Pular para o conteúdo
Nabla
FIS08 · 60h

Dinâmica

Cinemática do ponto material, leis de Newton e forças de vínculo, trabalho e energia, impulso e momento linear com colisões, e a cinemática e a dinâmica do movimento plano do corpo rígido.

01 Cinemática vetorial: o que fica do Cálculo e da Estática

A ideia. A Estática (Mecânica Geral 1) tratava de corpos que não se movem: a soma das forças era zero e você resolvia sistemas de equações. A Dinâmica solta o corpo. Agora posição, velocidade e aceleração mudam com o tempo, e a ferramenta que amarra as três é a derivada. Antes de qualquer coisa, vale arrumar a linguagem vetorial — porque daqui para frente quase toda grandeza tem direção, e errar um sinal de componente é o jeito mais comum de perder a questão inteira.

As três operações que aparecem em prova

A⋅B=AxBx+AyBy+AzBz=ABcos⁡θ\mathbf{A} \cdot \mathbf{B} = A_x B_x + A_y B_y + A_z B_z = AB\cos\theta

O produto escalar devolve número, e o uso prático é achar ângulo entre vetores ou projetar um vetor sobre uma direção. O produto vetorial devolve vetor, perpendicular aos dois:

A×B=∣ijkAxAyAzBxByBz∣\mathbf{A} \times \mathbf{B} = \begin{vmatrix} \mathbf{i} & \mathbf{j} & \mathbf{k} \\ A_x & A_y & A_z \\ B_x & B_y & B_z \end{vmatrix}

e é dele que sai momento de força, momento angular e a velocidade de um ponto de corpo rígido em rotação. O módulo fecha a lista:

∣A∣=Ax2+Ay2+Az2|\mathbf{A}| = \sqrt{A_x^2 + A_y^2 + A_z^2}

02 Movimento retilíneo: posição, velocidade e aceleração

A ideia. A partícula anda sobre uma reta. Um único eixo basta, e a posição vira um número com sinal, ss, medido a partir de uma origem que você escolhe. Tudo nesta seção é consequência de duas definições: velocidade é a taxa com que a posição muda, e aceleração é a taxa com que a velocidade muda.

A terceira equação, a que não tem tempo

Além das duas definições, existe uma relação que elimina tt — e é a mais pedida em prova, porque quase toda questão dá posições e velocidades sem falar de tempo:

a ds=v dva\,ds = v\,dv

Ela sai de a=dv/dta = dv/dt multiplicando por ds/dsds/ds: a=dvdtdsds=vdvdsa = \dfrac{dv}{dt}\dfrac{ds}{ds} = v\dfrac{dv}{ds}.

03 Aceleração variável: a = f(t), a = f(v), a = f(s)

A ideia. Este é o assunto que a ementa destaca em separado, e com razão: é o coração do 1º EE. O enunciado dá a aceleração como função de alguma coisa, e o que muda de caso para caso não é a física — é qual das três relações você separa e integra. Reconhecer o caso é 80% da questão.

O roteiro dos três casos

Caso 1 — a=f(t)a = f(t). Use dv=a dtdv = a\,dt e integre; depois ds=v dtds = v\,dt e integre de novo.

∫v0vdv=∫0tf(t) dt\int_{v_0}^{v} dv = \int_0^t f(t)\,dt

Caso 2 — a=f(v)a = f(v). Aqui há duas saídas, e a escolha depende do que se pede. Para relacionar vv com tt, separe dvf(v)=dt\dfrac{dv}{f(v)} = dt. Para relacionar vv com ss, use a relação sem tempo:

∫s0sds=∫v0vv dvf(v)\int_{s_0}^{s} ds = \int_{v_0}^{v} \frac{v\,dv}{f(v)}

Caso 3 — a=f(s)a = f(s). Só uma saída: a relação sem tempo, porque aa e ss já estão do mesmo lado.

∫v0vv dv=∫s0sf(s) ds⟹v2−v022=∫s0sf(s) ds\int_{v_0}^{v} v\,dv = \int_{s_0}^{s} f(s)\,ds \qquad\Longrightarrow\qquad \frac{v^2 - v_0^2}{2} = \int_{s_0}^{s} f(s)\,ds

04 Movimento dependente: blocos, cabos e polias

A ideia. Dois ou mais corpos ligados por um cabo que não estica. Se um desce, o outro sobe — e a relação entre as velocidades não é sempre 1 para 1: depende de quantos trechos de cabo sustentam cada bloco. O truque do assunto é não raciocinar sobre o movimento, e sim escrever que o comprimento total do cabo é constante e derivar.

O procedimento, em três passos

  1. Escolha a origem numa parte fixa e meça sAs_A e sBs_B dali, no sentido do cabo.
  2. Escreva lT=(soma dos trechos)=constl_T = (\text{soma dos trechos}) = \text{const}. Trechos que não mudam podem ser jogados numa constante única.
  3. Derive em relação ao tempo: as constantes somem e sobra a relação entre velocidades. Derive de novo para as acelerações.
2sB+sA=l⟹2vB+vA=0⟹2aB+aA=02 s_B + s_A = l \quad\Longrightarrow\quad 2 v_B + v_A = 0 \quad\Longrightarrow\quad 2 a_B + a_A = 0

05 Movimento relativo entre duas partículas

A ideia. Duas partículas se movendo, e a pergunta é sobre uma vista pela outra: o avião em relação ao vento, o carro em relação ao outro carro. Nesta unidade os eixos que acompanham a partícula observadora apenas transladam — não giram —, e por isso a conta é uma soma vetorial simples. (A versão com eixos girando é assunto da 2ª unidade.)

rB=rA+rB/AvB=vA+vB/AaB=aA+aB/A\mathbf{r}_B = \mathbf{r}_A + \mathbf{r}_{B/A} \qquad \mathbf{v}_B = \mathbf{v}_A + \mathbf{v}_{B/A} \qquad \mathbf{a}_B = \mathbf{a}_A + \mathbf{a}_{B/A}

06 Movimento curvilíneo em coordenadas retangulares

A ideia. A trajetória deixa de ser reta. A posição vira vetor, e velocidade e aceleração saem de derivar esse vetor. O fato geométrico que organiza tudo: a velocidade é sempre tangente à trajetória, enquanto a aceleração aponta para dentro da curva — ela tem uma parte que muda o módulo da velocidade e outra que muda a direção.

Em coordenadas retangulares os versores são fixos, então cada eixo se resolve independentemente dos outros — três problemas de movimento retilíneo em paralelo. É essa independência que faz o próximo assunto, o projétil, ser tão direto.

vatrajetória
A velocidade é sempre tangente; a aceleração aponta para o lado de dentro da curva.

07 Movimento de projétil

A ideia. Caso particular do movimento curvilíneo, e o mais pedido da unidade. Desprezando o ar, sobra uma única força: o peso. Logo a aceleração é gg para baixo, e mais nada. A consequência é a que resolve toda questão do assunto: na horizontal a velocidade não muda; na vertical o movimento é uniformemente acelerado. Dois problemas independentes, amarrados pelo mesmo relógio.

x=x0+v0xty=y0+v0yt−12gt2vy=v0y−gtx = x_0 + v_{0x}t \qquad y = y_0 + v_{0y}t - \tfrac{1}{2}gt^2 \qquad v_y = v_{0y} - gt

Alcance, altura máxima e trajetória

No ponto mais alto, vy=0v_y = 0 — é essa condição, e não uma fórmula decorada, que dá o instante t=v0y/gt = v_{0y}/g e a altura. Eliminando tt entre xx e yy chega-se à equação da trajetória, que é uma parábola:

y=xtan⁡θ−g x22v02cos⁡2θy = x\tan\theta - \frac{g\,x^2}{2v_0^2\cos^2\theta}

08 Componentes normal e tangencial: raio de curvatura

A ideia. Coordenadas retangulares resolvem o projétil, mas escondem o que interessa numa curva. Aqui os eixos passam a andar com a partícula: um deles aponta para onde ela vai (tangente), o outro para o centro da curva (normal). A recompensa é a aceleração se separar em duas parcelas com significado físico: uma muda a rapidez, a outra muda a direção.

a=at ut+an uncomat=dvdt=vdvds,an=v2ρ\mathbf{a} = a_t\,\mathbf{u}_t + a_n\,\mathbf{u}_n \qquad\text{com}\qquad a_t = \frac{dv}{dt} = v\frac{dv}{ds}, \qquad a_n = \frac{v^2}{\rho}

Para uma trajetória dada por y=f(x)y = f(x), o raio de curvatura sai da fórmula do Cálculo:

ρ=[1+(dy/dx)2]3/2∣d2y/dx2∣\rho = \frac{\left[1 + (dy/dx)^2\right]^{3/2}}{\left|d^2y/dx^2\right|}

09 Coordenadas polares: componentes radial e transversal

A ideia. Quando o movimento é descrito por um raio que gira — um braço mecânico, uma haste com um anel deslizando, um satélite —, o par natural não é (x,y)(x,y) e sim (r,θ)(r,\theta). E aqui aparece a diferença que a 1ª unidade avisou: os versores giram junto com a partícula, então derivá-los não dá zero. É de onde saem os termos extras que ninguém adivinha.

v=r˙ ur+rθ˙ uθ\mathbf{v} = \dot{r}\,\mathbf{u}_r + r\dot{\theta}\,\mathbf{u}_\thetaa=(r¨−rθ˙2)ur+(rθ¨+2r˙θ˙)uθ\mathbf{a} = \left(\ddot{r} - r\dot{\theta}^2\right)\mathbf{u}_r + \left(r\ddot{\theta} + 2\dot{r}\dot{\theta}\right)\mathbf{u}_\theta

10 Equações do movimento: a 2ª lei de Newton

A ideia. Até aqui a cinemática descrevia como a partícula se move, sem perguntar por quê. A dinâmica fecha o circuito: a causa do movimento é a força resultante, e a ponte entre as duas é uma única equação. O procedimento nunca muda — desenhar o diagrama de corpo livre, escolher os eixos, projetar, resolver.

∑F=m a\sum \mathbf{F} = m\,\mathbf{a}

Projetada, ela vira duas ou três equações escalares. E a escolha dos eixos é livre — é aí que se ganha tempo:

∑Fx=max,∑Fy=mayou∑Ft=mat,∑Fn=mv2ρ\sum F_x = m a_x, \quad \sum F_y = m a_y \qquad\text{ou}\qquad \sum F_t = m a_t, \quad \sum F_n = m \frac{v^2}{\rho}

11 Forças de vínculo e atrito

A ideia. O conteúdo programático fala em “forças de vínculo”, e é o nome certo: normal, tração e atrito não são dadas no enunciado — elas se ajustam para que o corpo obedeça à restrição de estar apoiado, preso ou encostado. Achá-las é metade das questões de dinâmica. E o atrito tem um detalhe que decide questão: ele tem dois regimes.

Fat≤μeN(parado),Fat=μcN(escorregando)F_{at} \leq \mu_e N \quad (\text{parado}), \qquad F_{at} = \mu_c N \quad (\text{escorregando})

12 Movimento circular: a força que curva a trajetória

A ideia. Caso mais pedido da 2ª lei, porque junta as duas metades da cadeira: a cinemática diz que curvar exige aceleração v2/ρv^2/\rho para o centro, e a dinâmica pergunta quem faz essa força. A resposta é sempre uma força real — tração, normal, atrito, peso ou a soma delas.

∑Fn=m v2r\sum F_n = m\,\frac{v^2}{r}

13 Trabalho de uma força

A ideia. Até aqui, todo problema saía da 2ª lei: monta o diagrama, escreve ∑F=ma\sum F = ma, integra. Funciona sempre — e às vezes dá muito trabalho, porque exige conhecer a aceleração em cada instante. O método da energia troca esse detalhe por uma pergunta mais barata: quanto a força empurrou ao longo do caminho, e o que isso fez com a velocidade. Some posição inicial e final — o meio do trajeto some da conta. O preço é que você perde a informação de tempo: energia não responde “quando”.

U1→2=∫r1r2F⋅dr=∫s1s2Fcos⁡θ dsU_{1\to2} = \int_{\mathbf{r}_1}^{\mathbf{r}_2} \mathbf{F}\cdot d\mathbf{r} = \int_{s_1}^{s_2} F\cos\theta\ ds

O produto escalar é o coração da definição: só a componente da força na direção do movimento trabalha. Componente perpendicular dá zero.

Os três trabalhos que caem em prova

Força constante ao longo de um deslocamento reto de módulo ss:

U1→2=F scos⁡θU_{1\to2} = F\,s\cos\theta

Peso, em um deslocamento vertical Δy=y2−y1\Delta y = y_2 - y_1 (com yy para cima):

U1→2=−W Δy=−mg (y2−y1)U_{1\to2} = -W\,\Delta y = -mg\,(y_2 - y_1)

O sinal é a parte que se erra: descer é trabalho positivo, subir é negativo. E note que só a altura importa — o caminho horizontal, a forma da rampa e o comprimento do trajeto não entram.

Mola linear, deformada de s1s_1 a s2s_2 a partir do comprimento natural:

U1→2=−(12ks22−12ks12)U_{1\to2} = -\left(\tfrac{1}{2}k s_2^2 - \tfrac{1}{2}k s_1^2\right)

O sinal negativo diz que a mola resiste: comprimir ou esticar é trabalho negativo sobre o corpo, soltar é positivo.

14 Princípio do trabalho e energia cinética

A ideia. Integre ∑F=m a\sum F = m\,a ao longo da trajetória, usando a ds=v dva\,ds = v\,dv — o mesmo truque da seção 03 —, e a 2ª lei vira uma equação escalar sem aceleração nenhuma dentro. É o teorema mais rentável da cadeira: uma equação, uma incógnita, sem decompor vetor.

T1+∑U1→2=T2T_1 + \sum U_{1\to2} = T_2

Atrito cinético entra como trabalho negativo

Uat=−μcN sU_{at} = -\mu_c N\,s

com ss o comprimento do caminho percorrido, não o deslocamento. Ir e voltar não cancela: o atrito tira energia nas duas idas. É por isso que atrito não tem energia potencial associada — depende do caminho, e não só dos extremos.

15 Energia potencial: peso e mola

A ideia. Peso e mola têm uma propriedade especial: o trabalho delas depende só das posições inicial e final, nunca do caminho. Força assim se chama conservativa, e para ela vale a pena guardar o trabalho numa “conta poupança” — a energia potencial — em vez de recalcular a integral a cada problema.

Vg=mgyVe=12ks2V_g = m g y \qquad\qquad V_e = \tfrac{1}{2}k s^2

16 Conservação da energia mecânica

A ideia. Se todas as forças que trabalham são conservativas, o teorema do trabalho e energia se reduz à forma mais enxuta da mecânica: a soma de cinética e potencial não muda. É a equação que resolve montanha-russa, pêndulo, bloco-mola e loop vertical em uma linha.

T1+V1=T2+V2T_1 + V_1 = T_2 + V_2

E quando há atrito ou uma força externa qualquer, a versão geral — a que serve para todo problema:

T1+V1+∑U1→2na˜o-cons.=T2+V2T_1 + V_1 + \sum U_{1\to2}^{\text{não-cons.}} = T_2 + V_2

17 Potência e eficiência

A ideia. Trabalho não diz nada sobre pressa. Potência é a taxa: o mesmo trabalho feito em metade do tempo exige o dobro de potência. É o que dimensiona motor, guincho e elevador — e o que aparece em prova como um item (c) curto no fim de uma questão de energia.

P=dUdt=F⋅vε=PsaıˊdaPentrada=UsaıˊdaUentradaP = \frac{dU}{dt} = \mathbf{F}\cdot\mathbf{v} \qquad\qquad \varepsilon = \frac{P_{\text{saída}}}{P_{\text{entrada}}} = \frac{U_{\text{saída}}}{U_{\text{entrada}}}

A forma P=F⋅vP = \mathbf{F}\cdot\mathbf{v} é a útil: é ela que permite calcular potência num instante, sem integrar nada.

18 Impulso e momento linear

A ideia. A unidade anterior integrou a 2ª lei no espaço e obteve energia. Agora integre no tempo, e sai o outro grande teorema da cadeira. A diferença prática: energia é escalar e perde a informação de tempo; momento linear é vetorial e é justamente o que serve quando o enunciado fala de duração, de choque ou de dois corpos que interagem.

mv1+∑∫t1t2F dt=mv2m\mathbf{v}_1 + \sum \int_{t_1}^{t_2} \mathbf{F}\,dt = m\mathbf{v}_2

Sendo vetorial, essa equação vale componente por componente — e é assim que se usa: uma equação em xx, outra em yy. Perceber que uma das componentes tem impulso nulo (nenhuma força naquela direção) é o que resolve metade das questões.

19 Conservação do momento linear em um sistema de partículas

A ideia. Some a equação do impulso para todas as partículas de um sistema. Pela 3ª lei, as forças que elas exercem umas nas outras aparecem em pares opostos e se cancelam aos pares. Sobra só o impulso das forças externas — e se ele for nulo numa direção, o momento total naquela direção é o mesmo antes e depois. Não importa o que aconteceu no meio: explosão, choque, mola liberada, corda que se parte.

∑mi(vi)1=∑mi(vi)2se∑∫Fext dt=0\sum m_i (\mathbf{v}_i)_1 = \sum m_i (\mathbf{v}_i)_2 \qquad\text{se}\qquad \sum \int \mathbf{F}_{\text{ext}}\,dt = \mathbf{0}

20 Colisão central direta: o coeficiente de restituição

A ideia. Numa colisão, o momento se conserva, mas a energia não — parte dela vira calor e deformação permanente. Falta então uma segunda equação, e ela não sai da física básica: é uma medida experimental de quanto os corpos “devolvem”. Esse número é o coeficiente de restituição, e ele é o que fecha o sistema de duas incógnitas.

mAvA+mBvB=mAvA′+mBvB′e=vB′−vA′vA−vBm_A v_A + m_B v_B = m_A v_A' + m_B v_B' \qquad\qquad e = \frac{v_B' - v_A'}{v_A - v_B}

21 Colisão oblíqua: separar na linha de impacto

A ideia. Quando as velocidades não estão alinhadas com a reta que une os centros, a colisão tem duas direções, e cada uma obedece a uma regra diferente. Todo o método é: achar a linha de impacto, girar os eixos para ela, e tratar as duas direções separadamente.

Na direção nn valem as duas equações da seção anterior:

mA(vAn)+mB(vBn)=mA(vAn′)+mB(vBn′)e=vBn′−vAn′vAn−vBnm_A (v_{An}) + m_B (v_{Bn}) = m_A (v_{An}') + m_B (v_{Bn}') \qquad e = \frac{v_{Bn}' - v_{An}'}{v_{An} - v_{Bn}}

Na direção tt, para esferas lisas, não há força de impulso, e portanto o momento de cada corpo separadamente se conserva:

(vAt)=(vAt′)(vBt)=(vBt′)(v_{At}) = (v_{At}') \qquad\qquad (v_{Bt}) = (v_{Bt}')

22 Momento angular e forças centrais

A ideia. Existe uma terceira quantidade conservada, e ela é a que serve para movimento em torno de um ponto: satélite, haste girando, partícula amarrada a um fio que passa por um furo. Se a força passa pelo ponto de referência, ela não tem braço, não produz momento — e o momento angular em relação a ele fica constante.

∑MO=H˙O(HO)1+∑∫t1t2MO dt=(HO)2\sum \mathbf{M}_O = \dot{\mathbf{H}}_O \qquad\qquad (H_O)_1 + \sum\int_{t_1}^{t_2} M_O\,dt = (H_O)_2

Para movimento plano, o módulo tem a forma que se usa na prática:

HO=m v d=m r2θ˙H_O = m\,v\,d = m\,r^2\dot\theta

com dd a distância perpendicular de OO à linha da velocidade. A segunda forma, com r2θ˙r^2\dot\theta, é a que casa com as coordenadas polares da seção 09.

23 Do ponto material ao corpo rígido: translação e rotação

A ideia. Até aqui todo corpo era um ponto: tinha massa e posição, e pronto. Um corpo rígido tem tamanho e orientação — pode girar. E girando, cada ponto dele tem uma velocidade diferente. A boa notícia é que a orientação de um corpo rígido no plano se descreve com um único número, o ângulo θ\theta, e por isso todo o movimento plano cabe em três coordenadas: xGx_G, yGy_G e θ\theta.

Os três movimentos planos

Translação — ω=0\omega = 0: todos os pontos têm a mesma velocidade e a mesma aceleração. O corpo é, para todos os efeitos, um ponto material. Nada de novo.

Rotação em torno de eixo fixo — existe um ponto do corpo que não se move. Para um ponto PP a uma distância rr do eixo:

v=ωrat=αran=ω2rv = \omega r \qquad a_t = \alpha r \qquad a_n = \omega^2 r

Movimento plano geral — a soma dos dois: o corpo translada e gira ao mesmo tempo. Biela, cremalheira, roda que rola, escada escorregando na parede. É o caso das provas.

24 Análise de velocidade relativa: a equação que resolve todo mecanismo

A ideia. Pegue dois pontos do mesmo corpo rígido. A distância entre eles não muda — é isso que “rígido” significa. Logo, visto de AA, o ponto BB só pode fazer uma coisa: girar em volta dele. Essa observação é a equação mais importante da unidade.

vB=vA+ω×rB/A\mathbf{v}_B = \mathbf{v}_A + \boldsymbol{\omega} \times \mathbf{r}_{B/A}

25 Centro instantâneo de rotação

A ideia. Todo corpo em movimento plano tem, em cada instante, um ponto com velocidade nula — real ou imaginário, dentro ou fora do corpo. Se você achar esse ponto, o movimento naquele instante é rotação pura em volta dele, e a equação de velocidade relativa colapsa para v=ωrv = \omega r. Some o sistema linear: sobra uma multiplicação.

vP=ω rP/CIv_P = \omega\,r_{P/CI}

26 Análise de aceleração relativa

A ideia. Derive a equação de velocidade relativa no tempo. Aparece um termo a mais que ninguém adivinha: além da parcela tangencial com α\alpha, existe a centrípeta −ω2r-\omega^2\mathbf{r}, que existe mesmo quando α=0\alpha = 0. Corpo girando a velocidade angular constante tem aceleração — apontando para o centro.

aB=aA+α×rB/A−ω2 rB/A\mathbf{a}_B = \mathbf{a}_A + \boldsymbol{\alpha} \times \mathbf{r}_{B/A} - \omega^2\,\mathbf{r}_{B/A}

27 Momento de inércia

A ideia. Massa mede a resistência de um corpo a ser acelerado em linha reta. Girar tem o seu equivalente, e ele depende não só de quanta massa existe, mas de quão longe do eixo ela está — porque a massa distante precisa percorrer mais caminho para o mesmo ângulo. Esse é o momento de inércia, e é a única grandeza nova da dinâmica do corpo rígido.

I=∫r2 dmI=IG+md2I = \int r^2\,dm \qquad\qquad I = I_G + m d^2

A segunda é o teorema dos eixos paralelos, e é a fórmula que a prova usa de verdade: a tabela dá IGI_G, o problema pede em relação a outro ponto.

28 Equações do movimento plano

A ideia. A 2ª lei de Newton, para um corpo com tamanho, vira três equações: duas de força, que dizem como o centro de massa translada, e uma de momento, que diz como o corpo gira. E o ponto que confunde todo mundo é este: as duas primeiras usam GG, não o ponto onde a força é aplicada.

∑Fx=m (aG)x∑Fy=m (aG)y∑MG=IG α\sum F_x = m\,(a_G)_x \qquad \sum F_y = m\,(a_G)_y \qquad \sum M_G = I_G\,\alpha

29 Trabalho e energia no corpo rígido

A ideia. Os dois teoremas da 3ª e da 4ª unidade valem para corpo rígido sem mudança nenhuma de estrutura — só ganham um termo. A energia cinética passa a ter duas parcelas: a de transladar o centro de massa e a de girar em volta dele. E é esse termo extra que faz a questão de rampa com cilindro dar um número diferente do bloco.

T=12mvG2+12IGω2U1→2M=∫θ1θ2M dθT = \tfrac{1}{2}m v_G^2 + \tfrac{1}{2}I_G \omega^2 \qquad\qquad U_{1\to2}^{M} = \int_{\theta_1}^{\theta_2} M\,d\theta

E o teorema, idêntico ao da seção 14:

T1+∑U1→2=T2T_1 + \sum U_{1\to2} = T_2