A estratégia, antes das contas. As quatro saem das mesmas duas fórmulas — o que muda é a ordem do polo:
∮γz−z0f(z)dz=2πif(z0)∮γ(z−z0)n+1f(z)dz=n!2πif(n)(z0)com f analítica dentro e sobre γ. O trabalho é sempre o mesmo: achar o polo, conferir se ele está dentro da curva, e separar quem é o f analítico.
Item 1 — polo simples, e um sinal que se perde fácil. Primeiro arrume o denominador na forma z−z0:
1−zz=z−1−z⟹f(z)=−z,z0=1O sinal sai daí: 1−z=−(z−1). Quem esquece isso erra o sinal da resposta inteira.
O polo z0=1 tem ∣1∣=1<2, então está dentro de γ. E f(z)=−z é inteira. Pela fórmula de Cauchy:
∮∣z∣=2z−1−zdz=2πif(1)=2πi(−1)−2πi
Item 2 — polo duplo: entra a fórmula das derivadas. O denominador é z2=(z−0)1+1, logo n=1 e z0=0, com
f(z)=e−zsen(z)que é inteira (produto de inteiras). A origem está dentro de ∣z∣=2. A fórmula pede uma derivada:
f′(z)=−e−zsen(z)+e−zcos(z)=e−z[cos(z)−sen(z)]f′(0)=1⋅(1−0)=1∮∣z∣=2z2e−zsen(z)dz=1!2πif′(0)=2πi⋅12πi
Item 3 — dois polos, e uma observação sobre a curva. Fatorando o denominador:
z2+a2=(z−ia)(z+ia)Os polos são z=±ia, ambos com módulo exatamente a — isto é, eles caem sobre a circunferência ∣z∣=a, e não dentro dela. Uma integral de contorno com singularidade em cima do caminho não está definida no sentido usual; o que a prova quer é a curva que envolve os dois polos, e é assim que a questão se resolve.
Com os dois dentro, vale o teorema dos resíduos (ou a fórmula de Cauchy aplicada duas vezes):
Resz=ia=2iaei(ia)=2iae−aResz=−ia=−2iaei(−ia)=−2iaea∑Res=2iae−a−ea=2ia−2senh(a)=aisenh(a)∮z2+a2eizdz=2πi⋅aisenh(a)−a2πsenh(a)Se o enunciado for lido ao pé da letra, com os polos sobre a curva, o que existe é o valor principal de Cauchy, que para polos simples no caminho vale πi vezes a soma dos resíduos — ou seja, metade: −πsenh(a)/a.
Item 4 — o fatorial cancela, e sobra 1. Aqui (z−1)11=(z−z0)n+1 com z0=1 e n=10, e f(z)=z10, inteira. O polo está dentro de ∣z∣=2.
A décima derivada de z10 é constante:
f(10)(z)=10!2πi1∮∣z∣=2(z−1)11z10dz=2πi1⋅10!2πif(10)(1)=10!10!1O 1/2πi na frente não é decoração: ele existe justamente para deixar a resposta limpa. Sem ele, seria 2πi.
Conferência — o item 3 tem um teste que vale ouro: faça a→0. A integral vira ∮eiz/z2dz, um polo duplo na origem, que pelo item 2 dá 2πif′(0) com f=eiz, ou seja 2πi⋅i=−2π. E o resultado geral, com senh(a)≈a para a pequeno, dá −2πa/a=−2π ✔ Os dois caminhos concordam, o que confirma o sinal e o fator.
E, nos quatro itens, a pergunta que evita o erro mais comum: o polo está dentro da curva? Se estivesse fora, a resposta seria zero por Cauchy-Goursat, sem conta nenhuma.