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Nabla
FISC0001 · 60h

Fenômenos de Transporte

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Questão 01Prova FinalFinal 2023.1 · Final 2023.2Classificação · Newtonianos e não newtonianos na indústria1,0 ptVer material

Na indústria, os engenheiros frequentemente lidam com uma variedade de fluidos durante o processo de fabricação de produtos como água, molhos, xaropes, cremes, etc. Nesse contexto, explique a diferença entre fluidos newtonianos e não newtonianos e com que propriedade se relaciona essa classificação. Forneça exemplos de fluidos encontrados na indústria que se enquadram em cada categoria.

τdu/dyτ₀Binghampseudoplásticonewtonianodilatantea inclinação da curva é a viscosidade: constante só no newtoniano

A classificação é feita pelo gráfico: se a relação entre τ\tau e du/dydu/dy é uma reta pela origem, o fluido é newtoniano.

Gabarito

A classificação se relaciona com a viscosidade — mais precisamente, com a relação entre a tensão de cisalhamento aplicada e a taxa de deformação resultante:

τ=μ dudy\tau = \mu\,\frac{du}{dy}

Newtonianos — obedecem a essa equação de proporcionalidade: há relação linear entre τ\tau e du/dydu/dy, isto é, o coeficiente de viscosidade dinâmica μ\mu é constante. Exemplos industriais: água, líquidos finos assemelhados, óleos leves e os gases de maneira geral.

Não newtonianos — não seguem essa proporcionalidade: a relação é variável, e a viscosidade aparente muda com a taxa de cisalhamento. Podem ser pseudoplásticos, dilatantes, plásticos de Bingham, entre outros. Exemplos industriais: mel, ketchup, tintas, cremes, xaropes espessos, lamas e lodos em geral.

Passo a passo

1 — A propriedade que organiza a classificação. É a viscosidade. Mas a pergunta é mais fina que isso: não é o valor da viscosidade que classifica, e sim o fato de ela ser constante ou não.

μ=τdu/dy\mu = \frac{\tau}{du/dy}
  • constante → newtoniano;
  • varia com du/dydu/dy → não newtoniano.

2 — Os quatro comportamentos do gráfico. A classificação se lê direto na curva τ\tau contra du/dydu/dy:

tipocurvaviscosidade aparenteexemplos industriais
newtonianoreta pela origemconstanteágua, ar, óleos leves, mel
pseudoplásticocôncava para baixocai com a agitaçãotinta, ketchup, sangue, xampu
dilatantecôncava para cimacresce com a agitaçãoamido em água, areia molhada, pasta de cimento
plástico de Binghamreta a partir de τ0\tau_0infinita até τ0\tau_0pasta de dente, lama de perfuração, manteiga

3 — Por que isso importa na indústria. Cada categoria muda o projeto:

  • newtoniano — a perda de carga e a potência de bombeamento saem das fórmulas usuais (Darcy-Weisbach, Moody), porque μ\mu é um número;
  • pseudoplástico — quanto mais rápido se bombeia, mais fácil fica; é por isso que tinta espalha bem sob o rolo e não escorre da parede depois;
  • dilatante — quanto mais rápido, mais difícil; bombear rápido demais pode travar o sistema;
  • Bingham — existe uma tensão mínima τ0\tau_0 para o escoamento começar. Uma bomba subdimensionada simplesmente não move o fluido, ainda que a vazão pedida seja pequena.

4 — E os que dependem do tempo. Vale a menção, porque completa o quadro: alguns fluidos mudam de viscosidade com o tempo de agitação, e não apenas com a taxa.

  • tixotrópico — afina com o tempo de agitação (tintas, iogurte batido);
  • reopético — engrossa com o tempo (raro; alguns lubrificantes especiais).

Conferência — dizer que a propriedade é a viscosidade, e que o critério é ela ser constante ou não ✔ a diferença é a linearidade entre τ\tau e du/dydu/dy ✔ dar exemplos dos dois lados, e industriais como o enunciado pede ✔ mencionar que os não newtonianos se subdividem (pseudoplástico, dilatante, Bingham) sobe a resposta de suficiente para completa ✔

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Questão 02Prova FinalFinal 2023.1Instalação hidráulica · Duas vazões que se juntam e uma turbina2,0 ptsVer material

Considere a instalação hidráulica apresentada na figura. Admitindo que a vazão proporcionada pelo tanque inferior seja de Q1=40 L/sQ_1 = 40\ \mathrm{L/s}, determine o tipo de máquina e a potência da mesma.

Dados: γ=104 N/m3\gamma = 10^4\ \mathrm{N/m^3}; At=0,02 m2A_t = 0{,}02\ \mathrm{m^2} (área da seção reta da tubulação); pm=0 kPap_m = 0\ \mathrm{kPa} (pressão manométrica); g=10 m/s2g = 10\ \mathrm{m/s^2}; ηm=80 %\eta_m = 80\ \%; Hm=5 mH_m = 5\ \mathrm{m} (altura da máquina). Considere ambos os tanques como sendo de grandes dimensões. Desconsidere a perda de carga.

(0)A t9 m(2)p mQ₀(1)A tQ₁7 m(3)(4)M(5)A t(6)escoamento

As duas vazões se juntam em (3): a que vem do tanque (0), por Torricelli, e a que o tanque (1) fornece, Q1=40 L/sQ_1 = 40\ \mathrm{L/s}.

Gabarito

Entre (0) e (2), com pm=0p_m = 0 e perda de carga desprezada:

v2=2 g(h0−pmγ)=2×10×9=13,42 m/sv_2 = \sqrt{2\,g\left(h_0 - \frac{p_m}{\gamma}\right)} = \sqrt{2 \times 10 \times 9} = 13{,}42\ \mathrm{m/s}Q0=v2 At=13,42×0,02=0,268 m3/sQ_0 = v_2\,A_t = 13{,}42 \times 0{,}02 = 0{,}268\ \mathrm{m^3/s}Q4=Q1+Q0=0,04+0,268=0,308 m3/sQ_4 = Q_1 + Q_0 = 0{,}04 + 0{,}268 = 0{,}308\ \mathrm{m^3/s}

O escoamento desce dos dois tanques e a máquina está no caminho: ela retira energia — é uma turbina.

Nm=γ Q4 Hmηm=104×0,308×50,8≈1,925×104 W≈19,3 kWN_m = \frac{\gamma\,Q_4\,H_m}{\eta_m} = \frac{10^4 \times 0{,}308 \times 5}{0{,}8} \approx \mathbf{1{,}925\times10^{4}\ W} \approx 19{,}3\ \mathrm{kW}
Passo a passo

Passo 1 — reconhecer que há duas vazões, e uma delas não é dada. O enunciado dá Q1Q_1 (do tanque do meio) mas não dá a vazão que vem do tanque (0). Ela tem de sair da própria instalação — e sai por Torricelli, porque a perda de carga foi desprezada.

Passo 2 — a vazão do tanque (0), por Bernoulli entre (0) e (2).

p0γ+v022g+h0=p2γ+v222g+h2\frac{p_0}{\gamma} + \frac{v_0^2}{2g} + h_0 = \frac{p_2}{\gamma} + \frac{v_2^2}{2g} + h_2

O que cai:

  • p0=patm=0p_0 = p_{atm} = 0 em manométrica — o tanque é aberto;
  • v0≈0v_0 \approx 0 — grandes dimensões;
  • h2=0h_2 = 0 — o ponto (2) está na linha da tubulação, que é o referencial;
  • p2=pm=0p_2 = p_m = 0 — é o dado do enunciado, e é ele que faz o problema fechar.
h0=v222g+pmγ⟹v2=2g(h0−pmγ)h_0 = \frac{v_2^2}{2g} + \frac{p_m}{\gamma} \qquad\Longrightarrow\qquad v_2 = \sqrt{2g\left(h_0 - \frac{p_m}{\gamma}\right)}v2=2×10×(9−0)=180=13,42 m/sv_2 = \sqrt{2 \times 10 \times (9 - 0)} = \sqrt{180} = 13{,}42\ \mathrm{m/s}Q0=v2 At=13,42×0,02=0,2684 m3/s=268,4 L/sQ_0 = v_2\,A_t = 13{,}42 \times 0{,}02 = 0{,}2684\ \mathrm{m^3/s} = 268{,}4\ \mathrm{L/s}

Passo 3 — juntar as vazões. Em (3) as duas correntes se encontram, e da máquina para a frente passa a soma:

Q4=Q1+Q0=0,04+0,2684=0,3084 m3/sQ_4 = Q_1 + Q_0 = 0{,}04 + 0{,}2684 = 0{,}3084\ \mathrm{m^3/s}

Repare na proporção: o tanque de cima traz 87 % da vazão. Os 40 L/s40\ \mathrm{L/s} do tanque (1) são a menor parcela.

Passo 4 — o tipo de máquina. Os dois tanques estão acima da linha da tubulação e a descarga em (6) é livre, na própria linha. Não há nada a vencer: o escoamento é todo de descida. A máquina, portanto, retira energia do fluido — é uma turbina.

(O próprio enunciado confirma, ao chamar ηm\eta_m de “eficiência da turbina”.)

Passo 5 — a potência. Com a carga da máquina dada, Hm=5 mH_m = 5\ \mathrm{m}, e a vazão que a atravessa:

Nm=γ Q4 Hmηm=104×0,3084×50,8=15 4200,8=19 275 WN_m = \frac{\gamma\,Q_4\,H_m}{\eta_m} = \frac{10^4 \times 0{,}3084 \times 5}{0{,}8} = \frac{15\,420}{0{,}8} = 19\,275\ \mathrm{W}

isto é, 1,93×104 W≈19,3 kW1{,}93\times10^4\ \mathrm{W} \approx 19{,}3\ \mathrm{kW}.

Conferência — Q0Q_0 não é dado: sai de Torricelli com h0=9 mh_0 = 9\ \mathrm{m} ✔ pm=0p_m = 0 é o que permite usar toda a coluna ✔ a vazão que passa na máquina é a soma das duas ✔ os 7 m7\ \mathrm{m} do tanque (1) não entram, porque Q1Q_1 já é dado ✔ máquina em instalação toda de descida é turbina ✔

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Questão 03Prova FinalFinal 2023.1Parede com geração · Temperatura no centro, extrema e as taxas2,0 ptsVer material

Considere a transferência de calor através de uma parede plana (k=0,4 W/(m⋅K)k = 0{,}4\ \mathrm{W/(m\cdot K)}) de 40 cm40\ \mathrm{cm} de largura e área de seção transversal de 2,0 m22{,}0\ \mathrm{m^2}, cujas temperaturas nas faces esquerda e direita estão mantidas a 400 K400\ \mathrm{K} e 800 K800\ \mathrm{K}, respectivamente. Na parede, a transferência de calor é unidimensional, sem acúmulo, mas com geração de 6000 W/m36000\ \mathrm{W/m^3}. Sabendo que o processo é exotérmico, determine:

a) (1,0 ponto) As temperaturas extrema e no centro da parede.

b) (1,0 ponto) A taxa de transferência de calor nas faces esquerda e direita da parede.

x = 0−L+L933 K (máx.)400 K800 K900 K (centro)3200 W1600 Wgeração q̇ = 6000 W/m³ (exotérmico)2L = 40 cm · A = 2,0 m²

A face direita é a mais quente (800 K800\ \mathrm{K}), então o máximo se desloca para ela — e a face esquerda drena mais calor.

Gabarito

Com a origem no centro e L=0,20 mL = 0{,}20\ \mathrm{m} (semiespessura):

T(x)=q˙2k(L2−x2)+T2−T12L x+T1+T22=−7500 x2+1000 x+900T(x) = \frac{\dot q}{2k}\left(L^2 - x^2\right) + \frac{T_2 - T_1}{2L}\,x + \frac{T_1 + T_2}{2} = -7500\,x^2 + 1000\,x + 900

a)

T(0)=900 K (centro)T(0) = \mathbf{900\ K} \ \text{(centro)}dTdx=−15 000 x+1000=0  ⇒  xmaˊx=0,0667 m  ⇒  Tmaˊx≈933,3 K\frac{dT}{dx} = -15\,000\,x + 1000 = 0 \;\Rightarrow\; x_{máx} = 0{,}0667\ \mathrm{m} \;\Rightarrow\; T_{máx} \approx \mathbf{933{,}3\ K}

b)

q(x)=−k A dTdx=−0,4×2×(−15 000x+1000)=12 000 x−800q(x) = -k\,A\,\frac{dT}{dx} = -0{,}4 \times 2 \times (-15\,000x + 1000) = 12\,000\,x - 800q(−L)=−3,2×103 Wq(+L)=+1,6×103 Wq(-L) = \mathbf{-3{,}2\times10^{3}\ W} \qquad\qquad q(+L) = \mathbf{+1{,}6\times10^{3}\ W}
Passo a passo

Passo 1 — a semiespessura, e por que ela é metade. Com a origem no centro da parede, ela vai de −L-L a +L+L:

2L=40 cm⟹L=20 cm=0,20 m2L = 40\ \mathrm{cm} \qquad\Longrightarrow\qquad L = 20\ \mathrm{cm} = 0{,}20\ \mathrm{m}

Passo 2 — o perfil, montado pelas duas condições de contorno. Regime permanente (“sem acúmulo”) com geração dá parábola, e as duas temperaturas prescritas fixam as constantes:

T(x)=q˙2k(L2−x2)+T2−T12L x+T1+T22T(x) = \frac{\dot q}{2k}\left(L^2 - x^2\right) + \frac{T_2 - T_1}{2L}\,x + \frac{T_1 + T_2}{2}

Substituindo q˙=6000\dot q = 6000, k=0,4k = 0{,}4, L=0,2L = 0{,}2, T1=400T_1 = 400 e T2=800T_2 = 800:

q˙2k=60000,8=7500T2−T12L=4000,4=1000T1+T22=600\frac{\dot q}{2k} = \frac{6000}{0{,}8} = 7500 \qquad \frac{T_2 - T_1}{2L} = \frac{400}{0{,}4} = 1000 \qquad \frac{T_1 + T_2}{2} = 600T(x)=7500 (0,04−x2)+1000 x+600=−7500 x2+1000 x+900T(x) = 7500\,(0{,}04 - x^2) + 1000\,x + 600 = -7500\,x^2 + 1000\,x + 900

Confira nas pontas: T(−0,2)=−300−200+900=400 KT(-0{,}2) = -300 - 200 + 900 = 400\ \mathrm{K} ✔ e T(+0,2)=−300+200+900=800 KT(+0{,}2) = -300 + 200 + 900 = 800\ \mathrm{K} ✔

Passo 3 — item (a): a temperatura no centro. É o termo independente, porque em x=0x = 0 os outros dois morrem:

T(0)=900 KT(0) = 900\ \mathrm{K}

Passo 4 — a temperatura extrema. Derivando e igualando a zero:

dTdx=−15 000 x+1000=0⟹xmaˊx=100015 000=0,0667 m\frac{dT}{dx} = -15\,000\,x + 1000 = 0 \qquad\Longrightarrow\qquad x_{máx} = \frac{1000}{15\,000} = 0{,}0667\ \mathrm{m}

Positivo: o máximo está 6,7 cm6{,}7\ \mathrm{cm} à direita do centro — deslocado para o lado da face mais quente (800 K800\ \mathrm{K}), como faz sentido.

Tmaˊx=−7500 (0,0667)2+1000 (0,0667)+900=−33,3+66,7+900=933,3 KT_{máx} = -7500\,(0{,}0667)^2 + 1000\,(0{,}0667) + 900 = -33{,}3 + 66{,}7 + 900 = 933{,}3\ \mathrm{K}

Exotérmico confirma que é máximo: a parábola abre para baixo e o interior fica mais quente que as duas faces.

Passo 5 — item (b): a taxa de calor, que aqui é em watt. O enunciado dá a área, então se pede qq e não q′′q'':

q(x)=−k A dTdx=−0,4×2,0×(−15 000x+1000)q(x) = -k\,A\,\frac{dT}{dx} = -0{,}4 \times 2{,}0 \times (-15\,000x + 1000)q(x)=12 000 x−800  [W]q(x) = 12\,000\,x - 800\ \ [\mathrm{W}]

Passo 6 — avaliar nas duas faces.

q(−L)=12 000 (−0,2)−800=−2400−800=−3200 Wq(-L) = 12\,000\,(-0{,}2) - 800 = -2400 - 800 = -3200\ \mathrm{W}q(+L)=12 000 (+0,2)−800=2400−800=+1600 Wq(+L) = 12\,000\,(+0{,}2) - 800 = 2400 - 800 = +1600\ \mathrm{W}

Os sinais dizem que o calor sai pelas duas faces: pela esquerda no sentido −x-x e pela direita no sentido +x+x. E a repartição é desigual — a face esquerda leva o dobro.

Passo 7 — a conferência que fecha tudo. Todo o calor gerado no volume tem de sair pelas faces:

∣q(−L)∣+∣q(+L)∣=3200+1600=4800 W|q(-L)| + |q(+L)| = 3200 + 1600 = 4800\ \mathrm{W}q˙ V=q˙ (2L A)=6000×(0,4×2,0)=6000×0,8=4800 W ✓\dot q\,V = \dot q\,(2L\,A) = 6000 \times (0{,}4 \times 2{,}0) = 6000 \times 0{,}8 = 4800\ \mathrm{W}\ \checkmark

Conferência — LL é a semiespessura, 0,20 m0{,}20\ \mathrm{m} ✔ centro e extremo são pontos diferentes, e a questão pede os dois ✔ o extremo desloca-se para o lado mais quente ✔ o item (b) pede taxa em watt, então AA entra ✔ os módulos das taxas somam q˙ V\dot q\,V ✔

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Questão 04Prova FinalFinal 2023.1Fluxos de massa · Quando cada espécie tem a sua velocidade2,0 ptsVer material

Considere a transferência de massa de uma mistura entre duas espécies, AA e BB, ao longo de um tubo. Na entrada, 90 %90\ \% em mol dessa mistura é da espécie AA. Na saída, 50 %50\ \% em mol dessa mistura é da espécie BB. A concentração total da mistura é de 100 mol/m3100\ \mathrm{mol/m^3}, constante ao longo do tubo. A espécie AA entra com velocidade de 2,0 m/s2{,}0\ \mathrm{m/s}, enquanto a espécie BB com 3,0 m/s3{,}0\ \mathrm{m/s} (escoando na mesma direção). O comprimento do tubo é de 4,0 m4{,}0\ \mathrm{m} e o coeficiente de difusão binária é de 4,0×10−2 m2/s4{,}0\times10^{-2}\ \mathrm{m^2/s}.

Determine para AA e para BB as densidades de fluxo difusivo e convectivo na saída do tubo.

Gabarito

Na saída: CA2=CB2=50 mol/m3C_{A2} = C_{B2} = 50\ \mathrm{mol/m^3}.

Velocidade média molar da mistura na saída:

V2=yA2 vA+yB2 vB=0,5(2,0)+0,5(3,0)=2,5 m/sV_2 = y_{A2}\,v_A + y_{B2}\,v_B = 0{,}5(2{,}0) + 0{,}5(3{,}0) = 2{,}5\ \mathrm{m/s}
difusivo J′′J''convectivo n′′n''
AA+0,4\mathbf{+0{,}4}125\mathbf{125}
BB−0,4\mathbf{-0{,}4}125\mathbf{125}

tudo em mol/(m2⋅s)\mathrm{mol/(m^2 \cdot s)}.

Passo a passo

Passo 1 — completar as frações e achar as concentrações. A concentração total é constante, C=100 mol/m3C = 100\ \mathrm{mol/m^3}:

yA1=0,90⇒yB1=0,10yB2=0,50⇒yA2=0,50y_{A1} = 0{,}90 \Rightarrow y_{B1} = 0{,}10 \qquad\qquad y_{B2} = 0{,}50 \Rightarrow y_{A2} = 0{,}50CA1=90CB1=10CA2=50CB2=50C_{A1} = 90 \qquad C_{B1} = 10 \qquad C_{A2} = 50 \qquad C_{B2} = 50

em mol/m3\mathrm{mol/m^3}. Na saída a mistura está meio a meio.

Passo 2 — os gradientes e os fluxos difusivos.

dCAdx=50−904,0=−10 mol/m4dCBdx=50−104,0=+10 mol/m4\frac{dC_A}{dx} = \frac{50 - 90}{4{,}0} = -10\ \mathrm{mol/m^4} \qquad \frac{dC_B}{dx} = \frac{50 - 10}{4{,}0} = +10\ \mathrm{mol/m^4}JA′′=−DAB dCAdx=−4,0×10−2(−10)=+0,4 mol/(m2s)J''_A = -D_{AB}\,\frac{dC_A}{dx} = -4{,}0\times10^{-2}(-10) = +0{,}4\ \mathrm{mol/(m^2 s)}JB′′=−4,0×10−2(+10)=−0,4 mol/(m2s)J''_B = -4{,}0\times10^{-2}(+10) = -0{,}4\ \mathrm{mol/(m^2 s)}

JA′′=−JB′′J''_A = -J''_B ✔, como sempre que CC é constante.

Passo 3 — a novidade da questão: cada espécie tem a sua velocidade. O enunciado dá vA=2,0v_A = 2{,}0 e vB=3,0 m/sv_B = 3{,}0\ \mathrm{m/s}. Não há uma “velocidade da mistura” dada — ela tem de ser construída, e é a média ponderada pelas frações molares:

  V=∑iyi vi=yA vA+yB vB  \boxed{\;V = \sum_i y_i\,v_i = y_A\,v_A + y_B\,v_B\;}

Na saída, onde yA2=yB2=0,5y_{A2} = y_{B2} = 0{,}5:

V2=0,5×2,0+0,5×3,0=1,0+1,5=2,5 m/sV_2 = 0{,}5 \times 2{,}0 + 0{,}5 \times 3{,}0 = 1{,}0 + 1{,}5 = 2{,}5\ \mathrm{m/s}

Passo 4 — os fluxos convectivos, na saída.

nA′′=CA2 V2=50×2,5=125 mol/(m2s)n''_A = C_{A2}\,V_2 = 50 \times 2{,}5 = 125\ \mathrm{mol/(m^2 s)}nB′′=CB2 V2=50×2,5=125 mol/(m2s)n''_B = C_{B2}\,V_2 = 50 \times 2{,}5 = 125\ \mathrm{mol/(m^2 s)}

Iguais, porque na saída as duas concentrações são iguais. E a soma confere:

nA′′+nB′′=250=C V2=100×2,5 ✓n''_A + n''_B = 250 = C\,V_2 = 100 \times 2{,}5\ \checkmark

Passo 5 — os fluxos absolutos, de bônus. O enunciado não pede, mas eles fecham o quadro:

NA,abs′′=0,4+125=125,4NB,abs′′=−0,4+125=124,6N''_{A,abs} = 0{,}4 + 125 = 125{,}4 \qquad N''_{B,abs} = -0{,}4 + 125 = 124{,}6

E há uma checagem elegante: o fluxo absoluto de cada espécie também pode ser escrito como CiviC_i v_i — usando a velocidade da própria espécie:

CA2 vA=50×2,0=100CB2 vB=50×3,0=150C_{A2}\,v_A = 50 \times 2{,}0 = 100 \qquad C_{B2}\,v_B = 50 \times 3{,}0 = 150

Conferência — as frações da saída dão 50/5050/50 ✔ o difusivo sai de Fick, com CC constante e portanto JA′′=−JB′′J''_A = -J''_B ✔ a velocidade da mistura é a média ponderada das velocidades das espécies ✔ ela é avaliada na saída, com as frações de lá ✔ a soma dos convectivos dá C VC\,V ✔

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Questão 05Prova FinalFinal 2023.2Bomba · Dois reservatórios pressurizados e a altura manométrica2,0 ptsVer material

Considere um sistema composto por dois reservatórios fechados, (1) e (2), contendo água pressurizada, interligados por uma tubulação de 20 cm20\ \mathrm{cm} de diâmetro. No meio da tubulação existe uma bomba, que transporta água do reservatório (1) para o (2) numa vazão de 0,05 m3/s0{,}05\ \mathrm{m^3/s}. A superfície da água no reservatório (1) está 5 m5\ \mathrm{m} abaixo da linha da bomba, enquanto no (2) está 10 m10\ \mathrm{m} acima dessa linha. A pressão na superfície de (1) é de 2 atm2\ \mathrm{atm}, enquanto para (2) é de 5 atm5\ \mathrm{atm}. A perda de carga ao longo da tubulação é de 10 m10\ \mathrm{m}. Considere a velocidade de escoamento no reservatório (1) nula (grandes dimensões).

a) (1,0 pt.) A altura da bomba.

b) (1,0 pt.) A potência real da bomba, considerando uma eficiência de 85 %85\ \%.

Dados: γH2O=104 N/m3\gamma_{H_2O} = 10^4\ \mathrm{N/m^3}; g=10 m/s2g = 10\ \mathrm{m/s^2}.

linha da bomba (referência)2 atm(1)5 m (abaixo)B5 atm(2)10 md = 20 cm · Q = 0,05 m³/s · h p = 10 m · η = 85 %

Os dois reservatórios são fechados e pressurizados: nenhuma das duas parcelas de pressão se cancela, e as duas entram na conta.

Gabarito
v2=4QπD2=4×0,05π×0,22=1,59 m/sv222g=0,127 mv_2 = \frac{4Q}{\pi D^2} = \frac{4 \times 0{,}05}{\pi \times 0{,}2^2} = 1{,}59\ \mathrm{m/s} \qquad \frac{v_2^2}{2g} = 0{,}127\ \mathrm{m}

a)

HB=p2γ+v222g+y2+hp−(p1γ+y1)H_B = \frac{p_2}{\gamma} + \frac{v_2^2}{2g} + y_2 + h_p - \left(\frac{p_1}{\gamma} + y_1\right)HB=50+0,127+10+10−(20−5)≈55,13 mH_B = 50 + 0{,}127 + 10 + 10 - (20 - 5) \approx \mathbf{55{,}13\ m}

b)

Nideal=γ Q HB=104×0,05×55,13=2,76×104 WN_{ideal} = \gamma\,Q\,H_B = 10^4 \times 0{,}05 \times 55{,}13 = 2{,}76\times10^{4}\ \mathrm{W}Nreal=Nidealη=2,76×1040,85≈3,24×104 W≈32,4 kWN_{real} = \frac{N_{ideal}}{\eta} = \frac{2{,}76\times10^{4}}{0{,}85} \approx \mathbf{3{,}24\times10^{4}\ W} \approx 32{,}4\ \mathrm{kW}
Passo a passo

Passo 1 — a velocidade na tubulação.

A=πD24=π(0,20)24=3,142×10−2 m2A = \frac{\pi D^2}{4} = \frac{\pi (0{,}20)^2}{4} = 3{,}142\times10^{-2}\ \mathrm{m^2}v2=QA=0,053,142×10−2=1,59 m/sv222g=2,5320=0,127 mv_2 = \frac{Q}{A} = \frac{0{,}05}{3{,}142\times10^{-2}} = 1{,}59\ \mathrm{m/s} \qquad \frac{v_2^2}{2g} = \frac{2{,}53}{20} = 0{,}127\ \mathrm{m}

Pequena, mas o gabarito a mantém — e mantê-la não custa nada.

Passo 2 — a equação da energia, sem cancelar as pressões. Aqui está a diferença desta questão: os dois reservatórios são fechados e pressurizados.

p1γ+v122g+y1+HB=p2γ+v222g+y2+hp\frac{p_1}{\gamma} + \frac{v_1^2}{2g} + y_1 + H_B = \frac{p_2}{\gamma} + \frac{v_2^2}{2g} + y_2 + h_p

Só uma coisa cai: v1=0v_1 = 0 (grandes dimensões, e o enunciado manda considerar). As duas parcelas de pressão ficam.

HB=p2γ+v222g+y2+hp−(p1γ+y1)H_B = \frac{p_2}{\gamma} + \frac{v_2^2}{2g} + y_2 + h_p - \left(\frac{p_1}{\gamma} + y_1\right)

Passo 3 — as cotas, com o sinal certo. O referencial é a linha da bomba:

y1=−5 m (a superfıˊcie de (1) estaˊ abaixo)y2=+10 my_1 = -5\ \mathrm{m} \ \text{(a superfície de (1) está \textbf{abaixo})} \qquad y_2 = +10\ \mathrm{m}

E as cargas de pressão, com 1 atm=105 Pa1\ \mathrm{atm} = 10^5\ \mathrm{Pa}:

p1γ=2×105104=20 mp2γ=5×105104=50 m\frac{p_1}{\gamma} = \frac{2\times10^5}{10^4} = 20\ \mathrm{m} \qquad \frac{p_2}{\gamma} = \frac{5\times10^5}{10^4} = 50\ \mathrm{m}

Passo 4 — juntar.

HB=50+0,127+10+10−(20+(−5))=70,127−15=55,13 mH_B = 50 + 0{,}127 + 10 + 10 - \big(20 + (-5)\big) = 70{,}127 - 15 = 55{,}13\ \mathrm{m}

Passo 5 — de onde vêm os 55 m. Vale decompor, porque mostra o que a bomba está pagando:

parcelavalor [m][\mathrm{m}]
diferença de pressurização, (p2−p1)/γ(p_2 - p_1)/\gamma+30,0+30{,}0
diferença de altura, y2−y1=10−(−5)y_2 - y_1 = 10 - (-5)+15,0+15{,}0
perda de carga, hph_p+10,0+10{,}0
carga cinética de chegada, v22/2gv_2^2/2g+0,13+0{,}13
total55,13\mathbf{55{,}13}

Positivo em todas as parcelas: tudo neste sistema pede energia. Nada estranho que a máquina seja bomba, como o enunciado já adianta.

Passo 6 — item (b): a potência. Ideal primeiro:

Nideal=γ Q HB=104×0,05×55,13=27 565 W≈2,76×104 WN_{ideal} = \gamma\,Q\,H_B = 10^4 \times 0{,}05 \times 55{,}13 = 27\,565\ \mathrm{W} \approx 2{,}76\times10^4\ \mathrm{W}

E a real, com o rendimento dividindo (é bomba):

Nreal=27 5650,85=32 429 W≈3,24×104 W=32,4 kWN_{real} = \frac{27\,565}{0{,}85} = 32\,429\ \mathrm{W} \approx 3{,}24\times10^4\ \mathrm{W} = 32{,}4\ \mathrm{kW}

Conferência — os dois reservatórios são fechados, então nenhuma pressão se cancela ✔ y1y_1 é negativo, porque (1) está abaixo do referencial ✔ atm\mathrm{atm} para pascal, e depois para metro de coluna dividindo por γ\gamma ✔ bomba: rendimento divide ✔ Nreal>NidealN_{real} > N_{ideal} ✔

Sobre o gabarito — a resolução oficial imprime 10×10510\times10^5 e 5×1055\times10^5 nas cargas de pressão (o que corresponderia a 1010 e 5 atm5\ \mathrm{atm}), mas o resultado final que ela apresenta, 55,13 m55{,}13\ \mathrm{m}, é o que se obtém com os 55 e 2 atm2\ \mathrm{atm} do enunciado, como acima. São dígitos trocados na digitação.

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Questão 06Prova FinalFinal 2023.2Tubo isolado · Achar a temperatura do fluido interno2,5 ptsVer material

Um tubo de um material AA (kA=0,1 W/(m⋅K)k_A = 0{,}1\ \mathrm{W/(m\cdot K)}) de raios interno e externo de 8 cm8\ \mathrm{cm} e 10 cm10\ \mathrm{cm}, respectivamente, e 3 m3\ \mathrm{m} de comprimento, possui uma camada externa de isolante térmico (kiso=0,02 W/(m⋅K)k_{iso} = 0{,}02\ \mathrm{W/(m\cdot K)}) de raio externo de 12 cm12\ \mathrm{cm}. No exterior da tubulação escoa um fluido (he=20 W/(m2⋅K)h_e = 20\ \mathrm{W/(m^2\cdot K)}) a 400 K400\ \mathrm{K}. Sabendo que a taxa de calor transferido através do sistema é de 50 W50\ \mathrm{W}, e que outro fluido (hi=30 W/(m2⋅K)h_i = 30\ \mathrm{W/(m^2\cdot K)}) escoa na parte interna da tubulação, determine:

a) (1,5 pts.) A temperatura do fluido interno.

b) (1,0 pt.) As temperaturas nas interfaces entre os fluidos e os materiais, e entre o material AA e o isolante.

fluido iT∞₁ = ?h i = 30Aisolanter₁ = 8 cmr₂ = 10 cmr₃ = 12 cmfluido e · 400 Kh e = 20L = 3 m · q = 50 W (dado)

O fluxo é dado e a temperatura é a incógnita: a conta é a de sempre, só que resolvida ao contrário.

Gabarito
Rconv,i=0,02211RA=0,11838Riso=0,48362Rconv,e=0,02211RT=0,64621 K/WR_{conv,i} = 0{,}02211 \quad R_A = 0{,}11838 \quad R_{iso} = 0{,}48362 \quad R_{conv,e} = 0{,}02211 \qquad R_T = 0{,}64621\ \mathrm{K/W}

a)

T∞,1=T∞,2+q RT=400+50×0,64621≈432,31 KT_{\infty,1} = T_{\infty,2} + q\,R_T = 400 + 50 \times 0{,}64621 \approx \mathbf{432{,}31\ K}

b)

T1=T∞,1−q Rconv,i≈431,21 KT_1 = T_{\infty,1} - q\,R_{conv,i} \approx \mathbf{431{,}21\ K}T2=T1−q RA≈425,29 KT_2 = T_1 - q\,R_A \approx \mathbf{425{,}29\ K}T3=T2−q Riso≈401,11 KT_3 = T_2 - q\,R_{iso} \approx \mathbf{401{,}11\ K}
Passo a passo

Passo 1 — o problema é o de sempre, ao contrário. Nas questões anteriores, as temperaturas eram dadas e qq era a incógnita. Aqui q=50 Wq = 50\ \mathrm{W} é dado e a temperatura do fluido interno é o que se busca. A ferramenta é a mesma: somar as resistências.

Passo 2 — as quatro resistências. Raios em metros: r1=0,08r_1 = 0{,}08, r2=0,10r_2 = 0{,}10, r3=0,12r_3 = 0{,}12; L=3 mL = 3\ \mathrm{m}.

Rconv,i=1hi 2πr1L=130×2π(0,08)(3)=145,24=0,02211 K/WR_{conv,i} = \frac{1}{h_i\,2\pi r_1 L} = \frac{1}{30 \times 2\pi (0{,}08)(3)} = \frac{1}{45{,}24} = 0{,}02211\ \mathrm{K/W}RA=ln⁡(r2/r1)2πkAL=ln⁡(0,10/0,08)2π(0,1)(3)=0,223141,885=0,11838 K/WR_A = \frac{\ln(r_2/r_1)}{2\pi k_A L} = \frac{\ln(0{,}10/0{,}08)}{2\pi (0{,}1)(3)} = \frac{0{,}22314}{1{,}885} = 0{,}11838\ \mathrm{K/W}Riso=ln⁡(r3/r2)2πkisoL=ln⁡(0,12/0,10)2π(0,02)(3)=0,182320,377=0,48362 K/WR_{iso} = \frac{\ln(r_3/r_2)}{2\pi k_{iso} L} = \frac{\ln(0{,}12/0{,}10)}{2\pi (0{,}02)(3)} = \frac{0{,}18232}{0{,}377} = 0{,}48362\ \mathrm{K/W}Rconv,e=1he 2πr3L=120×2π(0,12)(3)=145,24=0,02211 K/WR_{conv,e} = \frac{1}{h_e\,2\pi r_3 L} = \frac{1}{20 \times 2\pi (0{,}12)(3)} = \frac{1}{45{,}24} = 0{,}02211\ \mathrm{K/W}RT=0,64621 K/WR_T = 0{,}64621\ \mathrm{K/W}

Passo 3 — item (a): a temperatura do fluido interno. Com qq conhecido, basta somar a queda total à temperatura do fluido externo:

q=T∞,1−T∞,2RT⟹T∞,1=T∞,2+q RTq = \frac{T_{\infty,1} - T_{\infty,2}}{R_T} \qquad\Longrightarrow\qquad T_{\infty,1} = T_{\infty,2} + q\,R_TT∞,1=400+50×0,64621=400+32,31=432,31 KT_{\infty,1} = 400 + 50 \times 0{,}64621 = 400 + 32{,}31 = 432{,}31\ \mathrm{K}

Passo 4 — item (b): as três interfaces. Uma resistência por vez, no sentido do fluxo (de dentro para fora, a temperatura cai):

T1=T∞,1−q Rconv,i=432,31−50(0,02211)=432,31−1,11=431,21 KT_1 = T_{\infty,1} - q\,R_{conv,i} = 432{,}31 - 50(0{,}02211) = 432{,}31 - 1{,}11 = 431{,}21\ \mathrm{K}T2=T1−q RA=431,21−50(0,11838)=431,21−5,92=425,29 KT_2 = T_1 - q\,R_A = 431{,}21 - 50(0{,}11838) = 431{,}21 - 5{,}92 = 425{,}29\ \mathrm{K}T3=T2−q Riso=425,29−50(0,48362)=425,29−24,18=401,11 KT_3 = T_2 - q\,R_{iso} = 425{,}29 - 50(0{,}48362) = 425{,}29 - 24{,}18 = 401{,}11\ \mathrm{K}

Passo 5 — a conferência pelo lado externo.

T3−T∞,2=q Rconv,e=50×0,02211=1,11 K⟹T3=400+1,11=401,11 K ✓T_3 - T_{\infty,2} = q\,R_{conv,e} = 50 \times 0{,}02211 = 1{,}11\ \mathrm{K} \qquad\Longrightarrow\qquad T_3 = 400 + 1{,}11 = 401{,}11\ \mathrm{K}\ \checkmark

Passo 6 — onde a temperatura cai.

resistênciavalor [K/W][\mathrm{K/W}]fraçãoΔT\Delta T [K][\mathrm{K}]
convecção interna0,022110{,}022113,4 %3{,}4\ \%1,111{,}11
material AA0,118380{,}1183818,3 %18{,}3\ \%5,925{,}92
isolante0,483620{,}4836274,8 %\mathbf{74{,}8\ \%}24,1824{,}18
convecção externa0,022110{,}022113,4 %3{,}4\ \%1,111{,}11
total0,646210{,}64621100 %100\ \%32,31\mathbf{32{,}31}

As quatro quedas somam 32,31 K32{,}31\ \mathrm{K} ✔ E o isolante, com kk cinco vezes menor que o do material AA, segura três quartos da queda em apenas 2 cm2\ \mathrm{cm} de espessura.

Conferência — raios em metros; os três já vêm dados como raios ✔ cada convecção com o raio da sua face (r1r_1 dentro, r3r_3 fora) ✔ com qq dado, a temperatura sai somando q Rq\,R ✔ as quatro quedas somam 32,31 K32{,}31\ \mathrm{K} ✔ T3T_3 conferido pelos dois caminhos ✔

Sobre o gabarito — a resolução oficial escreve ln⁡(0,13/0,1)\ln(0{,}13/0{,}1) e 2π(0,13)2\pi(0{,}13) em duas linhas, mas o resultado que ela apresenta, 432,31 K432{,}31\ \mathrm{K}, é o que se obtém com r3=0,12 mr_3 = 0{,}12\ \mathrm{m} — o valor do enunciado, usado acima. E os números soltos "568,26568{,}26" e "485,36485{,}36" que aparecem no item (b) dela são restos de outra versão; as temperaturas finais coincidem com as dos passos.

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Questão 07Prova FinalFinal 2023.2Fluxos de massa · Perfil hiperbólico e a concentração total variável2,5 ptsVer material

Considere a transferência de massa de uma mistura entre duas espécies, AA e BB, ao longo de um tubo. Na entrada, a concentração total da mistura é de 50 mol/m350\ \mathrm{mol/m^3} e 60 %60\ \% em mol dessa mistura é da espécie AA. Na saída, a concentração total é de 20 mol/m320\ \mathrm{mol/m^3} e 85 %85\ \% em mol dessa mistura é da espécie AA. A velocidade de escoamento da mistura é constante, de 5,0 m/s5{,}0\ \mathrm{m/s}. O comprimento do tubo é de 2,0 m2{,}0\ \mathrm{m} e o coeficiente de difusão binária é de 4,0×10−2 m2/s4{,}0\times10^{-2}\ \mathrm{m^2/s}.

Determine para AA e para BB as densidades de fluxo difusivo e convectivo na entrada do tubo. Considere o perfil de concentração representado pela expressão

C(x)=C1x+0,5+C2C(x) = \frac{C_1}{x + 0{,}5} + C_2

na qual C1C_1 e C2C_2 são constantes.

Gabarito

Entrada: CA1=30C_{A1} = 30, CB1=20C_{B1} = 20. Saída: CA2=17C_{A2} = 17, CB2=3 mol/m3C_{B2} = 3\ \mathrm{mol/m^3}.

C1A=CA2−CA11L+0,5−10,5=17−30−1,6=8,13C2A=CA1−C1A0,5=13,75C_{1A} = \frac{C_{A2} - C_{A1}}{\dfrac{1}{L + 0{,}5} - \dfrac{1}{0{,}5}} = \frac{17 - 30}{-1{,}6} = 8{,}13 \qquad C_{2A} = C_{A1} - \frac{C_{1A}}{0{,}5} = 13{,}75C1B=3−20−1,6=10,63C2B=20−10,630,5=−1,25C_{1B} = \frac{3 - 20}{-1{,}6} = 10{,}63 \qquad C_{2B} = 20 - \frac{10{,}63}{0{,}5} = -1{,}25
difusivo J′′J''convectivo N′′N''
AA+1,3\mathbf{+1{,}3}150\mathbf{150}
BB+1,7\mathbf{+1{,}7}100\mathbf{100}

tudo em mol/(m2⋅s)\mathrm{mol/(m^2 \cdot s)}.

Passo a passo

Passo 1 — as concentrações nas duas pontas. Atenção dupla: cada seção tem a sua concentração total, e aqui a fração dada é da espécie AA nas duas.

CA1=xA1 CT1=0,60×50=30CB1=(1−0,60)×50=20C_{A1} = x_{A1}\,C_{T1} = 0{,}60 \times 50 = 30 \qquad C_{B1} = (1 - 0{,}60) \times 50 = 20CA2=xA2 CT2=0,85×20=17CB2=(1−0,85)×20=3C_{A2} = x_{A2}\,C_{T2} = 0{,}85 \times 20 = 17 \qquad C_{B2} = (1 - 0{,}85) \times 20 = 3

em mol/m3\mathrm{mol/m^3}. Cada par fecha com a sua total: 30+20=5030 + 20 = 50 ✔ e 17+3=2017 + 3 = 20 ✔

Passo 2 — achar as constantes do perfil hiperbólico. O perfil não é reto nem exponencial: é da forma C(x)=C1/(x+0,5)+C2C(x) = C_1/(x + 0{,}5) + C_2. Duas condições de contorno para duas constantes.

Em x=0x = 0:

CA1=C1A0,5+C2AC_{A1} = \frac{C_{1A}}{0{,}5} + C_{2A}

Em x=L=2,0 mx = L = 2{,}0\ \mathrm{m}:

CA2=C1AL+0,5+C2A=C1A2,5+C2AC_{A2} = \frac{C_{1A}}{L + 0{,}5} + C_{2A} = \frac{C_{1A}}{2{,}5} + C_{2A}

Subtraindo a primeira da segunda, C2C_2 desaparece:

CA2−CA1=C1A(1L+0,5−10,5)⟹C1A=CA2−CA112,5−10,5C_{A2} - C_{A1} = C_{1A}\left(\frac{1}{L + 0{,}5} - \frac{1}{0{,}5}\right) \qquad\Longrightarrow\qquad C_{1A} = \frac{C_{A2} - C_{A1}}{\dfrac{1}{2{,}5} - \dfrac{1}{0{,}5}}C1A=17−300,4−2,0=−13−1,6=8,125C_{1A} = \frac{17 - 30}{0{,}4 - 2{,}0} = \frac{-13}{-1{,}6} = 8{,}125

e de volta na primeira:

C2A=CA1−C1A0,5=30−8,1250,5=30−16,25=13,75C_{2A} = C_{A1} - \frac{C_{1A}}{0{,}5} = 30 - \frac{8{,}125}{0{,}5} = 30 - 16{,}25 = 13{,}75CA(x)=8,125x+0,5+13,75C_A(x) = \frac{8{,}125}{x + 0{,}5} + 13{,}75

Passo 3 — o mesmo para BB.

C1B=3−20−1,6=−17−1,6=10,625C2B=20−10,6250,5=20−21,25=−1,25C_{1B} = \frac{3 - 20}{-1{,}6} = \frac{-17}{-1{,}6} = 10{,}625 \qquad C_{2B} = 20 - \frac{10{,}625}{0{,}5} = 20 - 21{,}25 = -1{,}25CB(x)=10,625x+0,5−1,25C_B(x) = \frac{10{,}625}{x + 0{,}5} - 1{,}25

Passo 4 — derivar o perfil. A derivada de C1/(x+0,5)C_1/(x + 0{,}5) é −C1/(x+0,5)2-C_1/(x + 0{,}5)^2:

dCdx=−C1(x+0,5)2\frac{dC}{dx} = -\frac{C_1}{(x + 0{,}5)^2}

Em x=0x = 0, o denominador vale 0,250{,}25:

dCAdx∣0=−8,1250,25=−32,5 mol/m4dCBdx∣0=−10,6250,25=−42,5 mol/m4\frac{dC_A}{dx}\bigg|_{0} = -\frac{8{,}125}{0{,}25} = -32{,}5\ \mathrm{mol/m^4} \qquad \frac{dC_B}{dx}\bigg|_{0} = -\frac{10{,}625}{0{,}25} = -42{,}5\ \mathrm{mol/m^4}

Os dois gradientes são negativos — as duas espécies perdem concentração ao longo do tubo, porque a mistura toda se dilui.

Passo 5 — os fluxos difusivos, na entrada.

JA′′=−DAB dCAdx=−4,0×10−2×(−32,5)=+1,3 mol/(m2s)J''_A = -D_{AB}\,\frac{dC_A}{dx} = -4{,}0\times10^{-2} \times (-32{,}5) = +1{,}3\ \mathrm{mol/(m^2 s)}JB′′=−4,0×10−2×(−42,5)=+1,7 mol/(m2s)J''_B = -4{,}0\times10^{-2} \times (-42{,}5) = +1{,}7\ \mathrm{mol/(m^2 s)}

Passo 6 — os fluxos convectivos, na entrada.

NA′′=CA1 V=30×5,0=150 mol/(m2s)N''_A = C_{A1}\,V = 30 \times 5{,}0 = 150\ \mathrm{mol/(m^2 s)}NB′′=CB1 V=20×5,0=100 mol/(m2s)N''_B = C_{B1}\,V = 20 \times 5{,}0 = 100\ \mathrm{mol/(m^2 s)}

Confira: NA′′+NB′′=250=CT1 V=50×5N''_A + N''_B = 250 = C_{T1}\,V = 50 \times 5 ✔

Passo 7 — a leitura. O convectivo é cerca de 100 vezes o difusivo. E, como o perfil é hiperbólico, o difusivo varia com a posição: na saída (x=2x = 2, denominador 6,256{,}25) ele cairia para

JA′′(L)=4,0×10−2×8,1256,25=0,052 mol/(m2s)J''_A(L) = 4{,}0\times10^{-2} \times \frac{8{,}125}{6{,}25} = 0{,}052\ \mathrm{mol/(m^2 s)}

vinte e cinco vezes menor que na entrada. É por isso que o enunciado especifica onde avaliar — e por isso que este é o formato mais difícil desta família de questões.

Conferência — cada seção com a sua concentração total ✔ a fração dada é de AA nas duas faces ✔ C1C_1 sai da subtração das duas condições; C2C_2 vem depois ✔ a derivada de C1/(x+0,5)C_1/(x+0{,}5) leva o quadrado no denominador ✔ avaliar em x=0x = 0, porque se pede a entrada ✔ com CTC_T variável, JA′′≠−JB′′J''_A \ne -J''_B ✔

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