O movimento de um ponto material é dado por x=2t3−15t2+24t+4, com x em metros e t em segundos. Determine:
os instantes nos quais a velocidade se anula;
a distância total percorrida de 0 a 5,0s.
Gabarito
a) t=1,0s e t=4,0s. b) sT=49m.
Passo a passo
Passo 1 — Derive a posição para obter a velocidade:
v=dtdx=6t2−30t+24
Passo 2 — Iguale a zero e resolva. Dividindo por 6, t2−5t+4=0:
t=1230±900−576=1230±18⟹t=1,0s e t=4,0s
Passo 3 — Estes são os instantes em que a partícula inverte o sentido, e é por isso que a distância não é o deslocamento. Calcule a posição em cada um deles e nos extremos:
x(0)=4,x(1)=15,x(4)=−12,x(5)=−1
Passo 4 — Some os trechos em módulo:
sT=∣15−4∣+∣−12−15∣+∣−1−(−12)∣=11+27+11=49m
Cuidado. O deslocamento seria x(5)−x(0)=−5m, de módulo 5 — nada a ver com os 49 m percorridos. Quem não procura os instantes de v=0 responde 5 e perde a questão.
Esta prova foi reaplicada. A avaliação de 2022.1 voltou idêntica em 2022.2 — mesmas quatro questões, mesmos números. Vale saber: quando aparece uma prova antiga desta equipe, a chance de os enunciados voltarem é real.
Dois blocos estão ligados por uma corda que passa por polias, conforme a montagem em que o comprimento do cabo dá L=2(C−xA)+(xB−xA)+xB. O bloco A (à esquerda) parte do repouso para a esquerda com aceleração constante. O bloco B (à direita) adquire 0,30m/s após mover-se 0,60m. Determine:
as acelerações de A e de B;
a velocidade de A após 5,0s.
Gabarito
a) aB=0,075m/s2 e aA=0,050m/s2, ambas para a esquerda. b) vA=0,25m/s para a esquerda.
Passo a passo
Passo 1 — Adote o eixo x para a direita, com origem na fixação da esquerda, e escreva o comprimento do cabo:
L=2(C−xA)+(xB−xA)+xB
Passo 2 — Derive em relação ao tempo. As constantes L e C desaparecem:
0=−3vA+2vB⟹vB=1,5vAeaB=1,5aA
Passo 3 — Como aA é constante, aB também é — e só então vale usar a fórmula de aceleração constante. Para o bloco B, com v0=0:
0,302=02+2aB(0,60)⟹aB=0,075m/s2
Passo 4 — Volte à relação do Passo 2:
aA=1,5aB=0,050m/s2
Passo 5 — Para o item (b), movimento uniformemente acelerado a partir do repouso:
vA(5,0)=0+(0,050)(5,0)=0,25m/s
Cuidado. O fator 1,5 não é chute: ele sai do número de trechos de cabo que aparecem na conta do comprimento. Contar trecho errado é o erro que decide essa questão, e nenhuma conta posterior salva.
Cuidado. As duas raízes são próximas (0,67 e 1,00), e os dois primeiros trechos somam pouco mais de 1 m. É tentador arredondar e ignorá-los — mas a questão pede a distância, e quem pula direto de x(0) a x(4) responde 64 m por sorte, com o raciocínio errado.
Dois blocos A e B (B à direita de A) estão apoiados na horizontal. De um pino preso ao chão, entre eles, parte uma corda tensionada para a direita, que passa por uma polia presa em B, volta para a esquerda passando por uma polia presa em A e retorna para B, onde a extremidade é fixada.
O bloco A parte do repouso para a esquerda com aceleração constante. B adquire 0,48m/s após mover-se 0,96m. Determine:
as acelerações de A e de B;
a velocidade de A após 5,0s.
Gabarito
a) aA=0,18m/s2 e aB=0,12m/s2, ambas para a esquerda. b) vA=0,90m/s para a esquerda.
Passo a passo
Passo 1 — Adote o sentido positivo para a direita, com origem no pino. Seguindo a corda, um trecho vai do pino até B e dois trechos ligam B a A:
L=xB+2(xB−xA)
Passo 2 — Derive uma vez e depois outra:
3vB−2vA=0⇒vA=1,5vBeaA=1,5aB
Como aA é constante, aB também é.
Passo 3 — Os dois partem do repouso, e como A vai para a esquerda, B também vai — as duas velocidades são negativas no eixo adotado:
(−0,48)2=02+2aB(−0,96)⟹aB=−0,12m/s2
Passo 4 — Pela relação do Passo 2:
aA=1,5(−0,12)=−0,18m/s2
ou seja, aA=0,18m/s2 e aB=0,12m/s2, ambas para a esquerda.
Passo 5 — Item (b):
vA(5,0)=0+(−0,18)(5,0)=−0,90⟹vA=0,90m/spara a esquerda
Compare com a questão da 1ª chamada. Lá o cabo dava vB=1,5vA; aqui dá vA=1,5vB. A montagem é parecida, a relação é invertida — é exatamente o tipo de detalhe que a prova troca de uma chamada para a outra.
Uma bola presa a uma corda descreve uma circunferência vertical cujo raio mede 1,25m. Determine a velocidade mínima da bola no topo da circunferência para que a corda permaneça esticada.
Gabarito
vmin=3,50m/s.
Passo a passo
Passo 1 — Faça o diagrama de corpo livre no topo. Há duas forças: o peso mg, para baixo, e a tração T na corda, também para baixo — porque no topo a corda tira a bola para o centro, que está embaixo.
Passo 2 — Escreva a 2ª lei na direção normal, com o sentido positivo para o centro:
mg+T=mrv2
Passo 3 — Traduza “a corda permanece esticada” para uma condição sobre T. A corda só puxa, nunca empurra: o limite é T=0. Abaixo dessa velocidade ela precisaria empurrar, e a bola sai da trajetória circular.
mg=mrvmin2⟹vmin=gr
Passo 4 — Substitua:
vmin=9,81×1,25=3,50m/s
Cuidado. A massa não aparece na resposta — se ela sobrou na sua conta, algo foi projetado errado. E não existe “força centrífuga” neste diagrama: as duas forças apontam para o centro, e é a resultante delas que curva a trajetória.
Um bloco B de 8,0kg repousa sobre um suporte móvel A de 12kg. Os coeficientes de atrito entre o bloco e o suporte são μe=0,40 e μc=0,30. Não há atrito entre o suporte e o piso. Um corpo C pende de um cabo que arrasta o conjunto. Determine:
a maior massa de C para que o bloco B não escorregue sobre a plataforma A;
a aceleração correspondente.
Gabarito
a) mC=2,6kg. b) a=1,1m/s2.
Passo a passo
Passo 1 — Três corpos, três diagramas. Isolando C, que desce:
mCa=mCg−T(1)
Passo 2 — Isolando o conjunto A+B na horizontal — os dois andam juntos enquanto B não escorrega, e o piso não tem atrito:
T=(mA+mB)a(2)
Passo 3 — Substituindo (2) em (1), a tração sai da conta:
(mA+mB+mC)a=mCg(1’)
Passo 4 — Agora o ponto da questão: quem acelera o bloco B é o atrito. Ele é a única força horizontal sobre B. No limite de escorregar, o atrito está no seu máximo estático, Fat=μemBg:
mBa=μemBg−T(2)(mA+2mB)a=μemBg(3’)
Passo 5 — Divida (3’) por (1’) para eliminar a e isolar mC:
mC=μemBmA+(2−μe)mBmA+mB=2,58≈2,6kg
Passo 6 — Item (b), direto de (3’):
a=μemA+2mBmBg=0,40×12+168×9,81=1,1m/s2
Cuidado. Use μe, não μc: a pergunta é sobre o limite para não escorregar, e nesse instante ainda não há escorregamento. O μc=0,30 do enunciado é distrator — só entraria se a questão pedisse o que acontece depois de escorregar.
Um bloco escorrega por uma rampa a 30,0∘ com aceleração de 3,00m/s2. O coeficiente de atrito cinético entre o bloco e a rampa é constante. Em seguida, a rampa sofre uma mudança de declividade. Determine o novo ângulo de inclinação para que o bloco passe a escorregar com velocidade constante.
Gabarito
θ′=12,6∘.
Passo a passo
Passo 1 — Escolha os eixos na rampa: um ao longo dela, outro perpendicular. Assim a aceleração fica só num eixo. Perpendicularmente não há aceleração, então
N=mgcosθ
Passo 2 — Ao longo da rampa, o peso puxa para baixo com mgsinθ e o atrito cinético resiste com μcN:
mgsinθ−μcmgcosθ=ma⟹a=g(sinθ−μccosθ)
A massa desaparece — guarde isso, é a conferência da questão.
Passo 3 — Com os dados da primeira rampa, isole o coeficiente:
Passo 4 — “Velocidade constante” significa a=0. Na nova inclinação θ′:
0=g(sinθ′−μccosθ′)⟹tanθ′=μc=0,2242⟹θ′=12,6∘
O que esse resultado significa.arctanμc é o ângulo de repouso: a inclinação em que o atrito cinético empata exatamente com a componente do peso. Mais inclinado que isso, o bloco acelera; menos, ele desacelera até parar. E note que o coeficiente é o mesmo nas duas rampas — é o que permite usar a primeira situação para descobri-lo.
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Questão 081º EE2ª chamadaComponentes normal e tangencial · Raio de curvatura2,5 ptsVer material
O jato d’água sai do bico da mangueira com aclive de 6,0cm na vertical para cada 8,0cm na horizontal, com raio de curvatura inicial de 3,8m. Determine:
a velocidade inicial do jato;
o raio de curvatura no ponto de altura máxima.
Gabarito
a) v0=5,5m/s. b) ρM=1,9m.
Passo a passo
Passo 1 — O aclive dá o ângulo de saída: tanθ=6,0/8,0, o triângulo 3-4-5. Logo
sinθ=53=0,6,cosθ=54=0,8
Passo 2 — Depois de sair do bico, a única aceleração do jato é g, para baixo. Projete-a na direção normal à trajetória. Como a velocidade faz ângulo θ com a horizontal, a normal faz θ com a vertical:
an=gcosθ=54g
Passo 3 — Use a definição de aceleração normal no ponto de saída:
Passo 4 — No ponto de altura máxima a velocidade é horizontal, então g é inteiramente normal: an=g. E na horizontal o movimento é uniforme desde a saída, logo a velocidade ali é vh=v0cosθ:
g=ρM(v0cosθ)2⟹ρM=gv02cos2θ
Passo 5 — Substituindo v02=54gρ0 do Passo 3, o g cancela e sobra uma relação limpa:
ρM=54ρ0cos2θ=(54)3ρ0=0,512×3,8=1,9m
A leitura física. O raio diminui no topo: a curva fecha. Faz sentido — ali a velocidade é a menor de todo o percurso e a aceleração normal é a maior (g inteiro), e ρ=v2/an cai duas vezes por isso.
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Questão 091º EE1ª avaliaçãoAceleração em função da velocidade · a = −2v³3,0 ptsVer material
Uma partícula está se movendo com velocidade 20m/s quando s=0 e t=0. Se a partícula está sujeita a uma desaceleração a=−2v3 (com a em m/s2 e v em m/s), determine sua velocidade quando o tempo for 3 segundos.
Gabarito
v=0,289m/s.
Passo a passo
Passo 1 — escolha a definição certa de aceleração. A pergunta relaciona velocidade e tempo, então a forma útil é a=dv/dt — e não ads=vdv, que serviria se a pergunta fosse sobre posição.
dtdv=−2v3⟹v3dv=−2dt
Passo 2 — separe e integre, de v0=20 em t=0 até v em t:
A leitura da resposta. A desaceleração é proporcional a v3: enorme no começo (com v=20, a=−16000m/s2) e praticamente nula no fim. O resultado é que a partícula perde 98% da velocidade quase instantaneamente e depois “arrasta” o resto por muito tempo — a velocidade cai como 1/t e nunca chega a zero. Isso é a assinatura de arrasto de alta ordem, e é por isso que o 1/400 do Passo 3 mal importa em t=3s, mas é ele que impede a fórmula de explodir em t=0.
Cuidado. Não use v=v0+at: a aceleração não é constante. E não caia na tentação de escrever a=−2v3 com v “médio” — não existe atalho aqui, a integral é obrigatória.
A aceleração de uma partícula é definida pela relação a=−k/x. Ela foi determinada experimentalmente: v=15m/s quando x=0,6m, e v=9m/s quando x=1,2m. Determine a posição da partícula em que a velocidade é zero.
Gabarito
k=103,9m2/s2 e xf=1,77m.
Passo a passo
Passo 1 — a relação sem tempo. A aceleração é dada em função de x e a pergunta é sobre x: nada de tempo na conta. A ponte é
a=vdxdv⟹vdv=−xkdx
Passo 2 — integre entre os dois pontos medidos para descobrir k:
Por que integrar duas vezes, e não uma. A primeira integral usa os dois dados experimentais para calibrar a constante desconhecida do modelo; a segunda usa a constante calibrada para prever algo novo. É o roteiro de toda questão que dá “determinado experimentalmente” — sempre há uma constante escondida, e ela vem antes da resposta.
Cuidado com o sinal. A partícula está desacelerando (a<0 para x>0), então ela avança até parar em xf=1,77m. Se você achar xf<1,2, o sinal do logaritmo se inverteu em algum lugar.
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Questão 111º EE2023.1Aceleração linear no tempo · Distância total percorrida2,0 ptsVer material
A aceleração de uma partícula é diretamente proporcional ao tempo t. Sabendo que v(t=1,00s)=19,0m/s, v(t=3,00s)=17,0m/s e x(t=3,00s)=22,0m, determine a distância total percorridaSif entre ti=0 e tf=12,0s.
Gabarito
Sif=138m (com k=−21m/s3 e inversão de sentido em t∗=77=8,77s).
Passo a passo
Passo 1 — traduza “diretamente proporcional”.
a=kt
com k desconhecido — e são os dois valores de velocidade que o determinam.
Passo 2 — integre a entre os dois instantes conhecidos:
∫1917dv=k∫13tdt⟹17−19=2k(32−12)=4kk=−21m/s3
Passo 3 — a lei da velocidade. Integrando de t=1 até t genérico:
v=19−41(t2−1)⟹v(t)=477−t2
Passo 4 — a partícula inverte o sentido.v=0 em
t∗=77=8,775s
e 8,775<12: o instante de inversão está dentro do intervalo pedido. É aqui que a questão é ganha ou perdida — “distância total percorrida” não é ∣x(12)−x(0)∣.
Passo 5 — a lei da posição. Integrando v a partir de x(3)=22:
Passo 7 — some os dois trechos, cada um em módulo:
Sif=112,6∣x(t∗)−x(0)∣+25,6∣x(12)−x(t∗)∣=138m
O erro que a questão está caçando. O deslocamento é x(12)−x(0)=87,0m; a distância percorrida é 138m. A diferença de 51m é o ir-e-voltar depois de t∗. Sempre que a aceleração troca de sinal — ou aqui, sempre que v troca de sinal — procure a raiz de v(t)=0antes de calcular qualquer distância.
Uma bola de boliche é solta de um barco e atinge a superfície de um lago com velocidade de 8m/s. Considerando que dentro da água a bola experimenta uma aceleração a=10−0,9v2 (SI), determine a velocidade da bola quando ela atinge o fundo do lago, a 10m de profundidade.
Gabarito
v=3,33m/s.
Passo a passo
Passo 1 — a relação sem tempo. O dado é a profundidade, então:
a=vdxdv=10−0,9v2⟹∫8v10−0,9v2vdv=∫010dx(I)
Passo 2 — a integral da esquerda, por substituição. Com u=10−0,9v2 tem-se du=−1,8vdv, ou seja vdv=−du/1,8:
∫10−0,9v2vdv=−1,81∫udu=−1,81lnu
Passo 3 — avalie. Em v=8: u0=10−0,9(64)=−47,6. Levando em (I):
Passo 4 — a leitura, que vale mais que a conta.e−18=1,5×10−8: o termo exponencial é numericamente irrelevante. Isso significa que a bola já chegou à sua velocidade terminal muito antes dos 10m — e a velocidade terminal é onde a aceleração se anula:
10−0,9vt2=0⟹vt=0,910=3,33m/s
Exatamente a resposta. A bola entrou na água a 8m/s, acima da terminal, e o arrasto a freou até 3,33 em poucos centímetros.
O que fazer com isso na prova. Calcule vtprimeiro, em uma linha: ele te diz para onde o resultado tem de convergir e serve de conferência. Mas apresente a integral — o enunciado desta prova avisa que “questões com cálculos parciais ou sem justificativa implicarão na anulação total”.
Cuidado com o sinal do u. Como a bola entra mais rápido que a terminal, 10−0,9v2 é negativo durante todo o percurso. O argumento do logaritmo é uma razão de dois negativos — positivo, e o log existe. Quem “corrige” o sinal na mão perde o resultado.
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Questão 131º EE2023.1Movimento dependente · Três cabos e quatro corpos2,0 ptsVer material
Na figura dada, o bloco A parte do repouso para a esquerda com aceleração constante. Depois de 4,00s, B adquire velocidade de 400mm/s. Determine:
as acelerações de A e B;
a velocidade de D em relação a A após B se deslocar 450mm.
O que a figura fornece. Com o eixo x positivo para a direita e a origem na parede, os dois cabos do arranjo dão as relações de comprimento
Passo 1 — derive o primeiro vínculo. O comprimento é constante, então a soma das derivadas é zero:
vB+(vB−vA)+2(−vA)=0⟹2vB=3vA⟹vB=1,5vA(1)
Derivando de novo, aB=1,5aA. E como aA é constante por enunciado, aB também é: os dois movimentos são uniformemente variados, e valem as três fórmulas de aceleração constante.
Passo 2 — item (a). Os dois partem do repouso (de (1), vB=0 quando vA=0) e vão para a esquerda, ou seja, com sinal negativo:
Passo 5 — desça a cadeia até a resposta, por (1) e (2):
vA=1,5−300=−200mm/svD/A=−2(−200)=+400mm/s(→)
O método, que é o mesmo em toda questão de cabos. Escreva o comprimento total como soma de segmentos em função das coordenadas; derive uma vez para velocidades, duas para acelerações. Nunca tente adivinhar a razão “por quantas cordas seguram o bloco” quando há mais de um cabo: aqui, a razão 1,5 não é nenhum dos “2” ou “3” óbvios do desenho.
Cuidado com o sinal na raiz. Torricelli dá vB2; você escolhe o sinal, pelo sentido físico. B está indo para a esquerda, então vB=−300, não +300 — e trocar isso inverte a resposta do item (b).
O mesmo arranjo já caiu antes. O primeiro vínculo desta questão é exatamente o de 2022.1/2022.2 — L=2(C−xA)+(xB−xA)+xB, que dá vB=1,5vA. O que 2023.1 acrescentou foi o segundo cabo, com o corpo D, e a pergunta em velocidade relativa. Se você já treinou a versão de 2022, metade desta estava feita.
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Questão 141º EE2021.2Trator içando bloco · Velocidade e aceleração pelo vínculo3,5 ptsVer material
Um trator em A está içando um bloco ao caminhar para a direita com velocidade constantevA=0,6m/s. A corda tem 50m de comprimento e passa sobre uma pequena polia em B, no topo de uma parede de 20m. Determine a velocidade e a aceleração do bloco quando ele alcança a altura de 8m.
A corda tem comprimento fixo: o que o trator “puxa” do lado inclinado, o bloco ganha em altura. E o trecho inclinado cresce como x2+400 — não como x.
Gabarito
v=0,510m/s (subindo) e a=2,62×10−3m/s2.
Passo a passo
Passo 1 — escreva o comprimento da corda. Com x a distância horizontal do trator à parede e y a altura do bloco, o trecho inclinado é a hipotenusa e o trecho vertical é 20−y:
O ponto da questão. O trator anda a velocidade constante, e o bloco ainda assim tem aceleração — pequena, mas não nula. A razão é geométrica: a taxa com que a hipotenusa cresce depende do ângulo, e o ângulo muda. Quando o trator está longe (x≫20), a corda fica quase horizontal e y˙→x˙; perto da parede, y˙→0.
Cuidado. Não escreva x2+400≈x+const. E ao derivar a raiz, não esqueça o segundo termo de s¨: ele vale 72% do primeiro aqui, e ignorá-lo triplica a resposta.
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Questão 151º EE2024.2Vínculo com raiz + 2ª lei · Tração na corda do trator3,0 ptsVer material
O trator é usado para levantar a carga B de 150kg com o sistema mostrado, que usa uma corda de 24m de comprimento, haste e polia ideais. O topo da haste está a 12m do solo. Se o trator, em determinado instante, se move para a direita com aceleração de 3m/s2 e tem velocidade de 4m/s no instante em que sA=5m, determine a tração na corda nesse instante. Considere que sA=0 quando sB=0.
Adote g=9,81m/s2.
Duas metades independentes: a cinemática do vínculo dá s¨B a partir do movimento do trator; a 2ª lei aplicada só à carga dá a tração.
Gabarito
s¨B=2,20m/s2 e T=1,80kN.
Passo a passo
Passo 1 — a 2ª lei para a carga. Ela sobe, então a tração vence o peso:
T−mBg=mBs¨B⟹T−1471,5=150s¨B(I)
Uma equação, duas incógnitas. A que falta é cinemática, não dinâmica.
Passo 2 — o vínculo do comprimento. Chamando h=12m, o trecho inclinado (topo da haste até o trator) é sA2+h2 e o trecho vertical até a carga encurta de sB:
A leitura da resposta. O peso da carga sozinho é 1,47kN; a tração é 22% maior porque a carga está acelerando para cima. Se o trator andasse a velocidade constante nessa mesma posição, a aceleração da carga seria só −0,182m/s2 (o segundo termo, negativo) e a tração ficaria abaixo do peso.
Por que dois termos na segunda derivada. O primeiro vem de s¨A e de s˙A2; o segundo, da mudança de direção da corda. Eles têm sinais opostos e magnitudes muito diferentes aqui, mas em outra posição podem se cancelar — e é por isso que não existe atalho geométrico nesse tipo de questão.
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Questão 161º EE2025.2Roldanas com três cabos sobre a carga · Velocidade em 5 s3,0 ptsVer material
Os dois blocos mostrados na figura estão originalmente em repouso. Desprezando as massas das roldanas e o efeito do atrito nessas roldanas e entre o bloco A e a superfície horizontal, determine a velocidade do bloco B no instante 5 segundos.
mA=30kg, mB=25kg, g=9,81m/s2.
Conte os trechos verticais. São três entre o alto e B — dois na roldana móvel e um preso direto no corpo de B. É esse número, e só ele, que fixa a razão do vínculo e a força que sustenta B.
Gabarito
aB=0,831m/s2 e vB=4,16m/s (com aA=2,49m/s2).
Passo a passo
Passo 1 — o vínculo, contando os trechos. Medindo sB para baixo a partir do nível das polias fixas, os três trechos verticais têm comprimento sB cada, e o trecho horizontal vale sA:
sA+3sB=L=const.⟹vA=−3vB⟹∣aA∣=3∣aB∣(1)
Passo 2 — a 2ª lei para A. Superfície e roldanas sem atrito, então a única força horizontal é a tração:
T=mAaA=30(3aB)=90aB(2)
Passo 3 — a 2ª lei para B. Aqui está o segundo uso do “três”: são três trechos de cabo tirando B para cima, cada um com a mesma tração T (roldanas ideais):
Passo 5 — cinemática. Partiu do repouso e a aceleração é constante:
vB=aBt=0,831(5)=4,16m/s
E, por (1), A desliza a vA=12,5m/s — três vezes mais rápido.
Onde essa questão é perdida. O “3” aparece duas vezes, e nos dois lugares tem de ser o mesmo número:
na cinemática, aA=3aB (o bloco leve anda três vezes mais);
na dinâmica, 3T sustenta B.
Se você usar 3 num lugar e 2 no outro, a conta fecha e a resposta sai errada — sem nenhum aviso. Conte os trechos no desenho, marque cada um, e só então escreva as equações.
Confira pela energia. É a melhor apólice contra erro de vínculo: a potência que B entrega ao cabo tem de ser a que A recebe. 3TvB=TvA, e de fato 3vB=vA. ✔
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Questão 171º EE2023.1Raio de curvatura no lançamento e em outro ponto2,0 ptsVer material
Uma criança lança de 1,50m de altura uma bola com velocidade de 18,0m/s fazendo 30,0∘ com a horizontal. Determine a velocidade da bola nos pontos de sua trajetória em que o raio de curvatura é 2/3 do valor no ponto de lançamento.
Gabarito
vP=15,7m/s.
Passo a passo
Passo 1 — a única força é o peso. Então a aceleração é g para baixo, sempre. Sua componente normal à trajetória, em um ponto onde a velocidade faz ângulo θ com a horizontal, é
an=gcosθ=ρv2⟹ρ=gcosθv2(1)
Essa é a relação que carrega toda a questão: a normal do peso é gcosθ, e não g nem gsinθ.
Passo 2 — escreva os dois pontos por (1). No lançamento (L), θL=30∘; no ponto pedido (P), θP é incógnito:
ρL=gcos30∘vL2ρP=gcosθPvP2
A condição do enunciado é ρP=32ρL:
cosθPvP2=32⋅cos30∘vL2(2)
Passo 3 — a segunda relação, que elimina θP. No lançamento de projétil, a componente horizontal da velocidade é constante:
vLcos30∘=vPcosθP⟹cosθP=vPvLcos30∘(3)
É esse o passo que faz a questão funcionar — sem ele, sobram duas incógnitas e uma equação.
Passo 4 — substitua (3) em (2). Os cossenos de 30∘ cancelam:
vLcos30∘vP2vP=32⋅cos30∘vL2⟹vP3=32vL3
Passo 5 — a raiz é cúbica, não quadrada.
vP=332vL=0,8736(18,0)=15,7m/s
A leitura da resposta. A relação ρ∝v3 (juntando (1) e (3)) é elegante e vale para qualquer projétil: o raio de curvatura é proporcional ao cubo da velocidade. Menos 2/3 de raio custa só 13% de velocidade.
E note o que não foi usado: a altura de 1,50m. Ela é distrator puro — a resposta não depende de onde a bola foi lançada. Existem dois pontos com esse raio, um na subida e um na descida, e é por isso que o enunciado diz “nos pontos”, no plural.
Cuidado com a raiz.vP3=32vL3 dá vP=(2/3)1/3vL=15,7. Escrever 2/3(18)=14,7 é o erro mais provável — e a diferença de 1m/s é grande o bastante para custar a questão.
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Questão 181º EE2024.1Projétil · Ângulo que maximiza a área da trajetória3,0 ptsVer material
Um projétil é lançado obliquamente no vácuo com velocidade inicial V0 formando um ângulo α com o eixo horizontal, no plano XY. Considerando a aceleração da gravidade local igual a g e desprezando todas as formas de dissipação de energia, encontre o ângulo de lançamento para que a área da trajetória tenha valor máximo.
Gabarito
α=60∘.
Passo a passo
Passo 1 — as duas grandezas da parábola. Do lançamento de projétil:
R=gV02sin2αhmax=2gV02sin2α
Passo 2 — a área sob uma parábola. O segmento parabólico de base R e altura h tem área
A=32Rh
Esse 2/3 é de Arquimedes, e vale a pena guardar — é a área entre a parábola e a sua corda, e aparece em toda questão desse tipo. (Se você não lembrar, é uma integral de duas linhas: ∫0R(xtanα−2V02cos2αgx2)dx dá o mesmo.)
Passo 3 — monte A(α).
A=32⋅gV02sin2α⋅2gV02sin2α=3g2V04sin2αsin2α
Abrindo sin2α=2sinαcosα:
A=3g22V04sin3αcosα
Passo 4 — maximize. Só o fator f(α)=sin3αcosα depende de α:
f′(α)=3sin2αcos2α−sin4α=sin2α(3cos2α−sin2α)
Anulando (e descartando α=0, que dá área nula):
tan2α=3⟹tanα=3⟹α=60∘
Passo 5 — a área máxima, se a questão pedir o valor:
Amax=3g22V04(23)3(21)=8g23V04
A leitura da resposta.45∘ maximiza o alcance; 90∘ maximiza a altura; 60∘ maximiza a área. Faz sentido que o ângulo da área fique entre os dois, e mais perto da altura — porque na fórmula A∝sin3αcosα o seno entra ao cubo e o cosseno na primeira potência: a altura “pesa” três vezes mais.
Cuidado. Nem V0 nem g aparecem na resposta, e isso é esperado: eles multiplicam a área inteira sem mexer no lugar do máximo. Se o seu α depender de V0, algo foi derivado errado.
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Questão 191º EE2024.1Esquiador na parábola · Trabalho, velocidade e normal no fundo4,0 ptsVer material
Um esquiador desliza sem atrito ao longo da trajetória de equação y=40x2−10 (em metros). Ele tem massa m=40kg e parte do repouso no ponto A, de coordenada vertical yA=5m. Seja B o ponto mais baixo da trajetória. Com g=9,81m/s2 apontando verticalmente para baixo, determine:
o trabalho da força gravitacional entre A e B;
o módulo da velocidade do esquiador em B;
as componentes tangencial e normal da aceleração em B;
o módulo da força normal sobre o esquiador em B.
No fundo da parábola a tangente é horizontal — e isso simplifica tudo: a componente tangencial do peso é nula e a normal aponta direto para cima.
Gabarito
a) UA→B=5,89kJ. b) vB=17,2m/s.
c) at=0 e an=14,7m/s2. d) N=981N.
Passo a passo
Passo 1 — localize os dois pontos. O fundo da parábola é x=0, logo
yB=−10m
e o esquiador desce, de yA=5 até yB=−10, uma altura de
h=5−(−10)=15m
(Se quiser a abscissa de A: 5=x2/40−10⇒xA=600=24,5m — mas ela não entra em nada.)
Passo 2 — item (a). O trabalho do peso só depende da altura, nunca do caminho:
UA→B=mgh=40(9,81)(15)=5886J=5,89kJ
Positivo, porque desceu.
Passo 3 — item (b), trabalho e energia. Sem atrito, e a normal não trabalha (é perpendicular ao movimento). Partindo do repouso:
0+5886=21(40)vB2⟹vB2=294,3⟹vB=17,2m/s
Passo 4 — item (c). No fundo, y′=x/20=0: a tangente é horizontal. Então o peso é todo normal e nada tangencial:
at=gsinθ=0
Para a normal, precisa do raio de curvatura em x=0, com y′′=1/20:
Uma aceleração de 1,5g, toda apontando para cima (para o centro de curvatura, que está acima do fundo do vale).
Passo 5 — item (d), a 2ª lei na direção normal. No fundo, a normal aponta para cima e o peso para baixo; a resultante tem de ser man para cima:
N−mg=mρvB2N=40(9,81)+40(14,7)=392,4+588,6=981N
A leitura da resposta.N=981N é exatamente 2,5 vezes o peso (392N) — é isso que o esquiador sente no fundo do vale. E o número redondo não é coincidência: com h=15 e ρ=20,
mgN=1+ρ2h=1+2030=2,5
Essa fórmula vale para qualquer descida sem atrito até o fundo de uma curva, e é o jeito mais rápido de conferir o resultado.
A mesma questão, outros números. Ela reapareceu com y=20x2−5, m=52kg e A(10;0). Ali h=5m, ρ=10m, e a razão 2h/ρ dá exatamente 1: an=g=9,81m/s2, vB=9,90m/s e N=2mg=1,02kN.
Cuidado com a altura.yA=5 é a coordenada, não a altura de queda. Quem usa h=5 acha vB=9,9 e erra três dos quatro itens. O fundo da parábola está em y=−10, e é a diferença que conta.
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Questão 201º EE2023.1Esfera em cone com dois fios · Movimento circular2,0 ptsVer material
Um único fio ACB passa por um anel em C, preso a uma esfera de 1,2kg que roda com velocidade escalar constante v no círculo mostrado na figura. O ponto A está acima de B, ambos no eixo vertical, separados por d=0,88m. Sabendo que θ1=56∘ (ângulo do trecho BC com o eixo) e que a tração ao longo do fio é 9,0N, determine:
o ângulo θ2;
a velocidade escalar v.
Adote g=9,81m/s2.
Fio único passando por um anel significa tração igual nos dois trechos. É essa a informação que transforma duas incógnitas em uma.
Gabarito
a) θ2=41,5∘. b) v=4,65m/s.
Passo a passo
Passo 1 — o que “fio único por um anel” garante. O anel é liso: o fio corre livremente, então a tração é a mesma nos trechos CA e CB, e vale os 9,0N dados. Sem essa observação, o problema tem duas trações incógnitas e não fecha.
Passo 2 — item (a): equilíbrio vertical. A esfera anda em círculo horizontal, logo não tem aceleração vertical. As duas trações apontam para cima (uma para A, outra para B), com componentes verticais Tcosθ2 e Tcosθ1:
Passo 3 — o raio, pela geometria. Os dois trechos partem do mesmo ponto C, a uma distância R do eixo, e chegam a pontos separados por d no eixo. As distâncias verticais de C até B e até A são R/tanθ1 e R/tanθ2:
Passo 4 — item (b): a 2ª lei na direção radial. Agora as duas trações têm componentes horizontais no mesmo sentido, apontando para o eixo — e é essa soma que faz a esfera curvar:
O roteiro, em uma frase. Vertical primeiro (dá o ângulo que falta), geometria depois (dá o raio), radial no fim (dá a velocidade). Tentar as três juntas num sistema é possível, mas o caminho em cascata é bem mais curto — e cada etapa confere sozinha.
Cuidado.θ2<θ1: o trecho de cima é mais próximo do eixo, o que combina com A estar mais longe verticalmente. Se der θ2>θ1, o d do Passo 3 sai negativo e a geometria denuncia o erro.
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Questão 211º EE2021.2Anel em barra girando · Mola inclinada e força centrípeta3,5 ptsVer material
Se a posição do anel C, de 3kg, na barra lisa AB é mantida em r=720mm, determine a velocidade angular constante θ˙ na qual o mecanismo está girando em torno do eixo vertical. A mola, de k=200N/m, tem comprimento não deformado de 400mm e está presa a um ponto D do eixo, 300mm abaixo da barra. Despreze a massa da barra e a dimensão do anel.
A mola é inclinada: só a sua componente horizontal produz a força centrípeta. A componente vertical é equilibrada pela barra, que é lisa mas segura o anel na vertical.
Gabarito
θ˙=5,70rad/s.
Passo a passo
Passo 1 — o comprimento e a deformação da mola. O triângulo DCA é retângulo em A, com cateto horizontal r=0,72m e cateto vertical 0,30m:
Ela é de tração (a mola está esticada), e portanto puxa o anel para dentro, na direção de D.
Passo 3 — a componente radial. Só a parte horizontal da força da mola aponta para o eixo, e ela é Fs vezes o cosseno do ângulo com a horizontal — ou seja, vezes r/L:
Fr=FsLr=76,00,780,72=70,2N
Passo 4 — a equação radial em coordenadas polares. Aqui está o ponto da questão: r é mantido constante, então r˙=r¨=0, e a aceleração radial se reduz ao termo centrípeto:
ar=r¨−rθ˙2=−rθ˙2
Somando as forças na direção radial (para fora positiva), só a mola aparece, e ela aponta para dentro:
O que a barra lisa faz e o que não faz. “Lisa” mata o atrito ao longo da barra — que é a direção radial. Mas a barra ainda exerce força perpendicular a si mesma: é ela que equilibra a componente vertical da mola (76,0×0,30/0,78=29,2N) e o peso (29,4N). Essas duas quase se cancelam aqui, por coincidência dos números — mas nenhuma das duas entra na equação radial, e é por isso que nem g é necessário.
Cuidado com a projeção. É tentador usar Fs inteiro como força centrípeta. Isso daria θ˙=5,93rad/s — perto o bastante para parecer certo, e errado. A componente é o passo que a questão está cobrando.
Uma caixa de 6,0kg desliza por uma superfície lisa (sem atrito) na forma de uma rampa retilínea com inclinação de 20∘ com a horizontal até o ponto A, no qual a caixa desenvolve uma velocidade vA=2m/s. A partir do ponto A a superfície tem um perfil de arco circular de raio 1,2m. Sendo B o ponto onde a caixa abandona a superfície, determine o ângulo θ medido a partir de A, ao longo do arco.
Adote g=9,81m/s2.
O ângulo θ é medido no centro O, a partir do raio que passa por A. Como a rampa faz 20∘ com a horizontal, o raio até B faz θ+20∘ com a vertical.
Gabarito
θ=22,3∘ (com vB=2,95m/s).
Passo a passo
Passo 1 — traduza “abandona a superfície”. Perder contato é a normal chegar a zero. Com N=0, quem faz a curva é só a componente radial do peso. Em B, o raio OB faz θ+20∘ com a vertical, então essa componente é mgcos(θ+20∘):
mgcos(θ+20∘)=mρvB2⟹vB2=1,2gcos(θ+20∘)(I)
Passo 2 — a altura descida de A até B. Ambos estão no arco de raio 1,2. A altura de um ponto do arco abaixo do centro é ρcos(aˆngulo com a vertical), então
h=1,2cos20∘−1,2cos(θ+20∘)=1,128−1,2cos(θ+20∘)
Passo 3 — conservação da energia (superfície lisa, normal não trabalha):
Passo 4 — o truque da questão. Aquele termo em (II) é exatamentevB2, pela equação (I). Substituindo, o cosseno desaparece e sobra uma equação só em vB:
Por que esse par de equações é o esqueleto da questão. Toda pergunta do tipo “onde ele descola?” tem a mesma estrutura: Newton com N=0 dá uma relação entre v e o ângulo; energia dá outra. Duas equações, duas incógnitas. E quase sempre o termo ρgcosϕ aparece nas duas, o que permite eliminar o ângulo antes de tocar em qualquer arco-cosseno — foi isso que o Passo 4 fez.
Cuidado com a referência do ângulo. O θ do enunciado é contado de A, não da vertical. Quem resolve para o ângulo com a vertical acha 42,3∘ e entrega o número errado, tendo feito toda a física certa. Leia a figura antes de escrever a resposta final.
A massa de 6,0kg não entrou em nada — como sempre em questão de “onde descola”, porque N=0 elimina a única força que dependia dela. Se ela aparecer na sua resposta, algo se perdeu.
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Questão 231º EE2025.2Verdadeiro ou falso · As dez armadilhas conceituais1,5 ptsVer material
Marque V se a afirmativa for verdadeira e F se for falsa.
A aceleração média de uma partícula é sempre igual à derivada temporal da sua velocidade instantânea.
Se a velocidade escalar de uma partícula é constante, sua aceleração é nula.
É possível que um corpo tenha aceleração nula e, ainda assim, esteja em movimento.
Se a força resultante sobre um corpo é nula, ele deve estar em repouso.
A força de atrito estático realiza trabalho dissipativo, reduzindo a energia mecânica do sistema.
A energia mecânica de um sistema é sempre conservada, independentemente das forças atuantes.
Em uma colisão inelástica, a energia mecânica e a quantidade de movimento linear são conservadas.
Em uma colisão perfeitamente inelástica, a quantidade de movimento linear não se conserva.
Se a energia cinética não é conservada em uma colisão, necessariamente a quantidade de movimento também não é.
A terceira lei de Newton afirma que para toda ação existe uma reação de mesma intensidade, mesmo sentido e direção oposta, atuando em corpos diferentes.
Gabarito
1-F 2-F 3-V 4-F 5-F 6-F 7-F 8-F 9-F 10-F
Só a afirmativa 3 é verdadeira.
Passo a passo
1. Falso. A derivada temporal da velocidade instantânea é a aceleração instantânea. A média é a razão de diferenças finitas:
ameˊd=ΔtΔva=dtdv
As duas coincidem só quando a aceleração é constante.
2. Falso. “Velocidade escalar constante” é só o módulo que não muda. Num movimento circular uniforme a direção muda a cada instante, e isso é aceleração:
an=ρv2=0
Aceleração nula exige o vetor velocidade constante — módulo e direção.
3. Verdadeiro. É a única verdadeira da lista. Movimento retilíneo uniforme: v constante e não nula, a=0. É a 1ª lei de Newton.
4. Falso. Força resultante nula significa aceleração nula, e isso inclui repouso ou velocidade constante. Confundir “equilíbrio” com “parado” é o erro conceitual mais antigo da mecânica — é literalmente o que Newton corrigiu em Aristóteles.
5. Falso. Atrito estático atua onde não há escorregamento relativo, então o ponto de aplicação não se desloca em relação à superfície e o trabalho é nulo. É o atrito cinético que dissipa. Consequência prática: uma roda que rola sem escorregar não perde energia pelo atrito no contato — é o que autoriza usar conservação da energia nas questões de rolamento.
6. Falso. A energia mecânica se conserva somente se todas as forças que trabalham são conservativas (peso, mola). Com atrito, arrasto ou uma força externa qualquer, ela não se conserva:
T1+V1+∑Una˜o-cons.=T2+V2
7. Falso. O momento linear se conserva (não há impulso externo), mas a energia mecânica não — é exatamente essa a definição de colisão inelástica. A afirmativa acerta metade e por isso é a mais perigosa da lista.
8. Falso. Perfeitamente inelástica é o caso e=0: os corpos saem juntos. É o caso em que se perde a máxima energia possível — mas a quantidade de movimento se conserva, como em toda colisão sem impulso externo. Aliás, é justamente por ela se conservar que a velocidade final se calcula:
v′=mA+mBmAvA+mBvB
9. Falso. As duas conservações são independentes. O momento se conserva em toda colisão em que o impulso externo é desprezível — seja ela elástica, parcialmente elástica ou plástica. A energia cinética se conserva só quando e=1. Ou seja: a energia não se conservar é a regra, e o momento se conservar continua valendo.
10. Falso. A pegadinha está em “mesmo sentido e direção oposta”, que inverte os dois termos. O correto é mesma direção (a mesma linha de ação) e sentidos opostos. O resto da afirmativa está certo, inclusive a parte mais importante: as duas forças atuam em corpos diferentes, e é por isso que nunca se cancelam no diagrama de um só corpo.
O que essa questão está testando de verdade. Nove das dez são falsas, e a distribuição não é acidente: cada uma é uma confusão que aparece nas contas do semestre. Vale ler a lista de novo antes da prova, porque as afirmativas 2, 4 e 9 são as que mais passam por verdadeiras — na folha corrigida que serviu de fonte para esta questão, foram exatamente essas três que o aluno errou.
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Questão 241º EERevisão · Prof. Paulo RobertoForça resultante no movimento circular · Altura na rampa2,0 ptsVer material
Um objeto puntiforme de massa m é lançado do ponto X e descreve inicialmente uma trajetória circular de raio R e centro em O, numa pista lisa tangente ao solo. O objeto passa pelo ponto Y, cuja distância até a superfície horizontal é igual ao raio R — isto é, Y está no nível do centro O. Se o módulo da força resultante sobre o objeto em Y é 5mg, determine a altura máxima hmax que ele atinge na rampa.
Em Y o raio é horizontal: a normal é horizontal e o peso é tangencial. Por isso a resultante é a hipotenusa de N e mg — e é ela que o enunciado dá.
Gabarito
hmax=2R.
Passo a passo
Passo 1 — a chave da questão: decomponha a resultante em Y. O ponto Y está no nível do centro, então o raio OY é horizontal. Consequências:
a normal é radial, portanto horizontal, apontando para O;
o peso é vertical, portanto tangencial — nenhuma componente radial.
As duas são perpendiculares, e o módulo da resultante é a hipotenusa:
FR=N2+(mg)2=5mgN2=5m2g2−m2g2=4m2g2⟹N=2mg
Passo 2 — a normal é a única força centrípeta ali. Como o peso é puramente tangencial em Y:
N=mRvY2⟹2mg=mRvY2⟹vY2=2gR
Passo 3 — energia de Y até o topo da rampa. A pista é lisa; no ponto mais alto da rampa o objeto para. Tomando o solo como referência, Y está a uma altura R:
Por que o resultado é tão limpo. A altura extra que a velocidade compra é vY2/2g=R — exatamente o mesmo R da altura de Y. Não é coincidência: o 5 do enunciado foi escolhido para dar N=2mg, e N=2mg dá vY2=2gR, que dá altura R. Questão de banca é construída de trás para frente assim.
Cuidado — o erro que a questão está caçando. É tentador escrever N−mg=mv2/R, como se fosse o ponto mais baixo da circunferência. Em Yo peso não tem componente radial: ele não soma nem subtrai da normal, ele fica perpendicular a ela. Antes de montar ∑Fn, desenhe o raio e veja para onde ele aponta.
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Questão 251º EELista · Hibbeler 12.13a = f(t) · Velocidade, posição e distância totalVer material
A aceleração de uma partícula movendo-se ao longo de uma linha reta é a=(2t−1)m/s2, com t em segundos. Se s=1m e v=2m/s quando t=0, determine a velocidade e a posição da partícula quando t=6s. Determine também a distância total percorrida nesse período.
Gabarito
v=32m/s, s=67m e sT=66m.
Passo a passo
Passo 1 — integre a aceleração.a é função só de t, então é integrar duas vezes e usar as condições iniciais:
v=2+∫0t(2τ−1)dτ=2+t2−t
Passo 2 — integre a velocidade.
s=1+∫0t(2+τ2−τ)dτ=1+2t+3t3−2t2
Passo 3 — em t=6s:
v=2+36−6=32m/ss=1+12+72−18=67m
Passo 4 — a distância total exige um teste. Ela só difere do deslocamento se a partícula inverter o sentido, ou seja, se v=0 em algum instante do intervalo:
t2−t+2=0⟹Δ=1−8=−7<0
Sem raiz real: vnunca se anula, e como v(0)=2>0, a partícula anda sempre para frente. Logo
sT=s(6)−s(0)=67−1=66m
Cuidado. Note que s(6)=67m é a posição, e sT=66m é a distância percorrida — a diferença é o 1m da posição inicial. E o teste do Passo 4 não é opcional: nesta questão ele deu negativo, mas na de 2023.1 do 1º EE (com a=kt) ele deu raiz dentro do intervalo, e a resposta mudou de 87 para 138m.
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Questão 261º EELista · Hibbeler 12.15v = f(x) · Passar de posição para tempoVer material
Uma partícula se move ao longo de uma linha reta de modo que sua velocidade é v=(−4x2)m/s, com x em metros. Se x=2m quando t=0, determine a velocidade e a aceleração em função do tempo.
Gabarito
v=−(8t+1)216m/sa=(8t+1)3256m/s2
Passo a passo
Passo 1 — o pedido tem uma pegadinha de forma. A velocidade é dada em função de x, e a resposta é pedida em função de t. Então o primeiro trabalho não é derivar nada: é achar x(t).
dtdx=−4x2⟹x2dx=−4dt
Passo 2 — integre com a condição inicialx=2 em t=0:
Passo 3 — a velocidade. Agora basta levar x(t) na expressão dada:
v=−4x2=−4(8t+12)2=−(8t+1)216m/s
Passo 4 — a aceleração, derivando no tempo:
a=dtdv=−16⋅(−2)(8t+1)−3⋅8=(8t+1)3256m/s2
A leitura da resposta.v<0 e a>0: a partícula anda para −x e está freando (aceleração oposta à velocidade). E como x→0 quando t→∞, ela se aproxima da origem cada vez mais devagar, sem nunca chegar. Confira em t=0: v=−16m/s, que é −4(2)2. ✔
Cuidado com o atalho errado. É tentador escrever a=vdv/dx=(−4x2)(−8x)=32x3 e parar. Está certo — mas é a em função de x, não de t, e não é o que se pediu. Só serve como conferência: substituindo x=2/(8t+1) em 32x3 dá 256/(8t+1)3. ✔
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Questão 271º EELista · Hibbeler 12.23Queda com arrasto · Velocidade terminalVer material
Levando em conta os efeitos da resistência atmosférica, um corpo em queda livre tem aceleração definida por a=9,81[1−v2(10−4)]m/s2, com v em m/s e o sentido positivo para baixo. Se o corpo é solto a partir do repouso a uma grande altitude, determine:
a velocidade quando t=5s;
a maior velocidade atingível — a velocidade terminal, quando t→∞.
Gabarito
a) v=45,5m/s. b) vmax=100m/s.
Passo a passo
Passo 1 — comece pelo item (b), que é uma linha. A velocidade terminal é onde a aceleração se anula: o arrasto empatou com o peso.
1−vmax2(10−4)=0⟹vmax=104=100m/s
Fazer isso primeiro dá o número para o qual o item (a) tem de convergir — é conferência de graça.
Passo 2 — item (a): separe as variáveis. Aceleração em função de v, pergunta com tempo, então a=dv/dt:
1−v2/104dv=9,81dt
Passo 3 — a integral do lado esquerdo. Com u=v/100:
∫0v1−(v/100)2dv=100artanh(100v)
(Se preferir sem função hiperbólica, é a integral de frações parciais: 2100ln100−v100+v — dá o mesmo.)
Passo 4 — iguale e isole v:
100artanh(100v)=9,81t⟹v=100tanh(0,0981t)
Passo 5 — em t=5s:
v=100tanh(0,4905)=100(0,4547)=45,5m/s
A leitura da resposta. Em queda livre sem ar, depois de 5s o corpo estaria a 49,1m/s — o arrasto já tirou 7%. E ele nunca passa dos 100m/s: a tanh satura. Vale notar que “grande altitude” no enunciado é o que autoriza tratar g e a densidade do ar como constantes por todo o percurso.
Cuidado. Não use v=at: a aceleração começa em 9,81 e cai continuamente. E o 10−4 tem unidade escondida (s2/m2) — é ele que faz o parêntese ser adimensional.
Uma partícula se move ao longo de uma linha reta com aceleração a=(−2v)m/s2, com v em metros por segundo. Se v=20m/s quando s=0 e t=0, determine a posição, a velocidade e a aceleração em função do tempo.
Gabarito
v=20e−2tm/ss=10(1−e−2t)ma=−40e−2tm/s2
Passo a passo
Passo 1 — a velocidade. Aceleração proporcional à própria velocidade é a assinatura do decaimento exponencial:
Passo 2 — a posição, integrando v de 0 a t com s(0)=0:
s=∫0t20e−2τdτ=20[−2e−2τ]0t=10(1−e−2t)m
Passo 3 — a aceleração, que sai de graça de duas maneiras. Derivando v:
a=dtdv=−40e−2tm/s2
ou simplesmente aplicando a definição dada, a=−2v=−2(20e−2t). As duas concordam — e conferir por dois caminhos custa cinco segundos.
A leitura da resposta, que é o ponto da questão. A partícula nunca para (v>0 para todo t), mas percorre uma distância finita:
s∞=t→∞lim10(1−e−2t)=10m
Ela se aproxima de 10m e nunca chega. Esse par “movimento eterno, alcance finito” é a marca de a∝−v, e é o modelo de arrasto viscoso (a baixa velocidade) — diferente do arrasto quadrático a∝−v2, que tem velocidade terminal em vez de alcance finito.
Cuidado com a constante de integração. O limite inferior v=20 e t=0 tem de entrar na integral, não depois. Quem integra indefinido e esquece o C acha v=e−2t e erra os três itens.
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Questão 291º EELista · Hibbeler 12.47Gráfico a–t do trem-bala · Instante de parada e distânciaVer material
O gráfico a–t de um trem-bala é dado pela figura: a aceleração cresce como a=0,1t até t=30s, e depois decai como a=−151t+5. Se o trem parte do repouso, determine o instante t′ em que ele volta ao repouso e a distância total percorrida nesse intervalo. Trace os gráficos v–t e s–t.
Repare que a aceleração troca de sinal em t=75s e continua negativa depois — o trem só para bem além disso, em t′=133s.
Gabarito
t′=133s e sT=8,86km.
Passo a passo
Passo 1 — primeiro trecho, 0≤t≤30. Integrando a=0,1t do repouso:
v=0,05t2⟹v(30)=45m/ss=60t3⟹s(30)=450m
Passo 2 — segundo trecho, t≥30. Integrando a=−t/15+5 a partir de v(30)=45:
v=45+[−30τ2+5τ]30t=−30t2+5t−75
Confira em t=30: −30+150−75=45. ✔
Passo 3 — quando o trem para.v=0:
t2−150t+2250=0⟹t=2150±13500={16,9;133,1}
A raiz 16,9s é descartada: ela está fora do domínio deste trecho (que começa em 30s). Logo
t′=133s
Passo 4 — a distância do segundo trecho, integrando v:
Passo 5 — total. O trem só andou para frente (a velocidade nunca ficou negativa antes de t′), então distância é deslocamento:
sT=450+8407,5=8858m≈8,86km
Os gráficos, em palavras. O v–t é uma parábola crescente até t=30, depois uma parábola de boca para baixo que atinge o máximo em t=75s — exatamente onde a cruza o zero — e volta a zero em t′=133s. O s–t cresce sempre, com a concavidade virando de cima para baixo em t=75, e termina em 8,86km com tangente horizontal.
O ponto que a questão testa. É fácil confundir "a=0" com “parou”. Em t=75s a aceleração é nula e o trem está na sua velocidade máxima, v=112,5m/s — o oposto de parar. Quem responde t′=75s perde os dois itens.
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Questão 301º EELista · Hibbeler 12.82Trajetória helicoidal · Módulos de v e aVer material
Um carrinho de montanha-russa desloca-se para baixo em uma trajetória helicoidal com velocidade escalar constante, de tal maneira que as equações paramétricas que definem sua posição são
x=csenkty=ccosktz=h−bt
em que c, h, b e k são constantes. Determine as intensidades da sua velocidade e da sua aceleração.
Gabarito
v=c2k2+b2a=ck2
Passo a passo
Passo 1 — derive componente por componente. Em coordenadas retangulares os versores são fixos, então é derivada simples:
x˙=ckcoskty˙=−cksenktz˙=−b
Passo 2 — o módulo da velocidade. Aqui entra a identidade que faz a questão fechar, cos2+sen2=1:
v=c2k2cos2kt+c2k2sen2kt+b2=c2k2+b2
Constante — o que confirma a afirmação do enunciado (“velocidade escalar constante”) em vez de apenas aceitá-la.
A leitura da resposta, que é a moral da questão. A velocidade escalar é constante e a aceleração não é zero. Ela vale ck2, é puramente horizontal (a componente z zerou) e aponta sempre para o eixo da hélice:
x¨i+y¨j=−k2(xi+yj)
Ou seja: é puramente centrípeta. Faz todo sentido — em módulo a velocidade não muda (at=0), só a direção, e curvar exige aceleração. É o mesmo conteúdo da afirmativa 2 do verdadeiro-ou-falso de 2025.2, aqui em três dimensões.
Conferência pelo raio de curvatura. Se a=an=v2/ρ, então
ρ=av2=ck2c2k2+b2
Com b=0 (hélice achatada num círculo) isso dá ρ=c, o raio do círculo. ✔ E com b=0 o raio de curvatura é maior que c: a hélice é mais “aberta” que a circunferência da sua projeção.
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Questão 311º EELista · Hibbeler 12.86Arremesso de basquete · Velocidade inicial e na cestaVer material
Desconsiderando o tamanho da bola de basquete, determine a intensidade vA da velocidade inicial da bola e a sua velocidade quando ela passa pela cesta. A bola sai da mão em A, a 2m do chão, fazendo 30∘ com a horizontal; a cesta B está a 3m do chão e a 10m de distância horizontal.
O que se conhece é a geometria do lance: Δx=10m e Δy=+1m. O ângulo é dado, e é isso que permite eliminar o tempo entre as duas equações.
Gabarito
vA=11,7m/s e vB=10,8m/s.
Passo a passo
Passo 1 — as duas equações do projétil. Com origem em A, Δx=10 e Δy=3−2=1m:
A leitura da resposta. A bola chega descendo (vBy<0), a 20,6∘ abaixo da horizontal — o que é exatamente o que se quer num arremesso: entrar na cesta de cima. E chega mais lenta que saiu (10,8 contra 11,7), porque subiu 1m no líquido: pela energia, vB2=vA2−2g(1)=137,0−19,6=117,4, e 117,4=10,8. ✔ Essa conferência por energia é uma linha e vale sempre em projétil.
Cuidado.Δy=+1m, não 3m nem −1. A bola sai a 2m e chega a 3m: ela sobe no saldo. Trocar o sinal dá vA=9,83m/s.
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Questão 321º EELista · Hibbeler 13.31Caixa deslizando no carrinho · Tração que segura o conjuntoVer material
A caixa B tem massa m e parte do repouso quando está no topo do carrinho A, que tem massa 3m e roda livremente. Determine a tração na corda CD necessária para impedir que o carrinho se mova enquanto B está deslizando para baixo sobre A. Desconsidere o atrito. A face inclinada de A faz ângulo θ com a horizontal, e a corda CD é horizontal.
Gabarito
T=mgsenθcosθ=21mgsen2θ
Passo a passo
Passo 1 — isole a caixa B. Sem atrito, as únicas forças são o peso e a normal da rampa. Como a rampa está parada (é o que a corda garante), B desce a rampa com a aceleração clássica aB=gsenθ, e a normal vale
N=mgcosθ
Passo 2 — isole o carrinho A. Sobre ele agem: o peso, a normal do piso, a reação da caixa (que é N, apontando para dentro da face inclinada) e a tração T da corda.
A reação N é perpendicular à face, então faz ângulo θ com a vertical: sua componente horizontal vale Nsenθ.
Passo 3 — equilíbrio horizontal de A. O carrinho não se move, então a soma das forças horizontais é zero:
T=Nsenθ=mgcosθsenθT=21mgsen2θ
Onde está a graça da questão: a massa 3m não entra. É distrator puro, e a razão é conceitual — o carrinho está em equilíbrio, então a segunda lei aplicada a ele é ∑F=0, e a massa multiplica uma aceleração nula. A massa de A só importaria se ele se movesse (e aí a questão seria bem mais longa).
A leitura da resposta.T é máxima em θ=45∘, valendo mg/2; e vai a zero nos dois extremos — com θ=0 nada desliza, e com θ=90∘ a caixa cai livre sem empurrar a face. O sen2θ captura os dois limites de uma vez, e é um bom teste de sanidade.
Cuidado. A componente horizontal é Nsenθ, não Ncosθ. A normal é perpendicular à face inclinada, e por isso ela faz θ com a vertical, não com a horizontal. Desenhar a normal antes de projetar é o que evita esse erro.
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Questão 331º EELista · Hibbeler 13.37Bloco sobre placa · Dois atritos e vínculo por caboVer material
O bloco A de 10kg se apoia na placa B de 50kg, ambos sobre um plano inclinado a 30∘. Um cabo liga A, passa por uma polia C no alto do plano e volta a B. Os coeficientes de atrito cinético são μAB=0,2 (entre o bloco e a placa) e μBC=0,1 (entre a placa e o plano). Desprezando a massa da corda e da polia, determine o tempo necessário para o bloco A deslizar 0,5msobre a placa, quando o sistema é liberado do repouso.
Adote g=9,81m/s2.
Gabarito
t=0,519s (com aB=1,854m/s2, aA=−1,854m/s2 e T=84,6N).
Passo a passo
Passo 1 — as duas normais, uma empilhada na outra. Perpendicular ao plano, nada acelera:
Passo 5 — resolva o sistema (1), (2) e (3). Somando (1) e (2) com aA=−aB:
aB=1,854m/s2aA=−1,854m/s2T=84,6N
Passo 6 — o movimento RELATIVO, que é a pergunta. O enunciado pede 0,5mdo bloco sobre a placa, não no chão. Como eles vão em sentidos opostos:
sB=sA+sB/A⟹−ΔsA=ΔsA+0,5⟹ΔsA=−0,25m
Cada um anda 0,25m, em sentidos contrários: a soma dá o 0,5m de escorregamento relativo.
Passo 7 — cinemática, com aceleração constante e partindo do repouso:
−0,25=21(−1,854)t2⟹t=0,519s
Cuidado — o erro que dobra a resposta. Usar 0,5m direto na cinemática de A dá t=0,734s. “Deslizar sobre a placa” é deslocamento relativo, e com os corpos em sentidos opostos cada um faz metade.
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Questão 341º EELista · Hibbeler 13.43Força crescente no tempo · Quando o caixote começa a andarVer material
A força exercida sobre o cabo AB por um motor é F=(100t3/2)N, com t em segundos, e é horizontal. Determine a velocidade do caixote de 50kg quando t=5s. Os coeficientes de atrito estático e cinético entre o caixote e o solo são μs=0,4 e μk=0,3. Inicialmente o caixote está em repouso.
Adote g=9,81m/s2.
Gabarito
v=32,2m/s (o caixote só começa a andar em t1=1,57s).
Passo a passo
Passo 1 — o caixote não sai do lugar na hora. Enquanto F é menor que o atrito estático máximo, nada acontece. A normal é o peso:
N=50(9,81)=490,5NFs,max=0,4(490,5)=196,2N
Passo 2 — o instante em que ele arranca.
100t13/2=196,2⟹t1=(1,962)2/3=1,567s
É esse passo que a questão está cobrando. Ignorá-lo e integrar desde t=0 é o erro clássico: nos primeiros 1,57s a força existe mas não produz impulso útil, porque o atrito estático a cancela integralmente.
Passo 3 — daí em diante o atrito é cinético, e constante:
Fk=0,3(490,5)=147,15N
Passo 4 — teorema do impulso e momento linear, de t1 a 5s, partindo do repouso:
A leitura da resposta. O μs>μk do enunciado não é decoração: é o que cria as duas fases. O μs define quando começa; o μk define quanto freia depois. Sempre que uma questão dá os dois coeficientes, procure a transição.
Cuidado com o expoente fracionário.∫t3/2dt=52t5/2, então o 100 vira 40. E 55/2=255=55,90 — não 52,5 feito à mão errado. Integrar desde t=0 daria v=30,0m/s: perto o bastante para passar despercebido, e errado.
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Questão 351º EELista · Hibbeler 13.51Bloco na bandeja sobre mola · Onde a normal se anulaVer material
O bloco A tem massa mA e se apoia sobre a bandeja B, de massa mB. Ambos são apoiados por uma mola de rigidez k, presa ao fundo da bandeja e ao solo. Determine a distância d que a bandeja deverá ser empurrada para baixo a partir da posição de equilíbrio e depois largada, de modo que haja separação entre o bloco e a superfície da bandeja no instante em que a mola não estiver esticada.
Gabarito
d=k(mA+mB)g
Passo a passo
Passo 1 — a deformação de equilíbrio. Em repouso, a mola sustenta os dois:
kyeq=(mA+mB)g⟹yeq=k(mA+mB)g
Passo 2 — traduza “separação”. O bloco e a bandeja se separam quando a força que a bandeja faz no bloco chega a zero, isto é, N=0. Nesse instante, a única força no bloco é o peso:
−mAg+N=mAaN=0a=−g
Os dois estão em queda livre no instante da separação — é essa a leitura que resolve a questão. Não é preciso saber nada sobre a oscilação.
Passo 3 — a equação do conjunto, medindo y para baixo a partir do equilíbrio. Com a mola comprimida de (yeq+y):
−(mA+mB)g+k(yeq+y)=(mA+mB)a
Passo 4 — imponha a=−g (e o kyeq cancela o peso, pelo Passo 1):
ky=−(mA+mB)g
Como y é medido para baixo e a resposta d é a distância que se empurra para baixo, o módulo é
d=k(mA+mB)g
A leitura da resposta, que é bonita.d=yeq: empurrar exatamente a própria deformação de equilíbrio. E não é coincidência — significa que a bandeja é levada até o ponto onde a mola está no comprimento natural, que é justamente onde o enunciado pede a separação. A mola, solta desse ponto, devolve o sistema com aceleração para baixo de módulo g na outra extremidade do movimento.
Cuidado. O ponto de separação é onde N=0, não onde a velocidade é máxima nem onde a mola está no meio do curso. E note que a resposta usa a soma mA+mB — não só mA: quem sobe a bandeja é a mola, que sente as duas massas.
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Questão 361º EELista · Hibbeler 13.73Carro no alto de um morro parabólico · Normal e atritoVer material
Um carro de 0,8Mg desloca-se sobre um monte com formato de parábola, de equação y=20(1−6400x2) metros. Quando o carro está no ponto A (x=80m), ele está se deslocando a 9m/s e aumentando sua velocidade a 3m/s2. Determine a força normal resultante e a força de atrito resultante que todas as rodas exercem sobre a estrada nesse instante. Despreze a dimensão do carro.
Adote g=9,81m/s2.
Gabarito
N=6,73kN e F=1,11kN (freando, contra o movimento).
E vale notar: em x=80, y=0 — o carro está no pé do morro, não no topo.
Passo 2 — as duas componentes da aceleração. A tangencial é dada; a normal sai do raio de curvatura:
at=3,00m/s2an=ρv2=223,681=0,362m/s2
Passo 3 — a normal. A parábola é côncava para baixo e o carro anda por cima: o centro de curvatura está abaixo da pista, então an aponta para baixo. Nessa direção, a componente do peso empurra para o centro e a normal, para fora:
O sinal negativo diz o que interessa: o atrito aponta contra o movimento, com 1,11kN. O carro está acelerando a 3m/s2, mas a gravidade sozinha o aceleraria a 4,39m/s2 — então as rodas estão freando, não tracionando.
A leitura da resposta.N=6,73kN contra um peso de 7,85kN: o carro está 14% mais “leve” que parado, porque a lombada tira parte da normal. É a mesma física da sensação de flutuar ao passar rápido por uma elevação — e o limite disso é N=0, quando o carro decola.
Cuidado com o sinal do termo an. Concavidade para baixo com o corpo em cima subtrai da normal; concavidade para cima (um vale) soma. Errar isso troca 6,73 por 7,44kN — e o jeito de nunca errar é desenhar a seta de an apontando para o centro de curvatura antes de escrever a equação.
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Questão 371º EELista · Hibbeler 13.74Bloco na superfície de um cone · Tração e reaçãoVer material
O bloco B, com massa de 0,2kg, está ligado ao vértice A de um cone circular reto por uma corda leve de 200mm. O cone tem altura 400mm e raio da base 300mm, e gira com velocidade angular constante em torno do eixo z, de modo que o bloco alcança uma velocidade escalar de 0,5m/s. Nessa velocidade, determine a tração na corda e a reação que o cone exerce sobre o bloco. Despreze a dimensão do bloco e o efeito do atrito.
Adote g=9,81m/s2.
Cone 3–4–5: a geratriz mede 500mm, e por semelhança de triângulos o bloco a 200mm do vértice está a um raio de 120mm do eixo.
Gabarito
T=1,82N e NB=0,844N.
Passo a passo
Passo 1 — o raio da trajetória, por semelhança. A geratriz do cone mede 3002+4002=500mm — é um triângulo 3–4–5, e daí saem todos os senos e cossenos sem calculadora. O bloco está a 200mm do vértice ao longo da geratriz, então
200ρ=500300⟹ρ=120mm=0,120m
Passo 2 — a aceleração é puramente centrípeta. Velocidade angular constante e raio constante: nada de tangencial, nada de vertical.
an=ρv2=0,120(0,5)2=2,083m/s2
apontando horizontalmente para o eixo.
Passo 3 — os eixos inteligentes. Use os eixos alinhados com a geratriz: um paralelo a ela (onde estão a corda e o peso) e outro perpendicular (onde está a normal do cone). Do triângulo 3–4–5, a geratriz faz com a vertical um ângulo cujo seno é 3/5 e cosseno é 4/5.
Ao longo da geratriz (a corda tira para cima, o peso e parte da centrípeta atuam):
A leitura da resposta.NB>0: o bloco continua encostado no cone. Se a rotação aumentasse, a centrípeta exigida cresceria, NB cairia e em algum momento o bloco descolaria da superfície — e aí a corda passaria a fazer um ângulo diferente da geratriz, mudando o problema inteiro. Essa é a pergunta natural do item seguinte, e NB=0 é sempre a condição-limite.
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Questão 381º EELista · Hibbeler 13.76Caixote na rampa parabólica · Normal e taxa de aumento da velocidadeVer material
O caixote de 35kg tem velocidade escalar de 2m/s quando está no ponto A (x=0) de uma rampa lisa com a forma da parábola y=(4−91x2)m. Determine a força normal sobre o caixote no instante em que x=3m. Além disso, qual é a taxa de aumento em sua velocidade nesse instante?
Adote g=9,81m/s2.
Gabarito
N=180N e v˙=5,44m/s2.
Passo a passo
Passo 1 — a velocidade em x=3, pela energia. A rampa é lisa e a normal não trabalha. A altura caiu de y(0)=4 para y(3)=4−1=3m, ou seja 1m:
Passo 3 — a taxa de aumento da velocidade é a componente TANGENCIAL. Rampa lisa: a única força com componente tangencial é o peso.
v˙=at=gsenθ=9,81(0,5547)=5,44m/s2
Note que isso não depende da massa nem da velocidade — e é a resposta mais rápida da questão, então vale escrevê-la primeiro.
Passo 4 — a normal, pela direção normal. A parábola é côncava para baixo e o caixote desliza por cima: o centro de curvatura está abaixo, então an aponta para baixo, e nessa direção o peso empurra para dentro e a normal, para fora:
A leitura da resposta. O peso do caixote é 343N, e a normal em x=3 é só 180N — pouco mais da metade. Duas coisas a reduzem: a inclinação (o cosθ) e a curvatura (o v2/ρ). Se o caixote fosse mais rápido, a normal cairia mais, e em
v2=ρgcosθ=7,813(8,163)=63,8⟹v=7,99m/s
ele descolaria da rampa em x=3m. É a pergunta gêmea desta, e a conta é a mesma com N=0.
Cuidado com os dois "g". A componente tangencial usa senθ e a normal usa cosθ — trocá-los dá v˙=8,16m/s2 e N=84,7N. O jeito de não confundir: no plano horizontal (θ=0) a tangencial tem de ser zero, e só o seno faz isso.