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Nabla
FIS08 · 60h

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Questão 01Prova FinalFinal 2024Bobina e bloco · Equações do movimento com raio de giração3,0 ptsVer material

A bobina tem massa de 20 kg20\ \mathrm{kg}, raio externo de 200 mm200\ \mathrm{mm} e raio de giração kO=160 mmk_O = 160\ \mathrm{mm} em relação ao eixo fixo OO. Um cabo enrolado no seu raio externo sustenta um bloco AA de 15 kg15\ \mathrm{kg}. Se o bloco é liberado do repouso, determine a sua velocidade quando ele desce 600 mm600\ \mathrm{mm}.

Adote g=9,81 m/s2g = 9{,}81\ \mathrm{m/s^2}.

O200 mmA600 mm

O raio de giração é o único jeito de a questão dar IOI_O sem dizer de que material é a bobina: IO=m kO2I_O = m\,k_O^2.

Gabarito

vA=2,52 m/sv_A = 2{,}52\ \mathrm{m/s} (com a=5,29 m/s2a = 5{,}29\ \mathrm{m/s^2}).

Passo a passo

Passo 1 — o momento de inércia. É o que o raio de giração significa, por definição:

IO=m kO2=20 (0,160)2=0,512 kg⋅m2I_O = m\,k_O^2 = 20\,(0{,}160)^2 = 0{,}512\ \mathrm{kg\cdot m^2}

Passo 2 — o bloco, pela 2ª lei. Ele só translada:

mA g−T=mA a(I)m_A\,g - T = m_A\,a \tag{I}

Passo 3 — a bobina, pela equação de momentos. Ela gira em torno do eixo fixo OO, e a única força com braço em relação a OO é a tração:

T r=IO α=m kO2 αT\,r = I_O\,\alpha = m\,k_O^2\,\alpha

Passo 4 — o vínculo do cabo. O cabo é inextensível e sai do raio externo, então a=αra = \alpha r, ou α=a/r\alpha = a/r:

T=m kO2r2 a(II)T = \frac{m\,k_O^2}{r^2}\,a \tag{II}

Passo 5 — junte (II) em (I) e isole a aceleração:

mA g=(mA+m kO2r2)am_A\,g = \left(m_A + \frac{m\,k_O^2}{r^2}\right)aa=15(9,81)15+20(0,160)2(0,200)2=147,1515+12,8=5,29 m/s2a = \frac{15(9{,}81)}{15 + \dfrac{20(0{,}160)^2}{(0{,}200)^2}} = \frac{147{,}15}{15 + 12{,}8} = 5{,}29\ \mathrm{m/s^2}

Passo 6 — cinemática. A aceleração é constante, então vale Torricelli:

vA=2 a Δs=2(5,29)(0,600)=2,52 m/sv_A = \sqrt{2\,a\,\Delta s} = \sqrt{2(5{,}29)(0{,}600)} = 2{,}52\ \mathrm{m/s}

O atalho pela energia. Dá o mesmo, em menos linhas — mas só porque a questão não pede a tração:

mAg(0,6)=12mAvA2+12IO(vAr) ⁣2⟹88,29=0,556 vA2⟹vA=2,52 m/sm_A g(0{,}6) = \tfrac{1}{2}m_A v_A^2 + \tfrac{1}{2}I_O\left(\frac{v_A}{r}\right)^{\!2} \quad\Longrightarrow\quad 88{,}29 = 0{,}556\,v_A^2 \quad\Longrightarrow\quad v_A = 2{,}52\ \mathrm{m/s}

Cuidado. A parcela mkO2/r2=12,8 kgm k_O^2/r^2 = 12{,}8\ \mathrm{kg} funciona como uma massa extra de quase o dobro do bloco: sem ela, a aceleração seria gg. É a inércia de rotação da bobina disfarçada de massa — e é o que faz o bloco cair muito mais devagar que em queda livre.

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Questão 02Prova FinalFinal 2024Ginasta · Conservação do momento angular4,0 ptsVer material

Um ginasta de 75 kg75\ \mathrm{kg} solta a barra horizontal na posição completamente estendida AA, girando com velocidade angular ωA=3 rad/s\omega_A = 3\ \mathrm{rad/s} em torno do seu centro de massa. Determine:

  1. seu momento angular na posição esticada AA;
  2. a velocidade angular quando ele assume a posição encolhida BB.

Considere o ginasta na posição AA como uma haste delgada uniforme de 1,75 m1{,}75\ \mathrm{m} e na posição BB como um disco circular uniforme de 750 mm750\ \mathrm{mm} de diâmetro.

Gabarito

a) HA=57,4 kg⋅m2/sH_A = 57{,}4\ \mathrm{kg\cdot m^2/s}. b) ωB=10,9 rad/s\omega_B = 10{,}9\ \mathrm{rad/s}.

Passo a passo

Passo 1 — item (a), o momento de inércia da haste. Ele gira em torno do próprio centro de massa, então é o IGI_G da tabela:

IA=112mL2=112(75)(1,75)2=19,14 kg⋅m2I_A = \tfrac{1}{12}m L^2 = \tfrac{1}{12}(75)(1{,}75)^2 = 19{,}14\ \mathrm{kg\cdot m^2}HA=IA ωA=19,14×3=57,4 kg⋅m2/sH_A = I_A\,\omega_A = 19{,}14 \times 3 = 57{,}4\ \mathrm{kg\cdot m^2/s}

Passo 2 — por que o momento angular se conserva. No ar, a única força sobre o ginasta é o peso, e ele age no centro de massa: braço nulo em relação a GG, momento nulo. Logo HGH_G é constante durante todo o voo, por mais que ele mude de forma.

∑MG=0⟹HA=HB\sum M_G = 0 \quad\Longrightarrow\quad H_A = H_B

Passo 3 — o momento de inércia na posição encolhida. Disco de raio R=0,375 mR = 0{,}375\ \mathrm{m}:

IB=12mR2=12(75)(0,375)2=5,273 kg⋅m2I_B = \tfrac{1}{2}m R^2 = \tfrac{1}{2}(75)(0{,}375)^2 = 5{,}273\ \mathrm{kg\cdot m^2}

Passo 4 — item (b).

ωB=HAIB=57,45,273=10,9 rad/s\omega_B = \frac{H_A}{I_B} = \frac{57{,}4}{5{,}273} = 10{,}9\ \mathrm{rad/s}

A leitura da resposta. Encolhendo, o ginasta reduziu II a 28%28\% do valor esticado e por isso girou 3,63{,}6 vezes mais rápido. E a energia cinética de rotação cresceu:

TA=12(19,14)(3)2=86,1 JTB=12(5,273)(10,9)2=313 JT_A = \tfrac{1}{2}(19{,}14)(3)^2 = 86{,}1\ \mathrm{J} \qquad T_B = \tfrac{1}{2}(5{,}273)(10{,}9)^2 = 313\ \mathrm{J}

Não é energia do nada: os músculos do ginasta fizeram esse trabalho ao dobrar o corpo contra a “força centrífuga” aparente. Momento angular conserva; energia, não. É o mesmo mecanismo da bailarina que fecha os braços — e da patinadora, e do gato que cai de pé.

Cuidado com o diâmetro. O enunciado dá 750 mm750\ \mathrm{mm} de diâmetro; usar isso como raio dá IB=21,1I_B = 21{,}1 e ωB=2,7 rad/s\omega_B = 2{,}7\ \mathrm{rad/s} — mais lento que no início, o que é absurdo. Quando o resultado contradiz a intuição física, desconfie da leitura do enunciado antes de desconfiar da conta.

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Questão 03Prova FinalFinal 2024Impulso de força variável · Integração por partes3,0 ptsVer material

Uma força de intensidade F=5t t2F = 5^{t}\,t^{2}, com tt em segundos e FF em newtons, é aplicada sobre um bloco de massa M=5 kgM = 5\ \mathrm{kg}. No instante t=0t = 0 sua velocidade é igual a 2 m/s2\ \mathrm{m/s} e não existe força contrária ao movimento. Calcule a velocidade do bloco no instante t=2 st = 2\ \mathrm{s}.

Gabarito

v=9,0 m/sv = 9{,}0\ \mathrm{m/s} (impulso I=35,0 N⋅sI = 35{,}0\ \mathrm{N\cdot s}).

Passo a passo

Passo 0 — sim, é 5t5^t mesmo. A força é uma exponencial de base 5 multiplicada por t2t^2, não "5t25t^2". O gabarito da prova confirma: a solução manuscrita integra por partes duas vezes e carrega ln⁡5\ln 5 até o fim. Se fosse 5t25t^2 a questão valeria meio ponto, não três.

Passo 1 — o teorema do impulso e momento linear. É a única ferramenta que serve: força dada em função do tempo, pergunta sobre velocidade num instante.

Mv0+∫02F dt=Mv⟹5(v−2)=∫025t t2 dtM v_0 + \int_0^{2} F\,dt = M v \quad\Longrightarrow\quad 5(v - 2) = \int_0^{2} 5^{t}\,t^{2}\,dt

Passo 2 — a primeira integração por partes. Com u=t2u = t^2 e dv=5tdtdv = 5^t dt, de onde v=5t/ln⁡5v = 5^t/\ln 5:

∫5tt2 dt=t25tln⁡5−2ln⁡5∫5t t dt\int 5^{t}t^{2}\,dt = \frac{t^{2}5^{t}}{\ln 5} - \frac{2}{\ln 5}\int 5^{t}\,t\,dt

Passo 3 — a segunda. Agora u=tu = t e dv=5tdtdv = 5^t dt:

∫5t t dt=t 5tln⁡5−1ln⁡5∫5tdt=t 5tln⁡5−5tln⁡25\int 5^{t}\,t\,dt = \frac{t\,5^{t}}{\ln 5} - \frac{1}{\ln 5}\int 5^{t}dt = \frac{t\,5^{t}}{\ln 5} - \frac{5^{t}}{\ln^{2} 5}

Passo 4 — junte tudo. A primitiva completa é

∫5tt2 dt=5t(t2ln⁡5−2tln⁡25+2ln⁡35)\int 5^{t}t^{2}\,dt = 5^{t}\left(\frac{t^{2}}{\ln 5} - \frac{2t}{\ln^{2} 5} + \frac{2}{\ln^{3} 5}\right)

Vale reconhecer o padrão: a cada parte, o grau do polinômio cai um e aparece um ln⁡5\ln 5 a mais no denominador, com o sinal alternando. É o mesmo esqueleto de ∫xneaxdx\int x^n e^{ax}dx.

Passo 5 — avalie de 00 a 22, com ln⁡5=1,6094\ln 5 = 1{,}6094:

t=2:25(41,6094−42,5903+24,1685)=25 (1,4211)=35,53t = 2:\quad 25\left(\frac{4}{1{,}6094} - \frac{4}{2{,}5903} + \frac{2}{4{,}1685}\right) = 25\,(1{,}4211) = 35{,}53t=0:1(0−0+24,1685)=0,480t = 0:\quad 1\left(0 - 0 + \frac{2}{4{,}1685}\right) = 0{,}480I=35,53−0,480=35,05 N⋅sI = 35{,}53 - 0{,}480 = 35{,}05\ \mathrm{N\cdot s}

Passo 6 — de volta ao teorema:

5(v−2)=35,05⟹v=2+7,01=9,0 m/s5(v - 2) = 35{,}05 \quad\Longrightarrow\quad v = 2 + 7{,}01 = 9{,}0\ \mathrm{m/s}

Cuidado com o termo de t=0t = 0. 50=15^0 = 1, não zero: o limite inferior contribui com 2/ln⁡35=0,48 N⋅s2/\ln^3 5 = 0{,}48\ \mathrm{N\cdot s}. É pouco, mas quem descarta por reflexo (como se fosse e−te^{-t} em ∞\infty) já perdeu o hábito de avaliar os dois limites.

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Questão 04Prova FinalSimulado da final 2025Curva compensada · Raio pelos dois limites de atrito1,0 ptVer material

Uma curva de rodovia é inclinada de um ângulo θ\theta. Com a pista molhada, o atrito estático entre a pista e os pneus é tal que: um carro em repouso está na iminência de deslizar para dentro da curva, e um carro se movendo com velocidade vv está na iminência de derrapar para fora. Sendo gg a aceleração da gravidade, qual é o raio de curvatura da curva?

  1. v2gcot⁡θ\dfrac{v^2}{g}\cot\theta
  2. v22gcot⁡θ\dfrac{v^2}{2g}\cot\theta
  3. v2gtan⁡θ\dfrac{v^2}{g}\tan\theta
  4. v2gcot⁡2θ\dfrac{v^2}{g}\cot 2\theta
  5. v22gcot⁡2θ\dfrac{v^2}{2g}\cot 2\theta
Gabarito

Alternativa (d):  r=v2gcot⁡2θ\ r = \dfrac{v^2}{g}\cot 2\theta.

Passo a passo

Passo 1 — a primeira condição determina μ\mu. Carro parado na iminência de escorregar para dentro (isto é, descendo a rampa): é o problema do ângulo de repouso, e nele o atrito está no máximo, subindo o plano.

Psin⁡θ=Fat=μ Pcos⁡θ⟹μ=tan⁡θP\sin\theta = F_{at} = \mu\,P\cos\theta \quad\Longrightarrow\quad \mu = \tan\theta

Essa é a chave da questão: o enunciado não deu μ\mu, mas deu uma condição que o define.

Passo 2 — a segunda condição, com o carro em movimento. Agora ele está na iminência de derrapar para fora, então o atrito aponta para dentro, ou seja, descendo o plano. Decompondo nas direções horizontal e vertical (a aceleração é horizontal, apontando para o centro da curva):

vertical:Ncos⁡θ=μNsin⁡θ+mg\text{vertical:}\quad N\cos\theta = \mu N\sin\theta + mghorizontal:Nsin⁡θ+μNcos⁡θ=mv2r\text{horizontal:}\quad N\sin\theta + \mu N\cos\theta = \frac{mv^2}{r}

Passo 3 — divida uma pela outra para eliminar NN e mm de uma vez:

mgcos⁡θ−μsin⁡θ=N=mv2(sin⁡θ+μcos⁡θ) r\frac{mg}{\cos\theta - \mu\sin\theta} = N = \frac{mv^2}{(\sin\theta + \mu\cos\theta)\,r}r=v2g⋅cos⁡θ−μsin⁡θsin⁡θ+μcos⁡θr = \frac{v^2}{g}\cdot\frac{\cos\theta - \mu\sin\theta}{\sin\theta + \mu\cos\theta}

Passo 4 — substitua μ=tan⁡θ\mu = \tan\theta. É aqui que a expressão desaba numa identidade bonita:

r=v2g⋅cos⁡θ−sin⁡2θcos⁡θsin⁡θ+sin⁡θ=v2g⋅cos⁡2θ−sin⁡2θcos⁡θ2sin⁡θr = \frac{v^2}{g}\cdot\frac{\cos\theta - \dfrac{\sin^2\theta}{\cos\theta}}{\sin\theta + \sin\theta} = \frac{v^2}{g}\cdot\frac{\dfrac{\cos^2\theta - \sin^2\theta}{\cos\theta}}{2\sin\theta}

Reconheça cos⁡2θ−sin⁡2θ=cos⁡2θ\cos^2\theta - \sin^2\theta = \cos 2\theta e 2sin⁡θcos⁡θ=sin⁡2θ2\sin\theta\cos\theta = \sin 2\theta:

r=v2g⋅cos⁡2θ2sin⁡θcos⁡θ=v2g⋅cos⁡2θsin⁡2θr = \frac{v^2}{g}\cdot\frac{\cos 2\theta}{2\sin\theta\cos\theta} = \frac{v^2}{g}\cdot\frac{\cos 2\theta}{\sin 2\theta}r=v2gcot⁡2θ\boxed{r = \frac{v^2}{g}\cot 2\theta}

O sinal de que é a alternativa certa. Repare que r→0r \to 0 quando θ→45∘\theta \to 45^\circ: com μ=tan⁡45∘=1\mu = \tan 45^\circ = 1, o atrito já basta para qualquer curva e a inclinação deixa de fazer sentido físico. As alternativas com cot⁡θ\cot\theta não têm esse comportamento — e testar o caso-limite é mais rápido que refazer a conta.

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Questão 05Prova FinalSimulado da final 2025Energia, atrito e projétil · Dois caminhos comparados3,0 ptsVer material

A figura mostra dois caminhos. As partes iniciais de ambos são horizontais e lisas, e nos dois casos os blocos AA e BB partem com a mesma velocidade v=8 m/sv = 8\ \mathrm{m/s} da mesma posição de referência.

No instante t1t_1, o bloco AA começa a subir uma rampa lisa de 3 m3\ \mathrm{m} de altura e 4 m4\ \mathrm{m} de base, lançando-se ao final dela. Nesse mesmo instante t1t_1, o bloco BB passa a percorrer um trecho rugoso de comprimento igual ao da base da rampa (4 m4\ \mathrm{m}). Após esse trecho, o caminho 2 volta a ser liso.

Sabendo que, imediatamente após o lançamento do bloco AA, as velocidades horizontais dos dois blocos são iguais, e que BB já passou o trecho rugoso, determine:

  1. o coeficiente de atrito do trecho rugoso do caminho 2;
  2. a distância horizontal entre os blocos imediatamente após o lançamento de AA;
  3. o tempo total que AA leva desde o início da subida até atingir o solo horizontal.

Adote g=10 m/s2g = 10\ \mathrm{m/s^2}.

caminho 1Av3 m4 mcaminho 2Bvt₁

A rampa de 33 por 44 tem hipotenusa 55: sin⁡θ=3/5\sin\theta = 3/5 e cos⁡θ=4/5\cos\theta = 4/5, sem precisar de calculadora. É por isso que os números do enunciado são esses.

Gabarito

a) μ=0,768\mu = 0{,}768. b) D≈0,27 mD \approx 0{,}27\ \mathrm{m}. c) Δt=1,9 s\Delta t = 1{,}9\ \mathrm{s}.

Passo a passo

Passo 1 — a velocidade de AA no alto da rampa. Rampa lisa, então conservação da energia:

v22=g h+u22⟹82=2(10)(3)+u2⟹u=2 m/s\frac{v^2}{2} = g\,h + \frac{u^2}{2} \quad\Longrightarrow\quad 8^2 = 2(10)(3) + u^2 \quad\Longrightarrow\quad u = 2\ \mathrm{m/s}

Passo 2 — a componente horizontal do lançamento. AA sai da rampa na direção da rampa, com cos⁡θ=4/5\cos\theta = 4/5:

ux=ucos⁡θ=2(45)=1,6 m/suy=usin⁡θ=1,2 m/su_x = u\cos\theta = 2\left(\tfrac{4}{5}\right) = 1{,}6\ \mathrm{m/s} \qquad u_y = u\sin\theta = 1{,}2\ \mathrm{m/s}

Passo 3 — item (a). O enunciado diz que a velocidade horizontal de BB nesse instante é a mesma, 1,6 m/s1{,}6\ \mathrm{m/s}. Aplique trabalho e energia no trecho rugoso de d=4 md = 4\ \mathrm{m}:

−μ m g d=m ux22−m v22⟹−2μ(10)(4)=1,62−82-\mu\,m\,g\,d = \frac{m\,u_x^2}{2} - \frac{m\,v^2}{2} \quad\Longrightarrow\quad -2\mu(10)(4) = 1{,}6^2 - 8^2−80μ=−61,44⟹μ=0,768-80\mu = -61{,}44 \quad\Longrightarrow\quad \mu = 0{,}768

Passo 4 — item (b): quem chega primeiro. Os dois blocos partiram juntos, mas gastaram tempos diferentes nos 4 m4\ \mathrm{m}.

Para AA na rampa, aA=−gsin⁡θ=−10(3/5)=−6 m/s2a_A = -g\sin\theta = -10(3/5) = -6\ \mathrm{m/s^2}:

u=v+aAtA⟹2=8−6tA⟹tA=1,0 su = v + a_A t_A \quad\Longrightarrow\quad 2 = 8 - 6t_A \quad\Longrightarrow\quad t_A = 1{,}0\ \mathrm{s}

Para BB no trecho rugoso, aB=−μg=−7,68 m/s2a_B = -\mu g = -7{,}68\ \mathrm{m/s^2}, percorrendo 4 m4\ \mathrm{m}:

4=8tB−7,68 tB22⟹3,84 tB2−8tB+4=04 = 8t_B - \frac{7{,}68\,t_B^2}{2} \quad\Longrightarrow\quad 3{,}84\,t_B^2 - 8t_B + 4 = 0tB=0,83 s(a raiz 1,25 s na˜o conveˊm: jaˊ seria a volta)t_B = 0{,}83\ \mathrm{s} \quad\text{(a raiz }1{,}25\ \mathrm{s}\text{ não convém: já seria a volta)}

Passo 5 — a vantagem de BB. Ele saiu do trecho rugoso Δt=1,0−0,83=0,17 s\Delta t = 1{,}0 - 0{,}83 = 0{,}17\ \mathrm{s} antes, e nesse tempo andou no liso a 1,6 m/s1{,}6\ \mathrm{m/s}:

D=ux Δt=1,6(0,17)=0,27 mD = u_x\,\Delta t = 1{,}6(0{,}17) = 0{,}27\ \mathrm{m}

Passo 6 — item (c): a queda de AA. Lançado de 3 m3\ \mathrm{m} de altura com uy=1,2 m/su_y = 1{,}2\ \mathrm{m/s} para cima. Tomando o eixo para baixo:

3=−1,2 tq+5 tq2⟹5tq2−1,2tq−3=0⟹tq=0,9 s3 = -1{,}2\,t_q + 5\,t_q^2 \quad\Longrightarrow\quad 5t_q^2 - 1{,}2t_q - 3 = 0 \quad\Longrightarrow\quad t_q = 0{,}9\ \mathrm{s}Δttotal=tA+tq=1,0+0,9=1,9 s\Delta t_{\text{total}} = t_A + t_q = 1{,}0 + 0{,}9 = 1{,}9\ \mathrm{s}

Por que essa questão é boa para o fim do semestre. Ela usa quatro assuntos diferentes em sequência: conservação da energia, trabalho do atrito, cinemática com aceleração constante e lançamento de projétil. E cada item depende do anterior — errar o u=2 m/su = 2\ \mathrm{m/s} do Passo 1 derruba os três itens.

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Questão 06Prova FinalSimulado da final 2025Colisão de veículos · Impulso e energia dissipada2,0 ptsVer material

Um veículo AA, de massa 3.200 kg3.200\ \mathrm{kg}, percorria um trecho retilíneo, plano e horizontal com velocidade constante vA=10 m/sv_A = 10\ \mathrm{m/s}. Um veículo BB, de massa 800 kg800\ \mathrm{kg} e velocidade constante vB=20 m/sv_B = 20\ \mathrm{m/s}, se aproximava por trás e colidiu com a traseira de AA. Após a colisão os veículos permaneceram unidos, movendo-se a 12 m/s12\ \mathrm{m/s} no mesmo sentido de antes. Determine:

  1. a quantidade de movimento de AA antes da colisão e a intensidade do impulso recebido por AA na colisão;
  2. a energia cinética de AA antes da colisão e o valor absoluto da energia cinética do sistema dissipada na colisão.
Gabarito

a) QA=3,2×104 kg⋅m/sQ_A = 3{,}2\times10^{4}\ \mathrm{kg\cdot m/s} e IA=6,4×103 N⋅sI_A = 6{,}4\times10^{3}\ \mathrm{N\cdot s}.

b) EcA=1,6×105 JE_{cA} = 1{,}6\times10^{5}\ \mathrm{J} e ∣ΔEc∣=3,2×104 J|\Delta E_c| = 3{,}2\times10^{4}\ \mathrm{J}.

Passo a passo

Passo 1 — item (a), a quantidade de movimento. Direto da definição:

QA=mA vA=3200(10)=3,2×104 kg⋅m/sQ_A = m_A\,v_A = 3200(10) = 3{,}2\times10^{4}\ \mathrm{kg\cdot m/s}

Passo 2 — o impulso sobre AA. Pelo teorema do impulso, o impulso recebido por um corpo é a sua variação de momento linear:

IA=∣ΔQA∣=mA ∣v′−vA∣=3200 ∣12−10∣=6,4×103 N⋅sI_A = |\Delta Q_A| = m_A\,|v' - v_A| = 3200\,|12 - 10| = 6{,}4\times10^{3}\ \mathrm{N\cdot s}

Note que a velocidade final 12 m/s12\ \mathrm{m/s} foi dada, mas era dedutível: pela conservação do momento,

3200(10)+800(20)=(4000)v′⇒v′=48 0004000=12 m/s3200(10) + 800(20) = (4000)v' \Rightarrow v' = \frac{48\,000}{4000} = 12\ \mathrm{m/s}

Vale fazer essa conferência: se o valor não fechasse, o enunciado estaria inconsistente.

Passo 3 — item (b), a cinética de AA antes:

EcA=mAvA22=3200(10)22=1,6×105 JE_{cA} = \frac{m_A v_A^2}{2} = \frac{3200(10)^2}{2} = 1{,}6\times10^{5}\ \mathrm{J}

Passo 4 — a energia dissipada é a diferença entre o total antes e o total depois:

Ecantes=3200(10)22+800(20)22=1,6×105+1,6×105=3,2×105 JE_c^{\text{antes}} = \frac{3200(10)^2}{2} + \frac{800(20)^2}{2} = 1{,}6\times10^{5} + 1{,}6\times10^{5} = 3{,}2\times10^{5}\ \mathrm{J}Ecdepois=(3200+800)(12)22=2,88×105 JE_c^{\text{depois}} = \frac{(3200+800)(12)^2}{2} = 2{,}88\times10^{5}\ \mathrm{J}∣ΔEc∣=3,20×105−2,88×105=3,2×104 J|\Delta E_c| = 3{,}20\times10^{5} - 2{,}88\times10^{5} = 3{,}2\times10^{4}\ \mathrm{J}

A leitura da resposta. Só 10%10\% da energia se perdeu, e isso é típico de colisão totalmente inelástica entre corpos de velocidades próximas e no mesmo sentido. Se BB viesse de frente a 20 m/s20\ \mathrm{m/s}, a perda passaria de 80%80\% — é a velocidade relativa que se converte em amassado, não a absoluta. Daí a diferença entre uma batida traseira e uma colisão frontal.

Cuidado. “Impulso recebido por AA” é a variação do momento de AA, não do sistema. O do sistema é zero (não há força externa horizontal); o de cada corpo é igual e oposto ao do outro — confira: 800∣12−20∣=6,4×103 N⋅s800|12 - 20| = 6{,}4\times10^{3}\ \mathrm{N\cdot s}, o mesmo número.

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