Passo 4 — o resultado é real, e isso não é acidente. O expoente i⋅2iπ é puramente real e negativo, porque i⋅i=−1. Não sobra parte imaginária, e a potência é um número real entre 0 e 1.
O mecanismo: numa potência zα=eαLogz, a parte imaginária de α multiplica o argumento de z e vira parte real do expoente — isto é, vira módulo. Com α=i e z=i, é só isso que resta.
Passo 5 — todos os valores. Se a questão pedisse “todos”, o logaritmo completo daria
logi=i(2π+2kπ)⟹ii=e−π/2−2kπ,k∈Z
uma infinidade de valores reais positivos: e−π/2≈0,208, e−5π/2≈3,9×10−4, e3π/2≈111,3, e assim por diante.
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Questão 02Prova FinalFinal 2024.2Analiticidade · e^z é inteira e é sua própria derivada2,0 ptsVer material
Mostre que ez é uma função analítica e que
dzdez=ezGabarito
Com u=excosy e v=exseny, as equações de Cauchy-Riemann valem em todo o plano e as parciais são contínuas: ez é inteira. E
f′(z)=ux+ivx=excosy+iexseny=ez
Passo a passo
Passo 1 — separar em parte real e imaginária. Com z=x+iy e a fórmula de Euler:
As duas valem em todo ponto do plano — sem exceção, sem restrição de domínio.
Passo 4 — fechar com a condição suficiente. As quatro parciais são produtos de exponencial por seno ou cosseno, logo contínuas em C. Pelo teorema, a analiticidade segue:
ezeˊ analıˊtica em todo o plano — isto eˊ, inteira
Esta frase é o que distingue nota cheia de nota parcial: só as equações dão a condição necessária; é a continuidade das parciais que fecha a suficiente.
Passo 5 — a derivada. Quando a derivada existe, ela vale f′=ux+ivx:
dzdez=excosy+iexseny=ex(cosy+iseny)dzdez=ez
Conferência pela outra fórmula. A derivada também é f′=vy−iuy:
vy−iuy=excosy−i(−exseny)=excosy+iexseny=ez✓
As duas expressões coincidem — o que é exatamente o conteúdo de Cauchy-Riemann.
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Questão 03Prova FinalFinal 2024.2Fórmula de Cauchy · Polo simples com numerador polinomial0,7 ptVer material
Calcule, usando a teoria de Cauchy,
∮γ:∣z∣=2z+iz2+4dzGabarito
∮∣z∣=2z+iz2+4dz=6πi
Passo a passo
Passo 1 — a singularidade e a curva. O denominador zera em
z+i=0⟹z0=−i∣−i∣=1<2(dentro de ∣z∣=2)
Passo 2 — identificar f e n. Denominador de expoente 1 significa n=0: é a fórmula de Cauchy na forma original.
Passo 4 — o gráfico é a dente de serra. Estendida periodicamente, a reta y=x em (−π,π) produz uma sequência de rampas com salto em x=±π,±3π,…: de π para −π.
Nos saltos a série converge para a média dos limites laterais:
2π+(−π)=0
Ou seja: em x=π a série vale zero, e não π. Substituindo na fórmula se confere — todos os termos têm sen(nπ)=0 ✔ É a conferência mais rápida da questão.
Conferência 2 — em x=π/2. Ali f=π/2, e sen(nπ/2) vale 1,0,−1,0,1,…:
2π=2(1−31+51−71+⋯)⟹1−31+51−⋯=4π
a série de Leibniz — a mesma que a onda quadrada do 2º EE entrega ✔
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Questão 08Prova FinalFinal 2025.2Fórmula das derivadas · Produto de duas inteiras sobre polo duplo1,0 ptVer material
Calcule
∮γ(z−π)2ezcos(z)dz,γ={z∈C:∣z∣=4}Gabarito
∮∣z∣=4(z−π)2ezcoszdz=−2πieπ≈−145,4i
Passo a passo
Passo 1 — a singularidade e a curva.
z0=π≈3,14<4(dentro de ∣z∣=4)
Se o raio fosse 3, o ponto ficaria fora e a resposta seria zero — a escolha de 4 é deliberada.
Passo 2 — identificar f e n.
f(z)=ezcosz,n+1=2⟹n=1
f é produto de duas funções inteiras, logo inteira ✔
Conferência — o resultado é imaginário puro e negativo no coeficiente. Faz sentido: f′(π) saiu real e negativo, porque cosπ=−1 domina.
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Questão 09Prova FinalFinal 2026.1Logaritmo · A forma cartesiana de ln(z) no semiplano direito2,0 ptsVer material
Para todo ponto z no semiplano direito, x>0, mostre que
ln(z)=21ln(x2+y2)+iarctan(xy),
onde a tangente inversa tem o valor principal usado no cálculo, isto é, −π/2<arctan(t)<π/2.
Gabarito
Da definição Logz=ln∣z∣+iArgz, com ∣z∣=x2+y2 e, no semiplano x>0, Argz=arctan(y/x) — porque ali o argumento principal cai em (−π/2,π/2), que é exatamente a imagem do arco-tangente principal.
Passo a passo
Passo 1 — a definição do logaritmo principal. Escrevendo z=reiθ:
Log(z)=ln∣z∣+iArg(z),−π<Argz≤π
Passo 2 — a parte real. Com ∣z∣=x2+y2 e a propriedade do logaritmo real:
ln∣z∣=lnx2+y2=ln[(x2+y2)1/2]=21ln(x2+y2)
Esta metade não depende de hipótese nenhuma — vale em todo z=0.
Passo 3 — a parte imaginária, e é aqui que x>0 entra. O argumento satisfaz
tan(Argz)=xy
Mas essa relação, sozinha, não determinaArgz: a tangente tem período π, e arctan devolve valores só em (−π/2,π/2). Inverter sem cuidado erra o quadrante.
Passo 4 — a hipótese resolve a ambiguidade. No semiplano direito, x>0, o ponto está no 1º ou no 4º quadrante. Nesses dois:
−2π<Arg(z)<2π
que é exatamente a imagem do ramo principal do arco-tangente. Como a tangente é injetora nesse intervalo, a inversão é sem ambiguidade:
Arg(z)=arctan(xy),x>0
Passo 5 — juntar.
ln(z)=21ln(x2+y2)+iarctan(xy),x>0
como se queria demonstrar.
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Questão 10Prova FinalFinal 2025.2 · Final 2026.1Fourier · Série do degrau unitário, e o gráfico1,5 ptsVer material
Calcule o desenvolvimento em série de Fourier para a função
f(x)={1,0,0≤x<π−π≤x<0
periódica de período 2π, e faça um esboço do gráfico de f e da série de Fourier.
f: patamares em 1 (para 0≤x<π) e 0 (para −π≤x<0), repetindo com período 2π. Saltos em x=0,±π,±2π,…
A série: idêntica a f onde f é contínua, e valendo a média em cada salto:
20+1=21
Ou seja, nos pontos x=0,±π,… a série vale 21, apesar de f(0)=1 pela definição. É o teorema de Dirichlet — e é a única coisa que o esboço precisa mostrar.
Conferência — substitua x=0 na série: todos os senos zeram e sobra 21 ✔ Exatamente o valor que Dirichlet manda.
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Questão 11Prova FinalFinal 2025.2EDP · Calor com pontas a zero, e os dois limites em t3,5 ptsVer material
Resolva o seguinte problema de valor inicial e de fronteira. Ao obter a solução, calcule t→∞limu(x,t) e t→0limu(x,t).
Passo 1 — ler o contorno.u(0,t)=u(L,t)=0 é Dirichlet: prescreve o valor, não o fluxo. Fisicamente, as duas pontas são mantidas a 0∘C — a barra está em contato com reservatórios frios, e o calor escapa por elas.
Consequência imediata: a solução sai em senos, e não há modo constante.
Passo 2 — separar variáveis. Com u=X(x)T(t):
KTT′=XX′′=−λ
Passo 3 — o problema em x, com os três casos. A equação é X′′+λX=0 com X(0)=X(L)=0.
λ<0:X=Acosh(μx)+Bsenh(μx). De X(0)=0, A=0; de X(L)=Bsenh(μL)=0 com senh(μL)=0, B=0. Só a solução nula — descartado.
λ=0:X=A+Bx. De X(0)=0, A=0; de X(L)=BL=0, B=0. Também descartado — e é aqui que Dirichlet difere de Neumann, onde este caso sobreviveria.
λ>0: com λ=μ2, X=Acos(μx)+Bsen(μx). De X(0)=A=0; de X(L)=Bsen(μL)=0 com B=0:
sen(μL)=0⟹μ=Lnπ,λn=(Lnπ)2,Xn=senLnπx,n≥1
Passo 4 — o problema em t.
T′=−KλnT⟹Tn(t)=exp[−K(Lnπ)2t]
Todos os modos decaem, porque λn>0 para todo n≥1 — não há o modo n=0 que salvava a energia no caso isolado.
Passo 5 — somar e impor a condição inicial.
u(x,t)=n=1∑∞bnsen(Lnπx)exp[−K(Lnπ)2t]
Em t=0, a soma tem de reproduzir f:
f(x)=n≥1∑bnsenLnπx
que é a série de Fourier de senos de f em [0,L] — a extensão ímpar. Pela ortogonalidade:
bn=L2∫0Lf(x)senLnπxdx
Passo 6 — o limite t→∞. Cada exponencial tende a zero, e a série converge uniformemente:
t→∞limu(x,t)=0
Interpretação: a barra esfria completamente. Toda a energia térmica escapa pelas pontas, que estão presas a 0∘C. Compare com a barra isolada (q22 do 2º EE), onde o limite é a temperatura média — ali o calor não tem por onde sair.
Passo 7 — o limite t→0. Cada exponencial tende a 1, e sobra a série de senos:
A ressalva que vale ponto: a igualdade vale nos pontos em que f é contínua. Onde f tem salto, o limite é a média dos limites laterais, pelo teorema de Dirichlet — e nas pontas x=0 e x=L o limite é 0, mesmo que f não se anule ali. A condição de contorno vence a condição inicial nos cantos.
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Questão 12Prova FinalFinal 2026.1EDP · Calor com pulso central, L = π e k = 12,0 ptsVer material
Resolva o seguinte problema de valor inicial e de fronteira,
Passo 3 — simplificar, usando a simetria. Note que 53nπ=nπ−52nπ, e portanto
cos(53nπ)=cos(nπ)cos(52nπ)=(−1)ncos(52nπ)
Substituindo:
bn=nπ2cos(52nπ)[1−(−1)n]
O fator [1−(−1)n] é zero para n par e 2 para n ímpar:
bn=⎩⎨⎧nπ4cos(52nπ),0,nıˊmparn par
Por que isso acontece: o pulso é simétrico em relação a x=π/2 (o intervalo [0,4π,0,6π] tem centro exatamente em 0,5π). Os senos de índice par são antissimétricos em torno de π/2, então a integral contra eles se cancela. É a mesma economia de paridade da série de Fourier, aplicada ao meio-intervalo.
Passo 4 — a solução.
u(x,t)=π4nıˊmpar∑ncos(52nπ)sen(nx)e−n2t
Os primeiros termos, com cos(2π/5)=0,309 e cos(6π/5)=−0,809:
u≈π4[0,309sen(x)e−t−30,809sen(3x)e−9t+⋯]
Conferência 1 — o contorno. Cada termo tem sen(nx), que zera em x=0 e em x=π ✔
Conferência 2 — a massa total. A “quantidade de calor” inicial é ∫0πf=π/5≈0,628. Ela não se conserva aqui, porque as pontas estão a zero e o calor escapa: u→0 quando t→∞ ✔
Conferência 3 — o decaimento. O modo n=3 decai como e−9t, nove vezes mais rápido que o n=1. Depois de t≈0,3 o perfil já é praticamente sen(x) puro — o pulso quadrado se arredonda quase imediatamente, que é o comportamento suavizador da equação parabólica.
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Questão 13Prova FinalFinal 2026.1Laurent · Essencial em z = 1, com a integral1,0 ptVer material
Seja f(z)=cos(z−11). Classifique o ponto singular, escreva a série de Laurent da mesma, e calcule
Passo 2 — classificar. A parte principal tem infinitos termos e nenhum m faz (z−1)mf(z) ter limite finito:
z=1eˊsingularidade essencial
O reconhecimento é imediato: z−z01 dentro de cosseno sempre produz essencial.
Passo 3 — o ponto singular está dentro da curva?
∣1∣=1<2(dentro de ∣z∣=2)
Sim — e aqui, ao contrário da q15 do 2º EE (onde a curva passava exatamente pela singularidade), o ponto está estritamente no interior. O teorema dos resíduos se aplica sem ressalva.
Passo 4 — o resíduo. É o coeficiente de (z−1)−1, e os expoentes da série são 0,−2,−4,−6,… — todos pares. A potência −1 nunca aparece: