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Nabla
MATM0006 · 60h

Complementos de Matemática

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Questão 01Prova FinalFinal 2024.2Potência complexa · O valor de i elevado a i2,0 ptsVer material

Qual o valor de i ii^{\,i}, onde i=−1i = \sqrt{-1}?

Gabarito
i i=e−π/2≈0,2079i^{\,i} = e^{-\pi/2} \approx 0{,}2079

— um número real. Considerando todos os ramos, i i=e−π/2−2kπi^{\,i} = e^{-\pi/2 - 2k\pi}, k∈Zk\in\mathbb{Z}.

Passo a passo

Passo 1 — a definição de potência complexa.

zα=eαlog⁡zz^{\alpha} = e^{\alpha\log z}

Pelo ramo principal, Log⁡\operatorname{Log}, obtém-se o valor principal.

Passo 2 — o logaritmo da base. Com z=iz = i:

∣i∣=1,Arg⁡(i)=π2|i| = 1, \qquad \operatorname{Arg}(i) = \frac{\pi}{2}Log⁡(i)=ln⁡1+iπ2=iπ2\operatorname{Log}(i) = \ln 1 + i\frac{\pi}{2} = \frac{i\pi}{2}

Passo 3 — montar o expoente.

i i=e iLog⁡(i)=exp⁡ ⁣(i⋅iπ2)=exp⁡ ⁣(i2π2)=e−π/2i^{\,i} = e^{\,i\operatorname{Log}(i)} = \exp\!\left(i\cdot\frac{i\pi}{2}\right) = \exp\!\left(\frac{i^2\pi}{2}\right) = e^{-\pi/2}  i i=e−π/2≈0,2079  \boxed{\;i^{\,i} = e^{-\pi/2} \approx 0{,}2079\;}

Passo 4 — o resultado é real, e isso não é acidente. O expoente i⋅iπ2i\cdot\tfrac{i\pi}{2} é puramente real e negativo, porque i⋅i=−1i\cdot i = -1. Não sobra parte imaginária, e a potência é um número real entre 00 e 11.

O mecanismo: numa potência zα=eαLog⁡zz^\alpha = e^{\alpha\operatorname{Log} z}, a parte imaginária de α\alpha multiplica o argumento de zz e vira parte real do expoente — isto é, vira módulo. Com α=i\alpha = i e z=iz = i, é só isso que resta.

Passo 5 — todos os valores. Se a questão pedisse “todos”, o logaritmo completo daria

log⁡i=i(π2+2kπ)⟹i i=e−π/2−2kπ,k∈Z\log i = i\left(\frac\pi2 + 2k\pi\right) \qquad\Longrightarrow\qquad i^{\,i} = e^{-\pi/2 - 2k\pi}, \qquad k\in\mathbb{Z}

uma infinidade de valores reais positivos: e−π/2≈0,208e^{-\pi/2} \approx 0{,}208, e−5π/2≈3,9×10−4e^{-5\pi/2}\approx 3{,}9\times10^{-4}, e3π/2≈111,3e^{3\pi/2}\approx 111{,}3, e assim por diante.

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Questão 02Prova FinalFinal 2024.2Analiticidade · e^z é inteira e é sua própria derivada2,0 ptsVer material

Mostre que eze^{z} é uma função analítica e que

ddzez=ez\frac{d}{dz}e^{z} = e^{z}
Gabarito

Com u=excos⁡yu = e^x\cos y e v=exsen⁡yv = e^x\operatorname{sen} y, as equações de Cauchy-Riemann valem em todo o plano e as parciais são contínuas: eze^z é inteira. E

f′(z)=ux+i vx=excos⁡y+i exsen⁡y=ezf'(z) = u_x + i\,v_x = e^x\cos y + i\,e^x\operatorname{sen} y = e^{z}
Passo a passo

Passo 1 — separar em parte real e imaginária. Com z=x+iyz = x+iy e a fórmula de Euler:

ez=exeiy=ex(cos⁡y+isen⁡y)e^{z} = e^{x}e^{iy} = e^{x}\big(\cos y + i\operatorname{sen} y\big)u(x,y)=excos⁡y,v(x,y)=exsen⁡yu(x,y) = e^{x}\cos y, \qquad v(x,y) = e^{x}\operatorname{sen} y

Passo 2 — as quatro parciais.

ux=excos⁡y,uy=−exsen⁡yu_x = e^x\cos y, \qquad u_y = -e^x\operatorname{sen} yvx=exsen⁡y,vy=excos⁡yv_x = e^x\operatorname{sen} y, \qquad v_y = e^x\cos y

Passo 3 — verificar Cauchy-Riemann.

ux=excos⁡y=vy    ✓uy=−exsen⁡y=−vx    ✓u_x = e^x\cos y = v_y \;\;\checkmark \qquad\qquad u_y = -e^x\operatorname{sen} y = -v_x \;\;\checkmark

As duas valem em todo ponto do plano — sem exceção, sem restrição de domínio.

Passo 4 — fechar com a condição suficiente. As quatro parciais são produtos de exponencial por seno ou cosseno, logo contínuas em C\mathbb{C}. Pelo teorema, a analiticidade segue:

  ez eˊ analıˊtica em todo o plano — isto eˊ, inteira  \boxed{\;e^{z} \text{ é analítica em todo o plano — isto é, } \textbf{inteira}\;}

Esta frase é o que distingue nota cheia de nota parcial: só as equações dão a condição necessária; é a continuidade das parciais que fecha a suficiente.

Passo 5 — a derivada. Quando a derivada existe, ela vale f′=ux+i vxf' = u_x + i\,v_x:

ddzez=excos⁡y+i exsen⁡y=ex(cos⁡y+isen⁡y)\frac{d}{dz}e^{z} = e^{x}\cos y + i\,e^{x}\operatorname{sen} y = e^{x}\big(\cos y + i\operatorname{sen} y\big)  ddzez=ez  \boxed{\;\frac{d}{dz}e^{z} = e^{z}\;}

Conferência pela outra fórmula. A derivada também é f′=vy−i uyf' = v_y - i\,u_y:

vy−i uy=excos⁡y−i(−exsen⁡y)=excos⁡y+i exsen⁡y=ez    ✓v_y - i\,u_y = e^x\cos y - i\big(-e^x\operatorname{sen} y\big) = e^x\cos y + i\,e^x\operatorname{sen} y = e^z \;\;\checkmark

As duas expressões coincidem — o que é exatamente o conteúdo de Cauchy-Riemann.

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Questão 03Prova FinalFinal 2024.2Fórmula de Cauchy · Polo simples com numerador polinomial0,7 ptVer material

Calcule, usando a teoria de Cauchy,

∮γ: ∣z∣=2z2+4z+i dz\oint_{\gamma:\,|z|=2}\frac{z^2+4}{z+i}\,dz
Gabarito
∮∣z∣=2z2+4z+i dz=6πi\oint_{|z|=2}\frac{z^2+4}{z+i}\,dz = 6\pi i
Passo a passo

Passo 1 — a singularidade e a curva. O denominador zera em

z+i=0⟹z0=−iz + i = 0 \qquad\Longrightarrow\qquad z_0 = -i∣−i∣=1<2(dentro de ∣z∣=2)|-i| = 1 < 2 \qquad\text{(dentro de } |z|=2\text{)}

Passo 2 — identificar ff e nn. Denominador de expoente 11 significa n=0n = 0: é a fórmula de Cauchy na forma original.

f(z)=z2+4,z0=−if(z) = z^2 + 4, \qquad z_0 = -i

ff é polinomial, logo inteira ✔

Passo 3 — avaliar ff no ponto.

f(−i)=(−i)2+4=−1+4=3f(-i) = (-i)^2 + 4 = -1 + 4 = 3

Passo 4 — aplicar a fórmula.

∮γf(z)z−z0 dz=2πi f(z0)\oint_\gamma \frac{f(z)}{z-z_0}\,dz = 2\pi i\,f(z_0)  ∮∣z∣=2z2+4z+i dz=2πi⋅3=6πi  \boxed{\;\oint_{|z|=2}\frac{z^2+4}{z+i}\,dz = 2\pi i\cdot 3 = 6\pi i\;}

Conferência — o resultado é imaginário puro, como esperado: f(z0)=3f(z_0) = 3 saiu real, e o 2πi2\pi i carrega o ii sozinho.

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Questão 04Prova FinalFinal 2024.2Resíduos · Uma das quatro raízes de z⁴ = 10,7 ptVer material

Calcule, usando a teoria de Cauchy,

∮γdzz4−1\oint_{\gamma}\frac{dz}{z^{4}-1}

onde γ\gamma é uma curva fechada que envolve apenas o ponto z=−1z = -1.

Gabarito
∮γdzz4−1=2πi(−14)=−πi2\oint_{\gamma}\frac{dz}{z^4-1} = 2\pi i\left(-\frac14\right) = -\frac{\pi i}{2}
Passo a passo

Passo 1 — os polos são as raízes quartas da unidade.

z4=1⟹z=1,  i,  −1,  −iz^4 = 1 \qquad\Longrightarrow\qquad z = 1,\; i,\; -1,\; -i

Quatro polos simples, nos vértices de um quadrado inscrito na circunferência unitária.

Passo 2 — quantos a curva envolve. O enunciado diz: apenas z=−1z = -1. Então a soma dos resíduos tem uma única parcela — os outros três não entram.

Passo 3 — o resíduo, por p/q′p/q'. Com p=1p = 1 e q=z4−1q = z^4-1, temos q′=4z3q' = 4z^3. Como o zero de qq em −1-1 é simples:

Res⁡(1z4−1, −1)=14z3∣z=−1=14(−1)3=−14\operatorname{Res}\left(\frac{1}{z^4-1},\,-1\right) = \frac{1}{4z^3}\bigg|_{z=-1} = \frac{1}{4(-1)^3} = -\frac14

Passo 4 — aplicar o teorema.

  ∮γdzz4−1=2πi(−14)=−πi2  \boxed{\;\oint_\gamma \frac{dz}{z^4-1} = 2\pi i\left(-\frac14\right) = -\frac{\pi i}{2}\;}

Conferência pela fatoração. z4−1=(z−1)(z+1)(z2+1)z^4 - 1 = (z-1)(z+1)(z^2+1), então

Res⁡∣z=−1=1(z−1)(z2+1)∣z=−1=1(−2)(2)=−14    ✓\operatorname{Res}\bigg|_{z=-1} = \frac{1}{(z-1)(z^2+1)}\bigg|_{z=-1} = \frac{1}{(-2)(2)} = -\frac14 \;\;\checkmark

Os dois caminhos concordam — e o de p/q′p/q' é mais rápido, porque dispensa fatorar.

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Questão 05Prova FinalFinal 2024.2Fórmula das derivadas · Tangente sobre polo duplo0,6 ptVer material

Calcule, usando a teoria de Cauchy,

∮γ: ∣z∣=1tg⁡z(z−π4)2 dz\oint_{\gamma:\,|z|=1}\frac{\operatorname{tg} z}{\left(z - \frac{\pi}{4}\right)^{2}}\,dz
Gabarito
∮∣z∣=1tg⁡z(z−π4)2 dz=4πi\oint_{|z|=1}\frac{\operatorname{tg} z}{\left(z-\frac\pi4\right)^2}\,dz = 4\pi i
Passo a passo

Passo 1 — listar TODAS as singularidades. Há duas fontes, e esquecer a segunda é o erro da questão:

  • o denominador: z=π4≈0,785z = \dfrac\pi4 \approx 0{,}785, polo de ordem 2;
  • a tangente: tg⁡z=sen⁡zcos⁡z\operatorname{tg} z = \dfrac{\operatorname{sen} z}{\cos z} é singular onde cos⁡z=0\cos z = 0, isto é em z=±π2,±3π2,…z = \pm\dfrac\pi2, \pm\dfrac{3\pi}{2},\dots

Passo 2 — ver quais estão dentro de ∣z∣=1|z| = 1.

∣π4∣=0,785<1(dentro)\left|\frac\pi4\right| = 0{,}785 < 1 \qquad\text{(dentro)}∣±π2∣=1,571>1(FORA)\left|\pm\frac\pi2\right| = 1{,}571 > 1 \qquad\text{(FORA)}

Só o polo do denominador entra. Os polos da tangente ficam de fora — e é por isso que o raio 11 foi escolhido: π/4<1<π/2\pi/4 < 1 < \pi/2.

Passo 3 — aplicar a fórmula das derivadas. Com apenas uma singularidade dentro:

f(z)=tg⁡z,z0=π4,n+1=2  ⟹  n=1f(z) = \operatorname{tg} z, \qquad z_0 = \frac\pi4, \qquad n+1 = 2 \;\Longrightarrow\; n = 1

E ff é analítica em ∣z∣≤1|z| \le 1, porque seus polos estão fora ✔

Passo 4 — derivar a tangente.

ddztg⁡z=sec⁡2z=1cos⁡2z\frac{d}{dz}\operatorname{tg} z = \sec^2 z = \frac{1}{\cos^2 z}f′ ⁣(π4)=1cos⁡2(π/4)=1(22)2=11/2=2f'\!\left(\frac\pi4\right) = \frac{1}{\cos^2(\pi/4)} = \frac{1}{\left(\frac{\sqrt2}{2}\right)^2} = \frac{1}{1/2} = 2

Passo 5 — fechar.

  ∮∣z∣=1tg⁡z(z−π4)2 dz=2πi1!⋅2=4πi  \boxed{\;\oint_{|z|=1}\frac{\operatorname{tg} z}{\left(z-\frac\pi4\right)^2}\,dz = \frac{2\pi i}{1!}\cdot 2 = 4\pi i\;}
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Questão 06Prova FinalFinal 2024.2Laurent · Série de (z−1)·e^(1/(z−1))2,0 ptsVer material

Calcule a série de Laurent para a função

f(z)=(z−1) e1z−1f(z) = (z-1)\,e^{\frac{1}{z-1}}
Gabarito
f(z)=(z−1)+1+∑n=2∞1n! (z−1) n−1=(z−1)+1+12!(z−1)+13!(z−1)2+⋯f(z) = (z-1) + 1 + \sum_{n=2}^{\infty}\frac{1}{n!\,(z-1)^{\,n-1}} = (z-1) + 1 + \frac{1}{2!(z-1)} + \frac{1}{3!(z-1)^2} + \cdots

Singularidade essencial em z=1z=1, com Res⁡=12\operatorname{Res} = \dfrac{1}{2}.

Passo a passo

Passo 1 — mudar de variável. Toda a função está escrita em torno de z=1z=1, então chame

w=z−1⟹f=w e1/ww = z - 1 \qquad\Longrightarrow\qquad f = w\,e^{1/w}

Passo 2 — a série da exponencial. De eu=∑n≥0unn!e^{u} = \sum_{n\ge0}\dfrac{u^n}{n!} com u=1wu = \dfrac1w:

e1/w=∑n=0∞1n! wn=1+1w+12!w2+13!w3+⋯e^{1/w} = \sum_{n=0}^{\infty}\frac{1}{n!\,w^{n}} = 1 + \frac1w + \frac{1}{2!w^2} + \frac{1}{3!w^3} + \cdots

Passo 3 — multiplicar por ww. É só somar 11 a cada expoente:

w e1/w=∑n=0∞w 1−nn!=w+1+12! w+13! w2+⋯w\,e^{1/w} = \sum_{n=0}^{\infty}\frac{w^{\,1-n}}{n!} = w + 1 + \frac{1}{2!\,w} + \frac{1}{3!\,w^2} + \cdots

Passo 4 — voltar para zz.

  (z−1)e1z−1=(z−1)+1+12!(z−1)+13!(z−1)2+⋯=∑n=0∞(z−1) 1−nn!  \boxed{\;(z-1)e^{\frac{1}{z-1}} = (z-1) + 1 + \frac{1}{2!(z-1)} + \frac{1}{3!(z-1)^2} + \cdots = \sum_{n=0}^{\infty}\frac{(z-1)^{\,1-n}}{n!}\;}

válida em 0<∣z−1∣<∞0 < |z-1| < \infty.

Passo 5 — o que a série informa. Três leituras, todas de graça:

Natureza da singularidade. A parte principal tem infinitos termos → z=1z=1 é singularidade essencial.

Resíduo. É o coeficiente de (z−1)−1(z-1)^{-1}, que aparece em 1−n=−11-n = -1, isto é n=2n=2:

Res⁡[f]z=1=12!=12\operatorname{Res}\big[f\big]_{z=1} = \frac{1}{2!} = \frac12

Integral em qualquer curva em torno de z=1z=1.

∮γ(z−1)e1z−1 dz=2πi⋅12=πi\oint_\gamma (z-1)e^{\frac{1}{z-1}}\,dz = 2\pi i\cdot\frac12 = \pi i

Conferência do resíduo, por outro caminho. O coeficiente de w−1w^{-1} no produto w⋅e1/ww\cdot e^{1/w} é o coeficiente de w−2w^{-2} em e1/we^{1/w}, que é 12!\dfrac{1}{2!} ✔

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Questão 07Prova FinalFinal 2024.2Fourier · Série de f(x) = x, a dente de serra2,0 ptsVer material

Calcule a série de Fourier de f(x)=xf(x) = x, vista como uma função periódica definida em [−π,+π][-\pi, +\pi].

Gabarito
x=2∑n=1∞(−1) n+1nsen⁡(nx)=2(sen⁡x−sen⁡2x2+sen⁡3x3−⋯ )x = 2\sum_{n=1}^{\infty}\frac{(-1)^{\,n+1}}{n}\operatorname{sen}(nx) = 2\left(\operatorname{sen} x - \frac{\operatorname{sen} 2x}{2} + \frac{\operatorname{sen} 3x}{3} - \cdots\right)
Passo a passo

Passo 1 — a paridade zera metade do trabalho.

f(−x)=−x=−f(x)⟹f eˊ ıˊmparf(-x) = -x = -f(x) \qquad\Longrightarrow\qquad f \text{ é } \textbf{ímpar}

Logo a0=0a_0 = 0 e an=0a_n = 0 para todo nn: a série é só de senos.

Passo 2 — calcular bnb_n, integrando só em [0,π][0,\pi] com fator 2/π2/\pi:

bn=2π∫0πxsen⁡(nx) dxb_n = \frac{2}{\pi}\int_0^{\pi} x\operatorname{sen}(nx)\,dx

Por partes, com u=xu = x e dv=sen⁡(nx)dxdv = \operatorname{sen}(nx)dx:

∫0πxsen⁡(nx) dx=[−xcos⁡(nx)n+sen⁡(nx)n2]0π\int_0^\pi x\operatorname{sen}(nx)\,dx = \left[-\frac{x\cos(nx)}{n} + \frac{\operatorname{sen}(nx)}{n^2}\right]_0^{\pi}

Em x=πx=\pi o seno zera e cos⁡(nπ)=(−1)n\cos(n\pi) = (-1)^n; em x=0x=0 tudo zera:

=−π(−1)nn= -\frac{\pi(-1)^n}{n}bn=2π⋅(−π(−1)nn)=−2(−1)nn=2(−1) n+1nb_n = \frac{2}{\pi}\cdot\left(-\frac{\pi(-1)^n}{n}\right) = \frac{-2(-1)^n}{n} = \frac{2(-1)^{\,n+1}}{n}

Passo 3 — a série.

  x=2∑n=1∞(−1) n+1nsen⁡(nx)=2sen⁡x−sen⁡2x+23sen⁡3x−12sen⁡4x+⋯  \boxed{\;x = 2\sum_{n=1}^{\infty}\frac{(-1)^{\,n+1}}{n}\operatorname{sen}(nx) = 2\operatorname{sen} x - \operatorname{sen} 2x + \frac23\operatorname{sen} 3x - \frac12\operatorname{sen} 4x + \cdots\;}

Passo 4 — o gráfico é a dente de serra. Estendida periodicamente, a reta y=xy=x em (−π,π)(-\pi,\pi) produz uma sequência de rampas com salto em x=±π,±3π,…x = \pm\pi, \pm3\pi,\dots: de π\pi para −π-\pi.

Nos saltos a série converge para a média dos limites laterais:

π+(−π)2=0\frac{\pi + (-\pi)}{2} = 0

Ou seja: em x=πx=\pi a série vale zero, e não π\pi. Substituindo na fórmula se confere — todos os termos têm sen⁡(nπ)=0\operatorname{sen}(n\pi) = 0 ✔ É a conferência mais rápida da questão.

Conferência 2 — em x=π/2x = \pi/2. Ali f=π/2f = \pi/2, e sen⁡(nπ/2)\operatorname{sen}(n\pi/2) vale 1,0,−1,0,1,…1, 0, -1, 0, 1,\dots:

π2=2(1−13+15−17+⋯ )⟹1−13+15−⋯=π4\frac\pi2 = 2\left(1 - \frac13 + \frac15 - \frac17 + \cdots\right) \qquad\Longrightarrow\qquad 1 - \frac13 + \frac15 - \cdots = \frac\pi4

a série de Leibniz — a mesma que a onda quadrada do 2º EE entrega ✔

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Questão 08Prova FinalFinal 2025.2Fórmula das derivadas · Produto de duas inteiras sobre polo duplo1,0 ptVer material

Calcule

∮γezcos⁡(z)(z−π)2 dz,γ={z∈C:∣z∣=4}\oint_{\gamma}\frac{e^{z}\cos(z)}{(z-\pi)^{2}}\,dz, \qquad \gamma = \{z\in\mathbb{C} : |z| = 4\}
Gabarito
∮∣z∣=4ezcos⁡z(z−π)2 dz=−2πi eπ≈−145,4 i\oint_{|z|=4}\frac{e^z\cos z}{(z-\pi)^2}\,dz = -2\pi i\,e^{\pi} \approx -145{,}4\,i
Passo a passo

Passo 1 — a singularidade e a curva.

z0=π≈3,14<4(dentro de ∣z∣=4)z_0 = \pi \approx 3{,}14 < 4 \qquad\text{(dentro de } |z|=4\text{)}

Se o raio fosse 33, o ponto ficaria fora e a resposta seria zero — a escolha de 44 é deliberada.

Passo 2 — identificar ff e nn.

f(z)=ezcos⁡z,n+1=2  ⟹  n=1f(z) = e^{z}\cos z, \qquad n+1 = 2 \;\Longrightarrow\; n = 1

ff é produto de duas funções inteiras, logo inteira ✔

Passo 3 — derivar o produto.

f′(z)=ezcos⁡z+ez(−sen⁡z)=ez(cos⁡z−sen⁡z)f'(z) = e^z\cos z + e^z(-\operatorname{sen} z) = e^{z}\big(\cos z - \operatorname{sen} z\big)f′(π)=eπ(cos⁡π−sen⁡π)=eπ(−1−0)=−eπf'(\pi) = e^{\pi}\big(\cos\pi - \operatorname{sen}\pi\big) = e^{\pi}(-1 - 0) = -e^{\pi}

Passo 4 — aplicar a fórmula.

  ∮∣z∣=4ezcos⁡z(z−π)2 dz=2πi1!(−eπ)=−2πi eπ  \boxed{\;\oint_{|z|=4}\frac{e^z\cos z}{(z-\pi)^2}\,dz = \frac{2\pi i}{1!}\left(-e^{\pi}\right) = -2\pi i\,e^{\pi}\;}

Numericamente, eπ≈23,14e^\pi \approx 23{,}14, logo o valor é ≈−145,4 i\approx -145{,}4\,i.

Conferência — o resultado é imaginário puro e negativo no coeficiente. Faz sentido: f′(π)f'(\pi) saiu real e negativo, porque cos⁡π=−1\cos\pi = -1 domina.

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Questão 09Prova FinalFinal 2026.1Logaritmo · A forma cartesiana de ln(z) no semiplano direito2,0 ptsVer material

Para todo ponto zz no semiplano direito, x>0x > 0, mostre que

ln⁡(z)=12ln⁡ ⁣(x2+y2)+iarctan⁡ ⁣(yx),\ln(z) = \frac12\ln\!\left(x^2+y^2\right) + i\arctan\!\left(\frac yx\right),

onde a tangente inversa tem o valor principal usado no cálculo, isto é, −π/2<arctan⁡(t)<π/2-\pi/2 < \arctan(t) < \pi/2.

Gabarito

Da definição Log⁡z=ln⁡∣z∣+iArg⁡z\operatorname{Log} z = \ln|z| + i\operatorname{Arg} z, com ∣z∣=x2+y2|z| = \sqrt{x^2+y^2} e, no semiplano x>0x>0, Arg⁡z=arctan⁡(y/x)\operatorname{Arg} z = \arctan(y/x) — porque ali o argumento principal cai em (−π/2,π/2)(-\pi/2,\pi/2), que é exatamente a imagem do arco-tangente principal.

Passo a passo

Passo 1 — a definição do logaritmo principal. Escrevendo z=reiθz = re^{i\theta}:

Log⁡(z)=ln⁡∣z∣+iArg⁡(z),−π<Arg⁡z≤π\operatorname{Log}(z) = \ln|z| + i\operatorname{Arg}(z), \qquad -\pi < \operatorname{Arg} z \le \pi

Passo 2 — a parte real. Com ∣z∣=x2+y2|z| = \sqrt{x^2+y^2} e a propriedade do logaritmo real:

ln⁡∣z∣=ln⁡x2+y2=ln⁡[(x2+y2)1/2]=12ln⁡ ⁣(x2+y2)\ln|z| = \ln\sqrt{x^2+y^2} = \ln\left[\left(x^2+y^2\right)^{1/2}\right] = \frac12\ln\!\left(x^2+y^2\right)

Esta metade não depende de hipótese nenhuma — vale em todo z≠0z \ne 0.

Passo 3 — a parte imaginária, e é aqui que x>0x>0 entra. O argumento satisfaz

tan⁡(Arg⁡z)=yx\tan\big(\operatorname{Arg} z\big) = \frac yx

Mas essa relação, sozinha, não determina Arg⁡z\operatorname{Arg} z: a tangente tem período π\pi, e arctan⁡\arctan devolve valores só em (−π/2,π/2)(-\pi/2, \pi/2). Inverter sem cuidado erra o quadrante.

Passo 4 — a hipótese resolve a ambiguidade. No semiplano direito, x>0x > 0, o ponto está no 1º ou no 4º quadrante. Nesses dois:

−π2<Arg⁡(z)<π2-\frac\pi2 < \operatorname{Arg}(z) < \frac\pi2

que é exatamente a imagem do ramo principal do arco-tangente. Como a tangente é injetora nesse intervalo, a inversão é sem ambiguidade:

Arg⁡(z)=arctan⁡ ⁣(yx),x>0\operatorname{Arg}(z) = \arctan\!\left(\frac yx\right), \qquad x > 0

Passo 5 — juntar.

  ln⁡(z)=12ln⁡ ⁣(x2+y2)+iarctan⁡ ⁣(yx),x>0  \boxed{\;\ln(z) = \frac12\ln\!\left(x^2+y^2\right) + i\arctan\!\left(\frac yx\right), \qquad x>0\;}

como se queria demonstrar.

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Questão 10Prova FinalFinal 2025.2 · Final 2026.1Fourier · Série do degrau unitário, e o gráfico1,5 ptsVer material

Calcule o desenvolvimento em série de Fourier para a função

f(x)={1,0≤x<π0,−π≤x<0f(x) = \begin{cases} 1, & 0 \le x < \pi\\ 0, & -\pi \le x < 0 \end{cases}

periódica de período 2π2\pi, e faça um esboço do gráfico de ff e da série de Fourier.

Gabarito
f(x)=12+2π∑k=1∞sen⁡[(2k−1)x]2k−1=12+2π(sen⁡x+sen⁡3x3+sen⁡5x5+⋯ )f(x) = \frac12 + \frac{2}{\pi}\sum_{k=1}^{\infty}\frac{\operatorname{sen}\big[(2k-1)x\big]}{2k-1} = \frac12 + \frac2\pi\left(\operatorname{sen} x + \frac{\operatorname{sen} 3x}{3} + \frac{\operatorname{sen} 5x}{5} + \cdots\right)
Passo a passo

Passo 1 — não há paridade a explorar. ff não é par nem ímpar: ela vale 11 à direita e 00 à esquerda. Então os dois coeficientes precisam ser calculados.

Mas há uma simetria útil: f=12+12 gf = \tfrac12 + \tfrac12\,g, com gg a onda quadrada ímpar da q17 do 2º EE. Isso já antecipa o resultado — ver o macete.

Passo 2 — o termo médio. Com L=πL = \pi e ff nula na metade esquerda:

a0=1π∫−ππf(x) dx=1π∫0π1 dx=ππ=1a_0 = \frac1\pi\int_{-\pi}^{\pi}f(x)\,dx = \frac1\pi\int_0^\pi 1\,dx = \frac{\pi}{\pi} = 1a02=12\frac{a_0}{2} = \frac12

É o valor médio de ff no período — metade do tempo em 11, metade em 00 ✔

Passo 3 — os ana_n são todos nulos.

an=1π∫0πcos⁡(nx) dx=1π[sen⁡(nx)n]0π=sen⁡(nπ)nπ=0a_n = \frac1\pi\int_0^\pi \cos(nx)\,dx = \frac1\pi\left[\frac{\operatorname{sen}(nx)}{n}\right]_0^\pi = \frac{\operatorname{sen}(n\pi)}{n\pi} = 0

para todo n≥1n \ge 1, porque sen⁡(nπ)=0\operatorname{sen}(n\pi) = 0.

Passo 4 — os bnb_n.

bn=1π∫0πsen⁡(nx) dx=1π[−cos⁡(nx)n]0π=1−cos⁡(nπ)nπ=1−(−1)nnπb_n = \frac1\pi\int_0^\pi \operatorname{sen}(nx)\,dx = \frac1\pi\left[\frac{-\cos(nx)}{n}\right]_0^\pi = \frac{1 - \cos(n\pi)}{n\pi} = \frac{1 - (-1)^n}{n\pi}bn={2nπ,n ıˊmpar0,n parb_n = \begin{cases} \dfrac{2}{n\pi}, & n \text{ ímpar}\\[6pt] 0, & n \text{ par} \end{cases}

Passo 5 — a série.

  f(x)=12+2π∑k=1∞sen⁡[(2k−1)x]2k−1  \boxed{\;f(x) = \frac12 + \frac{2}{\pi}\sum_{k=1}^{\infty}\frac{\operatorname{sen}\big[(2k-1)x\big]}{2k-1}\;}

Passo 6 — os gráficos.

ff: patamares em 11 (para 0≤x<π0 \le x < \pi) e 00 (para −π≤x<0-\pi \le x < 0), repetindo com período 2π2\pi. Saltos em x=0,±π,±2π,…x = 0, \pm\pi, \pm2\pi,\dots

A série: idêntica a ff onde ff é contínua, e valendo a média em cada salto:

0+12=12\frac{0 + 1}{2} = \frac12

Ou seja, nos pontos x=0,±π,…x = 0, \pm\pi, \dots a série vale 12\tfrac12, apesar de f(0)=1f(0) = 1 pela definição. É o teorema de Dirichlet — e é a única coisa que o esboço precisa mostrar.

Conferência — substitua x=0x = 0 na série: todos os senos zeram e sobra 12\tfrac12 ✔ Exatamente o valor que Dirichlet manda.

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Questão 11Prova FinalFinal 2025.2EDP · Calor com pontas a zero, e os dois limites em t3,5 ptsVer material

Resolva o seguinte problema de valor inicial e de fronteira. Ao obter a solução, calcule lim⁡t→∞u(x,t)\displaystyle\lim_{t\to\infty}u(x,t) e lim⁡t→0u(x,t)\displaystyle\lim_{t\to0}u(x,t).

{ut=K uxx,em Ru(0,t)=u(L,t)=0,t>0u(x,0)=f(x),0<x<L\begin{cases} u_t = K\,u_{xx}, & \text{em } \mathbb{R}\\ u(0,t) = u(L,t) = 0, & t > 0\\ u(x,0) = f(x), & 0 < x < L \end{cases}
Gabarito
u(x,t)=∑n=1∞bnsen⁡ ⁣(nπxL)exp⁡ ⁣[−K(nπL)2t],bn=2L∫0Lf(x)sen⁡nπxL dxu(x,t) = \sum_{n=1}^{\infty} b_n \operatorname{sen}\!\left(\frac{n\pi x}{L}\right) \exp\!\left[-K\left(\frac{n\pi}{L}\right)^2 t\right], \qquad b_n = \frac2L\int_0^L f(x)\operatorname{sen}\frac{n\pi x}{L}\,dxlim⁡t→∞u(x,t)=0,lim⁡t→0u(x,t)=f(x)\lim_{t\to\infty}u(x,t) = 0, \qquad \lim_{t\to0}u(x,t) = f(x)
Passo a passo

Passo 1 — ler o contorno. u(0,t)=u(L,t)=0u(0,t) = u(L,t) = 0 é Dirichlet: prescreve o valor, não o fluxo. Fisicamente, as duas pontas são mantidas a 0 ∘C0\ ^\circ\mathrm{C} — a barra está em contato com reservatórios frios, e o calor escapa por elas.

Consequência imediata: a solução sai em senos, e não há modo constante.

Passo 2 — separar variáveis. Com u=X(x)T(t)u = X(x)T(t):

T′K T=X′′X=−λ\frac{T'}{K\,T} = \frac{X''}{X} = -\lambda

Passo 3 — o problema em xx, com os três casos. A equação é X′′+λX=0X'' + \lambda X = 0 com X(0)=X(L)=0X(0) = X(L) = 0.

λ<0\lambda < 0: X=Acosh⁡(μx)+Bsenh⁡(μx)X = A\cosh(\mu x) + B\operatorname{senh}(\mu x). De X(0)=0X(0)=0, A=0A=0; de X(L)=Bsenh⁡(μL)=0X(L) = B\operatorname{senh}(\mu L) = 0 com senh⁡(μL)≠0\operatorname{senh}(\mu L)\ne0, B=0B=0. Só a solução nula — descartado.

λ=0\lambda = 0: X=A+BxX = A + Bx. De X(0)=0X(0) = 0, A=0A = 0; de X(L)=BL=0X(L) = BL = 0, B=0B = 0. Também descartado — e é aqui que Dirichlet difere de Neumann, onde este caso sobreviveria.

λ>0\lambda > 0: com λ=μ2\lambda = \mu^2, X=Acos⁡(μx)+Bsen⁡(μx)X = A\cos(\mu x) + B\operatorname{sen}(\mu x). De X(0)=A=0X(0) = A = 0; de X(L)=Bsen⁡(μL)=0X(L) = B\operatorname{sen}(\mu L) = 0 com B≠0B \ne 0:

sen⁡(μL)=0  ⟹  μ=nπL,λn=(nπL)2,Xn=sen⁡nπxL,n≥1\operatorname{sen}(\mu L) = 0 \;\Longrightarrow\; \mu = \frac{n\pi}{L}, \qquad \lambda_n = \left(\frac{n\pi}{L}\right)^2, \qquad X_n = \operatorname{sen}\frac{n\pi x}{L}, \qquad n \ge 1

Passo 4 — o problema em tt.

T′=−KλnT⟹Tn(t)=exp⁡ ⁣[−K(nπL)2t]T' = -K\lambda_n T \qquad\Longrightarrow\qquad T_n(t) = \exp\!\left[-K\left(\frac{n\pi}{L}\right)^2 t\right]

Todos os modos decaem, porque λn>0\lambda_n > 0 para todo n≥1n \ge 1 — não há o modo n=0n=0 que salvava a energia no caso isolado.

Passo 5 — somar e impor a condição inicial.

u(x,t)=∑n=1∞bnsen⁡ ⁣(nπxL)exp⁡ ⁣[−K(nπL)2t]u(x,t) = \sum_{n=1}^{\infty}b_n\operatorname{sen}\!\left(\frac{n\pi x}{L}\right) \exp\!\left[-K\left(\frac{n\pi}{L}\right)^2 t\right]

Em t=0t=0, a soma tem de reproduzir ff:

f(x)=∑n≥1bnsen⁡nπxLf(x) = \sum_{n\ge1}b_n\operatorname{sen}\frac{n\pi x}{L}

que é a série de Fourier de senos de ff em [0,L][0,L] — a extensão ímpar. Pela ortogonalidade:

  bn=2L∫0Lf(x)sen⁡nπxL dx  \boxed{\;b_n = \frac{2}{L}\int_0^{L}f(x)\operatorname{sen}\frac{n\pi x}{L}\,dx\;}

Passo 6 — o limite t→∞t \to \infty. Cada exponencial tende a zero, e a série converge uniformemente:

  lim⁡t→∞u(x,t)=0  \boxed{\;\lim_{t\to\infty}u(x,t) = 0\;}

Interpretação: a barra esfria completamente. Toda a energia térmica escapa pelas pontas, que estão presas a 0 ∘C0\ ^\circ\mathrm{C}. Compare com a barra isolada (q22 do 2º EE), onde o limite é a temperatura média — ali o calor não tem por onde sair.

Passo 7 — o limite t→0t \to 0. Cada exponencial tende a 11, e sobra a série de senos:

lim⁡t→0u(x,t)=∑n≥1bnsen⁡nπxL=f(x)\lim_{t\to0}u(x,t) = \sum_{n\ge1}b_n\operatorname{sen}\frac{n\pi x}{L} = f(x)  lim⁡t→0u(x,t)=f(x)  \boxed{\;\lim_{t\to0}u(x,t) = f(x)\;}

A ressalva que vale ponto: a igualdade vale nos pontos em que ff é contínua. Onde ff tem salto, o limite é a média dos limites laterais, pelo teorema de Dirichlet — e nas pontas x=0x=0 e x=Lx=L o limite é 00, mesmo que ff não se anule ali. A condição de contorno vence a condição inicial nos cantos.

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Questão 12Prova FinalFinal 2026.1EDP · Calor com pulso central, L = π e k = 12,0 ptsVer material

Resolva o seguinte problema de valor inicial e de fronteira,

{ut=k uxx,em Ru(0,t)=u(L,t)=0,t>0u(x,0)=f(x),0<x<L\begin{cases} u_t = k\,u_{xx}, & \text{em } \mathbb{R}\\ u(0,t) = u(L,t) = 0, & t > 0\\ u(x,0) = f(x), & 0 < x < L \end{cases}

fazendo L=πL = \pi, k=1k = 1 e

f(x)={0,0<x<2π/51,2π/5≤x<3π/50,3π/5<x<πf(x) = \begin{cases} 0, & 0 < x < 2\pi/5\\ 1, & 2\pi/5 \le x < 3\pi/5\\ 0, & 3\pi/5 < x < \pi \end{cases}
Gabarito
u(x,t)=4π∑n=1n ıˊmpar∞cos⁡ ⁣(2nπ5)n sen⁡(nx) e−n2tu(x,t) = \frac{4}{\pi}\sum_{\substack{n=1\\ n\ \text{ímpar}}}^{\infty} \frac{\cos\!\left(\frac{2n\pi}{5}\right)}{n}\,\operatorname{sen}(nx)\,e^{-n^2 t}

Só os harmônicos ímpares aparecem, porque o pulso é simétrico em relação a x=π/2x = \pi/2.

Passo a passo

Passo 1 — a solução geral. É o problema da q11 desta unidade com L=πL=\pi e k=1k=1, então λn=n2\lambda_n = n^2:

u(x,t)=∑n=1∞bnsen⁡(nx) e−n2t,bn=2π∫0πf(x)sen⁡(nx) dxu(x,t) = \sum_{n=1}^{\infty}b_n\operatorname{sen}(nx)\,e^{-n^2 t}, \qquad b_n = \frac{2}{\pi}\int_0^{\pi}f(x)\operatorname{sen}(nx)\,dx

Passo 2 — a integral, que só vive no pulso. Como ff é zero fora de [2π/5, 3π/5][2\pi/5,\,3\pi/5] e vale 11 dentro:

bn=2π∫2π/53π/5sen⁡(nx) dx=2π[−cos⁡(nx)n]2π/53π/5b_n = \frac2\pi\int_{2\pi/5}^{3\pi/5}\operatorname{sen}(nx)\,dx = \frac2\pi\left[\frac{-\cos(nx)}{n}\right]_{2\pi/5}^{3\pi/5}bn=2nπ[cos⁡ ⁣(2nπ5)−cos⁡ ⁣(3nπ5)]b_n = \frac{2}{n\pi}\left[\cos\!\left(\frac{2n\pi}{5}\right) - \cos\!\left(\frac{3n\pi}{5}\right)\right]

Passo 3 — simplificar, usando a simetria. Note que 3nπ5=nπ−2nπ5\dfrac{3n\pi}{5} = n\pi - \dfrac{2n\pi}{5}, e portanto

cos⁡ ⁣(3nπ5)=cos⁡(nπ)cos⁡ ⁣(2nπ5)=(−1)ncos⁡ ⁣(2nπ5)\cos\!\left(\frac{3n\pi}{5}\right) = \cos(n\pi)\cos\!\left(\frac{2n\pi}{5}\right) = (-1)^n\cos\!\left(\frac{2n\pi}{5}\right)

Substituindo:

bn=2nπcos⁡ ⁣(2nπ5)[1−(−1)n]b_n = \frac{2}{n\pi}\cos\!\left(\frac{2n\pi}{5}\right)\Big[1 - (-1)^n\Big]

O fator [1−(−1)n][1-(-1)^n] é zero para nn par e 22 para nn ímpar:

bn={4nπcos⁡ ⁣(2nπ5),n ıˊmpar0,n parb_n = \begin{cases} \dfrac{4}{n\pi}\cos\!\left(\dfrac{2n\pi}{5}\right), & n \text{ ímpar}\\[8pt] 0, & n \text{ par} \end{cases}

Por que isso acontece: o pulso é simétrico em relação a x=π/2x = \pi/2 (o intervalo [0,4π, 0,6π][0{,}4\pi,\,0{,}6\pi] tem centro exatamente em 0,5π0{,}5\pi). Os senos de índice par são antissimétricos em torno de π/2\pi/2, então a integral contra eles se cancela. É a mesma economia de paridade da série de Fourier, aplicada ao meio-intervalo.

Passo 4 — a solução.

  u(x,t)=4π∑n ıˊmparcos⁡ ⁣(2nπ5)nsen⁡(nx) e−n2t  \boxed{\;u(x,t) = \frac{4}{\pi}\sum_{n\ \text{ímpar}} \frac{\cos\!\left(\frac{2n\pi}{5}\right)}{n}\operatorname{sen}(nx)\,e^{-n^2t}\;}

Os primeiros termos, com cos⁡(2π/5)=0,309\cos(2\pi/5) = 0{,}309 e cos⁡(6π/5)=−0,809\cos(6\pi/5) = -0{,}809:

u≈4π[0,309sen⁡(x)e−t−0,8093sen⁡(3x)e−9t+⋯ ]u \approx \frac{4}{\pi}\left[0{,}309\operatorname{sen}(x)e^{-t} - \frac{0{,}809}{3}\operatorname{sen}(3x)e^{-9t} + \cdots\right]

Conferência 1 — o contorno. Cada termo tem sen⁡(nx)\operatorname{sen}(nx), que zera em x=0x=0 e em x=πx=\pi ✔

Conferência 2 — a massa total. A “quantidade de calor” inicial é ∫0πf=π/5≈0,628\int_0^\pi f = \pi/5 \approx 0{,}628. Ela não se conserva aqui, porque as pontas estão a zero e o calor escapa: u→0u \to 0 quando t→∞t\to\infty ✔

Conferência 3 — o decaimento. O modo n=3n=3 decai como e−9te^{-9t}, nove vezes mais rápido que o n=1n=1. Depois de t≈0,3t \approx 0{,}3 o perfil já é praticamente sen⁡(x)\operatorname{sen}(x) puro — o pulso quadrado se arredonda quase imediatamente, que é o comportamento suavizador da equação parabólica.

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Questão 13Prova FinalFinal 2026.1Laurent · Essencial em z = 1, com a integral1,0 ptVer material

Seja f(z)=cos⁡(1z−1)f(z) = \cos\left(\dfrac{1}{z-1}\right). Classifique o ponto singular, escreva a série de Laurent da mesma, e calcule

∮γ: ∣z∣=2f(z) dz\oint_{\gamma:\,|z|=2} f(z)\,dz
Gabarito

z=1z=1 é singularidade essencial;

f(z)=∑n=0∞(−1)n(2n)! (z−1)2n=1−12!(z−1)2+14!(z−1)4−⋯f(z) = \sum_{n=0}^{\infty}\frac{(-1)^n}{(2n)!\,(z-1)^{2n}} = 1 - \frac{1}{2!(z-1)^2} + \frac{1}{4!(z-1)^4} - \cdots

Resíduo a−1=0a_{-1} = 0, logo a integral é zero.

Passo a passo

Passo 1 — a série, por substituição. Tome w=1z−1w = \dfrac{1}{z-1} na série do cosseno:

cos⁡w=∑n=0∞(−1)nw2n(2n)!\cos w = \sum_{n=0}^{\infty}\frac{(-1)^n w^{2n}}{(2n)!}  f(z)=∑n=0∞(−1)n(2n)! (z−1)2n=1−12(z−1)2+124(z−1)4−⋯  \boxed{\;f(z) = \sum_{n=0}^{\infty}\frac{(-1)^n}{(2n)!\,(z-1)^{2n}} = 1 - \frac{1}{2(z-1)^2} + \frac{1}{24(z-1)^4} - \cdots\;}

válida em 0<∣z−1∣<∞0 < |z-1| < \infty.

Passo 2 — classificar. A parte principal tem infinitos termos e nenhum mm faz (z−1)mf(z)(z-1)^mf(z) ter limite finito:

z=1 eˊ singularidade essencialz=1 \text{ é } \textbf{singularidade essencial}

O reconhecimento é imediato: 1z−z0\dfrac{1}{z-z_0} dentro de cosseno sempre produz essencial.

Passo 3 — o ponto singular está dentro da curva?

∣1∣=1<2(dentro de ∣z∣=2)|1| = 1 < 2 \qquad\text{(dentro de } |z|=2\text{)}

Sim — e aqui, ao contrário da q15 do 2º EE (onde a curva passava exatamente pela singularidade), o ponto está estritamente no interior. O teorema dos resíduos se aplica sem ressalva.

Passo 4 — o resíduo. É o coeficiente de (z−1)−1(z-1)^{-1}, e os expoentes da série são 0,−2,−4,−6,…0, -2, -4, -6, \dots — todos pares. A potência −1-1 nunca aparece:

Res⁡[f]z=1=a−1=0\operatorname{Res}\big[f\big]_{z=1} = a_{-1} = 0

Passo 5 — a integral.

  ∮∣z∣=2cos⁡ ⁣(1z−1)dz=2πi⋅0=0  \boxed{\;\oint_{|z|=2}\cos\!\left(\frac{1}{z-1}\right)dz = 2\pi i\cdot 0 = 0\;}
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