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Nabla
FIS08 · 60h

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Questão 011º EE2022.1Movimento retilíneo · Distância percorrida2,5 ptsVer material

O movimento de um ponto material é dado por x=2t3−15t2+24t+4x = 2t^3 - 15t^2 + 24t + 4, com xx em metros e tt em segundos. Determine:

  1. os instantes nos quais a velocidade se anula;
  2. a distância total percorrida de 00 a 5,0 s5{,}0\ \mathrm{s}.
Gabarito

a) t=1,0 st = 1{,}0\ \mathrm{s} e t=4,0 st = 4{,}0\ \mathrm{s}. b) sT=49 ms_T = 49\ \mathrm{m}.

Passo a passo

Passo 1 — Derive a posição para obter a velocidade:

v=dxdt=6t2−30t+24v = \frac{dx}{dt} = 6t^2 - 30t + 24

Passo 2 — Iguale a zero e resolva. Dividindo por 6, t2−5t+4=0t^2 - 5t + 4 = 0:

t=30±900−57612=30±1812⟹t=1,0 s  e  t=4,0 st = \frac{30 \pm \sqrt{900 - 576}}{12} = \frac{30 \pm 18}{12} \quad\Longrightarrow\quad t = 1{,}0\ \mathrm{s} \ \text{ e } \ t = 4{,}0\ \mathrm{s}

Passo 3 — Estes são os instantes em que a partícula inverte o sentido, e é por isso que a distância não é o deslocamento. Calcule a posição em cada um deles e nos extremos:

x(0)=4,x(1)=15,x(4)=−12,x(5)=−1x(0) = 4, \qquad x(1) = 15, \qquad x(4) = -12, \qquad x(5) = -1

Passo 4 — Some os trechos em módulo:

sT=∣15−4∣+∣−12−15∣+∣−1−(−12)∣=11+27+11=49 ms_T = |15 - 4| + |-12 - 15| + |-1 - (-12)| = 11 + 27 + 11 = 49\ \mathrm{m}

Cuidado. O deslocamento seria x(5)−x(0)=−5 mx(5) - x(0) = -5\ \mathrm{m}, de módulo 5 — nada a ver com os 49 m percorridos. Quem não procura os instantes de v=0v = 0 responde 5 e perde a questão.

Esta prova foi reaplicada. A avaliação de 2022.1 voltou idêntica em 2022.2 — mesmas quatro questões, mesmos números. Vale saber: quando aparece uma prova antiga desta equipe, a chance de os enunciados voltarem é real.

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Questão 021º EE2022.1Movimento dependente · Blocos e polias2,5 ptsVer material

Dois blocos estão ligados por uma corda que passa por polias, conforme a montagem em que o comprimento do cabo dá L=2(C−xA)+(xB−xA)+xBL = 2(C - x_A) + (x_B - x_A) + x_B. O bloco AA (à esquerda) parte do repouso para a esquerda com aceleração constante. O bloco BB (à direita) adquire 0,30 m/s0{,}30\ \mathrm{m/s} após mover-se 0,60 m0{,}60\ \mathrm{m}. Determine:

  1. as acelerações de AA e de BB;
  2. a velocidade de AA após 5,0 s5{,}0\ \mathrm{s}.
Gabarito

a) aB=0,075 m/s2a_B = 0{,}075\ \mathrm{m/s^2} e aA=0,050 m/s2a_A = 0{,}050\ \mathrm{m/s^2}, ambas para a esquerda. b) vA=0,25 m/sv_A = 0{,}25\ \mathrm{m/s} para a esquerda.

Passo a passo

Passo 1 — Adote o eixo xx para a direita, com origem na fixação da esquerda, e escreva o comprimento do cabo:

L=2(C−xA)+(xB−xA)+xBL = 2(C - x_A) + (x_B - x_A) + x_B

Passo 2 — Derive em relação ao tempo. As constantes LL e CC desaparecem:

0=−3vA+2vB⟹vB=1,5 vAeaB=1,5 aA0 = -3v_A + 2v_B \quad\Longrightarrow\quad v_B = 1{,}5\,v_A \quad\text{e}\quad a_B = 1{,}5\,a_A

Passo 3 — Como aAa_A é constante, aBa_B também é — e só então vale usar a fórmula de aceleração constante. Para o bloco BB, com v0=0v_0 = 0:

0,302=02+2 aB (0,60)⟹aB=0,075 m/s20{,}30^2 = 0^2 + 2\,a_B\,(0{,}60) \quad\Longrightarrow\quad a_B = 0{,}075\ \mathrm{m/s^2}

Passo 4 — Volte à relação do Passo 2:

aA=aB1,5=0,050 m/s2a_A = \frac{a_B}{1{,}5} = 0{,}050\ \mathrm{m/s^2}

Passo 5 — Para o item (b), movimento uniformemente acelerado a partir do repouso:

vA(5,0)=0+(0,050)(5,0)=0,25 m/sv_A(5{,}0) = 0 + (0{,}050)(5{,}0) = 0{,}25\ \mathrm{m/s}

Cuidado. O fator 1,51{,}5 não é chute: ele sai do número de trechos de cabo que aparecem na conta do comprimento. Contar trecho errado é o erro que decide essa questão, e nenhuma conta posterior salva.

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Questão 031º EE2ª chamadaMovimento retilíneo · Distância percorrida2,5 ptsVer material

O movimento do ponto material é dado por x=2t3−5t2+4t+24x = 2t^3 - 5t^2 + 4t + 24, com xx em metros e tt em segundos. Determine:

  1. os instantes para os quais a velocidade se anula;
  2. a distância total percorrida de 00 a 4,00 s4{,}00\ \mathrm{s}.
Gabarito

a) t1=2/3 st_1 = 2/3\ \mathrm{s} e t2=1,00 st_2 = 1{,}00\ \mathrm{s}. b) sT=64,1 ms_T = 64{,}1\ \mathrm{m}.

Passo a passo

Passo 1 — Derive:

v=6t2−10t+4=2 (3t2−5t+2)v = 6t^2 - 10t + 4 = 2\,(3t^2 - 5t + 2)

Passo 2 — Anule a velocidade:

t=5±25−246⟹t1=23 s,t2=1,00 st = \frac{5 \pm \sqrt{25 - 24}}{6} \quad\Longrightarrow\quad t_1 = \frac{2}{3}\ \mathrm{s}, \qquad t_2 = 1{,}00\ \mathrm{s}

Passo 3 — O movimento inverte o sentido duas vezes, então a distância se parte em três trechos. As posições:

x(0)=24,x ⁣(23)=67627,x(1)=25,x(4)=88x(0) = 24, \qquad x\!\left(\tfrac{2}{3}\right) = \tfrac{676}{27}, \qquad x(1) = 25, \qquad x(4) = 88

Passo 4 — Some em módulo:

sT=∣67627−24∣+∣25−67627∣+∣88−25∣=2827+127+63=173027=64,1 ms_T = \left|\tfrac{676}{27} - 24\right| + \left|25 - \tfrac{676}{27}\right| + |88 - 25| = \tfrac{28}{27} + \tfrac{1}{27} + 63 = \tfrac{1730}{27} = 64{,}1\ \mathrm{m}

Cuidado. As duas raízes são próximas (0,670{,}67 e 1,001{,}00), e os dois primeiros trechos somam pouco mais de 1 m. É tentador arredondar e ignorá-los — mas a questão pede a distância, e quem pula direto de x(0)x(0) a x(4)x(4) responde 64 m por sorte, com o raciocínio errado.

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Questão 041º EE2ª chamadaMovimento dependente · Blocos e polias2,5 ptsVer material

Dois blocos AA e BB (BB à direita de AA) estão apoiados na horizontal. De um pino preso ao chão, entre eles, parte uma corda tensionada para a direita, que passa por uma polia presa em BB, volta para a esquerda passando por uma polia presa em AA e retorna para BB, onde a extremidade é fixada.

O bloco AA parte do repouso para a esquerda com aceleração constante. BB adquire 0,48 m/s0{,}48\ \mathrm{m/s} após mover-se 0,96 m0{,}96\ \mathrm{m}. Determine:

  1. as acelerações de AA e de BB;
  2. a velocidade de AA após 5,0 s5{,}0\ \mathrm{s}.
Gabarito

a) aA=0,18 m/s2a_A = 0{,}18\ \mathrm{m/s^2} e aB=0,12 m/s2a_B = 0{,}12\ \mathrm{m/s^2}, ambas para a esquerda. b) vA=0,90 m/sv_A = 0{,}90\ \mathrm{m/s} para a esquerda.

Passo a passo

Passo 1 — Adote o sentido positivo para a direita, com origem no pino. Seguindo a corda, um trecho vai do pino até BB e dois trechos ligam BB a AA:

L=xB+2 (xB−xA)L = x_B + 2\,(x_B - x_A)

Passo 2 — Derive uma vez e depois outra:

3vB−2vA=0  ⇒  vA=1,5 vBeaA=1,5 aB3v_B - 2v_A = 0 \;\Rightarrow\; v_A = 1{,}5\,v_B \qquad\text{e}\qquad a_A = 1{,}5\,a_B

Como aAa_A é constante, aBa_B também é.

Passo 3 — Os dois partem do repouso, e como AA vai para a esquerda, BB também vai — as duas velocidades são negativas no eixo adotado:

(−0,48)2=02+2 aB (−0,96)⟹aB=−0,12 m/s2(-0{,}48)^2 = 0^2 + 2\,a_B\,(-0{,}96) \quad\Longrightarrow\quad a_B = -0{,}12\ \mathrm{m/s^2}

Passo 4 — Pela relação do Passo 2:

aA=1,5 (−0,12)=−0,18 m/s2a_A = 1{,}5\,(-0{,}12) = -0{,}18\ \mathrm{m/s^2}

ou seja, aA=0,18 m/s2a_A = 0{,}18\ \mathrm{m/s^2} e aB=0,12 m/s2a_B = 0{,}12\ \mathrm{m/s^2}, ambas para a esquerda.

Passo 5 — Item (b):

vA(5,0)=0+(−0,18)(5,0)=−0,90⟹vA=0,90 m/s para a esquerdav_A(5{,}0) = 0 + (-0{,}18)(5{,}0) = -0{,}90 \quad\Longrightarrow\quad v_A = 0{,}90\ \mathrm{m/s}\ \text{para a esquerda}

Compare com a questão da 1ª chamada. Lá o cabo dava vB=1,5 vAv_B = 1{,}5\,v_A; aqui dá vA=1,5 vBv_A = 1{,}5\,v_B. A montagem é parecida, a relação é invertida — é exatamente o tipo de detalhe que a prova troca de uma chamada para a outra.

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Questão 051º EE2022.1Movimento circular · Velocidade mínima no topo2,5 ptsVer material

Uma bola presa a uma corda descreve uma circunferência vertical cujo raio mede 1,25 m1{,}25\ \mathrm{m}. Determine a velocidade mínima da bola no topo da circunferência para que a corda permaneça esticada.

Gabarito

vmin⁡=3,50 m/sv_{\min} = 3{,}50\ \mathrm{m/s}.

Passo a passo

Passo 1 — Faça o diagrama de corpo livre no topo. Há duas forças: o peso mgmg, para baixo, e a tração TT na corda, também para baixo — porque no topo a corda tira a bola para o centro, que está embaixo.

Passo 2 — Escreva a 2ª lei na direção normal, com o sentido positivo para o centro:

mg+T=m v2rmg + T = m\,\frac{v^2}{r}

Passo 3 — Traduza “a corda permanece esticada” para uma condição sobre TT. A corda só puxa, nunca empurra: o limite é T=0T = 0. Abaixo dessa velocidade ela precisaria empurrar, e a bola sai da trajetória circular.

mg=m vmin⁡2r⟹vmin⁡=g rmg = m\,\frac{v_{\min}^2}{r} \quad\Longrightarrow\quad v_{\min} = \sqrt{g\,r}

Passo 4 — Substitua:

vmin⁡=9,81×1,25=3,50 m/sv_{\min} = \sqrt{9{,}81 \times 1{,}25} = 3{,}50\ \mathrm{m/s}

Cuidado. A massa não aparece na resposta — se ela sobrou na sua conta, algo foi projetado errado. E não existe “força centrífuga” neste diagrama: as duas forças apontam para o centro, e é a resultante delas que curva a trajetória.

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Questão 061º EE2022.1Atrito · Bloco sobre suporte móvel2,5 ptsVer material

Um bloco BB de 8,0 kg8{,}0\ \mathrm{kg} repousa sobre um suporte móvel AA de 12 kg12\ \mathrm{kg}. Os coeficientes de atrito entre o bloco e o suporte são μe=0,40\mu_e = 0{,}40 e μc=0,30\mu_c = 0{,}30. Não há atrito entre o suporte e o piso. Um corpo CC pende de um cabo que arrasta o conjunto. Determine:

  1. a maior massa de CC para que o bloco BB não escorregue sobre a plataforma AA;
  2. a aceleração correspondente.
Gabarito

a) mC=2,6 kgm_C = 2{,}6\ \mathrm{kg}. b) a=1,1 m/s2a = 1{,}1\ \mathrm{m/s^2}.

Passo a passo

Passo 1 — Três corpos, três diagramas. Isolando CC, que desce:

mC a=mC g−T(1)m_C\,a = m_C\,g - T \tag{1}

Passo 2 — Isolando o conjunto A+BA + B na horizontal — os dois andam juntos enquanto BB não escorrega, e o piso não tem atrito:

T=(mA+mB) a(2)T = (m_A + m_B)\,a \tag{2}

Passo 3 — Substituindo (2) em (1), a tração sai da conta:

(mA+mB+mC) a=mC g(1’)(m_A + m_B + m_C)\,a = m_C\,g \tag{1'}

Passo 4 — Agora o ponto da questão: quem acelera o bloco BB é o atrito. Ele é a única força horizontal sobre BB. No limite de escorregar, o atrito está no seu máximo estático, Fat=μemBgF_{at} = \mu_e m_B g:

mB a=μe mB g−T→ (2) (mA+2mB) a=μe mB g(3’)m_B\,a = \mu_e\,m_B\,g - T \quad\xrightarrow{\ (2)\ }\quad (m_A + 2m_B)\,a = \mu_e\,m_B\,g \tag{3'}

Passo 5 — Divida (3’) por (1’) para eliminar aa e isolar mCm_C:

mC=μemB mA+mBmA+(2−μe)mB=2,58≈2,6 kgm_C = \mu_e m_B\,\frac{m_A + m_B}{m_A + (2 - \mu_e)m_B} = 2{,}58 \approx 2{,}6\ \mathrm{kg}

Passo 6 — Item (b), direto de (3’):

a=μe mBmA+2mB g=0,40×812+16×9,81=1,1 m/s2a = \mu_e\,\frac{m_B}{m_A + 2m_B}\,g = 0{,}40 \times \frac{8}{12 + 16} \times 9{,}81 = 1{,}1\ \mathrm{m/s^2}

Cuidado. Use μe\mu_e, não μc\mu_c: a pergunta é sobre o limite para não escorregar, e nesse instante ainda não há escorregamento. O μc=0,30\mu_c = 0{,}30 do enunciado é distrator — só entraria se a questão pedisse o que acontece depois de escorregar.

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Questão 071º EE2ª chamadaAtrito · Ângulo de repouso na rampa2,5 ptsVer material

Um bloco escorrega por uma rampa a 30,0∘30{,}0^\circ com aceleração de 3,00 m/s23{,}00\ \mathrm{m/s^2}. O coeficiente de atrito cinético entre o bloco e a rampa é constante. Em seguida, a rampa sofre uma mudança de declividade. Determine o novo ângulo de inclinação para que o bloco passe a escorregar com velocidade constante.

Gabarito

θ′=12,6∘\theta' = 12{,}6^\circ.

Passo a passo

Passo 1 — Escolha os eixos na rampa: um ao longo dela, outro perpendicular. Assim a aceleração fica só num eixo. Perpendicularmente não há aceleração, então

N=m gcos⁡θN = m\,g\cos\theta

Passo 2 — Ao longo da rampa, o peso puxa para baixo com mgsin⁡θmg\sin\theta e o atrito cinético resiste com μcN\mu_c N:

m gsin⁡θ−μc m gcos⁡θ=m a⟹a=g (sin⁡θ−μccos⁡θ)m\,g\sin\theta - \mu_c\,m\,g\cos\theta = m\,a \quad\Longrightarrow\quad a = g\,(\sin\theta - \mu_c\cos\theta)

A massa desaparece — guarde isso, é a conferência da questão.

Passo 3 — Com os dados da primeira rampa, isole o coeficiente:

μc=tan⁡30,0∘−3,009,81 cos⁡30,0∘=0,5774−0,3532=0,2242\mu_c = \tan 30{,}0^\circ - \frac{3{,}00}{9{,}81\,\cos 30{,}0^\circ} = 0{,}5774 - 0{,}3532 = 0{,}2242

Passo 4 — “Velocidade constante” significa a=0a = 0. Na nova inclinação θ′\theta':

0=g (sin⁡θ′−μccos⁡θ′)⟹tan⁡θ′=μc=0,2242⟹θ′=12,6∘0 = g\,(\sin\theta' - \mu_c\cos\theta') \quad\Longrightarrow\quad \tan\theta' = \mu_c = 0{,}2242 \quad\Longrightarrow\quad \theta' = 12{,}6^\circ

O que esse resultado significa. arctan⁡μc\arctan\mu_c é o ângulo de repouso: a inclinação em que o atrito cinético empata exatamente com a componente do peso. Mais inclinado que isso, o bloco acelera; menos, ele desacelera até parar. E note que o coeficiente é o mesmo nas duas rampas — é o que permite usar a primeira situação para descobri-lo.

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Questão 081º EE2ª chamadaComponentes normal e tangencial · Raio de curvatura2,5 ptsVer material

O jato d’água sai do bico da mangueira com aclive de 6,0 cm6{,}0\ \mathrm{cm} na vertical para cada 8,0 cm8{,}0\ \mathrm{cm} na horizontal, com raio de curvatura inicial de 3,8 m3{,}8\ \mathrm{m}. Determine:

  1. a velocidade inicial do jato;
  2. o raio de curvatura no ponto de altura máxima.
Gabarito

a) v0=5,5 m/sv_0 = 5{,}5\ \mathrm{m/s}. b) ρM=1,9 m\rho_M = 1{,}9\ \mathrm{m}.

Passo a passo

Passo 1 — O aclive dá o ângulo de saída: tan⁡θ=6,0/8,0\tan\theta = 6{,}0/8{,}0, o triângulo 3-4-5. Logo

sin⁡θ=35=0,6,cos⁡θ=45=0,8\sin\theta = \tfrac{3}{5} = 0{,}6, \qquad \cos\theta = \tfrac{4}{5} = 0{,}8

Passo 2 — Depois de sair do bico, a única aceleração do jato é gg, para baixo. Projete-a na direção normal à trajetória. Como a velocidade faz ângulo θ\theta com a horizontal, a normal faz θ\theta com a vertical:

an=gcos⁡θ=45 ga_n = g\cos\theta = \tfrac{4}{5}\,g

Passo 3 — Use a definição de aceleração normal no ponto de saída:

an=v02ρ0⟹v0=45 g ρ0=0,8×9,81×3,8=5,46≈5,5 m/sa_n = \frac{v_0^2}{\rho_0} \quad\Longrightarrow\quad v_0 = \sqrt{\tfrac{4}{5}\,g\,\rho_0} = \sqrt{0{,}8 \times 9{,}81 \times 3{,}8} = 5{,}46 \approx 5{,}5\ \mathrm{m/s}

Passo 4 — No ponto de altura máxima a velocidade é horizontal, então gg é inteiramente normal: an=ga_n = g. E na horizontal o movimento é uniforme desde a saída, logo a velocidade ali é vh=v0cos⁡θv_h = v_0\cos\theta:

g=(v0cos⁡θ)2ρM⟹ρM=v02cos⁡2θgg = \frac{(v_0\cos\theta)^2}{\rho_M} \quad\Longrightarrow\quad \rho_M = \frac{v_0^2\cos^2\theta}{g}

Passo 5 — Substituindo v02=45gρ0v_0^2 = \tfrac{4}{5}g\rho_0 do Passo 3, o gg cancela e sobra uma relação limpa:

ρM=45ρ0cos⁡2θ=(45)3ρ0=0,512×3,8=1,9 m\rho_M = \tfrac{4}{5}\rho_0\cos^2\theta = \left(\tfrac{4}{5}\right)^3\rho_0 = 0{,}512 \times 3{,}8 = 1{,}9\ \mathrm{m}

A leitura física. O raio diminui no topo: a curva fecha. Faz sentido — ali a velocidade é a menor de todo o percurso e a aceleração normal é a maior (gg inteiro), e ρ=v2/an\rho = v^2/a_n cai duas vezes por isso.

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Questão 091º EE1ª avaliaçãoAceleração em função da velocidade · a = −2v³3,0 ptsVer material

Uma partícula está se movendo com velocidade 20 m/s20\ \mathrm{m/s} quando s=0s = 0 e t=0t = 0. Se a partícula está sujeita a uma desaceleração a=−2v3a = -2v^{3} (com aa em m/s2\mathrm{m/s^2} e vv em m/s\mathrm{m/s}), determine sua velocidade quando o tempo for 33 segundos.

Gabarito

v=0,289 m/sv = 0{,}289\ \mathrm{m/s}.

Passo a passo

Passo 1 — escolha a definição certa de aceleração. A pergunta relaciona velocidade e tempo, então a forma útil é a=dv/dta = dv/dt — e não a ds=v dva\,ds = v\,dv, que serviria se a pergunta fosse sobre posição.

dvdt=−2v3⟹dvv3=−2 dt\frac{dv}{dt} = -2v^{3} \quad\Longrightarrow\quad \frac{dv}{v^{3}} = -2\,dt

Passo 2 — separe e integre, de v0=20v_0 = 20 em t=0t = 0 até vv em tt:

∫20vv−3 dv=−2∫0tdt⟹[−12v2]20v=−2t\int_{20}^{v} v^{-3}\,dv = -2\int_0^{t} dt \quad\Longrightarrow\quad \left[-\frac{1}{2v^{2}}\right]_{20}^{v} = -2t−12v2+12(20)2=−2t⟹12v2=2t+1800-\frac{1}{2v^{2}} + \frac{1}{2(20)^{2}} = -2t \quad\Longrightarrow\quad \frac{1}{2v^{2}} = 2t + \frac{1}{800}

Passo 3 — isole vv.

v=14t+1400v = \frac{1}{\sqrt{4t + \dfrac{1}{400}}}

Passo 4 — em t=3,00 st = 3{,}00\ \mathrm{s}:

v=112+0,0025=13,4644=0,289 m/sv = \frac{1}{\sqrt{12 + 0{,}0025}} = \frac{1}{3{,}4644} = 0{,}289\ \mathrm{m/s}

A leitura da resposta. A desaceleração é proporcional a v3v^3: enorme no começo (com v=20v = 20, a=−16 000 m/s2a = -16\,000\ \mathrm{m/s^2}) e praticamente nula no fim. O resultado é que a partícula perde 98%98\% da velocidade quase instantaneamente e depois “arrasta” o resto por muito tempo — a velocidade cai como 1/t1/\sqrt{t} e nunca chega a zero. Isso é a assinatura de arrasto de alta ordem, e é por isso que o 1/4001/400 do Passo 3 mal importa em t=3 st = 3\ \mathrm{s}, mas é ele que impede a fórmula de explodir em t=0t = 0.

Cuidado. Não use v=v0+atv = v_0 + at: a aceleração não é constante. E não caia na tentação de escrever a=−2v3a = -2v^3 com vv “médio” — não existe atalho aqui, a integral é obrigatória.

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Questão 101º EE2025.2Aceleração em função da posição · a = −k/x2,5 ptsVer material

A aceleração de uma partícula é definida pela relação a=−k/xa = -k/x. Ela foi determinada experimentalmente: v=15 m/sv = 15\ \mathrm{m/s} quando x=0,6 mx = 0{,}6\ \mathrm{m}, e v=9 m/sv = 9\ \mathrm{m/s} quando x=1,2 mx = 1{,}2\ \mathrm{m}. Determine a posição da partícula em que a velocidade é zero.

Gabarito

k=103,9 m2/s2k = 103{,}9\ \mathrm{m^2/s^2} e xf=1,77 mx_f = 1{,}77\ \mathrm{m}.

Passo a passo

Passo 1 — a relação sem tempo. A aceleração é dada em função de xx e a pergunta é sobre xx: nada de tempo na conta. A ponte é

a=vdvdx⟹v dv=−kx dxa = v\frac{dv}{dx} \quad\Longrightarrow\quad v\,dv = -\frac{k}{x}\,dx

Passo 2 — integre entre os dois pontos medidos para descobrir kk:

∫159v dv=−k∫0,61,2dxx⟹92−1522=−k ln⁡ ⁣1,20,6\int_{15}^{9} v\,dv = -k\int_{0{,}6}^{1{,}2}\frac{dx}{x} \quad\Longrightarrow\quad \frac{9^2 - 15^2}{2} = -k\,\ln\!\frac{1{,}2}{0{,}6}−72=−k ln⁡2⟹k=720,6931=103,9 m2/s2-72 = -k\,\ln 2 \quad\Longrightarrow\quad k = \frac{72}{0{,}6931} = 103{,}9\ \mathrm{m^2/s^2}

Passo 3 — agora integre de um ponto conhecido até v=0v = 0. Use o par (9 m/s; 1,2 m)(9\ \mathrm{m/s};\ 1{,}2\ \mathrm{m}), que dá números menores:

∫90v dv=−k∫1,2xfdxx⟹−812=−103,9 ln⁡ ⁣xf1,2\int_{9}^{0} v\,dv = -k\int_{1{,}2}^{x_f}\frac{dx}{x} \quad\Longrightarrow\quad -\frac{81}{2} = -103{,}9\,\ln\!\frac{x_f}{1{,}2}ln⁡ ⁣xf1,2=40,5103,9=0,3899⟹xf=1,2 e0,3899=1,77 m\ln\!\frac{x_f}{1{,}2} = \frac{40{,}5}{103{,}9} = 0{,}3899 \quad\Longrightarrow\quad x_f = 1{,}2\,e^{0{,}3899} = 1{,}77\ \mathrm{m}

Por que integrar duas vezes, e não uma. A primeira integral usa os dois dados experimentais para calibrar a constante desconhecida do modelo; a segunda usa a constante calibrada para prever algo novo. É o roteiro de toda questão que dá “determinado experimentalmente” — sempre há uma constante escondida, e ela vem antes da resposta.

Cuidado com o sinal. A partícula está desacelerando (a<0a \lt 0 para x>0x \gt 0), então ela avança até parar em xf=1,77 mx_f = 1{,}77\ \mathrm{m}. Se você achar xf<1,2x_f \lt 1{,}2, o sinal do logaritmo se inverteu em algum lugar.

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Questão 111º EE2023.1Aceleração linear no tempo · Distância total percorrida2,0 ptsVer material

A aceleração de uma partícula é diretamente proporcional ao tempo tt. Sabendo que v(t=1,00 s)=19,0 m/sv(t = 1{,}00\ \mathrm{s}) = 19{,}0\ \mathrm{m/s}, v(t=3,00 s)=17,0 m/sv(t = 3{,}00\ \mathrm{s}) = 17{,}0\ \mathrm{m/s} e x(t=3,00 s)=22,0 mx(t = 3{,}00\ \mathrm{s}) = 22{,}0\ \mathrm{m}, determine a distância total percorrida SifS_{if} entre ti=0t_i = 0 e tf=12,0 st_f = 12{,}0\ \mathrm{s}.

Gabarito

Sif=138 mS_{if} = 138\ \mathrm{m} (com k=−12 m/s3k = -\tfrac12\ \mathrm{m/s^3} e inversão de sentido em t∗=77=8,77 st^\ast = \sqrt{77} = 8{,}77\ \mathrm{s}).

Passo a passo

Passo 1 — traduza “diretamente proporcional”.

a=k ta = k\,t

com kk desconhecido — e são os dois valores de velocidade que o determinam.

Passo 2 — integre aa entre os dois instantes conhecidos:

∫1917dv=k∫13t dt⟹17−19=k2 (32−12)=4k\int_{19}^{17} dv = k\int_{1}^{3} t\,dt \quad\Longrightarrow\quad 17 - 19 = \frac{k}{2}\,(3^2 - 1^2) = 4kk=−12 m/s3k = -\tfrac{1}{2}\ \mathrm{m/s^3}

Passo 3 — a lei da velocidade. Integrando de t=1t = 1 até tt genérico:

v=19−14(t2−1)⟹v(t)=77−t24v = 19 - \tfrac{1}{4}(t^2 - 1) \quad\Longrightarrow\quad v(t) = \frac{77 - t^2}{4}

Passo 4 — a partícula inverte o sentido. v=0v = 0 em

t∗=77=8,775 st^\ast = \sqrt{77} = 8{,}775\ \mathrm{s}

e 8,775<128{,}775 \lt 12: o instante de inversão está dentro do intervalo pedido. É aqui que a questão é ganha ou perdida — “distância total percorrida” não é ∣x(12)−x(0)∣|x(12) - x(0)|.

Passo 5 — a lei da posição. Integrando vv a partir de x(3)=22x(3) = 22:

x(t)=22+14[77(t−3)−t3−273]=−t312+77 t4−672x(t) = 22 + \frac{1}{4}\left[77(t - 3) - \frac{t^3 - 27}{3}\right] = -\frac{t^3}{12} + \frac{77\,t}{4} - \frac{67}{2}

Confira: x(3)=−2,25+57,75−33,5=22x(3) = -2{,}25 + 57{,}75 - 33{,}5 = 22. ✔

Passo 6 — os três valores que importam:

x(0)=−33,5x(t∗)=77776−672=79,1x(12)=−144+231−33,5=53,5x(0) = -33{,}5 \qquad x(t^\ast) = \frac{77\sqrt{77}}{6} - \frac{67}{2} = 79{,}1 \qquad x(12) = -144 + 231 - 33{,}5 = 53{,}5

Passo 7 — some os dois trechos, cada um em módulo:

Sif=∣x(t∗)−x(0)∣⏟112,6+∣x(12)−x(t∗)∣⏟25,6=138 mS_{if} = \underbrace{|x(t^\ast) - x(0)|}_{112{,}6} + \underbrace{|x(12) - x(t^\ast)|}_{25{,}6} = 138\ \mathrm{m}

O erro que a questão está caçando. O deslocamento é x(12)−x(0)=87,0 mx(12) - x(0) = 87{,}0\ \mathrm{m}; a distância percorrida é 138 m138\ \mathrm{m}. A diferença de 51 m51\ \mathrm{m} é o ir-e-voltar depois de t∗t^\ast. Sempre que a aceleração troca de sinal — ou aqui, sempre que vv troca de sinal — procure a raiz de v(t)=0v(t) = 0 antes de calcular qualquer distância.

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Questão 121º EE2024.2Arrasto quadrático · A bola de boliche no lago3,0 ptsVer material

Uma bola de boliche é solta de um barco e atinge a superfície de um lago com velocidade de 8 m/s8\ \mathrm{m/s}. Considerando que dentro da água a bola experimenta uma aceleração a=10−0,9 v2a = 10 - 0{,}9\,v^2 (SI), determine a velocidade da bola quando ela atinge o fundo do lago, a 10 m10\ \mathrm{m} de profundidade.

Gabarito

v=3,33 m/sv = 3{,}33\ \mathrm{m/s}.

Passo a passo

Passo 1 — a relação sem tempo. O dado é a profundidade, então:

a=vdvdx=10−0,9v2⟹∫8vv dv10−0,9v2=∫010dx(I)a = v\frac{dv}{dx} = 10 - 0{,}9v^2 \quad\Longrightarrow\quad \int_{8}^{v}\frac{v\,dv}{10 - 0{,}9v^2} = \int_0^{10} dx \tag{I}

Passo 2 — a integral da esquerda, por substituição. Com u=10−0,9v2u = 10 - 0{,}9v^2 tem-se du=−1,8 v dvdu = -1{,}8\,v\,dv, ou seja v dv=−du/1,8v\,dv = -du/1{,}8:

∫v dv10−0,9v2=−11,8∫duu=−11,8ln⁡u\int \frac{v\,dv}{10-0{,}9v^2} = -\frac{1}{1{,}8}\int\frac{du}{u} = -\frac{1}{1{,}8}\ln u

Passo 3 — avalie. Em v=8v = 8: u0=10−0,9(64)=−47,6u_0 = 10 - 0{,}9(64) = -47{,}6. Levando em (I):

−11,8ln⁡ ⁣[10−0,9v2−47,6]=10⟹ln⁡ ⁣[10−0,9v2−47,6]=−18-\frac{1}{1{,}8}\ln\!\left[\frac{10 - 0{,}9v^2}{-47{,}6}\right] = 10 \quad\Longrightarrow\quad \ln\!\left[\frac{10 - 0{,}9v^2}{-47{,}6}\right] = -1810−0,9v2=−47,6 e−18⟹v=10+47,6 e−180,910 - 0{,}9v^2 = -47{,}6\,e^{-18} \quad\Longrightarrow\quad v = \sqrt{\frac{10 + 47{,}6\,e^{-18}}{0{,}9}}v=3,33 m/sv = 3{,}33\ \mathrm{m/s}

Passo 4 — a leitura, que vale mais que a conta. e−18=1,5×10−8e^{-18} = 1{,}5\times10^{-8}: o termo exponencial é numericamente irrelevante. Isso significa que a bola já chegou à sua velocidade terminal muito antes dos 10 m10\ \mathrm{m} — e a velocidade terminal é onde a aceleração se anula:

10−0,9 vt2=0⟹vt=100,9=3,33 m/s10 - 0{,}9\,v_t^2 = 0 \quad\Longrightarrow\quad v_t = \sqrt{\frac{10}{0{,}9}} = 3{,}33\ \mathrm{m/s}

Exatamente a resposta. A bola entrou na água a 8 m/s8\ \mathrm{m/s}, acima da terminal, e o arrasto a freou até 3,333{,}33 em poucos centímetros.

O que fazer com isso na prova. Calcule vtv_t primeiro, em uma linha: ele te diz para onde o resultado tem de convergir e serve de conferência. Mas apresente a integral — o enunciado desta prova avisa que “questões com cálculos parciais ou sem justificativa implicarão na anulação total”.

Cuidado com o sinal do uu. Como a bola entra mais rápido que a terminal, 10−0,9v210 - 0{,}9v^2 é negativo durante todo o percurso. O argumento do logaritmo é uma razão de dois negativos — positivo, e o log existe. Quem “corrige” o sinal na mão perde o resultado.

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Questão 131º EE2023.1Movimento dependente · Três cabos e quatro corpos2,0 ptsVer material

Na figura dada, o bloco AA parte do repouso para a esquerda com aceleração constante. Depois de 4,00 s4{,}00\ \mathrm{s}, BB adquire velocidade de 400 mm/s400\ \mathrm{mm/s}. Determine:

  1. as acelerações de AA e BB;
  2. a velocidade de DD em relação a AA após BB se deslocar 450 mm450\ \mathrm{mm}.

O que a figura fornece. Com o eixo xx positivo para a direita e a origem na parede, os dois cabos do arranjo dão as relações de comprimento

L=xB+(xB−xA)+2 (C−xA)=const.L′=(C−xD)+(C−xA)=const.L = x_B + (x_B - x_A) + 2\,(C - x_A) = \text{const.} \qquad L' = (C - x_D) + (C - x_A) = \text{const.}

em que CC é a posição (fixa) da polia da direita.

Gabarito

a) aA=66,7 mm/s2a_A = 66{,}7\ \mathrm{mm/s^2} (←) e aB=100 mm/s2a_B = 100\ \mathrm{mm/s^2} (←).

b) vD/A=400 mm/sv_{D/A} = 400\ \mathrm{mm/s} (→).

Passo a passo

Passo 1 — derive o primeiro vínculo. O comprimento é constante, então a soma das derivadas é zero:

vB+(vB−vA)+2(−vA)=0⟹2vB=3vA⟹vB=1,5 vA(1)v_B + (v_B - v_A) + 2(-v_A) = 0 \quad\Longrightarrow\quad 2v_B = 3v_A \quad\Longrightarrow\quad v_B = 1{,}5\,v_A \tag{1}

Derivando de novo, aB=1,5 aAa_B = 1{,}5\,a_A. E como aAa_A é constante por enunciado, aBa_B também é: os dois movimentos são uniformemente variados, e valem as três fórmulas de aceleração constante.

Passo 2 — item (a). Os dois partem do repouso (de (1), vB=0v_B = 0 quando vA=0v_A = 0) e vão para a esquerda, ou seja, com sinal negativo:

vA(4)=vB(4)1,5=−4001,5=−267 mm/sv_A(4) = \frac{v_B(4)}{1{,}5} = \frac{-400}{1{,}5} = -267\ \mathrm{mm/s}aA=vA(4)−04,00=−66,7 mm/s2aB=1,5(−66,7)=−100 mm/s2a_A = \frac{v_A(4) - 0}{4{,}00} = -66{,}7\ \mathrm{mm/s^2} \qquad a_B = 1{,}5(-66{,}7) = -100\ \mathrm{mm/s^2}

Em módulo e sentido: aA=66,7 mm/s2a_A = 66{,}7\ \mathrm{mm/s^2} (←) e aB=100 mm/s2a_B = 100\ \mathrm{mm/s^2} (←).

Passo 3 — o segundo vínculo, para achar DD. Derivando L′L':

−vD−vA=0⟹vD=−vA-v_D - v_A = 0 \quad\Longrightarrow\quad v_D = -v_A

DD anda em sentido oposto a AA, com o mesmo módulo. Logo a velocidade relativa é

vD/A=vD−vA=−2vA(2)v_{D/A} = v_D - v_A = -2v_A \tag{2}

Passo 4 — a velocidade de BB após andar 450 mm450\ \mathrm{mm} (para a esquerda, ΔxB=−450\Delta x_B = -450), por Torricelli:

vB2=0+2 aB ΔxB=2(−100)(−450)=9,0×104⟹vB=−300 mm/sv_B^2 = 0 + 2\,a_B\,\Delta x_B = 2(-100)(-450) = 9{,}0\times10^{4} \quad\Longrightarrow\quad v_B = -300\ \mathrm{mm/s}

Passo 5 — desça a cadeia até a resposta, por (1) e (2):

vA=−3001,5=−200 mm/svD/A=−2(−200)=+400 mm/s (→)v_A = \frac{-300}{1{,}5} = -200\ \mathrm{mm/s} \qquad v_{D/A} = -2(-200) = +400\ \mathrm{mm/s}\ (\rightarrow)

O método, que é o mesmo em toda questão de cabos. Escreva o comprimento total como soma de segmentos em função das coordenadas; derive uma vez para velocidades, duas para acelerações. Nunca tente adivinhar a razão “por quantas cordas seguram o bloco” quando há mais de um cabo: aqui, a razão 1,51{,}5 não é nenhum dos “2” ou “3” óbvios do desenho.

Cuidado com o sinal na raiz. Torricelli dá vB2v_B^2; você escolhe o sinal, pelo sentido físico. BB está indo para a esquerda, então vB=−300v_B = -300, não +300+300 — e trocar isso inverte a resposta do item (b).

O mesmo arranjo já caiu antes. O primeiro vínculo desta questão é exatamente o de 2022.1/2022.2 — L=2(C−xA)+(xB−xA)+xBL = 2(C-x_A) + (x_B - x_A) + x_B, que dá vB=1,5 vAv_B = 1{,}5\,v_A. O que 2023.1 acrescentou foi o segundo cabo, com o corpo DD, e a pergunta em velocidade relativa. Se você já treinou a versão de 2022, metade desta estava feita.

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Questão 141º EE2021.2Trator içando bloco · Velocidade e aceleração pelo vínculo3,5 ptsVer material

Um trator em AA está içando um bloco ao caminhar para a direita com velocidade constante vA=0,6 m/sv_A = 0{,}6\ \mathrm{m/s}. A corda tem 50 m50\ \mathrm{m} de comprimento e passa sobre uma pequena polia em BB, no topo de uma parede de 20 m20\ \mathrm{m}. Determine a velocidade e a aceleração do bloco quando ele alcança a altura de 8 m8\ \mathrm{m}.

Bbloco20 my = 8 m0,6 m/sx

A corda tem comprimento fixo: o que o trator “puxa” do lado inclinado, o bloco ganha em altura. E o trecho inclinado cresce como x2+400\sqrt{x^2 + 400} — não como xx.

Gabarito

v=0,510 m/sv = 0{,}510\ \mathrm{m/s} (subindo) e a=2,62×10−3 m/s2a = 2{,}62\times10^{-3}\ \mathrm{m/s^2}.

Passo a passo

Passo 1 — escreva o comprimento da corda. Com xx a distância horizontal do trator à parede e yy a altura do bloco, o trecho inclinado é a hipotenusa e o trecho vertical é 20−y20 - y:

x2+202⏟trator → B+(20−y)⏟B → bloco=50\underbrace{\sqrt{x^2 + 20^2}}_{\text{trator}\,\to\,B} + \underbrace{(20 - y)}_{B\,\to\,\text{bloco}} = 50x2+400=30+y(1)\sqrt{x^2 + 400} = 30 + y \tag{1}

Passo 2 — a posição do trator quando y=8y = 8.

x2+400=38⟹x=1444−400=32,31 m\sqrt{x^2 + 400} = 38 \quad\Longrightarrow\quad x = \sqrt{1444 - 400} = 32{,}31\ \mathrm{m}

Passo 3 — derive (1) uma vez. Chamando s=x2+400s = \sqrt{x^2+400}, note que s˙=y˙\dot{s} = \dot{y}:

s˙=x x˙s⟹y˙=32,31 (0,6)38=0,510 m/s\dot{s} = \frac{x\,\dot{x}}{s} \quad\Longrightarrow\quad \dot{y} = \frac{32{,}31\,(0{,}6)}{38} = 0{,}510\ \mathrm{m/s}

Passo 4 — derive outra vez, lembrando que x¨=0\ddot{x} = 0 (velocidade do trator é constante):

s¨=x˙2+x x¨s−(x x˙)2s3=x˙2s−(xx˙)2s3\ddot{s} = \frac{\dot{x}^2 + x\,\ddot{x}}{s} - \frac{(x\,\dot{x})^2}{s^3} = \frac{\dot{x}^2}{s} - \frac{(x\dot{x})^2}{s^3}y¨=0,3638−(19,39)2383=9,47×10−3−6,85×10−3\ddot{y} = \frac{0{,}36}{38} - \frac{(19{,}39)^2}{38^3} = 9{,}47\times10^{-3} - 6{,}85\times10^{-3}y¨=2,62×10−3 m/s2\ddot{y} = 2{,}62\times10^{-3}\ \mathrm{m/s^2}

O ponto da questão. O trator anda a velocidade constante, e o bloco ainda assim tem aceleração — pequena, mas não nula. A razão é geométrica: a taxa com que a hipotenusa cresce depende do ângulo, e o ângulo muda. Quando o trator está longe (x≫20x \gg 20), a corda fica quase horizontal e y˙→x˙\dot{y} \to \dot{x}; perto da parede, y˙→0\dot{y} \to 0.

Cuidado. Não escreva x2+400≈x+const\sqrt{x^2+400} \approx x + \text{const}. E ao derivar a raiz, não esqueça o segundo termo de s¨\ddot{s}: ele vale 72%72\% do primeiro aqui, e ignorá-lo triplica a resposta.

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Questão 151º EE2024.2Vínculo com raiz + 2ª lei · Tração na corda do trator3,0 ptsVer material

O trator é usado para levantar a carga BB de 150 kg150\ \mathrm{kg} com o sistema mostrado, que usa uma corda de 24 m24\ \mathrm{m} de comprimento, haste e polia ideais. O topo da haste está a 12 m12\ \mathrm{m} do solo. Se o trator, em determinado instante, se move para a direita com aceleração de 3 m/s23\ \mathrm{m/s^2} e tem velocidade de 4 m/s4\ \mathrm{m/s} no instante em que sA=5 ms_A = 5\ \mathrm{m}, determine a tração na corda nesse instante. Considere que sA=0s_A = 0 quando sB=0s_B = 0.

Adote g=9,81 m/s2g = 9{,}81\ \mathrm{m/s^2}.

B12 msBsA

Duas metades independentes: a cinemática do vínculo dá s¨B\ddot{s}_B a partir do movimento do trator; a 2ª lei aplicada só à carga dá a tração.

Gabarito

s¨B=2,20 m/s2\ddot{s}_B = 2{,}20\ \mathrm{m/s^2} e T=1,80 kNT = 1{,}80\ \mathrm{kN}.

Passo a passo

Passo 1 — a 2ª lei para a carga. Ela sobe, então a tração vence o peso:

T−mB g=mB s¨B⟹T−1471,5=150 s¨B(I)T - m_B\,g = m_B\,\ddot{s}_B \quad\Longrightarrow\quad T - 1471{,}5 = 150\,\ddot{s}_B \tag{I}

Uma equação, duas incógnitas. A que falta é cinemática, não dinâmica.

Passo 2 — o vínculo do comprimento. Chamando h=12 mh = 12\ \mathrm{m}, o trecho inclinado (topo da haste até o trator) é sA2+h2\sqrt{s_A^2 + h^2} e o trecho vertical até a carga encurta de sBs_B:

(h−sB)⏟topo → B+sA2+h2=24\underbrace{(h - s_B)}_{\text{topo}\,\to\,B} + \sqrt{s_A^2 + h^2} = 24

Passo 3 — derive uma vez.

−s˙B+sA s˙AsA2+h2=0⟹s˙B=sA s˙AsA2+h2-\dot{s}_B + \frac{s_A\,\dot{s}_A}{\sqrt{s_A^2 + h^2}} = 0 \quad\Longrightarrow\quad \dot{s}_B = \frac{s_A\,\dot{s}_A}{\sqrt{s_A^2 + h^2}}

Com sA=5s_A = 5, s˙A=4\dot{s}_A = 4 e 25+144=13\sqrt{25 + 144} = 13:

s˙B=5(4)13=1,538 m/s\dot{s}_B = \frac{5(4)}{13} = 1{,}538\ \mathrm{m/s}

Passo 4 — derive outra vez. Chamando L=sA2+h2L = \sqrt{s_A^2 + h^2}:

s¨B=s˙A2+sA s¨AL−(sA s˙A)2L3\ddot{s}_B = \frac{\dot{s}_A^2 + s_A\,\ddot{s}_A}{L} - \frac{(s_A\,\dot{s}_A)^2}{L^3}s¨B=16+5(3)13−(20)2133=3113−4002197\ddot{s}_B = \frac{16 + 5(3)}{13} - \frac{(20)^2}{13^3} = \frac{31}{13} - \frac{400}{2197}s¨B=2,385−0,182=2,20 m/s2\ddot{s}_B = 2{,}385 - 0{,}182 = 2{,}20\ \mathrm{m/s^2}

Passo 5 — volte a (I).

T=150(2,20)+1471,5=1,80×103 N=1,80 kNT = 150(2{,}20) + 1471{,}5 = 1{,}80\times10^{3}\ \mathrm{N} = 1{,}80\ \mathrm{kN}

A leitura da resposta. O peso da carga sozinho é 1,47 kN1{,}47\ \mathrm{kN}; a tração é 22%22\% maior porque a carga está acelerando para cima. Se o trator andasse a velocidade constante nessa mesma posição, a aceleração da carga seria só −0,182 m/s2-0{,}182\ \mathrm{m/s^2} (o segundo termo, negativo) e a tração ficaria abaixo do peso.

Por que dois termos na segunda derivada. O primeiro vem de s¨A\ddot{s}_A e de s˙A2\dot{s}_A^2; o segundo, da mudança de direção da corda. Eles têm sinais opostos e magnitudes muito diferentes aqui, mas em outra posição podem se cancelar — e é por isso que não existe atalho geométrico nesse tipo de questão.

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Questão 161º EE2025.2Roldanas com três cabos sobre a carga · Velocidade em 5 s3,0 ptsVer material

Os dois blocos mostrados na figura estão originalmente em repouso. Desprezando as massas das roldanas e o efeito do atrito nessas roldanas e entre o bloco AA e a superfície horizontal, determine a velocidade do bloco BB no instante 55 segundos.

mA=30 kgm_A = 30\ \mathrm{kg}, mB=25 kgm_B = 25\ \mathrm{kg}, g=9,81 m/s2g = 9{,}81\ \mathrm{m/s^2}.

A30 kgDB25 kg123

Conte os trechos verticais. São três entre o alto e BB — dois na roldana móvel e um preso direto no corpo de BB. É esse número, e só ele, que fixa a razão do vínculo e a força que sustenta BB.

Gabarito

aB=0,831 m/s2a_B = 0{,}831\ \mathrm{m/s^2} e vB=4,16 m/sv_B = 4{,}16\ \mathrm{m/s} (com aA=2,49 m/s2a_A = 2{,}49\ \mathrm{m/s^2}).

Passo a passo

Passo 1 — o vínculo, contando os trechos. Medindo sBs_B para baixo a partir do nível das polias fixas, os três trechos verticais têm comprimento sBs_B cada, e o trecho horizontal vale sAs_A:

sA+3 sB=L=const.⟹vA=−3 vB⟹∣aA∣=3 ∣aB∣(1)s_A + 3\,s_B = L = \text{const.} \quad\Longrightarrow\quad v_A = -3\,v_B \quad\Longrightarrow\quad |a_A| = 3\,|a_B| \tag{1}

Passo 2 — a 2ª lei para AA. Superfície e roldanas sem atrito, então a única força horizontal é a tração:

T=mA aA=30 (3 aB)=90 aB(2)T = m_A\,a_A = 30\,(3\,a_B) = 90\,a_B \tag{2}

Passo 3 — a 2ª lei para BB. Aqui está o segundo uso do “três”: são três trechos de cabo tirando BB para cima, cada um com a mesma tração TT (roldanas ideais):

mB g−3T=mB aB(3)m_B\,g - 3T = m_B\,a_B \tag{3}

Passo 4 — junte (2) em (3).

25(9,81)−3(90 aB)=25 aB25(9{,}81) - 3(90\,a_B) = 25\,a_B245,25=295 aB⟹aB=0,831 m/s2245{,}25 = 295\,a_B \quad\Longrightarrow\quad a_B = 0{,}831\ \mathrm{m/s^2}

Passo 5 — cinemática. Partiu do repouso e a aceleração é constante:

vB=aB t=0,831(5)=4,16 m/sv_B = a_B\,t = 0{,}831(5) = 4{,}16\ \mathrm{m/s}

E, por (1), AA desliza a vA=12,5 m/sv_A = 12{,}5\ \mathrm{m/s} — três vezes mais rápido.

Onde essa questão é perdida. O “3” aparece duas vezes, e nos dois lugares tem de ser o mesmo número:

  • na cinemática, aA=3aBa_A = 3a_B (o bloco leve anda três vezes mais);
  • na dinâmica, 3T3T sustenta BB.

Se você usar 3 num lugar e 2 no outro, a conta fecha e a resposta sai errada — sem nenhum aviso. Conte os trechos no desenho, marque cada um, e só então escreva as equações.

Confira pela energia. É a melhor apólice contra erro de vínculo: a potência que BB entrega ao cabo tem de ser a que AA recebe. 3T vB=T vA3T\,v_B = T\,v_A, e de fato 3vB=vA3v_B = v_A. ✔

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Questão 171º EE2023.1Raio de curvatura no lançamento e em outro ponto2,0 ptsVer material

Uma criança lança de 1,50 m1{,}50\ \mathrm{m} de altura uma bola com velocidade de 18,0 m/s18{,}0\ \mathrm{m/s} fazendo 30,0∘30{,}0^\circ com a horizontal. Determine a velocidade da bola nos pontos de sua trajetória em que o raio de curvatura é 2/32/3 do valor no ponto de lançamento.

Gabarito

vP=15,7 m/sv_P = 15{,}7\ \mathrm{m/s}.

Passo a passo

Passo 1 — a única força é o peso. Então a aceleração é gg para baixo, sempre. Sua componente normal à trajetória, em um ponto onde a velocidade faz ângulo θ\theta com a horizontal, é

an=gcos⁡θ=v2ρ⟹ρ=v2gcos⁡θ(1)a_n = g\cos\theta = \frac{v^2}{\rho} \quad\Longrightarrow\quad \rho = \frac{v^2}{g\cos\theta} \tag{1}

Essa é a relação que carrega toda a questão: a normal do peso é gcos⁡θg\cos\theta, e não gg nem gsin⁡θg\sin\theta.

Passo 2 — escreva os dois pontos por (1). No lançamento (LL), θL=30∘\theta_L = 30^\circ; no ponto pedido (PP), θP\theta_P é incógnito:

ρL=vL2gcos⁡30∘ρP=vP2gcos⁡θP\rho_L = \frac{v_L^2}{g\cos 30^\circ} \qquad \rho_P = \frac{v_P^2}{g\cos\theta_P}

A condição do enunciado é ρP=23ρL\rho_P = \tfrac{2}{3}\rho_L:

vP2cos⁡θP=23⋅vL2cos⁡30∘(2)\frac{v_P^2}{\cos\theta_P} = \frac{2}{3}\cdot\frac{v_L^2}{\cos 30^\circ} \tag{2}

Passo 3 — a segunda relação, que elimina θP\theta_P. No lançamento de projétil, a componente horizontal da velocidade é constante:

vLcos⁡30∘=vPcos⁡θP⟹cos⁡θP=vLcos⁡30∘vP(3)v_L\cos 30^\circ = v_P\cos\theta_P \quad\Longrightarrow\quad \cos\theta_P = \frac{v_L\cos 30^\circ}{v_P} \tag{3}

É esse o passo que faz a questão funcionar — sem ele, sobram duas incógnitas e uma equação.

Passo 4 — substitua (3) em (2). Os cossenos de 30∘30^\circ cancelam:

vP2 vPvLcos⁡30∘=23⋅vL2cos⁡30∘⟹vP3=23 vL3\frac{v_P^2\,v_P}{v_L\cos 30^\circ} = \frac{2}{3}\cdot\frac{v_L^2}{\cos 30^\circ} \quad\Longrightarrow\quad v_P^3 = \frac{2}{3}\,v_L^3

Passo 5 — a raiz é cúbica, não quadrada.

vP=233  vL=0,8736 (18,0)=15,7 m/sv_P = \sqrt[3]{\tfrac{2}{3}}\;v_L = 0{,}8736\,(18{,}0) = 15{,}7\ \mathrm{m/s}

A leitura da resposta. A relação ρ∝v3\rho \propto v^3 (juntando (1) e (3)) é elegante e vale para qualquer projétil: o raio de curvatura é proporcional ao cubo da velocidade. Menos 2/32/3 de raio custa só 13%13\% de velocidade.

E note o que não foi usado: a altura de 1,50 m1{,}50\ \mathrm{m}. Ela é distrator puro — a resposta não depende de onde a bola foi lançada. Existem dois pontos com esse raio, um na subida e um na descida, e é por isso que o enunciado diz “nos pontos”, no plural.

Cuidado com a raiz. vP3=23vL3v_P^3 = \tfrac23 v_L^3 dá vP=(2/3)1/3vL=15,7v_P = (2/3)^{1/3}v_L = 15{,}7. Escrever 2/3 (18)=14,7\sqrt{2/3}\,(18) = 14{,}7 é o erro mais provável — e a diferença de 1 m/s1\ \mathrm{m/s} é grande o bastante para custar a questão.

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Questão 181º EE2024.1Projétil · Ângulo que maximiza a área da trajetória3,0 ptsVer material

Um projétil é lançado obliquamente no vácuo com velocidade inicial V0V_0 formando um ângulo α\alpha com o eixo horizontal, no plano XYXY. Considerando a aceleração da gravidade local igual a gg e desprezando todas as formas de dissipação de energia, encontre o ângulo de lançamento para que a área da trajetória tenha valor máximo.

Gabarito

α=60∘\alpha = 60^\circ.

Passo a passo

Passo 1 — as duas grandezas da parábola. Do lançamento de projétil:

R=V02sin⁡2αghmax⁡=V02sin⁡2α2gR = \frac{V_0^2\sin 2\alpha}{g} \qquad h_{\max} = \frac{V_0^2\sin^2\alpha}{2g}

Passo 2 — a área sob uma parábola. O segmento parabólico de base RR e altura hh tem área

A=23 R hA = \tfrac{2}{3}\,R\,h

Esse 2/32/3 é de Arquimedes, e vale a pena guardar — é a área entre a parábola e a sua corda, e aparece em toda questão desse tipo. (Se você não lembrar, é uma integral de duas linhas: ∫0R(xtan⁡α−gx22V02cos⁡2α)dx\int_0^R\left(x\tan\alpha - \frac{g x^2}{2V_0^2\cos^2\alpha}\right)dx dá o mesmo.)

Passo 3 — monte A(α)A(\alpha).

A=23⋅V02sin⁡2αg⋅V02sin⁡2α2g=V043g2 sin⁡2α sin⁡2αA = \frac{2}{3}\cdot\frac{V_0^2\sin 2\alpha}{g}\cdot\frac{V_0^2\sin^2\alpha}{2g} = \frac{V_0^4}{3g^2}\,\sin 2\alpha\,\sin^2\alpha

Abrindo sin⁡2α=2sin⁡αcos⁡α\sin 2\alpha = 2\sin\alpha\cos\alpha:

A=2V043g2 sin⁡3α cos⁡αA = \frac{2V_0^4}{3g^2}\,\sin^3\alpha\,\cos\alpha

Passo 4 — maximize. Só o fator f(α)=sin⁡3αcos⁡αf(\alpha) = \sin^3\alpha\cos\alpha depende de α\alpha:

f′(α)=3sin⁡2αcos⁡2α−sin⁡4α=sin⁡2α(3cos⁡2α−sin⁡2α)f'(\alpha) = 3\sin^2\alpha\cos^2\alpha - \sin^4\alpha = \sin^2\alpha\left(3\cos^2\alpha - \sin^2\alpha\right)

Anulando (e descartando α=0\alpha = 0, que dá área nula):

tan⁡2α=3⟹tan⁡α=3⟹α=60∘\tan^2\alpha = 3 \quad\Longrightarrow\quad \tan\alpha = \sqrt{3} \quad\Longrightarrow\quad \boxed{\alpha = 60^\circ}

Passo 5 — a área máxima, se a questão pedir o valor:

Amax⁡=2V043g2(32) ⁣3 ⁣(12)=3 V048g2A_{\max} = \frac{2V_0^4}{3g^2}\left(\frac{\sqrt3}{2}\right)^{\!3}\!\left(\frac{1}{2}\right) = \frac{\sqrt3\,V_0^4}{8g^2}

A leitura da resposta. 45∘45^\circ maximiza o alcance; 90∘90^\circ maximiza a altura; 60∘60^\circ maximiza a área. Faz sentido que o ângulo da área fique entre os dois, e mais perto da altura — porque na fórmula A∝sin⁡3αcos⁡αA \propto \sin^3\alpha\cos\alpha o seno entra ao cubo e o cosseno na primeira potência: a altura “pesa” três vezes mais.

Cuidado. Nem V0V_0 nem gg aparecem na resposta, e isso é esperado: eles multiplicam a área inteira sem mexer no lugar do máximo. Se o seu α\alpha depender de V0V_0, algo foi derivado errado.

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Questão 191º EE2024.1Esquiador na parábola · Trabalho, velocidade e normal no fundo4,0 ptsVer material

Um esquiador desliza sem atrito ao longo da trajetória de equação y=x240−10y = \dfrac{x^2}{40} - 10 (em metros). Ele tem massa m=40 kgm = 40\ \mathrm{kg} e parte do repouso no ponto AA, de coordenada vertical yA=5 my_A = 5\ \mathrm{m}. Seja BB o ponto mais baixo da trajetória. Com g=9,81 m/s2g = 9{,}81\ \mathrm{m/s^2} apontando verticalmente para baixo, determine:

  1. o trabalho da força gravitacional entre AA e BB;
  2. o módulo da velocidade do esquiador em BB;
  3. as componentes tangencial e normal da aceleração em BB;
  4. o módulo da força normal sobre o esquiador em BB.
xyAB5 m15 my = x²/40 − 10

No fundo da parábola a tangente é horizontal — e isso simplifica tudo: a componente tangencial do peso é nula e a normal aponta direto para cima.

Gabarito

a) UA→B=5,89 kJU_{A\to B} = 5{,}89\ \mathrm{kJ}. b) vB=17,2 m/sv_B = 17{,}2\ \mathrm{m/s}.

c) at=0a_t = 0 e an=14,7 m/s2a_n = 14{,}7\ \mathrm{m/s^2}. d) N=981 NN = 981\ \mathrm{N}.

Passo a passo

Passo 1 — localize os dois pontos. O fundo da parábola é x=0x = 0, logo

yB=−10 my_B = -10\ \mathrm{m}

e o esquiador desce, de yA=5y_A = 5 até yB=−10y_B = -10, uma altura de

h=5−(−10)=15 mh = 5 - (-10) = 15\ \mathrm{m}

(Se quiser a abscissa de AA: 5=x2/40−10⇒xA=600=24,5 m5 = x^2/40 - 10 \Rightarrow x_A = \sqrt{600} = 24{,}5\ \mathrm{m} — mas ela não entra em nada.)

Passo 2 — item (a). O trabalho do peso só depende da altura, nunca do caminho:

UA→B=m g h=40(9,81)(15)=5886 J=5,89 kJU_{A\to B} = m\,g\,h = 40(9{,}81)(15) = 5886\ \mathrm{J} = 5{,}89\ \mathrm{kJ}

Positivo, porque desceu.

Passo 3 — item (b), trabalho e energia. Sem atrito, e a normal não trabalha (é perpendicular ao movimento). Partindo do repouso:

0+5886=12(40) vB2⟹vB2=294,3⟹vB=17,2 m/s0 + 5886 = \tfrac{1}{2}(40)\,v_B^2 \quad\Longrightarrow\quad v_B^2 = 294{,}3 \quad\Longrightarrow\quad v_B = 17{,}2\ \mathrm{m/s}

Passo 4 — item (c). No fundo, y′=x/20=0y' = x/20 = 0: a tangente é horizontal. Então o peso é todo normal e nada tangencial:

at=gsin⁡θ=0a_t = g\sin\theta = 0

Para a normal, precisa do raio de curvatura em x=0x = 0, com y′′=1/20y'' = 1/20:

ρ=[1+(y′)2]3/2∣y′′∣=11/20=20 m\rho = \frac{\left[1 + (y')^2\right]^{3/2}}{|y''|} = \frac{1}{1/20} = 20\ \mathrm{m}an=vB2ρ=294,320=14,7 m/s2a_n = \frac{v_B^2}{\rho} = \frac{294{,}3}{20} = 14{,}7\ \mathrm{m/s^2}

Uma aceleração de 1,5 g1{,}5\,g, toda apontando para cima (para o centro de curvatura, que está acima do fundo do vale).

Passo 5 — item (d), a 2ª lei na direção normal. No fundo, a normal aponta para cima e o peso para baixo; a resultante tem de ser m anm\,a_n para cima:

N−m g=m vB2ρN - m\,g = m\,\frac{v_B^2}{\rho}N=40(9,81)+40(14,7)=392,4+588,6=981 NN = 40(9{,}81) + 40(14{,}7) = 392{,}4 + 588{,}6 = 981\ \mathrm{N}

A leitura da resposta. N=981 NN = 981\ \mathrm{N} é exatamente 2,52{,}5 vezes o peso (392 N392\ \mathrm{N}) — é isso que o esquiador sente no fundo do vale. E o número redondo não é coincidência: com h=15h = 15 e ρ=20\rho = 20,

Nmg=1+2hρ=1+3020=2,5\frac{N}{mg} = 1 + \frac{2h}{\rho} = 1 + \frac{30}{20} = 2{,}5

Essa fórmula vale para qualquer descida sem atrito até o fundo de uma curva, e é o jeito mais rápido de conferir o resultado.

A mesma questão, outros números. Ela reapareceu com y=x220−5y = \dfrac{x^2}{20} - 5, m=52 kgm = 52\ \mathrm{kg} e A(10; 0)A(10;\,0). Ali h=5 mh = 5\ \mathrm{m}, ρ=10 m\rho = 10\ \mathrm{m}, e a razão 2h/ρ2h/\rho dá exatamente 1: an=g=9,81 m/s2a_n = g = 9{,}81\ \mathrm{m/s^2}, vB=9,90 m/sv_B = 9{,}90\ \mathrm{m/s} e N=2mg=1,02 kNN = 2mg = 1{,}02\ \mathrm{kN}.

Cuidado com a altura. yA=5y_A = 5 é a coordenada, não a altura de queda. Quem usa h=5h = 5 acha vB=9,9v_B = 9{,}9 e erra três dos quatro itens. O fundo da parábola está em y=−10y = -10, e é a diferença que conta.

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Questão 201º EE2023.1Esfera em cone com dois fios · Movimento circular2,0 ptsVer material

Um único fio ACBACB passa por um anel em CC, preso a uma esfera de 1,2 kg1{,}2\ \mathrm{kg} que roda com velocidade escalar constante vv no círculo mostrado na figura. O ponto AA está acima de BB, ambos no eixo vertical, separados por d=0,88 md = 0{,}88\ \mathrm{m}. Sabendo que θ1=56∘\theta_1 = 56^\circ (ângulo do trecho BCBC com o eixo) e que a tração ao longo do fio é 9,0 N9{,}0\ \mathrm{N}, determine:

  1. o ângulo θ2\theta_2;
  2. a velocidade escalar vv.

Adote g=9,81 m/s2g = 9{,}81\ \mathrm{m/s^2}.

ABdCθ₂θ₁v

Fio único passando por um anel significa tração igual nos dois trechos. É essa a informação que transforma duas incógnitas em uma.

Gabarito

a) θ2=41,5∘\theta_2 = 41{,}5^\circ. b) v=4,65 m/sv = 4{,}65\ \mathrm{m/s}.

Passo a passo

Passo 1 — o que “fio único por um anel” garante. O anel é liso: o fio corre livremente, então a tração é a mesma nos trechos CACA e CBCB, e vale os 9,0 N9{,}0\ \mathrm{N} dados. Sem essa observação, o problema tem duas trações incógnitas e não fecha.

Passo 2 — item (a): equilíbrio vertical. A esfera anda em círculo horizontal, logo não tem aceleração vertical. As duas trações apontam para cima (uma para AA, outra para BB), com componentes verticais Tcos⁡θ2T\cos\theta_2 e Tcos⁡θ1T\cos\theta_1:

T(cos⁡θ1+cos⁡θ2)=m gT\left(\cos\theta_1 + \cos\theta_2\right) = m\,gcos⁡θ2=m gT−cos⁡θ1=1,2(9,81)9,0−cos⁡56∘=1,308−0,559=0,749\cos\theta_2 = \frac{m\,g}{T} - \cos\theta_1 = \frac{1{,}2(9{,}81)}{9{,}0} - \cos 56^\circ = 1{,}308 - 0{,}559 = 0{,}749θ2=41,5∘\theta_2 = 41{,}5^\circ

Passo 3 — o raio, pela geometria. Os dois trechos partem do mesmo ponto CC, a uma distância RR do eixo, e chegam a pontos separados por dd no eixo. As distâncias verticais de CC até BB e até AA são R/tan⁡θ1R/\tan\theta_1 e R/tan⁡θ2R/\tan\theta_2:

d=Rtan⁡θ2−Rtan⁡θ1=R(1tan⁡41,5∘−1tan⁡56∘)d = \frac{R}{\tan\theta_2} - \frac{R}{\tan\theta_1} = R\left(\frac{1}{\tan 41{,}5^\circ} - \frac{1}{\tan 56^\circ}\right)0,88=R (1,130−0,675)=0,456 R⟹R=1,93 m0{,}88 = R\,(1{,}130 - 0{,}675) = 0{,}456\,R \quad\Longrightarrow\quad R = 1{,}93\ \mathrm{m}

Passo 4 — item (b): a 2ª lei na direção radial. Agora as duas trações têm componentes horizontais no mesmo sentido, apontando para o eixo — e é essa soma que faz a esfera curvar:

T(sin⁡θ1+sin⁡θ2)=m v2RT\left(\sin\theta_1 + \sin\theta_2\right) = m\,\frac{v^2}{R}9,0 (0,829+0,663)=13,42 N9{,}0\,(0{,}829 + 0{,}663) = 13{,}42\ \mathrm{N}v2=13,42 (1,93)1,2=21,6⟹v=4,65 m/sv^2 = \frac{13{,}42\,(1{,}93)}{1{,}2} = 21{,}6 \quad\Longrightarrow\quad v = 4{,}65\ \mathrm{m/s}

O roteiro, em uma frase. Vertical primeiro (dá o ângulo que falta), geometria depois (dá o raio), radial no fim (dá a velocidade). Tentar as três juntas num sistema é possível, mas o caminho em cascata é bem mais curto — e cada etapa confere sozinha.

Cuidado. θ2<θ1\theta_2 \lt \theta_1: o trecho de cima é mais próximo do eixo, o que combina com AA estar mais longe verticalmente. Se der θ2>θ1\theta_2 \gt \theta_1, o dd do Passo 3 sai negativo e a geometria denuncia o erro.

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Questão 211º EE2021.2Anel em barra girando · Mola inclinada e força centrípeta3,5 ptsVer material

Se a posição do anel CC, de 3 kg3\ \mathrm{kg}, na barra lisa ABAB é mantida em r=720 mmr = 720\ \mathrm{mm}, determine a velocidade angular constante θ˙\dot\theta na qual o mecanismo está girando em torno do eixo vertical. A mola, de k=200 N/mk = 200\ \mathrm{N/m}, tem comprimento não deformado de 400 mm400\ \mathrm{mm} e está presa a um ponto DD do eixo, 300 mm300\ \mathrm{mm} abaixo da barra. Despreze a massa da barra e a dimensão do anel.

θ̇ABCDk = 200 N/mr = 720 mm300 mm

A mola é inclinada: só a sua componente horizontal produz a força centrípeta. A componente vertical é equilibrada pela barra, que é lisa mas segura o anel na vertical.

Gabarito

θ˙=5,70 rad/s\dot\theta = 5{,}70\ \mathrm{rad/s}.

Passo a passo

Passo 1 — o comprimento e a deformação da mola. O triângulo DCADCA é retângulo em AA, com cateto horizontal r=0,72 mr = 0{,}72\ \mathrm{m} e cateto vertical 0,30 m0{,}30\ \mathrm{m}:

L=0,722+0,302=0,6084=0,78 mL = \sqrt{0{,}72^2 + 0{,}30^2} = \sqrt{0{,}6084} = 0{,}78\ \mathrm{m}s=L−L0=0,78−0,40=0,38 ms = L - L_0 = 0{,}78 - 0{,}40 = 0{,}38\ \mathrm{m}

Passo 2 — a força da mola.

Fs=k s=200 (0,38)=76,0 NF_s = k\,s = 200\,(0{,}38) = 76{,}0\ \mathrm{N}

Ela é de tração (a mola está esticada), e portanto puxa o anel para dentro, na direção de DD.

Passo 3 — a componente radial. Só a parte horizontal da força da mola aponta para o eixo, e ela é FsF_s vezes o cosseno do ângulo com a horizontal — ou seja, vezes r/Lr/L:

Fr=Fs rL=76,0 0,720,78=70,2 NF_r = F_s\,\frac{r}{L} = 76{,}0\,\frac{0{,}72}{0{,}78} = 70{,}2\ \mathrm{N}

Passo 4 — a equação radial em coordenadas polares. Aqui está o ponto da questão: rr é mantido constante, então r˙=r¨=0\dot r = \ddot r = 0, e a aceleração radial se reduz ao termo centrípeto:

ar=r¨−rθ˙2=− r θ˙2a_r = \ddot r - r\dot\theta^2 = -\,r\,\dot\theta^2

Somando as forças na direção radial (para fora positiva), só a mola aparece, e ela aponta para dentro:

−Fr=m(−r θ˙2)⟹70,2=3 (0,72) θ˙2-F_r = m\left(-r\,\dot\theta^2\right) \quad\Longrightarrow\quad 70{,}2 = 3\,(0{,}72)\,\dot\theta^2θ˙2=70,22,16=32,5⟹θ˙=5,70 rad/s\dot\theta^2 = \frac{70{,}2}{2{,}16} = 32{,}5 \quad\Longrightarrow\quad \dot\theta = 5{,}70\ \mathrm{rad/s}

O que a barra lisa faz e o que não faz. “Lisa” mata o atrito ao longo da barra — que é a direção radial. Mas a barra ainda exerce força perpendicular a si mesma: é ela que equilibra a componente vertical da mola (76,0×0,30/0,78=29,2 N76{,}0 \times 0{,}30/0{,}78 = 29{,}2\ \mathrm{N}) e o peso (29,4 N29{,}4\ \mathrm{N}). Essas duas quase se cancelam aqui, por coincidência dos números — mas nenhuma das duas entra na equação radial, e é por isso que nem gg é necessário.

Cuidado com a projeção. É tentador usar FsF_s inteiro como força centrípeta. Isso daria θ˙=5,93 rad/s\dot\theta = 5{,}93\ \mathrm{rad/s} — perto o bastante para parecer certo, e errado. A componente é o passo que a questão está cobrando.

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Questão 221º EE2024.2Onde o corpo abandona a superfície curva4,0 ptsVer material

Uma caixa de 6,0 kg6{,}0\ \mathrm{kg} desliza por uma superfície lisa (sem atrito) na forma de uma rampa retilínea com inclinação de 20∘20^\circ com a horizontal até o ponto AA, no qual a caixa desenvolve uma velocidade vA=2 m/sv_A = 2\ \mathrm{m/s}. A partir do ponto AA a superfície tem um perfil de arco circular de raio 1,2 m1{,}2\ \mathrm{m}. Sendo BB o ponto onde a caixa abandona a superfície, determine o ângulo θ\theta medido a partir de AA, ao longo do arco.

Adote g=9,81 m/s2g = 9{,}81\ \mathrm{m/s^2}.

20°O1,2 mθA2 m/sBh

O ângulo θ\theta é medido no centro OO, a partir do raio que passa por AA. Como a rampa faz 20∘20^\circ com a horizontal, o raio até BB faz θ+20∘\theta + 20^\circ com a vertical.

Gabarito

θ=22,3∘\theta = 22{,}3^\circ (com vB=2,95 m/sv_B = 2{,}95\ \mathrm{m/s}).

Passo a passo

Passo 1 — traduza “abandona a superfície”. Perder contato é a normal chegar a zero. Com N=0N = 0, quem faz a curva é só a componente radial do peso. Em BB, o raio OBOB faz θ+20∘\theta + 20^\circ com a vertical, então essa componente é mgcos⁡(θ+20∘)mg\cos(\theta + 20^\circ):

m gcos⁡(θ+20∘)=m vB2ρ⟹vB2=1,2 gcos⁡(θ+20∘)(I)m\,g\cos(\theta + 20^\circ) = m\,\frac{v_B^2}{\rho} \quad\Longrightarrow\quad v_B^2 = 1{,}2\,g\cos(\theta + 20^\circ) \tag{I}

Passo 2 — a altura descida de AA até BB. Ambos estão no arco de raio 1,21{,}2. A altura de um ponto do arco abaixo do centro é ρcos⁡(aˆngulo com a vertical)\rho\cos(\text{ângulo com a vertical}), então

h=1,2cos⁡20∘−1,2cos⁡(θ+20∘)=1,128−1,2cos⁡(θ+20∘)h = 1{,}2\cos 20^\circ - 1{,}2\cos(\theta + 20^\circ) = 1{,}128 - 1{,}2\cos(\theta+20^\circ)

Passo 3 — conservação da energia (superfície lisa, normal não trabalha):

g h+vA22=vB22g\,h + \frac{v_A^2}{2} = \frac{v_B^2}{2}9,81[1,128−1,2cos⁡(θ+20∘)]+2=vB229{,}81\left[1{,}128 - 1{,}2\cos(\theta+20^\circ)\right] + 2 = \frac{v_B^2}{2}11,062−1,2 gcos⁡(θ+20∘)⏟=  vB2 por (I)+2=vB22(II)11{,}062 - \underbrace{1{,}2\,g\cos(\theta+20^\circ)}_{=\;v_B^2\ \text{por (I)}} + 2 = \frac{v_B^2}{2} \tag{II}

Passo 4 — o truque da questão. Aquele termo em (II) é exatamente vB2v_B^2, pela equação (I). Substituindo, o cosseno desaparece e sobra uma equação só em vBv_B:

13,062−vB2=vB22⟹vB2=2(13,062)3=8,708⟹vB=2,95 m/s13{,}062 - v_B^2 = \frac{v_B^2}{2} \quad\Longrightarrow\quad v_B^2 = \frac{2(13{,}062)}{3} = 8{,}708 \quad\Longrightarrow\quad v_B = 2{,}95\ \mathrm{m/s}

Passo 5 — volte a (I) para achar o ângulo:

cos⁡(θ+20∘)=8,7081,2(9,81)=0,7397⟹θ+20∘=42,3∘\cos(\theta + 20^\circ) = \frac{8{,}708}{1{,}2(9{,}81)} = 0{,}7397 \quad\Longrightarrow\quad \theta + 20^\circ = 42{,}3^\circθ=22,3∘\theta = 22{,}3^\circ

Por que esse par de equações é o esqueleto da questão. Toda pergunta do tipo “onde ele descola?” tem a mesma estrutura: Newton com N=0N=0 dá uma relação entre vv e o ângulo; energia dá outra. Duas equações, duas incógnitas. E quase sempre o termo ρgcos⁡ϕ\rho g\cos\phi aparece nas duas, o que permite eliminar o ângulo antes de tocar em qualquer arco-cosseno — foi isso que o Passo 4 fez.

Cuidado com a referência do ângulo. O θ\theta do enunciado é contado de AA, não da vertical. Quem resolve para o ângulo com a vertical acha 42,3∘42{,}3^\circ e entrega o número errado, tendo feito toda a física certa. Leia a figura antes de escrever a resposta final.

A massa de 6,0 kg6{,}0\ \mathrm{kg} não entrou em nada — como sempre em questão de “onde descola”, porque N=0N = 0 elimina a única força que dependia dela. Se ela aparecer na sua resposta, algo se perdeu.

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Questão 231º EE2025.2Verdadeiro ou falso · As dez armadilhas conceituais1,5 ptsVer material

Marque V se a afirmativa for verdadeira e F se for falsa.

  1. A aceleração média de uma partícula é sempre igual à derivada temporal da sua velocidade instantânea.
  2. Se a velocidade escalar de uma partícula é constante, sua aceleração é nula.
  3. É possível que um corpo tenha aceleração nula e, ainda assim, esteja em movimento.
  4. Se a força resultante sobre um corpo é nula, ele deve estar em repouso.
  5. A força de atrito estático realiza trabalho dissipativo, reduzindo a energia mecânica do sistema.
  6. A energia mecânica de um sistema é sempre conservada, independentemente das forças atuantes.
  7. Em uma colisão inelástica, a energia mecânica e a quantidade de movimento linear são conservadas.
  8. Em uma colisão perfeitamente inelástica, a quantidade de movimento linear não se conserva.
  9. Se a energia cinética não é conservada em uma colisão, necessariamente a quantidade de movimento também não é.
  10. A terceira lei de Newton afirma que para toda ação existe uma reação de mesma intensidade, mesmo sentido e direção oposta, atuando em corpos diferentes.
Gabarito

1-F 2-F 3-V 4-F 5-F 6-F 7-F 8-F 9-F 10-F

Só a afirmativa 3 é verdadeira.

Passo a passo

1. Falso. A derivada temporal da velocidade instantânea é a aceleração instantânea. A média é a razão de diferenças finitas:

ameˊd=ΔvΔta=dvdta_{\text{méd}} = \frac{\Delta v}{\Delta t} \qquad a = \frac{dv}{dt}

As duas coincidem só quando a aceleração é constante.

2. Falso. “Velocidade escalar constante” é só o módulo que não muda. Num movimento circular uniforme a direção muda a cada instante, e isso é aceleração:

an=v2ρ≠0a_n = \frac{v^2}{\rho} \ne 0

Aceleração nula exige o vetor velocidade constante — módulo e direção.

3. Verdadeiro. É a única verdadeira da lista. Movimento retilíneo uniforme: v\mathbf{v} constante e não nula, a=0\mathbf{a} = \mathbf{0}. É a 1ª lei de Newton.

4. Falso. Força resultante nula significa aceleração nula, e isso inclui repouso ou velocidade constante. Confundir “equilíbrio” com “parado” é o erro conceitual mais antigo da mecânica — é literalmente o que Newton corrigiu em Aristóteles.

5. Falso. Atrito estático atua onde não há escorregamento relativo, então o ponto de aplicação não se desloca em relação à superfície e o trabalho é nulo. É o atrito cinético que dissipa. Consequência prática: uma roda que rola sem escorregar não perde energia pelo atrito no contato — é o que autoriza usar conservação da energia nas questões de rolamento.

6. Falso. A energia mecânica se conserva somente se todas as forças que trabalham são conservativas (peso, mola). Com atrito, arrasto ou uma força externa qualquer, ela não se conserva:

T1+V1+∑Una˜o-cons.=T2+V2T_1 + V_1 + \sum U^{\text{não-cons.}} = T_2 + V_2

7. Falso. O momento linear se conserva (não há impulso externo), mas a energia mecânica não — é exatamente essa a definição de colisão inelástica. A afirmativa acerta metade e por isso é a mais perigosa da lista.

8. Falso. Perfeitamente inelástica é o caso e=0e = 0: os corpos saem juntos. É o caso em que se perde a máxima energia possível — mas a quantidade de movimento se conserva, como em toda colisão sem impulso externo. Aliás, é justamente por ela se conservar que a velocidade final se calcula:

v′=mAvA+mBvBmA+mBv' = \frac{m_A v_A + m_B v_B}{m_A + m_B}

9. Falso. As duas conservações são independentes. O momento se conserva em toda colisão em que o impulso externo é desprezível — seja ela elástica, parcialmente elástica ou plástica. A energia cinética se conserva só quando e=1e = 1. Ou seja: a energia não se conservar é a regra, e o momento se conservar continua valendo.

10. Falso. A pegadinha está em “mesmo sentido e direção oposta”, que inverte os dois termos. O correto é mesma direção (a mesma linha de ação) e sentidos opostos. O resto da afirmativa está certo, inclusive a parte mais importante: as duas forças atuam em corpos diferentes, e é por isso que nunca se cancelam no diagrama de um só corpo.

O que essa questão está testando de verdade. Nove das dez são falsas, e a distribuição não é acidente: cada uma é uma confusão que aparece nas contas do semestre. Vale ler a lista de novo antes da prova, porque as afirmativas 2, 4 e 9 são as que mais passam por verdadeiras — na folha corrigida que serviu de fonte para esta questão, foram exatamente essas três que o aluno errou.

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Questão 241º EERevisão · Prof. Paulo RobertoForça resultante no movimento circular · Altura na rampa2,0 ptsVer material

Um objeto puntiforme de massa mm é lançado do ponto XX e descreve inicialmente uma trajetória circular de raio RR e centro em OO, numa pista lisa tangente ao solo. O objeto passa pelo ponto YY, cuja distância até a superfície horizontal é igual ao raio RR — isto é, YY está no nível do centro OO. Se o módulo da força resultante sobre o objeto em YY é 5 mg\sqrt{5}\,mg, determine a altura máxima hmax⁡h_{\max} que ele atinge na rampa.

OYRRNmgXhmax

Em YY o raio é horizontal: a normal é horizontal e o peso é tangencial. Por isso a resultante é a hipotenusa de NN e mgmg — e é ela que o enunciado dá.

Gabarito

hmax⁡=2Rh_{\max} = 2R.

Passo a passo

Passo 1 — a chave da questão: decomponha a resultante em YY. O ponto YY está no nível do centro, então o raio OYOY é horizontal. Consequências:

  • a normal é radial, portanto horizontal, apontando para OO;
  • o peso é vertical, portanto tangencial — nenhuma componente radial.

As duas são perpendiculares, e o módulo da resultante é a hipotenusa:

∣F⃗R∣=N2+(mg)2=5 mg\left|\vec{F}_R\right| = \sqrt{N^2 + (mg)^2} = \sqrt{5}\,mgN2=5m2g2−m2g2=4m2g2⟹N=2mgN^2 = 5m^2g^2 - m^2g^2 = 4m^2g^2 \quad\Longrightarrow\quad N = 2mg

Passo 2 — a normal é a única força centrípeta ali. Como o peso é puramente tangencial em YY:

N=m vY2R⟹2mg=m vY2R⟹vY2=2gRN = m\,\frac{v_Y^2}{R} \quad\Longrightarrow\quad 2mg = m\,\frac{v_Y^2}{R} \quad\Longrightarrow\quad v_Y^2 = 2gR

Passo 3 — energia de YY até o topo da rampa. A pista é lisa; no ponto mais alto da rampa o objeto para. Tomando o solo como referência, YY está a uma altura RR:

m g R+12m vY2=m g hmax⁡m\,g\,R + \tfrac{1}{2}m\,v_Y^2 = m\,g\,h_{\max}hmax⁡=R+vY22g=R+2gR2gh_{\max} = R + \frac{v_Y^2}{2g} = R + \frac{2gR}{2g}hmax⁡=2R\boxed{h_{\max} = 2R}

Por que o resultado é tão limpo. A altura extra que a velocidade compra é vY2/2g=Rv_Y^2/2g = R — exatamente o mesmo RR da altura de YY. Não é coincidência: o 5\sqrt{5} do enunciado foi escolhido para dar N=2mgN = 2mg, e N=2mgN = 2mg dá vY2=2gRv_Y^2 = 2gR, que dá altura RR. Questão de banca é construída de trás para frente assim.

Cuidado — o erro que a questão está caçando. É tentador escrever N−mg=mv2/RN - mg = mv^2/R, como se fosse o ponto mais baixo da circunferência. Em YY o peso não tem componente radial: ele não soma nem subtrai da normal, ele fica perpendicular a ela. Antes de montar ∑Fn\sum F_n, desenhe o raio e veja para onde ele aponta.

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Questão 251º EELista · Hibbeler 12.13a = f(t) · Velocidade, posição e distância totalVer material

A aceleração de uma partícula movendo-se ao longo de uma linha reta é a=(2t−1) m/s2a = (2t - 1)\ \mathrm{m/s^2}, com tt em segundos. Se s=1 ms = 1\ \mathrm{m} e v=2 m/sv = 2\ \mathrm{m/s} quando t=0t = 0, determine a velocidade e a posição da partícula quando t=6 st = 6\ \mathrm{s}. Determine também a distância total percorrida nesse período.

Gabarito

v=32 m/sv = 32\ \mathrm{m/s}, s=67 ms = 67\ \mathrm{m} e sT=66 ms_T = 66\ \mathrm{m}.

Passo a passo

Passo 1 — integre a aceleração. aa é função só de tt, então é integrar duas vezes e usar as condições iniciais:

v=2+∫0t(2τ−1) dτ=2+t2−tv = 2 + \int_0^{t}(2\tau - 1)\,d\tau = 2 + t^2 - t

Passo 2 — integre a velocidade.

s=1+∫0t(2+τ2−τ)dτ=1+2t+t33−t22s = 1 + \int_0^{t}\left(2 + \tau^2 - \tau\right)d\tau = 1 + 2t + \frac{t^3}{3} - \frac{t^2}{2}

Passo 3 — em t=6 st = 6\ \mathrm{s}:

v=2+36−6=32 m/sv = 2 + 36 - 6 = 32\ \mathrm{m/s}s=1+12+72−18=67 ms = 1 + 12 + 72 - 18 = 67\ \mathrm{m}

Passo 4 — a distância total exige um teste. Ela só difere do deslocamento se a partícula inverter o sentido, ou seja, se v=0v = 0 em algum instante do intervalo:

t2−t+2=0⟹Δ=1−8=−7<0t^2 - t + 2 = 0 \quad\Longrightarrow\quad \Delta = 1 - 8 = -7 \lt 0

Sem raiz real: vv nunca se anula, e como v(0)=2>0v(0) = 2 \gt 0, a partícula anda sempre para frente. Logo

sT=s(6)−s(0)=67−1=66 ms_T = s(6) - s(0) = 67 - 1 = 66\ \mathrm{m}

Cuidado. Note que s(6)=67 ms(6) = 67\ \mathrm{m} é a posição, e sT=66 ms_T = 66\ \mathrm{m} é a distância percorrida — a diferença é o 1 m1\ \mathrm{m} da posição inicial. E o teste do Passo 4 não é opcional: nesta questão ele deu negativo, mas na de 2023.1 do 1º EE (com a=kta = kt) ele deu raiz dentro do intervalo, e a resposta mudou de 8787 para 138 m138\ \mathrm{m}.

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Questão 261º EELista · Hibbeler 12.15v = f(x) · Passar de posição para tempoVer material

Uma partícula se move ao longo de uma linha reta de modo que sua velocidade é v=(−4x2) m/sv = (-4x^2)\ \mathrm{m/s}, com xx em metros. Se x=2 mx = 2\ \mathrm{m} quando t=0t = 0, determine a velocidade e a aceleração em função do tempo.

Gabarito
v=−16(8t+1)2 m/sa=256(8t+1)3 m/s2v = -\frac{16}{(8t+1)^2}\ \mathrm{m/s} \qquad a = \frac{256}{(8t+1)^3}\ \mathrm{m/s^2}
Passo a passo

Passo 1 — o pedido tem uma pegadinha de forma. A velocidade é dada em função de xx, e a resposta é pedida em função de tt. Então o primeiro trabalho não é derivar nada: é achar x(t)x(t).

dxdt=−4x2⟹dxx2=−4 dt\frac{dx}{dt} = -4x^2 \quad\Longrightarrow\quad \frac{dx}{x^2} = -4\,dt

Passo 2 — integre com a condição inicial x=2x = 2 em t=0t = 0:

∫2xdxx2=−4∫0tdt⟹−1x+12=−4t\int_2^{x}\frac{dx}{x^2} = -4\int_0^{t}dt \quad\Longrightarrow\quad -\frac{1}{x} + \frac{1}{2} = -4t1x=4t+12⟹x=28t+1 m\frac{1}{x} = 4t + \frac{1}{2} \quad\Longrightarrow\quad x = \frac{2}{8t+1}\ \mathrm{m}

Passo 3 — a velocidade. Agora basta levar x(t)x(t) na expressão dada:

v=−4x2=−4(28t+1) ⁣2=−16(8t+1)2 m/sv = -4x^2 = -4\left(\frac{2}{8t+1}\right)^{\!2} = -\frac{16}{(8t+1)^2}\ \mathrm{m/s}

Passo 4 — a aceleração, derivando no tempo:

a=dvdt=−16⋅(−2)(8t+1)−3⋅8=256(8t+1)3 m/s2a = \frac{dv}{dt} = -16\cdot(-2)(8t+1)^{-3}\cdot 8 = \frac{256}{(8t+1)^3}\ \mathrm{m/s^2}

A leitura da resposta. v<0v \lt 0 e a>0a \gt 0: a partícula anda para −x-x e está freando (aceleração oposta à velocidade). E como x→0x \to 0 quando t→∞t \to \infty, ela se aproxima da origem cada vez mais devagar, sem nunca chegar. Confira em t=0t = 0: v=−16 m/sv = -16\ \mathrm{m/s}, que é −4(2)2-4(2)^2. ✔

Cuidado com o atalho errado. É tentador escrever a=v dv/dx=(−4x2)(−8x)=32x3a = v\,dv/dx = (-4x^2)(-8x) = 32x^3 e parar. Está certo — mas é aa em função de xx, não de tt, e não é o que se pediu. Só serve como conferência: substituindo x=2/(8t+1)x = 2/(8t+1) em 32x332x^3 dá 256/(8t+1)3256/(8t+1)^3. ✔

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Questão 271º EELista · Hibbeler 12.23Queda com arrasto · Velocidade terminalVer material

Levando em conta os efeitos da resistência atmosférica, um corpo em queda livre tem aceleração definida por a=9,81[1−v2(10−4)] m/s2a = 9{,}81\left[1 - v^2\left(10^{-4}\right)\right]\ \mathrm{m/s^2}, com vv em m/s\mathrm{m/s} e o sentido positivo para baixo. Se o corpo é solto a partir do repouso a uma grande altitude, determine:

  1. a velocidade quando t=5 st = 5\ \mathrm{s};
  2. a maior velocidade atingível — a velocidade terminal, quando t→∞t \to \infty.
Gabarito

a) v=45,5 m/sv = 45{,}5\ \mathrm{m/s}. b) vmax⁡=100 m/sv_{\max} = 100\ \mathrm{m/s}.

Passo a passo

Passo 1 — comece pelo item (b), que é uma linha. A velocidade terminal é onde a aceleração se anula: o arrasto empatou com o peso.

1−vmax⁡2(10−4)=0⟹vmax⁡=104=100 m/s1 - v_{\max}^2\left(10^{-4}\right) = 0 \quad\Longrightarrow\quad v_{\max} = \sqrt{10^{4}} = 100\ \mathrm{m/s}

Fazer isso primeiro dá o número para o qual o item (a) tem de convergir — é conferência de graça.

Passo 2 — item (a): separe as variáveis. Aceleração em função de vv, pergunta com tempo, então a=dv/dta = dv/dt:

dv1−v2/104=9,81 dt\frac{dv}{1 - v^2/10^4} = 9{,}81\,dt

Passo 3 — a integral do lado esquerdo. Com u=v/100u = v/100:

∫0vdv1−(v/100)2=100artanh⁡ ⁣(v100)\int_0^{v}\frac{dv}{1 - (v/100)^2} = 100\operatorname{artanh}\!\left(\frac{v}{100}\right)

(Se preferir sem função hiperbólica, é a integral de frações parciais: 1002ln⁡∣100+v100−v∣\tfrac{100}{2}\ln\left|\dfrac{100+v}{100-v}\right| — dá o mesmo.)

Passo 4 — iguale e isole vv:

100artanh⁡ ⁣(v100)=9,81 t⟹v=100tanh⁡(0,0981 t)100\operatorname{artanh}\!\left(\frac{v}{100}\right) = 9{,}81\,t \quad\Longrightarrow\quad v = 100\tanh\left(0{,}0981\,t\right)

Passo 5 — em t=5 st = 5\ \mathrm{s}:

v=100tanh⁡(0,4905)=100 (0,4547)=45,5 m/sv = 100\tanh(0{,}4905) = 100\,(0{,}4547) = 45{,}5\ \mathrm{m/s}

A leitura da resposta. Em queda livre sem ar, depois de 5 s5\ \mathrm{s} o corpo estaria a 49,1 m/s49{,}1\ \mathrm{m/s} — o arrasto já tirou 7%7\%. E ele nunca passa dos 100 m/s100\ \mathrm{m/s}: a tanh⁡\tanh satura. Vale notar que “grande altitude” no enunciado é o que autoriza tratar gg e a densidade do ar como constantes por todo o percurso.

Cuidado. Não use v=atv = at: a aceleração começa em 9,819{,}81 e cai continuamente. E o 10−410^{-4} tem unidade escondida (s2/m2\mathrm{s^2/m^2}) — é ele que faz o parêntese ser adimensional.

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Questão 281º EELista · Hibbeler 12.25a = −2v · Decaimento exponencialVer material

Uma partícula se move ao longo de uma linha reta com aceleração a=(−2v) m/s2a = (-2v)\ \mathrm{m/s^2}, com vv em metros por segundo. Se v=20 m/sv = 20\ \mathrm{m/s} quando s=0s = 0 e t=0t = 0, determine a posição, a velocidade e a aceleração em função do tempo.

Gabarito
v=20 e−2t m/ss=10(1−e−2t) ma=−40 e−2t m/s2v = 20\,e^{-2t}\ \mathrm{m/s} \qquad s = 10\left(1 - e^{-2t}\right)\ \mathrm{m} \qquad a = -40\,e^{-2t}\ \mathrm{m/s^2}
Passo a passo

Passo 1 — a velocidade. Aceleração proporcional à própria velocidade é a assinatura do decaimento exponencial:

dvdt=−2v⟹∫20vdvv=−2∫0tdt⟹ln⁡v20=−2t\frac{dv}{dt} = -2v \quad\Longrightarrow\quad \int_{20}^{v}\frac{dv}{v} = -2\int_0^{t}dt \quad\Longrightarrow\quad \ln\frac{v}{20} = -2tv=20 e−2t m/sv = 20\,e^{-2t}\ \mathrm{m/s}

Passo 2 — a posição, integrando vv de 00 a tt com s(0)=0s(0) = 0:

s=∫0t20 e−2τdτ=20[e−2τ−2]0t=10(1−e−2t) ms = \int_0^{t}20\,e^{-2\tau}d\tau = 20\left[\frac{e^{-2\tau}}{-2}\right]_0^{t} = 10\left(1 - e^{-2t}\right)\ \mathrm{m}

Passo 3 — a aceleração, que sai de graça de duas maneiras. Derivando vv:

a=dvdt=−40 e−2t m/s2a = \frac{dv}{dt} = -40\,e^{-2t}\ \mathrm{m/s^2}

ou simplesmente aplicando a definição dada, a=−2v=−2(20e−2t)a = -2v = -2(20e^{-2t}). As duas concordam — e conferir por dois caminhos custa cinco segundos.

A leitura da resposta, que é o ponto da questão. A partícula nunca para (v>0v \gt 0 para todo tt), mas percorre uma distância finita:

s∞=lim⁡t→∞10(1−e−2t)=10 ms_\infty = \lim_{t\to\infty} 10\left(1 - e^{-2t}\right) = 10\ \mathrm{m}

Ela se aproxima de 10 m10\ \mathrm{m} e nunca chega. Esse par “movimento eterno, alcance finito” é a marca de a∝−va \propto -v, e é o modelo de arrasto viscoso (a baixa velocidade) — diferente do arrasto quadrático a∝−v2a \propto -v^2, que tem velocidade terminal em vez de alcance finito.

Cuidado com a constante de integração. O limite inferior v=20v = 20 e t=0t = 0 tem de entrar na integral, não depois. Quem integra indefinido e esquece o CC acha v=e−2tv = e^{-2t} e erra os três itens.

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Questão 291º EELista · Hibbeler 12.47Gráfico a–t do trem-bala · Instante de parada e distânciaVer material

O gráfico aa–tt de um trem-bala é dado pela figura: a aceleração cresce como a=0,1 ta = 0{,}1\,t até t=30 st = 30\ \mathrm{s}, e depois decai como a=−115t+5a = -\tfrac{1}{15}t + 5. Se o trem parte do repouso, determine o instante t′t' em que ele volta ao repouso e a distância total percorrida nesse intervalo. Trace os gráficos vv–tt e ss–tt.

a (m/s²)t (s)33075a = 0,1 ta = −t/15 + 5t′

Repare que a aceleração troca de sinal em t=75 st = 75\ \mathrm{s} e continua negativa depois — o trem só para bem além disso, em t′=133 st' = 133\ \mathrm{s}.

Gabarito

t′=133 st' = 133\ \mathrm{s} e sT=8,86 kms_T = 8{,}86\ \mathrm{km}.

Passo a passo

Passo 1 — primeiro trecho, 0≤t≤300 \le t \le 30. Integrando a=0,1ta = 0{,}1t do repouso:

v=0,05 t2⟹v(30)=45 m/sv = 0{,}05\,t^2 \quad\Longrightarrow\quad v(30) = 45\ \mathrm{m/s}s=t360⟹s(30)=450 ms = \frac{t^3}{60} \quad\Longrightarrow\quad s(30) = 450\ \mathrm{m}

Passo 2 — segundo trecho, t≥30t \ge 30. Integrando a=−t/15+5a = -t/15 + 5 a partir de v(30)=45v(30) = 45:

v=45+[−τ230+5τ]30t=−t230+5t−75v = 45 + \left[-\frac{\tau^2}{30} + 5\tau\right]_{30}^{t} = -\frac{t^2}{30} + 5t - 75

Confira em t=30t = 30: −30+150−75=45-30 + 150 - 75 = 45. ✔

Passo 3 — quando o trem para. v=0v = 0:

t2−150 t+2250=0⟹t=150±13 5002={16,9; 133,1}t^2 - 150\,t + 2250 = 0 \quad\Longrightarrow\quad t = \frac{150 \pm \sqrt{13\,500}}{2} = \{16{,}9;\ 133{,}1\}

A raiz 16,9 s16{,}9\ \mathrm{s} é descartada: ela está fora do domínio deste trecho (que começa em 30 s30\ \mathrm{s}). Logo

t′=133 st' = 133\ \mathrm{s}

Passo 4 — a distância do segundo trecho, integrando vv:

Δs=∫30133,09(−t230+5t−75)dt=[−t390+2,5t2−75t]30133,09\Delta s = \int_{30}^{133{,}09}\left(-\frac{t^2}{30} + 5t - 75\right)dt = \left[-\frac{t^3}{90} + 2{,}5t^2 - 75t\right]_{30}^{133{,}09}Δs=8107,5−(−300)=8407,5 m\Delta s = 8107{,}5 - (-300) = 8407{,}5\ \mathrm{m}

Passo 5 — total. O trem só andou para frente (a velocidade nunca ficou negativa antes de t′t'), então distância é deslocamento:

sT=450+8407,5=8858 m≈8,86 kms_T = 450 + 8407{,}5 = 8858\ \mathrm{m} \approx 8{,}86\ \mathrm{km}

Os gráficos, em palavras. O vv–tt é uma parábola crescente até t=30t = 30, depois uma parábola de boca para baixo que atinge o máximo em t=75 st = 75\ \mathrm{s} — exatamente onde aa cruza o zero — e volta a zero em t′=133 st' = 133\ \mathrm{s}. O ss–tt cresce sempre, com a concavidade virando de cima para baixo em t=75t = 75, e termina em 8,86 km8{,}86\ \mathrm{km} com tangente horizontal.

O ponto que a questão testa. É fácil confundir "a=0a = 0" com “parou”. Em t=75 st = 75\ \mathrm{s} a aceleração é nula e o trem está na sua velocidade máxima, v=112,5 m/sv = 112{,}5\ \mathrm{m/s} — o oposto de parar. Quem responde t′=75 st' = 75\ \mathrm{s} perde os dois itens.

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Questão 301º EELista · Hibbeler 12.82Trajetória helicoidal · Módulos de v e aVer material

Um carrinho de montanha-russa desloca-se para baixo em uma trajetória helicoidal com velocidade escalar constante, de tal maneira que as equações paramétricas que definem sua posição são

x=csen⁡kty=ccos⁡ktz=h−b tx = c\operatorname{sen} kt \qquad y = c\cos kt \qquad z = h - b\,t

em que cc, hh, bb e kk são constantes. Determine as intensidades da sua velocidade e da sua aceleração.

Gabarito
v=c2k2+b2a=c k2v = \sqrt{c^2k^2 + b^2} \qquad\qquad a = c\,k^2
Passo a passo

Passo 1 — derive componente por componente. Em coordenadas retangulares os versores são fixos, então é derivada simples:

x˙=c kcos⁡kty˙=−c ksen⁡ktz˙=−b\dot{x} = c\,k\cos kt \qquad \dot{y} = -c\,k\operatorname{sen} kt \qquad \dot{z} = -b

Passo 2 — o módulo da velocidade. Aqui entra a identidade que faz a questão fechar, cos⁡2+sen⁡2=1\cos^2 + \operatorname{sen}^2 = 1:

v=c2k2cos⁡2kt+c2k2sen⁡2kt+b2=c2k2+b2v = \sqrt{c^2k^2\cos^2 kt + c^2k^2\operatorname{sen}^2 kt + b^2} = \sqrt{c^2k^2 + b^2}

Constante — o que confirma a afirmação do enunciado (“velocidade escalar constante”) em vez de apenas aceitá-la.

Passo 3 — derive outra vez.

x¨=−c k2sen⁡kty¨=−c k2cos⁡ktz¨=0\ddot{x} = -c\,k^2\operatorname{sen} kt \qquad \ddot{y} = -c\,k^2\cos kt \qquad \ddot{z} = 0a=c2k4sen⁡2kt+c2k4cos⁡2kt=c k2a = \sqrt{c^2k^4\operatorname{sen}^2 kt + c^2k^4\cos^2 kt} = c\,k^2

A leitura da resposta, que é a moral da questão. A velocidade escalar é constante e a aceleração não é zero. Ela vale ck2ck^2, é puramente horizontal (a componente zz zerou) e aponta sempre para o eixo da hélice:

x¨ i+y¨ j=−k2(x i+y j)\ddot{x}\,\mathbf{i} + \ddot{y}\,\mathbf{j} = -k^2\left(x\,\mathbf{i} + y\,\mathbf{j}\right)

Ou seja: é puramente centrípeta. Faz todo sentido — em módulo a velocidade não muda (at=0a_t = 0), só a direção, e curvar exige aceleração. É o mesmo conteúdo da afirmativa 2 do verdadeiro-ou-falso de 2025.2, aqui em três dimensões.

Conferência pelo raio de curvatura. Se a=an=v2/ρa = a_n = v^2/\rho, então

ρ=v2a=c2k2+b2c k2\rho = \frac{v^2}{a} = \frac{c^2k^2 + b^2}{c\,k^2}

Com b=0b = 0 (hélice achatada num círculo) isso dá ρ=c\rho = c, o raio do círculo. ✔ E com b≠0b \ne 0 o raio de curvatura é maior que cc: a hélice é mais “aberta” que a circunferência da sua projeção.

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Questão 311º EELista · Hibbeler 12.86Arremesso de basquete · Velocidade inicial e na cestaVer material

Desconsiderando o tamanho da bola de basquete, determine a intensidade vAv_A da velocidade inicial da bola e a sua velocidade quando ela passa pela cesta. A bola sai da mão em AA, a 2 m2\ \mathrm{m} do chão, fazendo 30∘30^\circ com a horizontal; a cesta BB está a 3 m3\ \mathrm{m} do chão e a 10 m10\ \mathrm{m} de distância horizontal.

AvA30°B2 m3 m10 m

O que se conhece é a geometria do lance: Δx=10 m\Delta x = 10\ \mathrm{m} e Δy=+1 m\Delta y = +1\ \mathrm{m}. O ângulo é dado, e é isso que permite eliminar o tempo entre as duas equações.

Gabarito

vA=11,7 m/sv_A = 11{,}7\ \mathrm{m/s} e vB=10,8 m/sv_B = 10{,}8\ \mathrm{m/s}.

Passo a passo

Passo 1 — as duas equações do projétil. Com origem em AA, Δx=10\Delta x = 10 e Δy=3−2=1 m\Delta y = 3 - 2 = 1\ \mathrm{m}:

x:10=vAcos⁡30∘ t⟹t=11,547vA(1)x:\quad 10 = v_A\cos 30^\circ\,t \quad\Longrightarrow\quad t = \frac{11{,}547}{v_A} \tag{1}y:1=vAsen⁡30∘ t−4,905 t2(2)y:\quad 1 = v_A\operatorname{sen} 30^\circ\,t - 4{,}905\,t^2 \tag{2}

Passo 2 — elimine o tempo. Levando (1) em (2), o primeiro termo perde o vAv_A e o segundo ganha 1/vA21/v_A^2:

1=0,5 (11,547)−4,905(11,547)2vA2=5,7735−654,1vA21 = 0{,}5\,(11{,}547) - 4{,}905\frac{(11{,}547)^2}{v_A^2} = 5{,}7735 - \frac{654{,}1}{v_A^2}654,1vA2=4,7735⟹vA2=137,0⟹vA=11,7 m/s\frac{654{,}1}{v_A^2} = 4{,}7735 \quad\Longrightarrow\quad v_A^2 = 137{,}0 \quad\Longrightarrow\quad v_A = 11{,}7\ \mathrm{m/s}

Passo 3 — o tempo de voo, de (1):

t=11,54711,71=0,986 st = \frac{11{,}547}{11{,}71} = 0{,}986\ \mathrm{s}

Passo 4 — as componentes na cesta. A horizontal não muda; a vertical perde gtg t:

vBx=11,71cos⁡30∘=10,14 m/sv_{Bx} = 11{,}71\cos 30^\circ = 10{,}14\ \mathrm{m/s}vBy=11,71sen⁡30∘−9,81(0,986)=5,86−9,67=−3,82 m/sv_{By} = 11{,}71\operatorname{sen} 30^\circ - 9{,}81(0{,}986) = 5{,}86 - 9{,}67 = -3{,}82\ \mathrm{m/s}vB=10,142+3,822=10,8 m/sv_B = \sqrt{10{,}14^2 + 3{,}82^2} = 10{,}8\ \mathrm{m/s}

A leitura da resposta. A bola chega descendo (vBy<0v_{By} \lt 0), a 20,6∘20{,}6^\circ abaixo da horizontal — o que é exatamente o que se quer num arremesso: entrar na cesta de cima. E chega mais lenta que saiu (10,810{,}8 contra 11,711{,}7), porque subiu 1 m1\ \mathrm{m} no líquido: pela energia, vB2=vA2−2g(1)=137,0−19,6=117,4v_B^2 = v_A^2 - 2g(1) = 137{,}0 - 19{,}6 = 117{,}4, e 117,4=10,8\sqrt{117{,}4} = 10{,}8. ✔ Essa conferência por energia é uma linha e vale sempre em projétil.

Cuidado. Δy=+1 m\Delta y = +1\ \mathrm{m}, não 3 m3\ \mathrm{m} nem −1-1. A bola sai a 2 m2\ \mathrm{m} e chega a 3 m3\ \mathrm{m}: ela sobe no saldo. Trocar o sinal dá vA=9,83 m/sv_A = 9{,}83\ \mathrm{m/s}.

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Questão 321º EELista · Hibbeler 13.31Caixa deslizando no carrinho · Tração que segura o conjuntoVer material

A caixa BB tem massa mm e parte do repouso quando está no topo do carrinho AA, que tem massa 3m3m e roda livremente. Determine a tração na corda CDCD necessária para impedir que o carrinho se mova enquanto BB está deslizando para baixo sobre AA. Desconsidere o atrito. A face inclinada de AA faz ângulo θ\theta com a horizontal, e a corda CDCD é horizontal.

Gabarito
T=m gsen⁡θcos⁡θ=12m gsen⁡2θT = m\,g\operatorname{sen}\theta\cos\theta = \tfrac{1}{2}m\,g\operatorname{sen} 2\theta
Passo a passo

Passo 1 — isole a caixa BB. Sem atrito, as únicas forças são o peso e a normal da rampa. Como a rampa está parada (é o que a corda garante), BB desce a rampa com a aceleração clássica aB=gsen⁡θa_B = g\operatorname{sen}\theta, e a normal vale

N=m gcos⁡θN = m\,g\cos\theta

Passo 2 — isole o carrinho AA. Sobre ele agem: o peso, a normal do piso, a reação da caixa (que é NN, apontando para dentro da face inclinada) e a tração TT da corda.

A reação NN é perpendicular à face, então faz ângulo θ\theta com a vertical: sua componente horizontal vale Nsen⁡θN\operatorname{sen}\theta.

Passo 3 — equilíbrio horizontal de AA. O carrinho não se move, então a soma das forças horizontais é zero:

T=Nsen⁡θ=m gcos⁡θsen⁡θT = N\operatorname{sen}\theta = m\,g\cos\theta\operatorname{sen}\thetaT=12m gsen⁡2θ\boxed{T = \tfrac{1}{2}m\,g\operatorname{sen} 2\theta}

Onde está a graça da questão: a massa 3m3m não entra. É distrator puro, e a razão é conceitual — o carrinho está em equilíbrio, então a segunda lei aplicada a ele é ∑F=0\sum F = 0, e a massa multiplica uma aceleração nula. A massa de AA só importaria se ele se movesse (e aí a questão seria bem mais longa).

A leitura da resposta. TT é máxima em θ=45∘\theta = 45^\circ, valendo mg/2mg/2; e vai a zero nos dois extremos — com θ=0\theta = 0 nada desliza, e com θ=90∘\theta = 90^\circ a caixa cai livre sem empurrar a face. O sen⁡2θ\operatorname{sen} 2\theta captura os dois limites de uma vez, e é um bom teste de sanidade.

Cuidado. A componente horizontal é Nsen⁡θN\operatorname{sen}\theta, não Ncos⁡θN\cos\theta. A normal é perpendicular à face inclinada, e por isso ela faz θ\theta com a vertical, não com a horizontal. Desenhar a normal antes de projetar é o que evita esse erro.

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Questão 331º EELista · Hibbeler 13.37Bloco sobre placa · Dois atritos e vínculo por caboVer material

O bloco AA de 10 kg10\ \mathrm{kg} se apoia na placa BB de 50 kg50\ \mathrm{kg}, ambos sobre um plano inclinado a 30∘30^\circ. Um cabo liga AA, passa por uma polia CC no alto do plano e volta a BB. Os coeficientes de atrito cinético são μAB=0,2\mu_{AB} = 0{,}2 (entre o bloco e a placa) e μBC=0,1\mu_{BC} = 0{,}1 (entre a placa e o plano). Desprezando a massa da corda e da polia, determine o tempo necessário para o bloco AA deslizar 0,5 m0{,}5\ \mathrm{m} sobre a placa, quando o sistema é liberado do repouso.

Adote g=9,81 m/s2g = 9{,}81\ \mathrm{m/s^2}.

Gabarito

t=0,519 st = 0{,}519\ \mathrm{s} (com aB=1,854 m/s2a_B = 1{,}854\ \mathrm{m/s^2}, aA=−1,854 m/s2a_A = -1{,}854\ \mathrm{m/s^2} e T=84,6 NT = 84{,}6\ \mathrm{N}).

Passo a passo

Passo 1 — as duas normais, uma empilhada na outra. Perpendicular ao plano, nada acelera:

NA=10(9,81)cos⁡30∘=84,96 NN_A = 10(9{,}81)\cos 30^\circ = 84{,}96\ \mathrm{N}NB=NA+50(9,81)cos⁡30∘=84,96+424,8=509,7 NN_B = N_A + 50(9{,}81)\cos 30^\circ = 84{,}96 + 424{,}8 = 509{,}7\ \mathrm{N}

A placa carrega o peso do bloco e o seu: é isso que faz NBN_B não ser só o peso de BB.

Passo 2 — o vínculo do cabo. O cabo é inextensível e passa por uma polia fixa, com AA numa ponta e BB na outra:

sA+sB=L⟹aA=−aB(3)s_A + s_B = L \quad\Longrightarrow\quad a_A = -a_B \tag{3}

Os dois se movem em sentidos opostos ao longo do plano, com o mesmo módulo. É aqui que a questão é ganha: eles não descem juntos.

Passo 3 — a segunda lei para o bloco AA, ao longo do plano. Sobre ele agem a tração, a componente do peso e o atrito com a placa:

−T+0,2(84,96)+10(9,81)sen⁡30∘=10 aA-T + 0{,}2(84{,}96) + 10(9{,}81)\operatorname{sen} 30^\circ = 10\,a_AT−66,04=−10 aA(1)T - 66{,}04 = -10\,a_A \tag{1}

Passo 4 — a segunda lei para a placa BB. Ela sofre dois atritos — do bloco em cima e do plano embaixo — mais a tração e o peso:

−0,2(84,96)−0,1(509,7)−T+50(9,81)sen⁡30∘=50 aB-0{,}2(84{,}96) - 0{,}1(509{,}7) - T + 50(9{,}81)\operatorname{sen} 30^\circ = 50\,a_B177,28−T=50 aB(2)177{,}28 - T = 50\,a_B \tag{2}

Passo 5 — resolva o sistema (1), (2) e (3). Somando (1) e (2) com aA=−aBa_A = -a_B:

aB=1,854 m/s2aA=−1,854 m/s2T=84,6 Na_B = 1{,}854\ \mathrm{m/s^2} \qquad a_A = -1{,}854\ \mathrm{m/s^2} \qquad T = 84{,}6\ \mathrm{N}

Passo 6 — o movimento RELATIVO, que é a pergunta. O enunciado pede 0,5 m0{,}5\ \mathrm{m} do bloco sobre a placa, não no chão. Como eles vão em sentidos opostos:

sB=sA+sB/A⟹−ΔsA=ΔsA+0,5⟹ΔsA=−0,25 ms_{B} = s_{A} + s_{B/A} \quad\Longrightarrow\quad -\Delta s_A = \Delta s_A + 0{,}5 \quad\Longrightarrow\quad \Delta s_A = -0{,}25\ \mathrm{m}

Cada um anda 0,25 m0{,}25\ \mathrm{m}, em sentidos contrários: a soma dá o 0,5 m0{,}5\ \mathrm{m} de escorregamento relativo.

Passo 7 — cinemática, com aceleração constante e partindo do repouso:

−0,25=12(−1,854) t2⟹t=0,519 s-0{,}25 = \tfrac{1}{2}(-1{,}854)\,t^2 \quad\Longrightarrow\quad t = 0{,}519\ \mathrm{s}

Cuidado — o erro que dobra a resposta. Usar 0,5 m0{,}5\ \mathrm{m} direto na cinemática de AA dá t=0,734 st = 0{,}734\ \mathrm{s}. “Deslizar sobre a placa” é deslocamento relativo, e com os corpos em sentidos opostos cada um faz metade.

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Questão 341º EELista · Hibbeler 13.43Força crescente no tempo · Quando o caixote começa a andarVer material

A força exercida sobre o cabo ABAB por um motor é F=(100 t3/2) NF = (100\,t^{3/2})\ \mathrm{N}, com tt em segundos, e é horizontal. Determine a velocidade do caixote de 50 kg50\ \mathrm{kg} quando t=5 st = 5\ \mathrm{s}. Os coeficientes de atrito estático e cinético entre o caixote e o solo são μs=0,4\mu_s = 0{,}4 e μk=0,3\mu_k = 0{,}3. Inicialmente o caixote está em repouso.

Adote g=9,81 m/s2g = 9{,}81\ \mathrm{m/s^2}.

Gabarito

v=32,2 m/sv = 32{,}2\ \mathrm{m/s} (o caixote só começa a andar em t1=1,57 st_1 = 1{,}57\ \mathrm{s}).

Passo a passo

Passo 1 — o caixote não sai do lugar na hora. Enquanto FF é menor que o atrito estático máximo, nada acontece. A normal é o peso:

N=50(9,81)=490,5 NFs,max⁡=0,4(490,5)=196,2 NN = 50(9{,}81) = 490{,}5\ \mathrm{N} \qquad F_{s,\max} = 0{,}4(490{,}5) = 196{,}2\ \mathrm{N}

Passo 2 — o instante em que ele arranca.

100 t13/2=196,2⟹t1=(1,962)2/3=1,567 s100\,t_1^{3/2} = 196{,}2 \quad\Longrightarrow\quad t_1 = (1{,}962)^{2/3} = 1{,}567\ \mathrm{s}

É esse passo que a questão está cobrando. Ignorá-lo e integrar desde t=0t = 0 é o erro clássico: nos primeiros 1,57 s1{,}57\ \mathrm{s} a força existe mas não produz impulso útil, porque o atrito estático a cancela integralmente.

Passo 3 — daí em diante o atrito é cinético, e constante:

Fk=0,3(490,5)=147,15 NF_k = 0{,}3(490{,}5) = 147{,}15\ \mathrm{N}

Passo 4 — teorema do impulso e momento linear, de t1t_1 a 5 s5\ \mathrm{s}, partindo do repouso:

∫t15100 t3/2dt−Fk (5−t1)=50 v\int_{t_1}^{5}100\,t^{3/2}dt - F_k\,(5 - t_1) = 50\,v

A integral da força motriz:

∫100 t3/2dt=40 t5/2⟹40(55/2−1,5675/2)=40 (55,90−3,07)=2113 N⋅s\int 100\,t^{3/2}dt = 40\,t^{5/2} \quad\Longrightarrow\quad 40\left(5^{5/2} - 1{,}567^{5/2}\right) = 40\,(55{,}90 - 3{,}07) = 2113\ \mathrm{N\cdot s}

O impulso do atrito:

147,15 (5−1,567)=505,1 N⋅s147{,}15\,(5 - 1{,}567) = 505{,}1\ \mathrm{N\cdot s}

Passo 5 — resolva:

50 v=2113−505=1608⟹v=32,2 m/s50\,v = 2113 - 505 = 1608 \quad\Longrightarrow\quad v = 32{,}2\ \mathrm{m/s}

A leitura da resposta. O μs>μk\mu_s \gt \mu_k do enunciado não é decoração: é o que cria as duas fases. O μs\mu_s define quando começa; o μk\mu_k define quanto freia depois. Sempre que uma questão dá os dois coeficientes, procure a transição.

Cuidado com o expoente fracionário. ∫t3/2dt=25t5/2\int t^{3/2}dt = \tfrac{2}{5}t^{5/2}, então o 100100 vira 4040. E 55/2=255=55,905^{5/2} = 25\sqrt5 = 55{,}90 — não 52,55^{2{,}5} feito à mão errado. Integrar desde t=0t = 0 daria v=30,0 m/sv = 30{,}0\ \mathrm{m/s}: perto o bastante para passar despercebido, e errado.

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Questão 351º EELista · Hibbeler 13.51Bloco na bandeja sobre mola · Onde a normal se anulaVer material

O bloco AA tem massa mAm_A e se apoia sobre a bandeja BB, de massa mBm_B. Ambos são apoiados por uma mola de rigidez kk, presa ao fundo da bandeja e ao solo. Determine a distância dd que a bandeja deverá ser empurrada para baixo a partir da posição de equilíbrio e depois largada, de modo que haja separação entre o bloco e a superfície da bandeja no instante em que a mola não estiver esticada.

Gabarito
d=(mA+mB) gkd = \frac{(m_A + m_B)\,g}{k}
Passo a passo

Passo 1 — a deformação de equilíbrio. Em repouso, a mola sustenta os dois:

k yeq=(mA+mB) g⟹yeq=(mA+mB) gkk\,y_{eq} = (m_A + m_B)\,g \quad\Longrightarrow\quad y_{eq} = \frac{(m_A + m_B)\,g}{k}

Passo 2 — traduza “separação”. O bloco e a bandeja se separam quando a força que a bandeja faz no bloco chega a zero, isto é, N=0N = 0. Nesse instante, a única força no bloco é o peso:

−mA g+N=mA a→  N=0  a=−g-m_A\,g + N = m_A\,a \quad\xrightarrow{\;N=0\;}\quad a = -g

Os dois estão em queda livre no instante da separação — é essa a leitura que resolve a questão. Não é preciso saber nada sobre a oscilação.

Passo 3 — a equação do conjunto, medindo yy para baixo a partir do equilíbrio. Com a mola comprimida de (yeq+y)(y_{eq} + y):

−(mA+mB) g+k (yeq+y)=(mA+mB) a-(m_A + m_B)\,g + k\,(y_{eq} + y) = (m_A + m_B)\,a

Passo 4 — imponha a=−ga = -g (e o k yeqk\,y_{eq} cancela o peso, pelo Passo 1):

k y=−(mA+mB) gk\,y = -(m_A + m_B)\,g

Como yy é medido para baixo e a resposta dd é a distância que se empurra para baixo, o módulo é

d=(mA+mB) gkd = \frac{(m_A + m_B)\,g}{k}

A leitura da resposta, que é bonita. d=yeqd = y_{eq}: empurrar exatamente a própria deformação de equilíbrio. E não é coincidência — significa que a bandeja é levada até o ponto onde a mola está no comprimento natural, que é justamente onde o enunciado pede a separação. A mola, solta desse ponto, devolve o sistema com aceleração para baixo de módulo gg na outra extremidade do movimento.

Cuidado. O ponto de separação é onde N=0N = 0, não onde a velocidade é máxima nem onde a mola está no meio do curso. E note que a resposta usa a soma mA+mBm_A + m_B — não só mAm_A: quem sobe a bandeja é a mola, que sente as duas massas.

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Questão 361º EELista · Hibbeler 13.73Carro no alto de um morro parabólico · Normal e atritoVer material

Um carro de 0,8 Mg0{,}8\ \mathrm{Mg} desloca-se sobre um monte com formato de parábola, de equação y=20(1−x26400)y = 20\left(1 - \dfrac{x^2}{6400}\right) metros. Quando o carro está no ponto AA (x=80 mx = 80\ \mathrm{m}), ele está se deslocando a 9 m/s9\ \mathrm{m/s} e aumentando sua velocidade a 3 m/s23\ \mathrm{m/s^2}. Determine a força normal resultante e a força de atrito resultante que todas as rodas exercem sobre a estrada nesse instante. Despreze a dimensão do carro.

Adote g=9,81 m/s2g = 9{,}81\ \mathrm{m/s^2}.

Gabarito

N=6,73 kNN = 6{,}73\ \mathrm{kN} e F=1,11 kNF = 1{,}11\ \mathrm{kN} (freando, contra o movimento).

Passo a passo

Passo 1 — a geometria em x=80 mx = 80\ \mathrm{m}.

y′=−x160=−0,500y′′=−1160y' = -\frac{x}{160} = -0{,}500 \qquad y'' = -\frac{1}{160}θ=arctan⁡0,500=26,57∘ρ=[1+0,25]3/21/160=1,39750,00625=223,6 m\theta = \arctan 0{,}500 = 26{,}57^\circ \qquad \rho = \frac{\left[1 + 0{,}25\right]^{3/2}}{1/160} = \frac{1{,}3975}{0{,}00625} = 223{,}6\ \mathrm{m}

E vale notar: em x=80x = 80, y=0y = 0 — o carro está no pé do morro, não no topo.

Passo 2 — as duas componentes da aceleração. A tangencial é dada; a normal sai do raio de curvatura:

at=3,00 m/s2an=v2ρ=81223,6=0,362 m/s2a_t = 3{,}00\ \mathrm{m/s^2} \qquad a_n = \frac{v^2}{\rho} = \frac{81}{223{,}6} = 0{,}362\ \mathrm{m/s^2}

Passo 3 — a normal. A parábola é côncava para baixo e o carro anda por cima: o centro de curvatura está abaixo da pista, então ana_n aponta para baixo. Nessa direção, a componente do peso empurra para o centro e a normal, para fora:

m gcos⁡θ−N=m anm\,g\cos\theta - N = m\,a_nN=800 (9,81cos⁡26,57∘−0,362)=800 (8,774−0,362)=6,73×103 NN = 800\,(9{,}81\cos 26{,}57^\circ - 0{,}362) = 800\,(8{,}774 - 0{,}362) = 6{,}73\times10^{3}\ \mathrm{N}

Passo 4 — o atrito. Na direção tangencial, o carro está descendo o morro, então a componente do peso ajuda o movimento:

m gsen⁡θ+F=m atm\,g\operatorname{sen}\theta + F = m\,a_tF=800(3,00)−800(9,81)sen⁡26,57∘=2400−3509=−1,11×103 NF = 800(3{,}00) - 800(9{,}81)\operatorname{sen} 26{,}57^\circ = 2400 - 3509 = -1{,}11\times10^{3}\ \mathrm{N}

O sinal negativo diz o que interessa: o atrito aponta contra o movimento, com 1,11 kN1{,}11\ \mathrm{kN}. O carro está acelerando a 3 m/s23\ \mathrm{m/s^2}, mas a gravidade sozinha o aceleraria a 4,39 m/s24{,}39\ \mathrm{m/s^2} — então as rodas estão freando, não tracionando.

A leitura da resposta. N=6,73 kNN = 6{,}73\ \mathrm{kN} contra um peso de 7,85 kN7{,}85\ \mathrm{kN}: o carro está 14%14\% mais “leve” que parado, porque a lombada tira parte da normal. É a mesma física da sensação de flutuar ao passar rápido por uma elevação — e o limite disso é N=0N = 0, quando o carro decola.

Cuidado com o sinal do termo ana_n. Concavidade para baixo com o corpo em cima subtrai da normal; concavidade para cima (um vale) soma. Errar isso troca 6,736{,}73 por 7,44 kN7{,}44\ \mathrm{kN} — e o jeito de nunca errar é desenhar a seta de ana_n apontando para o centro de curvatura antes de escrever a equação.

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Questão 371º EELista · Hibbeler 13.74Bloco na superfície de um cone · Tração e reaçãoVer material

O bloco BB, com massa de 0,2 kg0{,}2\ \mathrm{kg}, está ligado ao vértice AA de um cone circular reto por uma corda leve de 200 mm200\ \mathrm{mm}. O cone tem altura 400 mm400\ \mathrm{mm} e raio da base 300 mm300\ \mathrm{mm}, e gira com velocidade angular constante em torno do eixo zz, de modo que o bloco alcança uma velocidade escalar de 0,5 m/s0{,}5\ \mathrm{m/s}. Nessa velocidade, determine a tração na corda e a reação que o cone exerce sobre o bloco. Despreze a dimensão do bloco e o efeito do atrito.

Adote g=9,81 m/s2g = 9{,}81\ \mathrm{m/s^2}.

zAB200 mm400300 mm

Cone 33–44–55: a geratriz mede 500 mm500\ \mathrm{mm}, e por semelhança de triângulos o bloco a 200 mm200\ \mathrm{mm} do vértice está a um raio de 120 mm120\ \mathrm{mm} do eixo.

Gabarito

T=1,82 NT = 1{,}82\ \mathrm{N} e NB=0,844 NN_B = 0{,}844\ \mathrm{N}.

Passo a passo

Passo 1 — o raio da trajetória, por semelhança. A geratriz do cone mede 3002+4002=500 mm\sqrt{300^2 + 400^2} = 500\ \mathrm{mm} — é um triângulo 33–44–55, e daí saem todos os senos e cossenos sem calculadora. O bloco está a 200 mm200\ \mathrm{mm} do vértice ao longo da geratriz, então

ρ200=300500⟹ρ=120 mm=0,120 m\frac{\rho}{200} = \frac{300}{500} \quad\Longrightarrow\quad \rho = 120\ \mathrm{mm} = 0{,}120\ \mathrm{m}

Passo 2 — a aceleração é puramente centrípeta. Velocidade angular constante e raio constante: nada de tangencial, nada de vertical.

an=v2ρ=(0,5)20,120=2,083 m/s2a_n = \frac{v^2}{\rho} = \frac{(0{,}5)^2}{0{,}120} = 2{,}083\ \mathrm{m/s^2}

apontando horizontalmente para o eixo.

Passo 3 — os eixos inteligentes. Use os eixos alinhados com a geratriz: um paralelo a ela (onde estão a corda e o peso) e outro perpendicular (onde está a normal do cone). Do triângulo 33–44–55, a geratriz faz com a vertical um ângulo cujo seno é 3/53/5 e cosseno é 4/54/5.

Ao longo da geratriz (a corda tira para cima, o peso e parte da centrípeta atuam):

T−0,2(9,81)(45)=[0,2 (2,083)] ⁣(35)T - 0{,}2(9{,}81)\left(\tfrac{4}{5}\right) = \left[0{,}2\,(2{,}083)\right]\!\left(\tfrac{3}{5}\right)T=1,570+0,250=1,82 NT = 1{,}570 + 0{,}250 = 1{,}82\ \mathrm{N}

Perpendicular à geratriz (a normal do cone contra o peso e a centrípeta):

NB−0,2(9,81)(35)=−[0,2 (2,083)] ⁣(45)N_B - 0{,}2(9{,}81)\left(\tfrac{3}{5}\right) = -\left[0{,}2\,(2{,}083)\right]\!\left(\tfrac{4}{5}\right)NB=1,177−0,333=0,844 NN_B = 1{,}177 - 0{,}333 = 0{,}844\ \mathrm{N}

Conferência pelos eixos horizontal/vertical. Vale fazer, porque é fácil trocar um 3/53/5 por 4/54/5:

vertical:T(45)+NB(35)−0,2(9,81)=0 ⇒ 1,456+0,506=1,962 ✔\text{vertical:}\quad T\left(\tfrac{4}{5}\right) + N_B\left(\tfrac{3}{5}\right) - 0{,}2(9{,}81) = 0 \ \Rightarrow\ 1{,}456 + 0{,}506 = 1{,}962\ ✔radial:T(35)−NB(45)=1,092−0,675=0,417=0,2 (2,083) ✔\text{radial:}\quad T\left(\tfrac{3}{5}\right) - N_B\left(\tfrac{4}{5}\right) = 1{,}092 - 0{,}675 = 0{,}417 = 0{,}2\,(2{,}083)\ ✔

A leitura da resposta. NB>0N_B \gt 0: o bloco continua encostado no cone. Se a rotação aumentasse, a centrípeta exigida cresceria, NBN_B cairia e em algum momento o bloco descolaria da superfície — e aí a corda passaria a fazer um ângulo diferente da geratriz, mudando o problema inteiro. Essa é a pergunta natural do item seguinte, e NB=0N_B = 0 é sempre a condição-limite.

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Questão 381º EELista · Hibbeler 13.76Caixote na rampa parabólica · Normal e taxa de aumento da velocidadeVer material

O caixote de 35 kg35\ \mathrm{kg} tem velocidade escalar de 2 m/s2\ \mathrm{m/s} quando está no ponto AA (x=0x = 0) de uma rampa lisa com a forma da parábola y=(4−19x2) my = \left(4 - \dfrac{1}{9}x^2\right)\ \mathrm{m}. Determine a força normal sobre o caixote no instante em que x=3 mx = 3\ \mathrm{m}. Além disso, qual é a taxa de aumento em sua velocidade nesse instante?

Adote g=9,81 m/s2g = 9{,}81\ \mathrm{m/s^2}.

Gabarito

N=180 NN = 180\ \mathrm{N} e v˙=5,44 m/s2\dot{v} = 5{,}44\ \mathrm{m/s^2}.

Passo a passo

Passo 1 — a velocidade em x=3x = 3, pela energia. A rampa é lisa e a normal não trabalha. A altura caiu de y(0)=4y(0) = 4 para y(3)=4−1=3 my(3) = 4 - 1 = 3\ \mathrm{m}, ou seja 1 m1\ \mathrm{m}:

v2=22+2(9,81)(1)=23,62 m2/s2⟹v=4,86 m/sv^2 = 2^2 + 2(9{,}81)(1) = 23{,}62\ \mathrm{m^2/s^2} \quad\Longrightarrow\quad v = 4{,}86\ \mathrm{m/s}

Passo 2 — a geometria em x=3x = 3.

y′=−2x9=−0,6667y′′=−29y' = -\frac{2x}{9} = -0{,}6667 \qquad y'' = -\frac{2}{9}θ=arctan⁡0,6667=33,69∘ρ=[1+0,4444]3/22/9=1,73610,2222=7,813 m\theta = \arctan 0{,}6667 = 33{,}69^\circ \qquad \rho = \frac{\left[1 + 0{,}4444\right]^{3/2}}{2/9} = \frac{1{,}7361}{0{,}2222} = 7{,}813\ \mathrm{m}

Passo 3 — a taxa de aumento da velocidade é a componente TANGENCIAL. Rampa lisa: a única força com componente tangencial é o peso.

v˙=at=gsen⁡θ=9,81 (0,5547)=5,44 m/s2\dot{v} = a_t = g\operatorname{sen}\theta = 9{,}81\,(0{,}5547) = 5{,}44\ \mathrm{m/s^2}

Note que isso não depende da massa nem da velocidade — e é a resposta mais rápida da questão, então vale escrevê-la primeiro.

Passo 4 — a normal, pela direção normal. A parábola é côncava para baixo e o caixote desliza por cima: o centro de curvatura está abaixo, então ana_n aponta para baixo, e nessa direção o peso empurra para dentro e a normal, para fora:

m gcos⁡θ−N=m v2ρm\,g\cos\theta - N = m\,\frac{v^2}{\rho}N=35(9,81cos⁡33,69∘−23,627,813)=35 (8,163−3,023)=180 NN = 35\left(9{,}81\cos 33{,}69^\circ - \frac{23{,}62}{7{,}813}\right) = 35\,(8{,}163 - 3{,}023) = 180\ \mathrm{N}

A leitura da resposta. O peso do caixote é 343 N343\ \mathrm{N}, e a normal em x=3x = 3 é só 180 N180\ \mathrm{N} — pouco mais da metade. Duas coisas a reduzem: a inclinação (o cos⁡θ\cos\theta) e a curvatura (o v2/ρv^2/\rho). Se o caixote fosse mais rápido, a normal cairia mais, e em

v2=ρ gcos⁡θ=7,813 (8,163)=63,8⟹v=7,99 m/sv^2 = \rho\,g\cos\theta = 7{,}813\,(8{,}163) = 63{,}8 \quad\Longrightarrow\quad v = 7{,}99\ \mathrm{m/s}

ele descolaria da rampa em x=3 mx = 3\ \mathrm{m}. É a pergunta gêmea desta, e a conta é a mesma com N=0N = 0.

Cuidado com os dois "gg". A componente tangencial usa sen⁡θ\operatorname{sen}\theta e a normal usa cos⁡θ\cos\theta — trocá-los dá v˙=8,16 m/s2\dot{v} = 8{,}16\ \mathrm{m/s^2} e N=84,7 NN = 84{,}7\ \mathrm{N}. O jeito de não confundir: no plano horizontal (θ=0\theta = 0) a tangencial tem de ser zero, e só o seno faz isso.

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