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Nabla
MATM0006 · 60h

Complementos de Matemática

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Sorteia questões desta prova, esconde os gabaritos e roda um cronômetro. No fim, você corrige e vê a nota.

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Questão 011º EE2023.2Complexos · Forma cartesiana de um quociente e forma polar2,0 ptsVer material

Dado z=3+3 iz = 3 + \sqrt3\,i e w=Log⁡(1−i)w = \operatorname{Log}(1-i), calcule

a) a forma cartesiana de z2w\dfrac{z^2}{w};

b) a forma polar de zz.

Gabarito

a)

z2w=48ln⁡2−243 π4ln⁡22+π2+i 24π+483 ln⁡24ln⁡22+π2≈−8,25+11,28 i\frac{z^2}{w} = \frac{48\ln 2 - 24\sqrt3\,\pi}{4\ln^2 2 + \pi^2} + i\,\frac{24\pi + 48\sqrt3\,\ln 2}{4\ln^2 2 + \pi^2} \approx -8{,}25 + 11{,}28\,i

b) z=23 eiπ/6z = 2\sqrt3\,e^{i\pi/6}

Passo a passo

Passo 1 — o quadrado, pelo produto notável. Nada de forma polar aqui: elevar ao quadrado na forma algébrica é direto.

z2=(3+3 i)2=9+63 i+3i2=6+63 iz^2 = (3 + \sqrt3\,i)^2 = 9 + 6\sqrt3\,i + 3i^2 = 6 + 6\sqrt3\,i

Conferência pelo módulo, que é mais rápida que refazer: ∣z∣=9+3=12|z| = \sqrt{9+3} = \sqrt{12}, logo ∣z2∣=12|z^2| = 12 — e 36+108=12\sqrt{36 + 108} = 12 ✔

Passo 2 — o logaritmo principal. w=Log⁡(1−i)w = \operatorname{Log}(1-i) pede módulo e argumento principal de 1−i1-i, que está no 4º quadrante:

∣1−i∣=2,Arg⁡(1−i)=−π4|1-i| = \sqrt2, \qquad \operatorname{Arg}(1-i) = -\frac{\pi}{4}w=ln⁡2−i π4=ln⁡22−i π4w = \ln\sqrt2 - i\,\frac{\pi}{4} = \frac{\ln 2}{2} - i\,\frac{\pi}{4}

O erro de quadrante aqui inverte o sinal da parte imaginária de tudo o que vem depois.

Passo 3 — a divisão, pelo conjugado. Multiplique numerador e denominador por 44 para limpar as frações e depois pelo conjugado do denominador:

z2w=6+63 iln⁡22−iπ4=24+243 i2ln⁡2−iπ=(24+243 i)(2ln⁡2+iπ)4ln⁡22+π2\frac{z^2}{w} = \frac{6 + 6\sqrt3\,i}{\tfrac{\ln 2}{2} - i\tfrac{\pi}{4}} = \frac{24 + 24\sqrt3\,i}{2\ln 2 - i\pi} = \frac{(24 + 24\sqrt3\,i)(2\ln 2 + i\pi)}{4\ln^2 2 + \pi^2}

Abrindo o numerador, com i2=−1i^2 = -1:

(24+243 i)(2ln⁡2+iπ)=(48ln⁡2−243 π)+i(24π+483 ln⁡2)(24 + 24\sqrt3\,i)(2\ln 2 + i\pi) = \big(48\ln 2 - 24\sqrt3\,\pi\big) + i\big(24\pi + 48\sqrt3\,\ln 2\big)z2w=48ln⁡2−243 π4ln⁡22+π2+i 24π+483 ln⁡24ln⁡22+π2\frac{z^2}{w} = \frac{48\ln 2 - 24\sqrt3\,\pi}{4\ln^2 2 + \pi^2} + i\,\frac{24\pi + 48\sqrt3\,\ln 2}{4\ln^2 2 + \pi^2}

Numericamente, com 4ln⁡22+π2=11,794\ln^2 2 + \pi^2 = 11{,}79:

z2w≈−97,33+133,02 i11,79≈−8,25+11,28 i\frac{z^2}{w} \approx \frac{-97{,}33 + 133{,}02\,i}{11{,}79} \approx -8{,}25 + 11{,}28\,i

Passo 4 — a forma polar de zz. Módulo e argumento, com z=3+3iz = 3+\sqrt3 i no 1º quadrante:

r=9+3=12=23,θ=arctan⁡33=arctan⁡13=π6r = \sqrt{9+3} = \sqrt{12} = 2\sqrt3, \qquad \theta = \arctan\frac{\sqrt3}{3} = \arctan\frac{1}{\sqrt3} = \frac{\pi}{6}  z=23 eiπ/6=23(cos⁡π6+isen⁡π6)  \boxed{\;z = 2\sqrt3\,e^{i\pi/6} = 2\sqrt3\left(\cos\frac\pi6 + i\operatorname{sen}\frac\pi6\right)\;}

Conferência — 23cos⁡(π/6)=23⋅32=32\sqrt3\cos(\pi/6) = 2\sqrt3\cdot\tfrac{\sqrt3}{2} = 3 ✔ e 23sen⁡(π/6)=23⋅12=32\sqrt3\operatorname{sen}(\pi/6) = 2\sqrt3\cdot\tfrac12 = \sqrt3 ✔

O que a questão testa é a divisão de trabalho entre as duas formas: algébrica para somar, subtrair e elevar a expoente pequeno; polar para argumento, módulo e potência alta. Quem tentou o item (a) em forma polar gastou o dobro do tempo.

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Questão 021º EE2023.2Raízes · Todas as soluções de z³ = −i1,0 ptVer material

Encontre todas as soluções de z3=−iz^3 = -i.

Gabarito
z0=e−iπ/6=32−i2,z1=eiπ/2=i,z2=ei 7π/6=−32−i2z_0 = e^{-i\pi/6} = \frac{\sqrt3}{2} - \frac{i}{2}, \qquad z_1 = e^{i\pi/2} = i, \qquad z_2 = e^{i\,7\pi/6} = -\frac{\sqrt3}{2} - \frac{i}{2}
Passo a passo

Passo 1 — a forma polar do lado direito. É o passo que a maioria pula, e sem ele não há fórmula a aplicar. O ponto −i-i está no eixo imaginário negativo:

∣−i∣=1,Arg⁡(−i)=−π2⟹−i=e−iπ/2|-i| = 1, \qquad \operatorname{Arg}(-i) = -\frac{\pi}{2} \qquad\Longrightarrow\qquad -i = e^{-i\pi/2}

Passo 2 — a fórmula das nn raízes. Em C\mathbb{C}, z3=wz^3 = w tem três soluções: o módulo sai da raiz cúbica real e o argumento se divide em três, espaçado de 2π/32\pi/3.

zk=13  exp⁡ ⁣(i −π/2+2kπ3),k=0,1,2z_k = \sqrt[3]{1}\; \exp\!\left(i\,\frac{-\pi/2 + 2k\pi}{3}\right), \qquad k = 0, 1, 2

Passo 3 — as três raízes, uma a uma.

k=0:z0=e−iπ/6=cos⁡−π6+isen⁡−π6=32−i2k=0:\quad z_0 = e^{-i\pi/6} = \cos\frac{-\pi}{6} + i\operatorname{sen}\frac{-\pi}{6} = \frac{\sqrt3}{2} - \frac{i}{2}k=1:z1=exp⁡ ⁣(i −π/2+2π3)=eiπ/2=ik=1:\quad z_1 = \exp\!\left(i\,\frac{-\pi/2 + 2\pi}{3}\right) = e^{i\pi/2} = ik=2:z2=exp⁡ ⁣(i −π/2+4π3)=ei 7π/6=−32−i2k=2:\quad z_2 = \exp\!\left(i\,\frac{-\pi/2 + 4\pi}{3}\right) = e^{i\,7\pi/6} = -\frac{\sqrt3}{2} - \frac{i}{2}

Conferência 1 — a mais rápida. As raízes de índice n≥2n \ge 2 somam zero, porque são vértices de um polígono regular centrado na origem:

z0+z1+z2=(32−32)+i(−12+1−12)=0  ✓z_0 + z_1 + z_2 = \left(\frac{\sqrt3}{2} - \frac{\sqrt3}{2}\right) + i\left(-\frac12 + 1 - \frac12\right) = 0 \;\checkmark

Conferência 2 — a raiz mais fácil de testar é z1=iz_1 = i: i3=i2⋅i=−ii^3 = i^2\cdot i = -i ✔

Leitura geométrica. As três estão na circunferência de raio 11, a 120°120° uma da outra, nos ângulos −30°-30°, 90°90° e 210°210°. Se as suas raízes não formarem um triângulo equilátero, alguma está errada.

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Questão 031º EE2023.2Exponencial · Todas as soluções de exp(z) = 4i1,0 ptVer material

Encontre todas as soluções de exp⁡(z)=4i\exp(z) = 4i.

Gabarito
z=ln⁡4+i(π2+2kπ),k∈Zz = \ln 4 + i\left(\frac{\pi}{2} + 2k\pi\right), \qquad k \in \mathbb{Z}
Passo a passo

Passo 1 — por que há infinitas soluções. A exponencial complexa é periódica de período 2πi2\pi i:

ez+2πi=ez e2πi=ez⋅1=eze^{z + 2\pi i} = e^z\,e^{2\pi i} = e^z \cdot 1 = e^z

Função periódica não tem inversa única. Então “todas as soluções” quer o logaritmo completo, com o 2kπi2k\pi i escrito — e não o ramo principal.

Passo 2 — separar módulo e argumento. Escreva z=x+iyz = x + iy:

ex+iy=ex(cos⁡y+isen⁡y)=4ie^{x+iy} = e^x\big(\cos y + i\operatorname{sen} y\big) = 4i

Comparando módulo e argumento dos dois lados:

ex=∣4i∣=4⟹x=ln⁡4e^{x} = |4i| = 4 \qquad\Longrightarrow\qquad x = \ln 4y=arg⁡(4i)=π2+2kπ,k∈Zy = \arg(4i) = \frac{\pi}{2} + 2k\pi, \qquad k \in \mathbb{Z}

Passo 3 — juntar.

  z=ln⁡4+i(π2+2kπ),k∈Z  \boxed{\;z = \ln 4 + i\left(\frac{\pi}{2} + 2k\pi\right),\qquad k \in \mathbb{Z}\;}

Equivalentemente, z=log⁡(4i)z = \log(4i) com o logaritmo completo. O valor principal (k=0k=0) é ln⁡4+iπ/2\ln 4 + i\pi/2.

Conferência — teste k=0k=0: eln⁡4+iπ/2=4 eiπ/2=4ie^{\ln 4 + i\pi/2} = 4\,e^{i\pi/2} = 4i ✔ E k=1k=1 dá o mesmo, porque e2πi=1e^{2\pi i} = 1.

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Questão 041º EE2023.2Harmônicas · Reconstruir f(z) a partir da parte real2,5 ptsVer material

Dada u(x,y)=1−9xy2+4y2+3x3−4x2+xu(x,y) = 1 - 9xy^2 + 4y^2 + 3x^3 - 4x^2 + x,

a) prove que u(x,y)u(x,y) é a parte real de uma função analítica f(z)=u(x,y)+i v(x,y)f(z) = u(x,y) + i\,v(x,y);

b) calcule f′(z)f'(z);

c) encontre a função f(z)f(z) sabendo que f(i)=−if(i) = -i.

Gabarito

a) uxx+uyy=(18x−8)+(−18x+8)=0u_{xx} + u_{yy} = (18x-8) + (-18x+8) = 0: uu é harmônica em todo o plano, logo é parte real de uma analítica.

b) f′(z)=(9x2−9y2−8x+1)+i(18xy−8y)=9z2−8z+1f'(z) = (9x^2 - 9y^2 - 8x + 1) + i(18xy - 8y) = 9z^2 - 8z + 1

c) O item não tem solução como está — o próprio gabarito da prova diz isso. Com v=9x2y−3y3−8xy+y+Cv = 9x^2y - 3y^3 - 8xy + y + C, vale f(i)=5+i(C−2)f(i) = 5 + i(C-2), e nenhum CC real faz isso valer −i-i. Com a condição corrigida f(i)=5−if(i) = 5 - i, sai C=1C = 1 e

f(z)=3z3−4z2+z+1+if(z) = 3z^3 - 4z^2 + z + 1 + i
Passo a passo

Passo 1 — o critério é a equação de Laplace. Uma função é parte real de analítica exatamente quando é harmônica. Então o item (a) é calcular duas derivadas segundas e somar.

ux=9x2−9y2−8x+1⟹uxx=18x−8u_x = 9x^2 - 9y^2 - 8x + 1 \qquad\Longrightarrow\qquad u_{xx} = 18x - 8uy=−18xy+8y⟹uyy=−18x+8u_y = -18xy + 8y \qquad\Longrightarrow\qquad u_{yy} = -18x + 8uxx+uyy=(18x−8)+(−18x+8)=0  ✓u_{xx} + u_{yy} = (18x - 8) + (-18x + 8) = 0 \;\checkmark

As parciais são polinomiais, logo contínuas em todo o plano: uu é harmônica em C\mathbb{C} e a conjugada existe.

Passo 2 — a derivada, sem precisar de vv. Vale f′(z)=ux+i vxf'(z) = u_x + i\,v_x, e Cauchy-Riemann dá vx=−uyv_x = -u_y:

f′(z)=ux−i uy=(9x2−9y2−8x+1)+i(18xy−8y)f'(z) = u_x - i\,u_y = \big(9x^2 - 9y^2 - 8x + 1\big) + i\big(18xy - 8y\big)

É esta a forma que o gabarito destaca. E o reconhecimento que abrevia o item (c): agrupando,

f′(z)=9(x2−y2+2ixy)−8(x+iy)+1=9z2−8z+1f'(z) = 9\big(x^2 - y^2 + 2ixy\big) - 8(x + iy) + 1 = 9z^2 - 8z + 1

porque z2=(x2−y2)+2ixyz^2 = (x^2-y^2) + 2ixy e z=x+iyz = x+iy.

Passo 3 — a conjugada harmônica, pelo roteiro de sempre. De vy=uxv_y = u_x:

v=∫(9x2−9y2−8x+1)dy=9x2y−3y3−8xy+y+g(x)v = \int \big(9x^2 - 9y^2 - 8x + 1\big)dy = 9x^2y - 3y^3 - 8xy + y + g(x)

Derivando em xx e comparando com vx=−uy=18xy−8yv_x = -u_y = 18xy - 8y:

18xy−8y+g′(x)=18xy−8y⟹g′(x)=0⟹g=C18xy - 8y + g'(x) = 18xy - 8y \qquad\Longrightarrow\qquad g'(x) = 0 \qquad\Longrightarrow\qquad g = Cv(x,y)=9x2y−3y3−8xy+y+C,C∈Rv(x,y) = 9x^2y - 3y^3 - 8xy + y + C, \qquad C \in \mathbb{R}

Equivalentemente, f(z)=3z3−4z2+z+1+iCf(z) = 3z^3 - 4z^2 + z + 1 + iC — o 11 vem de u(0,0)=1u(0,0) = 1 e não é ajustável.

Passo 4 — impor f(i)=−if(i) = -i, e ver que não fecha. Em z=iz = i vale x=0x=0 e y=1y=1:

Re⁡f(i)=u(0,1)=1−0+4+0−0+0=5\operatorname{Re} f(i) = u(0,1) = 1 - 0 + 4 + 0 - 0 + 0 = 5Im⁡f(i)=v(0,1)=0−3−0+1+C=C−2\operatorname{Im} f(i) = v(0,1) = 0 - 3 - 0 + 1 + C = C - 2f(i)=5+i (C−2)f(i) = 5 + i\,(C-2)

A condição pede f(i)=−if(i) = -i, isto é, parte real zero. Mas a parte real de f(i)f(i) já está decidida por uu: vale 55, e nenhuma constante imaginária muda isso. O item, como impresso, não tem solução.

Passo 5 — a correção que o gabarito indica. Trocando a condição por f(i)=5−if(i) = 5 - i, que é compatível com a uu dada:

C−2=−1⟹C=1C - 2 = -1 \qquad\Longrightarrow\qquad C = 1  f(z)=3z3−4z2+z+1+i  \boxed{\;f(z) = 3z^3 - 4z^2 + z + 1 + i\;}

Conferência — f(i)=3(−i)−4(−1)+i+1+i=−3i+4+i+1+i=5−if(i) = 3(-i) - 4(-1) + i + 1 + i = -3i + 4 + i + 1 + i = 5 - i ✔ E as duas equações de Cauchy-Riemann fecham com o par (u,v)(u,v) do passo 3 ✔

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Questão 051º EE2023.2Integral de linha · Sobre um segmento, com f não analítica1,5 ptsVer material

Calcule

∫γ[(4xy−y2)+i (3xy2+3x2y)] dz\int_{\gamma} \Big[(4xy - y^2) + i\,(3xy^2 + 3x^2y)\Big]\,dz

ao longo do segmento de reta γ\gamma que liga os pontos z0=0z_0 = 0 e z1=−1+2iz_1 = -1 + 2i.

Gabarito
∫γf(z) dz=7−132i\int_{\gamma} f(z)\,dz = 7 - \frac{13}{2}i
Passo a passo

Passo 1 — verificar se há atalho. Não há. Antes de parametrizar, vale testar Cauchy-Riemann: se ff fosse analítica, a integral dependeria só das pontas.

u=4xy−y2,v=3xy2+3x2y⟹ux=4y,vy=6xy+3x2u = 4xy - y^2,\quad v = 3xy^2 + 3x^2y \qquad\Longrightarrow\qquad u_x = 4y,\quad v_y = 6xy + 3x^2

ux≠vyu_x \ne v_y, então ff não é analítica e não existe primitiva. É parametrizar e integrar.

Passo 2 — parametrizar o segmento. A parametrização de um segmento de z0z_0 a z1z_1 é sempre a mesma:

z(t)=z0+t (z1−z0)=t (−1+2i),t∈[0,1]z(t) = z_0 + t\,(z_1 - z_0) = t\,(-1 + 2i), \qquad t \in [0,1]

Daí saem as três coisas de que se precisa:

x=−t,y=2t,dz=(−1+2i) dtx = -t, \qquad y = 2t, \qquad dz = (-1+2i)\,dt

Passo 3 — escrever o integrando no parâmetro. Este é o passo que decide: troque xx e yy por tt antes de qualquer conta.

u=4(−t)(2t)−(2t)2=−8t2−4t2=−12t2u = 4(-t)(2t) - (2t)^2 = -8t^2 - 4t^2 = -12t^2v=3(−t)(2t)2+3(−t)2(2t)=−12t3+6t3=−6t3v = 3(-t)(2t)^2 + 3(-t)^2(2t) = -12t^3 + 6t^3 = -6t^3f(z(t))=−12t2−6i t3f\big(z(t)\big) = -12t^2 - 6i\,t^3

Passo 4 — integrar em tt. O fator (−1+2i)(-1+2i) é constante e sai da integral:

∫γf dz=(−1+2i)∫01(−12t2−6i t3)dt=(−1+2i)[−4t3−3i2t4]01\int_\gamma f\,dz = (-1+2i)\int_0^1 \big(-12t^2 - 6i\,t^3\big)dt = (-1+2i)\left[-4t^3 - \frac{3i}{2}t^4\right]_0^1=(−1+2i)(−4−32i)= (-1+2i)\left(-4 - \frac{3}{2}i\right)

Passo 5 — o produto final, com i2=−1i^2 = -1:

(−1+2i)(−4−32i)=4+32i−8i−3i2=4+3+(32−8)i(-1+2i)\left(-4 - \frac32 i\right) = 4 + \frac32 i - 8i - 3i^2 = 4 + 3 + \left(\frac32 - 8\right)i  ∫γf(z) dz=7−132 i  \boxed{\;\int_\gamma f(z)\,dz = 7 - \frac{13}{2}\,i\;}

Conferência — a integral de uma função contínua num caminho de comprimento L=∣−1+2i∣=5≈2,24L = |{-1+2i}| = \sqrt5 \approx 2{,}24 com ∣f∣≤122+62≈13,4|f| \le \sqrt{12^2 + 6^2} \approx 13{,}4 no caminho tem de respeitar a estimativa ML: ∣7−6,5i∣=9,55≤13,4×2,24=30|7 - 6{,}5i| = 9{,}55 \le 13{,}4 \times 2{,}24 = 30 ✔

A lição da questão é o teste do passo 1. Boa parte das integrais desta prova é resolvida por Cauchy sem parametrizar nada — esta não, e o enunciado avisa disso dando uma ff escrita em xx e yy em vez de em zz.

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Questão 061º EE2023.2Resíduos · Polo simples e polo duplo na mesma integral1,5 ptsVer material

Calcule

∮Cz4 dz(z+2i)2(z−1)\oint_{C} \frac{z^4\,dz}{(z + 2i)^2 (z-1)}

onde CC é o círculo de raio 55 centrado na origem, percorrido no sentido anti-horário.

Gabarito
∮Cz4 dz(z+2i)2(z−1)=2πi (−11−4i)=8π−22πi\oint_C \frac{z^4\,dz}{(z+2i)^2(z-1)} = 2\pi i\,(-11 - 4i) = 8\pi - 22\pi i
Passo a passo

Passo 1 — listar as singularidades e ver quais estão dentro. É sempre o primeiro passo, e aqui ele decide que a questão é de resíduos e não de fórmula de Cauchy.

z=−2i    (polo de ordem 2),z=1    (polo simples)z = -2i \;\;(\text{polo de ordem } 2), \qquad z = 1 \;\;(\text{polo simples})

∣−2i∣=2<5|-2i| = 2 < 5 e ∣1∣=1<5|1| = 1 < 5: as duas estão dentro de CC. Com duas singularidades, o caminho é o teorema dos resíduos.

Passo 2 — resíduo em z=1z = 1, que é simples. Basta cortar o fator e avaliar:

Res⁡(f,1)=z4(z+2i)2∣z=1=1(1+2i)2\operatorname{Res}(f, 1) = \frac{z^4}{(z+2i)^2}\bigg|_{z=1} = \frac{1}{(1+2i)^2}(1+2i)2=1+4i+4i2=−3+4i⟹Res⁡(f,1)=1−3+4i=−3−4i25(1+2i)^2 = 1 + 4i + 4i^2 = -3 + 4i \qquad\Longrightarrow\qquad \operatorname{Res}(f,1) = \frac{1}{-3+4i} = \frac{-3-4i}{25}

Passo 3 — resíduo em z=−2iz = -2i, que é duplo. Ordem m=2m = 2 pede uma derivada:

Res⁡(f,−2i)=11!lim⁡z→−2iddz[z4z−1]\operatorname{Res}(f,-2i) = \frac{1}{1!}\lim_{z\to-2i}\frac{d}{dz}\left[\frac{z^4}{z-1}\right]ddz[z4z−1]=4z3(z−1)−z4(z−1)2=z3 (3z−4)(z−1)2\frac{d}{dz}\left[\frac{z^4}{z-1}\right] = \frac{4z^3(z-1) - z^4}{(z-1)^2} = \frac{z^3\,(3z - 4)}{(z-1)^2}

Avaliando em z=−2iz=-2i, com z3=(−2i)3=8iz^3 = (-2i)^3 = 8i e (z−1)2=(−1−2i)2=−3+4i(z-1)^2 = (-1-2i)^2 = -3+4i:

Res⁡(f,−2i)=8i (−6i−4)−3+4i=48−32i−3+4i=(48−32i)(−3−4i)25=−272−96i25\operatorname{Res}(f,-2i) = \frac{8i\,(-6i - 4)}{-3+4i} = \frac{48 - 32i}{-3+4i} = \frac{(48-32i)(-3-4i)}{25} = \frac{-272 - 96i}{25}

Passo 4 — somar e multiplicar por 2πi2\pi i.

∑Res⁡=−3−4i25+−272−96i25=−275−100i25=−11−4i\sum \operatorname{Res} = \frac{-3-4i}{25} + \frac{-272-96i}{25} = \frac{-275 - 100i}{25} = -11 - 4i∮Cf dz=2πi (−11−4i)=−22πi−8πi2\oint_C f\,dz = 2\pi i\,(-11-4i) = -22\pi i - 8\pi i^2  ∮Cz4 dz(z+2i)2(z−1)=8π−22πi≈25,1−69,1 i  \boxed{\;\oint_C \frac{z^4\,dz}{(z+2i)^2(z-1)} = 8\pi - 22\pi i \approx 25{,}1 - 69{,}1\,i\;}

Conferência — a soma dos resíduos saiu inteira, −11−4i-11-4i, com os dois denominadores 2525 cancelando. Isso não é coincidência: com polos em 11 e −2i-2i e numerador polinomial, o resultado é racional gaussiano, e um denominador sobrando no fim é sinal de erro de conta.

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Questão 071º EE2023.2Resíduos · Integral trigonométrica real em [0, 2π]1,5 ptsVer material

Calcule

∫02π3 dθ4+3cos⁡θ\int_0^{2\pi} \frac{3\,d\theta}{4 + 3\cos\theta}
Gabarito
∫02π3 dθ4+3cos⁡θ=6π7=67 π7≈7,13\int_0^{2\pi}\frac{3\,d\theta}{4+3\cos\theta} = \frac{6\pi}{\sqrt7} = \frac{6\sqrt7\,\pi}{7} \approx 7{,}13
Passo a passo

Passo 1 — a ideia: [0,2π][0,2\pi] é a circunferência unitária. Percorrer θ\theta de 00 a 2π2\pi é dar uma volta em ∣z∣=1|z|=1. A substituição que traduz isso:

z=eiθ,cos⁡θ=z+z−12,dθ=dzizz = e^{i\theta}, \qquad \cos\theta = \frac{z + z^{-1}}{2}, \qquad d\theta = \frac{dz}{iz}

O dθ=dz/(iz)d\theta = dz/(iz) é o fator mais esquecido da unidade — sem ele a conta sai errada por um fator de zz.

Passo 2 — substituir e limpar.

∫02π3 dθ4+3cos⁡θ=∮∣z∣=134+32(z+1z)⋅dziz=∮∣z∣=13 dzi(4z+32z2+32)\int_0^{2\pi}\frac{3\,d\theta}{4+3\cos\theta} = \oint_{|z|=1}\frac{3}{4 + \tfrac32\left(z + \tfrac1z\right)}\cdot\frac{dz}{iz} = \oint_{|z|=1}\frac{3\,dz}{i\left(4z + \tfrac32 z^2 + \tfrac32\right)}

Colocando 32\tfrac32 em evidência no denominador:

=3i⋅23∮∣z∣=1dzz2+83z+1=2i∮∣z∣=1dzz2+83z+1= \frac{3}{i}\cdot\frac{2}{3}\oint_{|z|=1}\frac{dz}{z^2 + \tfrac83 z + 1} = \frac{2}{i}\oint_{|z|=1}\frac{dz}{z^2 + \tfrac83 z + 1}

Passo 3 — achar os polos e ver qual entra.

z=−83±649−42=−8±276=−4±73z = \frac{-\tfrac83 \pm \sqrt{\tfrac{64}{9} - 4}}{2} = \frac{-8 \pm 2\sqrt7}{6} = \frac{-4 \pm \sqrt7}{3}z1=−4+73≈−0,451(dentro),z2=−4−73≈−2,215(fora)z_1 = \frac{-4+\sqrt7}{3} \approx -0{,}451 \qquad\text{(dentro)}, \qquad z_2 = \frac{-4-\sqrt7}{3} \approx -2{,}215 \qquad\text{(fora)}

O produto das raízes é 11, então uma sempre cai dentro e a outra fora — é a estrutura desse tipo de integral, e serve de conferência.

Passo 4 — o resíduo, por p/q′p/q'. Polo simples, e derivar o denominador é mais rápido que fatorar:

Res⁡=12z+83∣z=z1=12(−4+7)3+83=1273=327\operatorname{Res} = \frac{1}{2z + \tfrac83}\bigg|_{z=z_1} = \frac{1}{\tfrac{2(-4+\sqrt7)}{3} + \tfrac83} = \frac{1}{\tfrac{2\sqrt7}{3}} = \frac{3}{2\sqrt7}

Passo 5 — juntar.

∫02π3 dθ4+3cos⁡θ=2i⋅2πi⋅327=6π7\int_0^{2\pi}\frac{3\,d\theta}{4+3\cos\theta} = \frac{2}{i}\cdot 2\pi i\cdot\frac{3}{2\sqrt7} = \frac{6\pi}{\sqrt7}  ∫02π3 dθ4+3cos⁡θ=67 π7≈7,13  \boxed{\;\int_0^{2\pi}\frac{3\,d\theta}{4+3\cos\theta} = \frac{6\sqrt7\,\pi}{7} \approx 7{,}13\;}

Conferência 1 — pela fórmula fechada. Para ∫02πdθa+bcos⁡θ=2πa2−b2\displaystyle\int_0^{2\pi}\frac{d\theta}{a+b\cos\theta} = \frac{2\pi}{\sqrt{a^2-b^2}}, com a=4a=4 e b=3b=3: 3×2π16−9=6π73 \times \dfrac{2\pi}{\sqrt{16-9}} = \dfrac{6\pi}{\sqrt7} ✔

Conferência 2 — pelo tamanho. O integrando vai de 3/7≈0,433/7 \approx 0{,}43 em θ=0\theta=0 a 33 em θ=π\theta=\pi. Uma média em torno de 1,11{,}1 ao longo de 2π2\pi dá algo perto de 77 ✔ — e o resultado tem de ser real e positivo, porque o integrando é.

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Questão 081º EE2023.2 · 2ª chamadaPrimitiva complexa · Integral entre dois pontos1,0 ptVer material

Calcule

∫1+i3+4i(2z+3) dz\int_{1+i}^{3+4i} (2z + 3)\,dz
Gabarito
∫1+i3+4i(2z+3) dz=−1+31i\int_{1+i}^{3+4i}(2z+3)\,dz = -1 + 31i
Passo a passo

Passo 1 — reconhecer que não há caminho a escolher. O integrando 2z+32z+3 é um polinômio, logo inteiro (analítico em todo o plano). Num domínio simplesmente conexo, a integral de função analítica não depende do caminho e vale o teorema fundamental do cálculo:

∫z0z1f(z) dz=F(z1)−F(z0),F′=f\int_{z_0}^{z_1} f(z)\,dz = F(z_1) - F(z_0), \qquad F' = f

É por isso que o enunciado não diz por qual curva ir — não importa.

Passo 2 — a primitiva.

F(z)=z2+3zF(z) = z^2 + 3z

Passo 3 — avaliar no ponto final, com (3+4i)2=9+24i+16i2=−7+24i(3+4i)^2 = 9 + 24i + 16i^2 = -7 + 24i:

F(3+4i)=(−7+24i)+3(3+4i)=−7+24i+9+12i=2+36iF(3+4i) = (-7 + 24i) + 3(3+4i) = -7 + 24i + 9 + 12i = 2 + 36i

Passo 4 — avaliar no ponto inicial, com (1+i)2=1+2i+i2=2i(1+i)^2 = 1 + 2i + i^2 = 2i:

F(1+i)=2i+3(1+i)=2i+3+3i=3+5iF(1+i) = 2i + 3(1+i) = 2i + 3 + 3i = 3 + 5i

Passo 5 — subtrair.

∫1+i3+4i(2z+3) dz=(2+36i)−(3+5i)\int_{1+i}^{3+4i}(2z+3)\,dz = (2 + 36i) - (3 + 5i)  ∫1+i3+4i(2z+3) dz=−1+31i  \boxed{\;\int_{1+i}^{3+4i}(2z+3)\,dz = -1 + 31i\;}
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Questão 091º EE2023.2 · 2ª chamadaFórmula de Cauchy · Só um dos dois polos está dentro2,0 ptsVer material

Calcule

∮Cz dz(z−1)2(z+2)\oint_{C} \frac{z\,dz}{(z-1)^2 (z+2)}

onde CC é o círculo de raio 32\dfrac32 centrado na origem.

Gabarito
∮Cz dz(z−1)2(z+2)=4πi9\oint_C \frac{z\,dz}{(z-1)^2(z+2)} = \frac{4\pi i}{9}
Passo a passo

Passo 1 — listar as singularidades e comparar com a curva. É aqui que a questão se resolve.

z=1    (polo de ordem 2),z=−2    (polo simples)z = 1 \;\;(\text{polo de ordem } 2), \qquad z = -2 \;\;(\text{polo simples})∣1∣=1<32    (dentro),∣−2∣=2>32    (FORA)|1| = 1 < \frac32 \;\;\text{(dentro)}, \qquad |-2| = 2 > \frac32 \;\;\text{(FORA)}

Como só uma singularidade está dentro, não é preciso teorema dos resíduos: a fórmula de Cauchy resolve em uma aplicação. E o fator (z+2)(z+2), que é analítico dentro de CC, passa a fazer parte do numerador.

Passo 2 — identificar ff, z0z_0 e nn. Escrevendo o integrando na forma f(z)(z−z0)n+1\dfrac{f(z)}{(z-z_0)^{n+1}}:

f(z)=zz+2,z0=1,n+1=2  ⟹  n=1f(z) = \frac{z}{z+2}, \qquad z_0 = 1, \qquad n + 1 = 2 \;\Longrightarrow\; n = 1

ff é analítica em ∣z∣≤3/2|z| \le 3/2, pois seu único polo, z=−2z=-2, está fora. A hipótese está satisfeita.

Passo 3 — derivar ff uma vez.

f′(z)=(z+2)−z(z+2)2=2(z+2)2⟹f′(1)=29f'(z) = \frac{(z+2) - z}{(z+2)^2} = \frac{2}{(z+2)^2} \qquad\Longrightarrow\qquad f'(1) = \frac{2}{9}

Passo 4 — aplicar a fórmula das derivadas.

∮Cf(z)(z−z0)n+1 dz=2πin! f(n)(z0)=2πi1!⋅29\oint_C \frac{f(z)}{(z-z_0)^{n+1}}\,dz = \frac{2\pi i}{n!}\,f^{(n)}(z_0) = \frac{2\pi i}{1!}\cdot\frac29  ∮Cz dz(z−1)2(z+2)=4πi9  \boxed{\;\oint_C \frac{z\,dz}{(z-1)^2(z+2)} = \frac{4\pi i}{9}\;}

Conferência — o resultado é imaginário puro, o que era esperado: o integrando tem coeficientes reais e o resíduo saiu real (2/92/9), então o 2πi2\pi i carrega o ii sozinho. Parte real diferente de zero aqui seria sinal de erro.

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Questão 101º EE2023.2 · 2ª chamadaResíduos · Integral trigonométrica com a = 5 e b = 32,0 ptsVer material

Calcule

∫02πdθ5+3cos⁡θ\int_0^{2\pi} \frac{d\theta}{5 + 3\cos\theta}
Gabarito
∫02πdθ5+3cos⁡θ=π2\int_0^{2\pi}\frac{d\theta}{5+3\cos\theta} = \frac{\pi}{2}
Passo a passo

Passo 1 — a substituição que fecha o círculo.

z=eiθ,cos⁡θ=z+z−12,dθ=dzizz = e^{i\theta}, \qquad \cos\theta = \frac{z+z^{-1}}{2}, \qquad d\theta = \frac{dz}{iz}∫02πdθ5+3cos⁡θ=∮∣z∣=115+32(z+1z)⋅dziz=∮∣z∣=1dzi(32z2+5z+32)\int_0^{2\pi}\frac{d\theta}{5+3\cos\theta} = \oint_{|z|=1}\frac{1}{5 + \tfrac32\left(z+\tfrac1z\right)}\cdot\frac{dz}{iz} = \oint_{|z|=1}\frac{dz}{i\left(\tfrac32 z^2 + 5z + \tfrac32\right)}=23i∮∣z∣=1dzz2+103z+1= \frac{2}{3i}\oint_{|z|=1}\frac{dz}{z^2 + \tfrac{10}{3}z + 1}

Passo 2 — os polos. Aqui eles saem redondos:

z=−103±1009−42=−10±86⟹z1=−13,z2=−3z = \frac{-\tfrac{10}{3}\pm\sqrt{\tfrac{100}{9}-4}}{2} = \frac{-10 \pm 8}{6} \qquad\Longrightarrow\qquad z_1 = -\frac13, \qquad z_2 = -3

∣−1/3∣<1|-1/3| < 1 está dentro; ∣−3∣>1|-3| > 1 está fora. Produto 11, como sempre nesse tipo ✔

Passo 3 — o resíduo, por p/q′p/q'.

Res⁡=12z+103∣z=−1/3=1−23+103=183=38\operatorname{Res} = \frac{1}{2z + \tfrac{10}{3}}\bigg|_{z=-1/3} = \frac{1}{-\tfrac23 + \tfrac{10}{3}} = \frac{1}{\tfrac83} = \frac38

Passo 4 — juntar.

∫02πdθ5+3cos⁡θ=23i⋅2πi⋅38=2⋅2π⋅33⋅8=π2\int_0^{2\pi}\frac{d\theta}{5+3\cos\theta} = \frac{2}{3i}\cdot 2\pi i\cdot\frac38 = \frac{2\cdot 2\pi\cdot 3}{3\cdot 8} = \frac{\pi}{2}  ∫02πdθ5+3cos⁡θ=π2  \boxed{\;\int_0^{2\pi}\frac{d\theta}{5+3\cos\theta} = \frac{\pi}{2}\;}

Conferência 1 — fórmula fechada. 2πa2−b2=2π25−9=2π4=π2\dfrac{2\pi}{\sqrt{a^2-b^2}} = \dfrac{2\pi}{\sqrt{25-9}} = \dfrac{2\pi}{4} = \dfrac\pi2 ✔

Conferência 2 — pelo tamanho. O integrando vai de 1/81/8 a 1/21/2; uma média perto de 0,250{,}25 em 2π2\pi dá ≈1,57=π/2\approx 1{,}57 = \pi/2 ✔

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Questão 111º EE2023.2 · 2ª chamadaTrigonométrica complexa · Todas as soluções de cos z = 22,0 ptsVer material

Encontre todas as soluções complexas de cos⁡(z)=2\cos(z) = 2.

Gabarito
z=2kπ±i ln⁡ ⁣(2+3),k∈Zz = 2k\pi \pm i\,\ln\!\left(2+\sqrt3\right), \qquad k \in \mathbb{Z}
Passo a passo

Passo 1 — por que existe solução. Nos reais, cos⁡x∈[−1,1]\cos x \in [-1,1] e a equação seria absurda. No plano complexo o cosseno não é limitado, porque

cos⁡z=cos⁡xcosh⁡y−isen⁡xsenh⁡y\cos z = \cos x\cosh y - i\operatorname{sen} x\operatorname{senh} y

e cosh⁡y\cosh y cresce sem limite. A equação tem solução, e as soluções não são reais.

Passo 2 — escrever em exponencial e chamar w=eizw = e^{iz}. É o roteiro de toda equação trigonométrica complexa:

cos⁡z=eiz+e−iz2=2⟹w+1w=4\cos z = \frac{e^{iz} + e^{-iz}}{2} = 2 \qquad\Longrightarrow\qquad w + \frac1w = 4

Passo 3 — resolver a quadrática em ww. Multiplicando por ww:

w2−4w+1=0⟹w=4±16−42=2±3w^2 - 4w + 1 = 0 \qquad\Longrightarrow\qquad w = \frac{4 \pm \sqrt{16-4}}{2} = 2 \pm \sqrt3

Os dois valores são reais e positivos (2+3≈3,732+\sqrt3 \approx 3{,}73 e 2−3≈0,2682-\sqrt3 \approx 0{,}268), o que simplifica o próximo passo: o argumento deles é zero.

Passo 4 — voltar com o logaritmo completo. De w=eizw = e^{iz}:

iz=log⁡w=ln⁡∣w∣+i(arg⁡w+2kπ)=ln⁡(2±3)+2kπiiz = \log w = \ln|w| + i\big(\arg w + 2k\pi\big) = \ln\big(2\pm\sqrt3\big) + 2k\pi i

Dividindo por ii, isto é, multiplicando por −i-i:

z=2kπ−i ln⁡(2±3)z = 2k\pi - i\,\ln\big(2\pm\sqrt3\big)

Passo 5 — simplificar os dois casos num só. Note que

(2+3)(2−3)=4−3=1⟹ln⁡(2−3)=−ln⁡(2+3)\big(2+\sqrt3\big)\big(2-\sqrt3\big) = 4 - 3 = 1 \qquad\Longrightarrow\qquad \ln\big(2-\sqrt3\big) = -\ln\big(2+\sqrt3\big)

Os dois sinais do logaritmo se juntam num ±\pm:

  z=2kπ±i ln⁡ ⁣(2+3),k∈Z  \boxed{\;z = 2k\pi \pm i\,\ln\!\left(2+\sqrt3\right),\qquad k \in \mathbb{Z}\;}

Conferência — a parte real é múltipla de 2π2\pi e a imaginária é ±1,317\pm 1{,}317. Substituindo na separação do passo 1, com x=0x = 0 e y=−1,317y = -1{,}317:

cos⁡z=cos⁡0⋅cosh⁡(1,317)−isen⁡0⋅senh⁡(1,317)=cosh⁡(1,317)=2,0  ✓\cos z = \cos 0 \cdot \cosh(1{,}317) - i\operatorname{sen} 0 \cdot \operatorname{senh}(1{,}317) = \cosh(1{,}317) = 2{,}0 \;\checkmark

E nenhuma solução é real, como tinha de ser.

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Questão 121º EE2023.2 · 2ª chamadaRaízes da unidade · Todas as soluções de z³ = 12,0 ptsVer material

Encontre todas as soluções complexas de z3=1z^3 = 1.

Gabarito
z0=1,z1=−12+32i,z2=−12−32iz_0 = 1, \qquad z_1 = -\frac12 + \frac{\sqrt3}{2}i, \qquad z_2 = -\frac12 - \frac{\sqrt3}{2}i
Passo a passo

Passo 1 — o lado direito em forma polar. 11 tem módulo 11 e argumento 00:

1=1⋅ei 01 = 1\cdot e^{i\,0}

Passo 2 — as três raízes. Módulo 13=1\sqrt[3]{1} = 1, e o argumento se divide em três com espaçamento 2π/32\pi/3:

zk=exp⁡ ⁣(i 0+2kπ3)=ei 2kπ/3,k=0,1,2z_k = \exp\!\left(i\,\frac{0 + 2k\pi}{3}\right) = e^{i\,2k\pi/3}, \qquad k = 0,1,2

Passo 3 — escrever na forma algébrica.

z0=e0=1z_0 = e^{0} = 1z1=ei 2π/3=cos⁡2π3+isen⁡2π3=−12+32 iz_1 = e^{i\,2\pi/3} = \cos\frac{2\pi}{3} + i\operatorname{sen}\frac{2\pi}{3} = -\frac12 + \frac{\sqrt3}{2}\,iz2=ei 4π/3=cos⁡4π3+isen⁡4π3=−12−32 iz_2 = e^{i\,4\pi/3} = \cos\frac{4\pi}{3} + i\operatorname{sen}\frac{4\pi}{3} = -\frac12 - \frac{\sqrt3}{2}\,i

Estas são as raízes cúbicas da unidade, e a de índice 11 costuma ser chamada de ω\omega: as três são 11, ω\omega e ω2\omega^2.

Conferência 1 — a soma dá zero.

1+(−12+32i)+(−12−32i)=0  ✓1 + \left(-\frac12 + \frac{\sqrt3}{2}i\right) + \left(-\frac12 - \frac{\sqrt3}{2}i\right) = 0 \;\checkmark

Conferência 2 — por fatoração, sem forma polar. Como z3−1=(z−1)(z2+z+1)z^3 - 1 = (z-1)(z^2+z+1), as outras duas raízes saem de z2+z+1=0z^2+z+1=0:

z=−1±1−42=−1±i32  ✓z = \frac{-1 \pm \sqrt{1-4}}{2} = \frac{-1 \pm i\sqrt3}{2} \;\checkmark

Bate exatamente. Este caminho alternativo é útil quando nn é pequeno e o lado direito é 11 ou −1-1.

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Questão 131º EE2023.2 · 2ª chamadaExponencial · Todas as soluções de exp(z) = 1 + i1,0 ptVer material

Encontre todas as soluções complexas de exp⁡(z)=1+i\exp(z) = 1 + i.

Gabarito
z=ln⁡22+i(π4+2kπ),k∈Zz = \frac{\ln 2}{2} + i\left(\frac{\pi}{4} + 2k\pi\right), \qquad k \in \mathbb{Z}
Passo a passo

Passo 1 — módulo e argumento do lado direito. O ponto 1+i1+i está no 1º quadrante:

∣1+i∣=2,Arg⁡(1+i)=π4|1+i| = \sqrt2, \qquad \operatorname{Arg}(1+i) = \frac{\pi}{4}

Passo 2 — separar a equação em duas. Com z=x+iyz = x+iy:

ex+iy=ex(cos⁡y+isen⁡y)=1+ie^{x+iy} = e^x\big(\cos y + i\operatorname{sen} y\big) = 1+i

Comparando módulos e argumentos:

ex=2⟹x=ln⁡2=ln⁡22e^x = \sqrt2 \qquad\Longrightarrow\qquad x = \ln\sqrt2 = \frac{\ln 2}{2}y=π4+2kπ,k∈Zy = \frac{\pi}{4} + 2k\pi, \qquad k \in \mathbb{Z}

Passo 3 — juntar.

  z=ln⁡22+i(π4+2kπ),k∈Z  \boxed{\;z = \frac{\ln 2}{2} + i\left(\frac{\pi}{4} + 2k\pi\right),\qquad k \in \mathbb{Z}\;}

Ou, em uma linha: z=log⁡(1+i)z = \log(1+i), com o logaritmo completo.

Conferência — para k=0k=0: e(ln⁡2)/2 eiπ/4=2(22+i22)=1+ie^{(\ln 2)/2}\,e^{i\pi/4} = \sqrt2\left(\tfrac{\sqrt2}{2} + i\tfrac{\sqrt2}{2}\right) = 1+i ✔

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Questão 141º EE2025.2Exponencial · Periodicidade e analiticidade de e^z2,0 ptsVer material

i) Mostre que a função complexa f(z)=ezf(z) = e^z é periódica de período τ=2πi\tau = 2\pi i, ou seja, f(z+2πi)=f(z)f(z + 2\pi i) = f(z);

ii) Mostre que f(z)f(z) é analítica em todo o plano complexo.

Gabarito

i) ez+2πi=eze2πi=ez(cos⁡2π+isen⁡2π)=ez⋅1=eze^{z+2\pi i} = e^z e^{2\pi i} = e^z\big(\cos 2\pi + i\operatorname{sen} 2\pi\big) = e^z \cdot 1 = e^z.

ii) Com u=excos⁡yu = e^x\cos y e v=exsen⁡yv = e^x\operatorname{sen} y, as duas equações de Cauchy-Riemann valem em todo ponto e as parciais são contínuas: eze^z é inteira, com f′(z)=ezf'(z) = e^z.

Passo a passo

Passo 1 — a periodicidade, em uma linha. A propriedade ea+b=eaebe^{a+b} = e^ae^b vale no plano complexo, então

ez+2πi=ez e2πie^{z + 2\pi i} = e^{z}\,e^{2\pi i}

E, pela fórmula de Euler,

e2πi=cos⁡(2π)+isen⁡(2π)=1+0i=1e^{2\pi i} = \cos(2\pi) + i\operatorname{sen}(2\pi) = 1 + 0i = 1  ez+2πi=ez⋅1=ez  \boxed{\;e^{z+2\pi i} = e^z \cdot 1 = e^z\;}

O que isso significa, e é o que a questão está realmente cobrando: a exponencial complexa não é injetora. Ela repete valores a cada faixa horizontal de altura 2π2\pi. É dessa periodicidade que nasce o logaritmo multivalorado, e é por isso que “todas as soluções de ez=we^z = w” carrega um 2kπi2k\pi i.

Passo 2 — separar eze^z em parte real e imaginária. Escrevendo z=x+iyz = x + iy:

ez=exeiy=ex(cos⁡y+isen⁡y)e^z = e^{x}e^{iy} = e^x\big(\cos y + i\operatorname{sen} y\big)u(x,y)=excos⁡y,v(x,y)=exsen⁡yu(x,y) = e^x\cos y, \qquad v(x,y) = e^x\operatorname{sen} y

Passo 3 — as quatro parciais.

ux=excos⁡y,uy=−exsen⁡yu_x = e^x\cos y, \qquad u_y = -e^x\operatorname{sen} yvx=exsen⁡y,vy=excos⁡yv_x = e^x\operatorname{sen} y, \qquad v_y = e^x\cos y

Passo 4 — testar Cauchy-Riemann.

ux=excos⁡y=vy  ✓uy=−exsen⁡y=−vx  ✓u_x = e^x\cos y = v_y \;\checkmark \qquad\qquad u_y = -e^x\operatorname{sen} y = -v_x \;\checkmark

As duas valem em todo ponto do plano, e as quatro parciais são produtos de exponencial por seno ou cosseno, logo contínuas em C\mathbb{C}. Pela condição suficiente, eze^z é analítica em todo o plano — isto é, inteira.

Passo 5 — a derivada, de brinde.

f′(z)=ux+i vx=excos⁡y+i exsen⁡y=ezf'(z) = u_x + i\,v_x = e^x\cos y + i\,e^x\operatorname{sen} y = e^z

A exponencial complexa é sua própria derivada, como a real.

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Questão 151º EE2025.2Fórmula de Cauchy · Polo de ordem 3 com e^(iz)1,0 ptVer material

Calcule, usando a teoria de Cauchy,

∮γeiz(z−π)3 dz\oint_{\gamma} \frac{e^{iz}}{(z-\pi)^3}\,dz

onde γ\gamma é a curva fechada da figura da prova — uma elipse que contém os pontos 00, 11 e π\pi no seu interior, percorrida no sentido anti-horário.

Gabarito
∮γeiz(z−π)3 dz=πi\oint_{\gamma}\frac{e^{iz}}{(z-\pi)^3}\,dz = \pi i
Passo a passo

Passo 1 — a singularidade está dentro? O integrando tem um único ponto singular, z=πz = \pi, e a figura mostra π\pi dentro da elipse. Então a integral não é zero, e a fórmula de Cauchy se aplica.

Se π\pi estivesse fora, o teorema de Cauchy-Goursat daria zero direto — é a primeira coisa a checar em qualquer integral fechada.

Passo 2 — identificar ff, z0z_0 e nn. Comparando com f(z)(z−z0)n+1\dfrac{f(z)}{(z-z_0)^{n+1}}:

f(z)=eiz,z0=π,n+1=3  ⟹  n=2f(z) = e^{iz}, \qquad z_0 = \pi, \qquad n+1 = 3 \;\Longrightarrow\; n = 2

Cuidado com o passo: expoente 33 no denominador significa derivada segunda, não terceira. E f(z)=eizf(z) = e^{iz} é inteira, então é analítica dentro e sobre γ\gamma ✔

Passo 3 — derivar duas vezes.

f′(z)=i eiz,f′′(z)=i2eiz=−eizf'(z) = i\,e^{iz}, \qquad f''(z) = i^2 e^{iz} = -e^{iz}f′′(π)=−eiπ=−(−1)=1f''(\pi) = -e^{i\pi} = -(-1) = 1

usando eiπ=−1e^{i\pi} = -1, que é a identidade de Euler.

Passo 4 — aplicar a fórmula.

∮γf(z)(z−z0)n+1 dz=2πin! f(n)(z0)=2πi2!⋅1\oint_\gamma \frac{f(z)}{(z-z_0)^{n+1}}\,dz = \frac{2\pi i}{n!}\,f^{(n)}(z_0) = \frac{2\pi i}{2!}\cdot 1  ∮γeiz(z−π)3 dz=πi  \boxed{\;\oint_{\gamma}\frac{e^{iz}}{(z-\pi)^3}\,dz = \pi i\;}

Conferência — o resultado é imaginário puro. Faz sentido: f′′(π)f''(\pi) saiu real, e o 2πi2\pi i da fórmula é o único fator imaginário.

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Questão 161º EE2025.2Fórmula de Cauchy · Derivada de ordem 100, sem derivar1,0 ptVer material

Calcule

∮γ: ∣z∣=2z100(z−1)101 dz\oint_{\gamma:\,|z|=2} \frac{z^{100}}{(z-1)^{101}}\,dz
Gabarito
∮∣z∣=2z100(z−1)101 dz=2πi\oint_{|z|=2}\frac{z^{100}}{(z-1)^{101}}\,dz = 2\pi i
Passo a passo

Passo 1 — a singularidade e a curva. Único ponto singular: z=1z=1, com ∣1∣=1<2|1| = 1 < 2, dentro de ∣z∣=2|z|=2.

Passo 2 — identificar ff, z0z_0 e nn.

f(z)=z100,z0=1,n+1=101  ⟹  n=100f(z) = z^{100}, \qquad z_0 = 1, \qquad n+1 = 101 \;\Longrightarrow\; n = 100

ff é polinomial, logo inteira ✔

Passo 3 — a derivada de ordem 100, que ninguém calcula à mão. O fato que resolve: a derivada de ordem nn de znz^n é n!n!, uma constante.

ddzz100=100 z99,d2dz2z100=100⋅99 z98,…d100dz100z100=100!\frac{d}{dz}z^{100} = 100\,z^{99}, \qquad \frac{d^2}{dz^2}z^{100} = 100\cdot 99\,z^{98}, \qquad\dots\qquad \frac{d^{100}}{dz^{100}}z^{100} = 100!

Cada derivada baixa o expoente em um e multiplica pelo expoente anterior; depois de 100100 passos sobra o produto 100⋅99⋯1=100!100\cdot99\cdots 1 = 100! e z0=1z^0 = 1.

f(100)(1)=100!f^{(100)}(1) = 100!

Passo 4 — aplicar a fórmula, e ver o fatorial cancelar.

∮∣z∣=2z100(z−1)101 dz=2πi100! f(100)(1)=2πi100!⋅100!\oint_{|z|=2}\frac{z^{100}}{(z-1)^{101}}\,dz = \frac{2\pi i}{100!}\,f^{(100)}(1) = \frac{2\pi i}{100!}\cdot 100!  ∮∣z∣=2z100(z−1)101 dz=2πi  \boxed{\;\oint_{|z|=2}\frac{z^{100}}{(z-1)^{101}}\,dz = 2\pi i\;}
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Questão 171º EE2025.2Cauchy-Goursat · A singularidade fica FORA da curva1,0 ptVer material

Calcule

∮γezz+i dz,ondeγ(t)=i+eit,t∈[0,2π]\oint_{\gamma} \frac{e^{z}}{z+i}\,dz, \qquad\text{onde}\qquad \gamma(t) = i + e^{it},\quad t \in [0, 2\pi]
Gabarito
∮γezz+i dz=0\oint_{\gamma}\frac{e^z}{z+i}\,dz = 0
Passo a passo

Passo 1 — ler a curva na parametrização. A forma z(t)=zc+R eitz(t) = z_c + R\,e^{it} é a de uma circunferência de centro zcz_c e raio RR. Aqui:

γ(t)=i+eit⟹centro zc=i,raio R=1\gamma(t) = i + e^{it} \qquad\Longrightarrow\qquad \text{centro } z_c = i, \qquad \text{raio } R = 1

Passo 2 — onde está a singularidade. O denominador zera em

z+i=0⟹z=−iz + i = 0 \qquad\Longrightarrow\qquad z = -i

Passo 3 — dentro ou fora? A distância do centro ao ponto singular:

∣−i−i∣=∣−2i∣=2>1=R|-i - i| = |-2i| = 2 > 1 = R

O ponto −i-i está a duas unidades do centro, e o raio é 11: a singularidade está fora da curva.

Passo 4 — concluir pelo teorema de Cauchy-Goursat. Dentro e sobre γ\gamma o integrando é analítico: eze^z é inteira e z+iz+i não zera ali. Então

  ∮γezz+i dz=0  \boxed{\;\oint_{\gamma}\frac{e^z}{z+i}\,dz = 0\;}

Sem parametrizar, sem integrar, sem resíduo nenhum.

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Questão 181º EE2025.2Fórmula de Cauchy · Logaritmo no numerador, e o corte do ramo1,0 ptVer material

Calcule, e simplifique,

∮γ[log⁡(z)−z+i]dz,ondeγ={∣z−i∣=12}\oint_{\gamma} \left[\frac{\log(z)}{-z+i}\right] dz, \qquad\text{onde}\qquad \gamma = \left\{ |z - i| = \tfrac12 \right\}
Gabarito
∮γlog⁡z−z+i dz=π2\oint_{\gamma}\frac{\log z}{-z+i}\,dz = \pi^2
Passo a passo

Passo 1 — arrumar o sinal do denominador. O −z+i-z+i está escrito ao contrário de propósito. Colocando −1-1 em evidência:

log⁡z−z+i=log⁡z−(z−i)=−log⁡zz−i\frac{\log z}{-z+i} = \frac{\log z}{-(z - i)} = \frac{-\log z}{z-i}

Agora está na forma da fórmula de Cauchy, com z0=iz_0 = i e f(z)=−log⁡zf(z) = -\log z.

Passo 2 — a curva e a singularidade. γ\gamma é a circunferência de centro ii e raio 12\tfrac12, e o ponto singular z0=iz_0 = i é o próprio centro: está dentro ✔

Passo 3 — o numerador é analítico ali? Esta é a verificação que a questão realmente cobra. O logaritmo complexo não é analítico no corte do ramo — por convenção, o semieixo real negativo mais a origem.

A curva ∣z−i∣=12|z-i| = \tfrac12 tem yy variando entre 0,50{,}5 e 1,51{,}5 e xx entre −0,5-0{,}5 e 0,50{,}5: ela vive inteira no semiplano superior e não toca o corte nem a origem. Logo log⁡z\log z é analítico dentro e sobre γ\gamma ✔

Passo 4 — aplicar a fórmula.

∮γf(z)z−z0 dz=2πi f(z0)⟹∮γ−log⁡zz−i dz=2πi (−Log⁡i)\oint_\gamma \frac{f(z)}{z - z_0}\,dz = 2\pi i\,f(z_0) \qquad\Longrightarrow\qquad \oint_\gamma \frac{-\log z}{z-i}\,dz = 2\pi i\,\big(-\operatorname{Log} i\big)

Passo 5 — o “simplifique!” do enunciado. Falta calcular Log⁡i\operatorname{Log} i, e é aqui que a definição de logaritmo complexo entra:

∣i∣=1,Arg⁡(i)=π2⟹Log⁡i=ln⁡1+iπ2=iπ2|i| = 1, \qquad \operatorname{Arg}(i) = \frac{\pi}{2} \qquad\Longrightarrow\qquad \operatorname{Log} i = \ln 1 + i\frac{\pi}{2} = \frac{i\pi}{2}∮γ=2πi(−iπ2)=−π2i2\oint_\gamma = 2\pi i\left(-\frac{i\pi}{2}\right) = -\pi^2 i^2  ∮γlog⁡z−z+i dz=π2  \boxed{\;\oint_{\gamma}\frac{\log z}{-z+i}\,dz = \pi^2\;}

Conferência — o resultado é real e positivo, o que é curioso para uma integral complexa e é justamente o que o “simplifique!” anuncia: os dois ii se multiplicam e viram −1-1, que cancela o sinal do denominador invertido. Se a sua resposta tiver ii sobrando, faltou um dos dois sinais.

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Questão 191º EE2025.2Harmônicas · u = ln|z| em coordenadas polares3,0 ptsVer material

Mostre que a seguinte função é harmônica, na região assinalada,

u(x,y)=ln⁡∣z∣=ln⁡x2+y2,na regia˜oΩ−{0},u(x,y) = \ln|z| = \ln\sqrt{x^2+y^2}, \qquad\text{na região}\quad \Omega - \{0\},

e encontre sua harmônica conjugada, v(x,y)v(x,y).

Gabarito

uu é harmônica em C∖{0}\mathbb{C}\setminus\{0\}, e

v(x,y)=arctan⁡yx=Arg⁡z+c⟹f(z)=ln⁡∣z∣+iArg⁡z=Log⁡zv(x,y) = \arctan\frac{y}{x} = \operatorname{Arg} z + c \qquad\Longrightarrow\qquad f(z) = \ln|z| + i\operatorname{Arg} z = \operatorname{Log} z
Passo a passo

Passo 1 — por que a origem é excluída. Em z=0z=0, ln⁡∣z∣→−∞\ln|z| \to -\infty: a função nem está definida ali. A região é o plano furado, e é isso que Ω−{0}\Omega - \{0\} quer dizer.

Passo 2 — o caminho curto é o polar. A função depende só de r=∣z∣r = |z|, então usar xx e yy é trabalho desnecessário. Em coordenadas polares, u=ln⁡ru = \ln r, e o laplaciano é

∇2u=urr+1rur+1r2uθθ\nabla^2 u = u_{rr} + \frac1r u_r + \frac{1}{r^2}u_{\theta\theta}ur=1r,urr=−1r2,uθ=0u_r = \frac1r, \qquad u_{rr} = -\frac{1}{r^2}, \qquad u_\theta = 0∇2u=−1r2+1r⋅1r+0=0  ✓\nabla^2 u = -\frac{1}{r^2} + \frac1r\cdot\frac1r + 0 = 0 \;\checkmark

uu é harmônica em todo ponto com r≠0r \ne 0.

Passo 3 — a conferência em cartesianas, para quem preferir. Com u=12ln⁡(x2+y2)u = \tfrac12\ln(x^2+y^2):

ux=xx2+y2⟹uxx=(x2+y2)−x(2x)(x2+y2)2=y2−x2(x2+y2)2u_x = \frac{x}{x^2+y^2} \qquad\Longrightarrow\qquad u_{xx} = \frac{(x^2+y^2) - x(2x)}{(x^2+y^2)^2} = \frac{y^2-x^2}{(x^2+y^2)^2}

Por simetria, uyy=x2−y2(x2+y2)2u_{yy} = \dfrac{x^2-y^2}{(x^2+y^2)^2}, e a soma é zero ✔

Passo 4 — a conjugada, por Cauchy-Riemann em polares. A forma polar das equações é

∂u∂r=1r∂v∂θ,1r∂u∂θ=−∂v∂r\frac{\partial u}{\partial r} = \frac1r\frac{\partial v}{\partial\theta}, \qquad \frac1r\frac{\partial u}{\partial\theta} = -\frac{\partial v}{\partial r}

Da primeira, com ur=1/ru_r = 1/r:

∂v∂θ=r⋅1r=1⟹v=θ+φ(r)\frac{\partial v}{\partial\theta} = r\cdot\frac1r = 1 \qquad\Longrightarrow\qquad v = \theta + \varphi(r)

Da segunda, com uθ=0u_\theta = 0:

∂v∂r=φ′(r)=0⟹φ=c\frac{\partial v}{\partial r} = \varphi'(r) = 0 \qquad\Longrightarrow\qquad \varphi = c  v(x,y)=θ+c=Arg⁡z+c=arctan⁡yx+c  \boxed{\;v(x,y) = \theta + c = \operatorname{Arg} z + c = \arctan\frac{y}{x} + c\;}

Passo 5 — reconhecer a função. Juntando:

f(z)=u+iv=ln⁡r+iθ=ln⁡∣z∣+iArg⁡z=Log⁡zf(z) = u + iv = \ln r + i\theta = \ln|z| + i\operatorname{Arg} z = \operatorname{Log} z

A conjugada harmônica do logaritmo do módulo é o argumento — o que faz todo o sentido, porque juntos eles são o logaritmo complexo.

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Questão 201º EE2025.2Fórmula de Cauchy · Mostrar que a integral vale −2π1,0 ptVer material

Mostre que

∮γ: ∣z∣=3cosh⁡(z)(z−iπ2)2 dz=−2π.\oint_{\gamma:\,|z|=3} \frac{\cosh(z)}{\left(z - i\frac{\pi}{2}\right)^2}\,dz = -2\pi.

Note que senh⁡(z)=ez−e−z2\operatorname{senh}(z) = \dfrac{e^z - e^{-z}}{2}.

Gabarito

z0=iπ/2z_0 = i\pi/2 está dentro de ∣z∣=3|z|=3; com f=cosh⁡zf = \cosh z e n=1n=1,

∮=2πi1! senh⁡ ⁣(iπ2)=2πi (i)=−2π\oint = \frac{2\pi i}{1!}\,\operatorname{senh}\!\left(\frac{i\pi}{2}\right) = 2\pi i\,(i) = -2\pi
Passo a passo

Passo 1 — a singularidade está dentro?

z0=iπ2,∣z0∣=π2≈1,57<3z_0 = \frac{i\pi}{2}, \qquad |z_0| = \frac{\pi}{2} \approx 1{,}57 < 3

Sim, dentro de ∣z∣=3|z|=3 ✔

Passo 2 — identificar ff e nn.

f(z)=cosh⁡z,n+1=2  ⟹  n=1f(z) = \cosh z, \qquad n + 1 = 2 \;\Longrightarrow\; n = 1

cosh⁡z\cosh z é inteira (soma de duas exponenciais), então a hipótese está satisfeita.

Passo 3 — a derivada. A derivada de cosh⁡\cosh é senh⁡\operatorname{senh}, como no caso real:

f′(z)=senh⁡zf'(z) = \operatorname{senh} z

Passo 4 — avaliar senh⁡\operatorname{senh} num argumento imaginário puro. É para isto que o enunciado dá a definição. Com z=iπ/2z = i\pi/2:

senh⁡ ⁣(iπ2)=eiπ/2−e−iπ/22=i−(−i)2=2i2=i\operatorname{senh}\!\left(\frac{i\pi}{2}\right) = \frac{e^{i\pi/2} - e^{-i\pi/2}}{2} = \frac{i - (-i)}{2} = \frac{2i}{2} = i

usando eiπ/2=ie^{i\pi/2} = i e e−iπ/2=−ie^{-i\pi/2} = -i.

Vale conferir pela ponte entre as famílias: senh⁡(iz)=isen⁡z\operatorname{senh}(iz) = i\operatorname{sen} z, então senh⁡(iπ/2)=isen⁡(π/2)=i\operatorname{senh}(i\pi/2) = i\operatorname{sen}(\pi/2) = i ✔

Passo 5 — aplicar a fórmula.

∮∣z∣=3cosh⁡z(z−iπ2)2 dz=2πi1! f′ ⁣(iπ2)=2πi⋅i=2πi2\oint_{|z|=3} \frac{\cosh z}{\left(z - \tfrac{i\pi}{2}\right)^2}\,dz = \frac{2\pi i}{1!}\,f'\!\left(\frac{i\pi}{2}\right) = 2\pi i\cdot i = 2\pi i^2  ∮∣z∣=3cosh⁡z(z−iπ2)2 dz=−2π  \boxed{\;\oint_{|z|=3} \frac{\cosh z}{\left(z - i\frac{\pi}{2}\right)^2}\,dz = -2\pi\;}

como se queria mostrar.

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Questão 211º EE2025.1 · 2ª chamada · 2026.1Potência complexa · Calcular (−i)^(1+i) pelo ramo principal2,0 ptsVer material

Sabendo que zα=eαLog⁡(z)z^{\alpha} = e^{\alpha\operatorname{Log}(z)}, z∈Cz \in \mathbb{C}, calcule, usando o ramo principal do logaritmo,

(−i)1+i(-i)^{1+i}
Gabarito
(−i)1+i=eπ/2 e−iπ/2=−i eπ/2≈−4,81 i(-i)^{1+i} = e^{\pi/2}\,e^{-i\pi/2} = -i\,e^{\pi/2} \approx -4{,}81\,i
Passo a passo

Passo 1 — o logaritmo principal da base. Tudo depende deste passo. O ponto −i-i está no eixo imaginário negativo:

∣−i∣=1,Arg⁡(−i)=−π2|-i| = 1, \qquad \operatorname{Arg}(-i) = -\frac{\pi}{2}Log⁡(−i)=ln⁡1+i(−π2)=−iπ2\operatorname{Log}(-i) = \ln 1 + i\left(-\frac{\pi}{2}\right) = -\frac{i\pi}{2}

Trocar o sinal aqui — escrever +iπ/2+i\pi/2, que é o argumento de +i+i — inverte a resposta inteira.

Passo 2 — montar o expoente.

(−i)1+i=e(1+i)Log⁡(−i)=exp⁡ ⁣[(1+i)(−iπ2)](-i)^{1+i} = e^{(1+i)\operatorname{Log}(-i)} = \exp\!\left[(1+i)\left(-\frac{i\pi}{2}\right)\right]

Passo 3 — abrir o produto, lembrando que i⋅i=−1i\cdot i = -1:

(1+i)(−iπ2)=−iπ2−i2π2=π2−iπ2(1+i)\left(-\frac{i\pi}{2}\right) = -\frac{i\pi}{2} - \frac{i^2\pi}{2} = \frac{\pi}{2} - \frac{i\pi}{2}

Passo 4 — separar módulo e fase.

(−i)1+i=eπ/2−iπ/2=eπ/2 e−iπ/2(-i)^{1+i} = e^{\pi/2 - i\pi/2} = e^{\pi/2}\,e^{-i\pi/2}

E e−iπ/2=cos⁡(−π2)+isen⁡(−π2)=−ie^{-i\pi/2} = \cos\left(-\tfrac\pi2\right) + i\operatorname{sen}\left(-\tfrac\pi2\right) = -i:

  (−i)1+i=−i eπ/2≈−4,81 i  \boxed{\;(-i)^{1+i} = -i\,e^{\pi/2} \approx -4{,}81\,i\;}

Conferência — o módulo do resultado é eπ/2≈4,81e^{\pi/2} \approx 4{,}81 e o argumento é −π/2-\pi/2. Bate com a regra geral: ∣zα∣=eRe⁡(αLog⁡z)|z^\alpha| = e^{\operatorname{Re}(\alpha\operatorname{Log} z)}, que aqui é eπ/2e^{\pi/2} ✔

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Questão 221º EE2026.1Harmônicas · u = 3x²y − y³ e sua conjugada2,0 ptsVer material

Seja u(x,y)=3x2y−y3u(x,y) = 3x^2y - y^3. Verifique se u(x,y)u(x,y) é harmônica e, em caso afirmativo, determine sua função harmônica conjugada, v(x,y)v(x,y).

Gabarito

uxx+uyy=6y−6y=0u_{xx} + u_{yy} = 6y - 6y = 0: harmônica em todo o plano.

v(x,y)=3xy2−x3+c,c∈Rv(x,y) = 3xy^2 - x^3 + c, \qquad c \in \mathbb{R}
Passo a passo

Passo 1 — verificar que é harmônica.

ux=6xy⟹uxx=6yu_x = 6xy \qquad\Longrightarrow\qquad u_{xx} = 6yuy=3x2−3y2⟹uyy=−6yu_y = 3x^2 - 3y^2 \qquad\Longrightarrow\qquad u_{yy} = -6y∇2u=uxx+uyy=6y−6y=0  ✓\nabla^2 u = u_{xx} + u_{yy} = 6y - 6y = 0 \;\checkmark

As parciais são polinomiais, logo contínuas: uu é harmônica em C\mathbb{C} e a conjugada existe. O gabarito da prova resume este item em uma linha — “basta calcular uxxu_{xx} e uyyu_{yy} e somar”.

Passo 2 — integrar vy=uxv_y = u_x em yy. A primeira equação de Cauchy-Riemann:

∂v∂y=ux=6xy\frac{\partial v}{\partial y} = u_x = 6xyv=∫6xy dy=3xy2+φ(x)v = \int 6xy\,dy = 3xy^2 + \varphi(x)

A “constante” de integração é uma função de xx, porque a integração foi em yy — é o passo em que mais se erra.

Passo 3 — derivar em xx e usar a segunda equação.

∂v∂x=3y2+φ′(x)\frac{\partial v}{\partial x} = 3y^2 + \varphi'(x)

e Cauchy-Riemann pede vx=−uy=−(3x2−3y2)=3y2−3x2v_x = -u_y = -(3x^2 - 3y^2) = 3y^2 - 3x^2. Igualando:

3y2+φ′(x)=3y2−3x2⟹φ′(x)=−3x23y^2 + \varphi'(x) = 3y^2 - 3x^2 \qquad\Longrightarrow\qquad \varphi'(x) = -3x^2

Passo 4 — integrar φ\varphi e escrever a resposta.

φ(x)=−x3+c\varphi(x) = -x^3 + c  v(x,y)=3xy2−x3+c,c∈R  \boxed{\;v(x,y) = 3xy^2 - x^3 + c,\qquad c \in \mathbb{R}\;}

que é exatamente o gabarito da prova.

Passo 5 — reconhecer a função (não é pedido, mas confere tudo).

f(z)=u+iv=(3x2y−y3)+i(3xy2−x3)f(z) = u + iv = \big(3x^2y - y^3\big) + i\big(3xy^2 - x^3\big)

Compare com z3=(x3−3xy2)+i(3x2y−y3)z^3 = (x^3 - 3xy^2) + i(3x^2y - y^3). Multiplicando por −i-i:

−i z3=(3x2y−y3)+i(3xy2−x3)    ✓-i\,z^3 = (3x^2y - y^3) + i\big(3xy^2 - x^3\big) \;\;\checkmark

Logo f(z)=−i z3+icf(z) = -i\,z^3 + ic.

00:00
Questão 231º EE2026.1Cauchy-Goursat · Integral nula porque os polos estão fora1,0 ptVer material

Calcule, usando a teoria de Cauchy,

∮γ: ∣z∣=1sen⁡zz2−4 dz\oint_{\gamma:\,|z|=1} \frac{\operatorname{sen} z}{z^2 - 4}\,dz
Gabarito
∮∣z∣=1sen⁡zz2−4 dz=0\oint_{|z|=1}\frac{\operatorname{sen} z}{z^2-4}\,dz = 0
Passo a passo

Passo 1 — fatorar o denominador e achar os polos.

z2−4=(z−2)(z+2)⟹z=2ez=−2z^2 - 4 = (z-2)(z+2) \qquad\Longrightarrow\qquad z = 2 \quad\text{e}\quad z = -2

Passo 2 — comparar com a curva.

∣2∣=2>1,∣−2∣=2>1|2| = 2 > 1, \qquad |-2| = 2 > 1

Nenhum dos dois está dentro de ∣z∣=1|z| = 1 — os dois ficam a duas unidades da origem, e a curva tem raio um.

Passo 3 — concluir. Dentro e sobre γ\gamma, o integrando é analítico: sen⁡z\operatorname{sen} z é inteira e o denominador não zera ali. Pelo teorema de Cauchy-Goursat,

  ∮∣z∣=1sen⁡zz2−4 dz=0  \boxed{\;\oint_{|z|=1}\frac{\operatorname{sen} z}{z^2-4}\,dz = 0\;}

É o que o gabarito da prova diz, em uma linha: ”z=±2z = \pm2 fora de γ\gamma; pelo teorema de Cauchy, a integral é zero”.

00:00
Questão 241º EE2026.1Fórmula de Cauchy · Polo duplo na origem com produto de funções1,0 ptVer material

Calcule, usando a teoria de Cauchy,

∮γ: ∣z∣=1eizcos⁡(z)z2 dz\oint_{\gamma:\,|z|=1} \frac{e^{iz}\cos(z)}{z^2}\,dz
Gabarito
∮∣z∣=1eizcos⁡zz2 dz=−2π\oint_{|z|=1}\frac{e^{iz}\cos z}{z^2}\,dz = -2\pi
Passo a passo

Passo 1 — a singularidade. O denominador z2z^2 zera só em z=0z=0, que é o centro de ∣z∣=1|z|=1: dentro ✔

Passo 2 — identificar ff e nn.

f(z)=eizcos⁡z,z0=0,n+1=2  ⟹  n=1f(z) = e^{iz}\cos z, \qquad z_0 = 0, \qquad n+1 = 2 \;\Longrightarrow\; n = 1

ff é produto de duas funções inteiras, logo inteira ✔

Passo 3 — derivar o produto.

f′(z)=i eizcos⁡z+eiz (−sen⁡z)=eiz(icos⁡z−sen⁡z)f'(z) = i\,e^{iz}\cos z + e^{iz}\,(-\operatorname{sen} z) = e^{iz}\big(i\cos z - \operatorname{sen} z\big)f′(0)=e0(i⋅1−0)=if'(0) = e^{0}\big(i\cdot 1 - 0\big) = i

Passo 4 — aplicar a fórmula.

∮∣z∣=1eizcos⁡zz2 dz=2πi1! f′(0)=2πi⋅i=2πi2\oint_{|z|=1}\frac{e^{iz}\cos z}{z^2}\,dz = \frac{2\pi i}{1!}\,f'(0) = 2\pi i \cdot i = 2\pi i^2  ∮∣z∣=1eizcos⁡zz2 dz=−2π  \boxed{\;\oint_{|z|=1}\frac{e^{iz}\cos z}{z^2}\,dz = -2\pi\;}

que é o valor do gabarito da prova.

00:00
Questão 251º EE2026.1Resíduos · Dois polos simples e um parâmetro no resultado1,0 ptVer material

Calcule, usando a teoria de Cauchy,

∮γ: ∣z∣≤2aezz2+a2 dz,a>0.\oint_{\gamma:\,|z|\le 2a} \frac{e^{z}}{z^2 + a^2}\,dz, \qquad a > 0.
Gabarito
∮ezz2+a2 dz=2πiasen⁡a\oint \frac{e^z}{z^2+a^2}\,dz = \frac{2\pi i}{a}\operatorname{sen} a
Passo a passo

Passo 1 — fatorar e localizar.

z2+a2=(z−ia)(z+ia)⟹z=iaez=−iaz^2 + a^2 = (z - ia)(z + ia) \qquad\Longrightarrow\qquad z = ia \quad\text{e}\quad z = -ia

Os dois têm módulo aa, e a curva tem raio 2a2a:

∣±ia∣=a<2a|{\pm ia}| = a < 2a

Os dois estão dentro — e é por isso que o enunciado escolhe o raio 2a2a e não a/2a/2. Com duas singularidades, o caminho é o teorema dos resíduos.

Passo 2 — os dois resíduos, por p/q′p/q'. Com p=ezp = e^z e q=z2+a2q = z^2+a^2, temos q′=2zq' = 2z:

Res⁡(f,ia)=eia2ia,Res⁡(f,−ia)=e−ia−2ia\operatorname{Res}(f, ia) = \frac{e^{ia}}{2ia}, \qquad \operatorname{Res}(f,-ia) = \frac{e^{-ia}}{-2ia}

Passo 3 — somar, e reconhecer o seno.

∑Res⁡=eia2ia−e−ia2ia=eia−e−ia2ia\sum\operatorname{Res} = \frac{e^{ia}}{2ia} - \frac{e^{-ia}}{2ia} = \frac{e^{ia} - e^{-ia}}{2ia}

E aqui aparece a definição de seno complexo, sen⁡a=eia−e−ia2i\operatorname{sen} a = \dfrac{e^{ia}-e^{-ia}}{2i}:

∑Res⁡=1a⋅eia−e−ia2i=sen⁡aa\sum\operatorname{Res} = \frac{1}{a}\cdot\frac{e^{ia}-e^{-ia}}{2i} = \frac{\operatorname{sen} a}{a}

Passo 4 — multiplicar por 2πi2\pi i.

  ∮∣z∣≤2aezz2+a2 dz=2πiasen⁡a  \boxed{\;\oint_{|z|\le 2a}\frac{e^z}{z^2+a^2}\,dz = \frac{2\pi i}{a}\operatorname{sen} a\;}

que é o valor do gabarito.

Conferência — o resultado é imaginário puro e depende de aa como sen⁡(a)/a\operatorname{sen}(a)/a, que tende a 11 quando a→0a\to0. No limite, a integral tende a 2πi2\pi i — e faz sentido: com a→0a\to0 os dois polos colidem na origem e o integrando vira ez/z2e^z/z^2, cuja integral é 2πi f′(0)=2πi2\pi i\,f'(0) = 2\pi i ✔

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Questão 261º EE2026.1Fórmula de Cauchy · Numerador z⁵ com denominador de sexta potência1,0 ptVer material

Calcule, usando a teoria de Cauchy,

∮γ: ∣z∣≤2z5(z−1)6 dz\oint_{\gamma:\,|z|\le 2} \frac{z^{5}}{(z-1)^{6}}\,dz
Gabarito
∮∣z∣≤2z5(z−1)6 dz=2πi\oint_{|z|\le 2}\frac{z^5}{(z-1)^6}\,dz = 2\pi i
Passo a passo

Passo 1 — a singularidade. z=1z = 1, com ∣1∣=1<2|1| = 1 < 2: dentro ✔

Passo 2 — identificar ff e nn.

f(z)=z5,z0=1,n+1=6  ⟹  n=5f(z) = z^{5}, \qquad z_0 = 1, \qquad n+1 = 6 \;\Longrightarrow\; n = 5

Passo 3 — a derivada de ordem 5 de z5z^5.

d5dz5z5=5!=120\frac{d^5}{dz^5}z^5 = 5! = 120

constante, sem zz nenhum: derivar znz^n exatamente nn vezes sempre dá n!n!.

Passo 4 — aplicar a fórmula, e ver o fatorial cancelar.

∮∣z∣≤2z5(z−1)6 dz=2πi5!⋅5!\oint_{|z|\le2}\frac{z^5}{(z-1)^6}\,dz = \frac{2\pi i}{5!}\cdot 5!  ∮∣z∣≤2z5(z−1)6 dz=2πi  \boxed{\;\oint_{|z|\le 2}\frac{z^5}{(z-1)^6}\,dz = 2\pi i\;}

confirmando o gabarito.

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Questão 271º EE2026.1Singularidade essencial · Resíduo lido da série de Laurent1,5 ptsVer material

Calcule

∮γ; ∣z∣=1z2 e1z dz\oint_{\gamma;\,|z|=1} z^{2}\,e^{\frac1z}\,dz

pelo teorema dos resíduos. Qual o ponto singular, e de qual natureza (polo simples, polo de ordem mm, singularidade essencial)?

Gabarito

z=0z=0 é singularidade essencial, com Res⁡=13!=16\operatorname{Res} = \dfrac{1}{3!} = \dfrac16, e

∮∣z∣=1z2e1/z dz=2πi⋅16=πi3\oint_{|z|=1} z^2 e^{1/z}\,dz = 2\pi i\cdot\frac16 = \frac{\pi i}{3}
Passo a passo

Passo 1 — o ponto singular. A função e1/ze^{1/z} não está definida em z=0z=0, e é analítica em todo o resto do plano. Então z=0z=0 é a única singularidade, e ela está dentro de ∣z∣=1|z|=1.

Passo 2 — de que natureza? Aqui não vale tentar a fórmula do polo. Expanda: partindo de ew=∑wn/n!e^w = \sum w^n/n! com w=1/zw = 1/z,

e1/z=∑n=0∞1n! zn=1+1z+12!z2+13!z3+⋯e^{1/z} = \sum_{n=0}^{\infty}\frac{1}{n!\,z^{n}} = 1 + \frac1z + \frac{1}{2!z^2} + \frac{1}{3!z^3} + \cdots

A parte principal tem infinitos termos: z=0z=0 é uma singularidade essencial. Nenhum mm faz zmf(z)z^m f(z) ter limite finito, então não é polo de ordem alguma.

Passo 3 — a série do integrando. Multiplicando por z2z^2:

z2e1/z=∑n=0∞z2−nn!=z2+z+12!+13! z+14! z2+⋯z^2 e^{1/z} = \sum_{n=0}^{\infty}\frac{z^{2-n}}{n!} = z^2 + z + \frac{1}{2!} + \frac{1}{3!\,z} + \frac{1}{4!\,z^2} + \cdots

Passo 4 — ler o resíduo. O resíduo é, por definição, o coeficiente de z−1z^{-1}. Ele aparece quando 2−n=−12 - n = -1, isto é, n=3n = 3:

Res⁡(z2e1/z, 0)=13!=16\operatorname{Res}\big(z^2e^{1/z},\,0\big) = \frac{1}{3!} = \frac16

Passo 5 — o teorema dos resíduos.

  ∮∣z∣=1z2e1/z dz=2πi⋅16=πi3  \boxed{\;\oint_{|z|=1} z^2e^{1/z}\,dz = 2\pi i\cdot\frac16 = \frac{\pi i}{3}\;}
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Questão 281º EE2024.2Conceitual · Por que usar complexos para grandezas físicas0,2 ptVer material

Nós não obtemos valores complexos ao medir quantidades físicas. Por exemplo, a velocidade de um carro nunca é 2i m/s2i\ \mathrm{m/s}, i=−1i = \sqrt{-1}. Isso, no entanto, não nos impede de usarmos números complexos para representar quantidades físicas. Por quê?

Gabarito

Porque o número complexo é uma ferramenta de cálculo intermediária: ele carrega duas informações reais (módulo e fase, ou parte real e imaginária) num só objeto, simplifica contas que seriam pesadas em variáveis separadas, e o resultado final é sempre extraído como uma quantidade real — a parte real, o módulo, ou a fase.

Passo a passo

A resposta curta, que é o que a prova pede em até quatro linhas: os complexos facilitam certos cálculos e permitem que os resultados finais sejam reais. A medida nunca é complexa; a representação é.

O que está por trás disso. Três razões, e vale conhecer as três:

1. Duas grandezas reais em um objeto. Uma oscilação tem amplitude e fase. Escrevê-la como Acos⁡(ωt+φ)A\cos(\omega t + \varphi) obriga a carregar as duas separadamente em cada conta. Escrevê-la como Re⁡ ⁣[Aeiφeiωt]\operatorname{Re}\!\left[A e^{i\varphi}e^{i\omega t}\right] empacota amplitude e fase num único número, o fasor AeiφAe^{i\varphi}.

2. Soma de senoides vira soma de vetores. Somar A1cos⁡(ωt+φ1)+A2cos⁡(ωt+φ2)A_1\cos(\omega t+\varphi_1) + A_2\cos(\omega t+\varphi_2) com identidades trigonométricas é penoso. Somar os dois fasores é somar dois números complexos. É exatamente por isso que a análise de circuitos em regime permanente senoidal se faz com impedância complexa.

3. Derivada vira multiplicação. ddteiωt=iω eiωt\dfrac{d}{dt}e^{i\omega t} = i\omega\,e^{i\omega t}: derivar no tempo é multiplicar por iωi\omega. Uma equação diferencial vira uma equação algébrica, e é essa a raiz da transformada de Laplace da 2ª unidade.

O ponto que fecha a resposta: em todos os casos, o complexo entra no meio e sai no fim. Toma-se Re⁡\operatorname{Re}, ou o módulo, ou a fase, e o que se mede continua sendo real.

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Questão 291º EE2024.2Conceitual · O isomorfismo R-linear entre C e R²0,2 ptVer material

Como é estabelecido, algebricamente, o isomorfismo R\mathbb{R}-linear entre C\mathbb{C} e R2\mathbb{R}^2?

Gabarito

Pela correspondência

z=x+iy  ⟼  (x,y),x=Re⁡(z),y=Im⁡(z)z = x + iy \;\longmapsto\; (x, y), \qquad x = \operatorname{Re}(z), \quad y = \operatorname{Im}(z)

que é bijetora, preserva a soma e preserva a multiplicação por escalar real — e é só isso que “R\mathbb{R}-linear” exige.

Passo a passo

Passo 1 — a aplicação. Todo complexo se escreve de modo único como z=x+iyz = x + iy com x,yx,y reais. A aplicação

Φ:C→R2,Φ(x+iy)=(x,y)\Phi: \mathbb{C}\to\mathbb{R}^2, \qquad \Phi(x+iy) = (x,y)

é bijetora justamente por essa unicidade.

Passo 2 — verificar que é linear sobre R\mathbb{R}. Duas propriedades:

Φ(z1+z2)=Φ(z1)+Φ(z2)\Phi\big(z_1 + z_2\big) = \Phi(z_1) + \Phi(z_2)

porque (x1+iy1)+(x2+iy2)=(x1+x2)+i(y1+y2)(x_1+iy_1)+(x_2+iy_2) = (x_1+x_2) + i(y_1+y_2), que vai em (x1+x2, y1+y2)(x_1+x_2,\,y_1+y_2) ✔

Φ(λz)=λ Φ(z),λ∈R\Phi(\lambda z) = \lambda\,\Phi(z), \qquad \lambda \in \mathbb{R}

porque λ(x+iy)=λx+iλy↦(λx,λy)\lambda(x+iy) = \lambda x + i\lambda y \mapsto (\lambda x, \lambda y) ✔

Bijetora e linear: é um isomorfismo de espaços vetoriais reais. Em particular, C\mathbb{C} tem dimensão 22 sobre R\mathbb{R}, com base {1,i}\{1, i\}.

Passo 3 — a ressalva que dá a nota cheia. O escalar tem de ser real. Sobre C\mathbb{C} a coisa muda: C\mathbb{C} tem dimensão 11 sobre si mesmo, e R2\mathbb{R}^2 não tem estrutura de espaço vetorial complexo natural. Por isso o enunciado diz “R\mathbb{R}-linear” e não apenas “linear”.

E há o que o isomorfismo não preserva: a multiplicação de complexos. C\mathbb{C} é um corpo; R2\mathbb{R}^2 com as operações usuais, não. Multiplicar (x1,y1)(x_1,y_1) por (x2,y2)(x_2,y_2) coordenada a coordenada não corresponde a z1z2z_1z_2.

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Questão 301º EE2024.2Conceitual · Por que não se pode escrever 2i < 3i0,2 ptVer material

Qual o erro conceitual ao se escrever 2i<3i2i < 3i, com i=−1i = \sqrt{-1}?

Gabarito

O erro é tentar ordenar números complexos. Não existe relação de ordem em C\mathbb{C} compatível com as operações de corpo — C\mathbb{C} é um corpo não ordenável.

Passo a passo

Passo 1 — o que uma ordem teria de respeitar. Para uma relação << ser uma ordem compatível com as operações (como a de R\mathbb{R}), ela precisa de duas regras:

  • se a<ba < b, então a+c<b+ca + c < b + c para todo cc;
  • se a>0a > 0 e b>0b > 0, então ab>0ab > 0.

Da segunda sai o fato conhecido: todo quadrado é não negativo.

Passo 2 — a contradição. Suponha que existisse tal ordem em C\mathbb{C}. Compare ii com 00 — pela tricotomia, uma das três vale.

Se i>0i > 0: então i⋅i>0i \cdot i > 0, isto é, −1>0-1 > 0. Somando 11 dos dois lados, 0>10 > 1. Mas 1=121 = 1^2 é quadrado, logo 1>01 > 0. Contradição.

Se i<0i < 0: então −i>0-i > 0, e (−i)(−i)>0(-i)(-i) > 0, isto é, i2=−1>0i^2 = -1 > 0. Mesma contradição.

Se i=0i = 0: então i2=0=−1i^2 = 0 = -1, absurdo.

Nenhum caso sobrevive: não existe ordem compatível em C\mathbb{C}.

Passo 3 — o que se pode comparar. Números reais, e por isso o que se compara em C\mathbb{C} são grandezas reais associadas:

∣2i∣=2<3=∣3i∣✓|2i| = 2 < 3 = |3i| \qquad\checkmarkRe⁡(z1)<Re⁡(z2),Im⁡(z1)<Im⁡(z2)✓\operatorname{Re}(z_1) < \operatorname{Re}(z_2), \qquad \operatorname{Im}(z_1) < \operatorname{Im}(z_2) \qquad\checkmark

Escrever ∣2i∣<∣3i∣|2i| < |3i| é correto e diz o que provavelmente se queria dizer. Escrever 2i<3i2i < 3i não é.

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Questão 311º EE2024.2Conceitual · Cauchy-Riemann e o critério necessidade-suficiência0,2 ptVer material

Escreva as equações de Cauchy-Riemann e comente o critério necessidade-suficiência.

Gabarito
∂u∂x=∂v∂y,∂u∂y=−∂v∂x\frac{\partial u}{\partial x} = \frac{\partial v}{\partial y}, \qquad \frac{\partial u}{\partial y} = -\frac{\partial v}{\partial x}

Necessária: se f=u+ivf = u+iv é derivável em z0z_0, as equações valem ali. Suficiente: se, além das equações, as parciais de uu e vv forem contínuas numa vizinhança de z0z_0, então ff é analítica em z0z_0.

Passo a passo

Passo 1 — as equações. Com f(z)=u(x,y)+i v(x,y)f(z) = u(x,y) + i\,v(x,y):

ux=vy,uy=−vxu_x = v_y, \qquad u_y = -v_x

Guarde como iguais em cruz, com um sinal negativo — o menos fica na equação que deriva uu em yy.

Passo 2 — de onde elas vêm, em uma frase. Calcular f′(z0)f'(z_0) pelo caminho horizontal (Δz=Δx\Delta z = \Delta x) dá ux+ivxu_x + iv_x; pelo vertical (Δz=iΔy\Delta z = i\Delta y) dá vy−iuyv_y - iu_y. Se a derivada existe, os dois têm de coincidir — e igualar parte real com parte real e imaginária com imaginária é o par de equações.

Passo 3 — necessidade. O argumento acima já prova: derivável ⇒\Rightarrow Cauchy-Riemann. É condição necessária, e serve para descartar: se as equações falham num ponto, ff não é derivável ali. O exemplo canônico é f(z)=zˉf(z) = \bar z, com ux=1u_x = 1 e vy=−1v_y = -1 — não derivável em ponto nenhum do plano.

Passo 4 — suficiência, e o que falta. A recíproca não vale só com as equações: existem funções que as satisfazem num ponto isolado e não são deriváveis ali. O que fecha o teorema é a continuidade das parciais numa vizinhança:

u,v com parciais contıˊnuas numa vizinhanc¸a de z0    +    Cauchy-Riemann em z0    ⟹    f analıˊtica em z0u,v \text{ com parciais contínuas numa vizinhança de } z_0 \;\;+\;\; \text{Cauchy-Riemann em } z_0 \;\;\Longrightarrow\;\; f \text{ analítica em } z_0

Passo 5 — a diferença entre derivável e analítica, que o mesmo teorema esconde. Derivável num ponto é pouco; analítica exige derivabilidade em todo um disco em torno dele. Por isso o teorema pede as equações numa vizinhança, e não num ponto só.

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Questão 321º EE2024.2Conceitual · Enunciado do teorema de Cauchy0,2 ptVer material

Enuncie, sem demonstrar, o teorema de Cauchy para integrais complexas, sob uma curva γ\gamma.

Gabarito

Se ff é analítica num domínio simplesmente conexo DD e γ\gamma é uma curva fechada contida em DD, então

∮γf(z) dz=0\oint_{\gamma} f(z)\,dz = 0
Passo a passo

O enunciado, com as hipóteses todas. Cada palavra carrega peso:

f analıˊtica em D simplesmente conexo,γ⊂D fechada⟹∮γf(z) dz=0f \text{ analítica em } D \text{ simplesmente conexo}, \qquad \gamma \subset D \text{ fechada} \qquad\Longrightarrow\qquad \oint_\gamma f(z)\,dz = 0

As três hipóteses, e por que nenhuma sobra:

1. ff analítica. Não basta contínua. f(z)=zˉf(z) = \bar z é contínua em todo o plano e ∮∣z∣=1zˉ dz=2πi≠0\oint_{|z|=1}\bar z\,dz = 2\pi i \ne 0.

2. Curva fechada. Em curva aberta a integral não é zero em geral — ela vale F(z1)−F(z0)F(z_1) - F(z_0), que só é nulo se as pontas coincidirem.

3. Domínio simplesmente conexo. Sem buraco. É a hipótese que se esquece, e a que a prova cobra. Em D=C∖{0}D = \mathbb{C}\setminus\{0\}, a função 1/z1/z é analítica, mas

∮∣z∣=1dzz=2πi≠0\oint_{|z|=1}\frac{dz}{z} = 2\pi i \ne 0

O domínio tem um furo na origem, e a curva o envolve.

A versão de Goursat, que é como o teorema aparece nos livros modernos: a mesma conclusão sem exigir que f′f' seja contínua. Daí o nome duplo, Cauchy-Goursat.

Como isso é usado nesta cadeira, e é o que dá sentido ao enunciado: o teorema é o critério de integral nula. Localizadas as singularidades, se nenhuma cai dentro de γ\gamma, a resposta é zero sem conta nenhuma — e três dos quesitos de integral do acervo se resolvem assim.

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Questão 331º EE2024.2Complexos · Qual número tem quadrado igual ao próprio conjugado1,0 ptVer material

Qual o número complexo cujo quadrado é igual ao seu complexo conjugado?

Gabarito

São quatro:

z=0,z=1,z=−12+32i,z=−12−32iz = 0, \qquad z = 1, \qquad z = -\frac12 + \frac{\sqrt3}{2}i, \qquad z = -\frac12 - \frac{\sqrt3}{2}i

isto é, o zero e as três raízes cúbicas da unidade.

Passo a passo

Passo 1 — o caminho elegante, que dá a resposta completa de imediato. A equação é z2=zˉz^2 = \bar z. Multiplique os dois lados por zz:

z3=z zˉ=∣z∣2z^3 = z\,\bar z = |z|^2

Tomando módulos: ∣z∣3=∣z∣2|z|^3 = |z|^2, isto é, ∣z∣2(∣z∣−1)=0|z|^2\big(|z| - 1\big) = 0. Logo

∣z∣=0ou∣z∣=1|z| = 0 \qquad\text{ou}\qquad |z| = 1

Se ∣z∣=0|z| = 0: z=0z = 0, que satisfaz a equação (0=00 = 0) ✔

Se ∣z∣=1|z| = 1: então ∣z∣2=1|z|^2 = 1 e a equação vira z3=1z^3 = 1 — as raízes cúbicas da unidade:

z=1,z=−12+32i,z=−12−32iz = 1, \qquad z = -\frac12 + \frac{\sqrt3}{2}i, \qquad z = -\frac12 - \frac{\sqrt3}{2}i

Passo 2 — o caminho por coordenadas, que é o do gabarito. Com z=x+iyz = x+iy:

(x+iy)2=x−iy⟹x2−y2+2ixy=x−iy(x+iy)^2 = x - iy \qquad\Longrightarrow\qquad x^2 - y^2 + 2ixy = x - iy

Igualando parte real com parte real e imaginária com imaginária:

(I)x2−y2=x,(II)2xy=−y\text{(I)}\quad x^2 - y^2 = x, \qquad\qquad \text{(II)}\quad 2xy = -y

Caso y≠0y \ne 0: de (II), 2x=−12x = -1, logo x=−12x = -\tfrac12. Em (I):

14−y2=−12⟹y2=34⟹y=±32\frac14 - y^2 = -\frac12 \qquad\Longrightarrow\qquad y^2 = \frac34 \qquad\Longrightarrow\qquad y = \pm\frac{\sqrt3}{2}

Caso y=0y = 0: (II) é satisfeita automaticamente, e (I) vira x2=xx^2 = x, isto é, x=0x = 0 ou x=1x = 1.

Juntando os dois casos saem as quatro soluções.

Conferência — teste z=−12+32iz = -\tfrac12 + \tfrac{\sqrt3}{2}i:

z2=14−34−2⋅12⋅32i=−12−32i=zˉ  ✓z^2 = \frac14 - \frac34 - 2\cdot\frac12\cdot\frac{\sqrt3}{2}i = -\frac12 - \frac{\sqrt3}{2}i = \bar z \;\checkmark
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Questão 341º EE2024.2Harmônicas · u = cosh(y)cos(x) e a conjugada, com o sinal certo1,5 ptsVer material

Seja u=u(x,y)=cosh⁡(y)cos⁡(x)u = u(x,y) = \cosh(y)\cos(x).

1) Verificar se u(x,y)u(x,y) é harmônica;

2) Encontrar a harmônica conjugada, v=v(x,y)v = v(x,y), caso exista.

Gabarito

1) uxx+uyy=−cosh⁡ycos⁡x+cosh⁡ycos⁡x=0u_{xx} + u_{yy} = -\cosh y\cos x + \cosh y\cos x = 0: harmônica em todo o plano.

2)

v(x,y)=−senh⁡(y)sen⁡(x)+C⟹f(z)=cos⁡z+iCv(x,y) = -\operatorname{senh}(y)\operatorname{sen}(x) + C \qquad\Longrightarrow\qquad f(z) = \cos z + iC

O gabarito da prova traz v=senh⁡(y)sen⁡(x)v = \operatorname{senh}(y)\operatorname{sen}(x), sem o sinal negativo — ver a nota.

Passo a passo

Passo 1 — verificar Laplace.

ux=−cosh⁡ysen⁡x⟹uxx=−cosh⁡ycos⁡xu_x = -\cosh y\operatorname{sen} x \qquad\Longrightarrow\qquad u_{xx} = -\cosh y\cos xuy=senh⁡ycos⁡x⟹uyy=cosh⁡ycos⁡xu_y = \operatorname{senh} y\cos x \qquad\Longrightarrow\qquad u_{yy} = \cosh y\cos x∇2u=−cosh⁡ycos⁡x+cosh⁡ycos⁡x=0  ✓\nabla^2 u = -\cosh y\cos x + \cosh y\cos x = 0 \;\checkmark

Harmônica em todo o plano, com parciais contínuas: a conjugada existe.

Passo 2 — integrar vy=uxv_y = u_x.

∂v∂y=ux=−cosh⁡ysen⁡x\frac{\partial v}{\partial y} = u_x = -\cosh y\operatorname{sen} xv=−senh⁡(y)sen⁡(x)+φ(x)v = -\operatorname{senh}(y)\operatorname{sen}(x) + \varphi(x)

usando ∫cosh⁡y dy=senh⁡y\displaystyle\int\cosh y\,dy = \operatorname{senh} y.

Passo 3 — fechar com a segunda equação.

∂v∂x=−senh⁡(y)cos⁡(x)+φ′(x)\frac{\partial v}{\partial x} = -\operatorname{senh}(y)\cos(x) + \varphi'(x)

e Cauchy-Riemann pede vx=−uy=−senh⁡(y)cos⁡(x)v_x = -u_y = -\operatorname{senh}(y)\cos(x). Logo φ′(x)=0\varphi'(x) = 0 e φ=C\varphi = C:

  v(x,y)=−senh⁡(y)sen⁡(x)+C  \boxed{\;v(x,y) = -\operatorname{senh}(y)\operatorname{sen}(x) + C\;}

Passo 4 — reconhecer a função, que confirma o sinal. A separação do cosseno complexo é

cos⁡z=cos⁡(x)cosh⁡(y)−isen⁡(x)senh⁡(y)\cos z = \cos(x)\cosh(y) - i\operatorname{sen}(x)\operatorname{senh}(y)

A parte real é exatamente o uu dado, e a parte imaginária é exatamente o vv encontrado — com o menos. Logo

f(z)=u+iv=cos⁡z+iCf(z) = u + iv = \cos z + iC

Conferência final — as duas equações, com o vv obtido:

ux=−cosh⁡ysen⁡xevy=−cosh⁡ysen⁡x    ✓u_x = -\cosh y\operatorname{sen} x \quad\text{e}\quad v_y = -\cosh y \operatorname{sen} x \;\;\checkmarkuy=senh⁡ycos⁡xe−vx=senh⁡ycos⁡x    ✓u_y = \operatorname{senh} y\cos x \quad\text{e}\quad -v_x = \operatorname{senh} y\cos x \;\;\checkmark

Com v=+senh⁡(y)sen⁡(x)v = +\operatorname{senh}(y)\operatorname{sen}(x), a primeira equação daria ux=−vyu_x = -v_y — falharia por sinal.

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Questão 351º EE2024.2Fórmula de Cauchy · Três integrais e três respostas diferentes3,0 ptsVer material

Calcule as integrais.

a) ∮γez2cos⁡(z)z−3 dz\displaystyle\oint_{\gamma} \frac{e^{z^2}\cos(z)}{z-3}\,dz, onde γ={z∈C:∣z∣=1}\gamma = \{z\in\mathbb{C} : |z| = 1\};

b) ∮γezcos⁡(z)z−1 dz\displaystyle\oint_{\gamma} \frac{e^{z}\cos(z)}{z-1}\,dz, onde γ={z∈C:∣z∣=2}\gamma = \{z\in\mathbb{C} : |z| = 2\};

c) ∮γcos⁡(z)z4 dz\displaystyle\oint_{\gamma} \frac{\cos(z)}{z^4}\,dz, onde γ={z∈C:∣z∣=2}\gamma = \{z\in\mathbb{C} : |z| = 2\}.

Gabarito

a) 00 · b) 2πi ecos⁡(1)2\pi i\,e\cos(1) · c) 00

Passo a passo

Item (a) — a singularidade está fora.

z=3,∣3∣=3>1z = 3, \qquad |3| = 3 > 1

O polo fica fora de ∣z∣=1|z|=1, e o integrando é analítico dentro e sobre a curva (ez2e^{z^2} e cos⁡z\cos z são inteiras). Pelo teorema de Cauchy-Goursat:

∮∣z∣=1ez2cos⁡zz−3 dz=0\oint_{|z|=1}\frac{e^{z^2}\cos z}{z-3}\,dz = 0

Item (b) — a fórmula de Cauchy, na versão sem derivada.

z0=1,∣1∣=1<2(dentro),f(z)=ezcos⁡z(inteira)z_0 = 1, \qquad |1| = 1 < 2 \quad\text{(dentro)}, \qquad f(z) = e^z\cos z \quad\text{(inteira)}

Denominador de expoente 11 significa n=0n = 0, isto é, a fórmula original:

∮∣z∣=2f(z)z−z0 dz=2πi f(z0)\oint_{|z|=2}\frac{f(z)}{z - z_0}\,dz = 2\pi i\,f(z_0)f(1)=e1cos⁡(1)=ecos⁡1f(1) = e^1\cos(1) = e\cos 1∮∣z∣=2ezcos⁡zz−1 dz=2πi ecos⁡(1)≈9,23 i\oint_{|z|=2}\frac{e^z\cos z}{z-1}\,dz = 2\pi i\,e\cos(1) \approx 9{,}23\,i

Item (c) — a fórmula das derivadas, com resultado nulo.

z0=0(dentro de ∣z∣=2),f(z)=cos⁡z,n+1=4  ⟹  n=3z_0 = 0 \quad\text{(dentro de } |z|=2\text{)}, \qquad f(z) = \cos z, \qquad n + 1 = 4 \;\Longrightarrow\; n = 3

Derivando o cosseno três vezes:

f′=−sen⁡z,f′′=−cos⁡z,f′′′=sen⁡zf' = -\operatorname{sen} z, \qquad f'' = -\cos z, \qquad f''' = \operatorname{sen} zf′′′(0)=sen⁡(0)=0f'''(0) = \operatorname{sen}(0) = 0∮∣z∣=2cos⁡zz4 dz=2πi3!⋅0=0\oint_{|z|=2}\frac{\cos z}{z^4}\,dz = \frac{2\pi i}{3!}\cdot 0 = 0
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Questão 361º EE2024.2Resíduos · A resposta depende do parâmetro a1,5 ptsVer material

Calcule a integral

∮γ: ∣z∣=2ezz2+a2 dz\oint_{\gamma:\,|z| = 2} \frac{e^{z}}{z^2 + a^2}\,dz
Gabarito

A resposta depende de ∣a∣|a|, porque os polos estão em z=±iaz = \pm ia, a distância ∣a∣|a| da origem:

∮∣z∣=2ezz2+a2 dz={2πiasen⁡a,∣a∣<2(os dois polos dentro)indefinida,∣a∣=2(polos sobre a curva)0,∣a∣>2(os dois polos fora)\oint_{|z|=2}\frac{e^z}{z^2+a^2}\,dz = \begin{cases} \dfrac{2\pi i}{a}\operatorname{sen} a, & |a| < 2 \quad\text{(os dois polos dentro)}\\[8pt] \text{indefinida}, & |a| = 2 \quad\text{(polos sobre a curva)}\\[6pt] 0, & |a| > 2 \quad\text{(os dois polos fora)} \end{cases}
Passo a passo

Passo 1 — os polos, e onde eles estão.

z2+a2=0⟹z=±ia,∣±ia∣=∣a∣z^2 + a^2 = 0 \qquad\Longrightarrow\qquad z = \pm i a, \qquad |{\pm ia}| = |a|

Os dois estão sempre à mesma distância da origem, ∣a∣|a|. Como a curva tem raio 22, tudo se decide comparando ∣a∣|a| com 22.

Passo 2 — caso ∣a∣>2|a| > 2: nenhum polo dentro. O integrando é analítico dentro e sobre ∣z∣=2|z|=2, e Cauchy-Goursat dá

∮∣z∣=2ezz2+a2 dz=0\oint_{|z|=2}\frac{e^z}{z^2+a^2}\,dz = 0

Passo 3 — caso ∣a∣=2|a| = 2: os polos caem SOBRE a curva. Aí não há teorema a aplicar: a hipótese de todos eles é que o integrando seja analítico sobre o contorno. A integral não está definida no sentido usual.

Passo 4 — caso ∣a∣<2|a| < 2: os dois polos dentro. Agora é o teorema dos resíduos, com dois polos simples. Por p/q′p/q', com q′=2zq' = 2z:

Res⁡(f,ia)=eia2ia,Res⁡(f,−ia)=e−ia−2ia\operatorname{Res}(f, ia) = \frac{e^{ia}}{2ia}, \qquad \operatorname{Res}(f,-ia) = \frac{e^{-ia}}{-2ia}∑Res⁡=eia−e−ia2ia=1a⋅eia−e−ia2i=sen⁡aa\sum\operatorname{Res} = \frac{e^{ia} - e^{-ia}}{2ia} = \frac1a\cdot\frac{e^{ia}-e^{-ia}}{2i} = \frac{\operatorname{sen} a}{a}∮∣z∣=2ezz2+a2 dz=2πiasen⁡a\oint_{|z|=2}\frac{e^z}{z^2+a^2}\,dz = \frac{2\pi i}{a}\operatorname{sen} a

Conferência — para aa pequeno, sen⁡(a)/a→1\operatorname{sen}(a)/a \to 1 e a integral tende a 2πi2\pi i: os dois polos colidem na origem, o integrando vira ez/z2e^z/z^2, e a fórmula das derivadas dá 2πi f′(0)=2πi2\pi i\,f'(0) = 2\pi i ✔

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Questão 371º EE2024.2Demonstração · Fórmula de Cauchy com dois pontos interiores2,0 ptsVer material

Prove que, se f(z)f(z) é analítica dentro e sobre uma curva fechada γ\gamma, e α\alpha e β\beta são dois pontos distintos no interior de γ\gamma, então

12πi∮γf(z)(z−α)(z−β) dz=f(α)α−β+f(β)β−α\frac{1}{2\pi i}\oint_{\gamma} \frac{f(z)}{(z-\alpha)(z-\beta)}\,dz = \frac{f(\alpha)}{\alpha - \beta} + \frac{f(\beta)}{\beta - \alpha}
Gabarito

Decompor em frações parciais, com os coeficientes lidos como resíduos, e aplicar a fórmula de Cauchy a cada parcela:

1(z−α)(z−β)=1α−β⋅1z−α+1β−α⋅1z−β\frac{1}{(z-\alpha)(z-\beta)} = \frac{1}{\alpha-\beta}\cdot\frac{1}{z-\alpha} + \frac{1}{\beta-\alpha}\cdot\frac{1}{z-\beta}
Passo a passo

Passo 1 — decompor em frações parciais. Como α≠β\alpha \ne \beta, os dois fatores do denominador são distintos e existe a decomposição

1(z−α)(z−β)=Az−α+Bz−β\frac{1}{(z-\alpha)(z-\beta)} = \frac{A}{z-\alpha} + \frac{B}{z-\beta}

O jeito seguro de achar AA e BB é lê-los como resíduos: corte o fator e avalie no ponto.

A=1z−β∣z=α=1α−β,B=1z−α∣z=β=1β−αA = \frac{1}{z-\beta}\bigg|_{z=\alpha} = \frac{1}{\alpha-\beta}, \qquad B = \frac{1}{z-\alpha}\bigg|_{z=\beta} = \frac{1}{\beta-\alpha}

Note que B=−AB = -A, como tinha de ser: somando as duas frações, o numerador precisa dar 11, sem termo em zz.

Passo 2 — quebrar a integral. Multiplicando por f(z)f(z), integrando e usando a linearidade:

∮γf(z)(z−α)(z−β) dz=1α−β∮γf(z)z−α dz+1β−α∮γf(z)z−β dz\oint_\gamma \frac{f(z)}{(z-\alpha)(z-\beta)}\,dz = \frac{1}{\alpha-\beta}\oint_\gamma \frac{f(z)}{z-\alpha}\,dz + \frac{1}{\beta-\alpha}\oint_\gamma \frac{f(z)}{z-\beta}\,dz

Passo 3 — aplicar a fórmula de Cauchy a cada parcela. As hipóteses do enunciado são exatamente as que a fórmula pede: ff analítica dentro e sobre γ\gamma, e os pontos no interior.

∮γf(z)z−α dz=2πi f(α),∮γf(z)z−β dz=2πi f(β)\oint_\gamma \frac{f(z)}{z-\alpha}\,dz = 2\pi i\,f(\alpha), \qquad \oint_\gamma \frac{f(z)}{z-\beta}\,dz = 2\pi i\,f(\beta)

Passo 4 — substituir e dividir por 2πi2\pi i.

∮γf(z)(z−α)(z−β) dz=2πi[f(α)α−β+f(β)β−α]\oint_\gamma \frac{f(z)}{(z-\alpha)(z-\beta)}\,dz = 2\pi i\left[\frac{f(\alpha)}{\alpha-\beta} + \frac{f(\beta)}{\beta-\alpha}\right]  12πi∮γf(z) dz(z−α)(z−β)=f(α)α−β+f(β)β−α  \boxed{\;\frac{1}{2\pi i}\oint_{\gamma} \frac{f(z)\,dz}{(z-\alpha)(z-\beta)} = \frac{f(\alpha)}{\alpha-\beta} + \frac{f(\beta)}{\beta-\alpha}\;}

como se queria demonstrar.

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Questão 381º EE2025.1 · 2ª chamadaLogaritmo complexo · Simplificar uma expressão que é o arco-tangente1,0 ptVer material

Calcule, simplificando,

w=12i log⁡1+itan⁡z1−itan⁡zw = \frac{1}{2i}\,\log\frac{1 + i\tan z}{1 - i\tan z}
Gabarito

w=zw = z (pelo ramo principal; em geral, w=z+kπw = z + k\pi, com k∈Zk \in \mathbb{Z})

Passo a passo

Passo 1 — tirar a tangente da frente. O que trava a expressão é a tangente dentro do logaritmo. Escreva-a como quociente e ponha tudo sobre o mesmo denominador:

1+itan⁡z=1+i sen⁡zcos⁡z=cos⁡z+isen⁡zcos⁡z1 + i\tan z = 1 + i\,\frac{\operatorname{sen} z}{\cos z} = \frac{\cos z + i\operatorname{sen} z}{\cos z}1−itan⁡z=cos⁡z−isen⁡zcos⁡z1 - i\tan z = \frac{\cos z - i\operatorname{sen} z}{\cos z}

Passo 2 — reconhecer Euler nos dois numeradores. Aqui a questão se abre:

cos⁡z+isen⁡z=eizcos⁡z−isen⁡z=e−iz\cos z + i\operatorname{sen} z = e^{iz} \qquad\qquad \cos z - i\operatorname{sen} z = e^{-iz}

As duas identidades valem para zz complexo, e não só para real — é a definição de cos⁡\cos e sen⁡\operatorname{sen} em C\mathbb{C} que garante isso.

Passo 3 — o quociente. Os dois cos⁡z\cos z se cancelam, e sobra uma razão de exponenciais:

1+itan⁡z1−itan⁡z=eiz/cos⁡ze−iz/cos⁡z=eize−iz=e2iz\frac{1 + i\tan z}{1 - i\tan z} = \frac{e^{iz}/\cos z}{e^{-iz}/\cos z} = \frac{e^{iz}}{e^{-iz}} = e^{2iz}

Passo 4 — o logaritmo desfaz a exponencial.

log⁡(e2iz)=2iz+2kπi,k∈Z\log\left(e^{2iz}\right) = 2iz + 2k\pi i, \qquad k \in \mathbb{Z}

O termo 2kπi2k\pi i é a multivalência do logaritmo complexo: ewe^{w} não é injetora, então log⁡\log devolve uma família de valores. Pelo ramo principal, k=0k = 0.

w=12i(2iz+2kπi)=z+kπw = \frac{1}{2i}\left(2iz + 2k\pi i\right) = z + k\piw=z\boxed{w = z}

Passo 5 — o que a expressão era o tempo todo. A definição do arco-tangente complexo é

arctan⁡ζ=12ilog⁡1+iζ1−iζ\arctan \zeta = \frac{1}{2i}\log\frac{1 + i\zeta}{1 - i\zeta}

Com ζ=tan⁡z\zeta = \tan z, a expressão do enunciado é literalmente arctan⁡(tan⁡z)\arctan(\tan z) — e a resposta z+kπz + k\pi é a mesma ressalva que já existe no caso real: a tangente tem período π\pi, então o arco-tangente só devolve zz dentro de um ramo.

Conferência — teste com um valor: z=0z = 0 dá tan⁡0=0\tan 0 = 0, o quociente vale 11, log⁡1=0\log 1 = 0 e w=0=zw = 0 = z ✔ E a estrutura da resposta tem de ter período π\pi (não 2π2\pi), porque é a tangente que está dentro — e tem ✔

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Questão 391º EE2025.1 · 2ª chamadaHarmônicas · u = sen(x)cosh(y) e a conjugada3,0 ptsVer material

Seja u(x,y)=sen⁡(x)cosh⁡(y)u(x,y) = \operatorname{sen}(x)\cosh(y). Mostre que u(x,y)u(x,y) é harmônica e determine sua função harmônica conjugada, v(x,y)v(x,y).

Gabarito

uu é harmônica (uxx+uyy=0u_{xx} + u_{yy} = 0) e v(x,y)=cos⁡(x)senh⁡(y)+Cv(x,y) = \cos(x)\operatorname{senh}(y) + C, com f(z)=u+iv=sen⁡zf(z) = u + iv = \operatorname{sen} z

Passo a passo

Passo 1 — as quatro derivadas. Harmônica significa satisfazer a equação de Laplace, então o caminho é derivar duas vezes em cada variável:

ux=cos⁡(x)cosh⁡(y)uxx=−sen⁡(x)cosh⁡(y)u_x = \cos(x)\cosh(y) \qquad\qquad u_{xx} = -\operatorname{sen}(x)\cosh(y)uy=sen⁡(x)senh⁡(y)uyy=sen⁡(x)cosh⁡(y)u_y = \operatorname{sen}(x)\operatorname{senh}(y) \qquad\qquad u_{yy} = \operatorname{sen}(x)\cosh(y)

Repare no que muda entre as duas colunas: derivar cosh⁡\cosh dá senh⁡\operatorname{senh} e derivar senh⁡\operatorname{senh} dá cosh⁡\cosh, sem troca de sinal — ao contrário do par sen⁡/cos⁡\operatorname{sen}/\cos. É desse descompasso que sai o cancelamento.

Passo 2 — Laplace.

uxx+uyy=−sen⁡(x)cosh⁡(y)+sen⁡(x)cosh⁡(y)=0u_{xx} + u_{yy} = -\operatorname{sen}(x)\cosh(y) + \operatorname{sen}(x)\cosh(y) = 0u eˊ harmoˆnica em todo R2\boxed{u \text{ é harmônica em todo } \mathbb{R}^2}

Passo 3 — a primeira equação de Cauchy-Riemann. A conjugada vv é aquela que faz f=u+ivf = u + iv analítica, e isso é exatamente pedir Cauchy-Riemann:

ux=vyuy=−vxu_x = v_y \qquad\qquad u_y = -v_x

Da primeira, integrando em yy com xx tratado como constante:

vy=cos⁡(x)cosh⁡(y)⟹v=cos⁡(x)senh⁡(y)+φ(x)v_y = \cos(x)\cosh(y) \qquad\Longrightarrow\qquad v = \cos(x)\operatorname{senh}(y) + \varphi(x)

A “constante” de integração é uma função de xx, porque a derivada foi em yy — é aqui que quase toda resolução erra, escrevendo só + C+\,C.

Passo 4 — a segunda equação fecha quem é φ\varphi. Derive o vv recém-achado em xx e compare com −uy-u_y:

vx=−sen⁡(x)senh⁡(y)+φ′(x)−uy=−sen⁡(x)senh⁡(y)v_x = -\operatorname{sen}(x)\operatorname{senh}(y) + \varphi'(x) \qquad -u_y = -\operatorname{sen}(x)\operatorname{senh}(y)φ′(x)=0⟹φ(x)=C\varphi'(x) = 0 \qquad\Longrightarrow\qquad \varphi(x) = Cv(x,y)=cos⁡(x)senh⁡(y)+C\boxed{v(x,y) = \cos(x)\operatorname{senh}(y) + C}

A constante fica mesmo indeterminada: somar uma constante real a vv não estraga Cauchy-Riemann. Ela só se fixa se o enunciado der um valor de ff em algum ponto.

Passo 5 — que função é essa, afinal. Juntando as partes:

f(z)=sen⁡(x)cosh⁡(y)+icos⁡(x)senh⁡(y)f(z) = \operatorname{sen}(x)\cosh(y) + i\cos(x)\operatorname{senh}(y)

e essa é exatamente a fórmula de sen⁡(x+iy)\operatorname{sen}(x + iy):

sen⁡(x+iy)=sen⁡xcos⁡(iy)+cos⁡xsen⁡(iy)=sen⁡xcosh⁡y+icos⁡xsenh⁡y\operatorname{sen}(x+iy) = \operatorname{sen} x \cos(iy) + \cos x \operatorname{sen}(iy) = \operatorname{sen} x \cosh y + i\cos x \operatorname{senh} yf(z)=sen⁡z\boxed{f(z) = \operatorname{sen} z}

Conferência — identificar a ff é o teste que fecha a questão: sen⁡z\operatorname{sen} z é inteira, logo suas partes real e imaginária têm de ser harmônicas e conjugadas uma da outra ✔ E dá para conferir o sinal de vv sem refazer nada: se você tivesse escrito −cos⁡(x)senh⁡(y)-\cos(x)\operatorname{senh}(y), a ff sairia sen⁡(zˉ)\operatorname{sen}(\bar{z}), que não é analítica ✔

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Questão 401º EE2025.1 · 2ª chamadaFórmula de Cauchy · Quatro integrais, quatro ferramentas diferentes4,0 ptsVer material

Calcule as integrais abaixo, usando a teoria de Cauchy.

1) ∮γ: ∣z∣=2z1−z dz\displaystyle\oint_{\gamma:\,|z|=2} \frac{z}{1-z}\,dz

2) ∮γ: ∣z∣=2e−zsen⁡(z)z2 dz\displaystyle\oint_{\gamma:\,|z|=2} \frac{e^{-z}\operatorname{sen}(z)}{z^{2}}\,dz

3) ∮γ: ∣z∣=aeizz2+a2 dz\displaystyle\oint_{\gamma:\,|z|=a} \frac{e^{iz}}{z^{2}+a^{2}}\,dz

4) 12πi∮γ: ∣z∣=2z10(z−1)11 dz\displaystyle\frac{1}{2\pi i}\oint_{\gamma:\,|z|=2} \frac{z^{10}}{(z-1)^{11}}\,dz

Gabarito

1) −2πi-2\pi i · 2) 2πi2\pi i · 3) −2πsenh⁡(a)a-\dfrac{2\pi\operatorname{senh}(a)}{a} · 4) 11

Passo a passo

A estratégia, antes das contas. As quatro saem das mesmas duas fórmulas — o que muda é a ordem do polo:

∮γf(z)z−z0 dz=2πi f(z0)∮γf(z)(z−z0)n+1 dz=2πin! f(n)(z0)\oint_\gamma \frac{f(z)}{z - z_0}\,dz = 2\pi i\,f(z_0) \qquad\qquad \oint_\gamma \frac{f(z)}{(z - z_0)^{n+1}}\,dz = \frac{2\pi i}{n!}\,f^{(n)}(z_0)

com ff analítica dentro e sobre γ\gamma. O trabalho é sempre o mesmo: achar o polo, conferir se ele está dentro da curva, e separar quem é o ff analítico.


Item 1 — polo simples, e um sinal que se perde fácil. Primeiro arrume o denominador na forma z−z0z - z_0:

z1−z=−zz−1⟹f(z)=−z,z0=1\frac{z}{1-z} = \frac{-z}{z-1} \qquad\Longrightarrow\qquad f(z) = -z, \quad z_0 = 1

O sinal sai daí: 1−z=−(z−1)1 - z = -(z-1). Quem esquece isso erra o sinal da resposta inteira.

O polo z0=1z_0 = 1 tem ∣1∣=1<2|1| = 1 < 2, então está dentro de γ\gamma. E f(z)=−zf(z) = -z é inteira. Pela fórmula de Cauchy:

∮∣z∣=2−zz−1 dz=2πi f(1)=2πi (−1)\oint_{|z|=2} \frac{-z}{z-1}\,dz = 2\pi i\,f(1) = 2\pi i\,(-1)−2πi\boxed{-2\pi i}

Item 2 — polo duplo: entra a fórmula das derivadas. O denominador é z2=(z−0)1+1z^2 = (z-0)^{1+1}, logo n=1n = 1 e z0=0z_0 = 0, com

f(z)=e−zsen⁡(z)f(z) = e^{-z}\operatorname{sen}(z)

que é inteira (produto de inteiras). A origem está dentro de ∣z∣=2|z| = 2. A fórmula pede uma derivada:

f′(z)=−e−zsen⁡(z)+e−zcos⁡(z)=e−z[cos⁡(z)−sen⁡(z)]f'(z) = -e^{-z}\operatorname{sen}(z) + e^{-z}\cos(z) = e^{-z}\left[\cos(z) - \operatorname{sen}(z)\right]f′(0)=1⋅(1−0)=1f'(0) = 1 \cdot (1 - 0) = 1∮∣z∣=2e−zsen⁡(z)z2 dz=2πi1! f′(0)=2πi⋅1\oint_{|z|=2} \frac{e^{-z}\operatorname{sen}(z)}{z^{2}}\,dz = \frac{2\pi i}{1!}\,f'(0) = 2\pi i \cdot 12πi\boxed{2\pi i}

Item 3 — dois polos, e uma observação sobre a curva. Fatorando o denominador:

z2+a2=(z−ia)(z+ia)z^{2} + a^{2} = (z - ia)(z + ia)

Os polos são z=±iaz = \pm ia, ambos com módulo exatamente aa — isto é, eles caem sobre a circunferência ∣z∣=a|z| = a, e não dentro dela. Uma integral de contorno com singularidade em cima do caminho não está definida no sentido usual; o que a prova quer é a curva que envolve os dois polos, e é assim que a questão se resolve.

Com os dois dentro, vale o teorema dos resíduos (ou a fórmula de Cauchy aplicada duas vezes):

Res⁡z=ia=ei(ia)2ia=e−a2iaRes⁡z=−ia=ei(−ia)−2ia=−ea2ia\operatorname{Res}_{z=ia} = \frac{e^{i(ia)}}{2ia} = \frac{e^{-a}}{2ia} \qquad\qquad \operatorname{Res}_{z=-ia} = \frac{e^{i(-ia)}}{-2ia} = -\frac{e^{a}}{2ia}∑Res⁡=e−a−ea2ia=−2senh⁡(a)2ia=isenh⁡(a)a\sum \operatorname{Res} = \frac{e^{-a} - e^{a}}{2ia} = \frac{-2\operatorname{senh}(a)}{2ia} = \frac{i\operatorname{senh}(a)}{a}∮eizz2+a2 dz=2πi⋅isenh⁡(a)a\oint \frac{e^{iz}}{z^{2}+a^{2}}\,dz = 2\pi i \cdot \frac{i\operatorname{senh}(a)}{a}−2πsenh⁡(a)a\boxed{-\frac{2\pi\operatorname{senh}(a)}{a}}

Se o enunciado for lido ao pé da letra, com os polos sobre a curva, o que existe é o valor principal de Cauchy, que para polos simples no caminho vale πi\pi i vezes a soma dos resíduos — ou seja, metade: −πsenh⁡(a)/a-\pi\operatorname{senh}(a)/a.


Item 4 — o fatorial cancela, e sobra 1. Aqui (z−1)11=(z−z0)n+1(z-1)^{11} = (z - z_0)^{n+1} com z0=1z_0 = 1 e n=10n = 10, e f(z)=z10f(z) = z^{10}, inteira. O polo está dentro de ∣z∣=2|z| = 2.

A décima derivada de z10z^{10} é constante:

f(10)(z)=10!f^{(10)}(z) = 10!12πi∮∣z∣=2z10(z−1)11 dz=12πi⋅2πi10! f(10)(1)=10!10!\frac{1}{2\pi i}\oint_{|z|=2} \frac{z^{10}}{(z-1)^{11}}\,dz = \frac{1}{2\pi i}\cdot\frac{2\pi i}{10!}\,f^{(10)}(1) = \frac{10!}{10!}1\boxed{1}

O 1/2πi1/2\pi i na frente não é decoração: ele existe justamente para deixar a resposta limpa. Sem ele, seria 2πi2\pi i.


Conferência — o item 3 tem um teste que vale ouro: faça a→0a \to 0. A integral vira ∮eiz/z2 dz\oint e^{iz}/z^{2}\,dz, um polo duplo na origem, que pelo item 2 dá 2πi f′(0)2\pi i\,f'(0) com f=eizf = e^{iz}, ou seja 2πi⋅i=−2π2\pi i\cdot i = -2\pi. E o resultado geral, com senh⁡(a)≈a\operatorname{senh}(a) \approx a para aa pequeno, dá −2πa/a=−2π-2\pi a/a = -2\pi ✔ Os dois caminhos concordam, o que confirma o sinal e o fator.

E, nos quatro itens, a pergunta que evita o erro mais comum: o polo está dentro da curva? Se estivesse fora, a resposta seria zero por Cauchy-Goursat, sem conta nenhuma.

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