espécie AA escoa com velocidade de 3,0 m/s3{,}0\ \mathrm{m/s}, enquanto que BB está estacionária. O comprimento do tubo é de 4,0 m4{,}0\ \mathrm{m} e o coeficiente de difusão binária é de 8,0×10−2 m2/s8{,}0 \times 10^{-2}\ \mathrm{m^2/s}.

Determine para AA e para BB as densidades de fluxo difusivo, as densidades de fluxo convectivo e as densidades de fluxo absoluto no meio do tubo. Admita regime permanente com perfil linear de concentração ao longo do tubo, para ambas as espécies.

①meio②C = 20 mol/m³xA = 0,80C = 5 mol/m³xB = 0,90vA = 3,0 m/svB = 0 (B parada)L = 4,0 m

Atenção: a concentração total cai de 2020 para 5 mol/m35\ \mathrm{mol/m^3} — ela não é constante, e por isso os dois fluxos difusivos aqui não são opostos.

Gabarito

No meio do tubo (x=2,0 mx = 2{,}0\ \mathrm{m}): CA=8,25C_A = 8{,}25 e CB=4,25 mol/m3C_B = 4{,}25\ \mathrm{mol/m^3}.

difusivo J′′J''convectivo N′′N''absoluto
AA+0,31+0{,}3124,7524{,}7525,06\mathbf{25{,}06}
BB−0,01-0{,}0100−0,01\mathbf{-0{,}01}

tudo em mol/(m2⋅s)\mathrm{mol/(m^2 \cdot s)}.

Passo a passo

Passo 1 — completar as frações molares nas duas pontas. O enunciado dá a fração de AA na entrada e a de BB na saída — de propósito.

xA1=0,80⇒xB1=0,20xB2=0,90⇒xA2=0,10x_{A1} = 0{,}80 \Rightarrow x_{B1} = 0{,}20 \qquad\qquad x_{B2} = 0{,}90 \Rightarrow x_{A2} = 0{,}10

Passo 2 — as concentrações de cada espécie nas pontas. Aqui o cuidado é usar a concentração total daquela seção, porque ela muda de uma ponta à outra.

CA1=0,80×20=16CB1=0,20×20=4C_{A1} = 0{,}80 \times 20 = 16 \qquad C_{B1} = 0{,}20 \times 20 = 4CA2=0,10×5=0,5CB2=0,90×5=4,5C_{A2} = 0{,}10 \times 5 = 0{,}5 \qquad C_{B2} = 0{,}90 \times 5 = 4{,}5

todos em mol/m3\mathrm{mol/m^3}.

Passo 3 — os gradientes (perfil linear).

dCAdx=CA2−CA1L=0,5−164,0=−3,875 mol/m4\frac{dC_A}{dx} = \frac{C_{A2} - C_{A1}}{L} = \frac{0{,}5 - 16}{4{,}0} = -3{,}875\ \mathrm{mol/m^4}dCBdx=CB2−CB1L=4,5−44,0=+0,125 mol/m4\frac{dC_B}{dx} = \frac{C_{B2} - C_{B1}}{L} = \frac{4{,}5 - 4}{4{,}0} = +0{,}125\ \mathrm{mol/m^4}

Passo 4 — as concentrações no meio (x=2,0 mx = 2{,}0\ \mathrm{m}).

CA(2)=16−3,875×2=8,25 mol/m3C_A(2) = 16 - 3{,}875 \times 2 = 8{,}25\ \mathrm{mol/m^3}CB(2)=4+0,125×2=4,25 mol/m3C_B(2) = 4 + 0{,}125 \times 2 = 4{,}25\ \mathrm{mol/m^3}

Confere: 8,25+4,25=12,58{,}25 + 4{,}25 = 12{,}5, que é a média de 2020 e 55 — coerente com os dois perfis lineares.

Passo 5 — os fluxos difusivos (Fick). O gradiente é constante, então o difusivo é o mesmo em qualquer posição:

JA′′=−DAB dCAdx=−0,08×(−3,875)=+0,31 mol/(m2s)J''_A = -D_{AB}\,\frac{dC_A}{dx} = -0{,}08 \times (-3{,}875) = +0{,}31\ \mathrm{mol/(m^2 s)}JB′′=−DAB dCBdx=−0,08×(+0,125)=−0,01 mol/(m2s)J''_B = -D_{AB}\,\frac{dC_B}{dx} = -0{,}08 \times (+0{,}125) = -0{,}01\ \mathrm{mol/(m^2 s)}

Passo 6 — os fluxos convectivos, com a velocidade de cada espécie. O enunciado dá velocidades diferentes: AA a 3,0 m/s3{,}0\ \mathrm{m/s} e BB parada.

NA′′=CA(2) vA=8,25×3,0=24,75 mol/(m2s)N''_A = C_A(2)\,v_A = 8{,}25 \times 3{,}0 = 24{,}75\ \mathrm{mol/(m^2 s)}NB′′=CB(2) vB=4,25×0=0N''_B = C_B(2)\,v_B = 4{,}25 \times 0 = 0

O “B estacionária” existe justamente para anular este termo — é o dado que a questão põe para ver quem lê.

Passo 7 — os fluxos absolutos.

NA,abs′′=JA′′+NA′′=0,31+24,75=25,06 mol/(m2s)N''_{A,abs} = J''_A + N''_A = 0{,}31 + 24{,}75 = 25{,}06\ \mathrm{mol/(m^2 s)}NB,abs′′=JB′′+NB′′=−0,01+0=−0,01 mol/(m2s)N''_{B,abs} = J''_B + N''_B = -0{,}01 + 0 = -0{,}01\ \mathrm{mol/(m^2 s)}

Passo 8 — a leitura dos resultados. Duas coisas valem ser ditas na prova:

  • para AA, o convectivo é 80 vezes o difusivo. Com o fluido escoando a 3 m/s3\ \mathrm{m/s}, a difusão é detalhe;
  • para BB, o único transporte é o difusivo, e ele é negativo: BB migra da saída para a entrada, isto é, contra o escoamento de AA. Faz sentido — BB está mais concentrado na saída (4,54{,}5 contra 44).

Conferência — a fração da saída é de BB, não de AA ✔ cada seção tem a sua concentração total ✔ o difusivo é constante ao longo do tubo, o convectivo não ✔ com a total variável, JA′′≠−JB′′J''_A \ne -J''_B ✔ BB parada zera só o convectivo dela, não o difusivo ✔

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Questão 072º EE2022.1Transferência de calor · Os três mecanismos, explicados1,0 ptVer material

Quais são os mecanismos de transferência de calor? Explique detalhadamente cada um deles.

Gabarito

São três: condução, convecção e radiação.

Condução — precisa de contato entre o meio condutor e a fonte térmica, e o meio deve estar parado. A energia passa de molécula a molécula, sem deslocamento de matéria.

q=−k A dTdxq = -k\,A\,\frac{dT}{dx}

Convecção — também precisa de contato, mas o meio está escoando: a matéria se desloca e carrega a energia com ela.

q=h A (Ts−T∞)q = h\,A\,(T_s - T_\infty)

Radiação — não precisa de meio material nem de contato com a fonte. A energia viaja como onda eletromagnética.

q=ε σ A (Ts4−Tviz4)q = \varepsilon\,\sigma\,A\,(T_s^4 - T_{viz}^4)
Passo a passo

1 — Condução. Ocorre dentro de um sólido, ou num fluido estacionário. As moléculas mais quentes vibram mais e transmitem energia às vizinhas por colisão; nos metais, os elétrons livres fazem a maior parte do trabalho — e é por isso que metal conduz muito melhor que madeira.

qx′′=−k dTdxq''_x = -k\,\frac{dT}{dx}
  • é a lei de Fourier;
  • kk, a condutividade térmica, em W/(m⋅K)\mathrm{W/(m\cdot K)}, é propriedade do material;
  • o sinal negativo diz que o calor vai do quente para o frio, isto é, no sentido contrário ao gradiente.

Exemplos: o cabo de uma panela esquentando, o calor atravessando a parede de uma casa, o pé sentindo o piso frio.

2 — Convecção. Ocorre entre uma superfície e um fluido em movimento. É a soma de dois efeitos: condução na fina camada de fluido junto à parede, e transporte de energia pelo próprio deslocamento do fluido.

q=h A (Ts−T∞)q = h\,A\,(T_s - T_\infty)

que é a lei do resfriamento de Newton. O hh não é propriedade do fluido: depende da geometria, da velocidade e do regime do escoamento — achá-lo é o problema difícil da convecção.

Há dois tipos:

  • natural (ou livre) — o movimento nasce da própria diferença de temperatura: o fluido aquecido fica menos denso e sobe. Não há dispositivo mecânico;
  • forçada — o fluido é impulsionado por ventilador, bomba ou vento.

A forçada troca muito mais calor, porque afina a camada limite junto à parede.

3 — Radiação. Todo corpo com temperatura acima do zero absoluto emite ondas eletromagnéticas. Não é preciso meio material: funciona no vácuo, e é assim que o calor do Sol chega à Terra.

q=ε σ A (Ts4−Tviz4)q = \varepsilon\,\sigma\,A\,(T_s^4 - T_{viz}^4)
  • ε\varepsilon — emissividade da superfície, entre 0 e 1 (1 é o corpo negro ideal);
  • σ=5,67×10−8 W/(m2K4)\sigma = 5{,}67\times10^{-8}\ \mathrm{W/(m^2 K^4)} — constante de Stefan-Boltzmann;
  • a dependência é com T4T^4: dobrar a temperatura absoluta multiplica a emissão por 16.

Conferência — três mecanismos, com nome, lei e condição de existência de cada ✔ dizer que a radiação dispensa meio material é o ponto que não pode faltar ✔ a diferença entre condução e convecção é o meio estar parado ou em movimento, não a intensidade ✔

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Questão 082º EE2022.1Condução com geração · Perfil parabólico e fluxo linear1,0 ptVer material

Explique como se comporta o perfil de temperatura e o fluxo de calor, em função da posição, durante a condução unidimensional em uma parede plana, com geração ou consumo de calor, mas sem acúmulo.

x = 0−L+LT₀ (máx.)TsTsT(x): parábolaq″ = q̇·x (reta)geração q̇ > 0

No plano central a derivada é nula, logo q′′=0q'' = 0: metade do calor gerado sai por cada face.

Gabarito

Com geração e sem acúmulo (regime permanente), o balanço de energia dá

d2Tdx2+q˙k=0\frac{d^2T}{dx^2} + \frac{\dot q}{k} = 0

Perfil de temperatura: parabólico (não linear). Fluxo de calor: varia linearmente com a posição — não é constante como no caso sem geração.

  • se há geração (q˙>0\dot q > 0), a parábola tem máximo dentro da parede e o fluxo se direciona para fora dela, pelas duas faces;
  • se há consumo (q˙<0\dot q < 0), a parábola tem mínimo dentro e o fluxo se direciona para dentro da parede.
Passo a passo

Passo 1 — o balanço, e a hipótese que a expressão “sem acúmulo” está dando. “Sem acúmulo” é regime permanente: nada de energia se armazena, então o que é gerado tem de sair. Numa fatia de espessura dxdx:

ddx(k dTdx)⏟o que entra menos o que sai+q˙⏟o que eˊ gerado=0\underbrace{\frac{d}{dx}\left(k\,\frac{dT}{dx}\right)}_{\text{o que entra menos o que sai}} + \underbrace{\dot q}_{\text{o que é gerado}} = 0

Com kk constante:

d2Tdx2=−q˙k\frac{d^2T}{dx^2} = -\frac{\dot q}{k}

Passo 2 — integrar uma vez: o fluxo é reta.

dTdx=−q˙k x+C1⟹q′′(x)=−k dTdx=q˙ x−k C1\frac{dT}{dx} = -\frac{\dot q}{k}\,x + C_1 \qquad\Longrightarrow\qquad q''(x) = -k\,\frac{dT}{dx} = \dot q\,x - k\,C_1  q′′(x) eˊ func¸a˜o linear de x  \boxed{\;q''(x)\ \text{é função }\textbf{linear}\text{ de } x\;}

E aqui está a diferença central com o caso já visto: sem geração, q′′q'' é constante (o mesmo calor atravessa todas as seções). Com geração, o fluxo cresce à medida que se caminha para a face, porque vai recolhendo o calor gerado no caminho.

Passo 3 — integrar de novo: a temperatura é parábola.

T(x)=−q˙2k x2+C1x+C2T(x) = -\frac{\dot q}{2k}\,x^2 + C_1 x + C_2  T(x) eˊ uma paraˊbola  \boxed{\;T(x)\ \text{é uma }\textbf{parábola}\;}

O coeficiente do termo quadrático é −q˙/(2k)-\dot q/(2k): com q˙>0\dot q > 0 ele é negativo, e a parábola tem concavidade para baixo — máximo interno.

Passo 4 — o caso simétrico, que fecha o raciocínio. Se as duas faces são refrigeradas igualmente, a simetria exige dT/dx=0dT/dx = 0 em x=0x = 0, logo C1=0C_1 = 0. Com T(±L)=TsT(\pm L) = T_s:

T(x)=Ts+q˙ L22k(1−x2L2)T0=Ts+q˙ L22kT(x) = T_s + \frac{\dot q\,L^2}{2k}\left(1 - \frac{x^2}{L^2}\right) \qquad T_0 = T_s + \frac{\dot q\,L^2}{2k}q′′(x)=q˙ x⟹q′′(0)=0eq′′(±L)=±q˙ Lq''(x) = \dot q\,x \qquad\Longrightarrow\qquad q''(0) = 0 \quad\text{e}\quad q''(\pm L) = \pm\dot q\,L

Duas leituras que valem ponto:

  • no plano central o fluxo é nulo. Não é porque não há calor ali, é porque metade vai para cada lado — o plano central funciona como uma superfície adiabática;
  • o que sai por uma face, q˙L\dot q L, é exatamente o calor gerado na metade que ela drena. É a conferência do problema.

Passo 5 — o caso de consumo. Com q˙<0\dot q < 0 (reação endotérmica, evaporação interna), o coeficiente −q˙/(2k)-\dot q/(2k) fica positivo: a parábola abre para cima, tem mínimo interno, e o calor entra pelas duas faces em direção ao centro. O perfil e o fluxo continuam parábola e reta — só invertem o sinal.

Conferência — a resposta tem de citar os dois comportamentos: parábola para TT e reta para q′′q'' ✔ “sem acúmulo” é regime permanente, não ausência de geração ✔ dizer para onde o calor se direciona em cada caso (fora com geração, dentro com consumo) completa a resposta ✔

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Questão 092º EE2022.1Transferência de massa · Os dois mecanismos, explicados1,0 ptVer material

Quais são os mecanismos de transferência de massa? Explique detalhadamente cada um deles.

Gabarito

São dois: a difusão e a convecção.

Difusão está relacionada com uma diferença de concentração (ou de massa específica) de uma espécie entre dois pontos do meio ou da mistura. É migração molecular, e ocorre mesmo com o fluido parado.

JA′′=−DAB dCAdxJ''_A = -D_{AB}\,\frac{dC_A}{dx}

Convecção está relacionada com o escoamento dessa espécie, pura ou em mistura: a espécie é carregada pelo movimento do fluido.

NA′′=CA vouNA=hm A (CA,s−CA,∞)N''_A = C_A\,v \qquad\text{ou}\qquad N_A = h_m\,A\,(C_{A,s} - C_{A,\infty})
Passo a passo

1 — Difusão. O motor é o gradiente de concentração. As moléculas da espécie AA se movem aleatoriamente, e o resultado líquido desse movimento é uma migração da região de maior para a de menor concentração, até a mistura ficar homogênea.

JA′′=−DAB dCAdxJ''_A = -D_{AB}\,\frac{dC_A}{dx}

Esta é a lei de Fick:

  • DABD_{AB} — coeficiente de difusão binária, em m2/s\mathrm{m^2/s}; propriedade do par AA–BB e do meio, e cresce com a temperatura;
  • o sinal negativo — a massa vai contra o gradiente, igual em Fourier;
  • não exige escoamento. É o mecanismo que sobra quando o fluido está parado.

Exemplos: perfume se espalhando numa sala sem vento, corante numa água em repouso, oxigênio atravessando a parede de um alvéolo, umidade migrando por uma parede de gesso.

2 — Convecção mássica. O motor é o movimento do fluido. A espécie é levada porque a mistura inteira está indo para algum lado.

NA′′=CA vN''_A = C_A\,v

E, quando o interesse é a troca entre uma superfície e um fluido que escoa por ela, escreve-se na forma da lei de Newton:

NA=hm A (CA,s−CA,∞)N_A = h_m\,A\,(C_{A,s} - C_{A,\infty})

com hmh_m o coeficiente de transferência de massa por convecção, em m/s\mathrm{m/s}. Como o hh do calor, ele depende da geometria e do escoamento — não é propriedade do fluido.

Também aqui há os dois tipos: natural (o movimento nasce de diferenças de densidade) e forçada (há agitador, ventilador, bomba).

Conferência — dois mecanismos, com nome e lei de cada ✔ difusão pede gradiente de concentração e dispensa escoamento; convecção pede escoamento ✔ dizer que não há um terceiro mecanismo análogo à radiação mostra que a analogia foi entendida, e não decorada ✔

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Questão 102º EE2022.1Parede composta · Cinco materiais em série e em paralelo2,5 ptsVer material

Considere a parede composta apresentada na figura, com fluidos distintos escoando de cada lado.

Dados: T∞,1=300 KT_{\infty,1} = 300\ \mathrm{K}; T∞,2=500 KT_{\infty,2} = 500\ \mathrm{K}; A1=4,0 m2A_1 = 4{,}0\ \mathrm{m^2}; A2=2,5 m2A_2 = 2{,}5\ \mathrm{m^2}; A4=1,0 m2A_4 = 1{,}0\ \mathrm{m^2}; L1=0,2 mL_1 = 0{,}2\ \mathrm{m}; L2=0,4 mL_2 = 0{,}4\ \mathrm{m}; L3=0,5 mL_3 = 0{,}5\ \mathrm{m}; k1=1,0k_1 = 1{,}0; k2=0,8k_2 = 0{,}8; k3=1,5k_3 = 1{,}5; k4=0,7k_4 = 0{,}7; k5=0,5 W/(m⋅K)k_5 = 0{,}5\ \mathrm{W/(m\cdot K)}; hA=1,3h_A = 1{,}3; hB=3,1 W/(m2⋅K)h_B = 3{,}1\ \mathrm{W/(m^2\cdot K)}.

Determine:

a) (1,5 pts.) O fluxo de calor que passa através da parede.

b) (1,0 pt.) As temperaturas T1T_1 e T2T_2.

(1)k=1,0(2)k=0,8 · A=2,5(3)k=1,5 · A=1,5(4)k=0,7 · A=1,0(5)k=0,5 · A=3,0hA = 1,3T∞,1 = 300 KhB = 3,1T∞,2 = 500 KT₁T₂L₁=0,2L₂=0,4L₃=0,5área total da parede: A₁ = 4,0 m²

As áreas de (3)(3) e de (5)(5) não são dadas: saem por diferença, A3=A1−A2A_3 = A_1 - A_2 e A5=A1−A4A_5 = A_1 - A_4.

Gabarito

a)

RT=RconvA+R1+Req,1+Req,2+RconvBR_T = R_{convA} + R_1 + R_{eq,1} + R_{eq,2} + R_{convB}RT=0,1923+0,05+0,0941+0,2273+0,0806=0,6443 K/WR_T = 0{,}1923 + 0{,}05 + 0{,}0941 + 0{,}2273 + 0{,}0806 = 0{,}6443\ \mathrm{K/W}q=∣T∞,2−T∞,1∣RT=2000,6443≈310,4 Wq = \frac{|T_{\infty,2} - T_{\infty,1}|}{R_T} = \frac{200}{0{,}6443} \approx \mathbf{310{,}4\ W}

fluindo do lado BB (500 K) para o lado AA (300 K).

b)

T1=T∞,1+q RconvA=300+310,4×0,1923≈359,7 KT_1 = T_{\infty,1} + q\,R_{convA} = 300 + 310{,}4 \times 0{,}1923 \approx \mathbf{359{,}7\ K}T2=T1+q R1=359,7+310,4×0,05≈375,2 KT_2 = T_1 + q\,R_{1} = 359{,}7 + 310{,}4 \times 0{,}05 \approx \mathbf{375{,}2\ K}
Passo a passo

Passo 1 — as duas áreas que faltam. A parede tem área total A1=4,0 m2A_1 = 4{,}0\ \mathrm{m^2}, e cada camada dividida reparte essa área entre os seus dois materiais:

A3=A1−A2=4,0−2,5=1,5 m2A_3 = A_1 - A_2 = 4{,}0 - 2{,}5 = 1{,}5\ \mathrm{m^2}A5=A1−A4=4,0−1,0=3,0 m2A_5 = A_1 - A_4 = 4{,}0 - 1{,}0 = 3{,}0\ \mathrm{m^2}

É o primeiro passo, e sem ele nada anda.

Passo 2 — montar o circuito. Lendo a figura da esquerda para a direita:

hA⏟convecc¸a˜o  →  (1)⏟seˊrie  →  (2) ∥ (3)⏟paralelo  →  (4) ∥ (5)⏟paralelo  →  hB⏟convecc¸a˜o\underbrace{h_A}_{\text{convecção}} \;\to\; \underbrace{(1)}_{\text{série}} \;\to\; \underbrace{(2)\,\|\,(3)}_{\text{paralelo}} \;\to\; \underbrace{(4)\,\|\,(5)}_{\text{paralelo}} \;\to\; \underbrace{h_B}_{\text{convecção}}

Cinco blocos em série; dois deles são associações em paralelo.

Passo 3 — as duas convecções.

RconvA=1hA A1=11,3×4=0,1923 K/WR_{convA} = \frac{1}{h_A\,A_1} = \frac{1}{1{,}3 \times 4} = 0{,}1923\ \mathrm{K/W}RconvB=1hB A1=13,1×4=0,0806 K/WR_{convB} = \frac{1}{h_B\,A_1} = \frac{1}{3{,}1 \times 4} = 0{,}0806\ \mathrm{K/W}

Passo 4 — as cinco conduções.

R1=L1k1A1=0,21,0×4,0=0,05R_1 = \frac{L_1}{k_1 A_1} = \frac{0{,}2}{1{,}0 \times 4{,}0} = 0{,}05R2=L2k2A2=0,40,8×2,5=0,2R3=L2k3A3=0,41,5×1,5=0,1778R_2 = \frac{L_2}{k_2 A_2} = \frac{0{,}4}{0{,}8 \times 2{,}5} = 0{,}2 \qquad R_3 = \frac{L_2}{k_3 A_3} = \frac{0{,}4}{1{,}5 \times 1{,}5} = 0{,}1778R4=L3k4A4=0,50,7×1,0=0,7143R5=L3k5A5=0,50,5×3,0=0,3333R_4 = \frac{L_3}{k_4 A_4} = \frac{0{,}5}{0{,}7 \times 1{,}0} = 0{,}7143 \qquad R_5 = \frac{L_3}{k_5 A_5} = \frac{0{,}5}{0{,}5 \times 3{,}0} = 0{,}3333

todos em K/W\mathrm{K/W}. Repare que (2)(2) e (3)(3) compartilham a mesma espessura L2L_2, e (4)(4) e (5)(5) a mesma L3L_3 — é o que os coloca em paralelo.

Passo 5 — as duas associações em paralelo.

Req,1=R2R3R2+R3=0,2×0,17780,3778=0,0941 K/WR_{eq,1} = \frac{R_2 R_3}{R_2 + R_3} = \frac{0{,}2 \times 0{,}1778}{0{,}3778} = 0{,}0941\ \mathrm{K/W}Req,2=R4R5R4+R5=0,7143×0,33331,0476=0,2273 K/WR_{eq,2} = \frac{R_4 R_5}{R_4 + R_5} = \frac{0{,}7143 \times 0{,}3333}{1{,}0476} = 0{,}2273\ \mathrm{K/W}

Passo 6 — o total e o fluxo.

RT=0,1923+0,05+0,0941+0,2273+0,0806=0,6443 K/WR_T = 0{,}1923 + 0{,}05 + 0{,}0941 + 0{,}2273 + 0{,}0806 = 0{,}6443\ \mathrm{K/W}q=ΔTRT=500−3000,6443=310,4 Wq = \frac{\Delta T}{R_T} = \frac{500 - 300}{0{,}6443} = 310{,}4\ \mathrm{W}

O sentido importa: T∞,2=500 KT_{\infty,2} = 500\ \mathrm{K} é maior que T∞,1=300 KT_{\infty,1} = 300\ \mathrm{K}, então o calor entra pelo lado B e sai pelo lado A. A parede está sendo aquecida pela direita.

Passo 7 — T1T_1 e T2T_2, item (b). T1T_1 é a face esquerda da camada (1)(1) e T2T_2 a interface entre (1)(1) e a camada dividida. Caminhando do fluido A para dentro, contra o fluxo, a temperatura sobe:

T1=T∞,1+q RconvA=300+310,4×0,1923=300+59,7=359,7 KT_1 = T_{\infty,1} + q\,R_{convA} = 300 + 310{,}4 \times 0{,}1923 = 300 + 59{,}7 = 359{,}7\ \mathrm{K}T2=T1+q R1=359,7+310,4×0,05=359,7+15,5=375,2 KT_2 = T_1 + q\,R_1 = 359{,}7 + 310{,}4 \times 0{,}05 = 359{,}7 + 15{,}5 = 375{,}2\ \mathrm{K}

Passo 8 — a conferência pelo peso de cada resistência.

blocoRR [K/W][\mathrm{K/W}]fraçãoΔT\Delta T [K][\mathrm{K}]
convecção A0,19230{,}192329,8 %29{,}8\ \%59,759{,}7
camada (1)0,05000{,}05007,8 %7{,}8\ \%15,515{,}5
(2) ‖ (3)0,09410{,}094114,6 %14{,}6\ \%29,229{,}2
(4) ‖ (5)0,22730{,}227335,3 %35{,}3\ \%70,670{,}6
convecção B0,08060{,}080612,5 %12{,}5\ \%25,025{,}0
total0,64430{,}6443100 %100\ \%200,0\mathbf{200{,}0}

A soma das quedas fecha em 200 K200\ \mathrm{K} ✔ — é a conferência final do problema.

Conferência — A3A_3 e A5A_5 por diferença ✔ cada paralelo menor que a sua menor parcela ✔ o calor vai do lado de 500 K para o de 300 K ✔ as quedas somam o ΔT\Delta T total ✔

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Questão 112º EE2022.1Esfera · Raio crítico, fluxo e temperaturas nas interfaces2,5 ptsVer material

Considere uma esfera de um material AA (homogênea e de temperatura constante), recoberta por uma camada de um material BB, recoberta novamente com uma camada de um isolante térmico. Na parte externa da esfera, um fluido escoa fazendo convecção, conforme a figura.

Dados: T1=350 KT_1 = 350\ \mathrm{K}; T∞=298 KT_\infty = 298\ \mathrm{K}; r1=5 cmr_1 = 5\ \mathrm{cm}; r2=8 cmr_2 = 8\ \mathrm{cm}; r3=10 cmr_3 = 10\ \mathrm{cm}; kB=4,0 W/(m⋅K)k_B = 4{,}0\ \mathrm{W/(m\cdot K)}; kiso=0,7 W/(m⋅K)k_{iso} = 0{,}7\ \mathrm{W/(m\cdot K)}; he=6,2 W/(m2⋅K)h_e = 6{,}2\ \mathrm{W/(m^2\cdot K)}.

Determine:

a) (0,5 pts.) O raio crítico de isolamento.

b) (1,0 pt.) O fluxo de calor através do sistema.

c) (1,0 pt.) As temperaturas na interface entre o material BB e o isolante térmico e na superfície externa do isolante térmico.

AT₁Bisolanter₁r₂r₃he , T∞

Três resistências em série: condução em BB, condução no isolante e convecção com o fluido externo. O material AA está a temperatura constante T1T_1, então não entra como resistência.

Gabarito

a)

rc=2 kisohe=2×0,76,2=0,2258 m=22,6 cmr_c = \frac{2\,k_{iso}}{h_e} = \frac{2 \times 0{,}7}{6{,}2} = \mathbf{0{,}2258\ m} = 22{,}6\ \mathrm{cm}

Como r3=10 cm<rcr_3 = 10\ \mathrm{cm} < r_c, o isolamento está aumentando a perda de calor.

b)

RT=RB+Riso+Rconv=0,1492+0,2842+1,2835=1,7169 K/WR_T = R_B + R_{iso} + R_{conv} = 0{,}1492 + 0{,}2842 + 1{,}2835 = 1{,}7169\ \mathrm{K/W}q=350−2981,7169≈30,3 Wq = \frac{350 - 298}{1{,}7169} \approx \mathbf{30{,}3\ W}

c)

T2=T1−q RB=350−30,3×0,1492≈345,5 KT_2 = T_1 - q\,R_B = 350 - 30{,}3 \times 0{,}1492 \approx \mathbf{345{,}5\ K}T3=T2−q Riso=345,5−30,3×0,2842≈336,9 KT_3 = T_2 - q\,R_{iso} = 345{,}5 - 30{,}3 \times 0{,}2842 \approx \mathbf{336{,}9\ K}
Passo a passo

Passo 1 — o raio crítico, item (a). Para esfera, o raio crítico é o dobro do da geometria cilíndrica:

rc=2 kisohe=2×0,76,2=0,2258 mr_c = \frac{2\,k_{iso}}{h_e} = \frac{2 \times 0{,}7}{6{,}2} = 0{,}2258\ \mathrm{m}

Passo 2 — o que o resultado significa. Como r3=0,10 mr_3 = 0{,}10\ \mathrm{m} é menor que rc=0,226 mr_c = 0{,}226\ \mathrm{m}, o sistema está antes do raio crítico. Nessa faixa, acrescentar isolante aumenta a perda de calor: o ganho de área externa (que facilita a convecção) vence o ganho de resistência de condução.

Dizer isso é parte da resposta — o item não pede só o número.

Passo 3 — as resistências, item (b). O material AA está a temperatura constante T1T_1: ele é a fonte, e não entra como resistência. Sobram três, em série.

RB=1r1−1r24πkB=10,05−10,084π×4,0=20−12,550,265=7,550,265=0,1492 K/WR_B = \frac{\dfrac{1}{r_1} - \dfrac{1}{r_2}}{4\pi k_B} = \frac{\dfrac{1}{0{,}05} - \dfrac{1}{0{,}08}}{4\pi \times 4{,}0} = \frac{20 - 12{,}5}{50{,}265} = \frac{7{,}5}{50{,}265} = 0{,}1492\ \mathrm{K/W}Riso=1r2−1r34πkiso=12,5−104π×0,7=2,58,796=0,2842 K/WR_{iso} = \frac{\dfrac{1}{r_2} - \dfrac{1}{r_3}}{4\pi k_{iso}} = \frac{12{,}5 - 10}{4\pi \times 0{,}7} = \frac{2{,}5}{8{,}796} = 0{,}2842\ \mathrm{K/W}Rconv=1he 4πr32=16,2×4π(0,10)2=10,7791=1,2835 K/WR_{conv} = \frac{1}{h_e\,4\pi r_3^2} = \frac{1}{6{,}2 \times 4\pi (0{,}10)^2} = \frac{1}{0{,}7791} = 1{,}2835\ \mathrm{K/W}

Passo 4 — o fluxo.

RT=0,1492+0,2842+1,2835=1,7169 K/WR_T = 0{,}1492 + 0{,}2842 + 1{,}2835 = 1{,}7169\ \mathrm{K/W}q=T1−T∞RT=350−2981,7169=521,7169=30,29 Wq = \frac{T_1 - T_\infty}{R_T} = \frac{350 - 298}{1{,}7169} = \frac{52}{1{,}7169} = 30{,}29\ \mathrm{W}

Positivo: a esfera está mais quente que o fluido, então o calor sai.

Passo 5 — as temperaturas, item (c). Uma resistência por vez, no sentido do fluxo (de dentro para fora, a temperatura cai):

T2=T1−q RB=350−30,29×0,1492=350−4,52=345,5 KT_2 = T_1 - q\,R_B = 350 - 30{,}29 \times 0{,}1492 = 350 - 4{,}52 = 345{,}5\ \mathrm{K}T3=T2−q Riso=345,5−30,29×0,2842=345,5−8,61=336,9 KT_3 = T_2 - q\,R_{iso} = 345{,}5 - 30{,}29 \times 0{,}2842 = 345{,}5 - 8{,}61 = 336{,}9\ \mathrm{K}

Passo 6 — a conferência que fecha tudo. Do lado externo, o calor sai por convecção:

T3−T∞=q Rconv=30,29×1,2835=38,9 K⟹T3=298+38,9=336,9 K ✓T_3 - T_\infty = q\,R_{conv} = 30{,}29 \times 1{,}2835 = 38{,}9\ \mathrm{K} \qquad\Longrightarrow\qquad T_3 = 298 + 38{,}9 = 336{,}9\ \mathrm{K}\ \checkmark

Chega-se ao mesmo T3T_3 pelos dois caminhos — é a checagem final.

E as três quedas somam o ΔT\Delta T total:

resistênciavalor [K/W][\mathrm{K/W}]fraçãoΔT\Delta T [K][\mathrm{K}]
condução em BB0,14920{,}14928,7 %8{,}7\ \%4,54{,}5
condução no isolante0,28420{,}284216,6 %16{,}6\ \%8,68{,}6
convecção externa1,28351{,}283574,8 %\mathbf{74{,}8\ \%}38,938{,}9
total1,71691{,}7169100 %100\ \%52,0\mathbf{52{,}0}

Conferência — raio crítico de esfera leva o 2 no numerador ✔ a resistência esférica não tem LL ✔ a convecção usa 4πr324\pi r_3^2 ✔ as quedas somam 52 K52\ \mathrm{K} ✔ o material AA não entra como resistência, porque a temperatura dele é dada ✔

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Questão 122º EE2022.1Fluxos de massa · Os três fluxos na saída do tubo2,0 ptsVer material

Considere a transferência de massa de uma mistura entre duas espécies, AA e BB, ao longo de um tubo. A concentração total da mistura é mantida constante, igual a 200 mol/m3200\ \mathrm{mol/m^3}. Na entrada, 70 %70\ \% em mol dessa mistura é da espécie AA, e na saída, 60 %60\ \% em mol dessa mistura é da espécie BB. A mistura escoa com velocidade de 4,0 m/s4{,}0\ \mathrm{m/s}. O comprimento do tubo é de 2,0 m2{,}0\ \mathrm{m} e o coeficiente de difusão binária é de 5,0×10−2 m2/s5{,}0 \times 10^{-2}\ \mathrm{m^2/s}.

Determine para AA e para BB as densidades de fluxo difusivo, as densidades de fluxo convectivo e as densidades de fluxo absoluto na saída do tubo. Admita o regime permanente de escoamento com perfil linear de concentração ao longo do tubo, para ambas as espécies.

①②v = 4,0 m/s (mistura)C = 200 mol/m³ (constante)entradaxA = 0,70saídaxB = 0,60L = 2,0 m

Aqui a concentração total é constante — e isso garante a conferência JA′′=−JB′′J''_A = -J''_B, que na versão de 2018.1 não valia.

Gabarito

Na saída: CA2=80C_{A2} = 80 e CB2=120 mol/m3C_{B2} = 120\ \mathrm{mol/m^3}.

difusivo J′′J''convectivo N′′N''absoluto
AA+1,5+1{,}5320320321,5\mathbf{321{,}5}
BB−1,5-1{,}5480480478,5\mathbf{478{,}5}

tudo em mol/(m2⋅s)\mathrm{mol/(m^2 \cdot s)}.

Passo a passo

Passo 1 — completar as frações molares. O enunciado dá xAx_A na entrada e xBx_B na saída, de propósito:

xA1=0,70⇒xB1=0,30xB2=0,60⇒xA2=0,40x_{A1} = 0{,}70 \Rightarrow x_{B1} = 0{,}30 \qquad\qquad x_{B2} = 0{,}60 \Rightarrow x_{A2} = 0{,}40

Passo 2 — as concentrações nas duas pontas. Como C=200 mol/m3C = 200\ \mathrm{mol/m^3} é constante, ela é a mesma nas duas seções:

CA1=0,70×200=140CA2=0,40×200=80C_{A1} = 0{,}70 \times 200 = 140 \qquad C_{A2} = 0{,}40 \times 200 = 80CB1=0,30×200=60CB2=0,60×200=120C_{B1} = 0{,}30 \times 200 = 60 \qquad C_{B2} = 0{,}60 \times 200 = 120

todos em mol/m3\mathrm{mol/m^3}. Cada par soma 200200 ✔

Passo 3 — os gradientes (perfil linear).

dCAdx=80−1402,0=−30 mol/m4dCBdx=120−602,0=+30 mol/m4\frac{dC_A}{dx} = \frac{80 - 140}{2{,}0} = -30\ \mathrm{mol/m^4} \qquad \frac{dC_B}{dx} = \frac{120 - 60}{2{,}0} = +30\ \mathrm{mol/m^4}

Opostos, porque a soma é constante. É de onde vem a conferência do próximo passo.

Passo 4 — os fluxos difusivos. Por Fick, com o gradiente constante o difusivo é o mesmo em qualquer posição do tubo:

JA′′=−DAB dCAdx=−5,0×10−2×(−30)=+1,5 mol/(m2s)J''_A = -D_{AB}\,\frac{dC_A}{dx} = -5{,}0\times10^{-2} \times (-30) = +1{,}5\ \mathrm{mol/(m^2 s)}JB′′=−DAB dCBdx=−5,0×10−2×(+30)=−1,5 mol/(m2s)J''_B = -D_{AB}\,\frac{dC_B}{dx} = -5{,}0\times10^{-2} \times (+30) = -1{,}5\ \mathrm{mol/(m^2 s)}JA′′=−JB′′ ✓J''_A = -J''_B \ \checkmark

AA difunde no sentido do escoamento (está mais concentrado na entrada); BB difunde contra o escoamento (está mais concentrado na saída).

Passo 5 — os fluxos convectivos, na saída. As duas espécies são arrastadas pela mesma velocidade da mistura, então basta multiplicar a concentração local:

NA′′=CA2 v=80×4,0=320 mol/(m2s)N''_A = C_{A2}\,v = 80 \times 4{,}0 = 320\ \mathrm{mol/(m^2 s)}NB′′=CB2 v=120×4,0=480 mol/(m2s)N''_B = C_{B2}\,v = 120 \times 4{,}0 = 480\ \mathrm{mol/(m^2 s)}

Passo 6 — os fluxos absolutos.

NA,abs′′=JA′′+NA′′=1,5+320=321,5 mol/(m2s)N''_{A,abs} = J''_A + N''_A = 1{,}5 + 320 = 321{,}5\ \mathrm{mol/(m^2 s)}NB,abs′′=JB′′+NB′′=−1,5+480=478,5 mol/(m2s)N''_{B,abs} = J''_B + N''_B = -1{,}5 + 480 = 478{,}5\ \mathrm{mol/(m^2 s)}

Passo 7 — a leitura. O convectivo é mais de 200 vezes o difusivo: com a mistura a 4 m/s4\ \mathrm{m/s}, a difusão é uma correção de menos de 0,5 %0{,}5\ \%. E a soma dos absolutos,

321,5+478,5=800=C v321{,}5 + 478{,}5 = 800 = C\,v

confirma que os difusivos, sendo opostos, não alteram o transporte total da mistura — só redistribuem as espécies dentro dela.

Conferência — a fração da saída é de BB ✔ os difusivos saem opostos, porque CC é constante ✔ o convectivo usa a concentração da saída ✔ os absolutos somam C vC\,v ✔

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Questão 132º EE2023.1Adimensionais · Reynolds e Nusselt, equações e significado1,0 ptVer material

Em uma análise dimensional, a grandeza adimensional (ou número adimensional) é um número desprovido de qualquer unidade física que o defina, sendo, portanto, um número puro. Os números adimensionais são descritos como produtos ou quocientes de quantidades cujas unidades se cancelam e, dependendo do seu valor, estes números têm algum significado físico que caracteriza determinadas propriedades para alguns sistemas. Assim, por exemplo, o número de Grashof é um número adimensional usado na mecânica dos fluidos, representando a relação entre a sustentação de um fluido e a sua viscosidade.

Nesse sentido, defina os números adimensionais de Reynolds e Nusselt, com suas equações características e a relação entre grandezas que eles possuem.

Gabarito

Reynolds:

Re=ρ v DμRe = \frac{\rho\,v\,D}{\mu}

relaciona as forças de inércia com as de viscosidade, onde ρ\rho é a massa específica [kg/m3][\mathrm{kg/m^3}], vv a velocidade do fluido [m/s][\mathrm{m/s}], DD o comprimento característico (ou o diâmetro, no escoamento em tubo) [m][\mathrm{m}] e μ\mu a viscosidade dinâmica [kg m−1s−1][\mathrm{kg\,m^{-1}s^{-1}}].

Nusselt:

Nu=h LkNu = \frac{h\,L}{k}

relaciona a troca de calor por convecção com a troca de calor por condução, onde hh é o coeficiente de transferência de calor por convecção [W K−1m−2][\mathrm{W\,K^{-1}m^{-2}}], kk é o coeficiente de transferência de calor por condução (condutividade térmica) [W K−1m−1][\mathrm{W\,K^{-1}m^{-1}}] e LL é a espessura do material condutor [m][\mathrm{m}].

Passo a passo

1 — Reynolds: inércia contra viscosidade.

Re=ρ v Dμ=v DνRe = \frac{\rho\,v\,D}{\mu} = \frac{v\,D}{\nu}

O numerador mede a tendência do fluido a seguir em frente (inércia); o denominador, a tendência a ser freado pelo atrito interno (viscosidade). O quociente diz qual vence:

  • ReRe baixo — a viscosidade domina, o escoamento é laminar e organizado;
  • ReRe alto — a inércia domina, as perturbações crescem e o escoamento é turbulento.

Em tubo, as faixas de referência são Re<2000Re < 2000 laminar, Re>4000Re > 4000 turbulento, e a transição no meio.

2 — Nusselt: convecção contra condução.

Nu=h LkNu = \frac{h\,L}{k}

A leitura mais direta vem de escrever os dois transportes na mesma camada de fluido de espessura LL:

qconv′′=h ΔT⏟com o fluido escoandoqcond′′=kL ΔT⏟com o fluido parado\underbrace{q''_{conv} = h\,\Delta T}_{\text{com o fluido escoando}} \qquad\qquad \underbrace{q''_{cond} = \frac{k}{L}\,\Delta T}_{\text{com o fluido parado}}Nu=qconv′′qcond′′=h ΔT(k/L) ΔT=h LkNu = \frac{q''_{conv}}{q''_{cond}} = \frac{h\,\Delta T}{(k/L)\,\Delta T} = \frac{h\,L}{k}
  • Nu=1Nu = 1 — não há ganho: o fluido está efetivamente parado, e a troca é só condução;
  • Nu≫1Nu \gg 1 — a convecção domina, tanto mais quanto maior o número. É o caso de qualquer escoamento real.

3 — Por que Nusselt é o adimensional útil. Porque é ele que entrega o hh, que é a incógnita difícil da convecção. O roteiro é sempre:

Nu=f(Re, Pr)⏟convecc¸a˜o forc¸adaNu=f(Gr, Pr)⏟convecc¸a˜o natural  ⟹  h=Nu kL  ⟹  q=h A ΔT\underbrace{Nu = f(Re,\,Pr)}_{\text{convecção forçada}} \qquad \underbrace{Nu = f(Gr,\,Pr)}_{\text{convecção natural}} \;\Longrightarrow\; h = \frac{Nu\,k}{L} \;\Longrightarrow\; q = h\,A\,\Delta T

E é aí que o Reynolds do enunciado se encaixa: ele é a entrada da correlação na convecção forçada, e o Grashof citado pela questão faz o mesmo papel na convecção natural — onde não há velocidade imposta, e o motor é o empuxo térmico.

Conferência — os dois pedem equação, significado físico e unidade de cada símbolo ✔ Reynolds é inércia sobre viscosidade; Nusselt é convecção sobre condução ✔ o kk de Nusselt é do fluido ✔

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Questão 142º EE2023.1Convecção · Natural e forçada, e por que uma troca mais1,0 ptVer material

Os processos de convecção na transferência de calor são importantes, pois descrevem o funcionamento de diversos equipamentos, como os trocadores de calor. A convecção desempenha um papel importante nesse processo. Nesse sentido, identifique e explique os principais tipos de convecção.

Gabarito

São as convecções natural e forçada.

Natural (ou livre) — ocorre devido a diferenças de densidade causadas por variações de temperatura, sem a necessidade de dispositivos mecânicos, tais como ventiladores, bombas, etc.

Forçada — o fluido é impulsionado por esses equipamentos mecânicos (ventilador, bomba, compressor) ou por um agente externo como o vento.

Nas duas vale a lei do resfriamento de Newton, q=h A (Ts−T∞)q = h\,A\,(T_s - T_\infty); o que muda é o valor de hh, muito maior na forçada.

Passo a passo

1 — Convecção natural (ou livre). O movimento do fluido nasce da própria troca de calor. O fluido junto à superfície quente se aquece, fica menos denso, e o empuxo o faz subir; fluido mais frio desce para ocupar o lugar, e a circulação se mantém sozinha.

  • não há nenhum equipamento movendo o fluido;
  • a velocidade não é dada no problema: ela é consequência do aquecimento;
  • por isso, na correlação, o Reynolds é substituído pelo número de Grashof, que compara o empuxo térmico com a viscosidade:
Gr=g β (Ts−T∞) L3ν2⟹Nu=f(Gr, Pr)Gr = \frac{g\,\beta\,(T_s - T_\infty)\,L^3}{\nu^2} \qquad\Longrightarrow\qquad Nu = f(Gr,\,Pr)

Exemplos: o ar subindo de um radiador, a água circulando numa panela antes de ferver, a brisa marítima, o ar quente que sobe do asfalto.

2 — Convecção forçada. O fluido é impulsionado por um agente externo — ventilador, bomba, compressor, vento. O escoamento existe independentemente da diferença de temperatura.

Nu=f(Re, Pr)Nu = f(Re,\,Pr)

Exemplos: radiador de carro com ventoinha, trocador de calor com bomba de circulação, secador de cabelo, resfriamento de processador com cooler.

3 — Por que a forçada troca muito mais calor. A resistência à troca está na camada limite junto à parede, onde o fluido está praticamente parado e o calor só passa por condução. Quanto mais rápido o escoamento, mais fina essa camada — e menor a resistência.

q=h A (Ts−T∞)q = h\,A\,(T_s - T_\infty)
situaçãohh típico [W/(m2K)][\mathrm{W/(m^2 K)}]
gás, convecção natural22 a 2525
gás, convecção forçada2525 a 250250
líquido, convecção natural5050 a 10001000
líquido, convecção forçada100100 a 20 00020\,000
ebulição / condensação25002500 a 100 000100\,000

Uma ordem de grandeza de diferença entre natural e forçada, para o mesmo fluido. É por isso que soprar a sopa esfria mais rápido: troca-se natural por forçada.

Conferência — dois tipos principais, com o critério que os separa: existe ou não um dispositivo mecânico ✔ dizer que na natural o motor é a diferença de densidade causada pela temperatura ✔ apontar que o que muda na conta é o valor de hh, e não a fórmula, fecha a resposta ✔

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Questão 152º EE2023.1 · 2023.2Condições de contorno · Dirichlet, Neumann e Robin1,0 ptVer material

As equações relacionadas com o fenômeno de transferência de calor costumam ser diferenciais e, para se poder resolvê-las, costuma-se lançar mão do que se chama de condições de contorno. Defina o que são condições de contorno e quais os três tipos de condição de contorno existentes, com os seus parâmetros.

Gabarito

Condições de contorno são as informações nas fronteiras do domínio que precisam ser conhecidas para que a equação diferencial tenha solução única. As três mais comuns são:

1º tipo — Dirichlet. A superfície do corpo é mantida a uma temperatura fixa:

Ts=T(x,t)=T(0,t)T_s = T(x,t) = T(0,t)

2º tipo — Neumann. O que é mantido constante é a taxa de calor por condução na superfície:

qs=q(x,t)=q(0,t)isto eˊ−k ∂T∂x∣0=qs′′q_s = q(x,t) = q(0,t) \qquad\text{isto é}\qquad -k\,\frac{\partial T}{\partial x}\bigg|_{0} = q''_s

3º tipo — Robin (ou mista). Ocorre troca de calor por condução e convecção ao mesmo tempo:

qconduc¸a˜o=qconvecc¸a˜oisto eˊ−k ∂T∂x∣0=h [T∞−T(0,t)]q_{\text{condução}} = q_{\text{convecção}} \qquad\text{isto é}\qquad -k\,\frac{\partial T}{\partial x}\bigg|_{0} = h\,\big[T_\infty - T(0,t)\big]
Passo a passo

1 — Por que elas são necessárias. A equação da condução é diferencial de segunda ordem no espaço:

∂2T∂x2+q˙k=1α ∂T∂t\frac{\partial^2 T}{\partial x^2} + \frac{\dot q}{k} = \frac{1}{\alpha}\,\frac{\partial T}{\partial t}

Integrar duas vezes em xx produz duas constantes de integração. Elas não saem da equação — saem de duas informações nas fronteiras. Sem elas, a solução é uma família de perfis, e não um perfil.

(E se o problema for transiente, é preciso também uma condição inicial, que diz o campo de temperatura em t=0t = 0. Condição inicial e condição de contorno são coisas diferentes: uma no tempo, as outras no espaço.)

2 — Primeiro tipo: Dirichlet. Fixa o valor da função na fronteira.

T(0,t)=TsT(0,t) = T_s

Onde aparece na prática: face em contato com um fluido em mudança de fase, que impõe a sua temperatura (água fervendo a 100 ∘C100\ ^\circ\mathrm{C}, gelo derretendo a 0 ∘C0\ ^\circ\mathrm{C}); face em contato com um reservatório muito grande; superfície cuja temperatura foi medida.

3 — Segundo tipo: Neumann. Fixa a derivada na fronteira, isto é, o fluxo.

−k ∂T∂x∣0=qs′′-k\,\frac{\partial T}{\partial x}\bigg|_{0} = q''_s

Onde aparece: face aquecida por uma resistência elétrica de potência conhecida; face recebendo radiação de intensidade conhecida.

E o caso particular mais importante: superfície adiabática (isolada), em que qs′′=0q''_s = 0 e portanto

∂T∂x∣0=0\frac{\partial T}{\partial x}\bigg|_{0} = 0

É a mesma condição que a simetria dá no plano central de uma parede com geração aquecida igualmente dos dois lados.

4 — Terceiro tipo: Robin, ou mista. Não fixa nem a temperatura nem o fluxo: fixa a relação entre os dois, impondo que o calor que chega por condução é o que sai por convecção.

−k ∂T∂x∣0⏟conduc¸a˜o no soˊlido=h [T∞−T(0,t)]⏟convecc¸a˜o para o fluido\underbrace{-k\,\frac{\partial T}{\partial x}\bigg|_{0}}_{\text{condução no sólido}} = \underbrace{h\,\big[T_\infty - T(0,t)\big]}_{\text{convecção para o fluido}}

Os parâmetros dados são hh e T∞T_\infty; a temperatura da superfície é resultado, não dado. É a condição mais realista, e a que aparece em praticamente todo problema de parede ou tubo com fluido escoando.

Conferência — definir o que são (informações na fronteira para fechar a solução da equação diferencial) e depois listar as três ✔ dar o nome de cada uma, porque a questão cobra os nomes ✔ dizer os parâmetros de cada uma: TsT_s, qs′′q''_s, e o par hh–T∞T_\infty ✔

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Questão 162º EE2023.1 · 2023.2Transporte de massa · Difusão e convecção no suco e no chá1,0 ptVer material

A transferência de massa é um fenômeno presente em muitas situações do nosso dia a dia, desde a disseminação do aroma de um perfume até processos de dissolução de substâncias. Tomando como exemplo a preparação de uma solução de suco em água gelada, analise os processos envolvidos em três condições distintas:

(i) adicionando 1 g1\ \mathrm{g} do pó do suco na água gelada sem mexer;

(ii) adicionando 2 g2\ \mathrm{g} do pó do suco na água gelada sem mexer;

(iii) repetindo o mesmo processo (i), mas agitando vigorosamente a água.

Além disso, explore como a temperatura da água influencia a transferência de massa nesse contexto.

Gabarito

(i) Ocorre transferência de massa por difusão — o mecanismo mais lento, porque o fluido está parado.

(ii) O mesmo mecanismo, difusão, mas com taxa maior: a maior quantidade de pó dá uma concentração maior e, portanto, um gradiente de concentração maior.

(iii) A mistura é muito mais rápida, porque passa a ocorrer convecção — o fluido em movimento carrega o soluto.

Temperatura: se a água estiver mais quente, a difusão é mais rápida (o coeficiente DABD_{AB} cresce com a temperatura); com a água gelada, como no enunciado, o processo é mais lento.

Passo a passo

1 — Identificar o mecanismo de cada caso. A pergunta é sempre a mesma: o fluido está parado ou em movimento?

parado⇒difusa˜oem movimento⇒convecc¸a˜o\text{parado} \Rightarrow \text{difusão} \qquad\qquad \text{em movimento} \Rightarrow \text{convecção}
  • (i) e (ii) — sem mexer: fluido parado, só difusão;
  • (iii) — agitando: fluido em movimento, entra a convecção, que domina de imediato.

2 — Caso (i): difusão pura. A lei de Fick governa:

JA′′=−DAB dCAdxJ''_A = -D_{AB}\,\frac{dC_A}{dx}

O pó no fundo do copo cria uma região de concentração alta, e o soluto migra para onde há menos. É lento — minutos, não segundos — porque depende do movimento aleatório das moléculas.

3 — Caso (ii): o mesmo mecanismo, com taxa maior. Aqui está a sutileza que separa (i) de (ii). O mecanismo não muda — continua difusão. O que muda é o gradiente: com 2 g2\ \mathrm{g} em vez de 1 g1\ \mathrm{g}, a concentração junto ao pó é maior, então

∣dCAdx∣ maior⟹∣JA′′∣ maior\left|\frac{dC_A}{dx}\right| \text{ maior} \qquad\Longrightarrow\qquad |J''_A| \text{ maior}

Cuidado com a leitura errada: dobrar a massa não dobra a velocidade de homogeneização. O fluxo é maior, mas há também mais soluto a distribuir. O que aumenta de fato é a taxa de transferência, não necessariamente o tempo até ficar uniforme.

4 — Caso (iii): convecção. Agitar cria um campo de velocidades que carrega o soluto:

NA′′=CA vN''_A = C_A\,v

e, na forma de troca com a superfície do grão de pó,

NA=hm A (CA,s−CA,∞)N_A = h_m\,A\,(C_{A,s} - C_{A,\infty})

A agitação faz duas coisas: transporta o soluto já dissolvido para longe (o que mantém o gradiente alto junto ao grão) e afina a camada limite em volta dele. Por isso a diferença é de ordens de grandeza, não de porcentagem.

5 — O efeito da temperatura. O coeficiente de difusão cresce com a temperatura, porque as moléculas se movem mais rápido:

DAB↑ com T⟹∣JA′′∣↑D_{AB} \uparrow \text{ com } T \qquad\Longrightarrow\qquad |J''_A| \uparrow

Consequências para o enunciado:

  • a água gelada dos três casos é o que torna a dissolução lenta;
  • se a água estivesse quente, (i) e (ii) ficariam sensivelmente mais rápidos;
  • há um efeito adicional: em água quente a solubilidade costuma ser maior, o que permite uma concentração de saturação mais alta junto ao grão e, com isso, um gradiente maior ainda.

Conferência — (i) e (ii) têm o mesmo mecanismo, e a diferença está no gradiente ✔ só (iii) muda de mecanismo ✔ a temperatura age sobre DABD_{AB}, e a água do enunciado é gelada, o que faz de tudo isso um processo lento ✔

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Questão 172º EE2023.1Tubo isolado · Densidade de fluxo e a emissividade por radiação2,0 ptsVer material

Uma tubulação atravessa uma grande sala conduzindo água a 95 ∘C95\ ^\circ\mathrm{C}, com coeficiente de transferência de calor por convecção h=20 W ∘C−1m−2h = 20\ \mathrm{W\,^\circ C^{-1}m^{-2}}. O tubo, de resistência térmica desprezível, está isolado com lã de rocha (k=0,035 W m−1 ∘C−1k = 0{,}035\ \mathrm{W\,m^{-1}\,^\circ C^{-1}}): o tubo interno corresponde a r1=2 cmr_1 = 2\ \mathrm{cm} e o conjunto isolado a r2=4 cmr_2 = 4\ \mathrm{cm}. Sabendo-se que a temperatura da face externa do isolamento é 22 ∘C22\ ^\circ\mathrm{C}, determinar, para 1 m1\ \mathrm{m} de tubo:

a) (1,0 ponto) A taxa de transferência de calor por unidade de área transferida através da tubulação.

b) (1,0 ponto) A emissividade da superfície do isolamento, sabendo-se que metade da taxa transferida por unidade de área vai para o ambiente por radiação, e que a temperatura da face interna das paredes da sala é 5 ∘C5\ ^\circ\mathrm{C}.

Dados: q′′=q/A=ε σ (Ts4−T∞4)q'' = q/A = \varepsilon\,\sigma\,(T_s^4 - T_\infty^4); σ=5,77×10−8 W m−2K−4\sigma = 5{,}77 \times 10^{-8}\ \mathrm{W\,m^{-2}K^{-4}}.

água95 °Clã de rochaface externa: 22 °Cr₁r₂h = 20radiaçãoparedes: 5 °CL = 1,0 m · resistência do tubo desprezível

O calor faz um caminho só até a face externa (convecção da água + condução na lã) e ali se divide entre convecção e radiação para a sala.

Gabarito

a)

Rconv=12πr1L h=0,398 ∘C/WRcond=ln⁡(r2/r1)2πL k=3,153 ∘C/WR_{conv} = \frac{1}{2\pi r_1 L\,h} = 0{,}398\ ^\circ\mathrm{C/W} \qquad R_{cond} = \frac{\ln(r_2/r_1)}{2\pi L\,k} = 3{,}153\ ^\circ\mathrm{C/W}q′′=ΔTRtotal Aparede=95−22(0,398+3,153)×2π(0,04)(1)≈81,8 W/m2q'' = \frac{\Delta T}{R_{total}\,A_{parede}} = \frac{95 - 22}{(0{,}398 + 3{,}153) \times 2\pi(0{,}04)(1)} \approx \mathbf{81{,}8\ W/m^2}

b)

ε=q′′2 σ (Ts4−T∞4)=81,82×5,77×10−8[(295)4−(278)4]≈0,443\varepsilon = \frac{q''}{2\,\sigma\,(T_s^4 - T_\infty^4)} = \frac{81{,}8}{2 \times 5{,}77\times10^{-8}\left[(295)^4 - (278)^4\right]} \approx \mathbf{0{,}443}
Passo a passo

Passo 1 — as duas resistências em série. O tubo metálico tem resistência desprezível (o enunciado diz), então sobram duas: a convecção da água na face interna e a condução na lã de rocha.

Rconv=12πr1L h=12π(0,02)(1,0)(20)=12,513=0,398 ∘C/WR_{conv} = \frac{1}{2\pi r_1 L\,h} = \frac{1}{2\pi (0{,}02)(1{,}0)(20)} = \frac{1}{2{,}513} = 0{,}398\ ^\circ\mathrm{C/W}Rcond=ln⁡(r2/r1)2πL k=ln⁡(0,04/0,02)2π(1,0)(0,035)=0,69310,2199=3,153 ∘C/WR_{cond} = \frac{\ln(r_2/r_1)}{2\pi L\,k} = \frac{\ln(0{,}04/0{,}02)}{2\pi (1{,}0)(0{,}035)} = \frac{0{,}6931}{0{,}2199} = 3{,}153\ ^\circ\mathrm{C/W}Rtotal=3,551 ∘C/WR_{total} = 3{,}551\ ^\circ\mathrm{C/W}

A lã responde por 89 %89\ \% da resistência — é ela quem segura o calor, como se espera de um isolante.

Passo 2 — a taxa, e depois a taxa por unidade de área. A taxa total é

q=T1−T2Rtotal=95−223,551=20,56 Wq = \frac{T_1 - T_2}{R_{total}} = \frac{95 - 22}{3{,}551} = 20{,}56\ \mathrm{W}

O item pede por unidade de área, e a área de referência é a da superfície externa do isolamento, por onde o calor sai:

A=2πr2L=2π(0,04)(1,0)=0,2513 m2A = 2\pi r_2 L = 2\pi (0{,}04)(1{,}0) = 0{,}2513\ \mathrm{m^2}q′′=qA=20,560,2513=81,8 W/m2q'' = \frac{q}{A} = \frac{20{,}56}{0{,}2513} = 81{,}8\ \mathrm{W/m^2}

Passo 3 — item (b): metade vai por radiação. O calor que chega à face externa se reparte ali entre dois caminhos para a sala: convecção com o ar e radiação para as paredes. O enunciado diz que a metade vai por radiação:

qrad′′=q′′2=ε σ (Ts4−T∞4)q''_{rad} = \frac{q''}{2} = \varepsilon\,\sigma\,(T_s^4 - T_\infty^4)

Passo 4 — as temperaturas em kelvin. Aqui não há escolha: a quarta potência exige a escala absoluta.

Ts=22+273=295 KT∞=5+273=278 KT_s = 22 + 273 = 295\ \mathrm{K} \qquad T_\infty = 5 + 273 = 278\ \mathrm{K}Ts4=7,573×109T∞4=5,973×109Δ(T4)=1,600×109 K4T_s^4 = 7{,}573\times10^{9} \qquad T_\infty^4 = 5{,}973\times10^{9} \qquad \Delta(T^4) = 1{,}600\times10^{9}\ \mathrm{K^4}

Passo 5 — isolar a emissividade.

ε=q′′2 σ (Ts4−T∞4)=81,82×5,77×10−8×1,600×109\varepsilon = \frac{q''}{2\,\sigma\,(T_s^4 - T_\infty^4)} = \frac{81{,}8}{2 \times 5{,}77\times10^{-8} \times 1{,}600\times10^{9}}ε=81,8184,6=0,443\varepsilon = \frac{81{,}8}{184{,}6} = 0{,}443

Passo 6 — a conferência de plausibilidade. A emissividade tem de ficar entre 0 e 1, e 0,4430{,}443 fica ✔ É um valor típico de superfície cinza, coerente com lã de rocha aparente.

Conferência — o tubo metálico não entra, porque o enunciado o dispensa ✔ “por unidade de área” usa a área externa ✔ só metade de q′′q'' é radiação ✔ temperatura em kelvin na quarta potência ✔ 0≤ε≤10 \le \varepsilon \le 1 ✔

Sobre o enunciado — o texto original fala em “diâmetro externo 4 cm” e “tubo interno de 2 cm de diâmetro”, mas o gabarito usa r1=0,02 mr_1 = 0{,}02\ \mathrm{m} e r2=0,04 mr_2 = 0{,}04\ \mathrm{m} — isto é, trata os 22 e os 4 cm4\ \mathrm{cm} como raios. Os valores acima seguem o gabarito, porque é o que a prova cobra. Lendo-os como diâmetros (r1=0,01r_1 = 0{,}01, r2=0,02r_2 = 0{,}02), a mesma conta daria q′′=147,2 W/m2q'' = 147{,}2\ \mathrm{W/m^2} e ε=0,797\varepsilon = 0{,}797 — o método é idêntico, só os raios mudam.

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Questão 182º EE2023.1Forno · Sete materiais em série e em paralelo2,0 ptsVer material

Um determinado equipamento (forno) é constituído por paredes com uma composição específica de materiais em paralelo e em série, como mostrada na figura. A parede interna do forno se encontra a 1000 ∘C1000\ ^\circ\mathrm{C} e a parede externa encontra-se a 100 ∘C100\ ^\circ\mathrm{C}. Usando o diagrama da figura, monte o circuito de resistências equivalente e determine a taxa de transferência de calor por unidade de área dessa parede composta.

Os coeficientes de transferência de calor por condução de cada material:

MaterialABCDEFG
k [W m−1 ∘C−1]k\ [\mathrm{W\,m^{-1}\,^\circ C^{-1}}]0,1000{,}1000,0400{,}0400,0100{,}0100,0600{,}0600,0300{,}0300,0400{,}0400,0200{,}020
AB2 cmC8 cmD2 cmEF6 cmG6 cm3 cm2 cm3 cm4 cm12 cminterna: 1000 °Cexterna: 100 °C

Quatro blocos em série: AA, então B ∥ C ∥ DB\,\|\,C\,\|\,D, então EE, então F ∥ GF\,\|\,G.

Gabarito

Resistências por unidade de área, R′′=L/kR'' = L/k, em (∘C⋅m2)/W\mathrm{(^\circ C \cdot m^2)/W}:

RA=0,3RB=0,5RC=2RD=0,333RE=1RF=1RG=2R_A = 0{,}3 \quad R_B = 0{,}5 \quad R_C = 2 \quad R_D = 0{,}333 \quad R_E = 1 \quad R_F = 1 \quad R_G = 2

Os dois paralelos:

RBCD=(10,5+12+10,333)−1=0,182RFG=(11+12)−1=0,667R_{BCD} = \left(\frac{1}{0{,}5} + \frac{1}{2} + \frac{1}{0{,}333}\right)^{-1} = 0{,}182 \qquad R_{FG} = \left(\frac{1}{1} + \frac{1}{2}\right)^{-1} = 0{,}667Rt=RA+RBCD+RE+RFG=0,3+0,182+1+0,667=2,149R_t = R_A + R_{BCD} + R_E + R_{FG} = 0{,}3 + 0{,}182 + 1 + 0{,}667 = 2{,}149q′′=ΔTRt=1000−1002,149≈418,8 W/m2q'' = \frac{\Delta T}{R_t} = \frac{1000 - 100}{2{,}149} \approx \mathbf{418{,}8\ W/m^2}
Passo a passo

Passo 1 — ler o circuito na figura. O calor entra pela face interna (esquerda) e sai pela externa (direita). No caminho, encontra:

A  →  B ∥ C ∥ D⏟mesma espessura, 2 cm  →  E  →  F ∥ G⏟mesma espessura, 4 cmA \;\to\; \underbrace{B \,\|\, C \,\|\, D}_{\text{mesma espessura, 2 cm}} \;\to\; E \;\to\; \underbrace{F \,\|\, G}_{\text{mesma espessura, 4 cm}}

O critério é o de sempre: materiais que o calor atravessa um depois do outro estão em série; materiais que oferecem caminhos alternativos entre as mesmas duas temperaturas estão em paralelo. BB, CC e DD ocupam a mesma faixa de espessura, empilhados na altura — logo, em paralelo.

Passo 2 — as sete resistências individuais. Como o item pede a taxa por unidade de área, usa-se R′′=L/kR'' = L/k, em (∘C⋅m2)/W\mathrm{(^\circ C\cdot m^2)/W}:

RA=0,030,100=0,3RB=0,020,040=0,5RC=0,020,010=2R_A = \frac{0{,}03}{0{,}100} = 0{,}3 \qquad R_B = \frac{0{,}02}{0{,}040} = 0{,}5 \qquad R_C = \frac{0{,}02}{0{,}010} = 2RD=0,020,060=0,333RE=0,030,030=1R_D = \frac{0{,}02}{0{,}060} = 0{,}333 \qquad R_E = \frac{0{,}03}{0{,}030} = 1RF=0,040,040=1RG=0,040,020=2R_F = \frac{0{,}04}{0{,}040} = 1 \qquad R_G = \frac{0{,}04}{0{,}020} = 2

Passo 3 — o primeiro paralelo, B ∥ C ∥ DB\,\|\,C\,\|\,D.

1RBCD=1RB+1RC+1RD=10,5+12+10,333=2+0,5+3=5,5\frac{1}{R_{BCD}} = \frac{1}{R_B} + \frac{1}{R_C} + \frac{1}{R_D} = \frac{1}{0{,}5} + \frac{1}{2} + \frac{1}{0{,}333} = 2 + 0{,}5 + 3 = 5{,}5RBCD=15,5=0,182 (∘C⋅m2)/WR_{BCD} = \frac{1}{5{,}5} = 0{,}182\ \mathrm{(^\circ C\cdot m^2)/W}

Passo 4 — o segundo paralelo, F ∥ GF\,\|\,G.

1RFG=11+12=1,5⟹RFG=0,667 (∘C⋅m2)/W\frac{1}{R_{FG}} = \frac{1}{1} + \frac{1}{2} = 1{,}5 \qquad\Longrightarrow\qquad R_{FG} = 0{,}667\ \mathrm{(^\circ C\cdot m^2)/W}

Confira os dois: 0,182<0,3330{,}182 < 0{,}333 (a menor do trio) ✔ e 0,667<10{,}667 < 1 ✔ — em paralelo, o equivalente é sempre menor que a menor parcela.

Passo 5 — a série e o resultado.

Rt=RA+RBCD+RE+RFG=0,3+0,182+1+0,667=2,149 (∘C⋅m2)/WR_t = R_A + R_{BCD} + R_E + R_{FG} = 0{,}3 + 0{,}182 + 1 + 0{,}667 = 2{,}149\ \mathrm{(^\circ C\cdot m^2)/W}q′′=ΔTRt=1000−1002,149=418,8 W/m2q'' = \frac{\Delta T}{R_t} = \frac{1000 - 100}{2{,}149} = 418{,}8\ \mathrm{W/m^2}

Passo 6 — onde a temperatura cai.

blocoR′′R''fraçãoΔT [∘C]\Delta T\ [^\circ\mathrm{C}]
AA0,3000{,}30014,0 %14{,}0\ \%126126
B ∥ C ∥ DB\,\|\,C\,\|\,D0,1820{,}1828,5 %8{,}5\ \%7676
EE1,0001{,}00046,5 %46{,}5\ \%419419
F ∥ GF\,\|\,G0,6670{,}66731,0 %31{,}0\ \%279279
total2,1492{,}149100 %100\ \%900\mathbf{900}

O material EE, sozinho, come quase metade dos 900 ∘C900\ ^\circ\mathrm{C} — é a maior resistência do conjunto, e é onde um projeto de forno investiria.

Conferência — cada material com a espessura da sua coluna ✔ os dois paralelos menores que as suas menores parcelas ✔ a série soma direto ✔ as quedas de temperatura somam 900 ∘C900\ ^\circ\mathrm{C} ✔

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Questão 192º EE2023.1Fick · Umidade difundindo por uma parede de gesso2,0 ptsVer material

Considere a difusão de umidade (água na forma de vapor, no ar) através de uma parede de gesso de uma casa. Na parte interna (lado esquerdo), a casa está mantida a 20 ∘C20\ ^\circ\mathrm{C}, pressão atmosférica, sendo 70 %70\ \% em mol dessa pressão a umidade. A parede possui espessura de 10 cm10\ \mathrm{cm}. Na parte externa (lado direito), o ambiente está seco (sem umidade no ar), também com pressão atmosférica, a 40 ∘C40\ ^\circ\mathrm{C}. Considerando essa uma mistura de gases ideais, determine:

a) (1,0 ponto) A concentração molar da água no meio da espessura da parede.

b) (1,0 ponto) A massa de água que difundirá através da parede (altura ×\times comprimento: 3,0 m×8,0 m3{,}0\ \mathrm{m} \times 8{,}0\ \mathrm{m}) durante 24 h24\ \mathrm{h}.

Dados: Maˊgua=18 g⋅mol−1M_{\text{água}} = 18\ \mathrm{g\cdot mol^{-1}}; R=8,314 J⋅mol−1K−1R = 8{,}314\ \mathrm{J\cdot mol^{-1}K^{-1}}; Daˊgua-gesso=2,8×10−5 m2⋅s−1D_{\text{água-gesso}} = 2{,}8\times10^{-5}\ \mathrm{m^2\cdot s^{-1}}; P=1×105 PaP = 1\times10^5\ \mathrm{Pa}.

gesso · L = 10 cminterior20 °Cxágua = 0,70exterior40 °Car secoC₁ = 28,7mol/m³C₂ = 0C(L/2) = ?J″área: 3,0 m × 8,0 m

O lado externo está seco: a concentração de vapor ali é zero, e é isso que fixa a segunda ponta do perfil.

Gabarito

a)

p1=0,70 P=7×104 PaC1=p1R T1=7×1048,314×293=28,72 mol/m3p_1 = 0{,}70\,P = 7\times10^4\ \mathrm{Pa} \qquad C_1 = \frac{p_1}{R\,T_1} = \frac{7\times10^4}{8{,}314 \times 293} = 28{,}72\ \mathrm{mol/m^3}C(x)=−287,21 x+28,721⟹C(0,05)≈14,36 mol/m3C(x) = -287{,}21\,x + 28{,}721 \qquad\Longrightarrow\qquad C(0{,}05) \approx \mathbf{14{,}36\ mol/m^3}

b)

J′′=−D dCdx=−2,8×10−5×(−287,21)=8,04×10−3 mol/(m2s)J'' = -D\,\frac{dC}{dx} = -2{,}8\times10^{-5} \times (-287{,}21) = 8{,}04\times10^{-3}\ \mathrm{mol/(m^2 s)}m=J′′ A t M=8,04×10−3×24×8,64×104×0,018≈300 kgm = J''\,A\,t\,M = 8{,}04\times10^{-3} \times 24 \times 8{,}64\times10^{4} \times 0{,}018 \approx \mathbf{300\ kg}
Passo a passo

Passo 1 — a concentração na face interna, pela pressão parcial. A mistura é de gases ideais, então a fração molar vale também para as pressões:

p1=xaˊgua P=0,70×1×105=7×104 Pap_1 = x_{\text{água}}\,P = 0{,}70 \times 1\times10^5 = 7\times10^4\ \mathrm{Pa}C1=p1R T1=7×1048,314×(273+20)=7×1042436=28,72 mol/m3C_1 = \frac{p_1}{R\,T_1} = \frac{7\times10^4}{8{,}314 \times (273 + 20)} = \frac{7\times10^4}{2436} = 28{,}72\ \mathrm{mol/m^3}

Passo 2 — a face externa é o dado mais fácil, e o mais fácil de perder. O ambiente externo está seco: sem umidade no ar significa pressão parcial de vapor nula, logo

p2=0⟹C2=0p_2 = 0 \qquad\Longrightarrow\qquad C_2 = 0

Os 40 ∘C40\ ^\circ\mathrm{C} do lado de fora não entram na conta da concentração: com p2=0p_2 = 0, qualquer temperatura dá C2=0C_2 = 0. É um dado de contexto, não de cálculo.

Passo 3 — o perfil linear e o gradiente.

C(x)=(C2−C1L)x+C1=(0−28,7210,10)x+28,721C(x) = \left(\frac{C_2 - C_1}{L}\right)x + C_1 = \left(\frac{0 - 28{,}721}{0{,}10}\right)x + 28{,}721C(x)=−287,21 x+28,721dCdx=−287,21 mol/m4C(x) = -287{,}21\,x + 28{,}721 \qquad \frac{dC}{dx} = -287{,}21\ \mathrm{mol/m^4}

Passo 4 — item (a): o meio da parede. Com perfil linear, o meio é a média — mas vale escrever a conta:

x=L2=0,05 mC=−287,21×0,05+28,721=−14,36+28,72=14,36 mol/m3x = \frac{L}{2} = 0{,}05\ \mathrm{m} \qquad C = -287{,}21 \times 0{,}05 + 28{,}721 = -14{,}36 + 28{,}72 = 14{,}36\ \mathrm{mol/m^3}

Exatamente metade de C1C_1, como tinha de ser num perfil reto que termina em zero.

Passo 5 — item (b): a densidade de fluxo, por Fick.

J′′=−D dCdx=−2,8×10−5×(−287,21)=8,04×10−3 mol/(m2⋅s)J'' = -D\,\frac{dC}{dx} = -2{,}8\times10^{-5} \times (-287{,}21) = 8{,}04\times10^{-3}\ \mathrm{mol/(m^2\cdot s)}

Positivo: a umidade vai de dentro para fora, como esperado (dentro há mais vapor). E, sendo o gradiente constante, esse fluxo é o mesmo em qualquer posição da parede — inclusive no meio.

Passo 6 — de fluxo molar para massa acumulada. Três multiplicações, cada uma convertendo uma coisa:

A=3,0×8,0=24 m2t=24×3600=8,64×104 sM=18 g/mol=0,018 kg/molA = 3{,}0 \times 8{,}0 = 24\ \mathrm{m^2} \qquad t = 24 \times 3600 = 8{,}64\times10^{4}\ \mathrm{s} \qquad M = 18\ \mathrm{g/mol} = 0{,}018\ \mathrm{kg/mol}m=J′′ A t Mm = J''\,A\,t\,Mm=8,04×10−3×24×8,64×104×0,018m = 8{,}04\times10^{-3} \times 24 \times 8{,}64\times10^{4} \times 0{,}018m=0,1930×8,64×104×0,018=16 672×0,018≈300 kgm = 0{,}1930 \times 8{,}64\times10^{4} \times 0{,}018 = 16\,672 \times 0{,}018 \approx 300\ \mathrm{kg}

Conferência — a concentração vem da pressão parcial, não da total ✔ o lado seco dá C2=0C_2 = 0, e os 40 ∘C40\ ^\circ\mathrm{C} não entram ✔ temperatura em kelvin ✔ no meio de um perfil linear que acaba em zero, a concentração é metade da inicial ✔ massa molar de g/mol para kg/mol ✔

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Questão 202º EE2023.2Transferência de calor · Os três mecanismos numa estufa agrícola1,0 ptVer material

Um engenheiro é designado para projetar um sistema de aquecimento para uma estufa agrícola, onde a temperatura precisa ser mantida dentro de uma faixa específica para garantir o crescimento saudável das plantas. Nesse contexto, indique quais são os mecanismos de transferência de calor existentes, e onde pode atuar cada mecanismo nesse processo de aquecimento.

radiaçãocondução(na cobertura)convecçãoestufa agrícola

Os três mecanismos atuam ao mesmo tempo, e em lugares diferentes: fora, atravessando, e dentro.

Gabarito

Existem três mecanismos, e todos aparecem no problema:

  • radiação — emitida pelo Sol, responsável pelo aquecimento da estufa (bem como das próprias plantas). Não precisa de meio material, e é como a energia chega do espaço até a cobertura;
  • condução — no material que compõe a estufa (plástico, vidro, metal da estrutura), atravessando a espessura da cobertura;
  • convecção — dentro da estufa, devido à variação de temperatura, que provoca mudança de densidade do ar e o faz circular. E também na face externa, do vento sobre a cobertura.
Passo a passo

1 — Radiação: como a energia chega. O Sol emite ondas eletromagnéticas que atravessam o vácuo e a atmosfera. Não é preciso meio material — este é o único dos três mecanismos que funciona no vácuo.

q=ε σ A (Ts4−Tviz4)q = \varepsilon\,\sigma\,A\,(T_s^4 - T_{viz}^4)

Onde atua na estufa:

  • aquece a cobertura (plástico ou vidro);
  • atravessa parte dela e aquece o solo e as próprias plantas;
  • de noite, atua no sentido contrário: a estufa emite para o céu frio, e é por isso que a temperatura cai.

2 — Condução: como a energia atravessa. Dentro do material da cobertura — plástico, vidro, o metal da estrutura — o calor passa de molécula a molécula, sem que a matéria se mova.

q=−k A dTdxq = -k\,A\,\frac{dT}{dx}

Onde atua: através da espessura da cobertura, e também pelo solo, que troca calor com o subsolo por condução.

3 — Convecção: como a energia se espalha por dentro. Dentro da estufa, o ar junto ao solo aquecido fica menos denso e sobe; o ar mais frio do topo desce. A circulação se sustenta sozinha — é convecção natural.

q=h A (Ts−T∞)q = h\,A\,(T_s - T_\infty)

Onde atua:

  • dentro, distribuindo o calor do solo e das plantas para todo o volume de ar (natural);
  • fora, do vento sobre a cobertura (forçada) — e é por aqui que a estufa perde calor;
  • e se o projeto usar ventiladores ou um sistema de ar aquecido, a convecção interna passa a ser forçada.

Conferência — os três mecanismos, e cada um com o lugar em que atua ✔ dizer que a radiação dispensa meio material ✔ apontar que a convecção interna é natural (nasce da diferença de densidade) e a externa é forçada ✔

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Questão 212º EE2023.2Radiação · O percentual de aumento com a quarta potência2,0 ptsVer material

Admita que radiação seja emitida por uma superfície real a 350 K350\ \mathrm{K} com uma emissividade de 0,550{,}55. Em que percentual é aumentada a radiação emitida da superfície se a temperatura for aumentada para 1273 K1273\ \mathrm{K}? Compare com o percentual em que se aumentou a temperatura.

Dado: σ=5,67×10−8 W/(m2⋅K4)\sigma = 5{,}67\times10^{-8}\ \mathrm{W/(m^2\cdot K^4)}.

Gabarito
q350′′=ε σ T4=0,55⋅5,67×10−8⋅3504=4,68×102 W/m2q''_{350} = \varepsilon\,\sigma\,T^4 = 0{,}55 \cdot 5{,}67\times10^{-8} \cdot 350^4 = 4{,}68\times10^{2}\ \mathrm{W/m^2}q1273′′=0,55⋅5,67×10−8⋅12734=8,19×104 W/m2q''_{1273} = 0{,}55 \cdot 5{,}67\times10^{-8} \cdot 1273^4 = 8{,}19\times10^{4}\ \mathrm{W/m^2}

Aumento da radiação:

8,19×104−4,68×1024,68×102×100 %≈17 400 %\frac{8{,}19\times10^{4} - 4{,}68\times10^{2}}{4{,}68\times10^{2}} \times 100\ \% \approx \mathbf{17\,400\ \%}

Aumento da temperatura:

1273−350350×100 %≈264 %\frac{1273 - 350}{350} \times 100\ \% \approx \mathbf{264\ \%}

A temperatura subiu 264 %264\ \%; a radiação emitida subiu 17 400 %17\,400\ \% — cerca de 66 vezes mais, porque a emissão depende de T4T^4.

Passo a passo

Passo 1 — a lei de Stefan-Boltzmann para superfície real. A questão pede a radiação emitida pela superfície, não a troca líquida com a vizinhança — então não há o termo Tviz4T_{viz}^4:

q′′=ε σ T4q'' = \varepsilon\,\sigma\,T^4

Passo 2 — a emissão a 350 K350\ \mathrm{K}.

3504=(3,5×102)4=3,54×108=150,06×108=1,5006×1010 K4350^4 = (3{,}5\times10^2)^4 = 3{,}5^4 \times 10^8 = 150{,}06 \times 10^8 = 1{,}5006\times10^{10}\ \mathrm{K^4}q350′′=0,55×5,67×10−8×1,5006×1010=0,55×850,9=468 W/m2q''_{350} = 0{,}55 \times 5{,}67\times10^{-8} \times 1{,}5006\times10^{10} = 0{,}55 \times 850{,}9 = 468\ \mathrm{W/m^2}

Passo 3 — a emissão a 1273 K1273\ \mathrm{K}.

12732=1,6205×10612734=(1,6205×106)2=2,6261×1012 K41273^2 = 1{,}6205\times10^{6} \qquad 1273^4 = (1{,}6205\times10^{6})^2 = 2{,}6261\times10^{12}\ \mathrm{K^4}q1273′′=0,55×5,67×10−8×2,6261×1012=0,55×148 900=81 895 W/m2q''_{1273} = 0{,}55 \times 5{,}67\times10^{-8} \times 2{,}6261\times10^{12} = 0{,}55 \times 148\,900 = 81\,895\ \mathrm{W/m^2}

Ou seja, de 0,47 kW/m20{,}47\ \mathrm{kW/m^2} para 82 kW/m282\ \mathrm{kW/m^2}.

Passo 4 — o percentual de aumento da radiação. “Em que percentual é aumentada” pede a variação relativa, não a razão:

Δq′′q350′′=81 895−468468=81 427468=174,0⟹17 400 %\frac{\Delta q''}{q''_{350}} = \frac{81\,895 - 468}{468} = \frac{81\,427}{468} = 174{,}0 \qquad\Longrightarrow\qquad 17\,400\ \%

Passo 5 — o percentual de aumento da temperatura.

1273−350350=923350=2,637⟹264 %\frac{1273 - 350}{350} = \frac{923}{350} = 2{,}637 \qquad\Longrightarrow\qquad 264\ \%

Passo 6 — a comparação, que é o que a questão realmente pede. Multiplicar a temperatura absoluta por kk multiplica a emissão por k4k^4:

T2T1=1273350=3,637⟹(T2T1)4=3,6374=175\frac{T_2}{T_1} = \frac{1273}{350} = 3{,}637 \qquad\Longrightarrow\qquad \left(\frac{T_2}{T_1}\right)^4 = 3{,}637^4 = 175

que é exatamente a razão do Passo 4 ✔ — a conferência sai de graça, e sem calcular nenhuma quarta potência grande.

264 %⏟temperaturacontra17 400 %⏟radiac¸a˜o\underbrace{264\ \%}_{\text{temperatura}} \qquad\text{contra}\qquad \underbrace{17\,400\ \%}_{\text{radiação}}

A conclusão a escrever: a radiação não cresce em proporção à temperatura; cresce com a quarta potência dela. Pouco mais que triplicar a temperatura absoluta multiplicou a emissão por 175.

Conferência — a temperatura já vem em kelvin, e é nela que se eleva à quarta ✔ “percentual de aumento” leva o −1-1 ✔ a razão das emissões tem de dar (T2/T1)4(T_2/T_1)^4 ✔ os dois percentuais pedidos são 264 %264\ \% e 17 400 %17\,400\ \%, e a comparação entre eles é a resposta ✔

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Questão 222º EE2023.2Esfera · Quando o calor entra e o fluxo sai negativo2,5 ptsVer material

Considere uma esfera de um material AA (de temperatura constante), recoberta por uma camada de um material BB, também recoberta com uma camada de um isolante térmico. Na parte externa da esfera, um fluido escoa fazendo convecção.

Dados: T1=20 ∘CT_1 = 20\ ^\circ\mathrm{C}; T∞=120 ∘CT_\infty = 120\ ^\circ\mathrm{C}; r1=5 cmr_1 = 5\ \mathrm{cm}; r2=8 cmr_2 = 8\ \mathrm{cm}; r3=10 cmr_3 = 10\ \mathrm{cm}; kB=4,0 W/(m⋅K)k_B = 4{,}0\ \mathrm{W/(m\cdot K)}; kiso=0,07 W/(m⋅K)k_{iso} = 0{,}07\ \mathrm{W/(m\cdot K)}; he=2,0 W/(m2⋅K)h_e = 2{,}0\ \mathrm{W/(m^2\cdot K)}.

Determine:

a) (0,5 pontos) O raio crítico de isolamento.

b) (1,0 ponto) A taxa de transferência de calor através do sistema.

c) (1,0 ponto) As temperaturas entre as interfaces (BB–iso e iso–fluido).

AT₁ = 20 °CBisolanter₁r₂r₃T∞ = 120 °Che = 2,0T∞ > T₁:o calor entra

Diferente do caso usual, aqui T∞>T1T_\infty > T_1: o fluido aquece a esfera, e o fluxo sai negativo na convenção de dentro para fora.

Gabarito

a)

rc=2 kisohe=2×0,072,0=0,07 m=7 cmr_c = \frac{2\,k_{iso}}{h_e} = \frac{2 \times 0{,}07}{2{,}0} = \mathbf{0{,}07\ m} = 7\ \mathrm{cm}

Como r3=10 cm>rcr_3 = 10\ \mathrm{cm} > r_c, o sistema está depois do raio crítico: acrescentar isolante reduz a troca.

b)

RB=0,15Riso=2,84Rconv=3,98RT=6,97 K/WR_B = 0{,}15 \qquad R_{iso} = 2{,}84 \qquad R_{conv} = 3{,}98 \qquad R_T = 6{,}97\ \mathrm{K/W}q=293−3936,97=−14,35 Wq = \frac{293 - 393}{6{,}97} = \mathbf{-14{,}35\ W}

O sinal negativo diz que o calor entra na esfera (o fluido está mais quente).

c)

T2=T1−q RB=293+14,35×0,15≈295,1 K (22,1 ∘C)T_2 = T_1 - q\,R_B = 293 + 14{,}35 \times 0{,}15 \approx \mathbf{295{,}1\ K}\ (22{,}1\ ^\circ\mathrm{C})T3=T2−q Riso=295,1+14,35×2,84≈335,9 K (62,9 ∘C)T_3 = T_2 - q\,R_{iso} = 295{,}1 + 14{,}35 \times 2{,}84 \approx \mathbf{335{,}9\ K}\ (62{,}9\ ^\circ\mathrm{C})
Passo a passo

Passo 1 — o raio crítico, item (a). Para esfera:

rc=2 kisohe=2×0,072,0=0,07 m=7 cmr_c = \frac{2\,k_{iso}}{h_e} = \frac{2 \times 0{,}07}{2{,}0} = 0{,}07\ \mathrm{m} = 7\ \mathrm{cm}

E o diagnóstico: r3=10 cmr_3 = 10\ \mathrm{cm} é maior que rc=7 cmr_c = 7\ \mathrm{cm}, logo o sistema já passou do crítico. Nessa faixa, mais isolante diminui a troca de calor — o comportamento que a intuição espera.

Passo 2 — as três resistências, item (b). Os raios em metros: r1=0,05r_1 = 0{,}05, r2=0,08r_2 = 0{,}08, r3=0,10r_3 = 0{,}10.

RB=1/r1−1/r24πkB=20−12,54π×4,0=7,550,27=0,149 K/WR_B = \frac{1/r_1 - 1/r_2}{4\pi k_B} = \frac{20 - 12{,}5}{4\pi \times 4{,}0} = \frac{7{,}5}{50{,}27} = 0{,}149\ \mathrm{K/W}Riso=1/r2−1/r34πkiso=12,5−104π×0,07=2,50,8796=2,842 K/WR_{iso} = \frac{1/r_2 - 1/r_3}{4\pi k_{iso}} = \frac{12{,}5 - 10}{4\pi \times 0{,}07} = \frac{2{,}5}{0{,}8796} = 2{,}842\ \mathrm{K/W}Rconv=1he 4πr32=12,0×4π×(0,10)2=10,2513=3,979 K/WR_{conv} = \frac{1}{h_e\,4\pi r_3^2} = \frac{1}{2{,}0 \times 4\pi \times (0{,}10)^2} = \frac{1}{0{,}2513} = 3{,}979\ \mathrm{K/W}RT=0,149+2,842+3,979=6,970 K/WR_T = 0{,}149 + 2{,}842 + 3{,}979 = 6{,}970\ \mathrm{K/W}

Passo 3 — as temperaturas em kelvin, e o sinal.

T1=20+273=293 KT∞=120+273=393 KT_1 = 20 + 273 = 293\ \mathrm{K} \qquad T_\infty = 120 + 273 = 393\ \mathrm{K}q=T1−T∞RT=293−3936,970=−1006,970=−14,35 Wq = \frac{T_1 - T_\infty}{R_T} = \frac{293 - 393}{6{,}970} = \frac{-100}{6{,}970} = -14{,}35\ \mathrm{W}

Passo 4 — as temperaturas das interfaces, item (c). Uma resistência por vez, a partir de T1T_1, mantendo o sinal de qq:

T2=T1−q RB=293−(−14,35)(0,149)=293+2,14=295,1 KT_2 = T_1 - q\,R_B = 293 - (-14{,}35)(0{,}149) = 293 + 2{,}14 = 295{,}1\ \mathrm{K}T3=T2−q Riso=295,1−(−14,35)(2,842)=295,1+40,8=335,9 KT_3 = T_2 - q\,R_{iso} = 295{,}1 - (-14{,}35)(2{,}842) = 295{,}1 + 40{,}8 = 335{,}9\ \mathrm{K}

As temperaturas crescem de dentro para fora — como tem de ser, já que o calor entra de fora.

Em Celsius: T2=22,1 ∘CT_2 = 22{,}1\ ^\circ\mathrm{C} e T3=62,9 ∘CT_3 = 62{,}9\ ^\circ\mathrm{C}.

Passo 5 — a conferência pela convecção. Do lado externo:

T3−T∞=q Rconv=−14,35×3,979=−57,1 K⟹T3=393−57,1=335,9 K ✓T_3 - T_\infty = q\,R_{conv} = -14{,}35 \times 3{,}979 = -57{,}1\ \mathrm{K} \qquad\Longrightarrow\qquad T_3 = 393 - 57{,}1 = 335{,}9\ \mathrm{K}\ \checkmark

Fecha pelos dois caminhos.

Passo 6 — onde o ΔT\Delta T se concentra.

| resistência | valor [K/W][\mathrm{K/W}] | fração | ∣ΔT∣|\Delta T| [K][\mathrm{K}] | |---|---|---|---| | condução em BB | 0,1490{,}149 | 2,1 %2{,}1\ \% | 2,12{,}1 | | condução no isolante | 2,8422{,}842 | 40,8 %40{,}8\ \% | 40,840{,}8 | | convecção externa | 3,9793{,}979 | 57,1 %\mathbf{57{,}1\ \%} | 57,157{,}1 | | total | 6,9706{,}970 | 100 %100\ \% | 100,0\mathbf{100{,}0} |

O material BB é praticamente transparente ao calor (kB=4k_B = 4, cinquenta vezes o do isolante). Quem segura são o isolante e o ar externo, quase em partes iguais.

Conferência — raio crítico de esfera com o fator 2 ✔ resistência esférica sem LL ✔ convecção com 4πr324\pi r_3^2 ✔ qq negativo, porque o fluido é o mais quente ✔ as temperaturas crescem para fora ✔ as quedas somam 100 K100\ \mathrm{K} ✔

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Questão 232º EE2023.2Membrana · Perfil exponencial de concentração2,5 ptsVer material

Considere a transferência de massa de uma mistura entre duas espécies, AA e BB, através de uma membrana porosa. Na face esquerda, a concentração total da mistura é de 100,0 mol/m3100{,}0\ \mathrm{mol/m^3} e 85 %85\ \% (em mol) dessa mistura é da espécie AA. Na outra face, a concentração total é de 40,0 mol/m340{,}0\ \mathrm{mol/m^3} e 60 %60\ \% (em mol) dessa mistura é da espécie BB. A espessura da membrana é de 20 cm20\ \mathrm{cm} e sua área lateral é de 5 m25\ \mathrm{m^2}. O coeficiente de difusão binária de AA e BB na membrana é de 3,0×10−2 m2/s3{,}0\times10^{-2}\ \mathrm{m^2/s}.

Determine para AA e para BB a taxa de transferência de massa no meio da membrana. Admita regime permanente, unidimensional na direção xx. O perfil de concentração de cada espécie é dado por

C(x)=C1 eC2xC(x) = C_1\,e^{C_2 x}

no qual C1C_1 e C2C_2 são constantes.

membrana · L = 20 cm · A = 5 m²x = L/2CA = 8516CB = 1524esquerdaC = 100xA = 0,85direitaC = 40xB = 0,60x

Os dois perfis são exponenciais, e a concentração total não é constante (100→40100 \to 40): os dois fluxos não são opostos.

Gabarito

Concentrações nas faces: CEA=85C_{EA} = 85, CEB=15C_{EB} = 15, CDA=16C_{DA} = 16, CDB=24 mol/m3C_{DB} = 24\ \mathrm{mol/m^3}.

Espécie AA:

C1A=85C2A=1Lln⁡ ⁣CDACEA=10,2ln⁡1685=−8,35 m−1C_{1A} = 85 \qquad C_{2A} = \frac{1}{L}\ln\!\frac{C_{DA}}{C_{EA}} = \frac{1}{0{,}2}\ln\frac{16}{85} = -8{,}35\ \mathrm{m^{-1}}JA(x)=−DAB A dCAdx=106,5 e−8,35x⟹JA(0,1)≈46,2 mol/sJ_A(x) = -D_{AB}\,A\,\frac{dC_A}{dx} = 106{,}5\,e^{-8{,}35x} \qquad\Longrightarrow\qquad J_A(0{,}1) \approx \mathbf{46{,}2\ mol/s}

Espécie BB:

C1B=15C2B=10,2ln⁡2415=+2,35 m−1C_{1B} = 15 \qquad C_{2B} = \frac{1}{0{,}2}\ln\frac{24}{15} = +2{,}35\ \mathrm{m^{-1}}JB(x)=−5,29 e2,35x⟹JB(0,1)≈−6,69 mol/sJ_B(x) = -5{,}29\,e^{2{,}35x} \qquad\Longrightarrow\qquad J_B(0{,}1) \approx \mathbf{-6{,}69\ mol/s}
Passo a passo

Passo 1 — as concentrações nas duas faces. Cada face tem a sua concentração total, e a fração dada é de uma espécie diferente em cada lado — as duas armadilhas de sempre.

Face esquerda (CE=100C_E = 100, xEA=0,85x_{EA} = 0{,}85):

CEA=0,85×100=85CEB=(1−0,85)×100=15C_{EA} = 0{,}85 \times 100 = 85 \qquad C_{EB} = (1 - 0{,}85) \times 100 = 15

Face direita (CD=40C_D = 40, xDB=0,60x_{DB} = 0{,}60):

CDB=0,60×40=24CDA=(1−0,60)×40=16C_{DB} = 0{,}60 \times 40 = 24 \qquad C_{DA} = (1 - 0{,}60) \times 40 = 16

todos em mol/m3\mathrm{mol/m^3}. Cada par fecha com a sua total: 85+15=10085+15 = 100 ✔ e 16+24=4016+24 = 40 ✔

Passo 2 — achar as constantes do perfil exponencial. Duas condições de contorno para duas constantes.

Em x=0x = 0 (face esquerda), e0=1e^{0} = 1, então a constante C1C_1 sai de graça:

CA(0)=C1A e0=C1A=CEA=85C_A(0) = C_{1A}\,e^{0} = C_{1A} = C_{EA} = 85

Em x=Lx = L (face direita):

CDA=C1A eC2AL⟹ln⁡CDA=ln⁡CEA+C2AL⟹C2A=1Lln⁡ ⁣CDACEAC_{DA} = C_{1A}\,e^{C_{2A}L} \qquad\Longrightarrow\qquad \ln C_{DA} = \ln C_{EA} + C_{2A}L \qquad\Longrightarrow\qquad C_{2A} = \frac{1}{L}\ln\!\frac{C_{DA}}{C_{EA}}C2A=10,2ln⁡ ⁣1685=5×ln⁡(0,1882)=5×(−1,6706)=−8,353 m−1C_{2A} = \frac{1}{0{,}2}\ln\!\frac{16}{85} = 5 \times \ln(0{,}1882) = 5 \times (-1{,}6706) = -8{,}353\ \mathrm{m^{-1}}CA(x)=85 e−8,353xC_A(x) = 85\,e^{-8{,}353x}

Negativo, como esperado: a concentração de AA cai ao atravessar a membrana.

Passo 3 — o mesmo para BB.

C1B=CEB=15C2B=10,2ln⁡ ⁣2415=5×ln⁡(1,6)=5×0,4700=2,350 m−1C_{1B} = C_{EB} = 15 \qquad C_{2B} = \frac{1}{0{,}2}\ln\!\frac{24}{15} = 5 \times \ln(1{,}6) = 5 \times 0{,}4700 = 2{,}350\ \mathrm{m^{-1}}CB(x)=15 e2,350xC_B(x) = 15\,e^{2{,}350x}

Positivo: a concentração de BB cresce para a direita.

Passo 4 — a taxa, com a área já dentro. O enunciado pede a taxa de transferência de massa (em mol/s\mathrm{mol/s}), não a densidade de fluxo — então a área entra na conta:

JA(x)=−DAB A dCAdxJ_A(x) = -D_{AB}\,A\,\frac{dC_A}{dx}

Derivando o perfil exponencial:

dCAdx=C1A C2A eC2Ax=85×(−8,353) e−8,353x\frac{dC_A}{dx} = C_{1A}\,C_{2A}\,e^{C_{2A}x} = 85 \times (-8{,}353)\,e^{-8{,}353x}JA(x)=− (3,0×10−2)(5)(85)(−8,353) e−8,353x=106,5 e−8,353xJ_A(x) = -\,(3{,}0\times10^{-2})(5)(85)(-8{,}353)\,e^{-8{,}353x} = 106{,}5\,e^{-8{,}353x}

Passo 5 — avaliar no meio, x=L/2=0,1 mx = L/2 = 0{,}1\ \mathrm{m}.

JA(0,1)=106,5×e−0,8353=106,5×0,4339=46,2 mol/sJ_A(0{,}1) = 106{,}5 \times e^{-0{,}8353} = 106{,}5 \times 0{,}4339 = 46{,}2\ \mathrm{mol/s}

Passo 6 — o mesmo para BB.

JB(x)=− (3,0×10−2)(5)(15)(2,350) e2,350x=−5,29 e2,350xJ_B(x) = -\,(3{,}0\times10^{-2})(5)(15)(2{,}350)\,e^{2{,}350x} = -5{,}29\,e^{2{,}350x}JB(0,1)=−5,29×e0,235=−5,29×1,2649=−6,69 mol/sJ_B(0{,}1) = -5{,}29 \times e^{0{,}235} = -5{,}29 \times 1{,}2649 = -6{,}69\ \mathrm{mol/s}

Passo 7 — ler os sinais. JA>0J_A > 0: AA migra da esquerda para a direita, onde há menos AA. JB<0J_B < 0: BB migra da direita para a esquerda, onde há menos BB. Cada espécie desce o seu gradiente, em sentidos opostos.

Conferência — cada face com a sua concentração total ✔ a fração da direita é de BB ✔ C1C_1 é a concentração da face x=0x = 0, sem conta ✔ o perfil exponencial faz o fluxo variar com a posição, então avaliar em x=L/2x = L/2 é obrigatório ✔ a área entra, porque se pede taxa e não densidade ✔ C2A<0C_{2A} < 0 e C2B>0C_{2B} > 0 ✔

Sobre o gabarito — a resolução oficial chega a JA(0,1)=49,19 mol/sJ_A(0{,}1) = 49{,}19\ \mathrm{mol/s}. Refazendo com os próprios números dela (106,47×e−0,8353106{,}47 \times e^{-0{,}8353}), o resultado é 46,246{,}2 — parece um dígito trocado na digitação (46,19→49,1946{,}19 \to 49{,}19). O valor de BB, −6,70-6{,}70, confere exatamente. O método do gabarito é o mesmo dos passos acima.

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Questão 242º EE2024.2Continuidade · Tubo convergente com massa específica variávelVer material

Ar escoa num tubo convergente. A área de maior seção do tubo é 20 cm220\ \mathrm{cm^2} e a menor, 10 cm210\ \mathrm{cm^2}. A massa específica do ar na seção (1) é 0,12 utm/m30{,}12\ \mathrm{utm/m^3}, enquanto na seção (2) é 0,09 utm/m30{,}09\ \mathrm{utm/m^3}. Sendo a velocidade na seção (1) igual a 10 m/s10\ \mathrm{m/s}, determinar a velocidade na seção (2) e a vazão em massa.

(1)A₁ = 20 cm²ρ₁ = 0,12(2)A₂ = 10 cm²ρ₂ = 0,09v₁ = 10 m/sv₂ = ?ar

A massa específica muda de uma seção para a outra: é escoamento compressível, e A1v1=A2v2A_1 v_1 = A_2 v_2 não vale.

Gabarito
ρ1A1v1=ρ2A2v2⟹v2=ρ1A1v1ρ2A2\rho_1 A_1 v_1 = \rho_2 A_2 v_2 \qquad\Longrightarrow\qquad v_2 = \frac{\rho_1 A_1 v_1}{\rho_2 A_2}v2=0,12×20×100,09×10=240,9≈26,7 m/sv_2 = \frac{0{,}12 \times 20 \times 10}{0{,}09 \times 10} = \frac{24}{0{,}9} \approx \mathbf{26{,}7\ m/s}m˙=ρ1A1v1=0,12×20×10−4×10=2,4×10−3 utm/s\dot m = \rho_1 A_1 v_1 = 0{,}12 \times 20\times10^{-4} \times 10 = \mathbf{2{,}4\times10^{-3}\ utm/s}

(equivalente a 2,35×10−2 kg/s2{,}35\times10^{-2}\ \mathrm{kg/s}, já que 1 utm=9,81 kg1\ \mathrm{utm} = 9{,}81\ \mathrm{kg})

Passo a passo

Passo 1 — a forma correta da continuidade. Em regime permanente, o que se conserva é a massa, não o volume:

m˙1=m˙2⟹ρ1A1v1=ρ2A2v2\dot m_1 = \dot m_2 \qquad\Longrightarrow\qquad \rho_1 A_1 v_1 = \rho_2 A_2 v_2

Passo 2 — isolar v2v_2. As áreas aparecem em razão, então não precisam ser convertidas — cm2\mathrm{cm^2} se cancela com cm2\mathrm{cm^2}. O mesmo para as massas específicas.

v2=ρ1ρ2⋅A1A2⋅v1=0,120,09×2010×10v_2 = \frac{\rho_1}{\rho_2}\cdot\frac{A_1}{A_2}\cdot v_1 = \frac{0{,}12}{0{,}09} \times \frac{20}{10} \times 10v2=1,3333×2×10=26,67 m/sv_2 = 1{,}3333 \times 2 \times 10 = 26{,}67\ \mathrm{m/s}

Vale ler o resultado em duas parcelas: o estreitamento da seção acelera o ar em 2 vezes, e a expansão do ar (a queda de densidade) acelera outros 1,33 — juntos, 2,672{,}67 vezes.

Passo 3 — a vazão em massa. Aqui as unidades importam, porque o resultado é absoluto:

A1=20 cm2=20×10−4 m2=2,0×10−3 m2A_1 = 20\ \mathrm{cm^2} = 20 \times 10^{-4}\ \mathrm{m^2} = 2{,}0\times10^{-3}\ \mathrm{m^2}m˙=ρ1A1v1=0,12×2,0×10−3×10=2,4×10−3 utm/s\dot m = \rho_1 A_1 v_1 = 0{,}12 \times 2{,}0\times10^{-3} \times 10 = 2{,}4\times10^{-3}\ \mathrm{utm/s}

Passo 4 — a conferência pela seção 2. A vazão em massa tem de ser a mesma nas duas seções:

m˙2=ρ2A2v2=0,09×10×10−4×26,67=0,09×10−3×26,67=2,4×10−3 utm/s ✓\dot m_2 = \rho_2 A_2 v_2 = 0{,}09 \times 10\times10^{-4} \times 26{,}67 = 0{,}09 \times 10^{-3} \times 26{,}67 = 2{,}4\times10^{-3}\ \mathrm{utm/s}\ \checkmark

Fecha. Essa checagem custa uma linha e pega qualquer erro de álgebra do Passo 2.

Conferência — com ρ\rho variável, a continuidade é a mássica ✔ na razão, as áreas podem ficar em cm2\mathrm{cm^2}; na vazão, têm de ir para m2\mathrm{m^2} ✔ m˙\dot m calculado pelas duas seções tem de dar o mesmo ✔ v2>v1v_2 > v_1, porque a seção estreita e o ar se expande ✔

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Questão 252º EE2024.2Bernoulli · A interpretação física da equaçãoVer material

Qual a interpretação física da equação de Bernoulli?

Gabarito

A equação de Bernoulli é a conservação da energia mecânica aplicada a um fluido ideal (sem viscosidade), incompressível, em regime permanente, ao longo de uma mesma linha de corrente:

pγ+v22g+z=constante=H\frac{p}{\gamma} + \frac{v^2}{2g} + z = \text{constante} = H

Cada termo é uma energia por unidade de peso do fluido — e por isso todos têm unidade de comprimento (metro de coluna de fluido), sendo chamados de cargas:

  • pγ\dfrac{p}{\gamma} — carga de pressão (energia de pressão);
  • v22g\dfrac{v^2}{2g} — carga cinética (energia cinética);
  • zz — carga geométrica (energia potencial de posição).

A interpretação: a soma das três é constante ao longo do escoamento. O fluido pode trocar energia entre as formas — ganhar velocidade perdendo pressão, ganhar altura perdendo velocidade —, mas o total não muda, porque não há atrito para dissipar nem máquina para adicionar ou retirar.

Passo a passo

1 — De onde a equação vem. É a segunda lei de Newton (ou o teorema da energia mecânica) aplicada a uma partícula de fluido ao longo de uma linha de corrente. Dividindo tudo pelo peso do elemento, cada termo de energia vira energia por unidade de peso:

pγ⏟m+v22g⏟m+z⏟m=H\underbrace{\frac{p}{\gamma}}_{\mathrm{m}} + \underbrace{\frac{v^2}{2g}}_{\mathrm{m}} + \underbrace{z}_{\mathrm{m}} = H

2 — O que cada termo significa fisicamente.

  • carga de pressão p/γp/\gamma — a altura a que o fluido subiria num tubo vertical aberto ligado ao ponto (um piezômetro). É a energia armazenada na compressão do fluido;
  • carga cinética v2/2gv^2/2g — a altura a que o fluido subiria se toda a sua velocidade fosse convertida em subida, como um jato apontado para cima. É a energia do movimento;
  • carga geométrica zz — a altura do ponto acima do plano de referência. É a energia de posição.

3 — A leitura central: as trocas. O que a equação diz é que o fluido negocia energia entre as três formas:

ondeo que acontece
estreitamento (Venturi)a velocidade sobe, a pressão cai
alargamentoa velocidade cai, a pressão sobe
subida de tubulaçãozz sobe, e pressão ou velocidade caem
furo num tanque (Torricelli)a carga geométrica vira carga cinética
asa de aviãoar mais rápido em cima → pressão menor em cima → sustentação

O caso do Venturi é o mais contraintuitivo e o mais cobrado: onde o fluido corre mais rápido, a pressão é menor — o oposto do que a intuição sugere.

4 — O que muda quando as hipóteses caem. É essa comparação que mostra que a interpretação foi entendida:

p1γ+v122g+z1⏟H1+HB⏟bomba=p2γ+v222g+z2⏟H2+HT⏟turbina+hp⏟perda de carga\underbrace{\frac{p_1}{\gamma} + \frac{v_1^2}{2g} + z_1}_{H_1} + \underbrace{H_B}_{\text{bomba}} = \underbrace{\frac{p_2}{\gamma} + \frac{v_2^2}{2g} + z_2}_{H_2} + \underbrace{H_T}_{\text{turbina}} + \underbrace{h_p}_{\text{perda de carga}}
  • com atrito (fluido real), HH diminui no sentido do escoamento: aparece hph_p, e a energia perdida vira calor;
  • com bomba, HH aumenta na máquina;
  • com turbina, HH diminui — mas como trabalho útil, não como calor.

Bernoulli é o caso particular em que os três termos extras são nulos.

Conferência — dizer que é conservação de energia por unidade de peso, e que por isso os termos dão metro ✔ nomear os três termos ✔ listar as hipóteses ✔ dar ao menos um exemplo de troca entre as formas ✔

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Questão 262º EE2024.2Torricelli · Velocidade de descarga de um tanqueVer material

O tanque da figura tem grandes dimensões e descarrega água pelo tubo indicado. Considerando o fluido ideal, determinar a velocidade da água descarregada, se a seção do tubo é 10 cm210\ \mathrm{cm^2}.

Dado: g=9,8 m/s2g = 9{,}8\ \mathrm{m/s^2}.

(1)grandesdimensões(2)A = 10 cm²10 m2 mh = 8 m

O que move a água é o desnível entre a superfície livre e a saída: 10−2=8 m10 - 2 = 8\ \mathrm{m}. As cotas são medidas do chão, mas o chão não entra na conta.

Gabarito
v2=2 g h=2×9,8×8=156,8≈12,5 m/sv_2 = \sqrt{2\,g\,h} = \sqrt{2 \times 9{,}8 \times 8} = \sqrt{156{,}8} \approx \mathbf{12{,}5\ m/s}

E, de passagem, a vazão:

Q=A v2=10×10−4×12,52=1,25×10−2 m3/s=12,5 L/sQ = A\,v_2 = 10\times10^{-4} \times 12{,}52 = 1{,}25\times10^{-2}\ \mathrm{m^3/s} = 12{,}5\ \mathrm{L/s}
Passo a passo

Passo 1 — escolher os pontos. Ponto ① na superfície livre do tanque, ponto ② na saída do tubo. São os dois únicos lugares em que se conhece a pressão.

Passo 2 — Bernoulli, e o que cai. Fluido ideal significa sem perda de carga:

p1γ+v122g+z1=p2γ+v222g+z2\frac{p_1}{\gamma} + \frac{v_1^2}{2g} + z_1 = \frac{p_2}{\gamma} + \frac{v_2^2}{2g} + z_2
  • p1=p2=patmp_1 = p_2 = p_{atm} — o tanque é aberto e o jato descarrega no ar. As duas parcelas de pressão se cancelam;
  • v1≈0v_1 \approx 0 — o tanque é de grandes dimensões, então a superfície livre desce devagar. É exatamente isso que a expressão do enunciado autoriza.

Sobra:

z1−z2=v222g⟹  v2=2 g h  z_1 - z_2 = \frac{v_2^2}{2g} \qquad\Longrightarrow\qquad \boxed{\;v_2 = \sqrt{2\,g\,h}\;}

que é o teorema de Torricelli.

Passo 3 — o desnível certo, que é onde a questão derruba. As duas cotas da figura são medidas do chão: a superfície livre a 10 m10\ \mathrm{m} e a saída a 2 m2\ \mathrm{m}. O que importa é a diferença:

h=z1−z2=10−2=8 mh = z_1 - z_2 = 10 - 2 = 8\ \mathrm{m}

Usar h=10 mh = 10\ \mathrm{m} (esquecendo que a saída está elevada) daria v=14,0 m/sv = 14{,}0\ \mathrm{m/s} — 12 %12\ \% acima. Usar h=2 mh = 2\ \mathrm{m} daria 6,3 m/s6{,}3\ \mathrm{m/s}.

Passo 4 — o número.

v2=2×9,8×8=156,8=12,52 m/sv_2 = \sqrt{2 \times 9{,}8 \times 8} = \sqrt{156{,}8} = 12{,}52\ \mathrm{m/s}

Passo 5 — a vazão, que a área do enunciado permite calcular. A seção de 10 cm210\ \mathrm{cm^2} não entra no cálculo da velocidade — Torricelli não depende dela. Ela serve para a vazão:

A=10 cm2=10×10−4 m2=1,0×10−3 m2A = 10\ \mathrm{cm^2} = 10\times10^{-4}\ \mathrm{m^2} = 1{,}0\times10^{-3}\ \mathrm{m^2}Q=A v2=1,0×10−3×12,52=1,25×10−2 m3/s=12,5 L/sQ = A\,v_2 = 1{,}0\times10^{-3} \times 12{,}52 = 1{,}25\times10^{-2}\ \mathrm{m^3/s} = 12{,}5\ \mathrm{L/s}

Conferência — v1≈0v_1 \approx 0 vem de “grandes dimensões” ✔ as duas pressões se cancelam, porque tanque aberto e descarga livre ✔ hh é a diferença de cotas, 8 m8\ \mathrm{m} e não 1010 ✔ a área não entra na velocidade, só na vazão ✔ cm2→m2\mathrm{cm^2} \to \mathrm{m^2} é 10−410^{-4} ✔

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Questão 272º EE2024.2Fourier · Condutividade a partir da temperatura no centroVer material

Considere uma parede plana de área lateral 5 m25\ \mathrm{m^2} e espessura 20 cm20\ \mathrm{cm}. A temperatura na face esquerda da parede é de 100 ∘C100\ ^\circ\mathrm{C}, enquanto que no centro dela é de 30 ∘C30\ ^\circ\mathrm{C}. A taxa de calor que passa através da parede é de 10 000 W10\,000\ \mathrm{W}. Considerando um sistema de transferência de calor por condução, sem geração ou acúmulo de calor, determine a condutividade térmica do material da parede. Admita um perfil linear de temperaturas.

centroT₁ = 100 °CT₂ = 30 °C(−40 °C)q = 10 000 W10 cm10 cmA = 5 m²L = 20 cm

A temperatura de 30 ∘C30\ ^\circ\mathrm{C} é do centro: a espessura que corresponde à queda de 70 ∘C70\ ^\circ\mathrm{C} é 10 cm10\ \mathrm{cm}, não 2020.

Gabarito
q=k A ΔTΔx⟹k=q ΔxA ΔTq = k\,A\,\frac{\Delta T}{\Delta x} \qquad\Longrightarrow\qquad k = \frac{q\,\Delta x}{A\,\Delta T}k=10 000×0,105×70=1000350≈2,86 W/(m⋅K)k = \frac{10\,000 \times 0{,}10}{5 \times 70} = \frac{1000}{350} \approx \mathbf{2{,}86\ W/(m\cdot K)}
Passo a passo

Passo 1 — o que “sem geração ou acúmulo” garante. Duas coisas, e as duas são usadas:

  • sem acúmulo → regime permanente;
  • sem geração → o mesmo qq atravessa todas as seções da parede.

Juntas, com kk e AA constantes, elas obrigam dT/dxdT/dx a ser constante — e é daí que vem o perfil linear que o enunciado manda admitir. Ele não é hipótese extra: é consequência.

Passo 2 — a lei de Fourier em forma finita. Com o perfil reto, a derivada vira razão de diferenças:

q=−k A dTdx=k A T1−T2Δxq = -k\,A\,\frac{dT}{dx} = k\,A\,\frac{T_1 - T_2}{\Delta x}

Passo 3 — a espessura correta, que é a armadilha inteira. A segunda temperatura é do centro da parede, não da face direita. Então:

Δx=L2=0,202=0,10 m\Delta x = \frac{L}{2} = \frac{0{,}20}{2} = 0{,}10\ \mathrm{m}k=q ΔxA (T1−T2)=10 000×0,105×70=1000350=2,857 W/(m⋅K)k = \frac{q\,\Delta x}{A\,(T_1 - T_2)} = \frac{10\,000 \times 0{,}10}{5 \times 70} = \frac{1000}{350} = 2{,}857\ \mathrm{W/(m\cdot K)}

Passo 4 — o que o perfil linear diz sobre a face direita. Como a queda é de 70 ∘C70\ ^\circ\mathrm{C} em 10 cm10\ \mathrm{cm}, o gradiente é

dTdx=−700,10=−700 ∘C/m\frac{dT}{dx} = -\frac{70}{0{,}10} = -700\ ^\circ\mathrm{C/m}

e nos 10 cm10\ \mathrm{cm} seguintes cai outros 70 ∘C70\ ^\circ\mathrm{C}:

T3=30−70=−40 ∘CT_3 = 30 - 70 = -40\ ^\circ\mathrm{C}

Essa extrapolação é a conferência da hipótese: o perfil reto exige que a face direita esteja a −40 ∘C-40\ ^\circ\mathrm{C}. É uma temperatura estranha para uma parede comum, e vale dizer isso — o exercício é numérico, não realista.

E confere pela parede inteira:

q=k A 100−(−40)0,20=2,857×5×1400,20=2,857×5×700=10 000 W ✓q = k\,A\,\frac{100 - (-40)}{0{,}20} = 2{,}857 \times 5 \times \frac{140}{0{,}20} = 2{,}857 \times 5 \times 700 = 10\,000\ \mathrm{W}\ \checkmark

A mesma taxa, usando a espessura total com o ΔT\Delta T total — como tinha de ser em série sem geração.

Conferência — Δx=L/2\Delta x = L/2, porque a segunda temperatura é a do centro ✔ ΔT\Delta T em ∘C^\circ\mathrm{C} ou K dá o mesmo, por ser diferença ✔ qq é taxa em watt, então AA entra ✔ refazer a conta com a espessura total e o ΔT\Delta T total tem de dar o mesmo qq ✔

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Questão 282º EEProva · turma EMDedução · Equação de Bernoulli pela segunda lei de NewtonVer material

A partir do diagrama, aplicando a segunda lei de Newton, deduza a equação de Bernoulli para escoamento em regime permanente, incompressível e invíscido (coordenadas cartesianas), ao longo de uma linha de corrente.

linha de correntep · dA(p + dp) · dAρ g dA dsdsdzθzx

O elemento é fatiado ao longo da linha de corrente: só a direção ss interessa, e nela agem duas pressões e a componente do peso.

Gabarito
pγ+v22g+z=constante\frac{p}{\gamma} + \frac{v^2}{2g} + z = \text{constante}

ao longo de uma mesma linha de corrente.

Passo a passo

Passo 1 — o elemento e as forças na direção do escoamento. Toma-se um elemento de fluido de área transversal dAdA e comprimento dsds ao longo da linha de corrente, inclinada de θ\theta com a horizontal. Na direção ss agem:

  • a pressão na face de trás, empurrando para frente: p dAp\,dA;
  • a pressão na face da frente, empurrando para trás: (p+dp) dA(p + dp)\,dA;
  • a componente do peso ao longo de ss: −ρ g dA ds sin⁡θ-\rho\,g\,dA\,ds\,\sin\theta.

Passo 2 — a segunda lei de Newton. A massa do elemento é dm=ρ dA dsdm = \rho\,dA\,ds:

∑Fs=dm as\sum F_s = dm\,a_sp dA−(p+dp) dA−ρ g dA ds sin⁡θ=ρ dA ds asp\,dA - (p + dp)\,dA - \rho\,g\,dA\,ds\,\sin\theta = \rho\,dA\,ds\,a_s

O termo p dAp\,dA cancela com parte do segundo:

− dp dA−ρ g dA ds sin⁡θ=ρ dA ds as-\,dp\,dA - \rho\,g\,dA\,ds\,\sin\theta = \rho\,dA\,ds\,a_s

Passo 3 — a geometria: sin⁡θ\sin\theta vira dz/dsdz/ds. Este é o passo que conecta a inclinação à altura, e é o que o diagrama mostra:

sin⁡θ=dzds⟹ds sin⁡θ=dz\sin\theta = \frac{dz}{ds} \qquad\Longrightarrow\qquad ds\,\sin\theta = dz− dp dA−ρ g dA dz=ρ dA ds as-\,dp\,dA - \rho\,g\,dA\,dz = \rho\,dA\,ds\,a_s

Dividindo tudo por ρ dA\rho\,dA:

−dpρ−g dz=ds as-\frac{dp}{\rho} - g\,dz = ds\,a_s

Passo 4 — a aceleração em regime permanente. A velocidade não muda com o tempo num ponto fixo, mas muda de ponto a ponto ao longo de ss. Pela regra da cadeia:

as=dvdt=dvds⋅dsdt=v dvds⟹ds as=v dva_s = \frac{dv}{dt} = \frac{dv}{ds}\cdot\frac{ds}{dt} = v\,\frac{dv}{ds} \qquad\Longrightarrow\qquad ds\,a_s = v\,dv

Esta é a aceleração convectiva: a partícula acelera porque muda de lugar, e nos lugares novos a velocidade é outra. Sem ela a dedução não fecha.

−dpρ−g dz=v dv-\frac{dp}{\rho} - g\,dz = v\,dv

Passo 5 — reorganizar: a equação de Euler ao longo da linha de corrente.

  dpρ+v dv+g dz=0  \boxed{\;\frac{dp}{\rho} + v\,dv + g\,dz = 0\;}

Passo 6 — integrar, e é aqui que entra “incompressível”. Como ρ\rho é constante, ele sai da integral:

1ρ∫dp+∫v dv+g∫dz=0\frac{1}{\rho}\int dp + \int v\,dv + g\int dz = 0pρ+v22+g z=constante\frac{p}{\rho} + \frac{v^2}{2} + g\,z = \text{constante}

Se ρ\rho dependesse de pp (gás), a primeira integral não seria p/ρp/\rho e a equação sairia diferente — é exatamente aí que a hipótese de incompressibilidade é usada.

Passo 7 — dividir por gg para chegar à forma de cargas.

pρg+v22g+z=constante⟹  pγ+v22g+z=H  \frac{p}{\rho g} + \frac{v^2}{2g} + z = \text{constante} \qquad\Longrightarrow\qquad \boxed{\;\frac{p}{\gamma} + \frac{v^2}{2g} + z = H\;}

com γ=ρg\gamma = \rho g. Agora os três termos têm unidade de comprimento — metro de coluna de fluido — e podem ser lidos como alturas.

Conferência — a dedução tem de passar por: forças de pressão e peso → 2ª lei de Newton → sin⁡θ=dz/ds\sin\theta = dz/ds → aceleração convectiva v dv/dsv\,dv/ds → Euler → integração com ρ\rho constante → divisão por gg ✔ Pular a aceleração convectiva ou o sin⁡θ\sin\theta derruba a dedução ✔ Escrever direto a equação final não é dedução, é enunciado da fórmula ✔

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Questão 292º EEProva · turma EMDedução · Equação geral da condução em coordenadas cartesianasVer material

A partir dos diagramas, deduza a fórmula de transmissão de calor por condução em coordenadas cartesianas, sabendo que

QARM.=QENT.−QSAIˊDA+QGERADOQ_{ARM.} = Q_{ENT.} - Q_{SAÍDA} + Q_{GERADO}
zxydxdydzqxqzqyqx + ∂qx/∂x · dxqz + ∂qz/∂z · dzqy + ∂qy/∂y · dyq̇q̇ : geração no volume

O que entra por três faces sai pelas opostas acrescido da variação ao longo daquela direção — é a expansão em série truncada no primeiro termo.

Gabarito
∂∂x ⁣(k ∂T∂x)+∂∂y ⁣(k ∂T∂y)+∂∂z ⁣(k ∂T∂z)+q˙=ρ cp ∂T∂t\frac{\partial}{\partial x}\!\left(k\,\frac{\partial T}{\partial x}\right) + \frac{\partial}{\partial y}\!\left(k\,\frac{\partial T}{\partial y}\right) + \frac{\partial}{\partial z}\!\left(k\,\frac{\partial T}{\partial z}\right) + \dot q = \rho\,c_p\,\frac{\partial T}{\partial t}

e, com kk constante, dividindo por kk:

  ∂2T∂x2+∂2T∂y2+∂2T∂z2+q˙k=1α ∂T∂t  comα=kρ cp\boxed{\; \frac{\partial^2 T}{\partial x^2} + \frac{\partial^2 T}{\partial y^2} + \frac{\partial^2 T}{\partial z^2} + \frac{\dot q}{k} = \frac{1}{\alpha}\,\frac{\partial T}{\partial t} \;} \qquad\text{com}\qquad \alpha = \frac{k}{\rho\,c_p}
Passo a passo

Passo 1 — o elemento e o balanço. Um elemento de volume dV=dx dy dzdV = dx\,dy\,dz, e o enunciado do balanço:

QARM=QENT−QSAI+QGERQ_{ARM} = Q_{ENT} - Q_{SAI} + Q_{GER}

Passo 2 — o que entra. Pelas três faces “de trás”:

QENT=qx+qy+qzQ_{ENT} = q_x + q_y + q_z

Passo 3 — o que sai, por expansão em série. Na face oposta, a taxa é a mesma acrescida da variação ao longo daquela direção — série de Taylor truncada no primeiro termo, que é exato no limite dx→0dx \to 0:

QSAI=(qx+∂qx∂xdx)+(qy+∂qy∂ydy)+(qz+∂qz∂zdz)Q_{SAI} = \left(q_x + \frac{\partial q_x}{\partial x}dx\right) + \left(q_y + \frac{\partial q_y}{\partial y}dy\right) + \left(q_z + \frac{\partial q_z}{\partial z}dz\right)

Passo 4 — a subtração, que é o coração da dedução. Os termos qxq_x, qyq_y e qzq_z se cancelam, e sobram só as variações:

QENT−QSAI=−(∂qx∂xdx+∂qy∂ydy+∂qz∂zdz)Q_{ENT} - Q_{SAI} = -\left(\frac{\partial q_x}{\partial x}dx + \frac{\partial q_y}{\partial y}dy + \frac{\partial q_z}{\partial z}dz\right)

Passo 5 — a geração e o acúmulo.

QGER=q˙  dx dy dzQ_{GER} = \dot q\;dx\,dy\,dzQARM=ρ cp ∂T∂t  dx dy dzQ_{ARM} = \rho\,c_p\,\frac{\partial T}{\partial t}\;dx\,dy\,dz

O termo de armazenamento é a massa do elemento (ρ dV\rho\,dV) vezes o calor específico vezes a taxa de variação da temperatura.

Passo 6 — juntar.

ρ cp ∂T∂t dV=−(∂qx∂xdx+∂qy∂ydy+∂qz∂zdz)+q˙ dV\rho\,c_p\,\frac{\partial T}{\partial t}\,dV = -\left(\frac{\partial q_x}{\partial x}dx + \frac{\partial q_y}{\partial y}dy + \frac{\partial q_z}{\partial z}dz\right) + \dot q\,dV

Passo 7 — entrar com a lei de Fourier. Aqui a física entra: cada qq é escrito em termos da temperatura, com a área da face correspondente.

qx=−k (dy dz) ∂T∂xqy=−k (dx dz) ∂T∂yqz=−k (dx dy) ∂T∂zq_x = -k\,(dy\,dz)\,\frac{\partial T}{\partial x} \qquad q_y = -k\,(dx\,dz)\,\frac{\partial T}{\partial y} \qquad q_z = -k\,(dx\,dy)\,\frac{\partial T}{\partial z}

Então

∂qx∂x dx=−∂∂x ⁣(k ∂T∂x)dx dy dz\frac{\partial q_x}{\partial x}\,dx = -\frac{\partial}{\partial x}\!\left(k\,\frac{\partial T}{\partial x}\right) dx\,dy\,dz

e o mesmo nas outras duas direções. Note que cada termo carrega dVdV — é isso que permite dividir tudo por dVdV no passo seguinte.

Passo 8 — dividir por dV=dx dy dzdV = dx\,dy\,dz.

∂∂x ⁣(k ∂T∂x)+∂∂y ⁣(k ∂T∂y)+∂∂z ⁣(k ∂T∂z)+q˙=ρ cp ∂T∂t\frac{\partial}{\partial x}\!\left(k\,\frac{\partial T}{\partial x}\right) + \frac{\partial}{\partial y}\!\left(k\,\frac{\partial T}{\partial y}\right) + \frac{\partial}{\partial z}\!\left(k\,\frac{\partial T}{\partial z}\right) + \dot q = \rho\,c_p\,\frac{\partial T}{\partial t}

Esta é a equação geral da condução em coordenadas cartesianas, válida com kk variável.

Passo 9 — a forma usual, com kk constante.

∂2T∂x2+∂2T∂y2+∂2T∂z2+q˙k=1α ∂T∂t\frac{\partial^2 T}{\partial x^2} + \frac{\partial^2 T}{\partial y^2} + \frac{\partial^2 T}{\partial z^2} + \frac{\dot q}{k} = \frac{1}{\alpha}\,\frac{\partial T}{\partial t}

ou, em forma vetorial, ∇2T+q˙/k=(1/α) ∂T/∂t\nabla^2 T + \dot q/k = (1/\alpha)\,\partial T/\partial t.

Conferência — a dedução tem de passar por: balanço no elemento → expansão em série na face de saída → cancelamento dos termos qiq_i → geração e acúmulo proporcionais a dVdV → Fourier com a área correta de cada face → divisão por dVdV ✔ Escrever o laplaciano direto não é dedução ✔ Dizer, no fim, quais casos particulares a equação contém mostra para que ela serve ✔

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Questão 302º EE2022.1 · 2ª chamadaRaio crítico · O que é e em que geometrias existe1,0 ptVer material

O que é o raio crítico de isolamento? Em que geometrias ele atua?

Rr extR conduçãoR convecçãoR totalr cisolar AUMENTA a perdaisolar REDUZ a perda

No mínimo da resistência total o fluxo de calor é máximo. Antes dele, acrescentar isolante piora; depois, melhora.

Gabarito

O raio crítico de isolamento é o raio externo em que a resistência térmica total do sistema é mínima — e portanto o fluxo de calor é máximo. Acrescentar isolante até esse raio aumenta a perda de calor; a partir dele, reduz.

Ele existe porque o isolante faz duas coisas opostas: aumenta a resistência de condução (mais material a atravessar) e diminui a de convecção, porque a área externa fica maior.

Atua apenas nas geometrias curvas, em que a área de troca cresce com o raio:

rc=kisohe (cilindro)rc=2 kisohe (esfera)r_c = \frac{k_{iso}}{h_e}\ \text{(cilindro)} \qquad\qquad r_c = \frac{2\,k_{iso}}{h_e}\ \text{(esfera)}

Na parede plana ele não existe, porque ali a área é constante: acrescentar isolante só aumenta a resistência, sempre.

Passo a passo

1 — De onde o efeito vem. Escreva a resistência total de um tubo isolado, com raio externo rr variável:

Rtotal(r)=ln⁡(r/r2)2πkisoL⏟conduc¸a˜o: CRESCE com r+1he 2πrL⏟convecc¸a˜o: CAI com rR_{total}(r) = \underbrace{\frac{\ln(r/r_2)}{2\pi k_{iso} L}}_{\text{condução: CRESCE com } r} + \underbrace{\frac{1}{h_e\,2\pi r L}}_{\text{convecção: CAI com } r}

Duas tendências opostas. A soma, então, tem um mínimo.

2 — Achar o mínimo. Derivando em relação a rr e igualando a zero:

dRtotaldr=12πkisoL r−1he 2πL r2=0\frac{dR_{total}}{dr} = \frac{1}{2\pi k_{iso} L\,r} - \frac{1}{h_e\,2\pi L\,r^2} = 01kiso r=1he r2⟹  rc=kisohe  \frac{1}{k_{iso}\,r} = \frac{1}{h_e\,r^2} \qquad\Longrightarrow\qquad \boxed{\;r_c = \frac{k_{iso}}{h_e}\;}

Para a esfera, a área externa é 4πr24\pi r^2 (cresce com r2r^2, não com rr), e a mesma derivação dá

rc=2 kisoher_c = \frac{2\,k_{iso}}{h_e}

3 — Como usar o resultado. Compare rcr_c com o raio externo real r3r_3:

  • r3<rcr_3 < r_c → o sistema está antes do crítico. Acrescentar isolante aumenta a perda de calor. Isolar mal é pior que não isolar;
  • r3=rcr_3 = r_c → perda máxima, o pior caso possível;
  • r3>rcr_3 > r_c → depois do crítico. Acrescentar isolante reduz a perda, como a intuição espera.

4 — Em que geometrias atua, que é a segunda metade da pergunta.

geometriaárea externatem raio crítico?
parede planaAA constantenão
cilindro (tubo)2πrL2\pi r L, cresce com rrsim, rc=k/hr_c = k/h
esfera4πr24\pi r^2, cresce com r2r^2sim, rc=2k/hr_c = 2k/h

Na parede plana, acrescentar espessura só aumenta L/(kA)L/(kA) e não muda a área de convecção — a resistência total só cresce, e não há mínimo. O raio crítico é um fenômeno das geometrias curvas.

Conferência — a definição precisa dizer que é o raio de resistência mínima (fluxo máximo), e explicar os dois efeitos opostos ✔ dar as duas fórmulas, com o 2 na esfera ✔ responder a segunda pergunta: só em cilindro e esfera, não em parede plana, e dizer por quê ✔

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Questão 312º EE2022.1 · 2ª chamadaParede com geração · Temperatura extrema e fluxo nas duas faces2,5 ptsVer material

Considere a transferência de calor através de uma parede plana (k=0,5 W/(m⋅∘C)k = 0{,}5\ \mathrm{W/(m\cdot{}^\circ C)}) de 1,0 m1{,}0\ \mathrm{m} de largura, cujas temperaturas nas faces esquerda e direita estão mantidas a 80 ∘C80\ ^\circ\mathrm{C} e 40 ∘C40\ ^\circ\mathrm{C}, respectivamente. Na parede, a transferência de calor é unidimensional, sem acúmulo, mas com geração de 1000 W/m31000\ \mathrm{W/m^3}. Sabendo que o processo é exotérmico, determine:

a) (1,0 pt.) A temperatura extrema na parede.

b) (1,5 pts.) As densidades de fluxo de calor nas faces esquerda e direita da parede.

x = 0−L+L310,4 °Cem x = −0,02 m80 °C40 °C480 W/m²520 W/m²geração q̇ = 1000 W/m³ (exotérmico)2L = 1,0 m

O máximo não fica no centro: as faces estão a temperaturas diferentes, e isso desloca o vértice da parábola para o lado mais quente.

Gabarito

Com origem no centro da parede e L=0,5 mL = 0{,}5\ \mathrm{m} (semiespessura):

T(x)=q˙2k(L2−x2)+T2−T12L x+T1+T22T(x) = \frac{\dot q}{2k}\left(L^2 - x^2\right) + \frac{T_2 - T_1}{2L}\,x + \frac{T_1 + T_2}{2}

a) O extremo está onde dT/dx=0dT/dx = 0:

xext=k (T2−T1)2 q˙ L=−0,02 m⟹Text≈310,4 ∘Cx_{ext} = \frac{k\,(T_2 - T_1)}{2\,\dot q\,L} = -0{,}02\ \mathrm{m} \qquad\Longrightarrow\qquad T_{ext} \approx \mathbf{310{,}4\ ^\circ C}

b)

q′′(x)=q˙ x−k (T2−T1)2L=1000 x+20q''(x) = \dot q\,x - \frac{k\,(T_2 - T_1)}{2L} = 1000\,x + 20q′′(−L)=−480 W/m2q′′(+L)=+520 W/m2q''(-L) = \mathbf{-480\ W/m^2} \qquad\qquad q''(+L) = \mathbf{+520\ W/m^2}

Os sinais dizem que o calor sai pelas duas faces: pela esquerda no sentido −x-x, pela direita no sentido +x+x.

Passo a passo

Passo 1 — montar a equação e escolher a origem. Regime permanente (“sem acúmulo”) com geração:

d2Tdx2+q˙k=0⟹T(x)=−q˙2kx2+C1x+C2\frac{d^2T}{dx^2} + \frac{\dot q}{k} = 0 \qquad\Longrightarrow\qquad T(x) = -\frac{\dot q}{2k}x^2 + C_1 x + C_2

Colocando a origem no centro, a parede vai de −L-L a +L+L, com

2L=1,0 m⟹L=0,5 m2L = 1{,}0\ \mathrm{m} \qquad\Longrightarrow\qquad L = 0{,}5\ \mathrm{m}

Passo 2 — as duas condições de contorno. São duas temperaturas prescritas (Dirichlet nas duas faces):

T(−L)=T1=80 ∘CT(+L)=T2=40 ∘CT(-L) = T_1 = 80\ ^\circ\mathrm{C} \qquad\qquad T(+L) = T_2 = 40\ ^\circ\mathrm{C}

Resolvendo o sistema para C1C_1 e C2C_2:

C1=T2−T12LC2=T1+T22+q˙L22kC_1 = \frac{T_2 - T_1}{2L} \qquad\qquad C_2 = \frac{T_1 + T_2}{2} + \frac{\dot q L^2}{2k}

o que dá a forma organizada:

T(x)=q˙2k(L2−x2)+T2−T12L x+T1+T22T(x) = \frac{\dot q}{2k}\left(L^2 - x^2\right) + \frac{T_2 - T_1}{2L}\,x + \frac{T_1 + T_2}{2}

Confira nas pontas: em x=−Lx = -L, o primeiro termo zera e sobra −401,0(−0,5)+60=20+60=80\frac{-40}{1{,}0}(-0{,}5) + 60 = 20 + 60 = 80 ✔ Em x=+Lx = +L: −20+60=40-20 + 60 = 40 ✔

Passo 3 — item (a): onde está o extremo. Derivando e igualando a zero:

dTdx=−q˙kx+T2−T12L=0⟹xext=k (T2−T1)2 q˙ L\frac{dT}{dx} = -\frac{\dot q}{k}x + \frac{T_2 - T_1}{2L} = 0 \qquad\Longrightarrow\qquad x_{ext} = \frac{k\,(T_2 - T_1)}{2\,\dot q\,L}xext=0,5×(40−80)2×1000×0,5=−201000=−0,02 mx_{ext} = \frac{0{,}5 \times (40 - 80)}{2 \times 1000 \times 0{,}5} = \frac{-20}{1000} = -0{,}02\ \mathrm{m}

O extremo está 2 cm2\ \mathrm{cm} à esquerda do centro — deslocado para o lado mais quente, como faz sentido.

Passo 4 — o valor da temperatura extrema.

T(−0,02)=10002×0,5[(0,5)2−(0,02)2]+−401,0(−0,02)+60T(-0{,}02) = \frac{1000}{2 \times 0{,}5}\left[(0{,}5)^2 - (0{,}02)^2\right] + \frac{-40}{1{,}0}(-0{,}02) + 60=1000 (0,25−0,0004)+0,8+60=249,6+0,8+60=310,4 ∘C= 1000\,(0{,}25 - 0{,}0004) + 0{,}8 + 60 = 249{,}6 + 0{,}8 + 60 = 310{,}4\ ^\circ\mathrm{C}

Exotérmico (q˙>0\dot q > 0) confirma que é um máximo: a parábola abre para baixo, e 310,4 ∘C310{,}4\ ^\circ\mathrm{C} é muito acima das duas faces. Se o processo fosse endotérmico, seria um mínimo, abaixo de 40 ∘C40\ ^\circ\mathrm{C}.

Passo 5 — item (b): a densidade de fluxo, que é reta em xx.

q′′(x)=−k dTdx=−k[−q˙kx+T2−T12L]=q˙ x−k(T2−T1)2Lq''(x) = -k\,\frac{dT}{dx} = -k\left[-\frac{\dot q}{k}x + \frac{T_2 - T_1}{2L}\right] = \dot q\,x - \frac{k(T_2 - T_1)}{2L}q′′(x)=1000 x−0,5×(−40)1,0=1000 x+20q''(x) = 1000\,x - \frac{0{,}5 \times (-40)}{1{,}0} = 1000\,x + 20

Passo 6 — avaliar nas duas faces.

q′′(−L)=1000×(−0,5)+20=−480 W/m2q''(-L) = 1000 \times (-0{,}5) + 20 = -480\ \mathrm{W/m^2}q′′(+L)=1000×(+0,5)+20=+520 W/m2q''(+L) = 1000 \times (+0{,}5) + 20 = +520\ \mathrm{W/m^2}

Leitura dos sinais: na face esquerda o fluxo é negativo, isto é, aponta no sentido −x-x — sai da parede. Na direita é positivo, aponta em +x+x — também sai. O calor gerado escapa pelos dois lados.

Passo 7 — a conferência que fecha tudo. Todo o calor gerado no volume tem de sair pelas faces:

∣q′′(−L)∣+∣q′′(+L)∣=480+520=1000 W/m2|q''(-L)| + |q''(+L)| = 480 + 520 = 1000\ \mathrm{W/m^2}q˙×(2L)=1000×1,0=1000 W/m2 ✓\dot q \times (2L) = 1000 \times 1{,}0 = 1000\ \mathrm{W/m^2}\ \checkmark

Fecha exatamente. E a repartição desigual (480480 contra 520520) é coerente com o extremo deslocado: a face direita, mais fria, está mais longe do máximo e drena um pouco mais.

Conferência — LL é a semiespessura, 0,5 m0{,}5\ \mathrm{m} ✔ com faces a temperaturas diferentes o extremo não fica no centro ✔ exotérmico significa máximo ✔ os módulos dos fluxos nas faces somam q˙⋅2L\dot q \cdot 2L ✔ o plano de fluxo nulo coincide com o do extremo ✔

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Questão 322º EE2022.1 · 2ª chamadaCilindro · Os mesmos números da esfera, com o logaritmo2,5 ptsVer material

Considere um cilindro de um material AA (homogêneo e de temperatura constante) de 2 m2\ \mathrm{m} de comprimento, recoberto por uma camada de um material BB, recoberto novamente com uma camada de um isolante térmico. Na parte externa do sistema, um fluido escoa fazendo convecção (a figura é o corte transversal do sistema).

Dados: T1=350 KT_1 = 350\ \mathrm{K}; T∞=298 KT_\infty = 298\ \mathrm{K}; r1=5 cmr_1 = 5\ \mathrm{cm}; r2=8 cmr_2 = 8\ \mathrm{cm}; r3=10 cmr_3 = 10\ \mathrm{cm}; kB=4,0 W/(m⋅K)k_B = 4{,}0\ \mathrm{W/(m\cdot K)}; kiso=0,7 W/(m⋅K)k_{iso} = 0{,}7\ \mathrm{W/(m\cdot K)}; he=6,2 W/(m2⋅K)h_e = 6{,}2\ \mathrm{W/(m^2\cdot K)}; L=2 mL = 2\ \mathrm{m}.

Determine:

a) (0,5 pts.) O raio crítico de isolamento.

b) (1,0 pt.) O fluxo de calor através do sistema.

c) (1,0 pt.) As temperaturas na interface entre o material BB e o isolante térmico e na superfície externa do isolante térmico.

AT₁ = 350 KBisolanter₁r₂r₃he , T∞L = 2 mvista lateral

Mesmos raios e mesmos materiais da esfera de 2022.1 — mas agora a geometria é cilíndrica, e as três fórmulas mudam.

Gabarito

a)

rc=kisohe=0,76,2=0,1129 m=11,3 cmr_c = \frac{k_{iso}}{h_e} = \frac{0{,}7}{6{,}2} = \mathbf{0{,}1129\ m} = 11{,}3\ \mathrm{cm}

Como r3=10 cm<rcr_3 = 10\ \mathrm{cm} < r_c, o isolamento ainda aumenta a perda de calor.

b)

RB=0,0094Riso=0,0254Rconv=0,1284RT=0,1631 K/WR_B = 0{,}0094 \qquad R_{iso} = 0{,}0254 \qquad R_{conv} = 0{,}1284 \qquad R_T = 0{,}1631\ \mathrm{K/W}q=350−2980,1631≈318,9 Wq = \frac{350 - 298}{0{,}1631} \approx \mathbf{318{,}9\ W}

c)

T2=T1−q RB≈347,0 KT3=T2−q Riso≈338,9 KT_2 = T_1 - q\,R_B \approx \mathbf{347{,}0\ K} \qquad\qquad T_3 = T_2 - q\,R_{iso} \approx \mathbf{338{,}9\ K}
Passo a passo

Passo 1 — o raio crítico do cilindro, item (a). Sem o fator 2 da esfera:

rc=kisohe=0,76,2=0,1129 m=11,3 cmr_c = \frac{k_{iso}}{h_e} = \frac{0{,}7}{6{,}2} = 0{,}1129\ \mathrm{m} = 11{,}3\ \mathrm{cm}

E o diagnóstico: r3=10 cm<11,3 cmr_3 = 10\ \mathrm{cm} < 11{,}3\ \mathrm{cm} — o sistema está antes do crítico, então acrescentar isolante aumentaria a perda.

Passo 2 — as três resistências, item (b). Raios em metros e L=2 mL = 2\ \mathrm{m}:

RB=ln⁡(r2/r1)2πkBL=ln⁡(0,08/0,05)2π×4,0×2=0,470050,27=0,00935 K/WR_B = \frac{\ln(r_2/r_1)}{2\pi k_B L} = \frac{\ln(0{,}08/0{,}05)}{2\pi \times 4{,}0 \times 2} = \frac{0{,}4700}{50{,}27} = 0{,}00935\ \mathrm{K/W}Riso=ln⁡(r3/r2)2πkisoL=ln⁡(0,10/0,08)2π×0,7×2=0,22318,796=0,02537 K/WR_{iso} = \frac{\ln(r_3/r_2)}{2\pi k_{iso} L} = \frac{\ln(0{,}10/0{,}08)}{2\pi \times 0{,}7 \times 2} = \frac{0{,}2231}{8{,}796} = 0{,}02537\ \mathrm{K/W}Rconv=1he 2πr3L=16,2×2π×0,10×2=17,791=0,12835 K/WR_{conv} = \frac{1}{h_e\,2\pi r_3 L} = \frac{1}{6{,}2 \times 2\pi \times 0{,}10 \times 2} = \frac{1}{7{,}791} = 0{,}12835\ \mathrm{K/W}RT=0,00935+0,02537+0,12835=0,16307 K/WR_T = 0{,}00935 + 0{,}02537 + 0{,}12835 = 0{,}16307\ \mathrm{K/W}

Passo 3 — o fluxo.

q=T1−T∞RT=350−2980,16307=520,16307=318,9 Wq = \frac{T_1 - T_\infty}{R_T} = \frac{350 - 298}{0{,}16307} = \frac{52}{0{,}16307} = 318{,}9\ \mathrm{W}

Passo 4 — as temperaturas, item (c). Uma resistência por vez, no sentido do fluxo:

T2=T1−q RB=350−318,9×0,00935=350−2,98=347,0 KT_2 = T_1 - q\,R_B = 350 - 318{,}9 \times 0{,}00935 = 350 - 2{,}98 = 347{,}0\ \mathrm{K}T3=T2−q Riso=347,0−318,9×0,02537=347,0−8,09=338,9 KT_3 = T_2 - q\,R_{iso} = 347{,}0 - 318{,}9 \times 0{,}02537 = 347{,}0 - 8{,}09 = 338{,}9\ \mathrm{K}

Passo 5 — a conferência pela convecção.

T3−T∞=q Rconv=318,9×0,12835=40,9 K⟹T3=298+40,9=338,9 K ✓T_3 - T_\infty = q\,R_{conv} = 318{,}9 \times 0{,}12835 = 40{,}9\ \mathrm{K} \qquad\Longrightarrow\qquad T_3 = 298 + 40{,}9 = 338{,}9\ \mathrm{K}\ \checkmark

Passo 6 — onde está a resistência.

resistênciavalor [K/W][\mathrm{K/W}]fraçãoΔT\Delta T [K][\mathrm{K}]
condução em BB0,009350{,}009355,7 %5{,}7\ \%3,03{,}0
condução no isolante0,025370{,}0253715,6 %15{,}6\ \%8,18{,}1
convecção externa0,128350{,}1283578,7 %\mathbf{78{,}7\ \%}40,940{,}9
total0,163070{,}16307100 %100\ \%52,0\mathbf{52{,}0}

A convecção externa domina com 79 %79\ \% — e é exatamente por isso que o sistema está antes do raio crítico: quando o gargalo é a saída para o ar, aumentar a área externa ajuda mais do que a resistência extra do isolante atrapalha. Os itens (a) e (b) contam a mesma história.

Conferência — raio crítico de cilindro sem o 2 ✔ as camadas com ln⁡(re/ri)/(2πkL)\ln(r_e/r_i)/(2\pi k L), e o LL presente nas três resistências ✔ a convecção com 2πr3L2\pi r_3 L ✔ as quedas somam 52 K52\ \mathrm{K} ✔ o material AA não é resistência ✔

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Questão 332º EE2022.1 · 2ª chamadaFluxos de massa · Os três fluxos na entrada do tubo2,0 ptsVer material

Considere a transferência de massa de uma mistura entre duas espécies, AA e BB, ao longo de um tubo. A concentração total da mistura é mantida constante, igual a 400 mol/m3400\ \mathrm{mol/m^3}. Na entrada, 50 %50\ \% em mol dessa mistura é da espécie AA, e na saída, 40 %40\ \% em mol dessa mistura é da espécie BB. A mistura escoa com velocidade de 2,0 m/s2{,}0\ \mathrm{m/s}. O comprimento do tubo é de 1,0 m1{,}0\ \mathrm{m} e o coeficiente de difusão binária é de 2,0×10−2 m2/s2{,}0\times10^{-2}\ \mathrm{m^2/s}.

Determine para AA e para BB as densidades de fluxo difusivo, as densidades de fluxo convectivo e as densidades de fluxo absoluto na entrada do tubo. Admita regime permanente com perfil linear de concentração, para ambas as espécies.

Gabarito

Na entrada: CA1=CB1=200 mol/m3C_{A1} = C_{B1} = 200\ \mathrm{mol/m^3} (a mistura entra meio a meio).

difusivo J′′J''convectivo N′′N''absoluto
AA−0,8-0{,}8400400399,2\mathbf{399{,}2}
BB+0,8+0{,}8400400400,8\mathbf{400{,}8}

tudo em mol/(m2⋅s)\mathrm{mol/(m^2 \cdot s)}.

Passo a passo

Passo 1 — completar as frações molares.

xA1=0,50⇒xB1=0,50xB2=0,40⇒xA2=0,60x_{A1} = 0{,}50 \Rightarrow x_{B1} = 0{,}50 \qquad\qquad x_{B2} = 0{,}40 \Rightarrow x_{A2} = 0{,}60

Passo 2 — as concentrações, com C=400C = 400 nas duas pontas.

CA1=0,50×400=200CA2=0,60×400=240C_{A1} = 0{,}50 \times 400 = 200 \qquad C_{A2} = 0{,}60 \times 400 = 240CB1=0,50×400=200CB2=0,40×400=160C_{B1} = 0{,}50 \times 400 = 200 \qquad C_{B2} = 0{,}40 \times 400 = 160

em mol/m3\mathrm{mol/m^3}. Cada par soma 400400 ✔

Passo 3 — os gradientes (perfil linear).

dCAdx=240−2001,0=+40 mol/m4dCBdx=160−2001,0=−40 mol/m4\frac{dC_A}{dx} = \frac{240 - 200}{1{,}0} = +40\ \mathrm{mol/m^4} \qquad \frac{dC_B}{dx} = \frac{160 - 200}{1{,}0} = -40\ \mathrm{mol/m^4}

Opostos, porque CC é constante.

Passo 4 — os fluxos difusivos.

JA′′=−DAB dCAdx=−2,0×10−2×(+40)=−0,8 mol/(m2s)J''_A = -D_{AB}\,\frac{dC_A}{dx} = -2{,}0\times10^{-2} \times (+40) = -0{,}8\ \mathrm{mol/(m^2 s)}JB′′=−2,0×10−2×(−40)=+0,8 mol/(m2s)J''_B = -2{,}0\times10^{-2} \times (-40) = +0{,}8\ \mathrm{mol/(m^2 s)}JA′′=−JB′′ ✓J''_A = -J''_B\ \checkmark

O sinal de AA é negativo: como AA está mais concentrado na saída, ele difunde contra o escoamento, da saída para a entrada. É o inverso do caso usual, e é a consequência direta do Passo 2.

Passo 5 — os fluxos convectivos, na entrada. Como a mistura entra meio a meio, os dois dão o mesmo:

NA′′=CA1 v=200×2,0=400 mol/(m2s)N''_A = C_{A1}\,v = 200 \times 2{,}0 = 400\ \mathrm{mol/(m^2 s)}NB′′=CB1 v=200×2,0=400 mol/(m2s)N''_B = C_{B1}\,v = 200 \times 2{,}0 = 400\ \mathrm{mol/(m^2 s)}

Confira: NA′′+NB′′=800=C v=400×2N''_A + N''_B = 800 = C\,v = 400 \times 2 ✔

Passo 6 — os fluxos absolutos.

NA,abs′′=−0,8+400=399,2 mol/(m2s)N''_{A,abs} = -0{,}8 + 400 = 399{,}2\ \mathrm{mol/(m^2 s)}NB,abs′′=+0,8+400=400,8 mol/(m2s)N''_{B,abs} = +0{,}8 + 400 = 400{,}8\ \mathrm{mol/(m^2 s)}

Passo 7 — a leitura. O convectivo é 500 vezes o difusivo, então os dois absolutos ficam quase idênticos — a mistura é carregada praticamente em bloco. A difusão apenas redistribui 0,8 mol/(m2s)0{,}8\ \mathrm{mol/(m^2s)} de BB para a frente e a mesma quantidade de AA para trás, e a soma dos absolutos continua 800800, igual a C vC\,v.

Conferência — a fração da saída é de BB ✔ os difusivos saem opostos, porque CC é constante ✔ o convectivo usa a concentração da entrada ✔ JA′′J''_A negativo é correto aqui, porque AA cresce para a frente ✔ os absolutos somam C v=800C\,v = 800 ✔

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Questão 342º EE2018.1 · 2ª chamadaDifusão de calor · O que a equação diz, termo a termo1,0 ptVer material

Explique a equação da difusão de calor.

Gabarito

A equação da difusão de calor é o balanço de energia num elemento de volume, escrito em forma diferencial:

∂∂x ⁣(k∂T∂x)+∂∂y ⁣(k∂T∂y)+∂∂z ⁣(k∂T∂z)⏟conduc¸a˜o lıˊquida que ENTRA+q˙⏟GERAC¸A˜O=ρ cp ∂T∂t⏟ACUˊMULO\underbrace{\frac{\partial}{\partial x}\!\left(k\frac{\partial T}{\partial x}\right) + \frac{\partial}{\partial y}\!\left(k\frac{\partial T}{\partial y}\right) + \frac{\partial}{\partial z}\!\left(k\frac{\partial T}{\partial z}\right)}_{\text{condução líquida que ENTRA}} + \underbrace{\dot q}_{\text{GERAÇÃO}} = \underbrace{\rho\,c_p\,\frac{\partial T}{\partial t}}_{\text{ACÚMULO}}

Com kk constante:

∇2T+q˙k=1α∂T∂tcomα=kρ cp\nabla^2 T + \frac{\dot q}{k} = \frac{1}{\alpha}\frac{\partial T}{\partial t} \qquad\text{com}\qquad \alpha = \frac{k}{\rho\,c_p}

Ela diz que o que entra por condução mais o que é gerado dentro é igual ao que fica armazenado — e é dela que saem todas as fórmulas da unidade, cancelando os termos que o problema dispensa.

Passo a passo

1 — O que cada grupo de termos significa.

  • os três primeiros — a condução líquida (o que entra menos o que sai) em cada direção. Vêm da lei de Fourier aplicada às faces opostas do elemento;
  • q˙\dot q — a geração interna por unidade de volume, em W/m3\mathrm{W/m^3}: efeito Joule, reação química, decaimento nuclear. Positiva se exotérmica, negativa se endotérmica;
  • ρcp ∂T/∂t\rho c_p\,\partial T/\partial t — o acúmulo: a energia que fica no elemento e faz a sua temperatura subir. Se a temperatura não muda com o tempo, este termo é zero.

2 — O papel da difusividade térmica. Escrita com α\alpha, a equação fica com um só coeficiente, e ele tem leitura física direta:

α=kρ cp=capacidade de conduzir calorcapacidade de armazenar calor\alpha = \frac{k}{\rho\,c_p} = \frac{\text{capacidade de \textbf{conduzir} calor}}{\text{capacidade de \textbf{armazenar} calor}}
  • α\alpha grande (metais) — o material transmite a mudança de temperatura rapidamente; responde rápido;
  • α\alpha pequeno (madeira, tijolo) — o material absorve calor e demora a propagá-lo; responde devagar.

É por isso que uma colher de metal esquenta quase de imediato e a parede de tijolo leva horas para sentir o sol.

3 — Por que “difusão” de calor. Porque a estrutura é a mesma da difusão de massa e da difusão de quantidade de movimento:

∂T∂t=α ∇2T⏟calor∂CA∂t=DAB ∇2CA⏟massa∂v∂t=ν ∇2v⏟q. de movimento\underbrace{\frac{\partial T}{\partial t} = \alpha\,\nabla^2 T}_{\text{calor}} \qquad \underbrace{\frac{\partial C_A}{\partial t} = D_{AB}\,\nabla^2 C_A}_{\text{massa}} \qquad \underbrace{\frac{\partial v}{\partial t} = \nu\,\nabla^2 v}_{\text{q. de movimento}}

Três fenômenos, uma equação, com α\alpha, DABD_{AB} e ν\nu no mesmo lugar — e as três difusividades na mesma unidade, m2/s\mathrm{m^2/s}. É o resultado que dá nome à disciplina.

4 — Os casos particulares, que é para onde a explicação tem de apontar. Toda fórmula usada nos exercícios sai dela:

condiçãoo que cairesultado
regime permanenteacúmulo∇2T+q˙/k=0\nabla^2 T + \dot q/k = 0 (Poisson)
sem geraçãoq˙\dot q∂T/∂t=α∇2T\partial T/\partial t = \alpha\nabla^2 T (difusão pura)
permanente e sem geraçãoos dois∇2T=0\nabla^2 T = 0 (Laplace)
1D, permanente, sem geraçãotudo, menos xxd2T/dx2=0d^2T/dx^2 = 0 → perfil linear
1D, permanente, com geraçãosó o tempod2T/dx2=−q˙/kd^2T/dx^2 = -\dot q/k → parábola

Conferência — identificar os três grupos de termos (condução, geração, acúmulo) ✔ dizer o que é α\alpha e o que ela mede ✔ apontar ao menos dois casos particulares, e de preferência o que dá o perfil linear ✔

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Questão 352º EE2018.1 · 2ª chamadaTransporte de massa · Velocidade média de uma mistura de três componentes0,5 ptsVer material

Como se define a velocidade média de uma mistura entre três componentes?

Gabarito

É a média ponderada das velocidades das espécies, com a composição da mistura como peso. Há duas definições, e as duas são aceitas:

Velocidade média molar (ponderada pelas concentrações molares):

v∗=CAvA+CBvB+CCvCCA+CB+CC=1C∑iCi vi=∑ixi viv^* = \frac{C_A v_A + C_B v_B + C_C v_C}{C_A + C_B + C_C} = \frac{1}{C}\sum_{i} C_i\,v_i = \sum_i x_i\,v_i

Velocidade média mássica (ponderada pelas massas específicas):

v=ρAvA+ρBvB+ρCvCρA+ρB+ρC=1ρ∑iρi vi=∑iwi viv = \frac{\rho_A v_A + \rho_B v_B + \rho_C v_C}{\rho_A + \rho_B + \rho_C} = \frac{1}{\rho}\sum_i \rho_i\,v_i = \sum_i w_i\,v_i

com xix_i a fração molar e wiw_i a fração mássica de cada espécie.

Passo a passo

1 — Por que a média tem de ser ponderada. Cada espécie pode ter a sua própria velocidade viv_i. A média aritmética simples,

vA+vB+vC3\frac{v_A + v_B + v_C}{3}

não serve: ela daria o mesmo peso a uma espécie presente a 1 %1\ \% e a outra a 98 %98\ \%. O que importa é quanto de cada uma há — daí a ponderação pela concentração.

2 — A forma geral, para qualquer número de componentes. A definição não depende de serem três:

v∗=∑i=1nxi viv=∑i=1nwi viv^* = \sum_{i=1}^{n} x_i\,v_i \qquad\qquad v = \sum_{i=1}^{n} w_i\,v_i

Para três componentes é só escrever os três termos. Nada muda na estrutura — e é isso que a questão quer ver.

3 — Por que a ponderação é a concentração, e não outra coisa. Porque o que se está calculando é o fluxo total da mistura dividido pela sua concentração total:

C v∗⏟fluxo molar total=∑iCi vi⏟fluxo molar de i\underbrace{C\,v^*}_{\text{fluxo molar total}} = \sum_i \underbrace{C_i\,v_i}_{\text{fluxo molar de } i}ρ v⏟fluxo maˊssico total=∑iρi vi⏟fluxo maˊssico de i\underbrace{\rho\,v}_{\text{fluxo mássico total}} = \sum_i \underbrace{\rho_i\,v_i}_{\text{fluxo mássico de } i}

A velocidade média é, por definição, aquela que reproduz o fluxo total se toda a mistura andasse com ela. É a velocidade que se mede com um medidor de vazão.

Conferência — a média é ponderada, e o peso é a concentração ✔ escrever as três parcelas explicitamente ✔ dizer que há a versão molar e a mássica ✔ a forma com frações, v∗=∑xiviv^* = \sum x_i v_i, é a mais compacta e vale como resposta ✔

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Questão 362º EE2018.1 · 2ª chamadaMáquina hidráulica · Perda entre duas seções e o tipo de máquina2,5 ptsVer material

Considere o sistema hidráulico da figura, cujo sentido do escoamento vai de (4) para (1).

Dados: Q=1,0 L/sQ = 1{,}0\ \mathrm{L/s}; hp,1-2=hp,3-4=1,0 mh_{p,1\text{-}2} = h_{p,3\text{-}4} = 1{,}0\ \mathrm{m}; p2=2,0×105 Pap_2 = 2{,}0\times10^5\ \mathrm{Pa}; p3=4,0×105 Pap_3 = 4{,}0\times10^5\ \mathrm{Pa}; p1=0,1 MPap_1 = 0{,}1\ \mathrm{MPa}; γH2O=104 N/m3\gamma_{H_2O} = 10^4\ \mathrm{N/m^3}; A2=2×10−3 m2A_2 = 2\times10^{-3}\ \mathrm{m^2}; A3=8×10−3 m2A_3 = 8\times10^{-3}\ \mathrm{m^2}; ηm=0,8\eta_m = 0{,}8.

a) (1,0 pt.) Determine a perda de carga no trecho (2)–(3).

b) (1,5 pts.) Determine o tipo de máquina e a sua potência.

PHRArp₁ = 0,1 MPa(1)γ = 10⁴ N/m³Mηₘ = 0,82 m(2)A₂ = 2·10⁻³ m²(3)A₃ = 8·10⁻³ m²Ar(4)5 mescoamento: de (4) para (1)

Atenção ao sentido: numerada de (1) a (4), a tubulação é percorrida ao contrário — de (4) para (1). Todo Bernoulli tem de ser escrito nessa ordem.

Gabarito
v2=QA2=0,5 m/sv3=QA3=0,125 m/sg=10 m/s2v_2 = \frac{Q}{A_2} = 0{,}5\ \mathrm{m/s} \qquad v_3 = \frac{Q}{A_3} = 0{,}125\ \mathrm{m/s} \qquad g = 10\ \mathrm{m/s^2}

a) Bernoulli de (3) para (2), ambos no PHR:

hp,3-2=p3−p2γ+v32−v222g=40−20+(0,00078−0,0125)h_{p,3\text{-}2} = \frac{p_3 - p_2}{\gamma} + \frac{v_3^2 - v_2^2}{2g} = 40 - 20 + (0{,}00078 - 0{,}0125)hp,2-3≈19,99 mh_{p,2\text{-}3} \approx \mathbf{19{,}99\ m}

b) Bernoulli de (2) para (1), com a máquina no caminho:

p2γ+v222g+HM=p1γ+hp,2-1⟹20+0,0125+HM=10+1,0\frac{p_2}{\gamma} + \frac{v_2^2}{2g} + H_M = \frac{p_1}{\gamma} + h_{p,2\text{-}1} \qquad\Longrightarrow\qquad 20 + 0{,}0125 + H_M = 10 + 1{,}0HM=−9,01 m⟹turbinaH_M = -9{,}01\ \mathrm{m} \qquad\Longrightarrow\qquad \textbf{turbina}N=γ Q ∣HM∣ ηm=104×10−3×9,01×0,8≈72,1 WN = \gamma\,Q\,|H_M|\,\eta_m = 10^4 \times 10^{-3} \times 9{,}01 \times 0{,}8 \approx \mathbf{72{,}1\ W}
Passo a passo

Passo 1 — as velocidades e o gg. A vazão é a mesma em todo o sistema:

Q=1,0 L/s=1,0×10−3 m3/sQ = 1{,}0\ \mathrm{L/s} = 1{,}0\times10^{-3}\ \mathrm{m^3/s}v2=QA2=10−32×10−3=0,5 m/sv3=QA3=10−38×10−3=0,125 m/sv_2 = \frac{Q}{A_2} = \frac{10^{-3}}{2\times10^{-3}} = 0{,}5\ \mathrm{m/s} \qquad v_3 = \frac{Q}{A_3} = \frac{10^{-3}}{8\times10^{-3}} = 0{,}125\ \mathrm{m/s}

E o gg vem do peso específico dado:

γ=ρ g=104 N/m3comρ=1000 kg/m3⟹g=10 m/s2\gamma = \rho\,g = 10^4\ \mathrm{N/m^3} \qquad\text{com}\qquad \rho = 1000\ \mathrm{kg/m^3} \qquad\Longrightarrow\qquad g = 10\ \mathrm{m/s^2}

As cargas cinéticas:

v222g=0,2520=0,0125 mv322g=0,01562520=0,00078 m\frac{v_2^2}{2g} = \frac{0{,}25}{20} = 0{,}0125\ \mathrm{m} \qquad \frac{v_3^2}{2g} = \frac{0{,}015625}{20} = 0{,}00078\ \mathrm{m}

Ambas minúsculas diante das cargas de pressão — mas vale escrevê-las, porque o enunciado deu as áreas justamente para isso.

Passo 2 — item (a): a perda entre (2) e (3). Os dois pontos estão no PHR, logo z2=z3=0z_2 = z_3 = 0. Escrevendo Bernoulli no sentido do escoamento, de (3) para (2):

p3γ+v322g+z3=p2γ+v222g+z2+hp\frac{p_3}{\gamma} + \frac{v_3^2}{2g} + z_3 = \frac{p_2}{\gamma} + \frac{v_2^2}{2g} + z_2 + h_p4,0×105104+0,00078=2,0×105104+0,0125+hp\frac{4{,}0\times10^5}{10^4} + 0{,}00078 = \frac{2{,}0\times10^5}{10^4} + 0{,}0125 + h_p40+0,00078=20+0,0125+hp⟹hp=19,988 m40 + 0{,}00078 = 20 + 0{,}0125 + h_p \qquad\Longrightarrow\qquad h_p = 19{,}988\ \mathrm{m}

Passo 3 — item (b): montar Bernoulli sobre a máquina. A máquina está entre (2) e o reservatório (1) — é o único trecho que a contém, e o trecho cuja perda é dada (hp,1-2=1,0 mh_{p,1\text{-}2} = 1{,}0\ \mathrm{m}).

De (2) para (1), no sentido do escoamento:

p2γ+v222g+z2+HM=p1γ+v122g+z1+hp,2-1\frac{p_2}{\gamma} + \frac{v_2^2}{2g} + z_2 + H_M = \frac{p_1}{\gamma} + \frac{v_1^2}{2g} + z_1 + h_{p,2\text{-}1}
  • v1≈0v_1 \approx 0 — (1) é a superfície livre de um reservatório;
  • z1=z2=0z_1 = z_2 = 0 — as duas estão no PHR (a superfície de (1) coincide com o referencial).
20+0,0125+HM=10+0+0+1,020 + 0{,}0125 + H_M = 10 + 0 + 0 + 1{,}0HM=11−20,0125=−9,01 mH_M = 11 - 20{,}0125 = -9{,}01\ \mathrm{m}

Passo 4 — ler o sinal. HM<0H_M < 0: a máquina retira carga do fluido. É uma turbina.

E faz todo o sentido físico: o fluido vem de (4), que está 5 m5\ \mathrm{m} mais alto e pressurizado, e chega em (1) a apenas 1 atm1\ \mathrm{atm}. Há energia disponível de sobra, e a máquina a colhe.

Passo 5 — a potência, com o rendimento no lugar certo. Para turbina, o rendimento multiplica:

N=γ Q ∣HM∣ ηm=104×10−3×9,01×0,8N = \gamma\,Q\,|H_M|\,\eta_m = 10^4 \times 10^{-3} \times 9{,}01 \times 0{,}8N=10×9,01×0,8=72,1 WN = 10 \times 9{,}01 \times 0{,}8 = 72{,}1\ \mathrm{W}

A potência hidráulica retirada é γQ∣HM∣=90,1 W\gamma Q |H_M| = 90{,}1\ \mathrm{W}; dela, 80 %80\ \% chegam ao eixo.

Conferência — g=10 m/s2g = 10\ \mathrm{m/s^2} sai de γ=104\gamma = 10^4 ✔ (2) e (3) estão os dois no PHR, então zz não entra no item (a) ✔ a perda vai do lado de chegada, e o escoamento é de (4) para (1) ✔ HMH_M negativo é turbina, e aí o rendimento multiplica ✔ v1≈0v_1 \approx 0 porque (1) é superfície livre ✔

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Questão 372º EE2018.1 · 2ª chamadaTubo de aço · Água quente por dentro, ar por fora2,0 ptsVer material

Água quente com temperatura de 80 ∘C80\ ^\circ\mathrm{C} (no seio da água) escoa no interior de um tubo de aço de raio interno de 2,0 cm2{,}0\ \mathrm{cm}, raio externo de 2,3 cm2{,}3\ \mathrm{cm} e comprimento de 5,0 m5{,}0\ \mathrm{m}. O tubo está em contato com o ar ambiente, que está a uma temperatura de 25 ∘C25\ ^\circ\mathrm{C} (no seio do ar). Sendo a condutividade térmica do aço igual a 40,0 W/(m⋅∘C)40{,}0\ \mathrm{W/(m\cdot{}^\circ C)}, os coeficientes de transferência de calor por convecção da água 4000 W/(m2⋅∘C)4000\ \mathrm{W/(m^2\cdot{}^\circ C)} e do ar 10 W/(m2⋅∘C)10\ \mathrm{W/(m^2\cdot{}^\circ C)}, determine:

a) (1,0 pt.) O fluxo de calor que passa através do tubo.

b) (1,0 pt.) A temperatura na superfície externa do tubo.

água80 °Cr₁ = 2,0 cmr₂ = 2,3 cmaçok = 40 W/(m·°C)ar · 25 °Ch = 10hágua = 4000L = 5,0 m

Três resistências em série — e uma delas, a do ar, vale mais que as outras duas somadas trezentas vezes.

Gabarito

a)

Rconv,i=3,98×10−4Rac\co=1,11×10−4Rconv,e=0,1384R_{conv,i} = 3{,}98\times10^{-4} \qquad R_{aço} = 1{,}11\times10^{-4} \qquad R_{conv,e} = 0{,}1384RT=0,13891 ∘C/Wq=80−250,13891≈396 WR_T = 0{,}13891\ ^\circ\mathrm{C/W} \qquad q = \frac{80 - 25}{0{,}13891} \approx \mathbf{396\ W}

b)

Text=Tar+q Rconv,e=25+396×0,1384≈79,8 ∘CT_{ext} = T_{ar} + q\,R_{conv,e} = 25 + 396 \times 0{,}1384 \approx \mathbf{79{,}8\ ^\circ C}

Praticamente a temperatura da água — e o Passo 5 explica por quê.

Passo a passo

Passo 1 — as três resistências em série. O calor sai da água, atravessa o aço e passa para o ar:

aˊgua  →  haˊgua    face interna  →  kac\co    face externa  →  har    ar\text{água} \;\xrightarrow{\;h_{água}\;}\; \text{face interna} \;\xrightarrow{\;k_{aço}\;}\; \text{face externa} \;\xrightarrow{\;h_{ar}\;}\; \text{ar}

Passo 2 — a convecção interna. Área da face interna, A1=2πr1LA_1 = 2\pi r_1 L:

Rconv,i=1haˊgua 2πr1L=14000×2π(0,02)(5,0)=12513,3=3,98×10−4 ∘C/WR_{conv,i} = \frac{1}{h_{água}\,2\pi r_1 L} = \frac{1}{4000 \times 2\pi (0{,}02)(5{,}0)} = \frac{1}{2513{,}3} = 3{,}98\times10^{-4}\ ^\circ\mathrm{C/W}

Passo 3 — a condução no aço.

Rac\co=ln⁡(r2/r1)2πkL=ln⁡(2,3/2,0)2π(40,0)(5,0)=0,139761256,6=1,11×10−4 ∘C/WR_{aço} = \frac{\ln(r_2/r_1)}{2\pi k L} = \frac{\ln(2{,}3/2{,}0)}{2\pi (40{,}0)(5{,}0)} = \frac{0{,}13976}{1256{,}6} = 1{,}11\times10^{-4}\ ^\circ\mathrm{C/W}

Passo 4 — a convecção externa. Aqui a área é a do raio externo, A2=2πr2LA_2 = 2\pi r_2 L:

Rconv,e=1har 2πr2L=110×2π(0,023)(5,0)=17,226=0,13840 ∘C/WR_{conv,e} = \frac{1}{h_{ar}\,2\pi r_2 L} = \frac{1}{10 \times 2\pi (0{,}023)(5{,}0)} = \frac{1}{7{,}226} = 0{,}13840\ ^\circ\mathrm{C/W}

Passo 5 — o total, e a conta que já entrega o item (b).

RT=3,98×10−4+1,11×10−4+0,13840=0,13891 ∘C/WR_T = 3{,}98\times10^{-4} + 1{,}11\times10^{-4} + 0{,}13840 = 0{,}13891\ ^\circ\mathrm{C/W}
resistênciavalor [∘C/W][^\circ\mathrm{C/W}]fração
convecção da água3,98×10−43{,}98\times10^{-4}0,29 %0{,}29\ \%
condução no aço1,11×10−41{,}11\times10^{-4}0,08 %0{,}08\ \%
convecção do ar0,138400{,}1384099,63 %\mathbf{99{,}63\ \%}

O ar responde por 99,6 % da resistência. Água em convecção forçada tem h=4000h = 4000; ar em convecção natural tem h=10h = 10 — quatrocentas vezes menos. E o aço, sendo metal, quase não resiste.

Passo 6 — o fluxo, item (a).

q=Taˊgua−TarRT=80−250,13891=550,13891=396,0 Wq = \frac{T_{água} - T_{ar}}{R_T} = \frac{80 - 25}{0{,}13891} = \frac{55}{0{,}13891} = 396{,}0\ \mathrm{W}

Passo 7 — a temperatura da superfície externa, item (b). Caminhando do ar para dentro, atravessa-se só Rconv,eR_{conv,e}:

Text=Tar+q Rconv,e=25+396,0×0,13840=25+54,8=79,8 ∘CT_{ext} = T_{ar} + q\,R_{conv,e} = 25 + 396{,}0 \times 0{,}13840 = 25 + 54{,}8 = 79{,}8\ ^\circ\mathrm{C}

Conferência — raios em metros e os dois já dados como raio (não diâmetro) ✔ cada convecção com o raio da sua face ✔ as três quedas de temperatura somam 55 ∘C55\ ^\circ\mathrm{C} ✔ a face externa tem de ficar próxima dos 80 ∘C80\ ^\circ\mathrm{C}, porque o gargalo é o ar ✔

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Questão 382º EE2023.1 · 2ª chamadaContinuidade · Temperatura de saída da mistura de dois gases3,0 ptsVer material

Um sistema de escoamento é composto por dois tubos de entrada e um de saída. O tubo (1) admite um gás ideal (P1=6 atmP_1 = 6\ \mathrm{atm}; T1=300 KT_1 = 300\ \mathrm{K}; M1=28 g/mol\mathcal{M}_1 = 28\ \mathrm{g/mol}) com uma vazão de 0,02 m3/s0{,}02\ \mathrm{m^3/s} e o tubo (2) admite outro gás ideal (P2=2 atmP_2 = 2\ \mathrm{atm}; T2=400 KT_2 = 400\ \mathrm{K}; M2=16 g/mol\mathcal{M}_2 = 16\ \mathrm{g/mol}) com vazão de 0,01 m3/s0{,}01\ \mathrm{m^3/s}. A mistura formada é descarregada pelo tubo (3). Determine a temperatura de saída da mistura ideal (M3=44 g/mol\mathcal{M}_3 = 44\ \mathrm{g/mol}), sabendo que a vazão volumétrica é 0,025 m3/s0{,}025\ \mathrm{m^3/s}, com pressão de 4 atm4\ \mathrm{atm} em (3). Considere o regime permanente de escoamento.

Dado: R=8,314 J/(mol⋅K)R = 8{,}314\ \mathrm{J/(mol\cdot K)}.

volume de controle · regime permanente(1)6 atm · 300 K · ℳ = 28Q₁ = 0,02 m³/s(2)2 atm · 400 K · ℳ = 16Q₂ = 0,01 m³/s(3)4 atm · ℳ = 44Q₃ = 0,025 m³/s · T₃ = ?

O que se conserva é a massa. A temperatura de saída é o que a equação de estado devolve depois de a massa fechar.

Gabarito
ρ=P MR Tm˙=ρ Qm˙3=m˙1+m˙2\rho = \frac{P\,\mathcal{M}}{R\,T} \qquad \dot m = \rho\,Q \qquad \dot m_3 = \dot m_1 + \dot m_2ρ1=6,82 kg/m3ρ2=0,97 kg/m3\rho_1 = 6{,}82\ \mathrm{kg/m^3} \qquad \rho_2 = 0{,}97\ \mathrm{kg/m^3}ρ3=ρ1Q1+ρ2Q2Q3=6,82(0,02)+0,97(0,01)0,025=5,85 kg/m3\rho_3 = \frac{\rho_1 Q_1 + \rho_2 Q_2}{Q_3} = \frac{6{,}82(0{,}02) + 0{,}97(0{,}01)}{0{,}025} = 5{,}85\ \mathrm{kg/m^3}T3=P3 M3R ρ3≈366,7 KT_3 = \frac{P_3\,\mathcal{M}_3}{R\,\rho_3} \approx \mathbf{366{,}7\ K}
Passo a passo

Passo 1 — o caminho da solução, em três movimentos. A temperatura não sai de um balanço de energia: sai da equação de estado, depois de a massa fechar.

ρ1, ρ2⏟estado nas entradas  →  m˙3=m˙1+m˙2⏟conservac¸a˜o de massa  →  ρ3=m˙3/Q3⏟estado na saıˊda  →  T3=P3M3R ρ3⏟de volta ao estado\underbrace{\rho_1,\ \rho_2}_{\text{estado nas entradas}} \;\to\; \underbrace{\dot m_3 = \dot m_1 + \dot m_2}_{\text{conservação de massa}} \;\to\; \underbrace{\rho_3 = \dot m_3/Q_3}_{\text{estado na saída}} \;\to\; \underbrace{T_3 = \frac{P_3 \mathcal{M}_3}{R\,\rho_3}}_{\text{de volta ao estado}}

Passo 2 — as massas específicas de entrada. Com 1 atm=1,013×105 Pa1\ \mathrm{atm} = 1{,}013\times10^5\ \mathrm{Pa} e M\mathcal{M} em kg/mol\mathrm{kg/mol}:

ρ1=P1M1R T1=6,078×105×0,0288,314×300=17 0182494,2=6,82 kg/m3\rho_1 = \frac{P_1 \mathcal{M}_1}{R\,T_1} = \frac{6{,}078\times10^5 \times 0{,}028}{8{,}314 \times 300} = \frac{17\,018}{2494{,}2} = 6{,}82\ \mathrm{kg/m^3}ρ2=P2M2R T2=2,026×105×0,0168,314×400=3241,63325,6=0,97 kg/m3\rho_2 = \frac{P_2 \mathcal{M}_2}{R\,T_2} = \frac{2{,}026\times10^5 \times 0{,}016}{8{,}314 \times 400} = \frac{3241{,}6}{3325{,}6} = 0{,}97\ \mathrm{kg/m^3}

A corrente (1) é sete vezes mais densa: está a três vezes a pressão, mais fria e com massa molar maior.

Passo 3 — a conservação de massa.

m˙1=ρ1Q1=6,82×0,02=0,1365 kg/s\dot m_1 = \rho_1 Q_1 = 6{,}82 \times 0{,}02 = 0{,}1365\ \mathrm{kg/s}m˙2=ρ2Q2=0,97×0,01=0,0097 kg/s\dot m_2 = \rho_2 Q_2 = 0{,}97 \times 0{,}01 = 0{,}0097\ \mathrm{kg/s}m˙3=0,1365+0,0097=0,1462 kg/s\dot m_3 = 0{,}1365 + 0{,}0097 = 0{,}1462\ \mathrm{kg/s}

Passo 4 — a massa específica na saída.

ρ3=m˙3Q3=0,14620,025=5,85 kg/m3\rho_3 = \frac{\dot m_3}{Q_3} = \frac{0{,}1462}{0{,}025} = 5{,}85\ \mathrm{kg/m^3}

Passo 5 — a equação de estado ao contrário, agora para achar T3T_3.

ρ3=P3 M3R T3⟹T3=P3 M3R ρ3\rho_3 = \frac{P_3\,\mathcal{M}_3}{R\,T_3} \qquad\Longrightarrow\qquad T_3 = \frac{P_3\,\mathcal{M}_3}{R\,\rho_3}T3=4,052×105×0,0448,314×5,85=17 82948,64=366,5 KT_3 = \frac{4{,}052\times10^5 \times 0{,}044}{8{,}314 \times 5{,}85} = \frac{17\,829}{48{,}64} = 366{,}5\ \mathrm{K}

ou, mantendo mais casas nos intermediários, T3=366,7 KT_3 = 366{,}7\ \mathrm{K} — cerca de 93 ∘C93\ ^\circ\mathrm{C}.

Passo 6 — a conferência de plausibilidade. T3T_3 tem de ficar entre as duas temperaturas de entrada, 300300 e 400 K400\ \mathrm{K} — e fica ✔ Mais que isso: como a corrente (1), a 300 K300\ \mathrm{K}, traz 93 % da massa, era de esperar um valor bem mais perto de 300300 que de 400400… mas aqui a mistura também muda de pressão e de massa molar, e são esses dois que puxam o resultado para cima. O M3=44\mathcal{M}_3 = 44 dado no enunciado não é decorativo.

Conferência — atm para pascal ✔ g/mol para kg/mol ✔ temperatura em kelvin nas entradas ✔ vazões volumétricas não se somam; mássicas sim ✔ T3T_3 tem de cair entre 300300 e 400 K400\ \mathrm{K} ✔

Sobre o gabarito — a resolução oficial escreve ρ2=0,962 kg/m3\rho_2 = 0{,}962\ \mathrm{kg/m^3} (valor que sai de tomar 1 atm=1×105 Pa1\ \mathrm{atm} = 1\times10^5\ \mathrm{Pa} só nessa linha), mas os demais números dela — ρ1=6,825\rho_1 = 6{,}825, ρ3=5,85\rho_3 = 5{,}85 e T3=366,67 KT_3 = 366{,}67\ \mathrm{K} — correspondem a 1 atm=1,013×105 Pa1\ \mathrm{atm} = 1{,}013\times10^5\ \mathrm{Pa}, que é o valor usado acima. A resposta final é a mesma.

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Questão 392º EE2023.1 · 2ª chamadaBomba · Descarga livre com perda de carga e rendimento3,0 ptsVer material

O reservatório de grandes dimensões da figura descarrega água (ρ=1000 kg/m3\rho = 1000\ \mathrm{kg/m^3}) para a atmosfera através de uma tubulação com uma vazão de 20 L/s20\ \mathrm{L/s}. A perda de carga no sistema é de 10 m10\ \mathrm{m}. Verificar se a máquina instalada é BOMBA ou TURBINA e determinar sua potência, se o rendimento é 85 %85\ \%.

Dados: g=10 m/s2g = 10\ \mathrm{m/s^2}; A=10 cm2A = 10\ \mathrm{cm^2}.

PHRP atm(1)grandesdimensões20 mBA = 10 cm²(2)descarga livre5 mh p = 10 m · Q = 20 L/s · η = 85 %

A saída é descarga livre e a seção é pequena (10 cm210\ \mathrm{cm^2}): a carga cinética de saída vai valer 20 m20\ \mathrm{m}, tanto quanto a altura do reservatório.

Gabarito
v2=QA=0,020,001=20 m/sv222g=40020=20 mv_2 = \frac{Q}{A} = \frac{0{,}02}{0{,}001} = 20\ \mathrm{m/s} \qquad \frac{v_2^2}{2g} = \frac{400}{20} = 20\ \mathrm{m}Hm=v222g+y2+hp−y1=20+5+10−20=+15 m⟹BOMBAH_m = \frac{v_2^2}{2g} + y_2 + h_p - y_1 = 20 + 5 + 10 - 20 = \mathbf{+15\ m} \qquad\Longrightarrow\qquad \textbf{BOMBA}Nideal=ρ g Q Hm=1000×10×0,02×15=3000 WN_{ideal} = \rho\,g\,Q\,H_m = 1000 \times 10 \times 0{,}02 \times 15 = 3000\ \mathrm{W}Nreal=Nidealη=30000,85≈3529 W≈3,53 kWN_{real} = \frac{N_{ideal}}{\eta} = \frac{3000}{0{,}85} \approx \mathbf{3529\ W} \approx 3{,}53\ \mathrm{kW}
Passo a passo

Passo 1 — a velocidade de saída, que é a chave da questão.

A=10 cm2=10×10−4=1,0×10−3 m2A = 10\ \mathrm{cm^2} = 10 \times 10^{-4} = 1{,}0\times10^{-3}\ \mathrm{m^2}Q=20 L/s=0,02 m3/s⟹v2=0,020,001=20 m/sQ = 20\ \mathrm{L/s} = 0{,}02\ \mathrm{m^3/s} \qquad\Longrightarrow\qquad v_2 = \frac{0{,}02}{0{,}001} = 20\ \mathrm{m/s}v222g=2022×10=40020=20 m\frac{v_2^2}{2g} = \frac{20^2}{2 \times 10} = \frac{400}{20} = 20\ \mathrm{m}

Vinte metros de carga cinética — exatamente a altura do reservatório. Não é detalhe: é o termo que decide se a máquina é bomba ou turbina.

Passo 2 — a equação da energia com máquina. Ponto ① na superfície livre do reservatório, ponto ② na saída livre:

p1γ+v122g+y1+Hm=p2γ+v222g+y2+hp\frac{p_1}{\gamma} + \frac{v_1^2}{2g} + y_1 + H_m = \frac{p_2}{\gamma} + \frac{v_2^2}{2g} + y_2 + h_p

O que cai:

  • p1=p2=patmp_1 = p_2 = p_{atm} — o reservatório é aberto e a descarga é para a atmosfera;
  • v1≈0v_1 \approx 0 — reservatório de grandes dimensões.

O que fica: v22/2gv_2^2/2g, porque a descarga é livre — o jato leva a sua energia cinética embora.

y1+Hm=v222g+y2+hpy_1 + H_m = \frac{v_2^2}{2g} + y_2 + h_p

Passo 3 — resolver, com as cotas da figura. Do PHR: y1=20 my_1 = 20\ \mathrm{m} (superfície do reservatório) e y2=5 my_2 = 5\ \mathrm{m} (saída).

Hm=v222g+y2+hp−y1=20+5+10−20=+15 mH_m = \frac{v_2^2}{2g} + y_2 + h_p - y_1 = 20 + 5 + 10 - 20 = +15\ \mathrm{m}

Passo 4 — ler o sinal, que é o item pedido. Hm>0H_m > 0: a máquina fornece carga ao fluido. É uma BOMBA.

E o balanço explica: o reservatório oferece 20 m20\ \mathrm{m} de queda, mas o sistema consome 35 m35\ \mathrm{m} (2020 de carga cinética + 55 de altura da saída + 1010 de perda). Faltam 15 m15\ \mathrm{m}, e é a bomba que os coloca.

Passo 5 — a potência ideal.

Nideal=γ Q Hm=ρ g Q Hm=1000×10×0,02×15=3000 WN_{ideal} = \gamma\,Q\,H_m = \rho\,g\,Q\,H_m = 1000 \times 10 \times 0{,}02 \times 15 = 3000\ \mathrm{W}

Passo 6 — a potência real, com o rendimento no lugar certo. Para bomba, o rendimento divide: o motor tem de entregar mais do que o fluido recebe, porque parte se perde na máquina.

Nreal=Nidealη=30000,85=3529,4 W≈3,53 kWN_{real} = \frac{N_{ideal}}{\eta} = \frac{3000}{0{,}85} = 3529{,}4\ \mathrm{W} \approx 3{,}53\ \mathrm{kW}

Conferência — 10 cm2=10−3 m210\ \mathrm{cm^2} = 10^{-3}\ \mathrm{m^2} ✔ 20 L/s=0,02 m3/s20\ \mathrm{L/s} = 0{,}02\ \mathrm{m^3/s} ✔ descarga livre mantém v22/2gv_2^2/2g na equação ✔ HmH_m positivo é bomba, e aí o rendimento divide ✔ Nreal>NidealN_{real} > N_{ideal} ✔

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Questão 402º EE2023.1 · 2ª chamadaIsolamento · Achar a espessura que atende à norma3,0 ptsVer material

Uma parede de 4 m24\ \mathrm{m^2} de área transversal é composta por dois materiais: aço carbono (k=3,0 W/(m⋅∘C)k = 3{,}0\ \mathrm{W/(m\cdot{}^\circ C)}; espessura de 10,0 cm10{,}0\ \mathrm{cm}) e um isolante (k=0,1 W/(m⋅∘C)k = 0{,}1\ \mathrm{W/(m\cdot{}^\circ C)}; espessura a ser determinada), justapostos para separar dois meios. Do lado do aço carbono (na esquerda) há gases de combustão a 1000 ∘C1000\ ^\circ\mathrm{C} (h=5,0 W/(m2⋅∘C)h = 5{,}0\ \mathrm{W/(m^2\cdot{}^\circ C)}) e do outro lado há ar a 25 ∘C25\ ^\circ\mathrm{C} (h=3,0 W/(m2⋅∘C)h = 3{,}0\ \mathrm{W/(m^2\cdot{}^\circ C)}).

Sabendo que as normas ambientais limitam a liberação de calor a 400 W/m2400\ \mathrm{W/m^2}, determine a espessura da placa de isolante que deve ser usada e, também, as temperaturas nas interfaces da parede com os fluidos e na interface aço–isolante. Considere que não há geração de calor na parede.

açok = 3,0isolantek = 0,1gases de combustãoT∞,1 = 1000 °Ch₁ = 5,0arT∞,2 = 25 °Ch₂ = 3,0q″ ≤ 400 W/m²T₁T₂T₃10,0 cmL iso = ?A = 4 m² · sem geração de calor

O dado que resolve o problema é o limite de 400 W/m2400\ \mathrm{W/m^2}: ele fixa qq, e a espessura passa a ser a incógnita da equação das resistências.

Gabarito
q=q′′ A=400×4=1600 Wq = q''\,A = 400 \times 4 = 1600\ \mathrm{W}Re=1h1A=0,05R1=Lac\cokac\coA=0,00833R2=LisokisoA=2,5 LisoRi=1h2A=0,0833R_e = \frac{1}{h_1 A} = 0{,}05 \quad R_1 = \frac{L_{aço}}{k_{aço}A} = 0{,}00833 \quad R_2 = \frac{L_{iso}}{k_{iso}A} = 2{,}5\,L_{iso} \quad R_i = \frac{1}{h_2 A} = 0{,}0833q=T∞,1−T∞,2Rt⟹1600=9752,5 Liso+0,1417q = \frac{T_{\infty,1} - T_{\infty,2}}{R_t} \qquad\Longrightarrow\qquad 1600 = \frac{975}{2{,}5\,L_{iso} + 0{,}1417}  Liso≈0,187 m=18,7 cm  \boxed{\;L_{iso} \approx 0{,}187\ \mathrm{m} = 18{,}7\ \mathrm{cm}\;}

As temperaturas:

T1=1000−qRe=920 ∘CT2=T1−qR1=907 ∘CT3=T2−qR2=158 ∘CT_1 = 1000 - q R_e = \mathbf{920\ ^\circ C} \qquad T_2 = T_1 - q R_1 = \mathbf{907\ ^\circ C} \qquad T_3 = T_2 - q R_2 = \mathbf{158\ ^\circ C}
Passo a passo

Passo 1 — o problema está de cabeça para trás. Nas questões anteriores, a geometria era dada e o fluxo era a incógnita. Aqui é o contrário: o fluxo é dado (pelo limite da norma) e a geometria é a incógnita.

q′′=400 W/m2⟹q=q′′ A=400×4=1600 Wq'' = 400\ \mathrm{W/m^2} \qquad\Longrightarrow\qquad q = q''\,A = 400 \times 4 = 1600\ \mathrm{W}

Passo 2 — as quatro resistências, três conhecidas e uma com a incógnita.

Re=1h1A=15,0×4=0,05 ∘C/WR_e = \frac{1}{h_1 A} = \frac{1}{5{,}0 \times 4} = 0{,}05\ ^\circ\mathrm{C/W}R1=Lac\cokac\co A=0,103,0×4=0,00833 ∘C/WR_1 = \frac{L_{aço}}{k_{aço}\,A} = \frac{0{,}10}{3{,}0 \times 4} = 0{,}00833\ ^\circ\mathrm{C/W}R2=Lisokiso A=Liso0,1×4=Liso0,4=2,5 LisoR_2 = \frac{L_{iso}}{k_{iso}\,A} = \frac{L_{iso}}{0{,}1 \times 4} = \frac{L_{iso}}{0{,}4} = 2{,}5\,L_{iso}Ri=1h2A=13,0×4=0,0833 ∘C/WR_i = \frac{1}{h_2 A} = \frac{1}{3{,}0 \times 4} = 0{,}0833\ ^\circ\mathrm{C/W}

Passo 3 — montar a equação e isolar LisoL_{iso}.

Rt=Re+R1+R2+Ri=0,05+0,00833+2,5 Liso+0,0833=2,5 Liso+0,1417R_t = R_e + R_1 + R_2 + R_i = 0{,}05 + 0{,}00833 + 2{,}5\,L_{iso} + 0{,}0833 = 2{,}5\,L_{iso} + 0{,}1417q=T∞,1−T∞,2Rt⟹1600=1000−252,5 Liso+0,1417q = \frac{T_{\infty,1} - T_{\infty,2}}{R_t} \qquad\Longrightarrow\qquad 1600 = \frac{1000 - 25}{2{,}5\,L_{iso} + 0{,}1417}2,5 Liso+0,1417=9751600=0,60942{,}5\,L_{iso} + 0{,}1417 = \frac{975}{1600} = 0{,}60942,5 Liso=0,4677⟹Liso=0,1871 m≈18,7 cm2{,}5\,L_{iso} = 0{,}4677 \qquad\Longrightarrow\qquad L_{iso} = 0{,}1871\ \mathrm{m} \approx 18{,}7\ \mathrm{cm}

Passo 4 — as temperaturas, uma resistência por vez. Caminhando dos gases para dentro:

T1=T∞,1−q Re=1000−1600×0,05=1000−80=920 ∘CT_1 = T_{\infty,1} - q\,R_e = 1000 - 1600 \times 0{,}05 = 1000 - 80 = 920\ ^\circ\mathrm{C}T2=T1−q R1=920−1600×0,00833=920−13,3=906,7 ∘CT_2 = T_1 - q\,R_1 = 920 - 1600 \times 0{,}00833 = 920 - 13{,}3 = 906{,}7\ ^\circ\mathrm{C}R2=2,5×0,1871=0,4677 ∘C/WR_2 = 2{,}5 \times 0{,}1871 = 0{,}4677\ ^\circ\mathrm{C/W}T3=T2−q R2=906,7−1600×0,4677=906,7−748,3=158,4 ∘CT_3 = T_2 - q\,R_2 = 906{,}7 - 1600 \times 0{,}4677 = 906{,}7 - 748{,}3 = 158{,}4\ ^\circ\mathrm{C}

Passo 5 — a conferência pelo lado do ar.

T3−T∞,2=q Ri=1600×0,0833=133,3 ∘C⟹T3=25+133,3=158,3 ∘C ✓T_3 - T_{\infty,2} = q\,R_i = 1600 \times 0{,}0833 = 133{,}3\ ^\circ\mathrm{C} \qquad\Longrightarrow\qquad T_3 = 25 + 133{,}3 = 158{,}3\ ^\circ\mathrm{C}\ \checkmark

Chega-se ao mesmo T3T_3 pelos dois caminhos.

Passo 6 — onde a temperatura cai.

resistênciavalor [∘C/W][^\circ\mathrm{C/W}]fraçãoΔT\Delta T [∘C][^\circ\mathrm{C}]
convecção dos gases0,05000{,}05008,2 %8{,}2\ \%80,080{,}0
condução no aço0,008330{,}008331,4 %1{,}4\ \%13,313{,}3
condução no isolante0,46770{,}467776,7 %\mathbf{76{,}7\ \%}748,3748{,}3
convecção do ar0,08330{,}083313,7 %13{,}7\ \%133,3133{,}3
total0,60940{,}6094100 %100\ \%975,0\mathbf{975{,}0}

As quedas somam 975 ∘C975\ ^\circ\mathrm{C} ✔ E o isolante, como se espera do nome, absorve três quartos da queda: de 907907 para 158 ∘C158\ ^\circ\mathrm{C} em 18,7 cm18{,}7\ \mathrm{cm}.

Conferência — q′′×Aq'' \times A dá o qq em watt, e é ele que entra na equação ✔ as duas convecções e as duas conduções usam a mesma área, 4 m24\ \mathrm{m^2} ✔ a incógnita aparece só em R2R_2 ✔ as quatro quedas somam 975 ∘C975\ ^\circ\mathrm{C} ✔ o isolante tem de concentrar a maior queda ✔

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Questão 412º EE2023.1 · 2ª chamadaFluxos de massa · Concentração a partir da pressão total3,0 ptsVer material

Considere a transferência de massa de uma mistura entre duas espécies, AA e BB, ao longo de um tubo. Na entrada, a pressão total da mistura é de 20 atm20\ \mathrm{atm} e 60 %60\ \% em mol dessa mistura é da espécie AA. Na saída, a pressão total é mantida constante e 75 %75\ \% em mol dessa mistura é da espécie BB. A mistura escoa com velocidade de 5,0 m/s5{,}0\ \mathrm{m/s}. O comprimento do tubo é de 2,0 m2{,}0\ \mathrm{m} e o coeficiente de difusão binária é de 5,0×10−2 m2/s5{,}0\times10^{-2}\ \mathrm{m^2/s}. A temperatura é mantida constante, igual a 300 K300\ \mathrm{K}.

Determine para AA e para BB as densidades de fluxo difusivo e convectivo na saída do tubo. Admita regime permanente com perfil linear de concentração.

Dado: R=8,314 J/(mol⋅K)R = 8{,}314\ \mathrm{J/(mol\cdot K)}.

Gabarito
C=PR T=2,0265×1068,314×300=812,5 mol/m3C = \frac{P}{R\,T} = \frac{2{,}0265\times10^6}{8{,}314 \times 300} = 812{,}5\ \mathrm{mol/m^3}

Na saída: CA2=203,1C_{A2} = 203{,}1 e CB2=609,4 mol/m3C_{B2} = 609{,}4\ \mathrm{mol/m^3}.

difusivo J′′J''convectivo n′′n''
AA+7,11\mathbf{+7{,}11}1,016×103\mathbf{1{,}016\times10^3}
BB−7,11\mathbf{-7{,}11}3,047×103\mathbf{3{,}047\times10^3}

tudo em mol/(m2⋅s)\mathrm{mol/(m^2 \cdot s)}.

Passo a passo

Passo 1 — a concentração total, que aqui vem da pressão. Esta é a novidade da questão: em vez de dar CC direto, o enunciado dá pressão e temperatura. Para mistura de gases ideais,

C=PR TC = \frac{P}{R\,T}P=20 atm=20×1,013×105=2,0265×106 PaP = 20\ \mathrm{atm} = 20 \times 1{,}013\times10^5 = 2{,}0265\times10^6\ \mathrm{Pa}C=2,0265×1068,314×300=2,0265×1062494,2=812,5 mol/m3C = \frac{2{,}0265\times10^6}{8{,}314 \times 300} = \frac{2{,}0265\times10^6}{2494{,}2} = 812{,}5\ \mathrm{mol/m^3}

Passo 2 — completar as frações molares.

yA1=0,60⇒yB1=0,40yB2=0,75⇒yA2=0,25y_{A1} = 0{,}60 \Rightarrow y_{B1} = 0{,}40 \qquad\qquad y_{B2} = 0{,}75 \Rightarrow y_{A2} = 0{,}25

Passo 3 — as concentrações nas duas pontas.

CA1=0,60×812,5=487,5CB1=0,40×812,5=325,0C_{A1} = 0{,}60 \times 812{,}5 = 487{,}5 \qquad C_{B1} = 0{,}40 \times 812{,}5 = 325{,}0CA2=0,25×812,5=203,1CB2=0,75×812,5=609,4C_{A2} = 0{,}25 \times 812{,}5 = 203{,}1 \qquad C_{B2} = 0{,}75 \times 812{,}5 = 609{,}4

em mol/m3\mathrm{mol/m^3}. Cada par soma 812,5812{,}5 ✔

Passo 4 — os gradientes (perfil linear).

dCAdx=203,1−487,52,0=−142,2 mol/m4\frac{dC_A}{dx} = \frac{203{,}1 - 487{,}5}{2{,}0} = -142{,}2\ \mathrm{mol/m^4}dCBdx=609,4−325,02,0=+142,2 mol/m4\frac{dC_B}{dx} = \frac{609{,}4 - 325{,}0}{2{,}0} = +142{,}2\ \mathrm{mol/m^4}

Opostos, como tinha de ser com CC constante.

Passo 5 — os fluxos difusivos.

JA′′=−DAB dCAdx=−5,0×10−2×(−142,2)=+7,11 mol/(m2s)J''_A = -D_{AB}\,\frac{dC_A}{dx} = -5{,}0\times10^{-2} \times (-142{,}2) = +7{,}11\ \mathrm{mol/(m^2 s)}JB′′=−5,0×10−2×(+142,2)=−7,11 mol/(m2s)J''_B = -5{,}0\times10^{-2} \times (+142{,}2) = -7{,}11\ \mathrm{mol/(m^2 s)}

AA difunde no sentido do escoamento; BB, contra. E o gradiente é constante, então esses valores servem em qualquer posição do tubo — inclusive na saída.

Passo 6 — os fluxos convectivos, na saída.

nA′′=CA2 v=203,1×5,0=1015,6≈1,016×103 mol/(m2s)n''_A = C_{A2}\,v = 203{,}1 \times 5{,}0 = 1015{,}6 \approx 1{,}016\times10^3\ \mathrm{mol/(m^2 s)}nB′′=CB2 v=609,4×5,0=3046,8≈3,047×103 mol/(m2s)n''_B = C_{B2}\,v = 609{,}4 \times 5{,}0 = 3046{,}8 \approx 3{,}047\times10^3\ \mathrm{mol/(m^2 s)}

Confira: nA′′+nB′′=4062,5=C v=812,5×5n''_A + n''_B = 4062{,}5 = C\,v = 812{,}5 \times 5 ✔

Passo 7 — a leitura. O convectivo é da ordem de 10310^3, o difusivo de 10010^0: uma diferença de mais de 400 vezes. Com a mistura a 5 m/s5\ \mathrm{m/s} e a 20 atm20\ \mathrm{atm} (portanto muito densa em mols), o transporte é praticamente todo convectivo. A difusão só redistribui as duas espécies dentro da corrente.

Conferência — atm para pascal ✔ temperatura em kelvin ✔ a fração da saída é de BB ✔ CC é a mesma nas duas pontas, porque PP e TT são constantes ✔ os difusivos saem opostos ✔ os convectivos usam a concentração da saída e somam C vC\,v ✔

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Questão 422º EE2023.2 · 2ª chamadaCondições de contorno · Qual delas se aplica ao forno2,0 ptsVer material

Na transferência de calor através de uma parede plana, seja simples ou composta, como a parede de um forno, após o forno ser ligado e a temperatura interna ter entrado em equilíbrio (estável), considerando ainda que não haja acúmulo ou geração de calor no interior das paredes e, finalmente, sabendo que o forno está exposto ao ar, há uma condição de contorno que pode ser verificada.

Explique o que vêm a ser condições de contorno e que tipo de condição de contorno pode ser usada neste caso, descrevendo-a.

Gabarito

Condições de contorno são as situações que precisam ser conhecidas nas fronteiras do domínio para que se possa resolver o problema proposto — sem elas, a equação diferencial da condução tem infinitas soluções.

No caso em tela, a condição é do terceiro tipo, também chamada mista ou condição de Robin: ela ocorre quando a troca de calor é por condução e convecção ao mesmo tempo, ou seja, o calor que chega à superfície por condução é o que sai dela por convecção para o ar:

qconduc¸a˜o=qconvecc¸a˜o⟹−k ∂T∂x∣s=h (Ts−T∞)q_{\text{condução}} = q_{\text{convecção}} \qquad\Longrightarrow\qquad -k\,\frac{\partial T}{\partial x}\bigg|_{s} = h\,(T_s - T_\infty)

Os parâmetros conhecidos são hh e T∞T_\infty; a temperatura da superfície é resultado, não dado.

Passo a passo

1 — O que são condições de contorno, e por que são necessárias. A equação da condução é diferencial de segunda ordem no espaço:

d2Tdx2=0⟹T(x)=C1x+C2\frac{d^2T}{dx^2} = 0 \qquad\Longrightarrow\qquad T(x) = C_1 x + C_2

(a forma já simplificada pelas hipóteses do enunciado — ver o passo 2). Integrar duas vezes produz duas constantes, e elas não saem da equação: saem de duas informações nas fronteiras. Sem elas, o perfil é uma família de retas em vez de uma reta.

2 — Ler o enunciado como uma lista de hipóteses. Cada expressão do texto elimina um termo da equação geral:

o que o enunciado dizo que isso significao que cai
“temperatura entrou em equilíbrio (estável)”regime permanente∂T/∂t=0\partial T/\partial t = 0
“não haja acúmulo”idem, reforçando—
“nem geração de calor”q˙=0\dot q = 0o termo de fonte
“parede plana”unidimensional em xxyy e zz

Sobrando:

d2Tdx2=0\frac{d^2T}{dx^2} = 0

cuja solução é o perfil linear que se usa em toda parede plana.

3 — Qual é a condição, e por quê. A informação decisiva é “o forno está exposto ao ar”. Na face externa, então:

  • não se conhece a temperatura da superfície — logo não é Dirichlet (1º tipo);
  • não se conhece o fluxo prescrito — logo não é Neumann (2º tipo);
  • conhecem-se hh (do ar) e T∞T_\infty (do ambiente), e o que se sabe é que o que chega por condução sai por convecção.

Essa é a condição de Robin, do terceiro tipo, também dita mista:

−k ∂T∂x∣s⏟conduc¸a˜o, no soˊlido=h (Ts−T∞)⏟convecc¸a˜o, para o ar\underbrace{-k\,\frac{\partial T}{\partial x}\bigg|_{s}}_{\text{condução, no sólido}} = \underbrace{h\,(T_s - T_\infty)}_{\text{convecção, para o ar}}

4 — Como isso aparece na conta que se faz na prática. Escrita como resistência térmica, a condição de Robin é exatamente a resistência de convecção que se soma às de condução:

Rconv=1h AR_{conv} = \frac{1}{h\,A}q=T∞,int−T∞,ext1hintA+L1k1A+L2k2A+1hextAq = \frac{T_{\infty,int} - T_{\infty,ext}}{\dfrac{1}{h_{int}A} + \dfrac{L_1}{k_1 A} + \dfrac{L_2}{k_2 A} + \dfrac{1}{h_{ext}A}}

Toda vez que se soma um 1/(hA)1/(hA) ao circuito térmico, está-se aplicando uma condição de Robin. Dizer isso na resposta liga a teoria ao exercício numérico da mesma prova.

Conferência — definir o que são condições de contorno antes de escolher a tipo ✔ justificar a escolha pelo dado “exposto ao ar”, isto é, fluido com hh e T∞T_\infty ✔ escrever a igualdade qcond=qconvq_{cond} = q_{conv}, que é a descrição pedida ✔ dar o nome: terceiro tipo, mista, ou Robin ✔

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Questão 432º EE2023.2 · 2ª chamadaContinuidade · Mistura de dois líquidos incompressíveis3,0 ptsVer material

Um sistema de escoamento é composto por dois tubos de entrada e um de saída. O tubo (1) admite um líquido (ρ1=820 kg/m3\rho_1 = 820\ \mathrm{kg/m^3}) com uma vazão de 0,02 m3/s0{,}02\ \mathrm{m^3/s} e o tubo (2) admite outro líquido (ρ2=950 kg/m3\rho_2 = 950\ \mathrm{kg/m^3}) com vazão de 0,01 m3/s0{,}01\ \mathrm{m^3/s}. A mistura formada é descarregada pelo tubo (3), de diâmetro interno 5 cm5\ \mathrm{cm}. Determine a densidade e a velocidade de saída da mistura. Considere o regime permanente de escoamento.

volume de controle · regime permanente(1)ρ₁ = 820 kg/m³Q₁ = 0,02 m³/s(2)ρ₂ = 950 kg/m³Q₂ = 0,01 m³/s(3)d₃ = 5 cmρ₃ = ? · v₃ = ?

São líquidos: incompressíveis. Aqui, ao contrário dos gases, a vazão volumétrica também se conserva.

Gabarito

Como os fluidos são incompressíveis, o volume também se conserva:

Q3=Q1+Q2=0,02+0,01=0,03 m3/sQ_3 = Q_1 + Q_2 = 0{,}02 + 0{,}01 = 0{,}03\ \mathrm{m^3/s}ρ3=ρ1Q1+ρ2Q2Q3=820(0,02)+950(0,01)0,03≈863,3 kg/m3\rho_3 = \frac{\rho_1 Q_1 + \rho_2 Q_2}{Q_3} = \frac{820(0{,}02) + 950(0{,}01)}{0{,}03} \approx \mathbf{863{,}3\ kg/m^3}A3=πd324=π(0,05)24=1,963×10−3 m2v3=Q3A3≈15,3 m/sA_3 = \frac{\pi d_3^2}{4} = \frac{\pi (0{,}05)^2}{4} = 1{,}963\times10^{-3}\ \mathrm{m^2} \qquad v_3 = \frac{Q_3}{A_3} \approx \mathbf{15{,}3\ m/s}
Passo a passo

Passo 1 — a diferença que muda tudo: são líquidos. Nas questões com gases, Q3≠Q1+Q2Q_3 \ne Q_1 + Q_2, e era preciso o enunciado dar Q3Q_3. Aqui os fluidos são líquidos, portanto incompressíveis, e as duas conservações valem ao mesmo tempo:

m˙3=m˙1+m˙2⏟sempre valeeQ3=Q1+Q2⏟soˊ com ρ constante\underbrace{\dot m_3 = \dot m_1 + \dot m_2}_{\text{sempre vale}} \qquad\text{e}\qquad \underbrace{Q_3 = Q_1 + Q_2}_{\text{só com } \rho \text{ constante}}Q3=0,02+0,01=0,03 m3/sQ_3 = 0{,}02 + 0{,}01 = 0{,}03\ \mathrm{m^3/s}

Passo 2 — a massa específica da mistura, pela conservação de massa.

ρ1Q1+ρ2Q2=ρ3Q3⟹ρ3=ρ1Q1+ρ2Q2Q3\rho_1 Q_1 + \rho_2 Q_2 = \rho_3 Q_3 \qquad\Longrightarrow\qquad \rho_3 = \frac{\rho_1 Q_1 + \rho_2 Q_2}{Q_3}ρ3=820×0,02+950×0,010,03=16,4+9,50,03=25,90,03=863,3 kg/m3\rho_3 = \frac{820 \times 0{,}02 + 950 \times 0{,}01}{0{,}03} = \frac{16{,}4 + 9{,}5}{0{,}03} = \frac{25{,}9}{0{,}03} = 863{,}3\ \mathrm{kg/m^3}

Passo 3 — a área da seção de saída. O enunciado dá o diâmetro:

A3=πd324=π(0,05)24=π×0,00254=1,963×10−3 m2A_3 = \frac{\pi d_3^2}{4} = \frac{\pi (0{,}05)^2}{4} = \frac{\pi \times 0{,}0025}{4} = 1{,}963\times10^{-3}\ \mathrm{m^2}

Passo 4 — a velocidade de saída.

v3=Q3A3=0,031,963×10−3=15,3 m/sv_3 = \frac{Q_3}{A_3} = \frac{0{,}03}{1{,}963\times10^{-3}} = 15{,}3\ \mathrm{m/s}

Passo 5 — a conferência final pela vazão mássica.

m˙3=ρ3Q3=863,3×0,03=25,9 kg/s\dot m_3 = \rho_3 Q_3 = 863{,}3 \times 0{,}03 = 25{,}9\ \mathrm{kg/s}m˙1+m˙2=820(0,02)+950(0,01)=16,4+9,5=25,9 kg/s ✓\dot m_1 + \dot m_2 = 820(0{,}02) + 950(0{,}01) = 16{,}4 + 9{,}5 = 25{,}9\ \mathrm{kg/s}\ \checkmark

Conferência — com líquidos, as vazões volumétricas se somam ✔ o diâmetro tem de ir para área, com o πd2/4\pi d^2/4 ✔ ρ3\rho_3 tem de ficar entre as duas massas específicas de entrada ✔ a vazão mássica calculada pela saída tem de bater com a soma das entradas ✔

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Questão 442º EE2023.2 · 2ª chamadaMáquina hidráulica · Ferro fundido, tubo estreito e 8 kW de turbina3,0 ptsVer material

Considere o sistema de escoamento de água (ρ=1000 kg/m3\rho = 1000\ \mathrm{kg/m^3}; μ=0,001 Pa⋅s\mu = 0{,}001\ \mathrm{Pa\cdot s}) apresentado na figura. Um tanque de grandes dimensões (1) está conectado a uma máquina que descarrega água no ponto (2) com uma vazão de 0,05 m3/s0{,}05\ \mathrm{m^3/s}, constante ao longo de toda a tubulação. A tubulação de ferro fundido (iron, cast) tem diâmetro de 15 cm15\ \mathrm{cm}.

a) Se a máquina é uma bomba ou uma turbina.

b) A potência ideal da máquina.

Dados: g=10 m/s2g = 10\ \mathrm{m/s^2}; kjoelho=0,55k_{\text{joelho}} = 0{,}55; kvaˊlvula=1,85k_{\text{válvula}} = 1{,}85; para ferro fundido, ε=0,15 mm\varepsilon = 0{,}15\ \mathrm{mm}.

①15,0 m5,0 m10,0 m2,0 mbomba ou turbina?4,0 mválvula3,0 m5,0 m5,0 m②4 joelhos (○)tubulação de ferro fundido · d = 15 cm

Mesmo traçado da prova de 2022.1 — sete trechos somando 34 m34\ \mathrm{m}, quatro joelhos e uma válvula. O que muda são o diâmetro, o material e a vazão.

Gabarito
A=πd24=1,767×10−2 m2v=QA=2,829 m/sv22g=0,400 mA = \frac{\pi d^2}{4} = 1{,}767\times10^{-2}\ \mathrm{m^2} \qquad v = \frac{Q}{A} = 2{,}829\ \mathrm{m/s} \qquad \frac{v^2}{2g} = 0{,}400\ \mathrm{m}Re=ρvdμ=4,24×105 (turbulento)εd=0,001⟹f=0,02Re = \frac{\rho v d}{\mu} = 4{,}24\times10^{5}\ \text{(turbulento)} \qquad \frac{\varepsilon}{d} = 0{,}001 \qquad\Longrightarrow\qquad f = 0{,}02hpd=1,815 mhpl=1,621 mhp=3,436 mh_{pd} = 1{,}815\ \mathrm{m} \qquad h_{pl} = 1{,}621\ \mathrm{m} \qquad h_p = 3{,}436\ \mathrm{m}

a)

M=v222g+y2+hp−y1=0,400+5+3,436−25=−16,16 m⟹turbinaM = \frac{v_2^2}{2g} + y_2 + h_p - y_1 = 0{,}400 + 5 + 3{,}436 - 25 = \mathbf{-16{,}16\ m} \qquad\Longrightarrow\qquad \textbf{turbina}

b)

NT=ρ Q g ∣M∣=1000×0,05×10×16,16≈8,08 kWN_T = \rho\,Q\,g\,|M| = 1000 \times 0{,}05 \times 10 \times 16{,}16 \approx \mathbf{8{,}08\ kW}
Passo a passo

Passo 1 — velocidade e carga cinética.

A=π(0,15)24=1,767×10−2 m2v=0,051,767×10−2=2,829 m/sA = \frac{\pi (0{,}15)^2}{4} = 1{,}767\times10^{-2}\ \mathrm{m^2} \qquad v = \frac{0{,}05}{1{,}767\times10^{-2}} = 2{,}829\ \mathrm{m/s}v22g=2,82922×10=8,00320=0,400 m\frac{v^2}{2g} = \frac{2{,}829^2}{2 \times 10} = \frac{8{,}003}{20} = 0{,}400\ \mathrm{m}

Passo 2 — o regime e o fator de atrito, no Moody.

Re=ρ v dμ=1000×2,829×0,150,001=4,24×105Re = \frac{\rho\,v\,d}{\mu} = \frac{1000 \times 2{,}829 \times 0{,}15}{0{,}001} = 4{,}24\times10^{5}

Turbulento. E a rugosidade relativa do ferro fundido:

εd=1,5×10−40,15=1,0×10−3⟹f≈0,02\frac{\varepsilon}{d} = \frac{1{,}5\times10^{-4}}{0{,}15} = 1{,}0\times10^{-3} \qquad\Longrightarrow\qquad f \approx 0{,}02

Passo 3 — a perda distribuída, com L=34 mL = 34\ \mathrm{m}. Somando os sete trechos da figura: 5+10+2+4+3+5+5=34 m5 + 10 + 2 + 4 + 3 + 5 + 5 = 34\ \mathrm{m}.

hpd=f Ld v22g=0,02×340,15×0,400=0,02×226,7×0,400=1,815 mh_{pd} = f\,\frac{L}{d}\,\frac{v^2}{2g} = 0{,}02 \times \frac{34}{0{,}15} \times 0{,}400 = 0{,}02 \times 226{,}7 \times 0{,}400 = 1{,}815\ \mathrm{m}

Passo 4 — as perdas localizadas. Quatro joelhos e uma válvula:

hpl=(4kj+kv)v22g=(4×0,55+1,85)×0,400=4,05×0,400=1,621 mh_{pl} = \left(4k_j + k_v\right)\frac{v^2}{2g} = (4 \times 0{,}55 + 1{,}85) \times 0{,}400 = 4{,}05 \times 0{,}400 = 1{,}621\ \mathrm{m}hp=1,815+1,621=3,436 mh_p = 1{,}815 + 1{,}621 = 3{,}436\ \mathrm{m}

Passo 5 — a equação da energia com máquina. Do tanque (1) até a descarga livre (2):

p1ρg+v122g+y1+M=p2ρg+v222g+y2+hp\frac{p_1}{\rho g} + \frac{v_1^2}{2g} + y_1 + M = \frac{p_2}{\rho g} + \frac{v_2^2}{2g} + y_2 + h_p

Com p1=p2=patmp_1 = p_2 = p_{atm}, v1≈0v_1 \approx 0 (grandes dimensões) e v2=vv_2 = v (descarga livre):

M=v22g+y2+hp−y1=0,400+5+3,436−25=−16,164 mM = \frac{v^2}{2g} + y_2 + h_p - y_1 = 0{,}400 + 5 + 3{,}436 - 25 = -16{,}164\ \mathrm{m}

Passo 6 — item (a): o sinal. M<0M < 0: a máquina retira carga. É uma turbina.

Passo 7 — item (b): a potência ideal. O item pede a ideal, então não entra rendimento:

NT=ρ Q g ∣M∣=1000×0,05×10×16,164=8082 W≈8,08 kWN_T = \rho\,Q\,g\,|M| = 1000 \times 0{,}05 \times 10 \times 16{,}164 = 8082\ \mathrm{W} \approx 8{,}08\ \mathrm{kW}

Conferência — ε\varepsilon do ferro fundido, 0,15 mm0{,}15\ \mathrm{mm} ✔ L=34 mL = 34\ \mathrm{m}, somando os sete trechos ✔ descarga livre mantém v2/2gv^2/2g ✔ MM negativo é turbina ✔ o item pede a potência ideal, então nada de rendimento ✔

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Questão 452º EE2023.2 · 2ª chamadaForno · Duas camadas de tijolo com convecção nos dois lados3,0 ptsVer material

Considere um forno cuja parede é constituída de duas camadas adjacentes: a interna de 0,22 m0{,}22\ \mathrm{m} de espessura de tijolo refratário (k1=1,5 W/(m⋅∘C)k_1 = 1{,}5\ \mathrm{W/(m\cdot{}^\circ C)}) e a externa de 0,15 m0{,}15\ \mathrm{m} de espessura de tijolo isolante (k2=0,35 W/(m⋅∘C)k_2 = 0{,}35\ \mathrm{W/(m\cdot{}^\circ C)}). A temperatura dos gases dentro do forno (hint=45 W/(m2⋅∘C)h_{int} = 45\ \mathrm{W/(m^2\cdot{}^\circ C)}) é 1200 ∘C1200\ ^\circ\mathrm{C}, enquanto a temperatura dos gases fora do forno (hext=16,5 W/(m2⋅∘C)h_{ext} = 16{,}5\ \mathrm{W/(m^2\cdot{}^\circ C)}) é 25 ∘C25\ ^\circ\mathrm{C}. A área lateral da parede é de 10 m210\ \mathrm{m^2}. Desprezando a resistência térmica das juntas entre os tijolos, determine:

a) (1,5 pontos) A taxa de calor transferida no sistema.

b) (1,5 pontos) As temperaturas na face interna, entre camadas e face externa da parede.

refratáriok₁ = 1,5isolantek₂ = 0,35dentro do forno1200 °Ch int = 45fora do forno25 °Ch ext = 16,5qT₂T₃T₄0,22 m0,15 mA = 10 m²

Quatro resistências em série: convecção interna, refratário, isolante e convecção externa.

Gabarito

a)

q=T1−T51hintA+L1k1A+L2k2A+1hextA=1200−250,002222+0,014667+0,042857+0,006061q = \frac{T_1 - T_5}{\dfrac{1}{h_{int}A} + \dfrac{L_1}{k_1 A} + \dfrac{L_2}{k_2 A} + \dfrac{1}{h_{ext}A}} = \frac{1200 - 25}{0{,}002222 + 0{,}014667 + 0{,}042857 + 0{,}006061}q=11750,065806≈1,786×104 W=17,9 kWq = \frac{1175}{0{,}065806} \approx \mathbf{1{,}786\times10^{4}\ W} = 17{,}9\ \mathrm{kW}

b)

T2=1200−qhintA≈1160 ∘CT_2 = 1200 - \frac{q}{h_{int}A} \approx \mathbf{1160\ ^\circ C}T3=T2−q L1k1A≈898 ∘CT_3 = T_2 - \frac{q\,L_1}{k_1 A} \approx \mathbf{898\ ^\circ C}T4=T3−q L2k2A≈133 ∘CT_4 = T_3 - \frac{q\,L_2}{k_2 A} \approx \mathbf{133\ ^\circ C}
Passo a passo

Passo 1 — as quatro resistências, todas com a mesma área.

Rint=1hintA=145×10=0,002222 ∘C/WR_{int} = \frac{1}{h_{int}A} = \frac{1}{45 \times 10} = 0{,}002222\ ^\circ\mathrm{C/W}R1=L1k1A=0,221,5×10=0,014667 ∘C/WR_1 = \frac{L_1}{k_1 A} = \frac{0{,}22}{1{,}5 \times 10} = 0{,}014667\ ^\circ\mathrm{C/W}R2=L2k2A=0,150,35×10=0,042857 ∘C/WR_2 = \frac{L_2}{k_2 A} = \frac{0{,}15}{0{,}35 \times 10} = 0{,}042857\ ^\circ\mathrm{C/W}Rext=1hextA=116,5×10=0,006061 ∘C/WR_{ext} = \frac{1}{h_{ext}A} = \frac{1}{16{,}5 \times 10} = 0{,}006061\ ^\circ\mathrm{C/W}Rtotal=0,065806 ∘C/WR_{total} = 0{,}065806\ ^\circ\mathrm{C/W}

Passo 2 — a taxa de calor, item (a).

q=T1−T5Rtotal=1200−250,065806=11750,065806=17 855 Wq = \frac{T_1 - T_5}{R_{total}} = \frac{1200 - 25}{0{,}065806} = \frac{1175}{0{,}065806} = 17\,855\ \mathrm{W}

ou 1,786×104 W1{,}786\times10^4\ \mathrm{W}, cerca de 18 kW18\ \mathrm{kW} escapando pela parede.

Passo 3 — as três temperaturas, item (b). Uma resistência por vez, sempre no sentido do fluxo (de dentro para fora):

T2=T1−q Rint=1200−17 855×0,002222=1200−39,7=1160 ∘CT_2 = T_1 - q\,R_{int} = 1200 - 17\,855 \times 0{,}002222 = 1200 - 39{,}7 = 1160\ ^\circ\mathrm{C}T3=T2−q R1=1160−17 855×0,014667=1160−261,8=898 ∘CT_3 = T_2 - q\,R_1 = 1160 - 17\,855 \times 0{,}014667 = 1160 - 261{,}8 = 898\ ^\circ\mathrm{C}T4=T3−q R2=898−17 855×0,042857=898−765,2=133 ∘CT_4 = T_3 - q\,R_2 = 898 - 17\,855 \times 0{,}042857 = 898 - 765{,}2 = 133\ ^\circ\mathrm{C}

Passo 4 — a conferência pelo lado de fora.

T4−T5=q Rext=17 855×0,006061=108,2 ∘C⟹T4=25+108,2=133,2 ∘C ✓T_4 - T_5 = q\,R_{ext} = 17\,855 \times 0{,}006061 = 108{,}2\ ^\circ\mathrm{C} \qquad\Longrightarrow\qquad T_4 = 25 + 108{,}2 = 133{,}2\ ^\circ\mathrm{C}\ \checkmark

Passo 5 — a leitura do projeto.

resistênciavalor [∘C/W][^\circ\mathrm{C/W}]fraçãoΔT\Delta T [∘C][^\circ\mathrm{C}]
convecção interna0,0022220{,}0022223,4 %3{,}4\ \%39,739{,}7
refratário0,0146670{,}01466722,3 %22{,}3\ \%261,8261{,}8
isolante0,0428570{,}04285765,1 %\mathbf{65{,}1\ \%}765,2765{,}2
convecção externa0,0060610{,}0060619,2 %9{,}2\ \%108,2108{,}2
total0,0658060{,}065806100 %100\ \%1175\mathbf{1175}

As quatro quedas somam 1175 ∘C1175\ ^\circ\mathrm{C} ✔

E o projeto da parede fica evidente: o refratário por dentro existe para aguentar os 1200 ∘C1200\ ^\circ\mathrm{C} (é o que o nome diz), e é ele quem derruba a temperatura de 11601160 para 898 ∘C898\ ^\circ\mathrm{C}; o isolante por fora, com kk quatro vezes menor, é quem faz o trabalho térmico, derrubando de 898898 para 133 ∘C133\ ^\circ\mathrm{C}.

Conferência — as quatro resistências com a mesma área, 10 m210\ \mathrm{m^2} ✔ o item (a) pede taxa (watt), não densidade ✔ as espessuras já vêm em metros ✔ as quatro quedas somam 1175 ∘C1175\ ^\circ\mathrm{C} ✔ T4T_4 conferido pelos dois caminhos ✔

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Questão 462º EE2023.2 · 2ª chamadaFluxos de massa · Perfil linear com C constante, na saída3,0 ptsVer material

Considere a transferência de massa de uma mistura entre duas espécies, AA e BB, ao longo de um tubo. Na entrada, a concentração total da mistura é de 500 mol/m3500\ \mathrm{mol/m^3} e 40 %40\ \% em mol dessa mistura é da espécie AA. Na saída, a concentração total é mantida constante e 55 %55\ \% em mol dessa mistura é da espécie BB. A mistura escoa com velocidade constante de 5,0 m/s5{,}0\ \mathrm{m/s}. O comprimento do tubo é de 2,0 m2{,}0\ \mathrm{m} e o coeficiente de difusão binária é de 5,0×10−2 m2/s5{,}0\times10^{-2}\ \mathrm{m^2/s}.

Determine para AA e para BB as densidades (taxa por unidade de área) de fluxo difusivo e convectivo na saída do tubo. Admita regime unidimensional permanente, sem reação química e com perfil linear de concentração.

Gabarito

Entrada: CEA=200C_{EA} = 200, CEB=300C_{EB} = 300. Saída: CSA=225C_{SA} = 225, CSB=275 mol/m3C_{SB} = 275\ \mathrm{mol/m^3}.

CA(x)=12,5 x+200CB(x)=−12,5 x+300C_A(x) = 12{,}5\,x + 200 \qquad\qquad C_B(x) = -12{,}5\,x + 300
difusivo J′′J''convectivo N′′N''
AA−0,625\mathbf{-0{,}625}1125\mathbf{1125}
BB+0,625\mathbf{+0{,}625}1375\mathbf{1375}

tudo em mol/(m2⋅s)\mathrm{mol/(m^2 \cdot s)}.

Passo a passo

Passo 1 — completar as frações e achar as concentrações. A concentração total é a mesma nas duas pontas (500 mol/m3500\ \mathrm{mol/m^3}), porque o enunciado diz que ela é mantida constante.

xEA=0,40⇒xEB=0,60xSB=0,55⇒xSA=0,45x_{EA} = 0{,}40 \Rightarrow x_{EB} = 0{,}60 \qquad\qquad x_{SB} = 0{,}55 \Rightarrow x_{SA} = 0{,}45CEA=0,40×500=200CEB=0,60×500=300C_{EA} = 0{,}40 \times 500 = 200 \qquad C_{EB} = 0{,}60 \times 500 = 300CSA=0,45×500=225CSB=0,55×500=275C_{SA} = 0{,}45 \times 500 = 225 \qquad C_{SB} = 0{,}55 \times 500 = 275

em mol/m3\mathrm{mol/m^3}. Cada par soma 500500 ✔

Passo 2 — montar o perfil linear pelas condições de contorno. O enunciado pede perfil linear, isto é, C(x)=C1x+C2C(x) = C_1 x + C_2. Duas condições, duas constantes:

Em x=0x = 0:

CA(0)=C1A(0)+C2A=C2A=CEA=200 mol/m3C_A(0) = C_{1A}(0) + C_{2A} = C_{2A} = C_{EA} = 200\ \mathrm{mol/m^3}

Em x=L=2,0 mx = L = 2{,}0\ \mathrm{m}:

CSA=C1AL+CEA⟹C1A=CSA−CEAL=225−2002,0=12,5 mol/m4C_{SA} = C_{1A}L + C_{EA} \qquad\Longrightarrow\qquad C_{1A} = \frac{C_{SA} - C_{EA}}{L} = \frac{225 - 200}{2{,}0} = 12{,}5\ \mathrm{mol/m^4}CA(x)=12,5 x+200⟹dCAdx=12,5 mol/m4C_A(x) = 12{,}5\,x + 200 \qquad\Longrightarrow\qquad \frac{dC_A}{dx} = 12{,}5\ \mathrm{mol/m^4}

Para BB, do mesmo modo:

C2B=300C1B=275−3002,0=−12,5 mol/m4C_{2B} = 300 \qquad C_{1B} = \frac{275 - 300}{2{,}0} = -12{,}5\ \mathrm{mol/m^4}CB(x)=−12,5 x+300C_B(x) = -12{,}5\,x + 300

Passo 3 — os fluxos difusivos. O gradiente é constante, então valem em qualquer posição, inclusive na saída:

JA′′=−DAB dCAdx=−5,0×10−2×12,5=−0,625 mol/(m2s)J''_A = -D_{AB}\,\frac{dC_A}{dx} = -5{,}0\times10^{-2} \times 12{,}5 = -0{,}625\ \mathrm{mol/(m^2 s)}JB′′=−5,0×10−2×(−12,5)=+0,625 mol/(m2s)J''_B = -5{,}0\times10^{-2} \times (-12{,}5) = +0{,}625\ \mathrm{mol/(m^2 s)}JA′′=−JB′′ ✓J''_A = -J''_B\ \checkmark

JA′′J''_A é negativo porque AA ganha concentração ao longo do tubo (200→225200 \to 225): ele difunde da saída para a entrada, contra o escoamento. E BB, que perde (300→275300 \to 275), difunde no sentido do escoamento.

Passo 4 — os fluxos convectivos, na saída.

NA′′=CSA v=225×5,0=1125 mol/(m2s)N''_A = C_{SA}\,v = 225 \times 5{,}0 = 1125\ \mathrm{mol/(m^2 s)}NB′′=CSB v=275×5,0=1375 mol/(m2s)N''_B = C_{SB}\,v = 275 \times 5{,}0 = 1375\ \mathrm{mol/(m^2 s)}

Confira: NA′′+NB′′=2500=C v=500×5N''_A + N''_B = 2500 = C\,v = 500 \times 5 ✔

Passo 5 — a ordem de grandeza. O convectivo é 1800 vezes o difusivo. A difusão, aqui, é um ajuste fino: transfere 0,625 mol/(m2s)0{,}625\ \mathrm{mol/(m^2s)} de BB para a frente e a mesma quantidade de AA para trás, dentro de uma corrente que carrega 25002500.

Conferência — a fração da saída é de BB ✔ a concentração total é a mesma nas duas pontas ✔ os difusivos saem opostos ✔ o convectivo usa a concentração da saída e a soma dá C vC\,v ✔ JA′′<0J''_A < 0 é correto aqui, porque AA cresce para a frente ✔

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Questão 472º EE2022.2Parede composta · Como o fluxo se divide entre dois ramos em paralelo2,5 ptsVer material

Considere a parede composta apresentada na figura, com fluidos distintos escoando de cada lado.

Dados: T∞,1=300 KT_{\infty,1} = 300\ \mathrm{K}; T∞,2=500 KT_{\infty,2} = 500\ \mathrm{K}; A1=4,0 m2A_1 = 4{,}0\ \mathrm{m^2}; A2=2,5 m2A_2 = 2{,}5\ \mathrm{m^2}; A4=1,0 m2A_4 = 1{,}0\ \mathrm{m^2}; L1=0,2 mL_1 = 0{,}2\ \mathrm{m}; L2=0,4 mL_2 = 0{,}4\ \mathrm{m}; L3=0,5 mL_3 = 0{,}5\ \mathrm{m}; k1=1,0k_1 = 1{,}0; k2=0,8k_2 = 0{,}8; k3=1,5k_3 = 1{,}5; k4=0,7k_4 = 0{,}7; k5=0,5 W/(m⋅K)k_5 = 0{,}5\ \mathrm{W/(m\cdot K)}; hA=1,3h_A = 1{,}3; hB=3,1 W/(m2⋅K)h_B = 3{,}1\ \mathrm{W/(m^2\cdot K)}.

Determine:

a) (1,5 pts.) As temperaturas T3T_3 e T4T_4.

b) (1,0 pt.) O fluxo de calor que passa através das paredes (4)(4) e (5)(5).

(1)k=1,0(2)k=0,8 · A=2,5(3)k=1,5 · A=1,5(4)k=0,7 · A=1,0(5)k=0,5 · A=3,0hA = 1,3T∞,1 = 300 KhB = 3,1T∞,2 = 500 KT₁T₂L₁=0,2L₂=0,4L₃=0,5área total da parede: A₁ = 4,0 m²

A mesma parede da prova de 2022.1 — mas agora o que se pede são as temperaturas do outro lado, T3T_3 e T4T_4, e como o fluxo se divide entre (4)(4) e (5)(5).

Gabarito

O circuito é o mesmo da prova de 2022.1, e o fluxo total também:

RT=0,6443 K/Wq=500−3000,6443=310,4 WR_T = 0{,}6443\ \mathrm{K/W} \qquad q = \frac{500 - 300}{0{,}6443} = 310{,}4\ \mathrm{W}

a) Caminhando do fluido B para dentro (é dele que o calor vem):

T4=T∞,2−q RconvB=500−310,4×0,0806≈475,0 KT_4 = T_{\infty,2} - q\,R_{convB} = 500 - 310{,}4 \times 0{,}0806 \approx \mathbf{475{,}0\ K}T3=T4−q Req,2=475,0−310,4×0,2273≈404,4 KT_3 = T_4 - q\,R_{eq,2} = 475{,}0 - 310{,}4 \times 0{,}2273 \approx \mathbf{404{,}4\ K}

b) Os dois ramos em paralelo estão sob a mesma diferença T3−T4T_3 - T_4:

q4=T3−T4R4=−70,550,7143≈−98,8 Wq5=−70,550,3333≈−211,6 Wq_4 = \frac{T_3 - T_4}{R_4} = \frac{-70{,}55}{0{,}7143} \approx \mathbf{-98{,}8\ W} \qquad q_5 = \frac{-70{,}55}{0{,}3333} \approx \mathbf{-211{,}6\ W}

Em módulo, 98,8+211,6=310,4 W98{,}8 + 211{,}6 = 310{,}4\ \mathrm{W} — o fluxo total ✔ O sinal negativo diz que o calor vai de (4)(4)/(5)(5) para dentro, isto é, no sentido do lado quente para o frio.

Passo a passo

Passo 1 — o circuito, que é o mesmo de 2022.1. As resistências não mudam, então vale reaproveitar:

A3=A1−A2=1,5 m2A5=A1−A4=3,0 m2A_3 = A_1 - A_2 = 1{,}5\ \mathrm{m^2} \qquad A_5 = A_1 - A_4 = 3{,}0\ \mathrm{m^2}RconvA=0,1923R1=0,05R2=0,2R3=0,1778R4=0,7143R5=0,3333RconvB=0,0806R_{convA} = 0{,}1923 \quad R_1 = 0{,}05 \quad R_2 = 0{,}2 \quad R_3 = 0{,}1778 \quad R_4 = 0{,}7143 \quad R_5 = 0{,}3333 \quad R_{convB} = 0{,}0806Req,1=R2R3R2+R3=0,0941Req,2=R4R5R4+R5=0,2273R_{eq,1} = \frac{R_2 R_3}{R_2 + R_3} = 0{,}0941 \qquad R_{eq,2} = \frac{R_4 R_5}{R_4 + R_5} = 0{,}2273RT=0,1923+0,05+0,0941+0,2273+0,0806=0,6443 K/WR_T = 0{,}1923 + 0{,}05 + 0{,}0941 + 0{,}2273 + 0{,}0806 = 0{,}6443\ \mathrm{K/W}q=ΔTRT=500−3000,6443=310,4 Wq = \frac{\Delta T}{R_T} = \frac{500 - 300}{0{,}6443} = 310{,}4\ \mathrm{W}

Passo 2 — item (a): caminhar do lado quente. O calor entra pelo lado BB (500 K500\ \mathrm{K}), então, indo no sentido do fluxo, a temperatura cai:

T4=T∞,2−q RconvB=500−310,4×0,0806=500−25,0=475,0 KT_4 = T_{\infty,2} - q\,R_{convB} = 500 - 310{,}4 \times 0{,}0806 = 500 - 25{,}0 = 475{,}0\ \mathrm{K}T3=T4−q Req,2=475,0−310,4×0,2273=475,0−70,6=404,4 KT_3 = T_4 - q\,R_{eq,2} = 475{,}0 - 310{,}4 \times 0{,}2273 = 475{,}0 - 70{,}6 = 404{,}4\ \mathrm{K}

Passo 3 — item (b): como o paralelo divide o fluxo. Este é o ponto novo da questão. Em paralelo, os dois ramos estão sob a mesma diferença de temperatura:

ΔTeq,2=T3−T4=404,4−475,0=−70,6 K\Delta T_{eq,2} = T_3 - T_4 = 404{,}4 - 475{,}0 = -70{,}6\ \mathrm{K}

e cada um leva a parcela que a sua resistência permite:

q4=T3−T4R4=−70,550,7143=−98,8 Wq_4 = \frac{T_3 - T_4}{R_4} = \frac{-70{,}55}{0{,}7143} = -98{,}8\ \mathrm{W}q5=T3−T4R5=−70,550,3333=−211,6 Wq_5 = \frac{T_3 - T_4}{R_5} = \frac{-70{,}55}{0{,}3333} = -211{,}6\ \mathrm{W}

O sinal negativo é consequência de a numeração ir do lado frio para o quente: o calor flui no sentido contrário, de (4)(4)/(5)(5) para (1)(1). Em módulo, o que importa é a repartição.

Passo 4 — a conferência, que é obrigatória aqui.

∣q4∣+∣q5∣=98,8+211,6=310,4 W=q ✓|q_4| + |q_5| = 98{,}8 + 211{,}6 = 310{,}4\ \mathrm{W} = q\ \checkmark

Todo o fluxo que atravessa a parede se divide entre os dois ramos — nada se cria nem se perde no nó.

Passo 5 — por que a divisão é desigual. A parcela de cada ramo é inversamente proporcional à sua resistência:

q5q4=R4R5=0,71430,3333=2,14⟹211,698,8=2,14 ✓\frac{q_5}{q_4} = \frac{R_4}{R_5} = \frac{0{,}7143}{0{,}3333} = 2{,}14 \qquad\Longrightarrow\qquad \frac{211{,}6}{98{,}8} = 2{,}14\ \checkmark

O material (5)(5) leva duas vezes mais calor que o (4)(4). Duas razões somadas: a área é o triplo (3,03{,}0 contra 1,0 m21{,}0\ \mathrm{m^2}) — o que puxa a favor de (5)(5) —, mas a condutividade é menor (0,50{,}5 contra 0,70{,}7) — o que puxa contra. O saldo dá 2,142{,}14.

Conferência — o qq total é o mesmo da prova de 2022.1 ✔ para achar T3T_3 e T4T_4 caminha-se do lado quente ✔ os dois ramos em paralelo compartilham o mesmo ΔT\Delta T ✔ os fluxos dos ramos somam o total ✔ o ramo de menor resistência leva mais calor ✔

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Questão 482º EE2022.2Esfera · Achar o h externo a partir do raio crítico2,5 ptsVer material

Considere uma esfera de um material AA (homogênea e de temperatura constante), recoberta por uma camada de um material BB, recoberta novamente com uma camada de um isolante térmico. Na parte externa da esfera, um fluido escoa fazendo convecção.

Dados: T1=250 KT_1 = 250\ \mathrm{K}; T∞=400 KT_\infty = 400\ \mathrm{K}; r1=5 cmr_1 = 5\ \mathrm{cm}; r2=8 cmr_2 = 8\ \mathrm{cm}; r3=10 cmr_3 = 10\ \mathrm{cm}; kB=4,0 W/(m⋅K)k_B = 4{,}0\ \mathrm{W/(m\cdot K)}; kiso=0,7 W/(m⋅K)k_{iso} = 0{,}7\ \mathrm{W/(m\cdot K)}; rc=23 cmr_c = 23\ \mathrm{cm}.

Determine:

a) (0,5 pts.) O coeficiente de transferência de calor por convecção do fluido externo, heh_e.

b) (1,0 pt.) O fluxo de calor através do sistema.

c) (1,0 pt.) As temperaturas na interface entre o material BB e o isolante térmico e na superfície externa do isolante térmico.

AT₁Bisolanter₁r₂r₃he , T∞

Aqui o heh_e não é dado: quem é dado é o raio crítico, rc=23 cmr_c = 23\ \mathrm{cm}. O item (a) inverte a fórmula do crítico para achar o coeficiente de convecção.

Gabarito

a) Invertendo a fórmula do raio crítico para esfera:

rc=2 kisohe⟹he=2 kisorc=2×0,70,23≈6,087 W/(m2⋅K)r_c = \frac{2\,k_{iso}}{h_e} \qquad\Longrightarrow\qquad h_e = \frac{2\,k_{iso}}{r_c} = \frac{2 \times 0{,}7}{0{,}23} \approx \mathbf{6{,}087\ W/(m^2 \cdot K)}

b)

RB=0,1492Riso=0,2842Rconv=1he 4πr32=1,3073RT=1,7408 K/WR_B = 0{,}1492 \qquad R_{iso} = 0{,}2842 \qquad R_{conv} = \frac{1}{h_e\,4\pi r_3^2} = 1{,}3073 \qquad R_T = 1{,}7408\ \mathrm{K/W}q=250−4001,7408≈−86,2 Wq = \frac{250 - 400}{1{,}7408} \approx \mathbf{-86{,}2\ W}

Negativo: o calor entra na esfera, porque o fluido externo está mais quente.

c)

T2=T1−q RB≈262,9 KT3=T2−q Riso≈287,3 KT_2 = T_1 - q\,R_B \approx \mathbf{262{,}9\ K} \qquad\qquad T_3 = T_2 - q\,R_{iso} \approx \mathbf{287{,}3\ K}
Passo a passo

Passo 1 — item (a): a fórmula do raio crítico, usada ao contrário. Nas outras provas, heh_e era dado e rcr_c era a incógnita. Aqui é o inverso — e é por isso que este item vale meio ponto: é uma linha.

rc=2 kisohe⟹he=2 kisorcr_c = \frac{2\,k_{iso}}{h_e} \qquad\Longrightarrow\qquad h_e = \frac{2\,k_{iso}}{r_c}he=2×0,70,23=1,40,23=6,087 W/(m2⋅K)h_e = \frac{2 \times 0{,}7}{0{,}23} = \frac{1{,}4}{0{,}23} = 6{,}087\ \mathrm{W/(m^2\cdot K)}

Passo 2 — as três resistências, item (b). Raios em metros: r1=0,05r_1 = 0{,}05, r2=0,08r_2 = 0{,}08, r3=0,10r_3 = 0{,}10.

RB=1/r1−1/r24πkB=20−12,54π×4,0=7,550,27=0,1492 K/WR_B = \frac{1/r_1 - 1/r_2}{4\pi k_B} = \frac{20 - 12{,}5}{4\pi \times 4{,}0} = \frac{7{,}5}{50{,}27} = 0{,}1492\ \mathrm{K/W}Riso=1/r2−1/r34πkiso=12,5−104π×0,7=2,58,796=0,2842 K/WR_{iso} = \frac{1/r_2 - 1/r_3}{4\pi k_{iso}} = \frac{12{,}5 - 10}{4\pi \times 0{,}7} = \frac{2{,}5}{8{,}796} = 0{,}2842\ \mathrm{K/W}Rconv=1he 4πr32=16,087×4π(0,10)2=10,7649=1,3073 K/WR_{conv} = \frac{1}{h_e\,4\pi r_3^2} = \frac{1}{6{,}087 \times 4\pi (0{,}10)^2} = \frac{1}{0{,}7649} = 1{,}3073\ \mathrm{K/W}RT=0,1492+0,2842+1,3073=1,7408 K/WR_T = 0{,}1492 + 0{,}2842 + 1{,}3073 = 1{,}7408\ \mathrm{K/W}

Passo 3 — o fluxo, e o seu sinal.

q=T1−T∞RT=250−4001,7408=−1501,7408=−86,2 Wq = \frac{T_1 - T_\infty}{R_T} = \frac{250 - 400}{1{,}7408} = \frac{-150}{1{,}7408} = -86{,}2\ \mathrm{W}

Negativo: com T∞=400 KT_\infty = 400\ \mathrm{K} contra T1=250 KT_1 = 250\ \mathrm{K}, é o fluido que aquece a esfera. Em módulo, 86,2 W86{,}2\ \mathrm{W} entrando.

Passo 4 — item (c): as temperaturas das interfaces.

T2=T1−q RB=250−(−86,2)(0,1492)=250+12,9=262,9 KT_2 = T_1 - q\,R_B = 250 - (-86{,}2)(0{,}1492) = 250 + 12{,}9 = 262{,}9\ \mathrm{K}T3=T2−q Riso=262,9−(−86,2)(0,2842)=262,9+24,5=287,3 KT_3 = T_2 - q\,R_{iso} = 262{,}9 - (-86{,}2)(0{,}2842) = 262{,}9 + 24{,}5 = 287{,}3\ \mathrm{K}

As temperaturas crescem de dentro para fora, coerentemente com o calor entrando.

Passo 5 — a conferência pela convecção.

T3−T∞=q Rconv=−86,2×1,3073=−112,7 K⟹T3=400−112,7=287,3 K ✓T_3 - T_\infty = q\,R_{conv} = -86{,}2 \times 1{,}3073 = -112{,}7\ \mathrm{K} \qquad\Longrightarrow\qquad T_3 = 400 - 112{,}7 = 287{,}3\ \mathrm{K}\ \checkmark

Passo 6 — o que o raio crítico dado já anunciava. Com rc=23 cmr_c = 23\ \mathrm{cm} e r3=10 cmr_3 = 10\ \mathrm{cm}, o sistema está bem antes do crítico. E a tabela confirma o motivo:

| resistência | valor [K/W][\mathrm{K/W}] | fração | ∣ΔT∣|\Delta T| [K][\mathrm{K}] | |---|---|---|---| | condução em BB | 0,14920{,}1492 | 8,6 %8{,}6\ \% | 12,912{,}9 | | condução no isolante | 0,28420{,}2842 | 16,3 %16{,}3\ \% | 24,524{,}5 | | convecção externa | 1,30731{,}3073 | 75,1 %\mathbf{75{,}1\ \%} | 112,7112{,}7 | | total | 1,74081{,}7408 | 100 %100\ \% | 150,0\mathbf{150{,}0} |

Com heh_e baixo (pouco mais de 66), a convecção externa é o gargalo, e é por isso que aumentar a área externa — pondo mais isolante — ainda aumentaria a troca. Os itens (a) e (b) contam a mesma história por dois caminhos.

Conferência — o raio crítico da esfera leva o 2 no numerador, e aqui ele é invertido ✔ resistência esférica sem LL ✔ convecção com 4πr324\pi r_3^2 ✔ qq negativo, porque o fluido é o mais quente ✔ as quedas somam 150 K150\ \mathrm{K} ✔

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Questão 492º EE2022.2Fluxos de massa · A quinta versão, com A ganhando concentração2,0 ptsVer material

Considere a transferência de massa de uma mistura entre duas espécies, AA e BB, ao longo de um tubo. A concentração total da mistura é mantida constante, igual a 400 mol/m3400\ \mathrm{mol/m^3}. Na entrada, 20 %20\ \% em mol dessa mistura é da espécie AA, e na saída, 40 %40\ \% em mol dessa mistura é da espécie BB. A mistura escoa com velocidade de 2,0 m/s2{,}0\ \mathrm{m/s}. O comprimento do tubo é de 4,0 m4{,}0\ \mathrm{m} e o coeficiente de difusão binária é de 5,0×10−2 m2/s5{,}0\times10^{-2}\ \mathrm{m^2/s}.

Determine para AA e para BB as densidades de fluxo difusivo, convectivo e absoluto na saída do tubo. Admita regime permanente com perfil linear de concentração.

Gabarito

Entrada: CA1=80C_{A1} = 80, CB1=320C_{B1} = 320. Saída: CA2=240C_{A2} = 240, CB2=160 mol/m3C_{B2} = 160\ \mathrm{mol/m^3}.

difusivo J′′J''convectivo N′′N''absoluto
AA−2,0-2{,}0480480478\mathbf{478}
BB+2,0+2{,}0320320322\mathbf{322}

tudo em mol/(m2⋅s)\mathrm{mol/(m^2 \cdot s)}.

Passo a passo

Passo 1 — completar as frações.

xA1=0,20⇒xB1=0,80xB2=0,40⇒xA2=0,60x_{A1} = 0{,}20 \Rightarrow x_{B1} = 0{,}80 \qquad\qquad x_{B2} = 0{,}40 \Rightarrow x_{A2} = 0{,}60

Passo 2 — as concentrações, com C=400C = 400 nas duas pontas.

CA1=0,20×400=80CB1=0,80×400=320C_{A1} = 0{,}20 \times 400 = 80 \qquad C_{B1} = 0{,}80 \times 400 = 320CA2=0,60×400=240CB2=0,40×400=160C_{A2} = 0{,}60 \times 400 = 240 \qquad C_{B2} = 0{,}40 \times 400 = 160

em mol/m3\mathrm{mol/m^3}. Cada par soma 400400 ✔

Passo 3 — os gradientes.

dCAdx=240−804,0=+40 mol/m4dCBdx=160−3204,0=−40 mol/m4\frac{dC_A}{dx} = \frac{240 - 80}{4{,}0} = +40\ \mathrm{mol/m^4} \qquad \frac{dC_B}{dx} = \frac{160 - 320}{4{,}0} = -40\ \mathrm{mol/m^4}

Passo 4 — os fluxos difusivos.

JA′′=−DAB dCAdx=−5,0×10−2×(+40)=−2,0 mol/(m2s)J''_A = -D_{AB}\,\frac{dC_A}{dx} = -5{,}0\times10^{-2} \times (+40) = -2{,}0\ \mathrm{mol/(m^2 s)}JB′′=−5,0×10−2×(−40)=+2,0 mol/(m2s)J''_B = -5{,}0\times10^{-2} \times (-40) = +2{,}0\ \mathrm{mol/(m^2 s)}

JA′′=−JB′′J''_A = -J''_B ✔ (CC constante). E JA′′J''_A é negativo: AA está mais concentrado na saída, então difunde contra o escoamento.

Passo 5 — os fluxos convectivos, na saída.

NA′′=CA2 v=240×2,0=480 mol/(m2s)N''_A = C_{A2}\,v = 240 \times 2{,}0 = 480\ \mathrm{mol/(m^2 s)}NB′′=CB2 v=160×2,0=320 mol/(m2s)N''_B = C_{B2}\,v = 160 \times 2{,}0 = 320\ \mathrm{mol/(m^2 s)}

Confira: 480+320=800=C v=400×2480 + 320 = 800 = C\,v = 400 \times 2 ✔

Passo 6 — os absolutos.

NA,abs′′=−2,0+480=478 mol/(m2s)N''_{A,abs} = -2{,}0 + 480 = 478\ \mathrm{mol/(m^2 s)}NB,abs′′=+2,0+320=322 mol/(m2s)N''_{B,abs} = +2{,}0 + 320 = 322\ \mathrm{mol/(m^2 s)}

E a soma dos absolutos continua 800800 ✔ — a difusão apenas redistribui, sem alterar o transporte total.

Conferência — a fração da saída é de BB ✔ os difusivos saem opostos, porque CC é constante ✔ o convectivo usa a concentração da saída ✔ JA′′<0J''_A < 0 é correto, porque AA cresce para a frente ✔ os absolutos somam C v=800C\,v = 800 ✔

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Questão 502º EE2018.1Parede composta · Achar os dois coeficientes de convecção2,0 ptsVer material

Considere a parede composta apresentada na figura, com fluidos distintos escoando de cada lado.

Dados: T∞,1=50 ∘CT_{\infty,1} = 50\ ^\circ\mathrm{C}; T∞,2=20 ∘CT_{\infty,2} = 20\ ^\circ\mathrm{C}; A1=3,0 m2A_1 = 3{,}0\ \mathrm{m^2}; A2=1,0 m2A_2 = 1{,}0\ \mathrm{m^2}; L1=0,1 mL_1 = 0{,}1\ \mathrm{m}; L2=0,2 mL_2 = 0{,}2\ \mathrm{m}; L3=0,25 mL_3 = 0{,}25\ \mathrm{m}; q=40,0 Wq = 40{,}0\ \mathrm{W}; k1=1,0k_1 = 1{,}0; k2=0,8k_2 = 0{,}8; k3=1,5k_3 = 1{,}5; k4=0,5 W/(m⋅K)k_4 = 0{,}5\ \mathrm{W/(m\cdot K)}.

a) (1,0 pt.) Determine o coeficiente de transferência de calor por convecção de cada fluido, sabendo que o do fluido BB é 5 vezes maior do que o do fluido AA.

b) (1,0 pt.) Determine as temperaturas nas faces esquerda e direita da parede.

(1)k=1,0(2)k=0,8 · A=1,0(3)k=1,5 · A=2,0(4)k=0,5 · A=3,0fluido AT∞,1 = 50 °ChA = ?fluido BT∞,2 = 20 °ChB = 5 hAT₁T₄0,1 m0,2 m0,25 mq = 40,0 W (dado) · A₁ = 3,0 m²

O fluxo é dado e os dois coeficientes de convecção são a incógnita — ligados entre si pela relação hB=5 hAh_B = 5\,h_A.

Gabarito
RT=ΔTq=50−2040=0,75 ∘C/WR_T = \frac{\Delta T}{q} = \frac{50 - 20}{40} = 0{,}75\ ^\circ\mathrm{C/W}

As resistências de condução:

R1=0,0333Req=R2R3R2+R3=0,0526R4=0,1667∑Rcond=0,2526 ∘C/WR_1 = 0{,}0333 \qquad R_{eq} = \frac{R_2 R_3}{R_2 + R_3} = 0{,}0526 \qquad R_4 = 0{,}1667 \qquad \sum R_{cond} = 0{,}2526\ ^\circ\mathrm{C/W}

a) Sobrando para as convecções:

1hAA1+15hAA1=0,75−0,2526=0,4974⟹hA≈0,804 W/(m2⋅∘C)\frac{1}{h_A A_1} + \frac{1}{5h_A A_1} = 0{,}75 - 0{,}2526 = 0{,}4974 \qquad\Longrightarrow\qquad h_A \approx \mathbf{0{,}804\ W/(m^2\cdot{}^\circ C)}hB=5 hA≈4,02 W/(m2⋅∘C)h_B = 5\,h_A \approx \mathbf{4{,}02\ W/(m^2\cdot{}^\circ C)}

b)

T1=T∞,1−q RconvA=50−40×0,4145≈33,4 ∘CT_1 = T_{\infty,1} - q\,R_{convA} = 50 - 40 \times 0{,}4145 \approx \mathbf{33{,}4\ ^\circ C}T4=T∞,2+q RconvB=20+40×0,0829≈23,3 ∘CT_4 = T_{\infty,2} + q\,R_{convB} = 20 + 40 \times 0{,}0829 \approx \mathbf{23{,}3\ ^\circ C}
Passo a passo

Passo 1 — o problema é invertido: qq é dado. Com a taxa e as duas temperaturas dos fluidos, a resistência total já está determinada:

RT=T∞,1−T∞,2q=50−2040,0=0,75 ∘C/WR_T = \frac{T_{\infty,1} - T_{\infty,2}}{q} = \frac{50 - 20}{40{,}0} = 0{,}75\ ^\circ\mathrm{C/W}

Toda a questão é descontar dessa total o que se conhece e ver o que sobra para as convecções.

Passo 2 — as áreas e as resistências de condução.

A3=A1−A2=3,0−1,0=2,0 m2A_3 = A_1 - A_2 = 3{,}0 - 1{,}0 = 2{,}0\ \mathrm{m^2}R1=L1k1A1=0,11,0×3,0=0,0333 ∘C/WR_1 = \frac{L_1}{k_1 A_1} = \frac{0{,}1}{1{,}0 \times 3{,}0} = 0{,}0333\ ^\circ\mathrm{C/W}R2=L2k2A2=0,20,8×1,0=0,25R3=L2k3A3=0,21,5×2,0=0,0667R_2 = \frac{L_2}{k_2 A_2} = \frac{0{,}2}{0{,}8 \times 1{,}0} = 0{,}25 \qquad R_3 = \frac{L_2}{k_3 A_3} = \frac{0{,}2}{1{,}5 \times 2{,}0} = 0{,}0667Req=R2R3R2+R3=0,25×0,06670,3167=0,0526 ∘C/WR_{eq} = \frac{R_2 R_3}{R_2 + R_3} = \frac{0{,}25 \times 0{,}0667}{0{,}3167} = 0{,}0526\ ^\circ\mathrm{C/W}R4=L3k4A1=0,250,5×3,0=0,1667 ∘C/WR_4 = \frac{L_3}{k_4 A_1} = \frac{0{,}25}{0{,}5 \times 3{,}0} = 0{,}1667\ ^\circ\mathrm{C/W}∑Rcond=0,0333+0,0526+0,1667=0,2526 ∘C/W\sum R_{cond} = 0{,}0333 + 0{,}0526 + 0{,}1667 = 0{,}2526\ ^\circ\mathrm{C/W}

Passo 3 — item (a): o que sobra é das convecções.

RconvA+RconvB=RT−∑Rcond=0,75−0,2526=0,4974 ∘C/WR_{convA} + R_{convB} = R_T - \sum R_{cond} = 0{,}75 - 0{,}2526 = 0{,}4974\ ^\circ\mathrm{C/W}

E aqui entra a relação dada, hB=5 hAh_B = 5\,h_A, que reduz duas incógnitas a uma:

1hAA1+15hAA1=1hAA1(1+15)=1,2hAA1\frac{1}{h_A A_1} + \frac{1}{5h_A A_1} = \frac{1}{h_A A_1}\left(1 + \frac{1}{5}\right) = \frac{1{,}2}{h_A A_1}1,2hA×3,0=0,4974⟹hA=1,23,0×0,4974=0,40,4974=0,804 W/(m2⋅∘C)\frac{1{,}2}{h_A \times 3{,}0} = 0{,}4974 \qquad\Longrightarrow\qquad h_A = \frac{1{,}2}{3{,}0 \times 0{,}4974} = \frac{0{,}4}{0{,}4974} = 0{,}804\ \mathrm{W/(m^2\cdot{}^\circ C)}hB=5×0,804=4,02 W/(m2⋅∘C)h_B = 5 \times 0{,}804 = 4{,}02\ \mathrm{W/(m^2\cdot{}^\circ C)}

Passo 4 — item (b): as duas faces. Com hAh_A e hBh_B nas mãos:

RconvA=10,804×3,0=0,4145RconvB=14,02×3,0=0,0829 ∘C/WR_{convA} = \frac{1}{0{,}804 \times 3{,}0} = 0{,}4145 \qquad R_{convB} = \frac{1}{4{,}02 \times 3{,}0} = 0{,}0829\ ^\circ\mathrm{C/W}

Caminhando de cada fluido para a sua face:

T1=T∞,1−q RconvA=50−40×0,4145=50−16,6=33,4 ∘CT_1 = T_{\infty,1} - q\,R_{convA} = 50 - 40 \times 0{,}4145 = 50 - 16{,}6 = 33{,}4\ ^\circ\mathrm{C}T4=T∞,2+q RconvB=20+40×0,0829=20+3,3=23,3 ∘CT_4 = T_{\infty,2} + q\,R_{convB} = 20 + 40 \times 0{,}0829 = 20 + 3{,}3 = 23{,}3\ ^\circ\mathrm{C}

Passo 5 — a conferência pelas conduções. A diferença entre as faces tem de ser o que as camadas sólidas consomem:

T1−T4=33,4−23,3=10,1 ∘CT_1 - T_4 = 33{,}4 - 23{,}3 = 10{,}1\ ^\circ\mathrm{C}q ∑Rcond=40×0,2526=10,1 ∘C ✓q\,\sum R_{cond} = 40 \times 0{,}2526 = 10{,}1\ ^\circ\mathrm{C}\ \checkmark

Passo 6 — a leitura. As duas convecções somam 66 %66\ \% da resistência total, e a do fluido AA sozinha vale 55 %55\ \%:

resistênciavalor [∘C/W][^\circ\mathrm{C/W}]fraçãoΔT\Delta T [∘C][^\circ\mathrm{C}]
convecção A0,41450{,}414555,3 %\mathbf{55{,}3\ \%}16,616{,}6
camada (1)0,03330{,}03334,4 %4{,}4\ \%1,31{,}3
(2) ‖ (3)0,05260{,}05267,0 %7{,}0\ \%2,12{,}1
camada (4)0,16670{,}166722,2 %22{,}2\ \%6,76{,}7
convecção B0,08290{,}082911,1 %11{,}1\ \%3,33{,}3
total0,75000{,}7500100 %100\ \%30,0\mathbf{30{,}0}

O fluido AA, sendo cinco vezes mais lento em trocar calor, domina — e é por isso que a sua face fica bem mais longe da temperatura do fluido (16,616{,}6 contra 3,3 ∘C3{,}3\ ^\circ\mathrm{C} de queda).

Conferência — A3A_3 sai por diferença ✔ o paralelo é entre (2)(2) e (3)(3), que compartilham L2L_2 ✔ as convecções usam A1A_1, a área total ✔ a relação hB=5hAh_B = 5h_A é o que fecha o sistema ✔ as quedas somam 30 ∘C30\ ^\circ\mathrm{C} ✔

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Questão 512º EE2018.1Tubo · O perfil logarítmico e a temperatura no meio do raio2,5 ptsVer material

Considere um tubo cilíndrico de raios interno e externo de 10 cm10\ \mathrm{cm} e 20 cm20\ \mathrm{cm}, respectivamente, cuja face interna está mantida a 30 ∘C30\ ^\circ\mathrm{C}, enquanto que a face externa é mantida a 50 ∘C50\ ^\circ\mathrm{C}. O fluxo de calor acontece apenas no sentido radial e não há geração ou acúmulo de calor. Não há fluido escoando na parte interna ou externa ao tubo.

a) (1,0 pt.) Determine a temperatura no meio do raio do tubo.

b) (1,0 pt.) Determine a resistência e o fluxo de calor através do tubo. Dados: k=1,5 W/(m⋅K)k = 1{,}5\ \mathrm{W/(m\cdot K)}; L=5,0 mL = 5{,}0\ \mathrm{m}.

c) (0,5 pts.) Caso esse tubo fosse feito de um material isolante (kiso=0,5 W/(m⋅K)k_{iso} = 0{,}5\ \mathrm{W/(m\cdot K)}) e houvesse um fluido (he=5,0 W/(m2⋅K)h_e = 5{,}0\ \mathrm{W/(m^2\cdot K)}) escoando na sua parte externa, qual seria o raio crítico de isolamento?

r₁ = 10 cmr₂ = 20 cmr = 15 cm30 °C50 °C (face externa)41,7 °C no meio do raioq (entra)k = 1,5 W/(m·K) · L = 5,0 m · sem fluido escoando

A face externa é a mais quente: o calor entra, de fora para dentro. E o perfil de temperatura no tubo é logarítmico, não linear.

Gabarito

a) O perfil de temperatura num tubo é logarítmico:

T(r)=T1+(T2−T1) ln⁡(r/r1)ln⁡(r2/r1)T(r) = T_1 + (T_2 - T_1)\,\frac{\ln(r/r_1)}{\ln(r_2/r_1)}

Em r=15 cmr = 15\ \mathrm{cm}:

T=30+20 ln⁡(1,5)ln⁡(2)=30+20×0,585≈41,7 ∘CT = 30 + 20\,\frac{\ln(1{,}5)}{\ln(2)} = 30 + 20 \times 0{,}585 \approx \mathbf{41{,}7\ ^\circ C}

b)

R=ln⁡(r2/r1)2πkL=ln⁡22π(1,5)(5,0)=0,693147,12≈0,0147 K/WR = \frac{\ln(r_2/r_1)}{2\pi k L} = \frac{\ln 2}{2\pi (1{,}5)(5{,}0)} = \frac{0{,}6931}{47{,}12} \approx \mathbf{0{,}0147\ K/W}q=ΔTR=50−300,0147≈1360 Wq = \frac{\Delta T}{R} = \frac{50 - 30}{0{,}0147} \approx \mathbf{1360\ W}

entrando (de fora para dentro).

c)

rc=kisohe=0,55,0=0,10 m=10 cmr_c = \frac{k_{iso}}{h_e} = \frac{0{,}5}{5{,}0} = \mathbf{0{,}10\ m} = 10\ \mathrm{cm}
Passo a passo

Passo 1 — item (a): por que o perfil não é linear. Na parede plana, área constante e qq constante obrigam dT/dxdT/dx a ser constante — perfil reto. No tubo, a área cresce com o raio:

q=−k (2πrL) dTdr=constante⟹dTdr∝1rq = -k\,(2\pi r L)\,\frac{dT}{dr} = \text{constante} \qquad\Longrightarrow\qquad \frac{dT}{dr} \propto \frac{1}{r}

O gradiente diminui à medida que se afasta do centro, e integrar 1/r1/r dá logaritmo:

T(r)=T1+(T2−T1) ln⁡(r/r1)ln⁡(r2/r1)T(r) = T_1 + (T_2 - T_1)\,\frac{\ln(r/r_1)}{\ln(r_2/r_1)}

Confira nas pontas: em r=r1r = r_1 o logaritmo é zero e T=T1T = T_1 ✔; em r=r2r = r_2 a fração é 1 e T=T2T = T_2 ✔

Passo 2 — a temperatura no meio do raio. “Meio do raio” é a média dos dois raios:

r=r1+r22=10+202=15 cmr = \frac{r_1 + r_2}{2} = \frac{10 + 20}{2} = 15\ \mathrm{cm}T(0,15)=30+(50−30) ln⁡(0,15/0,10)ln⁡(0,20/0,10)=30+20 ln⁡1,5ln⁡2T(0{,}15) = 30 + (50 - 30)\,\frac{\ln(0{,}15/0{,}10)}{\ln(0{,}20/0{,}10)} = 30 + 20\,\frac{\ln 1{,}5}{\ln 2}=30+20×0,40550,6931=30+20×0,5850=30+11,7=41,7 ∘C= 30 + 20 \times \frac{0{,}4055}{0{,}6931} = 30 + 20 \times 0{,}5850 = 30 + 11{,}7 = 41{,}7\ ^\circ\mathrm{C}

Passo 3 — item (b): a resistência.

R=ln⁡(r2/r1)2πkL=ln⁡(0,20/0,10)2π×1,5×5,0=0,693147,124=0,01471 K/WR = \frac{\ln(r_2/r_1)}{2\pi k L} = \frac{\ln(0{,}20/0{,}10)}{2\pi \times 1{,}5 \times 5{,}0} = \frac{0{,}6931}{47{,}124} = 0{,}01471\ \mathrm{K/W}

Resistência baixíssima — é um tubo curto, grosso e de material relativamente condutor, sem nenhuma convecção no caminho (o enunciado diz que não há fluido escoando).

Passo 4 — o fluxo, e o seu sentido.

q=T2−T1R=50−300,01471=1359,6 Wq = \frac{T_2 - T_1}{R} = \frac{50 - 30}{0{,}01471} = 1359{,}6\ \mathrm{W}

Quase 1,4 kW1{,}4\ \mathrm{kW} com apenas 20 ∘C20\ ^\circ\mathrm{C} de diferença. E o sentido: a face externa está mais quente, então o calor vai de fora para dentro — o tubo está sendo aquecido pelo lado de fora.

Passo 5 — item (c): o raio crítico hipotético. É uma pergunta condicional: se o tubo fosse isolante e se houvesse fluido por fora. Fórmula do cilindro:

rc=kisohe=0,55,0=0,10 m=10 cmr_c = \frac{k_{iso}}{h_e} = \frac{0{,}5}{5{,}0} = 0{,}10\ \mathrm{m} = 10\ \mathrm{cm}

E há uma coincidência que vale comentar: rc=10 cmr_c = 10\ \mathrm{cm} é exatamente o raio interno do tubo. Como o raio externo real é r2=20 cm>rcr_2 = 20\ \mathrm{cm} > r_c, o sistema estaria depois do crítico — acrescentar isolante reduziria a perda, como a intuição espera.

Conferência — o perfil no tubo é logarítmico, e a resposta do item (a) não é 40 ∘C40\ ^\circ\mathrm{C} ✔ os raios em metros na resistência ✔ sem fluido escoando, não há resistência de convecção ✔ o calor vai de fora para dentro, porque a face externa é a mais quente ✔ o raio crítico do cilindro é k/hk/h, sem o 2 ✔

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Questão 522º EE2018.1Fluxos de massa · Concentração total variável e velocidades distintas2,0 ptsVer material

Considere a transferência de massa de uma mistura entre duas espécies, AA e BB, ao longo de um tubo. Na entrada, a concentração total da mistura é de 10,0 mol/m310{,}0\ \mathrm{mol/m^3} e 80 %80\ \% em mol dessa mistura é da espécie AA. Na saída, a concentração total é de 4,0 mol/m34{,}0\ \mathrm{mol/m^3} e 70 %70\ \% em mol dessa mistura é da espécie BB. A espécie AA escoa com velocidade de 2,0 m/s2{,}0\ \mathrm{m/s}, enquanto que BB escoa com 1,0 m/s1{,}0\ \mathrm{m/s}, ambas no mesmo sentido. O comprimento do tubo é de 1,0 m1{,}0\ \mathrm{m} e o coeficiente de difusão binária é de 3,0×10−2 m2/s3{,}0\times10^{-2}\ \mathrm{m^2/s}.

Determine para AA e para BB as densidades de fluxo difusivo, as densidades de fluxo convectivo e as densidades de fluxo absoluto (na saída do tubo).

Gabarito

Entrada: CA1=8,0C_{A1} = 8{,}0, CB1=2,0C_{B1} = 2{,}0. Saída: CA2=1,2C_{A2} = 1{,}2, CB2=2,8 mol/m3C_{B2} = 2{,}8\ \mathrm{mol/m^3}.

dCAdx=−6,8dCBdx=+0,8 mol/m4\frac{dC_A}{dx} = -6{,}8 \qquad \frac{dC_B}{dx} = +0{,}8\ \mathrm{mol/m^4}
difusivo J′′J''convectivo N′′N''absoluto
AA+0,204+0{,}2042,402{,}402,60\mathbf{2{,}60}
BB−0,024-0{,}0242,802{,}802,78\mathbf{2{,}78}

tudo em mol/(m2⋅s)\mathrm{mol/(m^2 \cdot s)}, com o convectivo calculado com a velocidade de cada espécie.

Passo a passo

Passo 1 — completar as frações e achar as concentrações. Cada seção tem a sua concentração total, e a fração dada é de uma espécie diferente em cada lado.

xA1=0,80⇒xB1=0,20xB2=0,70⇒xA2=0,30x_{A1} = 0{,}80 \Rightarrow x_{B1} = 0{,}20 \qquad\qquad x_{B2} = 0{,}70 \Rightarrow x_{A2} = 0{,}30CA1=0,80×10,0=8,0CB1=0,20×10,0=2,0C_{A1} = 0{,}80 \times 10{,}0 = 8{,}0 \qquad C_{B1} = 0{,}20 \times 10{,}0 = 2{,}0CA2=0,30×4,0=1,2CB2=0,70×4,0=2,8C_{A2} = 0{,}30 \times 4{,}0 = 1{,}2 \qquad C_{B2} = 0{,}70 \times 4{,}0 = 2{,}8

em mol/m3\mathrm{mol/m^3}. Confira: 8+2=108+2 = 10 ✔ e 1,2+2,8=4,01{,}2+2{,}8 = 4{,}0 ✔

Passo 2 — os gradientes, com L=1,0 mL = 1{,}0\ \mathrm{m}.

dCAdx=1,2−8,01,0=−6,8 mol/m4\frac{dC_A}{dx} = \frac{1{,}2 - 8{,}0}{1{,}0} = -6{,}8\ \mathrm{mol/m^4}dCBdx=2,8−2,01,0=+0,8 mol/m4\frac{dC_B}{dx} = \frac{2{,}8 - 2{,}0}{1{,}0} = +0{,}8\ \mathrm{mol/m^4}

Passo 3 — os fluxos difusivos.

JA′′=−DAB dCAdx=−3,0×10−2×(−6,8)=+0,204 mol/(m2s)J''_A = -D_{AB}\,\frac{dC_A}{dx} = -3{,}0\times10^{-2} \times (-6{,}8) = +0{,}204\ \mathrm{mol/(m^2 s)}JB′′=−3,0×10−2×(+0,8)=−0,024 mol/(m2s)J''_B = -3{,}0\times10^{-2} \times (+0{,}8) = -0{,}024\ \mathrm{mol/(m^2 s)}

Passo 4 — os fluxos convectivos, com a velocidade de cada espécie. O enunciado dá vA=2,0v_A = 2{,}0 e vB=1,0 m/sv_B = 1{,}0\ \mathrm{m/s} — velocidades diferentes, ambas no mesmo sentido:

NA′′=CA2 vA=1,2×2,0=2,40 mol/(m2s)N''_A = C_{A2}\,v_A = 1{,}2 \times 2{,}0 = 2{,}40\ \mathrm{mol/(m^2 s)}NB′′=CB2 vB=2,8×1,0=2,80 mol/(m2s)N''_B = C_{B2}\,v_B = 2{,}8 \times 1{,}0 = 2{,}80\ \mathrm{mol/(m^2 s)}

Passo 5 — os absolutos.

NA,abs′′=0,204+2,40=2,60 mol/(m2s)N''_{A,abs} = 0{,}204 + 2{,}40 = 2{,}60\ \mathrm{mol/(m^2 s)}NB,abs′′=−0,024+2,80=2,78 mol/(m2s)N''_{B,abs} = -0{,}024 + 2{,}80 = 2{,}78\ \mathrm{mol/(m^2 s)}

Passo 6 — a leitura. Aqui, diferente das outras versões, o convectivo é só dez vezes o difusivo — e não centenas. Duas razões: as velocidades são baixas (11 e 2 m/s2\ \mathrm{m/s}) e as concentrações são pequenas (mol/m3\mathrm{mol/m^3} de um dígito), mas o gradiente é grande, porque toda a variação acontece em 1 m1\ \mathrm{m} de tubo.

NA′′JA′′=2,400,204=11,8\frac{N''_A}{J''_A} = \frac{2{,}40}{0{,}204} = 11{,}8

É o caso em que a difusão de fato conta.

Conferência — cada seção com a sua concentração total ✔ a fração da saída é de BB ✔ com CTC_T variável, JA′′≠−JB′′J''_A \ne -J''_B ✔ cada espécie com a sua velocidade no convectivo ✔ o difusivo aqui não é desprezível, é um doze avos do convectivo ✔

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Questão 532º EEBancoRadiação · Corpo negro, emissividade e Stefan-BoltzmannVer material

Do que trata a lei de Stefan-Boltzmann? O que é um corpo negro para radiação? E o que é emissividade?

corpo negroε = 1absorve tudosuperfície real0 < ε < 1absorve parte, reflete o restorefleteemiteemiteq″ = ε σ T⁴ com 0 ≤ ε ≤ 1

A emissividade mede o quanto a superfície real se aproxima do corpo negro — o emissor perfeito.

Gabarito

Lei de Stefan-Boltzmann. É o análogo, para a radiação, do que a lei de Fourier é para a condução: ela dá a densidade de fluxo de calor emitida por uma superfície, e diz que ela depende da temperatura elevada à quarta potência:

q′′=ε σ T4e, na troca com a vizinhanc¸a,q=ε σ A (Ts4−Tviz4)q'' = \varepsilon\,\sigma\,T^4 \qquad\text{e, na troca com a vizinhança,}\qquad q = \varepsilon\,\sigma\,A\,(T_s^4 - T_{viz}^4)

com σ=5,67×10−8 W/(m2⋅K4)\sigma = 5{,}67\times10^{-8}\ \mathrm{W/(m^2\cdot K^4)}, a constante de Stefan-Boltzmann.

Corpo negro. É um corpo teórico, capaz de absorver toda a radiação que recebe, sem refletir nenhuma parcela de volta para o ambiente — e que, à mesma temperatura, é também o que mais emite. Dele se diz que tem emissividade unitária.

Emissividade. É a constante de proporcionalidade da lei de Stefan-Boltzmann: uma grandeza adimensional, com valor entre zero e um, que mede o quanto um corpo se aproxima do comportamento do corpo negro ideal.

Passo a passo

1 — A lei, e o que a torna diferente das outras duas.

q′′=ε σ T4q'' = \varepsilon\,\sigma\,T^4

Comparando com as leis de Fourier e de Newton:

mecanismoleidependência da temperatura
conduçãoq′′=−k dT/dxq'' = -k\,dT/dxgradiente de TT
convecçãoq′′=h (Ts−T∞)q'' = h\,(T_s - T_\infty)diferença de TT
radiaçãoq′′=εσT4q'' = \varepsilon\sigma T^4a quarta potência de TT absoluta

Duas consequências:

  • a temperatura tem de estar em kelvin. Nas outras duas só aparece a diferença, e ΔT\Delta T em Celsius e em kelvin é o mesmo número. Na quarta potência, não: (300)4(300)^4 e (27)4(27)^4 diferem por mais de 15 mil vezes;
  • a radiação não precisa de meio material. É a única das três que funciona no vácuo.

2 — Corpo negro: a referência ideal. É um modelo, não um material. Suas propriedades:

  • absorve toda a radiação que incide sobre ele, em qualquer comprimento de onda e de qualquer direção — nada é refletido nem transmitido;
  • emite, à mesma temperatura, mais que qualquer superfície real. É o limite superior da emissão;
  • por definição, ε=1\varepsilon = 1.

O nome vem de que, à temperatura ambiente, um corpo que absorve toda a luz visível parece negro. Mas o corpo negro emite — e a temperaturas altas emite muito, e em cores visíveis: o Sol se aproxima bem de um corpo negro a 5800 K5800\ \mathrm{K}.

3 — Emissividade: a medida do desvio do ideal.

ε=qemitido pela superfıˊcie real′′qemitido pelo corpo negro aˋ mesma T′′0≤ε≤1\varepsilon = \frac{q''_{\text{emitido pela superfície real}}}{q''_{\text{emitido pelo corpo negro à mesma } T}} \qquad 0 \le \varepsilon \le 1
  • adimensional, por ser uma razão;
  • depende do material, do acabamento da superfície e, em geral, da temperatura;
  • ε=1\varepsilon = 1 é o corpo negro; ε=0\varepsilon = 0 seria um refletor perfeito, que não emite nada.

Valores de referência:

superfícieε\varepsilon
alumínio polido0,030{,}03–0,070{,}07
aço oxidado0,70{,}7–0,90{,}9
tijolo, concreto, tinta0,850{,}85–0,950{,}95
água, pele humana≈0,95\approx 0{,}95
corpo negro (ideal)1,001{,}00

Conferência — a lei precisa vir com a T4T^4 e a constante σ\sigma ✔ dizer que a temperatura é absoluta ✔ corpo negro é o ideal que absorve tudo e emite o máximo, com ε=1\varepsilon = 1 ✔ emissividade é adimensional, entre 0 e 1, e mede a proximidade do ideal ✔

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Questão 542º EEBancoConvecção · Camada limite e o coeficiente hVer material

O que é uma camada limite hidrodinâmica? Do que trata a lei de Newton do resfriamento, e o que é o coeficiente de transferência de calor por convecção?

placa (superfície a Ts)v∞ , T∞borda da camada limiteδv = 0 (aderência)bordo

Junto à parede o fluido está parado: é através dessa camada fina que o calor tem de passar por condução, e é ela que governa o valor de hh.

Gabarito

Camada limite hidrodinâmica é a fina região, próxima a um corpo em convecção, na qual os gradientes de velocidade são muito significativos. Ao encostar numa superfície, a velocidade do fluido se torna igual à da superfície — nula, se a superfície está em repouso (condição de não escorregamento) — e cresce ao longo da espessura δ\delta até praticamente o valor do escoamento livre v∞v_\infty.

Lei de Newton do resfriamento. Estabelece uma proporcionalidade entre a diferença de temperatura entre a superfície e o fluido e a taxa de transferência de calor entre eles:

q=h A (Ts−T∞)q = h\,A\,(T_s - T_\infty)

É, em essência, uma “lei de Fourier da convecção”.

Coeficiente de transferência de calor por convecção (hh) é a constante que estabelece essa proporcionalidade, cumprindo papel semelhante ao da condutividade térmica na lei de Fourier — a taxa de calor é proporcional a ele. Unidade: W/(m2⋅K)\mathrm{W/(m^2\cdot K)}.

Passo a passo

1 — Como a camada limite se forma. O fluido que chega tem velocidade uniforme v∞v_\infty. Ao tocar a placa, a camada em contato para (não escorregamento), e ela freia a de cima por viscosidade, que freia a seguinte, e assim por diante. A região afetada é a camada limite, e ela cresce ao longo da placa:

v=0  na paredev→v∞  na borda, y=δv = 0 \ \text{ na parede} \qquad\qquad v \to v_\infty \ \text{ na borda, } y = \delta

A espessura δ\delta é definida convencionalmente onde v=0,99 v∞v = 0{,}99\,v_\infty.

2 — Por que a camada limite é o que governa a convecção. Junto à parede, no limite y→0y \to 0, o fluido está parado. E fluido parado transfere calor por condução. Então, exatamente na parede:

q′′=−kfluido ∂T∂y∣y=0q'' = -k_{\text{fluido}}\,\frac{\partial T}{\partial y}\bigg|_{y=0}

Igualando isso à lei de Newton:

h (Ts−T∞)=−k ∂T∂y∣y=0⟹h=−k ∂T∂y∣0Ts−T∞h\,(T_s - T_\infty) = -k\,\frac{\partial T}{\partial y}\bigg|_{y=0} \qquad\Longrightarrow\qquad h = \frac{-k\,\dfrac{\partial T}{\partial y}\bigg|_{0}}{T_s - T_\infty}

É essa expressão que explica tudo: hh é grande quando o gradiente de temperatura na parede é grande, isto é, quando a camada limite é fina. E a camada limite fica fina quando o escoamento é rápido.

escoamento mais raˊpido  ⇒  δ menor  ⇒  h maior  ⇒  q maior\text{escoamento mais rápido} \;\Rightarrow\; \delta \text{ menor} \;\Rightarrow\; h \text{ maior} \;\Rightarrow\; q \text{ maior}

3 — A lei de Newton do resfriamento, e o que ela realmente é.

q=h A (Ts−T∞)q = h\,A\,(T_s - T_\infty)

Ela não é uma lei fundamental como Fourier: é uma definição de hh. Toda a física complicada do escoamento foi empacotada dentro desse coeficiente — e é justamente por isso que ela é tão útil e tão perigosa ao mesmo tempo.

E, em forma de resistência térmica:

Rconv=1h AR_{conv} = \frac{1}{h\,A}

que é a parcela que se soma ao circuito térmico em todo problema de parede ou tubo com fluido escoando.

Conferência — camada limite é a região de gradientes de velocidade significativos, com v=0v = 0 na parede ✔ a lei de Newton é uma proporcionalidade entre ΔT\Delta T e a taxa ✔ dizer que hh não é propriedade do fluido, e sim resultado do escoamento, é o que mostra domínio ✔ ligar hh à espessura da camada limite explica todos os valores da tabela ✔

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Questão 552º EEBancoQuantidade de movimento · A equação e a força sobre o volume de controleVer material

Do que trata a equação do momento linear (quantidade de movimento) para um volume de controle?

volume de controleṁ v₁(1)ṁ v₂(2)R(reação do apoio)o fluido muda de direção: alguém tem de aplicar força nele

O fluido entra em uma direção e sai em outra: mudou de quantidade de movimento, e isso exige uma força.

Gabarito

A equação do momento linear é a segunda lei de Newton escrita para um volume de controle. Ela diz que a força resultante que atua sobre o fluido dentro do volume de controle é igual ao fluxo líquido de quantidade de movimento que atravessa a superfície de controle, somado à taxa de variação da quantidade de movimento armazenada dentro dele.

Em regime permanente, o termo de armazenamento é nulo e sobra:

∑F⃗=m˙ v⃗2−m˙ v⃗1=m˙ (v⃗2−v⃗1)\sum \vec F = \dot m\,\vec v_2 - \dot m\,\vec v_1 = \dot m\,(\vec v_2 - \vec v_1)

com m˙=ρ Q\dot m = \rho\,Q. É uma equação vetorial — vale componente por componente:

∑Fx=m˙ (v2x−v1x)∑Fy=m˙ (v2y−v1y)\sum F_x = \dot m\,(v_{2x} - v_{1x}) \qquad\qquad \sum F_y = \dot m\,(v_{2y} - v_{1y})
Passo a passo

1 — De onde ela vem. A segunda lei de Newton para uma partícula é F⃗=d(mv⃗)/dt\vec F = d(m\vec v)/dt. Para um volume de controle, que é uma região fixa do espaço por onde o fluido passa, ela se reescreve como

∑F⃗=∂∂t∫VCρ v⃗ dV⏟acumula dentro+∫SCρ v⃗ (v⃗⋅n⃗) dA⏟fluxo que atravessa a fronteira\sum \vec F = \underbrace{\frac{\partial}{\partial t}\int_{VC} \rho\,\vec v\,dV}_{\text{acumula dentro}} + \underbrace{\int_{SC} \rho\,\vec v\,(\vec v \cdot \vec n)\,dA}_{\text{fluxo que atravessa a fronteira}}

Em regime permanente e com escoamento uniforme nas seções, isso vira a forma que se usa nos exercícios:

∑F⃗=m˙ (v⃗2−v⃗1)\sum \vec F = \dot m\,(\vec v_2 - \vec v_1)

2 — Quais forças entram na soma. É aqui que a questão se resolve na prática:

  • forças de pressão nas seções de entrada e saída: p1A1p_1 A_1 e p2A2p_2 A_2, cada uma perpendicular à sua seção e apontando para dentro do volume de controle;
  • peso do fluido contido, quando não é desprezível;
  • reação do apoio ou da estrutura — que é justamente o que quase sempre se quer descobrir.

3 — O que a equação é usada para responder. Sempre a mesma pergunta: que força é necessária para mudar a quantidade de movimento do fluido?

situaçãoo que se calcula
curva de tubulaçãoa força no ancoramento, que impede a curva de se soltar
jato batendo numa placa ou páo empuxo sobre a placa; a base das turbinas
redução de seçãoo esforço nos parafusos da flange
foguete / propulsoro empuxo, que é m˙ Δv\dot m\,\Delta v
ressalto hidráulicoa perda de energia num canal

4 — A relação com as outras duas equações. As três formam o trio de balanços do volume de controle, e cada uma conserva uma coisa diferente:

balançoo que conservaresponde
continuidademassavazões e velocidades
energia (Bernoulli, com máquina e perdas)energia mecânicapressões, alturas, potência
quantidade de movimentomomento linearforças e direções

Em geral se usa continuidade para achar as velocidades, energia para achar as pressões, e só então quantidade de movimento para achar a força — nessa ordem.

Conferência — dizer que é a segunda lei de Newton aplicada a um volume de controle ✔ escrever a forma de regime permanente, ∑F⃗=m˙ Δv⃗\sum \vec F = \dot m\,\Delta\vec v ✔ enfatizar que é vetorial e que por isso responde sobre direção ✔ listar as forças que entram na soma, sem esquecer as de pressão nas seções ✔

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