Cinemática do ponto material, leis de Newton e forças de vínculo, trabalho e energia, impulso e momento linear com colisões, e a cinemática e a dinâmica do movimento plano do corpo rígido.
01 Cinemática vetorial: o que fica do Cálculo e da EstáticaA ideia. A Estática (Mecânica Geral 1) tratava de corpos que não se movem: a soma das forças era zero e você resolvia sistemas de equações. A Dinâmica solta o corpo. Agora posição, velocidade e aceleração mudam com o tempo, e a ferramenta que amarra as três é a derivada . Antes de qualquer coisa, vale arrumar a linguagem vetorial — porque daqui para frente quase toda grandeza tem direção, e errar um sinal de componente é o jeito mais comum de perder a questão inteira.
O que é cada símbolo
r \mathbf{r} r — vetor posição : aponta da origem até onde a partícula está;
v \mathbf{v} v — vetor velocidade , v = r ˙ \mathbf{v} = \dot{\mathbf{r}} v = r ˙ ;
a \mathbf{a} a — vetor aceleração , a = v ˙ = r ¨ \mathbf{a} = \dot{\mathbf{v}} = \ddot{\mathbf{r}} a = v ˙ = r ¨ ;
i , j , k \mathbf{i}, \mathbf{j}, \mathbf{k} i , j , k — versores dos eixos x x x , y y y , z z z : têm módulo 1 e só servem para dizer “nesta direção”;
o ponto sobre a letra é derivada em relação ao tempo : s ˙ = d s / d t \dot{s} = ds/dt s ˙ = d s / d t , s ¨ = d 2 s / d t 2 \ddot{s} = d^2s/dt^2 s ¨ = d 2 s / d t 2 . É a notação do Hibbeler e a que aparece nas provas.
As três operações que aparecem em prova A ⋅ B = A x B x + A y B y + A z B z = A B cos θ \mathbf{A} \cdot \mathbf{B} = A_x B_x + A_y B_y + A_z B_z = AB\cos\theta A ⋅ B = A x B x + A y B y + A z B z = A B cos θ O produto escalar devolve número, e o uso prático é achar ângulo entre vetores ou projetar um vetor sobre uma direção. O produto vetorial devolve vetor, perpendicular aos dois:
A × B = ∣ i j k A x A y A z B x B y B z ∣ \mathbf{A} \times \mathbf{B} =
\begin{vmatrix}
\mathbf{i} & \mathbf{j} & \mathbf{k} \\
A_x & A_y & A_z \\
B_x & B_y & B_z
\end{vmatrix} A × B = i A x B x j A y B y k A z B z e é dele que sai momento de força, momento angular e a velocidade de um ponto de corpo rígido em rotação. O módulo fecha a lista:
∣ A ∣ = A x 2 + A y 2 + A z 2 |\mathbf{A}| = \sqrt{A_x^2 + A_y^2 + A_z^2} ∣ A ∣ = A x 2 + A y 2 + A z 2 Derivada de vetor em coordenadas retangulares é derivada componente por componente, porque i \mathbf{i} i , j \mathbf{j} j e k \mathbf{k} k são fixos. Isso deixa de valer em coordenadas polares e no triedro tangente-normal, onde os versores giram junto com a partícula — e é exatamente daí que nascem os termos extras da 2ª unidade.
02 Movimento retilíneo: posição, velocidade e aceleraçãoA ideia. A partícula anda sobre uma reta. Um único eixo basta, e a posição vira um número com sinal, s s s , medido a partir de uma origem que você escolhe. Tudo nesta seção é consequência de duas definições: velocidade é a taxa com que a posição muda, e aceleração é a taxa com que a velocidade muda.
O que é cada símbolo
s s s — posição na reta (com sinal, não é distância);
Δ s = s 2 − s 1 \Delta s = s_2 - s_1 Δ s = s 2 − s 1 — deslocamento : só olha começo e fim;
s T s_T s T — distância percorrida : soma dos trechos, sempre positiva;
v = d s d t v = \dfrac{ds}{dt} v = d t d s — velocidade instantânea; o sinal diz o sentido;
a = d v d t = d 2 s d t 2 a = \dfrac{dv}{dt} = \dfrac{d^2s}{dt^2} a = d t d v = d t 2 d 2 s — aceleração instantânea.
A terceira equação, a que não tem tempo Além das duas definições, existe uma relação que elimina t t t — e é a mais pedida em prova, porque quase toda questão dá posições e velocidades sem falar de tempo:
a d s = v d v a\,ds = v\,dv a d s = v d v Ela sai de a = d v / d t a = dv/dt a = d v / d t multiplicando por d s / d s ds/ds d s / d s : a = d v d t d s d s = v d v d s a = \dfrac{dv}{dt}\dfrac{ds}{ds} = v\dfrac{dv}{ds} a = d t d v d s d s = v d s d v .
Macete de prova Aceleração constante é caso particular, não regra. As três fórmulas que todo mundo decora no ensino médio,
v = v 0 + a c t , s = s 0 + v 0 t + 1 2 a c t 2 , v 2 = v 0 2 + 2 a c ( s − s 0 ) v = v_0 + a_c t, \qquad
s = s_0 + v_0 t + \tfrac{1}{2}a_c t^2, \qquad
v^2 = v_0^2 + 2a_c(s - s_0) v = v 0 + a c t , s = s 0 + v 0 t + 2 1 a c t 2 , v 2 = v 0 2 + 2 a c ( s − s 0 ) só valem com a c a_c a c constante . Em Dinâmica, metade das questões da 1ª unidade é justamente com aceleração variável — usar essas três ali é o erro clássico. Antes de escrever qualquer uma, confirme no enunciado que a aceleração não depende de t t t , v v v nem s s s .
Exemplo rápido — deslocamento não é distância Uma partícula tem s = t 3 − 6 t 2 + 9 t s = t^3 - 6t^2 + 9t s = t 3 − 6 t 2 + 9 t (em metros, t t t em segundos). Ache o deslocamento e a distância percorrida de t = 0 t = 0 t = 0 a t = 4 s t = 4\text{ s} t = 4 s .
Primeiro, onde ela para: v = 3 t 2 − 12 t + 9 = 3 ( t − 1 ) ( t − 3 ) v = 3t^2 - 12t + 9 = 3(t-1)(t-3) v = 3 t 2 − 12 t + 9 = 3 ( t − 1 ) ( t − 3 ) , logo v = 0 v = 0 v = 0 em t = 1 t = 1 t = 1 e t = 3 t = 3 t = 3 . As posições: s ( 0 ) = 0 s(0) = 0 s ( 0 ) = 0 , s ( 1 ) = 4 s(1) = 4 s ( 1 ) = 4 , s ( 3 ) = 0 s(3) = 0 s ( 3 ) = 0 , s ( 4 ) = 4 s(4) = 4 s ( 4 ) = 4 .
O deslocamento é s ( 4 ) − s ( 0 ) = 4 m s(4) - s(0) = 4\text{ m} s ( 4 ) − s ( 0 ) = 4 m . A distância soma os trechos em módulo: ∣ 4 − 0 ∣ + ∣ 0 − 4 ∣ + ∣ 4 − 0 ∣ = 12 m |4-0| + |0-4| + |4-0| = 12\text{ m} ∣4 − 0∣ + ∣0 − 4∣ + ∣4 − 0∣ = 12 m . Quem não procura os instantes em que v = 0 v = 0 v = 0 responde 4 nas duas e perde metade da questão.
03 Aceleração variável: a = f(t), a = f(v), a = f(s)A ideia. Este é o assunto que a ementa destaca em separado, e com razão: é o coração do 1º EE. O enunciado dá a aceleração como função de alguma coisa , e o que muda de caso para caso não é a física — é qual das três relações você separa e integra. Reconhecer o caso é 80% da questão.
O que é cada símbolo
a = f ( t ) a = f(t) a = f ( t ) — aceleração dada em função do tempo ;
a = f ( v ) a = f(v) a = f ( v ) — em função da velocidade (arrasto do ar, atrito viscoso);
a = f ( s ) a = f(s) a = f ( s ) — em função da posição (mola, campo gravitacional, ímã);
as condições iniciais s 0 s_0 s 0 e v 0 v_0 v 0 : sem elas a integral fica com constante solta e a resposta não fecha.
O roteiro dos três casos Caso 1 — a = f ( t ) a = f(t) a = f ( t ) . Use d v = a d t dv = a\,dt d v = a d t e integre; depois d s = v d t ds = v\,dt d s = v d t e integre de novo.
∫ v 0 v d v = ∫ 0 t f ( t ) d t \int_{v_0}^{v} dv = \int_0^t f(t)\,dt ∫ v 0 v d v = ∫ 0 t f ( t ) d t Caso 2 — a = f ( v ) a = f(v) a = f ( v ) . Aqui há duas saídas, e a escolha depende do que se pede. Para relacionar v v v com t t t , separe d v f ( v ) = d t \dfrac{dv}{f(v)} = dt f ( v ) d v = d t . Para relacionar v v v com s s s , use a relação sem tempo:
∫ s 0 s d s = ∫ v 0 v v d v f ( v ) \int_{s_0}^{s} ds = \int_{v_0}^{v} \frac{v\,dv}{f(v)} ∫ s 0 s d s = ∫ v 0 v f ( v ) v d v Caso 3 — a = f ( s ) a = f(s) a = f ( s ) . Só uma saída: a relação sem tempo, porque a a a e s s s já estão do mesmo lado.
∫ v 0 v v d v = ∫ s 0 s f ( s ) d s ⟹ v 2 − v 0 2 2 = ∫ s 0 s f ( s ) d s \int_{v_0}^{v} v\,dv = \int_{s_0}^{s} f(s)\,ds
\qquad\Longrightarrow\qquad
\frac{v^2 - v_0^2}{2} = \int_{s_0}^{s} f(s)\,ds ∫ v 0 v v d v = ∫ s 0 s f ( s ) d s ⟹ 2 v 2 − v 0 2 = ∫ s 0 s f ( s ) d s Macete de prova Olhe a variável do lado direito e escolha a equação que já a contém. Se aparece t t t , use a = d v / d t a = dv/dt a = d v / d t . Se aparece s s s , use a d s = v d v a\,ds = v\,dv a d s = v d v . Se aparece v v v , as duas servem — decida pela pergunta: “quanto tempo” pede a primeira, “que distância” pede a segunda. Nunca comece integrando antes de decidir isto.
Exemplo rápido — arrasto proporcional à velocidade Um barco desliga o motor a v 0 = 8 m/s v_0 = 8\text{ m/s} v 0 = 8 m/s e sofre desaceleração a = − 0,5 v a = -0{,}5\,v a = − 0 , 5 v (com v v v em m/s). Que distância ele percorre até parar praticamente, isto é, até v = 1 m/s v = 1\text{ m/s} v = 1 m/s ?
É o caso a = f ( v ) a = f(v) a = f ( v ) , e a pergunta é distância — então a relação sem tempo:
∫ s 0 s d s = ∫ v 0 v v d v − 0,5 v = ∫ 8 1 d v − 0,5 = − 2 ( 1 − 8 ) = 14 \int_{s_0}^{s} ds = \int_{v_0}^{v}\frac{v\,dv}{-0{,}5\,v}
= \int_{8}^{1} \frac{dv}{-0{,}5} = -2\,(1 - 8) = 14 ∫ s 0 s d s = ∫ v 0 v − 0 , 5 v v d v = ∫ 8 1 − 0 , 5 d v = − 2 ( 1 − 8 ) = 14 Logo s = 14 m s = 14\text{ m} s = 14 m . Note que o v v v do numerador cancelou com o v v v da aceleração: é o que torna esse caso rápido, e é por isso que ele cai tanto. Se a pergunta fosse “em quanto tempo”, o caminho seria d v / ( − 0,5 v ) = d t dv/(-0{,}5v) = dt d v / ( − 0 , 5 v ) = d t , que dá logaritmo — e mostra que a rigor ele nunca para.
04 Movimento dependente: blocos, cabos e poliasA ideia. Dois ou mais corpos ligados por um cabo que não estica. Se um desce, o outro sobe — e a relação entre as velocidades não é sempre 1 para 1: depende de quantos trechos de cabo sustentam cada bloco. O truque do assunto é não raciocinar sobre o movimento, e sim escrever que o comprimento total do cabo é constante e derivar.
O que é cada símbolo
s A s_A s A , s B s_B s B — posições dos blocos, medidas de uma referência fixa (normalmente a linha das polias fixas), sempre no sentido em que o cabo se estende;
l T l_T l T — comprimento total do cabo, constante ;
os trechos que passam por polias e o comprimento em volta delas: constantes, então derivam a zero.
O procedimento, em três passos
Escolha a origem numa parte fixa e meça s A s_A s A e s B s_B s B dali, no sentido do cabo.
Escreva l T = ( soma dos trechos ) = const l_T = (\text{soma dos trechos}) = \text{const} l T = ( soma dos trechos ) = const . Trechos que não mudam podem ser jogados numa constante única.
Derive em relação ao tempo: as constantes somem e sobra a relação entre velocidades. Derive de novo para as acelerações.
2 s B + s A = l ⟹ 2 v B + v A = 0 ⟹ 2 a B + a A = 0 2 s_B + s_A = l \quad\Longrightarrow\quad 2 v_B + v_A = 0 \quad\Longrightarrow\quad 2 a_B + a_A = 0 2 s B + s A = l ⟹ 2 v B + v A = 0 ⟹ 2 a B + a A = 0 Macete de prova O coeficiente é o número de trechos de cabo que seguram o bloco. Se o bloco B B B pende de uma polia móvel com dois trechos subindo, ele aparece com o fator 2, e a velocidade dele é metade da de A A A . E o sinal negativo que sobra não é erro: ele está dizendo que, no referencial que você escolheu, os dois se movem em sentidos opostos. Escrever "v A = − 2 v B v_A = -2v_B v A = − 2 v B " e depois trocar o sinal “porque desce” é contar a mesma coisa duas vezes.
Exemplo rápido — polia móvel Na montagem em que o cabo sai do bloco A A A , sobe até uma polia fixa, desce e dá a volta na polia móvel do bloco B B B e sobe de novo para uma âncora fixa, tem-se s A + 2 s B = l s_A + 2s_B = l s A + 2 s B = l . Se A A A desce a 6 m/s 6\text{ m/s} 6 m/s , com que velocidade B B B sobe?
Derivando: v A + 2 v B = 0 v_A + 2v_B = 0 v A + 2 v B = 0 , então v B = − v A / 2 = − 3 m/s v_B = -v_A/2 = -3\text{ m/s} v B = − v A /2 = − 3 m/s . O módulo é 3 m/s 3\text{ m/s} 3 m/s , e o sinal negativo diz que B B B anda no sentido contrário ao que foi adotado positivo para A A A — isto é, sobe enquanto A A A desce.
05 Movimento relativo entre duas partículasA ideia. Duas partículas se movendo, e a pergunta é sobre uma vista pela outra : o avião em relação ao vento, o carro em relação ao outro carro. Nesta unidade os eixos que acompanham a partícula observadora apenas transladam — não giram —, e por isso a conta é uma soma vetorial simples. (A versão com eixos girando é assunto da 2ª unidade.)
O que é cada símbolo
r A \mathbf{r}_A r A , r B \mathbf{r}_B r B — posições medidas do referencial fixo ;
r B / A \mathbf{r}_{B/A} r B / A — posição de B B B relativa a A A A : “de A A A para B B B ”;
v B / A \mathbf{v}_{B/A} v B / A , a B / A \mathbf{a}_{B/A} a B / A — velocidade e aceleração de B B B vistas por quem viaja com A A A .
r B = r A + r B / A v B = v A + v B / A a B = a A + a B / A \mathbf{r}_B = \mathbf{r}_A + \mathbf{r}_{B/A}
\qquad
\mathbf{v}_B = \mathbf{v}_A + \mathbf{v}_{B/A}
\qquad
\mathbf{a}_B = \mathbf{a}_A + \mathbf{a}_{B/A} r B = r A + r B / A v B = v A + v B / A a B = a A + a B / A Macete de prova Leia o índice duplo em voz alta e a equação se monta sozinha. Em v B / A \mathbf{v}_{B/A} v B / A o índice de baixo é o observador. Na soma v B = v A + v B / A \mathbf{v}_B = \mathbf{v}_A + \mathbf{v}_{B/A} v B = v A + v B / A , os índices “se cancelam” na diagonal — B B B fica de fora à esquerda, A A A com A A A no meio. Se você montou algo em que os índices não fecham assim, a equação está errada antes de qualquer número.
E não some módulos: projete em i \mathbf{i} i e j \mathbf{j} j . Somar 600 600 600 com 50 50 50 porque “um vai a 600 e o outro a 50” é o erro que mais aparece nessas questões.
Exemplo rápido — dois carros numa curva O carro A A A vai para leste a 18 m/s 18\text{ m/s} 18 m/s e freia a 2 m/s 2 2\text{ m/s}^2 2 m/s 2 ; o carro B B B vai para o norte a 12 m/s 12\text{ m/s} 12 m/s , com velocidade constante. Qual a velocidade de B B B vista de A A A ?
Com i \mathbf{i} i para leste e j \mathbf{j} j para o norte: v A = 18 i \mathbf{v}_A = 18\mathbf{i} v A = 18 i e v B = 12 j \mathbf{v}_B = 12\mathbf{j} v B = 12 j . Então
v B / A = v B − v A = − 18 i + 12 j \mathbf{v}_{B/A} = \mathbf{v}_B - \mathbf{v}_A = -18\mathbf{i} + 12\mathbf{j} v B / A = v B − v A = − 18 i + 12 j de módulo 18 2 + 12 2 = 21,6 m/s \sqrt{18^2 + 12^2} = 21{,}6\text{ m/s} 1 8 2 + 1 2 2 = 21 , 6 m/s , apontando a noroeste. Para a aceleração, a A = − 2 i \mathbf{a}_A = -2\mathbf{i} a A = − 2 i e a B = 0 \mathbf{a}_B = \mathbf{0} a B = 0 , logo a B / A = + 2 i \mathbf{a}_{B/A} = +2\mathbf{i} a B / A = + 2 i : para quem está em A A A freando, B B B parece ganhar velocidade para leste.
06 Movimento curvilíneo em coordenadas retangularesA ideia. A trajetória deixa de ser reta. A posição vira vetor, e velocidade e aceleração saem de derivar esse vetor. O fato geométrico que organiza tudo: a velocidade é sempre tangente à trajetória, enquanto a aceleração aponta para dentro da curva — ela tem uma parte que muda o módulo da velocidade e outra que muda a direção.
O que é cada símbolo
r = x i + y j + z k \mathbf{r} = x\mathbf{i} + y\mathbf{j} + z\mathbf{k} r = x i + y j + z k — posição;
v = x ˙ i + y ˙ j + z ˙ k \mathbf{v} = \dot{x}\mathbf{i} + \dot{y}\mathbf{j} + \dot{z}\mathbf{k} v = x ˙ i + y ˙ j + z ˙ k — velocidade, tangente à trajetória;
a = x ¨ i + y ¨ j + z ¨ k \mathbf{a} = \ddot{x}\mathbf{i} + \ddot{y}\mathbf{j} + \ddot{z}\mathbf{k} a = x ¨ i + y ¨ j + z ¨ k — aceleração, que não é tangente;
v = ∣ v ∣ = x ˙ 2 + y ˙ 2 + z ˙ 2 v = |\mathbf{v}| = \sqrt{\dot{x}^2 + \dot{y}^2 + \dot{z}^2} v = ∣ v ∣ = x ˙ 2 + y ˙ 2 + z ˙ 2 — a rapidez, que é o número que o velocímetro mostra.
Em coordenadas retangulares os versores são fixos, então cada eixo se resolve independentemente dos outros — três problemas de movimento retilíneo em paralelo. É essa independência que faz o próximo assunto, o projétil, ser tão direto.
v a trajetória A velocidade é sempre tangente; a aceleração aponta para o lado de dentro da curva.
07 Movimento de projétilA ideia. Caso particular do movimento curvilíneo, e o mais pedido da unidade. Desprezando o ar, sobra uma única força: o peso. Logo a aceleração é g g g para baixo, e mais nada. A consequência é a que resolve toda questão do assunto: na horizontal a velocidade não muda; na vertical o movimento é uniformemente acelerado . Dois problemas independentes, amarrados pelo mesmo relógio.
O que é cada símbolo
v 0 v_0 v 0 , θ \theta θ — módulo e ângulo da velocidade de lançamento;
v 0 x = v 0 cos θ v_{0x} = v_0\cos\theta v 0 x = v 0 cos θ e v 0 y = v 0 sin θ v_{0y} = v_0\sin\theta v 0 y = v 0 sin θ — as componentes iniciais;
g = 9,81 m/s 2 g = 9{,}81\text{ m/s}^2 g = 9 , 81 m/s 2 — para baixo; com o eixo y y y apontando para cima, entra como − g -g − g ;
t t t — o tempo, que é o mesmo nos dois eixos : é ele que liga as duas contas.
x = x 0 + v 0 x t y = y 0 + v 0 y t − 1 2 g t 2 v y = v 0 y − g t x = x_0 + v_{0x}t
\qquad
y = y_0 + v_{0y}t - \tfrac{1}{2}gt^2
\qquad
v_y = v_{0y} - gt x = x 0 + v 0 x t y = y 0 + v 0 y t − 2 1 g t 2 v y = v 0 y − g t Alcance, altura máxima e trajetória No ponto mais alto , v y = 0 v_y = 0 v y = 0 — é essa condição, e não uma fórmula decorada, que dá o instante t = v 0 y / g t = v_{0y}/g t = v 0 y / g e a altura. Eliminando t t t entre x x x e y y y chega-se à equação da trajetória , que é uma parábola:
y = x tan θ − g x 2 2 v 0 2 cos 2 θ y = x\tan\theta - \frac{g\,x^2}{2v_0^2\cos^2\theta} y = x tan θ − 2 v 0 2 cos 2 θ g x 2 Macete de prova Escreva as três equações e conte as incógnitas. Quase toda questão de projétil se resolve achando primeiro o tempo de voo por um dos eixos e levando esse tempo para o outro. Se o enunciado diz onde o projétil cai, comece pela vertical; se diz quanto tempo ficou no ar, comece pela horizontal.
E cuidado com o alcance: a fórmula R = v 0 2 sin ( 2 θ ) / g R = v_0^2\sin(2\theta)/g R = v 0 2 sin ( 2 θ ) / g só vale se a saída e a chegada estiverem na mesma altura . Em questão com projétil caindo de um barranco ou acertando um alvo mais alto, ela dá errado — ali é montar x x x e y y y e resolver.
Exemplo rápido — bola lançada de uma mesa Uma bola sai horizontalmente da beirada de uma mesa de 1,25 m 1{,}25\text{ m} 1 , 25 m a 3 m/s 3\text{ m/s} 3 m/s . A que distância do pé da mesa ela toca o chão?
Lançamento horizontal, então v 0 y = 0 v_{0y} = 0 v 0 y = 0 . Pela vertical, com origem na beirada e y y y para cima, o chão está em y = − 1,25 y = -1{,}25 y = − 1 , 25 :
− 1,25 = − 1 2 ( 9,81 ) t 2 ⟹ t = 0,505 s -1{,}25 = -\tfrac{1}{2}(9{,}81)t^2 \quad\Longrightarrow\quad t = 0{,}505\text{ s} − 1 , 25 = − 2 1 ( 9 , 81 ) t 2 ⟹ t = 0 , 505 s Levando esse tempo para a horizontal: x = 3 ( 0,505 ) = 1,51 m x = 3(0{,}505) = 1{,}51\text{ m} x = 3 ( 0 , 505 ) = 1 , 51 m . Note que a velocidade de saída não entrou na conta do tempo — a bola cai no mesmo tempo que cairia se fosse solta parada. É o mesmo tempo, alcance diferente.
08 Componentes normal e tangencial: raio de curvaturaA ideia. Coordenadas retangulares resolvem o projétil, mas escondem o que interessa numa curva. Aqui os eixos passam a andar com a partícula : um deles aponta para onde ela vai (tangente), o outro para o centro da curva (normal). A recompensa é a aceleração se separar em duas parcelas com significado físico: uma muda a rapidez , a outra muda a direção .
O que é cada símbolo
u t \mathbf{u}_t u t — versor tangente , no sentido do movimento;
u n \mathbf{u}_n u n — versor normal , sempre apontando para o lado côncavo (o centro da curva);
a t = v ˙ a_t = \dot{v} a t = v ˙ — aceleração tangencial: muda o módulo da velocidade;
a n = v 2 / ρ a_n = v^2/\rho a n = v 2 / ρ — aceleração normal (centrípeta): muda a direção;
ρ \rho ρ — raio de curvatura : o raio do círculo que melhor encosta na trajetória naquele ponto.
a = a t u t + a n u n com a t = d v d t = v d v d s , a n = v 2 ρ \mathbf{a} = a_t\,\mathbf{u}_t + a_n\,\mathbf{u}_n
\qquad\text{com}\qquad
a_t = \frac{dv}{dt} = v\frac{dv}{ds}, \qquad a_n = \frac{v^2}{\rho} a = a t u t + a n u n com a t = d t d v = v d s d v , a n = ρ v 2 Para uma trajetória dada por y = f ( x ) y = f(x) y = f ( x ) , o raio de curvatura sai da fórmula do Cálculo:
ρ = [ 1 + ( d y / d x ) 2 ] 3 / 2 ∣ d 2 y / d x 2 ∣ \rho = \frac{\left[1 + (dy/dx)^2\right]^{3/2}}{\left|d^2y/dx^2\right|} ρ = ∣ d 2 y / d x 2 ∣ [ 1 + ( d y / d x ) 2 ] 3/2 Macete de prova Velocidade constante em módulo não é aceleração zero. Se a partícula anda numa curva com rapidez constante, a t = 0 a_t = 0 a t = 0 mas a n = v 2 / ρ ≠ 0 a_n = v^2/\rho \neq 0 a n = v 2 / ρ = 0 — e é essa aceleração que exige força. É a pergunta que separa quem entendeu de quem decorou.
E o sinal de u n \mathbf{u}_n u n não se escolhe: ele aponta para o centro da curva, sempre. Não existe aceleração normal “para fora”.
Exemplo rápido — jato d'água com aclive 6/8 Um jato sai do bico com aclive de 6 cm na vertical para cada 8 cm na horizontal, e o raio de curvatura inicial é ρ 0 = 3,8 m \rho_0 = 3{,}8\ \mathrm{m} ρ 0 = 3 , 8 m . Ache a velocidade de saída.
O aclive dá tan θ = 6 / 8 \tan\theta = 6/8 tan θ = 6/8 , logo sin θ = 3 / 5 \sin\theta = 3/5 sin θ = 3/5 e cos θ = 4 / 5 \cos\theta = 4/5 cos θ = 4/5 . Depois de sair do bico a única aceleração é g g g , para baixo; a componente dela normal à trajetória é a n = g cos θ = 4 5 g a_n = g\cos\theta = \tfrac{4}{5}g a n = g cos θ = 5 4 g . Então
4 5 g = v 0 2 ρ 0 ⟹ v 0 = 4 5 g ρ 0 = 0,8 × 9,81 × 3,8 = 5,5 m / s \frac{4}{5}g = \frac{v_0^2}{\rho_0}
\quad\Longrightarrow\quad
v_0 = \sqrt{\tfrac{4}{5}\,g\,\rho_0} = \sqrt{0{,}8 \times 9{,}81 \times 3{,}8} = 5{,}5\ \mathrm{m/s} 5 4 g = ρ 0 v 0 2 ⟹ v 0 = 5 4 g ρ 0 = 0 , 8 × 9 , 81 × 3 , 8 = 5 , 5 m/s No ponto de altura máxima a velocidade é horizontal, então g g g é inteiramente normal: a n = g = v h 2 / ρ M a_n = g = v_h^2/\rho_M a n = g = v h 2 / ρ M com v h = v 0 cos θ v_h = v_0\cos\theta v h = v 0 cos θ . Isso dá ρ M = ( 4 / 5 ) 3 ρ 0 = 1,9 m \rho_M = (4/5)^3\rho_0 = 1{,}9\ \mathrm{m} ρ M = ( 4/5 ) 3 ρ 0 = 1 , 9 m — a curva fecha, e é por isso que o topo da parábola parece mais “apertado”.
09 Coordenadas polares: componentes radial e transversalA ideia. Quando o movimento é descrito por um raio que gira — um braço mecânico, uma haste com um anel deslizando, um satélite —, o par natural não é ( x , y ) (x,y) ( x , y ) e sim ( r , θ ) (r,\theta) ( r , θ ) . E aqui aparece a diferença que a 1ª unidade avisou: os versores giram junto com a partícula , então derivá-los não dá zero. É de onde saem os termos extras que ninguém adivinha.
O que é cada símbolo
r r r — distância da origem à partícula; θ \theta θ — ângulo do raio;
u r \mathbf{u}_r u r — versor radial , no sentido de r r r crescente; u θ \mathbf{u}_\theta u θ — transversal , perpendicular, no sentido de θ \theta θ crescente;
θ ˙ \dot{\theta} θ ˙ — velocidade angular (rad/s); θ ¨ \ddot{\theta} θ ¨ — aceleração angular;
r ˙ \dot{r} r ˙ — quão rápido a partícula se afasta da origem.
v = r ˙ u r + r θ ˙ u θ \mathbf{v} = \dot{r}\,\mathbf{u}_r + r\dot{\theta}\,\mathbf{u}_\theta v = r ˙ u r + r θ ˙ u θ a = ( r ¨ − r θ ˙ 2 ) u r + ( r θ ¨ + 2 r ˙ θ ˙ ) u θ \mathbf{a} = \left(\ddot{r} - r\dot{\theta}^2\right)\mathbf{u}_r
+ \left(r\ddot{\theta} + 2\dot{r}\dot{\theta}\right)\mathbf{u}_\theta a = ( r ¨ − r θ ˙ 2 ) u r + ( r θ ¨ + 2 r ˙ θ ˙ ) u θ Macete de prova Os dois termos “estranhos” têm nome e motivo. O − r θ ˙ 2 -r\dot{\theta}^2 − r θ ˙ 2 é a parcela centrípeta: mesmo com r r r constante, girar exige aceleração para dentro. O 2 r ˙ θ ˙ 2\dot{r}\dot{\theta} 2 r ˙ θ ˙ é a aceleração de Coriolis , e só aparece quando a partícula se afasta enquanto gira — o anel subindo pela haste que roda. Numa questão em que r r r é constante, os dois termos com r ˙ \dot{r} r ˙ somem e a conta encurta; se θ ˙ \dot{\theta} θ ˙ é constante, somem os com θ ¨ \ddot{\theta} θ ¨ . Escreva as duas equações completas e só depois risque o que é zero — cortar antes é como se perde o Coriolis.
10 Equações do movimento: a 2ª lei de NewtonA ideia. Até aqui a cinemática descrevia como a partícula se move, sem perguntar por quê. A dinâmica fecha o circuito: a causa do movimento é a força resultante, e a ponte entre as duas é uma única equação. O procedimento nunca muda — desenhar o diagrama de corpo livre, escolher os eixos, projetar, resolver.
O que é cada símbolo
∑ F \sum\mathbf{F} ∑ F — resultante de todas as forças externas sobre a partícula;
m m m — massa (constante, em toda esta cadeira);
a \mathbf{a} a — aceleração, no referencial inercial ;
DCL — diagrama de corpo livre: o desenho do corpo isolado, com todas as forças que agem nele e nada mais.
∑ F = m a \sum \mathbf{F} = m\,\mathbf{a} ∑ F = m a Projetada, ela vira duas ou três equações escalares. E a escolha dos eixos é livre — é aí que se ganha tempo:
∑ F x = m a x , ∑ F y = m a y ou ∑ F t = m a t , ∑ F n = m v 2 ρ \sum F_x = m a_x, \quad \sum F_y = m a_y
\qquad\text{ou}\qquad
\sum F_t = m a_t, \quad \sum F_n = m \frac{v^2}{\rho} ∑ F x = m a x , ∑ F y = m a y ou ∑ F t = m a t , ∑ F n = m ρ v 2 Exemplo rápido — dois corpos, uma tração Um bloco B B B de 8,0 kg sobre um carrinho A A A de 12 kg, sem atrito entre A A A e o piso, é arrastado por um cabo ligado a um corpo C C C que pende. Com o conjunto todo acelerando junto de a a a :
Isolando C C C : m C a = m C g − T \;m_C a = m_C g - T m C a = m C g − T . Isolando A + B A+B A + B na horizontal: T = ( m A + m B ) a \;T = (m_A + m_B)a T = ( m A + m B ) a . Somando as duas, a tração sai da conta:
( m A + m B + m C ) a = m C g (m_A + m_B + m_C)\,a = m_C\,g ( m A + m B + m C ) a = m C g que é o resultado esperado — a força que move o sistema é o peso de C C C , e a massa que ela tem de mover é a de todos. Escrever essa equação global depois dos DCLs é conferência; escrever ela em vez dos DCLs é sorte.
11 Forças de vínculo e atritoA ideia. O conteúdo programático fala em “forças de vínculo”, e é o nome certo: normal, tração e atrito não são dadas no enunciado — elas se ajustam para que o corpo obedeça à restrição de estar apoiado, preso ou encostado. Achá-las é metade das questões de dinâmica. E o atrito tem um detalhe que decide questão: ele tem dois regimes.
O que é cada símbolo
N N N — força normal : perpendicular à superfície, sempre de compressão;
T T T — tração no cabo: só puxa, nunca empurra;
μ e \mu_e μ e — coeficiente de atrito estático : vale enquanto não escorrega;
μ c \mu_c μ c — coeficiente cinético : vale escorregando, e μ c < μ e \mu_c \lt \mu_e μ c < μ e ;
F a t F_{at} F a t — a força de atrito.
F a t ≤ μ e N ( parado ) , F a t = μ c N ( escorregando ) F_{at} \leq \mu_e N \quad (\text{parado}),
\qquad
F_{at} = \mu_c N \quad (\text{escorregando}) F a t ≤ μ e N ( parado ) , F a t = μ c N ( escorregando ) Macete de prova Parado, o atrito é uma incógnita; escorregando, é um dado. Enquanto não há escorregamento, F a t F_{at} F a t vale o que precisar valer para segurar — você a acha pelas equações, e μ e N \mu_e N μ e N é só o limite dela. Quando escorrega, F a t = μ c N F_{at} = \mu_c N F a t = μ c N está determinada e vai para a equação como número.
Perguntas do tipo “a maior massa para não escorregar” são exatamente o caso limite: use F a t = μ e N F_{at} = \mu_e N F a t = μ e N , que é o instante em que o atrito chegou ao seu máximo. E cuidado com o sentido : o atrito se opõe ao escorregamento relativo entre as superfícies, não ao movimento visto do chão.
Exemplo rápido — a rampa que muda de inclinação Um bloco escorrega por uma rampa a 30,0 ∘ 30{,}0^\circ 30 , 0 ∘ com aceleração de 3,00 m / s 2 3{,}00\ \mathrm{m/s^2} 3 , 00 m/ s 2 . Qual a nova inclinação para que ele passe a descer com velocidade constante?
Com eixos na rampa: ao longo dela, m g sin θ − μ c N = m a mg\sin\theta - \mu_c N = ma m g sin θ − μ c N = ma ; perpendicular, N = m g cos θ N = mg\cos\theta N = m g cos θ . Logo
a = g ( sin θ − μ c cos θ ) a = g\,(\sin\theta - \mu_c\cos\theta) a = g ( sin θ − μ c cos θ ) A massa não aparece. Com os dados da primeira rampa, isolando o coeficiente:
μ c = tan 30,0 ∘ − 3,00 9,81 cos 30,0 ∘ = 0,2242 \mu_c = \tan 30{,}0^\circ - \frac{3{,}00}{9{,}81\cos 30{,}0^\circ} = 0{,}2242 μ c = tan 30 , 0 ∘ − 9 , 81 cos 30 , 0 ∘ 3 , 00 = 0 , 2242 Velocidade constante significa a = 0 a = 0 a = 0 , então tan θ ′ = μ c \tan\theta' = \mu_c tan θ ′ = μ c e θ ′ = 12,6 ∘ \theta' = 12{,}6^\circ θ ′ = 12 , 6 ∘ . Esse é o ângulo de repouso : a inclinação em que o atrito cinético empata exatamente com a componente do peso.
12 Movimento circular: a força que curva a trajetóriaA ideia. Caso mais pedido da 2ª lei, porque junta as duas metades da cadeira: a cinemática diz que curvar exige aceleração v 2 / ρ v^2/\rho v 2 / ρ para o centro, e a dinâmica pergunta quem faz essa força. A resposta é sempre uma força real — tração, normal, atrito, peso ou a soma delas.
O que é cada símbolo
r r r — raio da circunferência (é o ρ \rho ρ da seção 08, agora constante);
a n = v 2 / r a_n = v^2/r a n = v 2 / r — aceleração centrípeta, apontando para o centro;
∑ F n \sum F_n ∑ F n — soma das forças na direção do centro ;
ω = v / r \omega = v/r ω = v / r — velocidade angular.
∑ F n = m v 2 r \sum F_n = m\,\frac{v^2}{r} ∑ F n = m r v 2 Macete de prova Não existe “força centrífuga” no DCL. A sensação de ser jogado para fora é inércia, não força. No diagrama entram apenas as forças reais, e a resultante delas aponta para dentro .
O caso clássico é o limite : “qual a velocidade mínima no topo para o fio não afrouxar?”. Fio afrouxando é T = 0 T = 0 T = 0 , e aí só o peso sustenta a curva:
m g = m v 2 r ⟹ v min = g r mg = m\frac{v^2}{r} \quad\Longrightarrow\quad v_{\min} = \sqrt{gr} m g = m r v 2 ⟹ v m i n = g r Sempre que a questão disser “mínima”, “máxima” ou “no limite”, traduza para qual força vai a zero — é ela que dá a equação que falta.
Exemplo rápido — a bola na circunferência vertical Uma bola presa a uma corda descreve uma circunferência vertical de raio 1,25 m 1{,}25\ \mathrm{m} 1 , 25 m . Qual a velocidade mínima no topo para a corda permanecer esticada?
No topo, peso e tração apontam ambos para baixo — isto é, para o centro. Então m g + T = m v 2 / r mg + T = mv^2/r m g + T = m v 2 / r . A corda no limite de afrouxar tem T = 0 T = 0 T = 0 :
v min = g r = 9,81 × 1,25 = 3,50 m / s v_{\min} = \sqrt{g\,r} = \sqrt{9{,}81 \times 1{,}25} = 3{,}50\ \mathrm{m/s} v m i n = g r = 9 , 81 × 1 , 25 = 3 , 50 m/s Abaixo disso a corda precisaria empurrar para manter o raio — e corda não empurra: a bola sai da trajetória circular antes de chegar ao topo.
13 Trabalho de uma forçaA ideia. Até aqui, todo problema saía da 2ª lei: monta o diagrama, escreve ∑ F = m a \sum F = ma ∑ F = ma , integra. Funciona sempre — e às vezes dá muito trabalho, porque exige conhecer a aceleração em cada instante . O método da energia troca esse detalhe por uma pergunta mais barata: quanto a força empurrou ao longo do caminho, e o que isso fez com a velocidade. Some posição inicial e final — o meio do trajeto some da conta. O preço é que você perde a informação de tempo: energia não responde “quando”.
O que é cada símbolo
U 1 → 2 U_{1\to2} U 1 → 2 — trabalho da força entre as posições 1 e 2, em joules (1 J = 1 N ⋅ m 1\ \mathrm{J} = 1\ \mathrm{N\cdot m} 1 J = 1 N ⋅ m );
d r d\mathbf{r} d r — deslocamento infinitesimal ao longo da trajetória ;
θ \theta θ — ângulo entre a força e o deslocamento;
s s s — comprimento percorrido medido sobre a trajetória.
U 1 → 2 = ∫ r 1 r 2 F ⋅ d r = ∫ s 1 s 2 F cos θ d s U_{1\to2} = \int_{\mathbf{r}_1}^{\mathbf{r}_2} \mathbf{F}\cdot d\mathbf{r} = \int_{s_1}^{s_2} F\cos\theta\ ds U 1 → 2 = ∫ r 1 r 2 F ⋅ d r = ∫ s 1 s 2 F cos θ d s O produto escalar é o coração da definição: só a componente da força na direção do movimento trabalha . Componente perpendicular dá zero.
Quem nunca trabalha Três forças aparecem em quase toda questão e, na maioria das vezes, dão trabalho nulo :
a normal de uma superfície, quando o corpo desliza sobre ela — é perpendicular ao movimento;
a tração de um cabo ideal na direção radial de um movimento circular;
o atrito estático no ponto de contato de uma roda que rola sem escorregar — o ponto de aplicação não desliza, então não há deslocamento relativo para a força percorrer.
Reconhecer isso antes de montar a equação é o que faz o método valer a pena.
Os três trabalhos que caem em prova Força constante ao longo de um deslocamento reto de módulo s s s :
U 1 → 2 = F s cos θ U_{1\to2} = F\,s\cos\theta U 1 → 2 = F s cos θ Peso , em um deslocamento vertical Δ y = y 2 − y 1 \Delta y = y_2 - y_1 Δ y = y 2 − y 1 (com y y y para cima):
U 1 → 2 = − W Δ y = − m g ( y 2 − y 1 ) U_{1\to2} = -W\,\Delta y = -mg\,(y_2 - y_1) U 1 → 2 = − W Δ y = − m g ( y 2 − y 1 ) O sinal é a parte que se erra: descer é trabalho positivo , subir é negativo. E note que só a altura importa — o caminho horizontal, a forma da rampa e o comprimento do trajeto não entram.
Mola linear , deformada de s 1 s_1 s 1 a s 2 s_2 s 2 a partir do comprimento natural:
U 1 → 2 = − ( 1 2 k s 2 2 − 1 2 k s 1 2 ) U_{1\to2} = -\left(\tfrac{1}{2}k s_2^2 - \tfrac{1}{2}k s_1^2\right) U 1 → 2 = − ( 2 1 k s 2 2 − 2 1 k s 1 2 ) O sinal negativo diz que a mola resiste: comprimir ou esticar é trabalho negativo sobre o corpo, soltar é positivo.
Macete de prova Força variável exige integral, e a prova cobra isso. Quando o enunciado dá F F F em função de x x x — ou quando você mesmo escreve a resultante como F ( x ) F(x) F ( x ) —, não existe atalho:
U 1 → 2 = ∫ x 1 x 2 F ( x ) d x U_{1\to2} = \int_{x_1}^{x_2} F(x)\,dx U 1 → 2 = ∫ x 1 x 2 F ( x ) d x Foi exatamente o que a Q1 do 2º EE de 2023.1 pediu, com F ( x ) = 5 g − 50 x F(x) = 5g - 50x F ( x ) = 5 g − 50 x do peso contra a mola. Quem tentou usar “força × distância” errou.
Exemplo rápido — trabalho contra a mola Uma mola de k = 200 N / m k = 200\ \mathrm{N/m} k = 200 N/m está comprimida 0,10 m 0{,}10\ \mathrm{m} 0 , 10 m . Um bloco a empurra até comprimir 0,25 m 0{,}25\ \mathrm{m} 0 , 25 m . Qual o trabalho da mola sobre o bloco?
U 1 → 2 = − ( 1 2 ( 200 ) ( 0,25 ) 2 − 1 2 ( 200 ) ( 0,10 ) 2 ) = − ( 6,25 − 1,00 ) = − 5,25 J U_{1\to2} = -\left(\tfrac{1}{2}(200)(0{,}25)^2 - \tfrac{1}{2}(200)(0{,}10)^2\right) = -(6{,}25 - 1{,}00) = -5{,}25\ \mathrm{J} U 1 → 2 = − ( 2 1 ( 200 ) ( 0 , 25 ) 2 − 2 1 ( 200 ) ( 0 , 10 ) 2 ) = − ( 6 , 25 − 1 , 00 ) = − 5 , 25 J Negativo, como tinha de ser: a mola empurrou contra o movimento. Se o bloco fosse solto e a mola voltasse de 0,25 0{,}25 0 , 25 para 0,10 0{,}10 0 , 10 , o trabalho seria + 5,25 J +5{,}25\ \mathrm{J} + 5 , 25 J — a mesma conta com os limites trocados.
14 Princípio do trabalho e energia cinéticaA ideia. Integre ∑ F = m a \sum F = m\,a ∑ F = m a ao longo da trajetória, usando a d s = v d v a\,ds = v\,dv a d s = v d v — o mesmo truque da seção 03 —, e a 2ª lei vira uma equação escalar sem aceleração nenhuma dentro. É o teorema mais rentável da cadeira: uma equação, uma incógnita, sem decompor vetor .
O que é cada símbolo
T = 1 2 m v 2 T = \tfrac{1}{2}mv^2 T = 2 1 m v 2 — energia cinética , sempre positiva, sempre escalar;
T 1 T_1 T 1 , T 2 T_2 T 2 — energia cinética no início e no fim do trecho;
∑ U 1 → 2 \sum U_{1\to2} ∑ U 1 → 2 — soma dos trabalhos de todas as forças, cada um com seu sinal.
T 1 + ∑ U 1 → 2 = T 2 T_1 + \sum U_{1\to2} = T_2 T 1 + ∑ U 1 → 2 = T 2 Macete de prova Quando usar energia e quando usar Newton. A regra prática:
o enunciado relaciona velocidade e posição (ou distância, ou altura) e não menciona tempo → energia;
o enunciado pede aceleração , força , normal , tração , ou envolve tempo → 2ª lei;
pede as duas coisas → energia para achar v v v , depois Newton naquele ponto para achar a força.
Esse último caso é o mais comum em prova de 2º EE: “determine a velocidade no ponto B e a força que o trilho exerce ali”. Nunca tente tirar força do teorema da energia direto.
Atrito cinético entra como trabalho negativo U a t = − μ c N s U_{at} = -\mu_c N\,s U a t = − μ c N s com s s s o comprimento do caminho percorrido , não o deslocamento. Ir e voltar não cancela: o atrito tira energia nas duas idas. É por isso que atrito não tem energia potencial associada — depende do caminho, e não só dos extremos.
Exemplo rápido — bloco que desce e freia Um bloco de 10 k g 10\ \mathrm{kg} 10 kg é solto do repouso no topo de uma rampa lisa de 2,0 m 2{,}0\ \mathrm{m} 2 , 0 m de altura. Ao chegar ao plano horizontal, percorre um trecho com μ c = 0,25 \mu_c = 0{,}25 μ c = 0 , 25 . Qual a distância até parar?
Da posição inicial ao repouso final, T 1 = T 2 = 0 T_1 = T_2 = 0 T 1 = T 2 = 0 , e a soma dos trabalhos tem de ser zero:
m g h ⏟ peso, descida − μ c m g d ⏟ atrito = 0 ⟹ d = h μ c = 2,0 0,25 = 8,0 m \underbrace{mg\,h}_{\text{peso, descida}} - \underbrace{\mu_c\,mg\,d}_{\text{atrito}} = 0
\quad\Longrightarrow\quad
d = \frac{h}{\mu_c} = \frac{2{,}0}{0{,}25} = 8{,}0\ \mathrm{m} peso, descida m g h − atrito μ c m g d = 0 ⟹ d = μ c h = 0 , 25 2 , 0 = 8 , 0 m A massa cortou e a forma da rampa nunca entrou na conta. Com Newton, esse mesmo problema exigiria decompor o peso, achar a aceleração na rampa, achar v v v no pé e depois desacelerar — três etapas para chegar ao mesmo número.
15 Energia potencial: peso e molaA ideia. Peso e mola têm uma propriedade especial: o trabalho delas depende só das posições inicial e final , nunca do caminho. Força assim se chama conservativa , e para ela vale a pena guardar o trabalho numa “conta poupança” — a energia potencial — em vez de recalcular a integral a cada problema.
O que é cada símbolo
V g = m g y V_g = mgy V g = m g y — energia potencial gravitacional , com y y y medido para cima a partir de um nível de referência que você escolhe ;
V e = 1 2 k s 2 V_e = \tfrac{1}{2}ks^2 V e = 2 1 k s 2 — energia potencial elástica , com s s s a deformação a partir do comprimento natural;
V = V g + V e V = V_g + V_e V = V g + V e — potencial total;
a relação com o trabalho: U 1 → 2 = V 1 − V 2 = − Δ V U_{1\to2} = V_1 - V_2 = -\Delta V U 1 → 2 = V 1 − V 2 = − Δ V .
V g = m g y V e = 1 2 k s 2 V_g = m g y \qquad\qquad V_e = \tfrac{1}{2}k s^2 V g = m g y V e = 2 1 k s 2 Exemplo rápido — a deformação estática não é o zero da mola Um bloco de 5,0 k g 5{,}0\ \mathrm{kg} 5 , 0 kg repousa sobre uma mola vertical de k = 500 N / m k = 500\ \mathrm{N/m} k = 500 N/m . A mola está comprimida de
s e q = m g k = 5 × 9,81 500 = 0,0981 m s_{eq} = \frac{mg}{k} = \frac{5 \times 9{,}81}{500} = 0{,}0981\ \mathrm{m} s e q = k m g = 500 5 × 9 , 81 = 0 , 0981 m Se agora o bloco for empurrado 0,050 m 0{,}050\ \mathrm{m} 0 , 050 m além disso, a energia elástica armazenada não é 1 2 k ( 0,050 ) 2 \tfrac12 k (0{,}050)^2 2 1 k ( 0 , 050 ) 2 , e sim
V e = 1 2 ( 500 ) ( 0,0981 + 0,050 ) 2 = 5,49 J V_e = \tfrac{1}{2}(500)(0{,}0981 + 0{,}050)^2 = 5{,}49\ \mathrm{J} V e = 2 1 ( 500 ) ( 0 , 0981 + 0 , 050 ) 2 = 5 , 49 J contra os 2,40 J 2{,}40\ \mathrm{J} 2 , 40 J que já estavam guardados no equilíbrio. A diferença é o que a mão fez.
16 Conservação da energia mecânicaA ideia. Se todas as forças que trabalham são conservativas, o teorema do trabalho e energia se reduz à forma mais enxuta da mecânica: a soma de cinética e potencial não muda. É a equação que resolve montanha-russa, pêndulo, bloco-mola e loop vertical em uma linha.
O que é cada símbolo
T + V T + V T + V — energia mecânica total;
∑ U 1 → 2 n a ˜ o-cons. \sum U_{1\to2}^{\text{não-cons.}} ∑ U 1 → 2 n a ˜ o-cons. — trabalho das forças não conservativas (atrito, motor, mão, resistência do ar).
T 1 + V 1 = T 2 + V 2 T_1 + V_1 = T_2 + V_2 T 1 + V 1 = T 2 + V 2 E quando há atrito ou uma força externa qualquer, a versão geral — a que serve para todo problema:
T 1 + V 1 + ∑ U 1 → 2 n a ˜ o-cons. = T 2 + V 2 T_1 + V_1 + \sum U_{1\to2}^{\text{não-cons.}} = T_2 + V_2 T 1 + V 1 + ∑ U 1 → 2 n a ˜ o-cons. = T 2 + V 2 Macete de prova O loop vertical: dois teoremas, nesta ordem. A questão típica diz “de que altura mínima soltar para completar a volta sem descolar do trilho”. A solução tem duas partes e quem mistura as duas erra:
No topo do loop , a condição de não descolar é a 2ª lei com N = 0 N = 0 N = 0 — só o peso curva a trajetória: m g = m v t o p o 2 / R mg = mv_{topo}^2/R m g = m v t o p o 2 / R , ou seja, v t o p o 2 = g R v_{topo}^2 = gR v t o p o 2 = g R . Isto é Newton, não energia.
Só então a conservação da energia liga esse v t o p o v_{topo} v t o p o à altura de partida.
Do repouso a uma altura h h h até o topo, que está a 2 R 2R 2 R :
m g h = 1 2 m ( g R ) + m g ( 2 R ) ⟹ h = 5 2 R mgh = \tfrac{1}{2}m(gR) + mg(2R)
\quad\Longrightarrow\quad
h = \tfrac{5}{2}R m g h = 2 1 m ( g R ) + m g ( 2 R ) ⟹ h = 2 5 R Guardar "h = 2,5 R h = 2{,}5R h = 2 , 5 R " decorado não serve: a Q2 do 2º EE de 2025.1 põe uma colisão inelástica no meio do caminho, e o número muda.
Exemplo rápido — velocidade máxima do bloco sobre a mola Este é o esqueleto da Q1 do 2º EE de 2023.1. Um bloco de massa m m m está sobre uma mola de constante k k k , comprimida da deformação de equilíbrio de dois blocos, s 1 = 2 m g / k s_1 = 2mg/k s 1 = 2 m g / k . O bloco de cima é retirado de repente. Onde a velocidade é máxima?
A resultante sobre o bloco que sobrou é F = k s − m g F = k s - mg F = k s − m g , que diminui conforme a mola relaxa. Ela se anula quando s = m g / k s = mg/k s = m g / k — e é exatamente ali que a velocidade é máxima, porque depois desse ponto a força passa a frear.
Ou seja: a resposta não vem de derivar a energia, vem de perceber que velocidade máxima é onde a força resultante troca de sinal . Só depois se usa energia entre s 1 s_1 s 1 e esse ponto para achar o valor de v max v_{\max} v m a x .
17 Potência e eficiênciaA ideia. Trabalho não diz nada sobre pressa. Potência é a taxa: o mesmo trabalho feito em metade do tempo exige o dobro de potência. É o que dimensiona motor, guincho e elevador — e o que aparece em prova como um item (c) curto no fim de uma questão de energia.
O que é cada símbolo
P P P — potência , em watts (1 W = 1 J / s 1\ \mathrm{W} = 1\ \mathrm{J/s} 1 W = 1 J/s );
ε \varepsilon ε — eficiência , adimensional, sempre < 1 \lt 1 < 1 ;
1 h p = 746 W 1\ \mathrm{hp} = 746\ \mathrm{W} 1 hp = 746 W — conversão que o Hibbeler usa e as provas às vezes cobram.
P = d U d t = F ⋅ v ε = P sa ı ˊ da P entrada = U sa ı ˊ da U entrada P = \frac{dU}{dt} = \mathbf{F}\cdot\mathbf{v}
\qquad\qquad
\varepsilon = \frac{P_{\text{saída}}}{P_{\text{entrada}}} = \frac{U_{\text{saída}}}{U_{\text{entrada}}} P = d t d U = F ⋅ v ε = P entrada P sa ı ˊ da = U entrada U sa ı ˊ da A forma P = F ⋅ v P = \mathbf{F}\cdot\mathbf{v} P = F ⋅ v é a útil: é ela que permite calcular potência num instante , sem integrar nada.
Exemplo rápido — o guincho Um guincho iça uma carga de 400 k g 400\ \mathrm{kg} 400 kg a velocidade constante de 1,5 m / s 1{,}5\ \mathrm{m/s} 1 , 5 m/s . Se o conjunto motor-cabo tem eficiência de 0,80 0{,}80 0 , 80 , qual a potência que o motor consome?
A velocidade é constante, então a tração iguala o peso, e a potência entregue à carga é
P sa ı ˊ da = T v = ( 400 ) ( 9,81 ) ( 1,5 ) = 5,89 k W P_{\text{saída}} = T v = (400)(9{,}81)(1{,}5) = 5{,}89\ \mathrm{kW} P sa ı ˊ da = T v = ( 400 ) ( 9 , 81 ) ( 1 , 5 ) = 5 , 89 kW P entrada = 5,89 0,80 = 7,36 k W ≈ 9,9 h p P_{\text{entrada}} = \frac{5{,}89}{0{,}80} = 7{,}36\ \mathrm{kW} \approx 9{,}9\ \mathrm{hp} P entrada = 0 , 80 5 , 89 = 7 , 36 kW ≈ 9 , 9 hp
18 Impulso e momento linearA ideia. A unidade anterior integrou a 2ª lei no espaço e obteve energia. Agora integre no tempo , e sai o outro grande teorema da cadeira. A diferença prática: energia é escalar e perde a informação de tempo; momento linear é vetorial e é justamente o que serve quando o enunciado fala de duração, de choque ou de dois corpos que interagem.
O que é cada símbolo
L = m v \mathbf{L} = m\mathbf{v} L = m v — momento linear (ou quantidade de movimento), em k g ⋅ m / s \mathrm{kg\cdot m/s} kg ⋅ m/s ;
∫ F d t \displaystyle\int \mathbf{F}\,dt ∫ F d t — impulso da força, em N ⋅ s \mathrm{N\cdot s} N ⋅ s — mesma unidade, e não é coincidência;
F m e ˊ d \mathbf{F}_{\text{méd}} F m e ˊ d — força média durante o intervalo, quando não se conhece F ( t ) \mathbf{F}(t) F ( t ) .
m v 1 + ∑ ∫ t 1 t 2 F d t = m v 2 m\mathbf{v}_1 + \sum \int_{t_1}^{t_2} \mathbf{F}\,dt = m\mathbf{v}_2 m v 1 + ∑ ∫ t 1 t 2 F d t = m v 2 Sendo vetorial, essa equação vale componente por componente — e é assim que se usa: uma equação em x x x , outra em y y y . Perceber que uma das componentes tem impulso nulo (nenhuma força naquela direção) é o que resolve metade das questões.
Exemplo rápido — a força média do chute Uma bola de 0,42 k g 0{,}42\ \mathrm{kg} 0 , 42 kg chega a 12 m / s 12\ \mathrm{m/s} 12 m/s e sai na direção oposta a 18 m / s 18\ \mathrm{m/s} 18 m/s . O contato dura 8,0 m s 8{,}0\ \mathrm{ms} 8 , 0 ms . Qual a força média?
Adotando positivo o sentido de saída, v 1 = − 12 v_1 = -12 v 1 = − 12 e v 2 = + 18 v_2 = +18 v 2 = + 18 :
F m e ˊ d = m ( v 2 − v 1 ) Δ t = 0,42 ( 18 − ( − 12 ) ) 0,0080 = 1,6 k N F_{\text{méd}} = \frac{m(v_2 - v_1)}{\Delta t} = \frac{0{,}42\,(18 - (-12))}{0{,}0080} = 1{,}6\ \mathrm{kN} F m e ˊ d = Δ t m ( v 2 − v 1 ) = 0 , 0080 0 , 42 ( 18 − ( − 12 )) = 1 , 6 kN O sinal de v 1 v_1 v 1 é toda a questão: quem soma em vez de subtrair acha 315 N 315\ \mathrm{N} 315 N e erra por um fator 5.
19 Conservação do momento linear em um sistema de partículasA ideia. Some a equação do impulso para todas as partículas de um sistema. Pela 3ª lei, as forças que elas exercem umas nas outras aparecem em pares opostos e se cancelam aos pares. Sobra só o impulso das forças externas — e se ele for nulo numa direção, o momento total naquela direção é o mesmo antes e depois. Não importa o que aconteceu no meio: explosão, choque, mola liberada, corda que se parte.
O que é cada símbolo
∑ m i v i \sum m_i \mathbf{v}_i ∑ m i v i — momento total do sistema;
linha (′ ' ′ ) — grandeza depois do evento, notação das provas da POLI;
v G \mathbf{v}_G v G — velocidade do centro de massa do sistema.
∑ m i ( v i ) 1 = ∑ m i ( v i ) 2 se ∑ ∫ F ext d t = 0 \sum m_i (\mathbf{v}_i)_1 = \sum m_i (\mathbf{v}_i)_2
\qquad\text{se}\qquad
\sum \int \mathbf{F}_{\text{ext}}\,dt = \mathbf{0} ∑ m i ( v i ) 1 = ∑ m i ( v i ) 2 se ∑ ∫ F ext d t = 0 Macete de prova Conserva mesmo com peso e atrito atuando? Sim — desde que o evento seja rápido . Durante o milissegundo de um choque, a força de contato é enorme e o peso é desprezível diante dela: ∫ W d t ≈ 0 \int W\,dt \approx 0 ∫ W d t ≈ 0 . É essa a licença que o enunciado dá quando diz “durante essa rápida colisão, o sistema é considerado isolado” (a Q1 do 2º EE de 2025.1 escreve exatamente isso).
Fora do instante do choque, o atrito volta a valer normalmente. A questão fica em três etapas: cinemática com atrito até o encontro → conservação no choque → cinemática com atrito até parar.
O centro de massa não sabe que houve explosão Se o impulso externo é nulo, v G \mathbf{v}_G v G não muda. Um projétil que explode em pleno ar tem os fragmentos voando para todo lado, mas o centro de massa deles continua na parábola original. Isso resolve na hora as questões de “determine a posição do fragmento B” — foi a Q3 do 2º EE de 2022.2.
Exemplo rápido — a mola entre os dois blocos Dois blocos, 2,0 2{,}0 2 , 0 e 3,0 k g 3{,}0\ \mathrm{kg} 3 , 0 kg , em repouso sobre uma mesa lisa, com uma mola comprimida entre eles guardando 60 J 60\ \mathrm{J} 60 J . A mola é solta. Quais as velocidades?
Momento inicial nulo, logo o final também:
0 = 2 v A ′ + 3 v B ′ ⟹ v A ′ = − 1,5 v B ′ 0 = 2v_A' + 3v_B' \quad\Longrightarrow\quad v_A' = -1{,}5\,v_B' 0 = 2 v A ′ + 3 v B ′ ⟹ v A ′ = − 1 , 5 v B ′ e a energia da mola vai toda para as cinéticas:
60 = 1 2 ( 2 ) ( 1,5 v B ′ ) 2 + 1 2 ( 3 ) ( v B ′ ) 2 = 3,75 ( v B ′ ) 2 60 = \tfrac{1}{2}(2)(1{,}5v_B')^2 + \tfrac{1}{2}(3)(v_B')^2 = 3{,}75\,(v_B')^2 60 = 2 1 ( 2 ) ( 1 , 5 v B ′ ) 2 + 2 1 ( 3 ) ( v B ′ ) 2 = 3 , 75 ( v B ′ ) 2 v B ′ = 4,0 m / s v A ′ = − 6,0 m / s v_B' = 4{,}0\ \mathrm{m/s} \qquad v_A' = -6{,}0\ \mathrm{m/s} v B ′ = 4 , 0 m/s v A ′ = − 6 , 0 m/s O bloco leve sai mais rápido, na razão inversa das massas. É o mesmo esqueleto da Q3 do 2º EE de 2023.1, com os dois hemisférios.
20 Colisão central direta: o coeficiente de restituiçãoA ideia. Numa colisão, o momento se conserva, mas a energia não — parte dela vira calor e deformação permanente. Falta então uma segunda equação, e ela não sai da física básica: é uma medida experimental de quanto os corpos “devolvem”. Esse número é o coeficiente de restituição, e ele é o que fecha o sistema de duas incógnitas.
O que é cada símbolo
e e e — coeficiente de restituição , 0 ≤ e ≤ 1 0 \le e \le 1 0 ≤ e ≤ 1 ;
e = 1 e = 1 e = 1 — colisão perfeitamente elástica : energia cinética também se conserva;
e = 0 e = 0 e = 0 — colisão perfeitamente inelástica (ou plástica): os corpos saem juntos , com a mesma velocidade;
linha de impacto — a reta que une os centros no instante do contato; é ao longo dela que e e e vale.
m A v A + m B v B = m A v A ′ + m B v B ′ e = v B ′ − v A ′ v A − v B m_A v_A + m_B v_B = m_A v_A' + m_B v_B'
\qquad\qquad
e = \frac{v_B' - v_A'}{v_A - v_B} m A v A + m B v B = m A v A ′ + m B v B ′ e = v A − v B v B ′ − v A ′ A definição de e e e é velocidade relativa de afastamento sobre velocidade relativa de aproximação . Escrita assim, com o numerador “depois” e o denominador “antes”, ela nunca fica com o sinal trocado — desde que você fixe um sentido positivo e mantenha os sinais de v A v_A v A e v B v_B v B nele.
O erro de sinal aqui é o mais caro da unidade: derruba as duas incógnitas de uma vez.
Macete de prova Inelástica (e = 0 e = 0 e = 0 ) tem atalho. Os corpos saem juntos, então basta a conservação do momento com uma única incógnita:
v ′ = m A v A + m B v B m A + m B v' = \frac{m_A v_A + m_B v_B}{m_A + m_B} v ′ = m A + m B m A v A + m B v B E a energia perdida é a diferença entre as cinéticas, que você calcula depois — nunca antes. Perda de energia é resultado , não dado.
Exemplo rápido — bloco contra bloco preso a uma mola Este é o esqueleto da Q2 do 2º EE de 2023.1. Blocos A A A e B B B de 2,0 k g 2{,}0\ \mathrm{kg} 2 , 0 kg cada, mesa lisa, B B B parado contra uma mola de k = 60 N / m k = 60\ \mathrm{N/m} k = 60 N/m . A A A chega a 4,0 m / s 4{,}0\ \mathrm{m/s} 4 , 0 m/s e colide com e = 0,7 e = 0{,}7 e = 0 , 7 .
Momento (massas iguais cortam):
4,0 = v A ′ + v B ′ 4{,}0 = v_A' + v_B' 4 , 0 = v A ′ + v B ′ Restituição:
0,7 = v B ′ − v A ′ 4,0 ⟹ v B ′ − v A ′ = 2,8 0{,}7 = \frac{v_B' - v_A'}{4{,}0} \quad\Longrightarrow\quad v_B' - v_A' = 2{,}8 0 , 7 = 4 , 0 v B ′ − v A ′ ⟹ v B ′ − v A ′ = 2 , 8 Somando: v B ′ = 3,4 m / s v_B' = 3{,}4\ \mathrm{m/s} v B ′ = 3 , 4 m/s e v A ′ = 0,60 m / s v_A' = 0{,}60\ \mathrm{m/s} v A ′ = 0 , 60 m/s , ambos para a direita. Só agora entra a energia, e só para o bloco B B B depois do choque:
1 2 ( 2,0 ) ( 3,4 ) 2 = 1 2 ( 60 ) x 2 ⟹ x = 0,62 m \tfrac{1}{2}(2{,}0)(3{,}4)^2 = \tfrac{1}{2}(60)\,x^2
\quad\Longrightarrow\quad
x = 0{,}62\ \mathrm{m} 2 1 ( 2 , 0 ) ( 3 , 4 ) 2 = 2 1 ( 60 ) x 2 ⟹ x = 0 , 62 m A ordem importa: energia não vale durante a colisão, vale depois dela.
21 Colisão oblíqua: separar na linha de impactoA ideia. Quando as velocidades não estão alinhadas com a reta que une os centros, a colisão tem duas direções, e cada uma obedece a uma regra diferente. Todo o método é: achar a linha de impacto, girar os eixos para ela, e tratar as duas direções separadamente.
O que é cada símbolo
n n n — direção normal , ao longo da linha de impacto;
t t t — direção tangencial , perpendicular à linha de impacto;
θ \theta θ — ângulo entre a velocidade e a linha de impacto.
Na direção n n n valem as duas equações da seção anterior:
m A ( v A n ) + m B ( v B n ) = m A ( v A n ′ ) + m B ( v B n ′ ) e = v B n ′ − v A n ′ v A n − v B n m_A (v_{An}) + m_B (v_{Bn}) = m_A (v_{An}') + m_B (v_{Bn}')
\qquad
e = \frac{v_{Bn}' - v_{An}'}{v_{An} - v_{Bn}} m A ( v A n ) + m B ( v B n ) = m A ( v A n ′ ) + m B ( v B n ′ ) e = v A n − v B n v B n ′ − v A n ′ Na direção t t t , para esferas lisas, não há força de impulso , e portanto o momento de cada corpo separadamente se conserva:
( v A t ) = ( v A t ′ ) ( v B t ) = ( v B t ′ ) (v_{At}) = (v_{At}') \qquad\qquad (v_{Bt}) = (v_{Bt}') ( v A t ) = ( v A t ′ ) ( v B t ) = ( v B t ′ ) Macete de prova Quatro equações, quatro incógnitas — sempre, em toda colisão oblíqua de esferas lisas. Duas na normal (momento do sistema e restituição) e uma por corpo na tangencial. Se você não achou quatro, faltou escrever alguma.
E a parte que a prova esconde: descobrir a direção da linha de impacto pela geometria . Na Q2 do 2º EE de 2022.2, o enunciado diz que B B B sai na horizontal — e como B B B estava parada, sua velocidade de saída é forçosamente ao longo da linha de impacto, o que fixa a geometria toda. Bola parada que é atingida sai sempre na direção da linha de impacto : esse é o gancho.
Exemplo rápido — bola contra parede Uma bola chega a uma parede lisa a 10 m / s 10\ \mathrm{m/s} 10 m/s , fazendo 30 ∘ 30^\circ 3 0 ∘ com a parede, e e = 0,80 e = 0{,}80 e = 0 , 80 . Qual a velocidade de saída e o ângulo?
A linha de impacto é perpendicular à parede. Componentes de chegada: v n = 10 sin 30 ∘ = 5,0 v_n = 10\sin 30^\circ = 5{,}0 v n = 10 sin 3 0 ∘ = 5 , 0 (contra a parede) e v t = 10 cos 30 ∘ = 8,66 v_t = 10\cos 30^\circ = 8{,}66 v t = 10 cos 3 0 ∘ = 8 , 66 .
A parede tem massa infinita, então a conservação do momento não dá nada útil — sobra só a restituição, e ela se reduz a v n ′ = e v n v_n' = e\,v_n v n ′ = e v n :
v n ′ = 0,80 × 5,0 = 4,0 v t ′ = 8,66 (intacta) v_n' = 0{,}80 \times 5{,}0 = 4{,}0 \qquad v_t' = 8{,}66\ \ \text{(intacta)} v n ′ = 0 , 80 × 5 , 0 = 4 , 0 v t ′ = 8 , 66 (intacta) v ′ = 4,0 2 + 8,66 2 = 9,5 m / s θ ′ = arctan 4,0 8,66 = 24,8 ∘ v' = \sqrt{4{,}0^2 + 8{,}66^2} = 9{,}5\ \mathrm{m/s}
\qquad
\theta' = \arctan\frac{4{,}0}{8{,}66} = 24{,}8^\circ v ′ = 4 , 0 2 + 8 , 6 6 2 = 9 , 5 m/s θ ′ = arctan 8 , 66 4 , 0 = 24 , 8 ∘ O ângulo de saída é menor que o de chegada: só a componente normal foi amortecida. Por isso bola quicando em rampa “escorrega” para frente a cada quique.
22 Momento angular e forças centraisA ideia. Existe uma terceira quantidade conservada, e ela é a que serve para movimento em torno de um ponto: satélite, haste girando, partícula amarrada a um fio que passa por um furo. Se a força passa pelo ponto de referência, ela não tem braço, não produz momento — e o momento angular em relação a ele fica constante.
O que é cada símbolo
H O = r × m v \mathbf{H}_O = \mathbf{r} \times m\mathbf{v} H O = r × m v — momento angular em relação ao ponto O O O ;
∑ M O \sum \mathbf{M}_O ∑ M O — soma dos momentos das forças em relação a O O O ;
força central — força cuja linha de ação passa sempre por um ponto fixo.
∑ M O = H ˙ O ( H O ) 1 + ∑ ∫ t 1 t 2 M O d t = ( H O ) 2 \sum \mathbf{M}_O = \dot{\mathbf{H}}_O
\qquad\qquad
(H_O)_1 + \sum\int_{t_1}^{t_2} M_O\,dt = (H_O)_2 ∑ M O = H ˙ O ( H O ) 1 + ∑ ∫ t 1 t 2 M O d t = ( H O ) 2 Para movimento plano, o módulo tem a forma que se usa na prática:
H O = m v d = m r 2 θ ˙ H_O = m\,v\,d = m\,r^2\dot\theta H O = m v d = m r 2 θ ˙ com d d d a distância perpendicular de O O O à linha da velocidade. A segunda forma, com r 2 θ ˙ r^2\dot\theta r 2 θ ˙ , é a que casa com as coordenadas polares da seção 09.
Macete de prova Como reconhecer que é problema de momento angular: o enunciado tem um ponto fixo, a força aponta para ele (ou o fio passa por ele), e a pergunta relaciona duas distâncias diferentes ao centro . Se o raio muda e a velocidade tangencial também, é H O H_O H O constante:
m v 1 d 1 = m v 2 d 2 m v_1 d_1 = m v_2 d_2 m v 1 d 1 = m v 2 d 2 A bailarina que fecha os braços e gira mais rápido é isso; o fio que é puxado por um furo na mesa é isso; a órbita elíptica é isso.
Exemplo rápido — o fio puxado pelo furo Uma esfera de 0,50 k g 0{,}50\ \mathrm{kg} 0 , 50 kg gira sobre uma mesa lisa a r 1 = 0,60 m r_1 = 0{,}60\ \mathrm{m} r 1 = 0 , 60 m com v 1 = 3,0 m / s v_1 = 3{,}0\ \mathrm{m/s} v 1 = 3 , 0 m/s , presa a um fio que passa por um furo no centro. O fio é puxado até r 2 = 0,20 m r_2 = 0{,}20\ \mathrm{m} r 2 = 0 , 20 m . Qual a nova velocidade?
A tração do fio é radial: passa pelo furo, momento nulo em relação a ele. Logo H O H_O H O se conserva:
v 2 = v 1 r 1 r 2 = 3,0 × 0,60 0,20 = 9,0 m / s v_2 = v_1\frac{r_1}{r_2} = 3{,}0 \times \frac{0{,}60}{0{,}20} = 9{,}0\ \mathrm{m/s} v 2 = v 1 r 2 r 1 = 3 , 0 × 0 , 20 0 , 60 = 9 , 0 m/s A energia cinética passou de 2,25 J 2{,}25\ \mathrm{J} 2 , 25 J para 20,3 J 20{,}3\ \mathrm{J} 20 , 3 J — e não há contradição: quem puxou o fio fez esse trabalho. Momento angular conserva, energia não.
23 Do ponto material ao corpo rígido: translação e rotaçãoA ideia. Até aqui todo corpo era um ponto: tinha massa e posição, e pronto. Um corpo rígido tem tamanho e orientação — pode girar. E girando, cada ponto dele tem uma velocidade diferente. A boa notícia é que a orientação de um corpo rígido no plano se descreve com um único número , o ângulo θ \theta θ , e por isso todo o movimento plano cabe em três coordenadas: x G x_G x G , y G y_G y G e θ \theta θ .
O que é cada símbolo
ω = θ ˙ k \boldsymbol{\omega} = \dot\theta\,\mathbf{k} ω = θ ˙ k — velocidade angular , em r a d / s \mathrm{rad/s} rad/s ; é a mesma para todos os pontos do corpo;
α = θ ¨ k \boldsymbol{\alpha} = \ddot\theta\,\mathbf{k} α = θ ¨ k — aceleração angular , em r a d / s 2 \mathrm{rad/s^2} rad/ s 2 ;
G G G — centro de massa;
r B / A \mathbf{r}_{B/A} r B / A — vetor posição de B B B em relação a A A A , ambos pontos do mesmo corpo.
Os três movimentos planos Translação — ω = 0 \omega = 0 ω = 0 : todos os pontos têm a mesma velocidade e a mesma aceleração. O corpo é, para todos os efeitos, um ponto material. Nada de novo.
Rotação em torno de eixo fixo — existe um ponto do corpo que não se move. Para um ponto P P P a uma distância r r r do eixo:
v = ω r a t = α r a n = ω 2 r v = \omega r
\qquad
a_t = \alpha r
\qquad
a_n = \omega^2 r v = ω r a t = α r a n = ω 2 r Movimento plano geral — a soma dos dois: o corpo translada e gira ao mesmo tempo. Biela, cremalheira, roda que rola, escada escorregando na parede. É o caso das provas.
As fórmulas da rotação de eixo fixo são as mesmas três da seção 08 (componentes normal e tangencial), reescritas com ω \omega ω em vez de v v v . Não é analogia: um ponto de corpo em rotação descreve uma circunferência de raio r r r , então a n = v 2 / r = ( ω r ) 2 / r = ω 2 r a_n = v^2/r = (\omega r)^2/r = \omega^2 r a n = v 2 / r = ( ω r ) 2 / r = ω 2 r . Nada novo foi inventado.
E as equações de θ ( t ) \theta(t) θ ( t ) com α \alpha α constante são as três da cinemática retilínea com as letras trocadas:
ω = ω 0 + α t θ = θ 0 + ω 0 t + 1 2 α t 2 ω 2 = ω 0 2 + 2 α ( θ − θ 0 ) \omega = \omega_0 + \alpha t
\qquad
\theta = \theta_0 + \omega_0 t + \tfrac{1}{2}\alpha t^2
\qquad
\omega^2 = \omega_0^2 + 2\alpha(\theta - \theta_0) ω = ω 0 + α t θ = θ 0 + ω 0 t + 2 1 α t 2 ω 2 = ω 0 2 + 2 α ( θ − θ 0 ) Exemplo rápido — engrenagens em contato Duas engrenagens em contato têm o mesmo v v v no ponto de contato — se não tivessem, os dentes escorregariam. Daí sai a relação de transmissão:
ω A r A = ω B r B \omega_A r_A = \omega_B r_B ω A r A = ω B r B É o que resolve a Q4 do 2º EE de 2022.2: com ω A B = 20 r a d / s \omega_{AB} = 20\ \mathrm{rad/s} ω A B = 20 rad/s e os raios 120 120 120 e 50 m m 50\ \mathrm{mm} 50 mm ,
ω B = 20 × 120 50 = 48 r a d / s \omega_B = 20 \times \frac{120}{50} = 48\ \mathrm{rad/s} ω B = 20 × 50 120 = 48 rad/s e o sinal se inverte, porque as engrenagens giram em sentidos opostos: ω B = − 48 k \boldsymbol{\omega}_B = -48\,\mathbf{k} ω B = − 48 k .
24 Análise de velocidade relativa: a equação que resolve todo mecanismoA ideia. Pegue dois pontos do mesmo corpo rígido. A distância entre eles não muda — é isso que “rígido” significa. Logo, visto de A A A , o ponto B B B só pode fazer uma coisa: girar em volta dele. Essa observação é a equação mais importante da unidade.
O que é cada símbolo
v A \mathbf{v}_A v A , v B \mathbf{v}_B v B — velocidades absolutas de dois pontos do mesmo corpo;
ω × r B / A \boldsymbol{\omega} \times \mathbf{r}_{B/A} ω × r B / A — a parcela de rotação: perpendicular a r B / A \mathbf{r}_{B/A} r B / A , de módulo ω r B / A \omega\,r_{B/A} ω r B / A .
v B = v A + ω × r B / A \mathbf{v}_B = \mathbf{v}_A + \boldsymbol{\omega} \times \mathbf{r}_{B/A} v B = v A + ω × r B / A Macete de prova O roteiro, sempre o mesmo — e é vetorial, não escalar. Escreva cada vetor em componentes, iguale x x x com x x x e y y y com y y y , e resolva o sistema 2 × 2 2\times2 2 × 2 . Duas equações, duas incógnitas.
O que a prova cobra é a etapa anterior: descobrir a direção de cada velocidade pela geometria do vínculo.
pino num trilho, guia ou cursor → a velocidade é ao longo do trilho ;
pino fixo → velocidade nula ;
roda que rola sem escorregar → o ponto de contato tem velocidade nula ;
extremidade encostada numa parede → velocidade paralela à parede .
Na Q4 da 2ª chamada do 2º EE, a haste A B AB A B tem B B B num cursor vertical (v B \mathbf{v}_B v B vertical, dada) e A A A num plano a 25 ∘ 25^\circ 2 5 ∘ (v A \mathbf{v}_A v A com direção conhecida, módulo incógnito). Com ω A B \omega_{AB} ω A B como segunda incógnita, o sistema fecha.
A ordem do produto vetorial ω × r B / A \boldsymbol{\omega} \times \mathbf{r}_{B/A} ω × r B / A , nunca r B / A × ω \mathbf{r}_{B/A} \times \boldsymbol{\omega} r B / A × ω — inverter troca o sinal e a resposta inteira. E r B / A \mathbf{r}_{B/A} r B / A vai de A A A para B B B (o de baixo é a origem da flecha).
Com ω = ω k \boldsymbol{\omega} = \omega\mathbf{k} ω = ω k e r = x i + y j \mathbf{r} = x\mathbf{i} + y\mathbf{j} r = x i + y j , o produto sai direto:
ω k × ( x i + y j ) = ω x j − ω y i \omega\mathbf{k} \times (x\mathbf{i} + y\mathbf{j}) = \omega x\,\mathbf{j} - \omega y\,\mathbf{i} ω k × ( x i + y j ) = ω x j − ω y i Vale memorizar nessa forma: economiza montar o determinante em cada item.
Exemplo rápido — a escada escorregando Uma escada de 4,0 m 4{,}0\ \mathrm{m} 4 , 0 m tem o topo B B B apoiado numa parede vertical e o pé A A A no chão. O pé desliza a 2,0 m / s 2{,}0\ \mathrm{m/s} 2 , 0 m/s , afastando-se da parede, no instante em que a escada faz 60 ∘ 60^\circ 6 0 ∘ com o chão. Determine ω \omega ω e v B v_B v B .
Ponha a origem no pé da parede, com x x x para a direita (o sentido em que A A A vai). Então A A A está em ( 4 cos 60 ∘ , 0 ) = ( 2,0 ; 0 ) (4\cos 60^\circ,\,0) = (2{,}0;\,0) ( 4 cos 6 0 ∘ , 0 ) = ( 2 , 0 ; 0 ) e B B B em ( 0 ; 4 sin 60 ∘ ) = ( 0 ; 3,46 ) (0;\,4\sin 60^\circ) = (0;\,3{,}46) ( 0 ; 4 sin 6 0 ∘ ) = ( 0 ; 3 , 46 ) , de modo que
r B / A = − 2,0 i + 3,46 j \mathbf{r}_{B/A} = -2{,}0\,\mathbf{i} + 3{,}46\,\mathbf{j} r B / A = − 2 , 0 i + 3 , 46 j Os vínculos dão as direções: v A = 2,0 i \mathbf{v}_A = 2{,}0\,\mathbf{i} v A = 2 , 0 i (chão) e v B = v B j \mathbf{v}_B = v_B\,\mathbf{j} v B = v B j (parede). Substituindo:
v B j = 2,0 i + ω k × ( − 2,0 i + 3,46 j ) = ( 2,0 − 3,46 ω ) i − 2,0 ω j v_B\,\mathbf{j} = 2{,}0\,\mathbf{i} + \omega\mathbf{k}\times(-2{,}0\,\mathbf{i} + 3{,}46\,\mathbf{j})
= (2{,}0 - 3{,}46\,\omega)\,\mathbf{i} - 2{,}0\,\omega\,\mathbf{j} v B j = 2 , 0 i + ω k × ( − 2 , 0 i + 3 , 46 j ) = ( 2 , 0 − 3 , 46 ω ) i − 2 , 0 ω j Em x x x : 0 = 2,0 − 3,46 ω ⇒ ω = 0,577 r a d / s 0 = 2{,}0 - 3{,}46\,\omega \Rightarrow \omega = 0{,}577\ \mathrm{rad/s} 0 = 2 , 0 − 3 , 46 ω ⇒ ω = 0 , 577 rad/s .
Em y y y : v B = − 2,0 × 0,577 = − 1,15 m / s v_B = -2{,}0 \times 0{,}577 = -1{,}15\ \mathrm{m/s} v B = − 2 , 0 × 0 , 577 = − 1 , 15 m/s — negativo, isto é, o topo desce a 1,15 m / s 1{,}15\ \mathrm{m/s} 1 , 15 m/s , que é o que a física manda.
O sinal saiu certo porque os eixos foram fixados antes da álgebra. Trocar o lado da parede sem trocar r B / A \mathbf{r}_{B/A} r B / A inverte v B v_B v B e faz o topo subir: é o erro mais comum da unidade.
25 Centro instantâneo de rotaçãoA ideia. Todo corpo em movimento plano tem, em cada instante , um ponto com velocidade nula — real ou imaginário, dentro ou fora do corpo. Se você achar esse ponto, o movimento naquele instante é rotação pura em volta dele, e a equação de velocidade relativa colapsa para v = ω r v = \omega r v = ω r . Some o sistema linear: sobra uma multiplicação.
O que é cada símbolo
C I CI C I — centro instantâneo de velocidade nula;
r P / C I r_{P/CI} r P / C I — distância do ponto P P P ao centro instantâneo;
“instantâneo” é literal: o C I CI C I muda de lugar a cada instante.
v P = ω r P / C I v_P = \omega\,r_{P/CI} v P = ω r P / C I Macete de prova Como achar o C I CI C I : a velocidade de qualquer ponto é perpendicular à reta que o liga ao C I CI C I . Então trace, de dois pontos com direção de velocidade conhecida, as perpendiculares às suas velocidades. O cruzamento é o C I CI C I .
Três casos de uma vez:
roda que rola sem escorregar → o C I CI C I é o ponto de contato com o chão . Daí sai v G = ω R v_G = \omega R v G = ω R e, para o ponto mais alto, v = 2 ω R v = 2\omega R v = 2 ω R — o topo de um pneu anda o dobro do carro;
duas velocidades paralelas e de mesmo sentido → o C I CI C I está fora do segmento, achado por semelhança de triângulos;
duas velocidades paralelas e de sentidos opostos → o C I CI C I está entre os pontos.
Se as duas perpendiculares saem paralelas, o C I CI C I está no infinito: é translação, ω = 0 \omega = 0 ω = 0 .
Exemplo rápido — a mesma escada, em uma linha Escada de 4,0 m 4{,}0\ \mathrm{m} 4 , 0 m a 60 ∘ 60^\circ 6 0 ∘ , pé a 2,0 m / s 2{,}0\ \mathrm{m/s} 2 , 0 m/s . O pé anda na horizontal, então a perpendicular é vertical; o topo anda na vertical, então a perpendicular é horizontal. Cruzam no canto oposto, formando um retângulo com a escada como diagonal.
A distância do pé ao C I CI C I é a altura da parede, 4 sin 60 ∘ = 3,46 m 4\sin 60^\circ = 3{,}46\ \mathrm{m} 4 sin 6 0 ∘ = 3 , 46 m :
ω = v A r A / C I = 2,0 3,46 = 0,577 r a d / s \omega = \frac{v_A}{r_{A/CI}} = \frac{2{,}0}{3{,}46} = 0{,}577\ \mathrm{rad/s} ω = r A / C I v A = 3 , 46 2 , 0 = 0 , 577 rad/s v B = ω r B / C I = 0,577 × 4 cos 60 ∘ = 1,15 m / s v_B = \omega\,r_{B/CI} = 0{,}577 \times 4\cos 60^\circ = 1{,}15\ \mathrm{m/s} v B = ω r B / C I = 0 , 577 × 4 cos 6 0 ∘ = 1 , 15 m/s Mesma resposta do exemplo anterior, sem sistema nenhum, sem produto vetorial e sem risco de erro de sinal. Quando a questão pede só velocidade , é por aqui.
26 Análise de aceleração relativaA ideia. Derive a equação de velocidade relativa no tempo. Aparece um termo a mais que ninguém adivinha: além da parcela tangencial com α \alpha α , existe a centrípeta − ω 2 r -\omega^2\mathbf{r} − ω 2 r , que existe mesmo quando α = 0 \alpha = 0 α = 0 . Corpo girando a velocidade angular constante tem aceleração — apontando para o centro.
O que é cada símbolo
α × r B / A \boldsymbol{\alpha} \times \mathbf{r}_{B/A} α × r B / A — parcela tangencial , perpendicular a r B / A \mathbf{r}_{B/A} r B / A , módulo α r \alpha r α r ;
− ω 2 r B / A -\omega^2\mathbf{r}_{B/A} − ω 2 r B / A — parcela normal , apontando de B B B para A A A , módulo ω 2 r \omega^2 r ω 2 r .
a B = a A + α × r B / A − ω 2 r B / A \mathbf{a}_B = \mathbf{a}_A + \boldsymbol{\alpha} \times \mathbf{r}_{B/A} - \omega^2\,\mathbf{r}_{B/A} a B = a A + α × r B / A − ω 2 r B / A Macete de prova Sempre resolva a velocidade primeiro. A equação de aceleração traz ω 2 \omega^2 ω 2 dentro, então ela é inútil enquanto você não souber ω \omega ω . O roteiro é fixo:
análise de velocidade (relativa ou C I CI C I ) → acha ω \omega ω e as velocidades;
análise de aceleração com aquele ω \omega ω → acha α \alpha α e as acelerações.
E cuidado com o ponto de contato da roda que rola: sua velocidade é nula, mas sua aceleração é ω 2 R \omega^2 R ω 2 R para cima. É o contraexemplo que a prova adora.
Exemplo rápido — a roda que rola e acelera Uma roda de raio R = 0,30 m R = 0{,}30\ \mathrm{m} R = 0 , 30 m rola sem escorregar; o centro G G G anda a 4,0 m / s 4{,}0\ \mathrm{m/s} 4 , 0 m/s e acelera a 2,0 m / s 2 2{,}0\ \mathrm{m/s^2} 2 , 0 m/ s 2 . Quais ω \omega ω e α \alpha α ?
Rolamento sem escorregamento dá as duas relações de uma vez, derivando uma da outra:
ω = v G R = 4,0 0,30 = 13,3 r a d / s α = a G R = 2,0 0,30 = 6,67 r a d / s 2 \omega = \frac{v_G}{R} = \frac{4{,}0}{0{,}30} = 13{,}3\ \mathrm{rad/s}
\qquad
\alpha = \frac{a_G}{R} = \frac{2{,}0}{0{,}30} = 6{,}67\ \mathrm{rad/s^2} ω = R v G = 0 , 30 4 , 0 = 13 , 3 rad/s α = R a G = 0 , 30 2 , 0 = 6 , 67 rad/ s 2 Agora a aceleração do ponto de contato C C C , com r C / G = − R j \mathbf{r}_{C/G} = -R\mathbf{j} r C / G = − R j e a G = 2,0 i \mathbf{a}_G = 2{,}0\,\mathbf{i} a G = 2 , 0 i :
a C = 2,0 i + ( − 6,67 k ) × ( − 0,30 j ) − ( 13,3 ) 2 ( − 0,30 j ) \mathbf{a}_C = 2{,}0\,\mathbf{i} + (-6{,}67\,\mathbf{k})\times(-0{,}30\,\mathbf{j}) - (13{,}3)^2(-0{,}30\,\mathbf{j}) a C = 2 , 0 i + ( − 6 , 67 k ) × ( − 0 , 30 j ) − ( 13 , 3 ) 2 ( − 0 , 30 j ) O termo tangencial dá − 2,0 i -2{,}0\,\mathbf{i} − 2 , 0 i , que cancela exatamente a G \mathbf{a}_G a G — como tinha de ser, já que a velocidade do contato é sempre nula. Sobra a parcela normal:
a C = 53,3 j m / s 2 \mathbf{a}_C = 53{,}3\,\mathbf{j}\ \mathrm{m/s^2} a C = 53 , 3 j m/ s 2 Apontando para o centro da roda. Velocidade zero, aceleração de mais de 5 g.
27 Momento de inérciaA ideia. Massa mede a resistência de um corpo a ser acelerado em linha reta. Girar tem o seu equivalente, e ele depende não só de quanta massa existe, mas de quão longe do eixo ela está — porque a massa distante precisa percorrer mais caminho para o mesmo ângulo. Esse é o momento de inércia, e é a única grandeza nova da dinâmica do corpo rígido.
O que é cada símbolo
I I I — momento de inércia , em k g ⋅ m 2 \mathrm{kg\cdot m^2} kg ⋅ m 2 ;
I G I_G I G — momento de inércia em relação a um eixo pelo centro de massa ;
k k k — raio de giração : I = m k 2 I = mk^2 I = m k 2 , a distância a que toda a massa daria o mesmo I I I ;
d d d — distância entre o eixo pedido e o eixo paralelo por G G G .
I = ∫ r 2 d m I = I G + m d 2 I = \int r^2\,dm
\qquad\qquad
I = I_G + m d^2 I = ∫ r 2 d m I = I G + m d 2 A segunda é o teorema dos eixos paralelos , e é a fórmula que a prova usa de verdade: a tabela dá I G I_G I G , o problema pede em relação a outro ponto.
Macete de prova Corpo composto: some, não misture. Peça por peça, leve cada I G I_G I G ao eixo pedido com + m d 2 +m d^2 + m d 2 e some. Buraco conta como massa negativa — mesmo I G I_G I G , mesmo d 2 d^2 d 2 , sinal trocado.
Exemplo rápido — o pêndulo de barra Uma barra uniforme de 3,0 k g 3{,}0\ \mathrm{kg} 3 , 0 kg e 1,2 m 1{,}2\ \mathrm{m} 1 , 2 m gira em torno de um pino numa extremidade. Qual I I I em relação ao pino?
Pela tabela, I G = 1 12 ( 3,0 ) ( 1,2 ) 2 = 0,36 k g ⋅ m 2 I_G = \tfrac{1}{12}(3{,}0)(1{,}2)^2 = 0{,}36\ \mathrm{kg\cdot m^2} I G = 12 1 ( 3 , 0 ) ( 1 , 2 ) 2 = 0 , 36 kg ⋅ m 2 , com G G G no meio, a d = 0,60 m d = 0{,}60\ \mathrm{m} d = 0 , 60 m do pino:
I O = 0,36 + ( 3,0 ) ( 0,60 ) 2 = 1,44 k g ⋅ m 2 I_O = 0{,}36 + (3{,}0)(0{,}60)^2 = 1{,}44\ \mathrm{kg\cdot m^2} I O = 0 , 36 + ( 3 , 0 ) ( 0 , 60 ) 2 = 1 , 44 kg ⋅ m 2 que é o 1 3 m L 2 = 1 3 ( 3,0 ) ( 1,44 ) = 1,44 \tfrac{1}{3}mL^2 = \tfrac{1}{3}(3{,}0)(1{,}44) = 1{,}44 3 1 m L 2 = 3 1 ( 3 , 0 ) ( 1 , 44 ) = 1 , 44 da tabela. O teorema dos eixos paralelos e a linha da tabela são a mesma coisa — e é exatamente por isso que decorar as duas linhas é desperdício.
28 Equações do movimento planoA ideia. A 2ª lei de Newton, para um corpo com tamanho, vira três equações: duas de força, que dizem como o centro de massa translada, e uma de momento, que diz como o corpo gira. E o ponto que confunde todo mundo é este: as duas primeiras usam G G G , não o ponto onde a força é aplicada.
O que é cada símbolo
a G \mathbf{a}_G a G — aceleração do centro de massa ;
∑ M G \sum M_G ∑ M G — soma dos momentos das forças em relação a G G G ;
I G α I_G\alpha I G α — o análogo rotacional de m a m a ma .
∑ F x = m ( a G ) x ∑ F y = m ( a G ) y ∑ M G = I G α \sum F_x = m\,(a_G)_x
\qquad
\sum F_y = m\,(a_G)_y
\qquad
\sum M_G = I_G\,\alpha ∑ F x = m ( a G ) x ∑ F y = m ( a G ) y ∑ M G = I G α Macete de prova Três equações, e a incógnita a mais vem do vínculo. Quase sempre aparecem quatro incógnitas (duas reações, a G a_G a G e α \alpha α ), e a quarta equação é a cinemática do vínculo :
roda que rola sem escorregar : a G = α R a_G = \alpha R a G = α R — e o atrito é estático , de valor desconhecido, limitado por μ e N \mu_e N μ e N ;
roda que escorrega : a G a_G a G e α \alpha α são independentes, mas agora o atrito é conhecido: F = μ c N F = \mu_c N F = μ c N ;
corpo pendurado num pino: a G = α O G ‾ a_G = \alpha\,\overline{OG} a G = α O G , com o pino como centro.
Escolher errado entre “rola” e “escorrega” é o erro que zera a questão. O teste: resolva supondo que rola, ache o atrito necessário, e compare com μ e N \mu_e N μ e N . Se passou do limite, refaça supondo que escorrega.
∑ M A = I G α + m a G d \sum M_A = I_G\alpha + m\,a_G\,d ∑ M A = I G α + m a G d para um ponto A A A qualquer, com d d d o braço de m a G m\mathbf{a}_G m a G em relação a A A A . Tomar momentos num ponto onde passa uma reação elimina aquela reação da equação — o mesmo truque da Estática, e vale a pena sempre.
Exemplo rápido — o cilindro que rola pela rampa Um cilindro cheio de massa m m m e raio R R R rola sem escorregar por uma rampa de inclinação θ \theta θ . Qual a aceleração do centro?
Ao longo da rampa: m g sin θ − F = m a G mg\sin\theta - F = m a_G m g sin θ − F = m a G . Momentos em G G G , onde só o atrito tem braço: F R = I G α = 1 2 m R 2 α F R = I_G \alpha = \tfrac{1}{2}mR^2\alpha F R = I G α = 2 1 m R 2 α . E o vínculo: a G = α R a_G = \alpha R a G = α R .
Da segunda com a terceira, F = 1 2 m a G F = \tfrac{1}{2}m a_G F = 2 1 m a G . Substituindo na primeira:
a G = g sin θ 1 + 1 2 = 2 3 g sin θ a_G = \frac{g\sin\theta}{1 + \tfrac{1}{2}} = \tfrac{2}{3}\,g\sin\theta a G = 1 + 2 1 g sin θ = 3 2 g sin θ Menos que o g sin θ g\sin\theta g sin θ de um bloco deslizando sem atrito — parte do “empurrão” do peso foi gasta em pôr o cilindro a girar. Um anel, com I G = m R 2 I_G = mR^2 I G = m R 2 , desceria a 1 2 g sin θ \tfrac{1}{2}g\sin\theta 2 1 g sin θ : mais lento ainda, e independente da massa e do raio nos dois casos.
29 Trabalho e energia no corpo rígidoA ideia. Os dois teoremas da 3ª e da 4ª unidade valem para corpo rígido sem mudança nenhuma de estrutura — só ganham um termo. A energia cinética passa a ter duas parcelas: a de transladar o centro de massa e a de girar em volta dele. E é esse termo extra que faz a questão de rampa com cilindro dar um número diferente do bloco.
O que é cada símbolo
1 2 m v G 2 \tfrac{1}{2}m v_G^2 2 1 m v G 2 — parcela de translação ;
1 2 I G ω 2 \tfrac{1}{2}I_G \omega^2 2 1 I G ω 2 — parcela de rotação ;
M θ M\theta M θ — trabalho de um momento constante, com θ \theta θ em radianos.
T = 1 2 m v G 2 + 1 2 I G ω 2 U 1 → 2 M = ∫ θ 1 θ 2 M d θ T = \tfrac{1}{2}m v_G^2 + \tfrac{1}{2}I_G \omega^2
\qquad\qquad
U_{1\to2}^{M} = \int_{\theta_1}^{\theta_2} M\,d\theta T = 2 1 m v G 2 + 2 1 I G ω 2 U 1 → 2 M = ∫ θ 1 θ 2 M d θ E o teorema, idêntico ao da seção 14:
T 1 + ∑ U 1 → 2 = T 2 T_1 + \sum U_{1\to2} = T_2 T 1 + ∑ U 1 → 2 = T 2 Macete de prova Rolamento sem escorregamento tem forma fechada. Com v G = ω R v_G = \omega R v G = ω R e I G = β m R 2 I_G = \beta m R^2 I G = β m R 2 :
T = 1 2 m v G 2 ( 1 + β ) T = \tfrac{1}{2}m v_G^2 (1 + \beta) T = 2 1 m v G 2 ( 1 + β ) Então descer uma altura h h h dá
v G = 2 g h 1 + β v_G = \sqrt{\frac{2gh}{1 + \beta}} v G = 1 + β 2 g h Cilindro cheio (β = 1 2 \beta = \tfrac12 β = 2 1 ): v G = 4 g h / 3 v_G = \sqrt{4gh/3} v G = 4 g h /3 . Anel (β = 1 \beta = 1 β = 1 ): v G = g h v_G = \sqrt{gh} v G = g h . Bloco sem atrito (β = 0 \beta = 0 β = 0 ): v G = 2 g h v_G = \sqrt{2gh} v G = 2 g h . Essa fórmula é o atalho da última questão de prova — e lembre que o atrito estático do rolamento não aparece nela, porque não trabalha.
Exemplo rápido — cilindro na rampa e a normal na curva Este é o esqueleto da Q3 do 2º EE de 2025.1. Um cilindro de 2,0 k g 2{,}0\ \mathrm{kg} 2 , 0 kg parte do repouso e desce rolando de h = 20 m h = 20\ \mathrm{m} h = 20 m ; depois sobe uma ladeira de perfil y = 0,2 x 2 y = 0{,}2x^2 y = 0 , 2 x 2 . Qual a normal em x = 5 m x = 5\ \mathrm{m} x = 5 m ?
Energia primeiro, para achar a velocidade ali. A altura em x = 5 x = 5 x = 5 é y = 0,2 ( 25 ) = 5,0 m y = 0{,}2(25) = 5{,}0\ \mathrm{m} y = 0 , 2 ( 25 ) = 5 , 0 m , então caiu 15 m 15\ \mathrm{m} 15 m no total:
v G 2 = 2 g ( 20 − 5 ) 1 + 1 2 = 2 ( 9,81 ) ( 15 ) 1,5 = 196,2 ⟹ v G = 14,0 m / s v_G^2 = \frac{2g(20 - 5)}{1 + \tfrac12} = \frac{2(9{,}81)(15)}{1{,}5} = 196{,}2 \quad\Longrightarrow\quad v_G = 14{,}0\ \mathrm{m/s} v G 2 = 1 + 2 1 2 g ( 20 − 5 ) = 1 , 5 2 ( 9 , 81 ) ( 15 ) = 196 , 2 ⟹ v G = 14 , 0 m/s Newton depois, na direção normal à trajetória. Da geometria da parábola, y ′ = 0,4 x = 2,0 y' = 0{,}4x = 2{,}0 y ′ = 0 , 4 x = 2 , 0 em x = 5 x = 5 x = 5 , logo a tangente faz θ = arctan 2,0 = 63,4 ∘ \theta = \arctan 2{,}0 = 63{,}4^\circ θ = arctan 2 , 0 = 63 , 4 ∘ ; e o raio de curvatura, pela fórmula da seção 08:
ρ = [ 1 + ( y ′ ) 2 ] 3 / 2 ∣ y ′ ′ ∣ = ( 1 + 4 ) 3 / 2 0,4 = 27,95 m \rho = \frac{\left[1 + (y')^2\right]^{3/2}}{|y''|} = \frac{(1 + 4)^{3/2}}{0{,}4} = 27{,}95\ \mathrm{m} ρ = ∣ y ′′ ∣ [ 1 + ( y ′ ) 2 ] 3/2 = 0 , 4 ( 1 + 4 ) 3/2 = 27 , 95 m A parábola é côncava para cima e o cilindro anda por cima dela: o centro de curvatura está acima da pista, então a aceleração centrípeta aponta para cima. Nessa direção, a normal empurra para cima e a componente do peso, para baixo:
N − m g cos θ = m v G 2 ρ N - mg\cos\theta = m\frac{v_G^2}{\rho} N − m g cos θ = m ρ v G 2 N = 2,0 ( 9,81 cos 63,4 ∘ + 196,2 27,95 ) = 2,0 ( 4,39 + 7,02 ) = 22,8 N N = 2{,}0\left(9{,}81\cos 63{,}4^\circ + \frac{196{,}2}{27{,}95}\right) = 2{,}0\,(4{,}39 + 7{,}02) = 22{,}8\ \mathrm{N} N = 2 , 0 ( 9 , 81 cos 63 , 4 ∘ + 27 , 95 196 , 2 ) = 2 , 0 ( 4 , 39 + 7 , 02 ) = 22 , 8 N Maior que o peso (19,6 N 19{,}6\ \mathrm{N} 19 , 6 N ), e tinha de ser: além de sustentar o cilindro, a pista ainda o obriga a curvar para cima. Se a concavidade fosse para baixo — uma lombada —, o sinal do termo v 2 / ρ v^2/\rho v 2 / ρ trocaria, e a pergunta interessante passaria a ser em que ponto N N N chega a zero .