Questão 01Prova FinalFinal 2023.1 · Final 2023.2Classificação · Newtonianos e não newtonianos na indústria1,0 ptVer material
Na indústria, os engenheiros frequentemente lidam com uma variedade de fluidos durante o processo de fabricação de produtos como água, molhos, xaropes, cremes, etc. Nesse contexto, explique a diferença entre fluidos newtonianos e não newtonianos e com que propriedade se relaciona essa classificação. Forneça exemplos de fluidos encontrados na indústria que se enquadram em cada categoria.
A classificação é feita pelo gráfico: se a relação entre τ e du/dy é uma reta pela origem, o fluido é newtoniano.
Gabarito
A classificação se relaciona com a viscosidade — mais precisamente, com a relação entre a tensão de cisalhamento aplicada e a taxa de deformação resultante:
τ=μdydu
Newtonianos — obedecem a essa equação de proporcionalidade: há relação linear entre τ e du/dy, isto é, o coeficiente de viscosidade dinâmica μ é constante. Exemplos industriais: água, líquidos finos assemelhados, óleos leves e os gases de maneira geral.
Não newtonianos — não seguem essa proporcionalidade: a relação é variável, e a viscosidade aparente muda com a taxa de cisalhamento. Podem ser pseudoplásticos, dilatantes, plásticos de Bingham, entre outros. Exemplos industriais: mel, ketchup, tintas, cremes, xaropes espessos, lamas e lodos em geral.
Passo a passo
1 — A propriedade que organiza a classificação. É a viscosidade. Mas a pergunta é mais fina que isso: não é o valor da viscosidade que classifica, e sim o fato de ela ser constante ou não.
μ=du/dyτ
constante → newtoniano;
varia com du/dy → não newtoniano.
2 — Os quatro comportamentos do gráfico. A classificação se lê direto na curva τ contra du/dy:
tipo
curva
viscosidade aparente
exemplos industriais
newtoniano
reta pela origem
constante
água, ar, óleos leves, mel
pseudoplástico
côncava para baixo
cai com a agitação
tinta, ketchup, sangue, xampu
dilatante
côncava para cima
cresce com a agitação
amido em água, areia molhada, pasta de cimento
plástico de Bingham
reta a partir de τ0
infinita até τ0
pasta de dente, lama de perfuração, manteiga
3 — Por que isso importa na indústria. Cada categoria muda o projeto:
newtoniano — a perda de carga e a potência de bombeamento saem das fórmulas usuais (Darcy-Weisbach, Moody), porque μ é um número;
pseudoplástico — quanto mais rápido se bombeia, mais fácil fica; é por isso que tinta espalha bem sob o rolo e não escorre da parede depois;
dilatante — quanto mais rápido, mais difícil; bombear rápido demais pode travar o sistema;
Bingham — existe uma tensão mínimaτ0 para o escoamento começar. Uma bomba subdimensionada simplesmente não move o fluido, ainda que a vazão pedida seja pequena.
4 — E os que dependem do tempo. Vale a menção, porque completa o quadro: alguns fluidos mudam de viscosidade com o tempo de agitação, e não apenas com a taxa.
tixotrópico — afina com o tempo de agitação (tintas, iogurte batido);
reopético — engrossa com o tempo (raro; alguns lubrificantes especiais).
Conferência — dizer que a propriedade é a viscosidade, e que o critério é ela ser constante ou não ✔ a diferença é a linearidade entre τ e du/dy ✔ dar exemplos dos dois lados, e industriais como o enunciado pede ✔ mencionar que os não newtonianos se subdividem (pseudoplástico, dilatante, Bingham) sobe a resposta de suficiente para completa ✔
00:00
Questão 02Prova FinalFinal 2023.1Instalação hidráulica · Duas vazões que se juntam e uma turbina2,0 ptsVer material
Considere a instalação hidráulica apresentada na figura. Admitindo que a vazão proporcionada pelo tanque inferior seja de Q1=40L/s, determine o tipo de máquina e a potência da mesma.
Dados:γ=104N/m3; At=0,02m2 (área da seção reta da tubulação); pm=0kPa (pressão manométrica); g=10m/s2; ηm=80%; Hm=5m (altura da máquina). Considere ambos os tanques como sendo de grandes dimensões. Desconsidere a perda de carga.
As duas vazões se juntam em (3): a que vem do tanque (0), por Torricelli, e a que o tanque (1) fornece, Q1=40L/s.
Gabarito
Entre (0) e (2), com pm=0 e perda de carga desprezada:
O escoamento desce dos dois tanques e a máquina está no caminho: ela retira energia — é uma turbina.
Nm=ηmγQ4Hm=0,8104×0,308×5≈1,925×104W≈19,3kW
Passo a passo
Passo 1 — reconhecer que há duas vazões, e uma delas não é dada. O enunciado dá Q1 (do tanque do meio) mas não dá a vazão que vem do tanque (0). Ela tem de sair da própria instalação — e sai por Torricelli, porque a perda de carga foi desprezada.
Passo 2 — a vazão do tanque (0), por Bernoulli entre (0) e (2).
γp0+2gv02+h0=γp2+2gv22+h2
O que cai:
p0=patm=0 em manométrica — o tanque é aberto;
v0≈0 — grandes dimensões;
h2=0 — o ponto (2) está na linha da tubulação, que é o referencial;
p2=pm=0 — é o dado do enunciado, e é ele que faz o problema fechar.
Passo 3 — juntar as vazões. Em (3) as duas correntes se encontram, e da máquina para a frente passa a soma:
Q4=Q1+Q0=0,04+0,2684=0,3084m3/s
Repare na proporção: o tanque de cima traz 87 % da vazão. Os 40L/s do tanque (1) são a menor parcela.
Passo 4 — o tipo de máquina. Os dois tanques estão acima da linha da tubulação e a descarga em (6) é livre, na própria linha. Não há nada a vencer: o escoamento é todo de descida. A máquina, portanto, retira energia do fluido — é uma turbina.
(O próprio enunciado confirma, ao chamar ηm de “eficiência da turbina”.)
Passo 5 — a potência. Com a carga da máquina dada, Hm=5m, e a vazão que a atravessa:
Nm=ηmγQ4Hm=0,8104×0,3084×5=0,815420=19275W
isto é, 1,93×104W≈19,3kW.
Conferência —Q0 não é dado: sai de Torricelli com h0=9m ✔ pm=0 é o que permite usar toda a coluna ✔ a vazão que passa na máquina é a soma das duas ✔ os 7m do tanque (1) não entram, porque Q1 já é dado ✔ máquina em instalação toda de descida é turbina ✔
00:00
Questão 03Prova FinalFinal 2023.1Parede com geração · Temperatura no centro, extrema e as taxas2,0 ptsVer material
Considere a transferência de calor através de uma parede plana (k=0,4W/(m⋅K)) de 40cm de largura e área de seção transversal de 2,0m2, cujas temperaturas nas faces esquerda e direita estão mantidas a 400K e 800K, respectivamente. Na parede, a transferência de calor é unidimensional, sem acúmulo, mas com geração de 6000W/m3. Sabendo que o processo é exotérmico, determine:
a) (1,0 ponto) As temperaturas extrema e no centro da parede.
b) (1,0 ponto) A taxa de transferência de calor nas faces esquerda e direita da parede.
A face direita é a mais quente (800K), então o máximo se desloca para ela — e a face esquerda drena mais calor.
Passo 1 — a semiespessura, e por que ela é metade. Com a origem no centro da parede, ela vai de −L a +L:
2L=40cm⟹L=20cm=0,20m
Passo 2 — o perfil, montado pelas duas condições de contorno. Regime permanente (“sem acúmulo”) com geração dá parábola, e as duas temperaturas prescritas fixam as constantes:
T(x)=2kq˙(L2−x2)+2LT2−T1x+2T1+T2
Substituindo q˙=6000, k=0,4, L=0,2, T1=400 e T2=800:
Os sinais dizem que o calor sai pelas duas faces: pela esquerda no sentido −x e pela direita no sentido +x. E a repartição é desigual — a face esquerda leva o dobro.
Passo 7 — a conferência que fecha tudo. Todo o calor gerado no volume tem de sair pelas faces:
Conferência —L é a semiespessura, 0,20m ✔ centro e extremo são pontos diferentes, e a questão pede os dois ✔ o extremo desloca-se para o lado mais quente ✔ o item (b) pede taxa em watt, então A entra ✔ os módulos das taxas somam q˙V ✔
00:00
Questão 04Prova FinalFinal 2023.1Fluxos de massa · Quando cada espécie tem a sua velocidade2,0 ptsVer material
Considere a transferência de massa de uma mistura entre duas espécies, A e B, ao longo de um tubo. Na entrada, 90% em mol dessa mistura é da espécie A. Na saída, 50% em mol dessa mistura é da espécie B. A concentração total da mistura é de 100mol/m3, constante ao longo do tubo. A espécie A entra com velocidade de 2,0m/s, enquanto a espécie B com 3,0m/s (escoando na mesma direção). O comprimento do tubo é de 4,0m e o coeficiente de difusão binária é de 4,0×10−2m2/s.
Determine para A e para B as densidades de fluxo difusivo e convectivona saída do tubo.
Gabarito
Na saída: CA2=CB2=50mol/m3.
Velocidade média molar da mistura na saída:
V2=yA2vA+yB2vB=0,5(2,0)+0,5(3,0)=2,5m/s
difusivo J′′
convectivo n′′
A
+0,4
125
B
−0,4
125
tudo em mol/(m2⋅s).
Passo a passo
Passo 1 — completar as frações e achar as concentrações. A concentração total é constante, C=100mol/m3:
Passo 3 — a novidade da questão: cada espécie tem a sua velocidade. O enunciado dá vA=2,0 e vB=3,0m/s. Não há uma “velocidade da mistura” dada — ela tem de ser construída, e é a média ponderada pelas frações molares:
Iguais, porque na saída as duas concentrações são iguais. E a soma confere:
nA′′+nB′′=250=CV2=100×2,5✓
Passo 5 — os fluxos absolutos, de bônus. O enunciado não pede, mas eles fecham o quadro:
NA,abs′′=0,4+125=125,4NB,abs′′=−0,4+125=124,6
E há uma checagem elegante: o fluxo absoluto de cada espécie também pode ser escrito como Civi — usando a velocidade da própria espécie:
CA2vA=50×2,0=100CB2vB=50×3,0=150
Conferência — as frações da saída dão 50/50 ✔ o difusivo sai de Fick, com C constante e portanto JA′′=−JB′′ ✔ a velocidade da mistura é a média ponderada das velocidades das espécies ✔ ela é avaliada na saída, com as frações de lá ✔ a soma dos convectivos dá CV ✔
00:00
Questão 05Prova FinalFinal 2023.2Bomba · Dois reservatórios pressurizados e a altura manométrica2,0 ptsVer material
Considere um sistema composto por dois reservatórios fechados, (1) e (2), contendo água pressurizada, interligados por uma tubulação de 20cm de diâmetro. No meio da tubulação existe uma bomba, que transporta água do reservatório (1) para o (2) numa vazão de 0,05m3/s. A superfície da água no reservatório (1) está 5mabaixo da linha da bomba, enquanto no (2) está 10macima dessa linha. A pressão na superfície de (1) é de 2atm, enquanto para (2) é de 5atm. A perda de carga ao longo da tubulação é de 10m. Considere a velocidade de escoamento no reservatório (1) nula (grandes dimensões).
a) (1,0 pt.) A altura da bomba.
b) (1,0 pt.) A potência real da bomba, considerando uma eficiência de 85%.
Dados:γH2O=104N/m3; g=10m/s2.
Os dois reservatórios são fechados e pressurizados: nenhuma das duas parcelas de pressão se cancela, e as duas entram na conta.
Pequena, mas o gabarito a mantém — e mantê-la não custa nada.
Passo 2 — a equação da energia, sem cancelar as pressões. Aqui está a diferença desta questão: os dois reservatórios são fechados e pressurizados.
γp1+2gv12+y1+HB=γp2+2gv22+y2+hp
Só uma coisa cai: v1=0 (grandes dimensões, e o enunciado manda considerar). As duas parcelas de pressão ficam.
HB=γp2+2gv22+y2+hp−(γp1+y1)
Passo 3 — as cotas, com o sinal certo. O referencial é a linha da bomba:
y1=−5m(a superfıˊcie de (1) estaˊabaixo)y2=+10m
E as cargas de pressão, com 1atm=105Pa:
γp1=1042×105=20mγp2=1045×105=50m
Passo 4 — juntar.
HB=50+0,127+10+10−(20+(−5))=70,127−15=55,13m
Passo 5 — de onde vêm os 55 m. Vale decompor, porque mostra o que a bomba está pagando:
parcela
valor [m]
diferença de pressurização, (p2−p1)/γ
+30,0
diferença de altura, y2−y1=10−(−5)
+15,0
perda de carga, hp
+10,0
carga cinética de chegada, v22/2g
+0,13
total
55,13
Positivo em todas as parcelas: tudo neste sistema pede energia. Nada estranho que a máquina seja bomba, como o enunciado já adianta.
Passo 6 — item (b): a potência. Ideal primeiro:
Nideal=γQHB=104×0,05×55,13=27565W≈2,76×104W
E a real, com o rendimento dividindo (é bomba):
Nreal=0,8527565=32429W≈3,24×104W=32,4kW
Conferência — os dois reservatórios são fechados, então nenhuma pressão se cancela ✔ y1 é negativo, porque (1) está abaixo do referencial ✔ atm para pascal, e depois para metro de coluna dividindo por γ ✔ bomba: rendimento divide ✔ Nreal>Nideal ✔
Sobre o gabarito — a resolução oficial imprime 10×105 e 5×105 nas cargas de pressão (o que corresponderia a 10 e 5atm), mas o resultado final que ela apresenta, 55,13m, é o que se obtém com os 5 e 2atm do enunciado, como acima. São dígitos trocados na digitação.
00:00
Questão 06Prova FinalFinal 2023.2Tubo isolado · Achar a temperatura do fluido interno2,5 ptsVer material
Um tubo de um material A (kA=0,1W/(m⋅K)) de raios interno e externo de 8cm e 10cm, respectivamente, e 3m de comprimento, possui uma camada externa de isolante térmico (kiso=0,02W/(m⋅K)) de raio externo de 12cm. No exterior da tubulação escoa um fluido (he=20W/(m2⋅K)) a 400K. Sabendo que a taxa de calor transferido através do sistema é de 50W, e que outro fluido (hi=30W/(m2⋅K)) escoa na parte interna da tubulação, determine:
a) (1,5 pts.) A temperatura do fluido interno.
b) (1,0 pt.) As temperaturas nas interfaces entre os fluidos e os materiais, e entre o material A e o isolante.
O fluxo é dado e a temperatura é a incógnita: a conta é a de sempre, só que resolvida ao contrário.
Passo 1 — o problema é o de sempre, ao contrário. Nas questões anteriores, as temperaturas eram dadas e q era a incógnita. Aqui q=50W é dado e a temperatura do fluido interno é o que se busca. A ferramenta é a mesma: somar as resistências.
Passo 2 — as quatro resistências. Raios em metros: r1=0,08, r2=0,10, r3=0,12; L=3m.
As quatro quedas somam 32,31K ✔ E o isolante, com k cinco vezes menor que o do material A, segura três quartos da queda em apenas 2cm de espessura.
Conferência — raios em metros; os três já vêm dados como raios ✔ cada convecção com o raio da sua face (r1 dentro, r3 fora) ✔ com q dado, a temperatura sai somando qR ✔ as quatro quedas somam 32,31K ✔ T3 conferido pelos dois caminhos ✔
Sobre o gabarito — a resolução oficial escreve ln(0,13/0,1) e 2π(0,13) em duas linhas, mas o resultado que ela apresenta, 432,31K, é o que se obtém com r3=0,12m — o valor do enunciado, usado acima. E os números soltos "568,26" e "485,36" que aparecem no item (b) dela são restos de outra versão; as temperaturas finais coincidem com as dos passos.
00:00
Questão 07Prova FinalFinal 2023.2Fluxos de massa · Perfil hiperbólico e a concentração total variável2,5 ptsVer material
Considere a transferência de massa de uma mistura entre duas espécies, A e B, ao longo de um tubo. Na entrada, a concentração total da mistura é de 50mol/m3 e 60% em mol dessa mistura é da espécie A. Na saída, a concentração total é de 20mol/m3 e 85% em mol dessa mistura é da espécie A. A velocidade de escoamento da mistura é constante, de 5,0m/s. O comprimento do tubo é de 2,0m e o coeficiente de difusão binária é de 4,0×10−2m2/s.
Determine para A e para B as densidades de fluxo difusivo e convectivona entrada do tubo. Considere o perfil de concentração representado pela expressão
em mol/m3. Cada par fecha com a sua total: 30+20=50 ✔ e 17+3=20 ✔
Passo 2 — achar as constantes do perfil hiperbólico. O perfil não é reto nem exponencial: é da forma C(x)=C1/(x+0,5)+C2. Duas condições de contorno para duas constantes.
Passo 7 — a leitura. O convectivo é cerca de 100 vezes o difusivo. E, como o perfil é hiperbólico, o difusivo varia com a posição: na saída (x=2, denominador 6,25) ele cairia para
JA′′(L)=4,0×10−2×6,258,125=0,052mol/(m2s)
vinte e cinco vezes menor que na entrada. É por isso que o enunciado especifica onde avaliar — e por isso que este é o formato mais difícil desta família de questões.
Conferência — cada seção com a sua concentração total ✔ a fração dada é de Anas duas faces ✔ C1 sai da subtração das duas condições; C2 vem depois ✔ a derivada de C1/(x+0,5) leva o quadrado no denominador ✔ avaliar em x=0, porque se pede a entrada ✔ com CT variável, JA′′=−JB′′ ✔