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Nabla
MATM0006 · 60h

Complementos de Matemática

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Questão 012º EE2023.2EDO · Homogênea de grau zero com a substituição y = xv3,0 ptsVer material

Encontre a solução geral de

x y y′=4x2+y2x\,y\,y' = 4x^2 + y^2

(sugestão: faça a substituição y=xvy = xv).

Gabarito
y2=x2(8ln⁡∣x∣+C)y^2 = x^2\big(8\ln|x| + C\big)
Passo a passo

Passo 1 — reconhecer o tipo. Isolando y′y':

y′=4x2+y2xy=4xy+yxy' = \frac{4x^2 + y^2}{xy} = \frac{4x}{y} + \frac{y}{x}

O lado direito depende só da razão y/xy/x: escrevendo v=y/xv = y/x, ele é 4v+v\dfrac4v + v. É uma homogênea de grau zero, e a sugestão do enunciado confirma.

O teste geral, quando não há sugestão: troque x→txx \to tx e y→tyy \to ty. Se a equação não muda, é homogênea de grau zero.

Passo 2 — substituir. Com y=xvy = xv, a derivada sai pela regra do produto:

y′=v+x v′y' = v + x\,v'v+xv′=4v+vv + xv' = \frac{4}{v} + v

O vv cancela dos dois lados — é isso que a substituição faz de útil:

x v′=4vx\,v' = \frac{4}{v}

Passo 3 — separar as variáveis.

v dv=4 dxxv\,dv = \frac{4\,dx}{x}∫v dv=4∫dxx⟹v22=4ln⁡∣x∣+c\int v\,dv = 4\int\frac{dx}{x} \qquad\Longrightarrow\qquad \frac{v^2}{2} = 4\ln|x| + cv2=8ln⁡∣x∣+Cv^2 = 8\ln|x| + C

Passo 4 — voltar para yy. Com v=y/xv = y/x:

y2x2=8ln⁡∣x∣+C\frac{y^2}{x^2} = 8\ln|x| + C  y2=x2(8ln⁡∣x∣+C)  \boxed{\;y^2 = x^2\big(8\ln|x| + C\big)\;}

Conferência — derive implicitamente y2=8x2ln⁡∣x∣+Cx2y^2 = 8x^2\ln|x| + Cx^2:

2yy′=16xln⁡∣x∣+8x+2Cx2yy' = 16x\ln|x| + 8x + 2Cx

Multiplique a equação original por 22: 2xyy′=8x2+2y22xyy' = 8x^2 + 2y^2. Substituindo 2yy′2yy' da linha acima:

x(16xln⁡∣x∣+8x+2Cx)=8x2+2x2(8ln⁡∣x∣+C)x\big(16x\ln|x| + 8x + 2Cx\big) = 8x^2 + 2x^2\big(8\ln|x| + C\big)16x2ln⁡∣x∣+8x2+2Cx2=8x2+16x2ln⁡∣x∣+2Cx2    ✓16x^2\ln|x| + 8x^2 + 2Cx^2 = 8x^2 + 16x^2\ln|x| + 2Cx^2 \;\;\checkmark
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Questão 022º EE2023.2EDO · Bernoulli com a substituição v = 1/y³3,0 ptsVer material

Encontre a solução geral de

y′−y=x y4y' - y = x\,y^4

(sugestão: faça v=1y3v = \dfrac{1}{y^3}).

Gabarito
1y3=−x+13+C e−3x\frac{1}{y^3} = -x + \frac13 + C\,e^{-3x}
Passo a passo

Passo 1 — reconhecer Bernoulli. A forma é

y′+P(x) y=Q(x) yn,n≠0,1y' + P(x)\,y = Q(x)\,y^{n}, \qquad n \ne 0, 1

Aqui P=−1P = -1, Q=xQ = x e n=4n = 4. A substituição que lineariza é sempre v=y1−nv = y^{1-n}, que com n=4n=4 dá v=y−3v = y^{-3} — exatamente a sugestão do enunciado.

Passo 2 — preparar a equação. Divida tudo por y4y^4:

y−4y′−y−3=xy^{-4}y' - y^{-3} = x

Passo 3 — trocar para vv. De v=y−3v = y^{-3} sai, pela regra da cadeia,

v′=−3y−4y′⟹y−4y′=−v′3v' = -3y^{-4}y' \qquad\Longrightarrow\qquad y^{-4}y' = -\frac{v'}{3}

Substituindo:

−v′3−v=x⟹v′+3v=−3x-\frac{v'}{3} - v = x \qquad\Longrightarrow\qquad v' + 3v = -3x

Agora é linear em vv — que é todo o objetivo da manobra.

Passo 4 — resolver a linear por fator integrante. Com μ=e∫3 dx=e3x\mu = e^{\int 3\,dx} = e^{3x}:

(e3xv)′=−3x e3x\big(e^{3x}v\big)' = -3x\,e^{3x}e3xv=−3∫x e3x dxe^{3x}v = -3\int x\,e^{3x}\,dx

A integral sai por partes, com u=xu = x e dw=e3xdxdw = e^{3x}dx:

∫xe3xdx=xe3x3−e3x9\int x e^{3x}dx = \frac{x e^{3x}}{3} - \frac{e^{3x}}{9}e3xv=−3(xe3x3−e3x9)+C=−x e3x+e3x3+Ce^{3x}v = -3\left(\frac{xe^{3x}}{3} - \frac{e^{3x}}{9}\right) + C = -x\,e^{3x} + \frac{e^{3x}}{3} + Cv=−x+13+C e−3xv = -x + \frac13 + C\,e^{-3x}

Passo 5 — voltar para yy.

  1y3=−x+13+C e−3x  \boxed{\;\frac{1}{y^3} = -x + \frac13 + C\,e^{-3x}\;}

ou, explicitando, y=(−x+13+Ce−3x)−1/3y = \left(-x + \tfrac13 + Ce^{-3x}\right)^{-1/3}.

Conferência — teste o caso C=0C=0, isto é v=13−xv = \tfrac13 - x. Então y−3=13−xy^{-3} = \tfrac13 - x, e derivando implicitamente −3y−4y′=−1-3y^{-4}y' = -1, ou seja y′=y43y' = \tfrac{y^4}{3}. Levando na equação original:

y′−y=y43−yexy4y' - y = \frac{y^4}{3} - y \qquad\text{e}\qquad xy^4

Com x=13−y−3x = \tfrac13 - y^{-3}, o lado direito é (13−y−3)y4=y43−y\left(\tfrac13 - y^{-3}\right)y^4 = \tfrac{y^4}{3} - y ✔ Fecha.

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Questão 032º EE2023.2Laplace · PVI de 2ª ordem com forçamento em ressonância parcial3,0 ptsVer material

Utilizando a Transformada de Laplace, encontre a solução do PVI

y′′+3y=cos⁡(3x),y(0)=2,y′(0)=5y'' + 3y = \cos(3x), \qquad y(0) = 2, \qquad y'(0) = 5

Dados: L{cos⁡kx}=ss2+k2\mathcal{L}\{\cos kx\} = \dfrac{s}{s^2+k^2}; L{F′′}=s2L{F}−sF(0)−F′(0)\mathcal{L}\{F''\} = s^2\mathcal{L}\{F\} - sF(0) - F'(0); e

s(s2+3)(s2+9)=16[ss2+3−ss2+9]\frac{s}{(s^2+3)(s^2+9)} = \frac16\left[\frac{s}{s^2+3} - \frac{s}{s^2+9}\right]
Gabarito
y(x)=2cos⁡ ⁣(3 x)+53sen⁡ ⁣(3 x)+16[cos⁡ ⁣(3 x)−cos⁡(3x)]y(x) = 2\cos\!\left(\sqrt3\,x\right) + \frac{5}{\sqrt3}\operatorname{sen}\!\left(\sqrt3\,x\right) + \frac16\left[\cos\!\left(\sqrt3\,x\right) - \cos(3x)\right]
Passo a passo

Passo 1 — transformar a equação. Chamando Y=L{y}Y = \mathcal{L}\{y\} e usando a fórmula dada para F′′F'', com as condições iniciais já dentro:

(s2Y−s⋅2−5)+3Y=ss2+9\big(s^2 Y - s\cdot 2 - 5\big) + 3Y = \frac{s}{s^2+9}

É o ganho do método: nada de constantes a determinar no fim — y(0)y(0) e y′(0)y'(0) entram na álgebra.

Passo 2 — isolar YY.

Y(s2+3)=2s+5+ss2+9Y\big(s^2 + 3\big) = 2s + 5 + \frac{s}{s^2+9}Y=2s+5s2+3+s(s2+3)(s2+9)Y = \frac{2s+5}{s^2+3} + \frac{s}{(s^2+3)(s^2+9)}

Passo 3 — inverter a primeira parcela. Cuidado com o kk: em 1s2+3\dfrac{1}{s^2+3} vale k2=3k^2 = 3, logo k=3k = \sqrt3 — não 33.

L−1{2ss2+3}=2cos⁡ ⁣(3 x)\mathcal{L}^{-1}\left\{\frac{2s}{s^2+3}\right\} = 2\cos\!\left(\sqrt3\,x\right)

Para o termo constante no numerador, é preciso ajustar: a tabela é L{sen⁡kx}=ks2+k2\mathcal{L}\{\operatorname{sen} kx\} = \dfrac{k}{s^2+k^2}, então falta um 3\sqrt3 em cima.

L−1{5s2+3}=53 L−1{3s2+3}=53sen⁡ ⁣(3 x)\mathcal{L}^{-1}\left\{\frac{5}{s^2+3}\right\} = \frac{5}{\sqrt3}\,\mathcal{L}^{-1}\left\{\frac{\sqrt3}{s^2+3}\right\} = \frac{5}{\sqrt3}\operatorname{sen}\!\left(\sqrt3\,x\right)

Passo 4 — inverter a segunda parcela, com a decomposição dada.

s(s2+3)(s2+9)=16[ss2+3−ss2+9]\frac{s}{(s^2+3)(s^2+9)} = \frac16\left[\frac{s}{s^2+3} - \frac{s}{s^2+9}\right]L−1=16[cos⁡ ⁣(3 x)−cos⁡(3x)]\mathcal{L}^{-1} = \frac16\left[\cos\!\left(\sqrt3\,x\right) - \cos(3x)\right]

Passo 5 — juntar.

  y(x)=2cos⁡ ⁣(3x)+53sen⁡ ⁣(3x)+16cos⁡ ⁣(3x)−16cos⁡(3x)  \boxed{\;y(x) = 2\cos\!\left(\sqrt3 x\right) + \frac{5}{\sqrt3}\operatorname{sen}\!\left(\sqrt3 x\right) + \frac16\cos\!\left(\sqrt3 x\right) - \frac16\cos(3x)\;}

Conferência 1 — a condição inicial em yy. Em x=0x=0, todos os senos zeram e os cossenos valem 11:

y(0)=2+0+16−16=2  ✓y(0) = 2 + 0 + \frac16 - \frac16 = 2 \;\checkmark

Conferência 2 — a condição em y′y'. Derivando e avaliando em 00, só o termo de seno sobrevive:

y′(0)=53⋅3=5  ✓y'(0) = \frac{5}{\sqrt3}\cdot\sqrt3 = 5 \;\checkmark

As duas conferências custam duas linhas e pegam qualquer erro de álgebra em ss.

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Questão 042º EE2023.2Laplace · Transformada de um binômio cúbico com exponencial1,0 ptVer material

Encontre

L{(2+2x3)3exp⁡(4x)}\mathcal{L}\left\{\big(2 + 2x^3\big)^3 \exp(4x)\right\}

(sugestão: expanda o binômio e utilize funções Gama.)

Dado: Γ(z)=∫0∞tz−1e−tdt\Gamma(z) = \displaystyle\int_0^\infty t^{z-1}e^{-t}dt, Re⁡(z)>0\operatorname{Re}(z) > 0.

Gabarito
L=8s−4+144(s−4)4+17 280(s−4)7+2 903 040(s−4)10\mathcal{L} = \frac{8}{s-4} + \frac{144}{(s-4)^4} + \frac{17\,280}{(s-4)^7} + \frac{2\,903\,040}{(s-4)^{10}}
Passo a passo

Passo 1 — expandir o binômio, como o enunciado manda. Ponha o 22 em evidência primeiro, que encurta a conta:

(2+2x3)3=23(1+x3)3=8(1+x3)3\big(2+2x^3\big)^3 = 2^3\big(1 + x^3\big)^3 = 8\big(1 + x^3\big)^3

E (1+u)3=1+3u+3u2+u3(1+u)^3 = 1 + 3u + 3u^2 + u^3 com u=x3u = x^3:

(2+2x3)3=8(1+3x3+3x6+x9)=8+24x3+24x6+8x9\big(2+2x^3\big)^3 = 8\left(1 + 3x^3 + 3x^6 + x^9\right) = 8 + 24x^3 + 24x^6 + 8x^9

Passo 2 — a transformada de xneaxx^n e^{ax}. Duas propriedades combinadas. Primeiro,

L{xn}=Γ(n+1)s n+1\mathcal{L}\{x^{n}\} = \frac{\Gamma(n+1)}{s^{\,n+1}}

que é onde a Gama entra: para nn inteiro, Γ(n+1)=n!\Gamma(n+1) = n!. Depois, o deslocamento em ss cuida da exponencial:

L{eaxF(x)}=L{F}(s−a)⟹L{xneax}=n!(s−a) n+1\mathcal{L}\{e^{ax}F(x)\} = \mathcal{L}\{F\}(s-a) \qquad\Longrightarrow\qquad \mathcal{L}\{x^{n}e^{ax}\} = \frac{n!}{(s-a)^{\,n+1}}

Com a=4a = 4.

Passo 3 — aplicar termo a termo.

L{8 e4x}=8s−4\mathcal{L}\{8\,e^{4x}\} = \frac{8}{s-4}L{24x3e4x}=24⋅3!(s−4)4=144(s−4)4\mathcal{L}\{24x^3e^{4x}\} = \frac{24\cdot 3!}{(s-4)^4} = \frac{144}{(s-4)^4}L{24x6e4x}=24⋅6!(s−4)7=24⋅720(s−4)7=17 280(s−4)7\mathcal{L}\{24x^6e^{4x}\} = \frac{24\cdot 6!}{(s-4)^7} = \frac{24 \cdot 720}{(s-4)^7} = \frac{17\,280}{(s-4)^7}L{8x9e4x}=8⋅9!(s−4)10=8⋅362 880(s−4)10=2 903 040(s−4)10\mathcal{L}\{8x^9e^{4x}\} = \frac{8\cdot 9!}{(s-4)^{10}} = \frac{8\cdot 362\,880}{(s-4)^{10}} = \frac{2\,903\,040}{(s-4)^{10}}

Passo 4 — somar.

  L{(2+2x3)3e4x}=8s−4+144(s−4)4+17 280(s−4)7+2 903 040(s−4)10  \boxed{\;\mathcal{L}\left\{(2+2x^3)^3e^{4x}\right\} = \frac{8}{s-4} + \frac{144}{(s-4)^4} + \frac{17\,280}{(s-4)^7} + \frac{2\,903\,040}{(s-4)^{10}}\;}

válida para s>4s > 4, que é onde a integral converge.

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Questão 052º EE2023.2Laplace · Inversa com três polos simples1,0 ptVer material

Encontre

L−1{s+1s(s+2)(s−3)}\mathcal{L}^{-1}\left\{\frac{s+1}{s(s+2)(s-3)}\right\}
Gabarito
L−1=−16−110e−2x+415e3x\mathcal{L}^{-1} = -\frac16 - \frac{1}{10}e^{-2x} + \frac{4}{15}e^{3x}
Passo a passo

Passo 1 — o denominador já está fatorado. Três fatores lineares distintos, logo três polos simples: s=0s = 0, s=−2s = -2 e s=3s = 3. A decomposição é

s+1s(s+2)(s−3)=As+Bs+2+Cs−3\frac{s+1}{s(s+2)(s-3)} = \frac{A}{s} + \frac{B}{s+2} + \frac{C}{s-3}

Passo 2 — achar as constantes pelo método do valor conveniente. Multiplique tudo pelo denominador e avalie em cada raiz — muito mais rápido que montar sistema.

s+1=A(s+2)(s−3)+B s(s−3)+C s(s+2)s + 1 = A(s+2)(s-3) + B\,s(s-3) + C\,s(s+2)s=0:1=A(2)(−3)=−6A⟹A=−16s = 0:\quad 1 = A(2)(-3) = -6A \qquad\Longrightarrow\qquad A = -\frac16s=−2:−1=B(−2)(−5)=10B⟹B=−110s = -2:\quad -1 = B(-2)(-5) = 10B \qquad\Longrightarrow\qquad B = -\frac{1}{10}s=3:4=C(3)(5)=15C⟹C=415s = 3:\quad 4 = C(3)(5) = 15C \qquad\Longrightarrow\qquad C = \frac{4}{15}

Passo 3 — inverter termo a termo. Da tabela, L−1{1/(s−a)}=eax\mathcal{L}^{-1}\{1/(s-a)\} = e^{ax}, e L−1{1/s}=1\mathcal{L}^{-1}\{1/s\} = 1:

  L−1{s+1s(s+2)(s−3)}=−16−110e−2x+415e3x  \boxed{\;\mathcal{L}^{-1}\left\{\frac{s+1}{s(s+2)(s-3)}\right\} = -\frac16 - \frac{1}{10}e^{-2x} + \frac{4}{15}e^{3x}\;}

Conferência 1 — teorema do valor inicial. Vale F(0)=lim⁡s→∞s L{F}F(0) = \lim_{s\to\infty} s\,\mathcal{L}\{F\}. Aqui o grau do denominador excede o do numerador em 22, então

lim⁡s→∞s⋅s+1s(s+2)(s−3)=0\lim_{s\to\infty} s\cdot\frac{s+1}{s(s+2)(s-3)} = 0

E de fato −16−110+415=−5−3+830=0-\tfrac16 - \tfrac1{10} + \tfrac4{15} = \tfrac{-5 - 3 + 8}{30} = 0 ✔

Conferência 2 — soma dos resíduos. As três constantes têm de somar zero sempre que o numerador tem grau ao menos 22 menor que o denominador — é a mesma conta acima, e serve como teste imediato de erro de sinal.

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Questão 062º EE2023.2Função Gama · Integral imprópria com e^(−x²)1,5 ptsVer material

Calcule

∫0∞(2+3x)exp⁡(−x2) dx\int_0^{\infty} \big(2 + 3x\big)\exp\big(-x^2\big)\,dx

Dado: Γ(z)=∫0∞tz−1e−t dt\Gamma(z) = \displaystyle\int_0^\infty t^{z-1}e^{-t}\,dt.

Gabarito
∫0∞(2+3x)e−x2dx=π+32≈3,27\int_0^\infty (2+3x)e^{-x^2}dx = \sqrt{\pi} + \frac32 \approx 3{,}27
Passo a passo

Passo 1 — separar as duas parcelas. A integral é linear, e cada parcela cai numa Gama diferente:

∫0∞(2+3x)e−x2dx=2∫0∞e−x2dx+3∫0∞x e−x2dx\int_0^\infty (2+3x)e^{-x^2}dx = 2\int_0^\infty e^{-x^2}dx + 3\int_0^\infty x\,e^{-x^2}dx

Passo 2 — a substituição que revela a Gama. O expoente precisa virar −u-u, então u=x2u = x^2:

u=x2,x=u1/2,dx=12u−1/2duu = x^2, \qquad x = u^{1/2}, \qquad dx = \frac12 u^{-1/2}du

Passo 3 — primeira parcela.

2∫0∞e−x2dx=2∫0∞e−u⋅12u−1/2du=∫0∞u−1/2e−udu2\int_0^\infty e^{-x^2}dx = 2\int_0^\infty e^{-u}\cdot\frac12 u^{-1/2}du = \int_0^\infty u^{-1/2}e^{-u}du

Comparando com a definição, z−1=−12z - 1 = -\tfrac12, isto é z=12z = \tfrac12:

=Γ ⁣(12)=π= \Gamma\!\left(\frac12\right) = \sqrt{\pi}

Esta é a integral gaussiana disfarçada — e é exatamente de onde vem o valor Γ(1/2)=π\Gamma(1/2) = \sqrt\pi.

Passo 4 — segunda parcela.

3∫0∞x e−x2dx=3∫0∞u1/2e−u⋅12u−1/2du=32∫0∞e−udu3\int_0^\infty x\,e^{-x^2}dx = 3\int_0^\infty u^{1/2}e^{-u}\cdot\frac12 u^{-1/2}du = \frac32\int_0^\infty e^{-u}du

Aqui z−1=0z-1 = 0, logo z=1z=1:

=32 Γ(1)=32= \frac32\,\Gamma(1) = \frac32

Passo 5 — somar.

  ∫0∞(2+3x)e−x2dx=π+32≈1,772+1,5=3,27  \boxed{\;\int_0^\infty (2+3x)e^{-x^2}dx = \sqrt\pi + \frac32 \approx 1{,}772 + 1{,}5 = 3{,}27\;}

Conferência — a segunda parcela também sai por substituição elementar, sem Gama: com w=x2w = x^2, ∫0∞xe−x2dx=12∫0∞e−wdw=12\int_0^\infty x e^{-x^2}dx = \tfrac12\int_0^\infty e^{-w}dw = \tfrac12, e vezes 33 dá 32\tfrac32 ✔

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Questão 072º EE2023.2Função Beta · Integral em [0,1] com raiz de (1−x)/x1,5 ptsVer material

Calcule

∫011−xx dx\int_0^1 \sqrt{\frac{1-x}{x}}\,dx
Gabarito
∫011−xx dx=B ⁣(12,32)=π2\int_0^1\sqrt{\frac{1-x}{x}}\,dx = B\!\left(\frac12,\frac32\right) = \frac{\pi}{2}
Passo a passo

Passo 1 — reconhecer o formato da função Beta. A definição é

B(p,q)=∫01x p−1(1−x) q−1dx=Γ(p) Γ(q)Γ(p+q)B(p,q) = \int_0^1 x^{\,p-1}(1-x)^{\,q-1}dx = \frac{\Gamma(p)\,\Gamma(q)}{\Gamma(p+q)}

O sinal de que é Beta e não Gama: o intervalo é [0,1][0,1] e o integrando é produto de potências de xx e de (1−x)(1-x).

Passo 2 — escrever o integrando com expoentes.

1−xx=(1−x)1/2x1/2=x−1/2 (1−x)1/2\sqrt{\frac{1-x}{x}} = \frac{(1-x)^{1/2}}{x^{1/2}} = x^{-1/2}\,(1-x)^{1/2}

Passo 3 — identificar pp e qq. Comparando com xp−1(1−x)q−1x^{p-1}(1-x)^{q-1}:

p−1=−12  ⟹  p=12,q−1=12  ⟹  q=32p - 1 = -\frac12 \;\Longrightarrow\; p = \frac12, \qquad q - 1 = \frac12 \;\Longrightarrow\; q = \frac32

Passo 4 — usar a relação com a Gama.

∫011−xx dx=B ⁣(12,32)=Γ ⁣(12)Γ ⁣(32)Γ(2)\int_0^1\sqrt{\frac{1-x}{x}}\,dx = B\!\left(\frac12,\frac32\right) = \frac{\Gamma\!\left(\tfrac12\right)\Gamma\!\left(\tfrac32\right)}{\Gamma(2)}

Os três valores, todos vindos de Γ(1/2)=π\Gamma(1/2) = \sqrt\pi e da recorrência Γ(z+1)=zΓ(z)\Gamma(z+1) = z\Gamma(z):

Γ ⁣(12)=π,Γ ⁣(32)=12Γ ⁣(12)=π2,Γ(2)=1!=1\Gamma\!\left(\frac12\right) = \sqrt\pi, \qquad \Gamma\!\left(\frac32\right) = \frac12\Gamma\!\left(\frac12\right) = \frac{\sqrt\pi}{2}, \qquad \Gamma(2) = 1! = 1  ∫011−xx dx=π⋅π21=π2≈1,571  \boxed{\;\int_0^1\sqrt{\frac{1-x}{x}}\,dx = \frac{\sqrt\pi\cdot\tfrac{\sqrt\pi}{2}}{1} = \frac{\pi}{2} \approx 1{,}571\;}

Conferência — o integrando é positivo e explode como x−1/2x^{-1/2} perto de 00 — integrável, portanto. Uma estimativa grosseira: ele vale 11 em x=1/2x = 1/2, e a área sob a curva em [0,1][0,1] fica na casa de 1,51{,}5 ✔ E a resposta tem de ser real e positiva, como é.

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Questão 082º EE2023.2Frobenius · A equação hipergeométrica confluente, do início ao fim3,0 ptsVer material

Considere a equação hipergeométrica confluente

x y′′+(c−x) y′−a y=0,x\,y'' + (c - x)\,y' - a\,y = 0,

com aa e cc números reais não inteiros.

a) Mostre que x=0x=0 é um ponto singular regular através dos limites apropriados;

b) Encontre as raízes da equação indicial do método de Frobenius, substituindo y(x)=∑j≥0ajx j+sy(x) = \sum_{j\ge0} a_j x^{\,j+s} na equação diferencial;

c) Encontre os coeficientes aja_j da solução com s=0s = 0. Utilize Γ(z+1)=z Γ(z)\Gamma(z+1) = z\,\Gamma(z) para simplificar a resposta.

Gabarito

a) lim⁡x→0xP=c\lim_{x\to0} xP = c e lim⁡x→0x2Q=0\lim_{x\to0}x^2Q = 0: os dois finitos, logo x=0x=0 é singular regular.

b) s(s−1)+cs=0⇒s1=0s(s-1) + cs = 0 \Rightarrow s_1 = 0 e s2=1−cs_2 = 1-c.

c) aj+1=j+a(j+1)(j+c) aja_{j+1} = \dfrac{j+a}{(j+1)(j+c)}\,a_j, e com a0=1a_0=1,

aj=Γ(a+j) Γ(c)Γ(a) Γ(c+j) j!a_j = \frac{\Gamma(a+j)\,\Gamma(c)}{\Gamma(a)\,\Gamma(c+j)\,j!}
Passo a passo

Passo 1 — a forma padrão. O teste de ponto singular exige o coeficiente de y′′y'' igual a 11. Dividindo por xx:

y′′+c−xx⏟P(x) y′  −  ax⏟Q(x) y=0y'' + \underbrace{\frac{c-x}{x}}_{P(x)}\,y' \;\underbrace{-\;\frac{a}{x}}_{Q(x)}\,y = 0

Tanto PP quanto QQ explodem em x=0x=0: o ponto é singular. A pergunta é se é regular.

Passo 2 — item (a): os dois limites.

lim⁡x→0x P(x)=lim⁡x→0x⋅c−xx=lim⁡x→0(c−x)=c\lim_{x\to0} x\,P(x) = \lim_{x\to0} x\cdot\frac{c-x}{x} = \lim_{x\to0}(c-x) = clim⁡x→0x2 Q(x)=lim⁡x→0x2⋅(−ax)=lim⁡x→0(−ax)=0\lim_{x\to0} x^2\,Q(x) = \lim_{x\to0} x^2\cdot\left(-\frac{a}{x}\right) = \lim_{x\to0}(-a x) = 0

Os dois existem e são finitos — logo x=0x=0 é ponto singular regular e Frobenius se aplica. Chame

p0=c,q0=0p_0 = c, \qquad q_0 = 0

Passo 3 — item (b): a equação indicial. Ela sai de p0p_0 e q0q_0, que o item (a) já entregou:

s(s−1)+p0 s+q0=0⟹s(s−1)+c s=0s(s-1) + p_0\,s + q_0 = 0 \qquad\Longrightarrow\qquad s(s-1) + c\,s = 0s(s−1+c)=0⟹  s1=0,s2=1−c  s\big(s - 1 + c\big) = 0 \qquad\Longrightarrow\qquad \boxed{\;s_1 = 0,\qquad s_2 = 1 - c\;}

Como cc não é inteiro, a diferença s1−s2=c−1s_1 - s_2 = c - 1 também não é: as duas raízes dão duas séries de Frobenius independentes, sem termo logarítmico. É para isso que o enunciado impõe aa e cc não inteiros.

Passo 4 — item (c): a recorrência, com s=0s=0. Com s=0s=0 a tentativa é uma série de potências comum, y=∑jajxjy = \sum_j a_j x^j:

y′=∑j≥0(j+1)aj+1xj,y′′=∑j≥0(j+2)(j+1)aj+2xjy' = \sum_{j\ge0}(j+1)a_{j+1}x^{j}, \qquad y'' = \sum_{j\ge0}(j+2)(j+1)a_{j+2}x^{j}

Substituindo na equação original e alinhando tudo em xjx^j:

x y′′→∑j(j+1)j aj+1xj,c y′→∑jc (j+1)aj+1xjx\,y'' \to \sum_j (j+1)j\,a_{j+1}x^{j}, \qquad c\,y' \to \sum_j c\,(j+1)a_{j+1}x^j−x y′→−∑jj ajxj,−a y→−∑ja ajxj-x\,y' \to -\sum_j j\,a_j x^j, \qquad -a\,y \to -\sum_j a\,a_j x^j

Igualando a zero o coeficiente de xjx^j:

(j+1)j aj+1+c(j+1)aj+1−j aj−a aj=0(j+1)j\,a_{j+1} + c(j+1)a_{j+1} - j\,a_j - a\,a_j = 0(j+1)(j+c) aj+1=(j+a) aj(j+1)(j+c)\,a_{j+1} = (j+a)\,a_j  aj+1=j+a(j+1)(j+c) aj  \boxed{\;a_{j+1} = \frac{j+a}{(j+1)(j+c)}\,a_j\;}

Passo 5 — iterar e empacotar com a Gama. Tomando a0=1a_0 = 1 e aplicando a recorrência:

a1=a1⋅c,a2=(a+1)a2!  c(c+1),a3=(a+2)(a+1)a3!  c(c+1)(c+2)a_1 = \frac{a}{1\cdot c}, \qquad a_2 = \frac{(a+1)a}{2!\;c(c+1)}, \qquad a_3 = \frac{(a+2)(a+1)a}{3!\;c(c+1)(c+2)}

O padrão é claro: no numerador o produto a(a+1)⋯(a+j−1)a(a+1)\cdots(a+j-1), no denominador j!j! e o produto c(c+1)⋯(c+j−1)c(c+1)\cdots(c+j-1). E é exatamente isso que a recorrência da Gama empacota — de Γ(z+1)=zΓ(z)\Gamma(z+1) = z\Gamma(z) segue

a(a+1)⋯(a+j−1)=Γ(a+j)Γ(a)a(a+1)\cdots(a+j-1) = \frac{\Gamma(a+j)}{\Gamma(a)}  aj=Γ(a+j)Γ(a)⋅Γ(c)Γ(c+j)⋅1j!  \boxed{\;a_j = \frac{\Gamma(a+j)}{\Gamma(a)}\cdot\frac{\Gamma(c)}{\Gamma(c+j)}\cdot\frac{1}{j!}\;}

A solução com s=0s=0 é a função hipergeométrica confluente:

y(x)=M(a,c;x)=∑j=0∞Γ(a+j) Γ(c)Γ(a) Γ(c+j) j! xjy(x) = M(a,c;x) = \sum_{j=0}^{\infty}\frac{\Gamma(a+j)\,\Gamma(c)}{\Gamma(a)\,\Gamma(c+j)\,j!}\,x^{j}

Conferência — para j=0j=0 a fórmula dá Γ(a)Γ(c)Γ(a)Γ(c)⋅0!=1=a0\dfrac{\Gamma(a)\Gamma(c)}{\Gamma(a)\Gamma(c)\cdot 0!} = 1 = a_0 ✔ E para j=1j=1: Γ(a+1)Γ(c)Γ(a)Γ(c+1)=a Γ(a) Γ(c)Γ(a) c Γ(c)=ac\dfrac{\Gamma(a+1)\Gamma(c)}{\Gamma(a)\Gamma(c+1)} = \dfrac{a\,\Gamma(a)\,\Gamma(c)}{\Gamma(a)\,c\,\Gamma(c)} = \dfrac{a}{c} ✔

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Questão 092º EE2023.2 · 2ª chamadaLaplace · Transformada composta com derivada em s e deslocamento2,0 ptsVer material

Encontre

L{x2cos⁡(3x)−xsen⁡(2x)exp⁡(2x)}\mathcal{L}\left\{x^2\cos(3x) - x\operatorname{sen}(2x)\exp(2x)\right\}
Gabarito
L=2s3−54s(s2+9)3−4(s−2)[(s−2)2+4]2\mathcal{L} = \frac{2s^3 - 54s}{(s^2+9)^3} - \frac{4(s-2)}{\big[(s-2)^2+4\big]^2}
Passo a passo

Passo 1 — separar por linearidade e atacar cada parcela com a propriedade adequada.

L{x2cos⁡3x}−L{xsen⁡(2x)e2x}\mathcal{L}\{x^2\cos 3x\} - \mathcal{L}\{x\operatorname{sen}(2x)e^{2x}\}

Passo 2 — a propriedade que trata o fator xnx^n. Multiplicar por xx no domínio original é derivar em ss, com sinal:

L{x F(x)}=−ddsL{F}(s)⟹L{x2F}=d2ds2L{F}\mathcal{L}\{x\,F(x)\} = -\frac{d}{ds}\mathcal{L}\{F\}(s) \qquad\Longrightarrow\qquad \mathcal{L}\{x^2F\} = \frac{d^2}{ds^2}\mathcal{L}\{F\}

O sinal desaparece na segunda derivada, porque (−1)2=1(-1)^2 = 1.

Passo 3 — primeira parcela. Partindo de L{cos⁡3x}=ss2+9\mathcal{L}\{\cos 3x\} = \dfrac{s}{s^2+9}:

dds[ss2+9]=(s2+9)−s(2s)(s2+9)2=9−s2(s2+9)2\frac{d}{ds}\left[\frac{s}{s^2+9}\right] = \frac{(s^2+9) - s(2s)}{(s^2+9)^2} = \frac{9 - s^2}{(s^2+9)^2}d2ds2[ss2+9]=−2s (s2+9)2−(9−s2)⋅2(s2+9)(2s)(s2+9)4\frac{d^2}{ds^2}\left[\frac{s}{s^2+9}\right] = \frac{-2s\,(s^2+9)^2 - (9-s^2)\cdot 2(s^2+9)(2s)}{(s^2+9)^4}=−2s(s2+9)−4s(9−s2)(s2+9)3=−2s3−18s−36s+4s3(s2+9)3=2s3−54s(s2+9)3= \frac{-2s(s^2+9) - 4s(9-s^2)}{(s^2+9)^3} = \frac{-2s^3 - 18s - 36s + 4s^3}{(s^2+9)^3} = \frac{2s^3 - 54s}{(s^2+9)^3}

Passo 4 — segunda parcela, em duas etapas. Primeiro o fator xx, sobre L{sen⁡2x}=2s2+4\mathcal{L}\{\operatorname{sen} 2x\} = \dfrac{2}{s^2+4}:

L{xsen⁡2x}=−dds[2s2+4]=4s(s2+4)2\mathcal{L}\{x\operatorname{sen} 2x\} = -\frac{d}{ds}\left[\frac{2}{s^2+4}\right] = \frac{4s}{(s^2+4)^2}

Depois o e2xe^{2x}, pelo deslocamento em ss — troque ss por s−2s-2 em tudo:

L{xsen⁡(2x)e2x}=4(s−2)[(s−2)2+4]2\mathcal{L}\{x\operatorname{sen}(2x)e^{2x}\} = \frac{4(s-2)}{\big[(s-2)^2+4\big]^2}

Passo 5 — juntar, com o sinal do enunciado.

  L{x2cos⁡3x−xsen⁡(2x)e2x}=2s3−54s(s2+9)3−4(s−2)[(s−2)2+4]2  \boxed{\;\mathcal{L}\left\{x^2\cos 3x - x\operatorname{sen}(2x)e^{2x}\right\} = \frac{2s^3 - 54s}{(s^2+9)^3} - \frac{4(s-2)}{\big[(s-2)^2+4\big]^2}\;}

Conferência — as duas parcelas têm de tender a zero quando s→∞s\to\infty, e com a ordem certa: transformada de x2cos⁡x^2\cos cai como s−3s^{-3} ✔ e a de xsen⁡x\operatorname{sen}, como s−3s^{-3} também ✔ Se alguma tender a constante, houve erro de grau.

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Questão 102º EE2023.2 · 2ª chamadaLaplace · Inversa com fator quadrático irredutível2,0 ptsVer material

Encontre

L−1{s+2s3+2s2+2s}\mathcal{L}^{-1}\left\{\frac{s+2}{s^3 + 2s^2 + 2s}\right\}
Gabarito
L−1=1−e−xcos⁡x\mathcal{L}^{-1} = 1 - e^{-x}\cos x
Passo a passo

Passo 1 — fatorar o denominador. Todo termo tem ss:

s3+2s2+2s=s(s2+2s+2)s^3 + 2s^2 + 2s = s\big(s^2 + 2s + 2\big)

O fator quadrático tem discriminante 4−8=−4<04 - 8 = -4 < 0: é irredutível nos reais. Então a decomposição leva numerador linear nele:

s+2s(s2+2s+2)=As+Bs+Cs2+2s+2\frac{s+2}{s(s^2+2s+2)} = \frac{A}{s} + \frac{Bs + C}{s^2+2s+2}

Passo 2 — achar as três constantes. Multiplicando pelo denominador e abrindo:

s+2=A(s2+2s+2)+(Bs+C) s=(A+B)s2+(2A+C)s+2As + 2 = A\big(s^2+2s+2\big) + (Bs+C)\,s = (A+B)s^2 + (2A+C)s + 2A

Comparando coeficiente por coeficiente:

s0:    2=2A  ⟹  A=1s^0:\;\; 2 = 2A \;\Longrightarrow\; A = 1s2:    0=A+B  ⟹  B=−1s^2:\;\; 0 = A + B \;\Longrightarrow\; B = -1s1:    1=2A+C  ⟹  C=−1s^1:\;\; 1 = 2A + C \;\Longrightarrow\; C = -1s+2s(s2+2s+2)=1s+−s−1s2+2s+2\frac{s+2}{s(s^2+2s+2)} = \frac{1}{s} + \frac{-s-1}{s^2+2s+2}

Passo 3 — completar o quadrado. É o movimento que decide a questão:

s2+2s+2=(s+1)2+1s^2 + 2s + 2 = (s+1)^2 + 1

isto é, a=−1a = -1 e k=1k = 1 na tabela deslocada.

Passo 4 — escrever o numerador em termos de (s+1)(s+1). Aqui ele já sai proporcional:

−s−1(s+1)2+1=−(s+1)(s+1)2+1\frac{-s-1}{(s+1)^2+1} = \frac{-(s+1)}{(s+1)^2+1}

Não sobra constante, logo não há termo de seno na resposta. (Se sobrasse, ela iria para k(s−a)2+k2→eaxsen⁡kx\dfrac{k}{(s-a)^2+k^2} \to e^{ax}\operatorname{sen} kx.)

Passo 5 — inverter termo a termo.

L−1{1s}=1,L−1{s+1(s+1)2+1}=e−xcos⁡x\mathcal{L}^{-1}\left\{\frac1s\right\} = 1, \qquad \mathcal{L}^{-1}\left\{\frac{s+1}{(s+1)^2+1}\right\} = e^{-x}\cos x  L−1{s+2s3+2s2+2s}=1−e−xcos⁡x  \boxed{\;\mathcal{L}^{-1}\left\{\frac{s+2}{s^3+2s^2+2s}\right\} = 1 - e^{-x}\cos x\;}

Conferência 1 — valor inicial. F(0)=lim⁡s→∞s L{F}=0F(0) = \lim_{s\to\infty}s\,\mathcal{L}\{F\} = 0, e 1−e0cos⁡0=01 - e^{0}\cos 0 = 0 ✔

Conferência 2 — derivada inicial.

F′(0)=lim⁡s→∞[s2L{F}−s F(0)]=lim⁡s→∞s2⋅s+2s3+2s2+2s=1F'(0) = \lim_{s\to\infty}\Big[s^2\mathcal{L}\{F\} - s\,F(0)\Big] = \lim_{s\to\infty} s^2\cdot\frac{s+2}{s^3+2s^2+2s} = 1

E derivando a resposta, F′(x)=e−xcos⁡x+e−xsen⁡xF'(x) = e^{-x}\cos x + e^{-x}\operatorname{sen} x, logo F′(0)=1F'(0) = 1 ✔

Conferência 3 — refazer a transformada direta.

1s−s+1s2+2s+2=(s2+2s+2)−s(s+1)s(s2+2s+2)=s+2s(s2+2s+2)    ✓\frac1s - \frac{s+1}{s^2+2s+2} = \frac{(s^2+2s+2) - s(s+1)}{s(s^2+2s+2)} = \frac{s+2}{s(s^2+2s+2)} \;\;\checkmark
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Questão 112º EE2023.2 · 2ª chamadaFunção Gama · Integral com expoente cúbico no expoente2,0 ptsVer material

Calcule

∫0∞x3exp⁡(−x3) dx\int_0^{\infty} x^3\exp\big(-x^3\big)\,dx
Gabarito
∫0∞x3e−x3dx=13 Γ ⁣(43)=19 Γ ⁣(13)≈0,2980\int_0^\infty x^3 e^{-x^3}dx = \frac13\,\Gamma\!\left(\frac43\right) = \frac19\,\Gamma\!\left(\frac13\right) \approx 0{,}2980
Passo a passo

Passo 1 — a substituição é ditada pela exponencial. A definição da Gama tem e−te^{-t}, então o expoente precisa virar −u-u:

u=x3,x=u1/3,dx=13u−2/3 duu = x^3, \qquad x = u^{1/3}, \qquad dx = \frac13 u^{-2/3}\,du

Os limites não mudam: x:0→∞x: 0\to\infty dá u:0→∞u: 0\to\infty.

Passo 2 — substituir tudo.

∫0∞x3e−x3dx=∫0∞u e−u⋅13u−2/3 du=13∫0∞u 1−2/3 e−u du=13∫0∞u1/3e−u du\int_0^\infty x^3 e^{-x^3}dx = \int_0^\infty u\,e^{-u}\cdot\frac13 u^{-2/3}\,du = \frac13\int_0^\infty u^{\,1 - 2/3}\,e^{-u}\,du = \frac13\int_0^\infty u^{1/3}e^{-u}\,du

Passo 3 — identificar o zz. Comparando com Γ(z)=∫0∞tz−1e−tdt\Gamma(z) = \int_0^\infty t^{z-1}e^{-t}dt:

z−1=13⟹z=43z - 1 = \frac13 \qquad\Longrightarrow\qquad z = \frac43∫0∞x3e−x3dx=13 Γ ⁣(43)\int_0^\infty x^3e^{-x^3}dx = \frac13\,\Gamma\!\left(\frac43\right)

Passo 4 — simplificar pela recorrência, que é o que a prova costuma pedir. De Γ(z+1)=z Γ(z)\Gamma(z+1) = z\,\Gamma(z) com z=1/3z = 1/3:

Γ ⁣(43)=13 Γ ⁣(13)\Gamma\!\left(\frac43\right) = \frac13\,\Gamma\!\left(\frac13\right)  ∫0∞x3e−x3dx=13 Γ ⁣(43)=19 Γ ⁣(13)  \boxed{\;\int_0^\infty x^3e^{-x^3}dx = \frac13\,\Gamma\!\left(\frac43\right) = \frac19\,\Gamma\!\left(\frac13\right)\;}

Numericamente, com Γ(1/3)≈2,6789\Gamma(1/3) \approx 2{,}6789: o valor é ≈0,2977\approx 0{,}2977.

Conferência — o integrando é positivo, tem máximo em torno de x≈1x \approx 1 (onde vale x3e−x3≈e−1=0,37x^3e^{-x^3} \approx e^{-1} = 0{,}37) e cai rápido. Uma área na casa de 0,30{,}3 é o esperado ✔

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Questão 122º EE2023.2 · 2ª chamadaEDO · Homogênea de grau zero com solução implícita2,0 ptsVer material

Encontre a solução geral de

y′=x−yx+yy' = \frac{x - y}{x + y}
Gabarito
x2−2xy−y2=Cx^2 - 2xy - y^2 = C
Passo a passo

Passo 1 — reconhecer o tipo. Numerador e denominador são homogêneos de grau 1, então o quociente depende só de y/xy/x:

y′=x−yx+y=1−y/x1+y/xy' = \frac{x-y}{x+y} = \frac{1 - y/x}{1 + y/x}

É homogênea de grau zero — substituição y=xvy = xv.

Passo 2 — substituir. Com y′=v+xv′y' = v + xv':

v+x v′=1−v1+vv + x\,v' = \frac{1-v}{1+v}x v′=1−v1+v−v=1−v−v(1+v)1+v=1−2v−v21+vx\,v' = \frac{1-v}{1+v} - v = \frac{1 - v - v(1+v)}{1+v} = \frac{1 - 2v - v^2}{1+v}

Passo 3 — separar as variáveis.

(1+v) dv1−2v−v2=dxx\frac{(1+v)\,dv}{1 - 2v - v^2} = \frac{dx}{x}

Passo 4 — a integral da esquerda, por reconhecimento. Chame w=1−2v−v2w = 1 - 2v - v^2. Então

dw=(−2−2v) dv=−2 (1+v) dv⟹(1+v) dv=−dw2dw = (-2 - 2v)\,dv = -2\,(1+v)\,dv \qquad\Longrightarrow\qquad (1+v)\,dv = -\frac{dw}{2}

O numerador é (a menos de constante) a derivada do denominador — é o que faz a integral sair em log:

∫(1+v)dv1−2v−v2=−12∫dww=−12ln⁡∣w∣\int \frac{(1+v)dv}{1-2v-v^2} = -\frac12\int\frac{dw}{w} = -\frac12\ln|w|

Passo 5 — integrar e voltar.

−12ln⁡∣1−2v−v2∣=ln⁡∣x∣+c-\frac12\ln\big|1 - 2v - v^2\big| = \ln|x| + cln⁡∣1−2v−v2∣=−2ln⁡∣x∣+c′⟹1−2v−v2=Cx2\ln\big|1-2v-v^2\big| = -2\ln|x| + c' \qquad\Longrightarrow\qquad 1 - 2v - v^2 = \frac{C}{x^2}

Com v=y/xv = y/x:

1−2yx−y2x2=Cx21 - \frac{2y}{x} - \frac{y^2}{x^2} = \frac{C}{x^2}

Multiplicando por x2x^2:

  x2−2xy−y2=C  \boxed{\;x^2 - 2xy - y^2 = C\;}

Conferência — derive implicitamente:

2x−2y−2x y′−2y y′=0⟹x−y=y′ (x+y)⟹y′=x−yx+y    ✓2x - 2y - 2x\,y' - 2y\,y' = 0 \qquad\Longrightarrow\qquad x - y = y'\,(x+y) \qquad\Longrightarrow\qquad y' = \frac{x-y}{x+y} \;\;\checkmark

Fecha exatamente com a equação dada.

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Questão 132º EE2023.2 · 2ª chamadaLaplace · PVI com forçamento senoidal e raízes complexas2,0 ptsVer material

Encontre a solução de

y′′+2y′+2y=sen⁡(2x),y(0)=y′(0)=0y'' + 2y' + 2y = \operatorname{sen}(2x), \qquad y(0) = y'(0) = 0

usando a Transformada de Laplace.

Gabarito
y(x)=−15cos⁡(2x)−110sen⁡(2x)+15e−xcos⁡x+25e−xsen⁡xy(x) = -\frac15\cos(2x) - \frac{1}{10}\operatorname{sen}(2x) + \frac15 e^{-x}\cos x + \frac25 e^{-x}\operatorname{sen} x
Passo a passo

Passo 1 — transformar. Com y(0)=y′(0)=0y(0) = y'(0) = 0, os termos de condição inicial desaparecem — é o caso mais limpo:

s2Y+2sY+2Y=2s2+4s^2 Y + 2sY + 2Y = \frac{2}{s^2+4}Y=2(s2+4)(s2+2s+2)Y = \frac{2}{\big(s^2+4\big)\big(s^2+2s+2\big)}

Passo 2 — decompor. Dois fatores quadráticos, os dois irredutíveis, então dois numeradores lineares:

2(s2+4)(s2+2s+2)=As+Bs2+4+Cs+Ds2+2s+2\frac{2}{(s^2+4)(s^2+2s+2)} = \frac{As+B}{s^2+4} + \frac{Cs+D}{s^2+2s+2}

Multiplicando e agrupando por potência de ss:

2=(A+C)s3+(2A+B+D)s2+(2A+2B+4C)s+(2B+4D)2 = (A+C)s^3 + (2A+B+D)s^2 + (2A+2B+4C)s + (2B+4D)

Passo 3 — resolver o sistema. Quatro equações:

s3:  A+C=0s2:  2A+B+D=0s^3:\; A + C = 0 \qquad s^2:\; 2A + B + D = 0s1:  2A+2B+4C=0s0:  2B+4D=2s^1:\; 2A + 2B + 4C = 0 \qquad s^0:\; 2B + 4D = 2

De C=−AC = -A na terceira: 2A+2B−4A=02A + 2B - 4A = 0, logo B=AB = A. Na segunda: 3A+D=03A + D = 0, logo D=−3AD = -3A. Na quarta: B+2D=1B + 2D = 1, isto é A−6A=1A - 6A = 1:

A=−15,B=−15,C=15,D=35A = -\frac15, \qquad B = -\frac15, \qquad C = \frac15, \qquad D = \frac35

Passo 4 — arrumar cada parcela para a tabela.

−15s−15s2+4=−15⋅ss2+4−110⋅2s2+4\frac{-\tfrac15 s - \tfrac15}{s^2+4} = -\frac15\cdot\frac{s}{s^2+4} - \frac{1}{10}\cdot\frac{2}{s^2+4}

(o 110\tfrac1{10} aparece porque a tabela do seno pede k=2k=2 no numerador)

15s+35(s+1)2+1=15⋅(s+1)(s+1)2+1+25⋅1(s+1)2+1\frac{\tfrac15 s + \tfrac35}{(s+1)^2+1} = \frac15\cdot\frac{(s+1)}{(s+1)^2+1} + \frac25\cdot\frac{1}{(s+1)^2+1}

(escrevendo s+3=(s+1)+2s + 3 = (s+1) + 2, para casar com o deslocamento)

Passo 5 — inverter.

  y(x)=−15cos⁡2x−110sen⁡2x+15e−xcos⁡x+25e−xsen⁡x  \boxed{\;y(x) = -\frac15\cos 2x - \frac{1}{10}\operatorname{sen} 2x + \frac15 e^{-x}\cos x + \frac25 e^{-x}\operatorname{sen} x\;}

Conferência 1 — a condição em yy.

y(0)=−15−0+15+0=0  ✓y(0) = -\frac15 - 0 + \frac15 + 0 = 0 \;\checkmark

Conferência 2 — a condição em y′y'. Derivando e avaliando em zero:

y′(0)=0−15+15(−1)+25(1)=−15−15+25=0  ✓y'(0) = 0 - \frac15 + \frac15(-1) + \frac25(1) = -\frac15 - \frac15 + \frac25 = 0 \;\checkmark

Leitura física. A resposta tem duas partes: o transiente e−x(…)e^{-x}(\ldots), que morre, e o regime permanente −15cos⁡2x−110sen⁡2x-\tfrac15\cos2x - \tfrac1{10}\operatorname{sen} 2x, que oscila na frequência do forçamento. É a estrutura de todo sistema linear amortecido — e é a mesma leitura dos circuitos RLC de Circuitos 1.

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Questão 142º EE2025.2Resíduos · Polo simples achado por séries de Maclaurin1,25 ptsVer material

Seja

f(z)=sen⁡(3z)−3sen⁡(z)sen⁡(z) [sen⁡(z)−z]f(z) = \frac{\operatorname{sen}(3z) - 3\operatorname{sen}(z)}{\operatorname{sen}(z)\,\big[\operatorname{sen}(z) - z\big]}

Calcule Res⁡[f(z)]z=0\operatorname{Res}\big[f(z)\big]_{z=0}.

Gabarito
Res⁡[f(z)]z=0=24\operatorname{Res}\big[f(z)\big]_{z=0} = 24
Passo a passo

Passo 1 — por que nenhuma fórmula de resíduo funciona direto. Numerador e denominador ambos se anulam em z=0z=0, e não se vê de imediato a ordem do polo. O caminho é expandir tudo em série de Maclaurin e comparar as ordens dos zeros.

Passo 2 — o numerador. De sen⁡w=w−w36+w5120−⋯\operatorname{sen} w = w - \dfrac{w^3}{6} + \dfrac{w^5}{120} - \cdots:

sen⁡(3z)=3z−27z36+⋯=3z−9z32+⋯\operatorname{sen}(3z) = 3z - \frac{27z^3}{6} + \cdots = 3z - \frac{9z^3}{2} + \cdots3sen⁡(z)=3z−3z36+⋯=3z−z32+⋯3\operatorname{sen}(z) = 3z - \frac{3z^3}{6} + \cdots = 3z - \frac{z^3}{2} + \cdotssen⁡(3z)−3sen⁡(z)=(−92+12)z3+O(z5)=−4z3+O(z5)\operatorname{sen}(3z) - 3\operatorname{sen}(z) = \left(-\frac92 + \frac12\right)z^3 + O(z^5) = -4z^3 + O(z^5)

Os termos em zz cancelam, e o numerador tem zero de ordem 3.

Passo 3 — o denominador. O segundo fator é o que dá a ordem alta:

sen⁡(z)−z=−z36+O(z5)(zero de ordem 3)\operatorname{sen}(z) - z = -\frac{z^3}{6} + O(z^5) \qquad\text{(zero de ordem 3)}sen⁡(z)=z+O(z3)(zero de ordem 1)\operatorname{sen}(z) = z + O(z^3) \qquad\text{(zero de ordem 1)}sen⁡(z)[sen⁡(z)−z]=z⋅(−z36)+O(z6)=−z46+O(z6)\operatorname{sen}(z)\big[\operatorname{sen}(z) - z\big] = z\cdot\left(-\frac{z^3}{6}\right) + O(z^6) = -\frac{z^4}{6} + O(z^6)

Zero de ordem 4.

Passo 4 — a ordem do polo. Zero de ordem 44 embaixo contra ordem 33 em cima:

4−3=1⟹polo simples4 - 3 = 1 \qquad\Longrightarrow\qquad \textbf{polo simples}

Passo 5 — o resíduo. Em polo simples, Res⁡=lim⁡z→0z f(z)\operatorname{Res} = \lim_{z\to0} z\,f(z), e só os termos de ordem mais baixa importam:

Res⁡=lim⁡z→0z⋅−4z3+O(z5)−z46+O(z6)=lim⁡z→0−4z4−z46=−4−16\operatorname{Res} = \lim_{z\to0} z\cdot\frac{-4z^3 + O(z^5)}{-\frac{z^4}{6} + O(z^6)} = \lim_{z\to0}\frac{-4z^4}{-\frac{z^4}{6}} = \frac{-4}{-\frac16}  Res⁡[f(z)]z=0=24  \boxed{\;\operatorname{Res}\big[f(z)\big]_{z=0} = 24\;}

que é o valor do gabarito da prova.

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Questão 152º EE2025.2Laurent · Singularidade essencial com resíduo nulo1,25 ptsVer material

Seja f(z)=cos⁡(1z−2)f(z) = \cos\left(\dfrac{1}{z-2}\right). Classifique o ponto singular, escreva a série de Laurent da mesma, e calcule

∮γ: ∣z∣=2f(z) dz\oint_{\gamma:\,|z|=2} f(z)\,dz
Gabarito

z=2z = 2 é singularidade essencial;

f(z)=∑n=0∞(−1)n(2n)! (z−2)2n=1−12! (z−2)2+14! (z−2)4−⋯f(z) = \sum_{n=0}^{\infty}\frac{(-1)^n}{(2n)!\,(z-2)^{2n}} = 1 - \frac{1}{2!\,(z-2)^2} + \frac{1}{4!\,(z-2)^4} - \cdots

O resíduo é a−1=0a_{-1} = 0, logo a integral é zero.

Passo a passo

Passo 1 — a série, por substituição. Parta da série do cosseno e troque a variável por w=1z−2w = \dfrac{1}{z-2}:

cos⁡w=∑n=0∞(−1)nw2n(2n)!\cos w = \sum_{n=0}^{\infty}\frac{(-1)^n w^{2n}}{(2n)!}  f(z)=∑n=0∞(−1)n(2n)! (z−2)2n=1−12! (z−2)2+14! (z−2)4−⋯  \boxed{\;f(z) = \sum_{n=0}^{\infty}\frac{(-1)^n}{(2n)!\,(z-2)^{2n}} = 1 - \frac{1}{2!\,(z-2)^{2}} + \frac{1}{4!\,(z-2)^{4}} - \cdots\;}

válida em 0<∣z−2∣<∞0 < |z-2| < \infty — todo o plano menos o ponto.

Passo 2 — classificar. A parte principal (as potências negativas) tem infinitos termos, e não há mm para o qual (z−2)mf(z)(z-2)^m f(z) tenha limite finito. Logo z=2z=2 é singularidade essencial.

O reconhecimento é imediato pela forma: 1z−z0\dfrac{1}{z-z_0} dentro de cosseno, seno, exponencial ou hiperbólica sempre produz essencial, porque a substituição joga a série inteira para as potências negativas.

Passo 3 — o resíduo. Ele é o coeficiente de (z−2)−1(z-2)^{-1}. Na série acima só aparecem expoentes −2n-2n, isto é, potências pares:

0,  −2,  −4,  −6,  …0,\; -2,\; -4,\; -6,\; \dots

A potência −1-1 nunca aparece. Portanto

Res⁡[f(z)]z=2=a−1=0\operatorname{Res}\big[f(z)\big]_{z=2} = a_{-1} = 0

Passo 4 — a integral.

  ∮∣z∣=2cos⁡ ⁣(1z−2)dz=2πi⋅0=0  \boxed{\;\oint_{|z|=2}\cos\!\left(\frac{1}{z-2}\right)dz = 2\pi i\cdot 0 = 0\;}
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Questão 162º EE2025.2Paridade · z² é par, z³ é ímpar, e o que isso implica0,8 ptVer material

1) Mostre que f(z)=z2f(z) = z^2 é uma função par, ao passo que f(z)=z3f(z) = z^3 é ímpar;

2) Se uma função f(x)f(x) é par e outra g(x)g(x) é ímpar, o que se pode dizer do produto delas? E sobre a integração deste produto em um intervalo simétrico?

Gabarito

1) (−z)2=z2(-z)^2 = z^2 (par); (−z)3=−z3(-z)^3 = -z^3 (ímpar).

2) O produto f⋅gf\cdot g é ímpar, e a integral de função ímpar em intervalo simétrico é zero:

∫−LLf(x) g(x) dx=0\int_{-L}^{L} f(x)\,g(x)\,dx = 0
Passo a passo

Passo 1 — as definições, que é do que a prova precisa.

f par  ⟺  f(−x)=f(x),f ıˊmpar  ⟺  f(−x)=−f(x)f \text{ par} \iff f(-x) = f(x), \qquad f \text{ ímpar} \iff f(-x) = -f(x)

Passo 2 — item (1), direto da definição.

(−z)2=(−1)2z2=z2⟹par(-z)^2 = (-1)^2 z^2 = z^2 \qquad\Longrightarrow\qquad \textbf{par}(−z)3=(−1)3z3=−z3⟹ıˊmpar(-z)^3 = (-1)^3 z^3 = -z^3 \qquad\Longrightarrow\qquad \textbf{ímpar}

O gabarito da prova classifica este item como “trivial” — e é. A generalização vale registrar: znz^n é par para nn par e ímpar para nn ímpar, e é daí que vêm os nomes.

Passo 3 — item (2), a paridade do produto. Seja h=f⋅gh = f\cdot g, com ff par e gg ímpar:

h(−x)=f(−x) g(−x)=f(x)⋅[−g(x)]=−f(x)g(x)=−h(x)h(-x) = f(-x)\,g(-x) = f(x)\cdot\big[-g(x)\big] = -f(x)g(x) = -h(x)⟹h=f⋅g eˊ ıˊmpar\Longrightarrow\qquad h = f\cdot g \text{ é } \textbf{ímpar}

A regra completa, que vale decorar como sinais de multiplicação:

par×par=par,ıˊmpar×ıˊmpar=par,par×ıˊmpar=ıˊmpar\text{par}\times\text{par} = \text{par}, \qquad \text{ímpar}\times\text{ímpar} = \text{par}, \qquad \text{par}\times\text{ímpar} = \text{ímpar}

Passo 4 — a integral em intervalo simétrico. Para hh ímpar, quebre em duas metades e troque x→−xx \to -x na primeira:

∫−LLh(x) dx=∫−L0h(x) dx+∫0Lh(x) dx\int_{-L}^{L} h(x)\,dx = \int_{-L}^{0}h(x)\,dx + \int_0^L h(x)\,dx∫−L0h(x) dx  =x→−x  ∫0Lh(−x) dx=−∫0Lh(x) dx\int_{-L}^{0}h(x)\,dx \;\overset{x\to-x}{=}\; \int_0^{L}h(-x)\,dx = -\int_0^L h(x)\,dx

As duas metades se cancelam:

  ∫−LLf(x) g(x) dx=0  \boxed{\;\int_{-L}^{L} f(x)\,g(x)\,dx = 0\;}

E, de passagem, o fato irmão: para hh par, ∫−LLh=2∫0Lh\displaystyle\int_{-L}^{L}h = 2\int_0^L h.

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Questão 172º EE2025.2Fourier · Série da onda quadrada, e o gráfico nos saltos1,7 ptsVer material

Calcule a série de Fourier de

f(x)={−1,x≥0−1,x<0f(x) = \begin{cases} \phantom{-}1, & x \ge 0\\ -1, & x < 0 \end{cases}

vista como uma função periódica de período 2π2\pi. Faça gráficos pertinentes.

Gabarito
f(x)=4π∑k=1∞sen⁡[(2k−1)x]2k−1=4π(sen⁡x+sen⁡3x3+sen⁡5x5+⋯ )f(x) = \frac{4}{\pi}\sum_{k=1}^{\infty}\frac{\operatorname{sen}\big[(2k-1)x\big]}{2k-1} = \frac4\pi\left(\operatorname{sen} x + \frac{\operatorname{sen} 3x}{3} + \frac{\operatorname{sen} 5x}{5} + \cdots\right)

Nos saltos (x=0,±π,±2π,…x = 0, \pm\pi, \pm2\pi,\dots) a série vale zero, a média dos limites laterais.

Passo a passo

Passo 1 — classificar a paridade, que já resolve metade. No intervalo (−π,π)(-\pi,\pi), ff é a função sinal:

f(−x)=−f(x)⟹f eˊ ıˊmparf(-x) = -f(x) \qquad\Longrightarrow\qquad f \text{ é } \textbf{ímpar}

Pelo item de paridade da mesma questão, então:

a0=0,an=0para todo na_0 = 0, \qquad a_n = 0 \quad\text{para todo } n

porque f⋅cos⁡f\cdot\cos é ímpar e a integral em intervalo simétrico é zero. A série é só de senos, e resta um coeficiente a calcular.

Passo 2 — calcular bnb_n. Com L=πL = \pi e usando a simetria para integrar só em [0,π][0,\pi], onde f=1f = 1:

bn=2π∫0π1⋅sen⁡(nx) dx=2π[−cos⁡(nx)n]0π=2nπ[1−cos⁡(nπ)]b_n = \frac{2}{\pi}\int_0^\pi 1\cdot\operatorname{sen}(nx)\,dx = \frac{2}{\pi}\left[\frac{-\cos(nx)}{n}\right]_0^{\pi} = \frac{2}{n\pi}\Big[1 - \cos(n\pi)\Big]

Como cos⁡(nπ)=(−1)n\cos(n\pi) = (-1)^n:

bn=2nπ[1−(−1)n]b_n = \frac{2}{n\pi}\Big[1 - (-1)^n\Big]

Passo 3 — ler o fator [1−(−1)n][1-(-1)^n]. Ele vale

{0,n par2,n ıˊmpar⟹b2k=0,b2k−1=4(2k−1)π\begin{cases} 0, & n \text{ par}\\ 2, & n \text{ ímpar} \end{cases} \qquad\Longrightarrow\qquad b_{2k} = 0, \qquad b_{2k-1} = \frac{4}{(2k-1)\pi}

Só os harmônicos ímpares sobrevivem — e isso não é acidente: a onda quadrada tem a simetria f(x+π)=−f(x)f(x+\pi) = -f(x), que anula todo harmônico par.

Passo 4 — a série.

  f(x)=4π∑k=1∞sen⁡[(2k−1)x]2k−1  \boxed{\;f(x) = \frac{4}{\pi}\sum_{k=1}^{\infty}\frac{\operatorname{sen}\big[(2k-1)x\big]}{2k-1}\;}

Passo 5 — os gráficos, que o enunciado pede. Duas coisas a desenhar:

  • ff: os patamares +1+1 em (0,π)(0,\pi) e −1-1 em (−π,0)(-\pi,0), repetindo com período 2π2\pi, com saltos em x=0,±π,±2π,…x = 0, \pm\pi, \pm2\pi,\dots;
  • a série: idêntica a ff onde ff é contínua, e valendo zero em cada salto — a média entre −1-1 e +1+1.

Esse é o ponto que o gráfico serve para mostrar. Apesar de o enunciado definir f(0)=1f(0) = 1, a série converge para 00 em x=0x=0: é o teorema de Dirichlet, que dá a média dos limites laterais nos pontos de descontinuidade.

Conferência — a série de Leibniz de graça. Avalie em x=π/2x = \pi/2, onde f=1f = 1:

1=4π(1−13+15−17+⋯ )⟹1−13+15−⋯=π4    ✓1 = \frac4\pi\left(1 - \frac13 + \frac15 - \frac17 + \cdots\right) \qquad\Longrightarrow\qquad 1 - \frac13 + \frac15 - \cdots = \frac{\pi}{4} \;\;\checkmark

que é uma identidade conhecida. Se a sua série não reproduzir isso, algum coeficiente está errado.

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Questão 182º EE2026.1Fourier · Série de x² em [−π, π]1,0 ptVer material

Seja f(x)=x2f(x) = x^2, vista como periódica, de período 2π2\pi, no intervalo [−π,π][-\pi,\pi]. Estabeleça a série de Fourier de ff e construa os gráficos de ff e de sua série.

Gabarito
x2=π23+4∑n=1∞(−1)nn2cos⁡(nx)x^2 = \frac{\pi^2}{3} + 4\sum_{n=1}^{\infty}\frac{(-1)^n}{n^2}\cos(nx)
Passo a passo

Passo 1 — a paridade. f(−x)=(−x)2=x2=f(x)f(-x) = (-x)^2 = x^2 = f(x): ff é par. Então o produto f⋅sen⁡(nx)f\cdot\operatorname{sen}(nx) é ímpar, e

bn=1π∫−ππx2sen⁡(nx) dx=0para todo nb_n = \frac1\pi\int_{-\pi}^{\pi}x^2\operatorname{sen}(nx)\,dx = 0 \qquad\text{para todo } n

A série é só de cossenos. É o primeiro movimento do gabarito da prova, e economiza metade do trabalho.

Passo 2 — o termo médio a0/2a_0/2. Usando a simetria par para integrar só em [0,π][0,\pi]:

a0=1π∫−ππx2 dx=2π∫0πx2 dx=2π⋅π33=2π23a_0 = \frac1\pi\int_{-\pi}^{\pi}x^2\,dx = \frac2\pi\int_0^\pi x^2\,dx = \frac2\pi\cdot\frac{\pi^3}{3} = \frac{2\pi^2}{3}a02=π23\frac{a_0}{2} = \frac{\pi^2}{3}

É o valor médio de x2x^2 no período — e faz sentido: a média de x2x^2 em [−π,π][-\pi,\pi] é π2/3≈3,29\pi^2/3 \approx 3{,}29, entre 00 e π2≈9,87\pi^2 \approx 9{,}87 ✔

Passo 3 — os ana_n, por partes duas vezes.

an=2π∫0πx2cos⁡(nx) dxa_n = \frac{2}{\pi}\int_0^\pi x^2\cos(nx)\,dx

Primeira integração por partes, com u=x2u = x^2 e dv=cos⁡(nx)dxdv = \cos(nx)dx:

∫x2cos⁡(nx) dx=x2sen⁡(nx)n−2n∫xsen⁡(nx) dx\int x^2\cos(nx)\,dx = \frac{x^2\operatorname{sen}(nx)}{n} - \frac2n\int x\operatorname{sen}(nx)\,dx

Nos limites 00 e π\pi, o primeiro termo se anula, porque sen⁡(nπ)=0\operatorname{sen}(n\pi) = 0.

Segunda integração por partes, com u=xu = x e dv=sen⁡(nx)dxdv = \operatorname{sen}(nx)dx:

∫0πxsen⁡(nx) dx=[−xcos⁡(nx)n+sen⁡(nx)n2]0π=−π(−1)nn\int_0^\pi x\operatorname{sen}(nx)\,dx = \left[-\frac{x\cos(nx)}{n} + \frac{\operatorname{sen}(nx)}{n^2}\right]_0^\pi = -\frac{\pi(-1)^n}{n}

Juntando:

an=2π⋅(−2n)⋅(−π(−1)nn)=4(−1)nn2a_n = \frac{2}{\pi}\cdot\left(-\frac2n\right)\cdot\left(-\frac{\pi(-1)^n}{n}\right) = \frac{4(-1)^n}{n^2}

que é o valor do gabarito.

Passo 4 — a série.

  x2=π23+4∑n=1∞(−1)nn2cos⁡(nx)=π23−4cos⁡x+cos⁡2x−49cos⁡3x+⋯  \boxed{\;x^2 = \frac{\pi^2}{3} + 4\sum_{n=1}^{\infty}\frac{(-1)^n}{n^2}\cos(nx) = \frac{\pi^2}{3} - 4\cos x + \cos 2x - \frac49\cos 3x + \cdots\;}

Passo 5 — os gráficos. ff é a parábola em [−π,π][-\pi,\pi] repetida fora dele — o que produz uma sequência de arcos, com bicos em x=±π,±3π,…x = \pm\pi, \pm3\pi,\dots onde os arcos se encontram no valor π2\pi^2.

E aqui ff é contínua em todo ponto (os bicos são só de derivada), então a série converge para ff em todos os pontos, sem o salto da onda quadrada da q17.

Conferência — o problema de Basileia, de graça. Avalie em x=πx = \pi, onde f=π2f = \pi^2 e cos⁡(nπ)=(−1)n\cos(n\pi) = (-1)^n:

π2=π23+4∑n=1∞(−1)n(−1)nn2=π23+4∑n=1∞1n2\pi^2 = \frac{\pi^2}{3} + 4\sum_{n=1}^{\infty}\frac{(-1)^n(-1)^n}{n^2} = \frac{\pi^2}{3} + 4\sum_{n=1}^{\infty}\frac{1}{n^2}∑n=1∞1n2=14(π2−π23)=π26    ✓\sum_{n=1}^{\infty}\frac{1}{n^2} = \frac{1}{4}\left(\pi^2 - \frac{\pi^2}{3}\right) = \frac{\pi^2}{6} \;\;\checkmark

E é exatamente esse valor que o item seguinte da prova pede — ver a q19 desta unidade.

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Questão 192º EE2026.1Parseval · A soma 1/n² e o expoente 20261,5 ptsVer material

Mostre que f(x)=x2f(x) = x^2 é uma função par de xx. Em seguida, usando a fórmula de Parseval, ou outro método de sua escolha, calcule o valor de

(6π2∑n=1∞1n2)2026\left(\frac{6}{\pi^2}\sum_{n=1}^{\infty}\frac{1}{n^2}\right)^{2026}
Gabarito
∑n=1∞1n2=π26⟹(6π2⋅π26)2026=12026=1\sum_{n=1}^{\infty}\frac{1}{n^2} = \frac{\pi^2}{6} \qquad\Longrightarrow\qquad \left(\frac{6}{\pi^2}\cdot\frac{\pi^2}{6}\right)^{2026} = 1^{2026} = \mathbf{1}
Passo a passo

Passo 1 — a paridade, em uma linha.

f(−x)=(−x)2=x2=f(x)⟹f eˊ parf(-x) = (-x)^2 = x^2 = f(x) \qquad\Longrightarrow\qquad f \text{ é par}

Passo 2 — reconhecer o que o enunciado está pedindo. O que está dentro do parêntese é

6π2∑n=1∞1n2\frac{6}{\pi^2}\sum_{n=1}^{\infty}\frac{1}{n^2}

Se a soma valer π2/6\pi^2/6, o parêntese vale exatamente 11 — e 11 elevado a qualquer coisa é 11. O expoente 20262026 é decoração: a questão é calcular a soma.

Passo 3 — o caminho por Parseval. Da q18 desta unidade, os coeficientes de x2x^2 são a0=2π23a_0 = \tfrac{2\pi^2}{3}, an=4(−1)nn2a_n = \tfrac{4(-1)^n}{n^2} e bn=0b_n = 0. A identidade, com L=πL = \pi:

1π∫−ππ[f(x)]2dx=a022+∑n=1∞(an2+bn2)\frac1\pi\int_{-\pi}^{\pi}\big[f(x)\big]^2dx = \frac{a_0^2}{2} + \sum_{n=1}^{\infty}\left(a_n^2 + b_n^2\right)

Lado esquerdo:

1π∫−ππx4dx=1π⋅2π55=2π45\frac1\pi\int_{-\pi}^{\pi}x^4dx = \frac1\pi\cdot\frac{2\pi^5}{5} = \frac{2\pi^4}{5}

Lado direito:

a022=12(2π23)2=2π49,∑an2=∑16n4\frac{a_0^2}{2} = \frac12\left(\frac{2\pi^2}{3}\right)^2 = \frac{2\pi^4}{9}, \qquad \sum a_n^2 = \sum \frac{16}{n^4}

Igualando:

2π45=2π49+16∑n=1∞1n4\frac{2\pi^4}{5} = \frac{2\pi^4}{9} + 16\sum_{n=1}^{\infty}\frac{1}{n^4}16∑1n4=2π4(15−19)=2π4⋅445=8π44516\sum\frac{1}{n^4} = 2\pi^4\left(\frac15 - \frac19\right) = 2\pi^4\cdot\frac{4}{45} = \frac{8\pi^4}{45}∑n=1∞1n4=π490\sum_{n=1}^{\infty}\frac{1}{n^4} = \frac{\pi^4}{90}

Passo 4 — atenção: Parseval entrega 1/n41/n^4, não 1/n21/n^2. Este é o ponto que decide a questão. Como os coeficientes vão como 1/n21/n^2, elevá-los ao quadrado dá 1/n41/n^4 — Parseval não produz a soma pedida.

O “ou outro método de sua escolha” do enunciado é o aviso. O método que entrega 1/n21/n^2 é avaliar a série num ponto:

x=π:π2=π23+4∑n=1∞(−1)ncos⁡(nπ)n2=π23+4∑n=1∞1n2x = \pi: \qquad \pi^2 = \frac{\pi^2}{3} + 4\sum_{n=1}^{\infty}\frac{(-1)^n\cos(n\pi)}{n^2} = \frac{\pi^2}{3} + 4\sum_{n=1}^{\infty}\frac{1}{n^2}

usando cos⁡(nπ)=(−1)n\cos(n\pi) = (-1)^n, de modo que (−1)ncos⁡(nπ)=(−1)2n=1(-1)^n\cos(n\pi) = (-1)^{2n} = 1.

∑n=1∞1n2=14(π2−π23)=14⋅2π23=π26\sum_{n=1}^{\infty}\frac{1}{n^2} = \frac14\left(\pi^2 - \frac{\pi^2}{3}\right) = \frac14\cdot\frac{2\pi^2}{3} = \frac{\pi^2}{6}

Passo 5 — fechar.

6π2⋅π26=1⟹  (6π2∑n=1∞1n2)2026=12026=1  \frac{6}{\pi^2}\cdot\frac{\pi^2}{6} = 1 \qquad\Longrightarrow\qquad \boxed{\;\left(\frac{6}{\pi^2}\sum_{n=1}^{\infty}\frac{1}{n^2}\right)^{2026} = 1^{2026} = 1\;}
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Questão 202º EE2026.1Laplace · Transformada de e^(αx) pela definição1,0 ptVer material

Seja f(x)=eαxf(x) = e^{\alpha x}, onde α\alpha é uma constante real. Calcule L{f(x)}\mathcal{L}\{f(x)\}, a transformada de Laplace de ff, considerando s>αs > \alpha para a convergência da transformada, sendo ss o parâmetro desta.

Gabarito
L{eαx}=1s−α,s>α\mathcal{L}\left\{e^{\alpha x}\right\} = \frac{1}{s - \alpha}, \qquad s > \alpha
Passo a passo

Passo 1 — a definição. O enunciado pede pela definição, não pela tabela:

L{f(x)}(s)=∫0∞e−sxf(x) dx=∫0∞e−sxeαx dx\mathcal{L}\{f(x)\}(s) = \int_0^{\infty}e^{-sx}f(x)\,dx = \int_0^{\infty}e^{-sx}e^{\alpha x}\,dx

Passo 2 — juntar os expoentes. É o passo que faz a integral virar elementar:

e−sxeαx=e−(s−α)xe^{-sx}e^{\alpha x} = e^{-(s-\alpha)x}L{eαx}=∫0∞e−(s−α)x dx\mathcal{L}\left\{e^{\alpha x}\right\} = \int_0^\infty e^{-(s-\alpha)x}\,dx

Passo 3 — integrar, como imprópria.

∫0∞e−(s−α)xdx=lim⁡R→∞[e−(s−α)x−(s−α)]0R=lim⁡R→∞1−e−(s−α)Rs−α\int_0^{\infty} e^{-(s-\alpha)x}dx = \lim_{R\to\infty}\left[\frac{e^{-(s-\alpha)x}}{-(s-\alpha)}\right]_0^{R} = \lim_{R\to\infty}\frac{1 - e^{-(s-\alpha)R}}{s-\alpha}

Passo 4 — é aqui que a condição s>αs > \alpha entra. O limite existe somente se o expoente for negativo:

s−α>0⟹e−(s−α)R→0s - \alpha > 0 \qquad\Longrightarrow\qquad e^{-(s-\alpha)R} \to 0

Se s<αs < \alpha, a exponencial cresce e a integral diverge; se s=αs = \alpha, o integrando é 11 e a integral também diverge. Por isso a transformada só está definida em s>αs > \alpha — e é o que o enunciado pede para justificar.

  L{eαx}=1s−α,s>α  \boxed{\;\mathcal{L}\left\{e^{\alpha x}\right\} = \frac{1}{s-\alpha},\qquad s > \alpha\;}

Conferência — com α=0\alpha = 0 a fórmula devolve L{1}=1/s\mathcal{L}\{1\} = 1/s, que é o caso conhecido ✔

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Questão 212º EE2026.1Laplace · Transformada do seno, e o artifício para o cosseno1,5 ptsVer material

No mesmo raciocínio da letra a), calcule a transformada de Laplace de f(x)=sen⁡(βx)f(x) = \operatorname{sen}(\beta x), onde β\beta é uma constante real. Sem precisar calcular, sugira um artifício com o qual você calcularia a transformada de Laplace de f(x)=cos⁡(βx)f(x) = \cos(\beta x), baseado nos cálculos anteriores.

Gabarito
L{sen⁡βx}=βs2+β2,s>0\mathcal{L}\{\operatorname{sen}\beta x\} = \frac{\beta}{s^2+\beta^2}, \qquad s > 0

O artifício: como [sen⁡(βx)]′=βcos⁡(βx)\big[\operatorname{sen}(\beta x)\big]' = \beta\cos(\beta x), a propriedade L{F′}=sL{F}−F(0)\mathcal{L}\{F'\} = s\mathcal{L}\{F\} - F(0) dá o cosseno sem integrar:

L{cos⁡βx}=sβ⋅βs2+β2=ss2+β2\mathcal{L}\{\cos\beta x\} = \frac{s}{\beta}\cdot\frac{\beta}{s^2+\beta^2} = \frac{s}{s^2+\beta^2}
Passo a passo

Passo 1 — a transformada do seno, pelo caminho complexo. É o “mesmo raciocínio da letra a)” mais curto. Da q20, L{eαx}=1s−α\mathcal{L}\{e^{\alpha x}\} = \dfrac{1}{s-\alpha}; tome α=iβ\alpha = i\beta:

L{eiβx}=1s−iβ=s+iβ(s−iβ)(s+iβ)=s+iβs2+β2\mathcal{L}\left\{e^{i\beta x}\right\} = \frac{1}{s - i\beta} = \frac{s+i\beta}{(s-i\beta)(s+i\beta)} = \frac{s + i\beta}{s^2+\beta^2}

E, pela fórmula de Euler, eiβx=cos⁡(βx)+isen⁡(βx)e^{i\beta x} = \cos(\beta x) + i\operatorname{sen}(\beta x). Como a transformada é linear e s,βs,\beta são reais, basta separar:

L{cos⁡βx}=Re⁡=ss2+β2,  L{sen⁡βx}=Im⁡=βs2+β2  \mathcal{L}\{\cos\beta x\} = \operatorname{Re} = \frac{s}{s^2+\beta^2}, \qquad \boxed{\;\mathcal{L}\{\operatorname{sen}\beta x\} = \operatorname{Im} = \frac{\beta}{s^2+\beta^2}\;}

com convergência para s>0s > 0, porque ∣eiβx∣=1|e^{i\beta x}| = 1 e basta Re⁡(s)>0\operatorname{Re}(s) > 0.

Passo 2 — pela definição, se a prova exigir. Duas integrações por partes, ou o truque de fechar o ciclo. Chamando I=∫0∞e−sxsen⁡(βx)dxI = \displaystyle\int_0^\infty e^{-sx}\operatorname{sen}(\beta x)dx:

I=[−e−sxcos⁡βxβ]0∞−sβ∫0∞e−sxcos⁡(βx) dx=1β−sβJI = \left[-\frac{e^{-sx}\cos\beta x}{\beta}\right]_0^\infty - \frac{s}{\beta}\int_0^\infty e^{-sx}\cos(\beta x)\,dx = \frac1\beta - \frac{s}{\beta}JJ=∫0∞e−sxcos⁡(βx)dx=sβIJ = \int_0^\infty e^{-sx}\cos(\beta x)dx = \frac{s}{\beta}I

(a segunda sai da mesma conta, por partes). Substituindo:

I=1β−s2β2I⟹I(1+s2β2)=1β⟹I=βs2+β2  ✓I = \frac1\beta - \frac{s^2}{\beta^2}I \qquad\Longrightarrow\qquad I\left(1 + \frac{s^2}{\beta^2}\right) = \frac1\beta \qquad\Longrightarrow\qquad I = \frac{\beta}{s^2+\beta^2} \;\checkmark

Passo 3 — o artifício para o cosseno, que é o que a questão realmente cobra. Note que

ddx[sen⁡(βx)]=βcos⁡(βx)\frac{d}{dx}\Big[\operatorname{sen}(\beta x)\Big] = \beta\cos(\beta x)

e use a propriedade da transformada da derivada, com F(x)=sen⁡(βx)F(x) = \operatorname{sen}(\beta x) e F(0)=0F(0) = 0:

L{F′}=s L{F}−F(0)\mathcal{L}\{F'\} = s\,\mathcal{L}\{F\} - F(0)L{βcos⁡βx}=s⋅βs2+β2−0\mathcal{L}\{\beta\cos\beta x\} = s\cdot\frac{\beta}{s^2+\beta^2} - 0  L{cos⁡βx}=ss2+β2  \boxed{\;\mathcal{L}\{\cos\beta x\} = \frac{s}{s^2+\beta^2}\;}

Sem integrar nada — que é exatamente o que o “sem precisar calcular” do enunciado pede.

Conferência — o mesmo artifício aplicado de volta fecha o ciclo. Com G=cos⁡βxG = \cos\beta x, G′=−βsen⁡βxG' = -\beta\operatorname{sen}\beta x e G(0)=1G(0) = 1:

L{−βsen⁡βx}=s⋅ss2+β2−1=s2−s2−β2s2+β2=−β2s2+β2\mathcal{L}\{-\beta\operatorname{sen}\beta x\} = s\cdot\frac{s}{s^2+\beta^2} - 1 = \frac{s^2 - s^2 - \beta^2}{s^2+\beta^2} = \frac{-\beta^2}{s^2+\beta^2}L{sen⁡βx}=βs2+β2    ✓\mathcal{L}\{\operatorname{sen}\beta x\} = \frac{\beta}{s^2+\beta^2} \;\;\checkmark

Consistente nos dois sentidos.

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Questão 222º EE2026.1EDP · Equação do calor numa barra isolada nas duas pontas3,0 ptsVer material

Considere uma barra, termicamente isolada em suas extremidades, digamos, à temperatura de 0 ∘C0\ ^\circ\mathrm{C}. Determine, explicando os detalhes não triviais, uma função u(x,t)u(x,t) tal que

{ut=k uxx,em Rux(0,t)=ux(L,t)=0,t>0u(x,0)=f(x),0≤x≤L\begin{cases} u_t = k\,u_{xx}, & \text{em } \mathbb{R}\\ u_x(0,t) = u_x(L,t) = 0, & t > 0\\ u(x,0) = f(x), & 0 \le x \le L \end{cases}
Gabarito
u(x,t)=a02+∑n=1∞ancos⁡ ⁣(nπxL)exp⁡ ⁣[−k(nπL)2t]u(x,t) = \frac{a_0}{2} + \sum_{n=1}^{\infty} a_n\cos\!\left(\frac{n\pi x}{L}\right) \exp\!\left[-k\left(\frac{n\pi}{L}\right)^2 t\right]an=2L∫0Lf(x)cos⁡nπxL dxa_n = \frac{2}{L}\int_0^{L}f(x)\cos\frac{n\pi x}{L}\,dx
Passo a passo

Passo 1 — ler as condições de contorno. ux(0,t)=ux(L,t)=0u_x(0,t) = u_x(L,t) = 0 é condição de Neumann: o que se prescreve é o fluxo, não a temperatura. Fluxo nulo nas pontas significa extremidades isoladas — nada de calor entra ou sai.

Este é o primeiro “detalhe não trivial” que o enunciado cobra: com Neumann a solução sai em cossenos, e não em senos. Quem escreve senos por hábito perde a questão inteira.

Passo 2 — separar variáveis. Procure u=X(x) T(t)u = X(x)\,T(t):

X T′=k X′′ T⟹T′k T=X′′X=−λX\,T' = k\,X''\,T \qquad\Longrightarrow\qquad \frac{T'}{k\,T} = \frac{X''}{X} = -\lambda

Os dois lados dependem de variáveis independentes, logo ambos são a mesma constante, que se chama −λ-\lambda por conveniência de sinal.

Passo 3 — o problema em xx, e os três casos de λ\lambda. A equação é X′′+λX=0X'' + \lambda X = 0, com X′(0)=X′(L)=0X'(0) = X'(L) = 0. Analisar os três casos é o segundo detalhe que a questão pede:

λ<0\lambda < 0. Escrevendo λ=−μ2\lambda = -\mu^2, a solução é X=Acosh⁡(μx)+Bsenh⁡(μx)X = A\cosh(\mu x) + B\operatorname{senh}(\mu x). De X′(0)=0X'(0) = 0 vem B=0B = 0; de X′(L)=Aμsenh⁡(μL)=0X'(L) = A\mu\operatorname{senh}(\mu L) = 0, com senh⁡(μL)≠0\operatorname{senh}(\mu L) \ne 0, vem A=0A = 0. Só a solução nula — descartado.

λ=0\lambda = 0. Então X′′=0X'' = 0 e X=A+BxX = A + Bx. De X′=B=0X'= B = 0 nas duas pontas, sobra X=AX = A constante, que satisfaz as duas condições. Este caso conta — e é a diferença essencial em relação a Dirichlet, onde ele seria descartado.

λ>0\lambda > 0. Com λ=μ2\lambda = \mu^2: X=Acos⁡(μx)+Bsen⁡(μx)X = A\cos(\mu x) + B\operatorname{sen}(\mu x), e X′=−Aμsen⁡(μx)+Bμcos⁡(μx)X' = -A\mu\operatorname{sen}(\mu x) + B\mu\cos(\mu x).

X′(0)=Bμ=0  ⟹  B=0X'(0) = B\mu = 0 \;\Longrightarrow\; B = 0X′(L)=−Aμsen⁡(μL)=0  ⟹  sen⁡(μL)=0  ⟹  μ=nπLX'(L) = -A\mu\operatorname{sen}(\mu L) = 0 \;\Longrightarrow\; \operatorname{sen}(\mu L) = 0 \;\Longrightarrow\; \mu = \frac{n\pi}{L}λn=(nπL)2,Xn(x)=cos⁡nπxL,n=1,2,3,…\lambda_n = \left(\frac{n\pi}{L}\right)^2, \qquad X_n(x) = \cos\frac{n\pi x}{L}, \qquad n = 1, 2, 3, \dots

Somando o caso λ=0\lambda = 0, a família de autofunções é cos⁡(nπx/L)\cos(n\pi x/L) com n=0,1,2,…n = 0, 1, 2, \dots

Passo 4 — o problema em tt. Para cada λn\lambda_n:

T′=−kλnT⟹Tn(t)=exp⁡ ⁣[−k(nπL)2t]T' = -k\lambda_n T \qquad\Longrightarrow\qquad T_n(t) = \exp\!\left[-k\left(\frac{n\pi}{L}\right)^2 t\right]

Note que n=0n = 0 dá T0=1T_0 = 1: o modo constante não decai.

Passo 5 — somar e impor a condição inicial. A equação é linear e homogênea, então a soma de soluções é solução:

u(x,t)=a02+∑n=1∞ancos⁡ ⁣(nπxL)exp⁡ ⁣[−k(nπL)2t]u(x,t) = \frac{a_0}{2} + \sum_{n=1}^{\infty}a_n\cos\!\left(\frac{n\pi x}{L}\right) \exp\!\left[-k\left(\frac{n\pi}{L}\right)^2t\right]

Em t=0t=0:

u(x,0)=a02+∑n=1∞ancos⁡nπxL=f(x)u(x,0) = \frac{a_0}{2} + \sum_{n=1}^{\infty}a_n\cos\frac{n\pi x}{L} = f(x)

que é exatamente a série de Fourier de cossenos de ff em [0,L][0,L]. Pela ortogonalidade,

  an=2L∫0Lf(x)cos⁡nπxL dx,n=0,1,2,…  \boxed{\;a_n = \frac{2}{L}\int_0^{L}f(x)\cos\frac{n\pi x}{L}\,dx, \qquad n = 0,1,2,\dots\;}

Os detalhes não triviais, reunidos — é isso que o enunciado pede por escrito:

1. O modo n=0n=0 existe e não decai. Todos os outros carregam e−k(nπ/L)2te^{-k(n\pi/L)^2t} e morrem. Então

lim⁡t→∞u(x,t)=a02=1L∫0Lf(x) dx\lim_{t\to\infty}u(x,t) = \frac{a_0}{2} = \frac1L\int_0^L f(x)\,dx

que é a temperatura média do perfil inicial. Fisicamente inevitável: a barra está isolada, o calor não escapa, e ele só se redistribui até ficar uniforme. Se a condição fosse Dirichlet (u=0u=0 nas pontas), a barra esfriaria até zero.

2. Os detalhes finos somem primeiro. O expoente cresce com n2n^2: o harmônico n=10n=10 decai cem vezes mais rápido que o n=1n=1. Qualquer irregularidade do perfil inicial é suavizada quase imediatamente, e é por isso que a equação do calor é chamada de suavizadora — comportamento típico de EDP parabólica.

3. Conferência da condição de contorno. Cada termo tem ∂∂xcos⁡(nπxL)=−nπLsen⁡(nπxL)\dfrac{\partial}{\partial x}\cos\left(\tfrac{n\pi x}{L}\right) = -\tfrac{n\pi}{L}\operatorname{sen}\left(\tfrac{n\pi x}{L}\right), que se anula em x=0x=0 e em x=Lx=L ✔ — a solução respeita Neumann termo a termo, como tinha de ser.

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Questão 232º EE2026.1EDP · Equação da onda com as duas pontas livres3,0 ptsVer material

Use o método visto em sala, ou seja, o método de Fourier, para resolver o problema

{utt=c2 uxx,em Rux(0,t)=ux(L,t)=0,t>0u(x,0)=f(x),ut(x,0)=g(x),0<x<L\begin{cases} u_{tt} = c^2\,u_{xx}, & \text{em } \mathbb{R}\\ u_x(0,t) = u_x(L,t) = 0, & t > 0\\ u(x,0) = f(x),\quad u_t(x,0) = g(x), & 0 < x < L \end{cases}
Gabarito
u(x,t)=a02+b0 t2+∑n=1∞cos⁡ ⁣(nπxL)[ancos⁡nπc tL+bnsen⁡nπc tL]u(x,t) = \frac{a_0}{2} + \frac{b_0\,t}{2} + \sum_{n=1}^{\infty}\cos\!\left(\frac{n\pi x}{L}\right) \left[a_n\cos\frac{n\pi c\,t}{L} + b_n\operatorname{sen}\frac{n\pi c\,t}{L}\right]

com

an=2L∫0Lf(x)cos⁡nπxLdx,bn=2nπc∫0Lg(x)cos⁡nπxLdxa_n = \frac2L\int_0^L f(x)\cos\frac{n\pi x}{L}dx, \qquad b_n = \frac{2}{n\pi c}\int_0^L g(x)\cos\frac{n\pi x}{L}dx

e b0=2L∫0Lg(x) dxb_0 = \dfrac2L\displaystyle\int_0^L g(x)\,dx.

Passo a passo

Passo 1 — o problema em xx é o mesmo da equação do calor. Separando u=XTu = XT:

X T′′=c2X′′ T⟹T′′c2T=X′′X=−λX\,T'' = c^2X''\,T \qquad\Longrightarrow\qquad \frac{T''}{c^2T} = \frac{X''}{X} = -\lambda

A equação em xx e as condições de contorno são idênticas às da q22: X′′+λX=0X'' + \lambda X = 0 com X′(0)=X′(L)=0X'(0) = X'(L) = 0. Logo as autofunções e os autovalores são os mesmos:

λn=(nπL)2,Xn=cos⁡nπxL,n=0,1,2,…\lambda_n = \left(\frac{n\pi}{L}\right)^2, \qquad X_n = \cos\frac{n\pi x}{L}, \qquad n = 0,1,2,\dots

incluindo o modo constante de n=0n=0, por serem condições de Neumann.

Passo 2 — o que muda é a equação em tt: agora é de 2ª ordem.

T′′+c2λn T=0T'' + c^2\lambda_n\,T = 0

Para n≥1n \ge 1, com ωn=nπcL\omega_n = \dfrac{n\pi c}{L}:

Tn(t)=ancos⁡(ωnt)+bnsen⁡(ωnt)T_n(t) = a_n\cos(\omega_n t) + b_n\operatorname{sen}(\omega_n t)

Duas constantes por modo, e não uma — porque há duas condições iniciais a atender.

Para n=0n = 0, λ0=0\lambda_0 = 0 e a equação é T′′=0T'' = 0:

T0(t)=a02+b02tT_0(t) = \frac{a_0}{2} + \frac{b_0}{2}t

Um termo constante e um linear no tempo. Este é o detalhe que distingue esta questão da anterior.

Passo 3 — a solução geral.

u(x,t)=a02+b0t2+∑n=1∞cos⁡ ⁣(nπxL)[ancos⁡(ωnt)+bnsen⁡(ωnt)]u(x,t) = \frac{a_0}{2} + \frac{b_0 t}{2} + \sum_{n=1}^{\infty}\cos\!\left(\frac{n\pi x}{L}\right) \Big[a_n\cos(\omega_n t) + b_n\operatorname{sen}(\omega_n t)\Big]

Passo 4 — a primeira condição inicial fixa os ana_n. Em t=0t=0 os senos zeram e sobra

u(x,0)=a02+∑n≥1ancos⁡nπxL=f(x)u(x,0) = \frac{a_0}{2} + \sum_{n\ge1}a_n\cos\frac{n\pi x}{L} = f(x)

que é a série de cossenos de ff:

an=2L∫0Lf(x)cos⁡nπxL dx,n≥0a_n = \frac{2}{L}\int_0^{L}f(x)\cos\frac{n\pi x}{L}\,dx, \qquad n \ge 0

Passo 5 — a segunda condição fixa os bnb_n. Derivando em tt e avaliando em t=0t=0:

ut(x,0)=b02+∑n≥1ωn bncos⁡nπxL=g(x)u_t(x,0) = \frac{b_0}{2} + \sum_{n\ge1}\omega_n\,b_n\cos\frac{n\pi x}{L} = g(x)

Comparando com a série de cossenos de gg, cujos coeficientes são 2L∫0Lgcos⁡\dfrac2L\int_0^L g\cos:

  b0=2L∫0Lg(x) dx,bn=1ωn⋅2L∫0Lg(x)cos⁡nπxL dx=2nπc∫0Lg(x)cos⁡nπxL dx  \boxed{\;b_0 = \frac2L\int_0^L g(x)\,dx, \qquad b_n = \frac{1}{\omega_n}\cdot\frac{2}{L}\int_0^L g(x)\cos\frac{n\pi x}{L}\,dx = \frac{2}{n\pi c}\int_0^L g(x)\cos\frac{n\pi x}{L}\,dx\;}

O fator 1/ωn1/\omega_n vem da derivada do seno — esquecê-lo é o erro típico deste passo.

Os detalhes que a questão espera comentados:

1. Nada decai. Ao contrário do calor, aqui não há exponencial: cada modo oscila para sempre na frequência ωn=nπc/L\omega_n = n\pi c/L. É a diferença entre EDP hiperbólica e parabólica — a onda propaga, o calor difunde.

2. O modo n=0n=0 cresce linearmente no tempo. O termo b02t\tfrac{b_0}{2}t significa que a corda transladar como um todo é solução: com as duas pontas livres (Neumann), nada a prende, e uma velocidade inicial média não nula a faz derivar indefinidamente.

b02=1L∫0Lg(x) dx=velocidade meˊdia inicial\frac{b_0}{2} = \frac1L\int_0^L g(x)\,dx = \text{velocidade média inicial}

Se gg tiver média zero, esse termo desaparece e a corda apenas vibra em torno da posição média.

3. Duas condições iniciais, duas famílias de coeficientes. ff (posição) alimenta os ana_n; gg (velocidade) alimenta os bnb_n. Uma condição só deixaria o problema indeterminado — e é por isso que a onda pede duas e o calor pede uma.

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Questão 242º EE2024.1Laurent · Expansão no anel 1 < |z| < 21,5 ptsVer material

Determine a série de Laurent de ff em DD:

f(z)=1(z−1)(z−2),D={ 1<∣z∣<2 }f(z) = \frac{1}{(z-1)(z-2)}, \qquad D = \{\,1 < |z| < 2\,\}
Gabarito
f(z)=−∑n=0∞zn2 n+1  −  ∑n=1∞1znf(z) = -\sum_{n=0}^{\infty}\frac{z^{n}}{2^{\,n+1}} \;-\; \sum_{n=1}^{\infty}\frac{1}{z^{n}}
Passo a passo

Passo 1 — separar em frações simples.

1(z−1)(z−2)=Az−1+Bz−2\frac{1}{(z-1)(z-2)} = \frac{A}{z-1} + \frac{B}{z-2}

Lendo os coeficientes como resíduos:

A=1z−2∣z=1=−1,B=1z−1∣z=2=1A = \frac{1}{z-2}\bigg|_{z=1} = -1, \qquad B = \frac{1}{z-1}\bigg|_{z=2} = 1f(z)=1z−2−1z−1f(z) = \frac{1}{z-2} - \frac{1}{z-1}

Passo 2 — o anel decide a manipulação de cada parcela. Em 1<∣z∣<21 < |z| < 2 valem duas desigualdades ao mesmo tempo:

∣z2∣<1e∣1z∣<1\left|\frac z2\right| < 1 \qquad\text{e}\qquad \left|\frac1z\right| < 1

Cada parcela usa a sua. A regra é sempre: na geométrica 11−w=∑wn\dfrac{1}{1-w} = \sum w^n, o ww tem de ter módulo menor que 1 no anel.

Passo 3 — a parcela de z=2z=2: o pequeno é z/2z/2.

1z−2=−12−z=−12⋅11−z/2=−12∑n=0∞(z2)n=−∑n=0∞zn2 n+1\frac{1}{z-2} = \frac{-1}{2-z} = -\frac12\cdot\frac{1}{1 - z/2} = -\frac12\sum_{n=0}^{\infty}\left(\frac z2\right)^n = -\sum_{n=0}^{\infty}\frac{z^n}{2^{\,n+1}}

Só potências positivas — é a parte analítica.

Passo 4 — a parcela de z=1z=1: o pequeno é 1/z1/z. Aqui é preciso fatorar o zz para fora, porque ∣z∣>1|z| > 1:

−1z−1=−1z⋅11−1/z=−1z∑n=0∞1zn=−∑n=0∞1z n+1=−∑n=1∞1zn-\frac{1}{z-1} = -\frac1z\cdot\frac{1}{1 - 1/z} = -\frac1z\sum_{n=0}^{\infty}\frac{1}{z^{n}} = -\sum_{n=0}^{\infty}\frac{1}{z^{\,n+1}} = -\sum_{n=1}^{\infty}\frac{1}{z^{n}}

Só potências negativas — é a parte principal.

Passo 5 — juntar.

  f(z)=−∑n=0∞zn2 n+1−∑n=1∞1zn=⋯−1z2−1z−12−z4−z28−⋯  \boxed{\;f(z) = -\sum_{n=0}^{\infty}\frac{z^n}{2^{\,n+1}} - \sum_{n=1}^{\infty}\frac{1}{z^n} = \cdots -\frac{1}{z^2} - \frac1z - \frac12 - \frac z4 - \frac{z^2}{8} - \cdots\;}

Conferência — o coeficiente a−1a_{-1} é −1-1. E de fato o resíduo em z=1z=1 é −1-1, calculado no passo 1: a série de Laurent no anel que separa os dois polos tem, como a−1a_{-1}, a soma dos resíduos internos — aqui só o de z=1z=1 ✔

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Questão 252º EE2024.1Laurent · Expansão centrada na própria singularidade1,5 ptsVer material

Determine a série de Laurent de ff em DD:

f(z)=1z−1+1z−3,D={ 0<∣z−3∣<2 }f(z) = \frac{1}{z-1} + \frac{1}{z-3}, \qquad D = \{\,0 < |z-3| < 2\,\}
Gabarito
f(z)=1z−3+∑n=0∞(−1)n2 n+1 (z−3)nf(z) = \frac{1}{z-3} + \sum_{n=0}^{\infty}\frac{(-1)^n}{2^{\,n+1}}\,(z-3)^{n}
Passo a passo

Passo 1 — ler o centro do anel. O anel é 0<∣z−3∣<20 < |z-3| < 2: o centro é z0=3z_0 = 3, e o raio externo 22 é a distância até o outro polo, z=1z=1. Faz sentido — a série não pode alcançar outra singularidade.

Passo 2 — a primeira parcela já está pronta. O termo 1z−3\dfrac{1}{z-3} é uma potência de (z−3)(z-3), com expoente −1-1. Ele é a parte principal inteira, e não há nada a expandir.

Isso já entrega duas informações: z=3z=3 é polo simples, e o resíduo ali é 11.

Passo 3 — adaptar a segunda parcela ao centro. O truque é somar e subtrair 33 para fazer aparecer (z−3)(z-3):

1z−1=1(z−3)+2=12⋅11+z−32\frac{1}{z-1} = \frac{1}{(z-3) + 2} = \frac{1}{2}\cdot\frac{1}{1 + \dfrac{z-3}{2}}

Passo 4 — aplicar a geométrica. No anel, ∣z−32∣<1\left|\dfrac{z-3}{2}\right| < 1, então

11+w=∑n=0∞(−1)nwncom w=z−32\frac{1}{1 + w} = \sum_{n=0}^{\infty}(-1)^n w^n \qquad\text{com } w = \frac{z-3}{2}1z−1=12∑n=0∞(−1)n(z−32)n=∑n=0∞(−1)n2 n+1(z−3)n\frac{1}{z-1} = \frac12\sum_{n=0}^{\infty}(-1)^n\left(\frac{z-3}{2}\right)^n = \sum_{n=0}^{\infty}\frac{(-1)^n}{2^{\,n+1}}(z-3)^n

Passo 5 — juntar.

  f(z)=1z−3+∑n=0∞(−1)n2 n+1(z−3)n=1z−3+12−z−34+(z−3)28−⋯  \boxed{\;f(z) = \frac{1}{z-3} + \sum_{n=0}^{\infty}\frac{(-1)^n}{2^{\,n+1}}(z-3)^{n} = \frac{1}{z-3} + \frac12 - \frac{z-3}{4} + \frac{(z-3)^2}{8} - \cdots\;}

Conferência — avalie a série da segunda parcela em z=3z=3: ela dá 12\tfrac12, e de fato 13−1=12\dfrac{1}{3-1} = \dfrac12 ✔ E o raio de convergência é 22, a distância de 33 até 11 ✔

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Questão 262º EE2024.1Singularidades · Classificar em z = 0 dois casos1,5 ptsVer material

Classifique a singularidade em z=0z=0 das funções

a) f(z)=1z(ez−1)f(z) = \dfrac{1}{z\left(e^{z}-1\right)};

b) f(z)=sen⁡(z)zf(z) = \dfrac{\operatorname{sen}(z)}{z}.

Gabarito

a) Polo de ordem 2. · b) Singularidade removível.

Passo a passo

Item (a) — pelo zero do denominador. Escreva f=g/hf = g/h com

g(z)=1(analıˊtica, g(0)=1≠0),h(z)=z(ez−1)g(z) = 1 \quad\text{(analítica, } g(0) = 1 \ne 0\text{)}, \qquad h(z) = z\left(e^z - 1\right)

Como g(0)≠0g(0) \ne 0, a ordem do polo de ff é a ordem do zero de hh em z=0z=0.

Caminho 1 — por derivadas, que é o do gabarito:

h(0)=0⋅(1−1)=0h(0) = 0\cdot(1-1) = 0h′(z)=(ez−1)+z ez⟹h′(0)=0+0=0h'(z) = \left(e^z - 1\right) + z\,e^z \qquad\Longrightarrow\qquad h'(0) = 0 + 0 = 0h′′(z)=ez+ez+z ez⟹h′′(0)=2≠0h''(z) = e^z + e^z + z\,e^z \qquad\Longrightarrow\qquad h''(0) = 2 \ne 0

A primeira derivada não nula é a segunda: zero de ordem 22.

Caminho 2 — por série, que é mais rápido. De ez−1=z+z22+⋯e^z - 1 = z + \dfrac{z^2}{2} + \cdots:

h(z)=z(z+z22+⋯ )=z2(1+z2+⋯ )h(z) = z\left(z + \frac{z^2}{2} + \cdots\right) = z^2\left(1 + \frac z2 + \cdots\right)

O fator entre parênteses vale 11 em z=0z=0, então o zero é exatamente de ordem 2.

  z=0 eˊ polo de ordem 2  \boxed{\;z=0 \text{ é polo de ordem } 2\;}

E, de brinde, o resíduo sai da série: f=1z2(1−z2+⋯ )f = \dfrac{1}{z^2}\left(1 - \dfrac z2 + \cdots\right), logo a−1=−12a_{-1} = -\dfrac12.

Item (b) — o exemplo canônico de removível. Divida a série do seno por zz:

sen⁡zz=1z(z−z33!+z55!−⋯ )=1−z23!+z45!−⋯\frac{\operatorname{sen} z}{z} = \frac1z\left(z - \frac{z^3}{3!} + \frac{z^5}{5!} - \cdots\right) = 1 - \frac{z^2}{3!} + \frac{z^4}{5!} - \cdots

A série resultante não tem potência negativa nenhuma: a parte principal é vazia.

lim⁡z→0sen⁡zz=1(finito)\lim_{z\to0}\frac{\operatorname{sen} z}{z} = 1 \qquad\text{(finito)}  z=0 eˊ singularidade removıˊvel  \boxed{\;z = 0 \text{ é singularidade removível}\;}

Basta definir f(0)=1f(0) = 1 e a função passa a ser analítica em todo o plano — daí o nome “removível”. Consistentemente, o resíduo é zero.

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Questão 272º EE2024.1Resíduos · Polo triplo e polo simples na mesma curva1,5 ptsVer material

Utilize o Teorema dos Resíduos para calcular

∮Cezz3(z+1) dz,C:∣z∣=2\oint_{C} \frac{e^{z}}{z^{3}(z+1)}\,dz, \qquad C: |z| = 2
Gabarito
∮Cezz3(z+1) dz=2πi(12−e−1)≈0,83 i\oint_C \frac{e^z}{z^3(z+1)}\,dz = 2\pi i\left(\frac12 - e^{-1}\right) \approx 0{,}83\,i
Passo a passo

Passo 1 — as singularidades e a curva.

z=0    (polo de ordem 3),z=−1    (polo simples)z = 0 \;\;(\text{polo de ordem } 3), \qquad z = -1 \;\;(\text{polo simples})

∣0∣=0<2|0| = 0 < 2 e ∣−1∣=1<2|-1| = 1 < 2: as duas dentro de CC. Duas singularidades pedem o teorema dos resíduos.

Passo 2 — o resíduo em z=−1z=-1, que é simples.

Res⁡(f,−1)=lim⁡z→−1(z+1) f(z)=ezz3∣z=−1=e−1−1=−e−1\operatorname{Res}(f,-1) = \lim_{z\to-1}(z+1)\,f(z) = \frac{e^{z}}{z^3}\bigg|_{z=-1} = \frac{e^{-1}}{-1} = -e^{-1}

Passo 3 — o resíduo em z=0z=0, de ordem 3. A fórmula pede m−1=2m-1 = 2 derivadas:

Res⁡(f,0)=12!lim⁡z→0d2dz2[z3f(z)]=12lim⁡z→0d2dz2[ezz+1]\operatorname{Res}(f,0) = \frac{1}{2!}\lim_{z\to0}\frac{d^2}{dz^2}\left[z^3 f(z)\right] = \frac12\lim_{z\to0}\frac{d^2}{dz^2}\left[\frac{e^z}{z+1}\right]

Primeira derivada:

ddz[ezz+1]=ez(z+1)−ez(z+1)2=z ez(z+1)2\frac{d}{dz}\left[\frac{e^z}{z+1}\right] = \frac{e^z(z+1) - e^z}{(z+1)^2} = \frac{z\,e^z}{(z+1)^2}

Segunda derivada:

ddz[zez(z+1)2]=(ez+zez)(z+1)2−zez⋅2(z+1)(z+1)4=ez[(1+z)(1+z)−2z](z+1)3=ez(z2+1)(z+1)3\frac{d}{dz}\left[\frac{z e^z}{(z+1)^2}\right] = \frac{(e^z + ze^z)(z+1)^2 - z e^z\cdot 2(z+1)}{(z+1)^4} = \frac{e^z\big[(1+z)(1+z) - 2z\big]}{(z+1)^3} = \frac{e^z\left(z^2+1\right)}{(z+1)^3}

Avaliando em z=0z=0:

Res⁡(f,0)=12⋅e0(0+1)1=12\operatorname{Res}(f,0) = \frac12\cdot\frac{e^0(0+1)}{1} = \frac12

Passo 4 — somar e multiplicar.

  ∮Cezz3(z+1) dz=2πi(12−e−1)  \boxed{\;\oint_C \frac{e^z}{z^3(z+1)}\,dz = 2\pi i\left(\frac12 - e^{-1}\right)\;}

Numericamente, 12−0,3679=0,1321\tfrac12 - 0{,}3679 = 0{,}1321, logo a integral vale ≈0,830 i\approx 0{,}830\,i.

Conferência do resíduo em zero, pela série. Muito mais rápido que duas derivadas:

ezz3(z+1)=1z3(1+z+z22+⋯ )(1−z+z2−⋯ )\frac{e^z}{z^3(z+1)} = \frac{1}{z^3}\left(1 + z + \frac{z^2}{2} + \cdots\right)\left(1 - z + z^2 - \cdots\right)

O produto das duas séries começa como 1+0⋅z+12z2+⋯1 + 0\cdot z + \tfrac12 z^2 + \cdots (o coeficiente de zz é 1−1=01 - 1 = 0, e o de z2z^2 é 12−1+1=12\tfrac12 - 1 + 1 = \tfrac12). Dividido por z3z^3, o coeficiente de z−1z^{-1} é o de z2z^2 do produto:

Res⁡(f,0)=12    ✓\operatorname{Res}(f,0) = \frac12 \;\;\checkmark
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Questão 282º EE2024.1Resíduos · Integral da tangente, com dois polos simples1,5 ptsVer material

Utilize o Teorema dos Resíduos para calcular

∮Ctg⁡(z) dz,C:∣z∣=2\oint_{C}\operatorname{tg}(z)\,dz, \qquad C: |z| = 2
Gabarito
∮Ctg⁡(z) dz=−4πi\oint_C \operatorname{tg}(z)\,dz = -4\pi i
Passo a passo

Passo 1 — onde a tangente é singular.

tg⁡z=sen⁡zcos⁡z\operatorname{tg} z = \frac{\operatorname{sen} z}{\cos z}

As singularidades são os zeros do cosseno:

cos⁡z=0⟺z=π2+kπ,k∈Z\cos z = 0 \qquad\Longleftrightarrow\qquad z = \frac{\pi}{2} + k\pi, \qquad k \in \mathbb{Z}

isto é ±π2,±3π2,±5π2,…\pm\dfrac\pi2, \pm\dfrac{3\pi}{2}, \pm\dfrac{5\pi}{2},\dots — e todos reais, porque o cosseno complexo só tem zeros reais.

Passo 2 — quais estão dentro de ∣z∣=2|z| = 2.

∣±π2∣=1,571<2(dentro)\left|\pm\frac\pi2\right| = 1{,}571 < 2 \qquad\text{(dentro)}∣±3π2∣=4,712>2(fora)\left|\pm\frac{3\pi}{2}\right| = 4{,}712 > 2 \qquad\text{(fora)}

Exatamente dois polos entram: z=π/2z = \pi/2 e z=−π/2z = -\pi/2. Ler isso é a parte da questão que separa quem acerta.

Passo 3 — verificar que são simples. Em z0=±π/2z_0 = \pm\pi/2:

  • cos⁡z\cos z tem zero simples, pois ddzcos⁡z=−sen⁡z\dfrac{d}{dz}\cos z = -\operatorname{sen} z vale ∓1≠0\mp1 \ne 0 ali;
  • sen⁡(z0)=±1≠0\operatorname{sen}(z_0) = \pm1 \ne 0, então o numerador não cancela o zero.

Logo os dois são polos simples.

Passo 4 — os resíduos, por p/q′p/q'. Com p=sen⁡zp = \operatorname{sen} z e q=cos⁡zq = \cos z, temos q′=−sen⁡zq' = -\operatorname{sen} z:

Res⁡(tg⁡,z0)=sen⁡z0−sen⁡z0=−1\operatorname{Res}\big(\operatorname{tg}, z_0\big) = \frac{\operatorname{sen} z_0}{-\operatorname{sen} z_0} = -1

Independente de z0z_0 — o resíduo da tangente é −1-1 em todo polo. É um resultado que vale guardar.

Passo 5 — somar.

∑Res⁡=(−1)+(−1)=−2\sum\operatorname{Res} = (-1) + (-1) = -2  ∮∣z∣=2tg⁡(z) dz=2πi (−2)=−4πi  \boxed{\;\oint_{|z|=2}\operatorname{tg}(z)\,dz = 2\pi i\,(-2) = -4\pi i\;}

Conferência — o valor é sempre um múltiplo de −2πi-2\pi i: −2πi-2\pi i vezes o número de polos dentro. Com raio 22 entram dois; com raio 55 entrariam quatro (±π/2\pm\pi/2 e ±3π/2\pm3\pi/2) e a integral daria −8πi-8\pi i. Com raio 11, nenhum, e daria zero.

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Questão 292º EE2024.1Fourier · Série de e^x em [−π, π]2,0 ptsVer material

Seja f(x)=exf(x) = e^{x} em −π≤x<π-\pi \le x < \pi. Determine a série de Fourier de ff.

Gabarito
ex=senh⁡ππ+2senh⁡ππ∑n=1∞(−1)nn2+1[cos⁡(nx)−nsen⁡(nx)]e^{x} = \frac{\operatorname{senh}\pi}{\pi} + \frac{2\operatorname{senh}\pi}{\pi}\sum_{n=1}^{\infty}\frac{(-1)^n}{n^2+1} \Big[\cos(nx) - n\operatorname{sen}(nx)\Big]
Passo a passo

Passo 1 — não há paridade a explorar. e−x≠±exe^{-x} \ne \pm e^{x}: a exponencial não é par nem ímpar. Então os dois coeficientes, ana_n e bnb_n, têm de ser calculados — é o caso geral, mais trabalhoso que a onda quadrada ou o x2x^2.

Passo 2 — o termo médio. Com L=πL = \pi:

a0=1π∫−ππex dx=1π[ex]−ππ=eπ−e−ππ=2senh⁡ππa_0 = \frac1\pi\int_{-\pi}^{\pi}e^x\,dx = \frac1\pi\left[e^x\right]_{-\pi}^{\pi} = \frac{e^\pi - e^{-\pi}}{\pi} = \frac{2\operatorname{senh}\pi}{\pi}a02=senh⁡ππ\frac{a_0}{2} = \frac{\operatorname{senh}\pi}{\pi}

usando senh⁡π=eπ−e−π2\operatorname{senh}\pi = \dfrac{e^\pi - e^{-\pi}}{2}.

Passo 3 — as duas primitivas, que valem decorar. As integrais saem por partes duas vezes, e o resultado é sempre desta forma:

∫excos⁡(nx) dx=ex[cos⁡(nx)+nsen⁡(nx)]n2+1\int e^{x}\cos(nx)\,dx = \frac{e^{x}\big[\cos(nx) + n\operatorname{sen}(nx)\big]}{n^2+1}∫exsen⁡(nx) dx=ex[sen⁡(nx)−ncos⁡(nx)]n2+1\int e^{x}\operatorname{sen}(nx)\,dx = \frac{e^{x}\big[\operatorname{sen}(nx) - n\cos(nx)\big]}{n^2+1}

O denominador n2+1n^2+1 é a assinatura desse par — e é ele que faz os coeficientes caírem como 1/n1/n.

Passo 4 — o coeficiente ana_n. Nos limites ±π\pm\pi, os senos zeram e cos⁡(nπ)=(−1)n\cos(n\pi) = (-1)^n:

∫−ππexcos⁡(nx) dx=[excos⁡(nx)n2+1]−ππ=(−1)n(eπ−e−π)n2+1=2(−1)nsenh⁡πn2+1\int_{-\pi}^{\pi}e^x\cos(nx)\,dx = \left[\frac{e^x\cos(nx)}{n^2+1}\right]_{-\pi}^{\pi} = \frac{(-1)^n\left(e^\pi - e^{-\pi}\right)}{n^2+1} = \frac{2(-1)^n\operatorname{senh}\pi}{n^2+1}an=1π⋅2(−1)nsenh⁡πn2+1=2senh⁡ππ⋅(−1)nn2+1a_n = \frac1\pi\cdot\frac{2(-1)^n\operatorname{senh}\pi}{n^2+1} = \frac{2\operatorname{senh}\pi}{\pi}\cdot\frac{(-1)^n}{n^2+1}

Passo 5 — o coeficiente bnb_n. Agora só o termo com cos⁡\cos sobrevive nos limites:

∫−ππexsen⁡(nx) dx=[−n excos⁡(nx)n2+1]−ππ=−n(−1)n(eπ−e−π)n2+1\int_{-\pi}^{\pi}e^x\operatorname{sen}(nx)\,dx = \left[\frac{-n\,e^x\cos(nx)}{n^2+1}\right]_{-\pi}^{\pi} = \frac{-n(-1)^n\left(e^\pi - e^{-\pi}\right)}{n^2+1}bn=−2senh⁡ππ⋅n (−1)nn2+1b_n = -\frac{2\operatorname{senh}\pi}{\pi}\cdot\frac{n\,(-1)^n}{n^2+1}

Passo 6 — montar a série. Note que ana_n e bnb_n compartilham o fator 2senh⁡ππ⋅(−1)nn2+1\dfrac{2\operatorname{senh}\pi}{\pi}\cdot\dfrac{(-1)^n}{n^2+1}:

  ex=senh⁡ππ+2senh⁡ππ∑n=1∞(−1)nn2+1[cos⁡(nx)−nsen⁡(nx)]  \boxed{\;e^{x} = \frac{\operatorname{senh}\pi}{\pi} + \frac{2\operatorname{senh}\pi}{\pi}\sum_{n=1}^{\infty}\frac{(-1)^n}{n^2+1} \big[\cos(nx) - n\operatorname{sen}(nx)\big]\;}

Conferência — em x=0x = 0. Ali ff é contínua e vale 11:

1=senh⁡ππ[1+2∑n=1∞(−1)nn2+1]⟹∑n=1∞(−1)nn2+1=12(πsenh⁡π−1)1 = \frac{\operatorname{senh}\pi}{\pi}\left[1 + 2\sum_{n=1}^{\infty}\frac{(-1)^n}{n^2+1}\right] \qquad\Longrightarrow\qquad \sum_{n=1}^{\infty}\frac{(-1)^n}{n^2+1} = \frac12\left(\frac{\pi}{\operatorname{senh}\pi} - 1\right)

Numericamente: senh⁡π=11,549\operatorname{senh}\pi = 11{,}549, então o lado direito é 12(0,272−1)=−0,364\tfrac12(0{,}272 - 1) = -0{,}364. E a soma alternada −12+15−110+117−⋯≈−0,364-\tfrac12 + \tfrac15 - \tfrac1{10} + \tfrac1{17} - \cdots \approx -0{,}364 ✔

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Questão 302º EE2024.2Séries · Natureza dos polos e a expansão em |z| < 12,0 ptsVer material

Seja

f(z)=1(z−1)(z−2)f(z) = \frac{1}{(z-1)(z-2)}

Estabeleça a natureza dos pontos onde ff não é definida. Ela admite expansão em série em torno de z=0z=0, no círculo ∣z∣<1|z| < 1.

a) Escreva essa expansão por um método à sua escolha;

b) Escreva a série de Laurent, em torno de z=0z=0, na região anelar 1<∣z∣<21 < |z| < 2.

Gabarito

z=1z=1 e z=2z=2 são polos simples.

a) Em ∣z∣<1|z| < 1, série de Taylor:

f(z)=∑n=0∞(1−12 n+1)znf(z) = \sum_{n=0}^{\infty}\left(1 - \frac{1}{2^{\,n+1}}\right)z^{n}

b) Em 1<∣z∣<21 < |z| < 2:

f(z)=−∑n=0∞zn2 n+1−∑n=1∞1znf(z) = -\sum_{n=0}^{\infty}\frac{z^{n}}{2^{\,n+1}} - \sum_{n=1}^{\infty}\frac{1}{z^{n}}
Passo a passo

Passo 1 — a natureza dos pontos. O denominador zera em z=1z=1 e z=2z=2, cada um com zero de ordem 1, e o numerador é 11 (não cancela nada). Logo os dois são polos simples.

Passo 2 — separar em frações simples.

f(z)=1z−2−1z−1f(z) = \frac{1}{z-2} - \frac{1}{z-1}

(coeficientes lidos como resíduos: −1-1 em z=1z=1 e +1+1 em z=2z=2)

Passo 3 — item (a): o disco ∣z∣<1|z| < 1. Aqui os dois polos estão fora, então a expansão é uma série de Taylor — só potências positivas, sem parte principal. Nas duas parcelas o pequeno é o próprio zz:

1z−2=−12⋅11−z/2=−∑n=0∞zn2 n+1\frac{1}{z-2} = -\frac12\cdot\frac{1}{1 - z/2} = -\sum_{n=0}^{\infty}\frac{z^n}{2^{\,n+1}}−1z−1=11−z=∑n=0∞zn-\frac{1}{z-1} = \frac{1}{1-z} = \sum_{n=0}^{\infty}z^{n}

Somando:

  f(z)=∑n=0∞(1−12 n+1)zn=12+34z+78z2+⋯  \boxed{\;f(z) = \sum_{n=0}^{\infty}\left(1 - \frac{1}{2^{\,n+1}}\right)z^{n} = \frac12 + \frac34 z + \frac78 z^2 + \cdots\;}

Conferência — em z=0z=0 a série dá 12\tfrac12, e f(0)=1(−1)(−2)=12f(0) = \dfrac{1}{(-1)(-2)} = \dfrac12 ✔ O raio de convergência é 11, a distância até o polo mais próximo ✔

Passo 4 — item (b): o anel 1<∣z∣<21 < |z| < 2. Agora o polo z=1z=1 está dentro do anel, e a parcela dele muda de manipulação: o pequeno passa a ser 1/z1/z.

1z−2=−∑n=0∞zn2 n+1(igual ao item a — ainda ∣z/2∣<1)\frac{1}{z-2} = -\sum_{n=0}^{\infty}\frac{z^n}{2^{\,n+1}} \qquad\text{(igual ao item a — ainda } |z/2|<1\text{)}−1z−1=−1z⋅11−1/z=−∑n=1∞1zn-\frac{1}{z-1} = -\frac1z\cdot\frac{1}{1-1/z} = -\sum_{n=1}^{\infty}\frac{1}{z^{n}}  f(z)=−∑n=0∞zn2 n+1−∑n=1∞1zn  \boxed{\;f(z) = -\sum_{n=0}^{\infty}\frac{z^n}{2^{\,n+1}} - \sum_{n=1}^{\infty}\frac{1}{z^{n}}\;}

Esta é a mesma expansão da q24 desta unidade, que a prova de 2024.1 pediu isolada.

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Questão 312º EE2024.2Laurent · Singularidade essencial de e^(1/z²)2,0 ptsVer material

Seja f(z)=e1/z2f(z) = e^{1/z^{2}}.

a) Estabeleça a natureza da singularidade em z=0z=0;

b) Escreva a série de Laurent de f(z)f(z) em 0<∣z∣<∞0 < |z| < \infty.

Gabarito

a) Singularidade essencial em z=0z=0.

b)

e1/z2=∑n=0∞1n! z2n=1+1z2+12! z4+13! z6+⋯e^{1/z^2} = \sum_{n=0}^{\infty}\frac{1}{n!\,z^{2n}} = 1 + \frac{1}{z^{2}} + \frac{1}{2!\,z^{4}} + \frac{1}{3!\,z^{6}} + \cdots

O resíduo é zero, porque só há potências pares.

Passo a passo

Passo 1 — a série, por substituição. Parta de ew=∑n≥0wnn!e^{w} = \sum_{n\ge0}\dfrac{w^n}{n!} e tome w=1z2w = \dfrac{1}{z^2}:

  e1/z2=∑n=0∞1n!(1z2)n=∑n=0∞z−2nn!=1+1z2+12!z4+13!z6+⋯  \boxed{\;e^{1/z^2} = \sum_{n=0}^{\infty}\frac{1}{n!}\left(\frac{1}{z^2}\right)^{n} = \sum_{n=0}^{\infty}\frac{z^{-2n}}{n!} = 1 + \frac{1}{z^2} + \frac{1}{2!z^4} + \frac{1}{3!z^6} + \cdots\;}

Válida em 0<∣z∣<∞0 < |z| < \infty, porque a série da exponencial converge para todo ww finito, e w=1/z2w = 1/z^2 é finito para todo z≠0z \ne 0.

Passo 2 — a natureza da singularidade. A parte principal tem infinitos termos, e não existe mm para o qual zmf(z)z^m f(z) tenha limite finito em 00. Logo:

z=0 eˊ singularidade essencialz = 0 \text{ é } \textbf{singularidade essencial}

Passo 3 — a evidência de que não é polo. Vale ver o que acontece por dois caminhos diferentes, porque isso caracteriza a essencial:

z→0 pelo eixo real (z=x):e1/x2→+∞z \to 0 \text{ pelo eixo real } (z = x): \qquad e^{1/x^2} \to +\inftyz→0 pelo eixo imaginaˊrio (z=iy):e1/(iy)2=e−1/y2→0z \to 0 \text{ pelo eixo imaginário } (z = iy): \qquad e^{1/(iy)^2} = e^{-1/y^2} \to 0

O limite não existe: por um caminho a função explode, por outro ela morre. Num polo, ∣f∣→∞|f| \to \infty por todos os caminhos; numa removível, o limite existe. Só a essencial se comporta assim.

Passo 4 — o resíduo. Ele é o coeficiente de z−1z^{-1}, e os expoentes da série são 0,−2,−4,−6,…0, -2, -4, -6,\dots — todos pares. A potência −1-1 nunca aparece:

Res⁡[e1/z2]z=0=0\operatorname{Res}\big[e^{1/z^2}\big]_{z=0} = 0

Em consequência, ∮∣z∣=re1/z2 dz=0\displaystyle\oint_{|z|=r} e^{1/z^2}\,dz = 0 para qualquer r>0r > 0.

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Questão 322º EE2024.2Resíduos · Um resíduo nulo em polo duplo2,0 ptsVer material

Seja

f(z)=z2+1z (z−1)2f(z) = \frac{z^2+1}{z\,(z-1)^2}

a) Calcule os resíduos correspondentes a f(z)f(z);

b) Se γ\gamma é qualquer curva fechada em torno de z=0z=0, mas não envolvendo z=1z=1, calcule

∮γz2+1z(z−1)2 dz\oint_{\gamma}\frac{z^2+1}{z(z-1)^2}\,dz
Gabarito

a) Res⁡(f,0)=1\operatorname{Res}(f,0) = 1 e Res⁡(f,1)=0\operatorname{Res}(f,1) = 0.

b) ∮γf(z) dz=2πi\displaystyle\oint_\gamma f(z)\,dz = 2\pi i

Passo a passo

Passo 1 — os polos.

z=0    (simples),z=1    (ordem 2)z = 0 \;\;(\text{simples}), \qquad z = 1 \;\;(\text{ordem } 2)

O numerador z2+1z^2+1 vale 11 em z=0z=0 e 22 em z=1z=1: não cancela nenhum dos dois.

Passo 2 — resíduo em z=0z=0, simples. Corte o fator e avalie:

Res⁡(f,0)=z2+1(z−1)2∣z=0=1(−1)2=1\operatorname{Res}(f,0) = \frac{z^2+1}{(z-1)^2}\bigg|_{z=0} = \frac{1}{(-1)^2} = 1

Passo 3 — resíduo em z=1z=1, ordem 2. Uma derivada:

Res⁡(f,1)=lim⁡z→1ddz[z2+1z]\operatorname{Res}(f,1) = \lim_{z\to1}\frac{d}{dz}\left[\frac{z^2+1}{z}\right]

Simplifique antes de derivar — é o que torna a conta trivial:

z2+1z=z+1z⟹ddz[z+1z]=1−1z2\frac{z^2+1}{z} = z + \frac1z \qquad\Longrightarrow\qquad \frac{d}{dz}\left[z + \frac1z\right] = 1 - \frac{1}{z^2}Res⁡(f,1)=1−112=0\operatorname{Res}(f,1) = 1 - \frac{1}{1^2} = 0

Resíduo nulo em polo genuíno de ordem 2 — vale registrar: resíduo zero não significa que o ponto seja regular. Aqui z=1z=1 é polo duplo de verdade (∣f∣→∞|f|\to\infty ali), mas o coeficiente a−1a_{-1} da série de Laurent é zero.

Passo 4 — item (b): só o polo de z=0z=0 conta. A curva envolve z=0z=0 e não envolve z=1z=1, então a soma tem uma parcela só:

  ∮γz2+1z(z−1)2 dz=2πi⋅Res⁡(f,0)=2πi  \boxed{\;\oint_\gamma \frac{z^2+1}{z(z-1)^2}\,dz = 2\pi i\cdot\operatorname{Res}(f,0) = 2\pi i\;}

Conferência — e um resultado bonito de brinde. Se a curva envolvesse os dois polos, o valor seria

2πi (1+0)=2πi2\pi i\,(1 + 0) = 2\pi i

o mesmo! Porque o resíduo em z=1z=1 é nulo, o valor da integral não muda ao incluir aquele polo. Uma curva grande e uma curva pequena em torno da origem dão a mesma resposta.

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Questão 332º EE2024.2Demonstração · A identidade de Parseval, passo a passo2,0 ptsVer material

Seja f(x)f(x) definida em (−L,L)(-L, L) e suponha que a série de Fourier de ff convirja uniformemente para f(x)f(x). Mostre que

1L∫−LL[f(x)]2dx=a022+∑n=1∞(an2+bn2)\frac1L\int_{-L}^{L}\big[f(x)\big]^2dx = \frac{a_0^2}{2} + \sum_{n=1}^{\infty}\left(a_n^2 + b_n^2\right)

com ff de quadrado integrável. Explique os passos.

Gabarito

Escrever a série de Fourier, multiplicar os dois membros por f(x)f(x), justificar a troca de soma com integral pela convergência uniforme, integrar, e reconhecer que as integrais que sobram são os próprios coeficientes.

Passo a passo

Passo 1 — escrever a série.

f(x)=a02+∑n=1∞[ancos⁡nπxL+bnsen⁡nπxL]f(x) = \frac{a_0}{2} + \sum_{n=1}^{\infty}\left[a_n\cos\frac{n\pi x}{L} + b_n\operatorname{sen}\frac{n\pi x}{L}\right]

com

an=1L∫−LLf(x)cos⁡nπxL dx,bn=1L∫−LLf(x)sen⁡nπxL dxa_n = \frac1L\int_{-L}^{L}f(x)\cos\frac{n\pi x}{L}\,dx, \qquad b_n = \frac1L\int_{-L}^{L}f(x)\operatorname{sen}\frac{n\pi x}{L}\,dx

Passo 2 — multiplicar os dois lados por f(x)f(x). É o movimento central da demonstração:

[f(x)]2=a02f(x)+∑n=1∞[anf(x)cos⁡nπxL+bnf(x)sen⁡nπxL]\big[f(x)\big]^2 = \frac{a_0}{2}f(x) + \sum_{n=1}^{\infty}\left[a_n f(x)\cos\frac{n\pi x}{L} + b_n f(x)\operatorname{sen}\frac{n\pi x}{L}\right]

Passo 3 — integrar em (−L,L)(-L,L), trocando soma com integral. Aqui entra a hipótese: a convergência uniforme da série é o que autoriza integrar termo a termo.

∫−LL[f(x)]2dx=a02∫−LLf dx+∑n=1∞[an∫−LLfcos⁡nπxLdx+bn∫−LLfsen⁡nπxLdx]\int_{-L}^{L}\big[f(x)\big]^2dx = \frac{a_0}{2}\int_{-L}^{L}f\,dx + \sum_{n=1}^{\infty}\left[a_n\int_{-L}^{L}f\cos\frac{n\pi x}{L}dx + b_n\int_{-L}^{L}f\operatorname{sen}\frac{n\pi x}{L}dx\right]

Passo 4 — reconhecer que cada integral É um coeficiente. Comparando com as fórmulas do passo 1:

∫−LLf dx=L a0,∫−LLfcos⁡nπxLdx=L an,∫−LLfsen⁡nπxLdx=L bn\int_{-L}^{L}f\,dx = L\,a_0, \qquad \int_{-L}^{L}f\cos\frac{n\pi x}{L}dx = L\,a_n, \qquad \int_{-L}^{L}f\operatorname{sen}\frac{n\pi x}{L}dx = L\,b_n

Substituindo:

∫−LL[f(x)]2dx=a02⋅La0+∑n=1∞[an⋅Lan+bn⋅Lbn]\int_{-L}^{L}\big[f(x)\big]^2dx = \frac{a_0}{2}\cdot L a_0 + \sum_{n=1}^{\infty}\left[a_n\cdot L a_n + b_n\cdot L b_n\right]=L[a022+∑n=1∞(an2+bn2)]= L\left[\frac{a_0^2}{2} + \sum_{n=1}^{\infty}\left(a_n^2 + b_n^2\right)\right]

Passo 5 — dividir por LL.

  1L∫−LL[f(x)]2dx=a022+∑n=1∞(an2+bn2)  \boxed{\;\frac1L\int_{-L}^{L}\big[f(x)\big]^2dx = \frac{a_0^2}{2} + \sum_{n=1}^{\infty}\left(a_n^2 + b_n^2\right)\;}

como se queria demonstrar.

Onde cada hipótese foi usada — é o “explique os passos” do enunciado:

  • convergência uniforme: autoriza a troca do somatório com a integral no passo 3. Sem ela, a igualdade termo a termo não se justifica;
  • quadrado integrável: garante que o lado esquerdo é finito, e portanto que a série do lado direito converge;
  • as relações de ortogonalidade entram implicitamente — elas são o que faz ∫fcos⁡\int f\cos ser exatamente LanLa_n, e não uma mistura de coeficientes.
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Questão 342º EE2024.2Fourier · A série de x² avaliada em x = 0 e em x = π2,0 ptsVer material

Seja f(x)=x2f(x) = x^2.

a) Mostre que f(x)f(x) é uma função par e faça o gráfico;

b) Calcule a série de Fourier de ff em −π≤x≤π-\pi \le x \le \pi e esboce o gráfico da extensão;

c) Faça x=0x = 0. Qual o resultado?

d) Faça x=πx = \pi. Qual o resultado?

Gabarito

a) f(−x)=(−x)2=x2=f(x)f(-x) = (-x)^2 = x^2 = f(x).

b) x2=π23+4∑n=1∞(−1)nn2cos⁡(nx)\displaystyle x^2 = \frac{\pi^2}{3} + 4\sum_{n=1}^{\infty}\frac{(-1)^n}{n^2}\cos(nx)

c) ∑n=1∞(−1)n−1n2=π212\displaystyle\sum_{n=1}^{\infty}\frac{(-1)^{n-1}}{n^2} = \frac{\pi^2}{12}

d) ∑n=1∞1n2=π26\displaystyle\sum_{n=1}^{\infty}\frac{1}{n^2} = \frac{\pi^2}{6}

Passo a passo

Passo 1 — itens (a) e (b). A paridade é imediata, f(−x)=(−x)2=x2f(-x) = (-x)^2 = x^2, e a série é a calculada na q18 desta unidade:

x2=π23+4∑n=1∞(−1)nn2cos⁡(nx)x^2 = \frac{\pi^2}{3} + 4\sum_{n=1}^{\infty}\frac{(-1)^n}{n^2}\cos(nx)

O gráfico da extensão é a parábola de [−π,π][-\pi,\pi] repetida com período 2π2\pi: uma fileira de arcos, com bicos em x=±π,±3π,…x = \pm\pi, \pm3\pi,\dots, no valor π2\pi^2. A função é contínua em todo ponto (os bicos são só de derivada), então a série converge para ela em todos os pontos.

Passo 2 — item (c): avaliar em x=0x=0. O lado esquerdo é 00, e cos⁡(0)=1\cos(0) = 1:

0=π23+4∑n=1∞(−1)nn20 = \frac{\pi^2}{3} + 4\sum_{n=1}^{\infty}\frac{(-1)^n}{n^2}∑n=1∞(−1)nn2=−π212\sum_{n=1}^{\infty}\frac{(-1)^n}{n^2} = -\frac{\pi^2}{12}

Trocando o sinal para a forma usual, com o primeiro termo positivo:

  ∑n=1∞(−1)n−1n2=1−14+19−116+⋯=π212  \boxed{\;\sum_{n=1}^{\infty}\frac{(-1)^{n-1}}{n^2} = 1 - \frac14 + \frac19 - \frac1{16} + \cdots = \frac{\pi^2}{12}\;}

Conferência numérica: 1−0,25+0,111−0,0625+0,04−⋯≈0,8221 - 0{,}25 + 0{,}111 - 0{,}0625 + 0{,}04 - \cdots \approx 0{,}822, e π2/12=0,8225\pi^2/12 = 0{,}8225 ✔

Passo 3 — item (d): avaliar em x=πx=\pi. Agora o lado esquerdo é π2\pi^2, e cos⁡(nπ)=(−1)n\cos(n\pi) = (-1)^n, de modo que (−1)ncos⁡(nπ)=(−1)2n=1(-1)^n\cos(n\pi) = (-1)^{2n} = 1:

π2=π23+4∑n=1∞1n2\pi^2 = \frac{\pi^2}{3} + 4\sum_{n=1}^{\infty}\frac{1}{n^2}4∑n=1∞1n2=π2−π23=2π234\sum_{n=1}^{\infty}\frac1{n^2} = \pi^2 - \frac{\pi^2}{3} = \frac{2\pi^2}{3}  ∑n=1∞1n2=π26  \boxed{\;\sum_{n=1}^{\infty}\frac{1}{n^2} = \frac{\pi^2}{6}\;}

que é o problema de Basileia, resolvido por Euler em 1735 — e que aqui cai de graça, como consequência de uma série de Fourier.

Conferência numérica: 1+0,25+0,111+0,0625+⋯≈1,641 + 0{,}25 + 0{,}111 + 0{,}0625 + \cdots \approx 1{,}64, e π2/6=1,6449\pi^2/6 = 1{,}6449 ✔

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